Dá me um cornetto!

Tudo começou nos dias dos namorados desse ano (que aqui é Dia de São Valentino e comemorado em Fevereiro), quando a gente combinou que não teria presentes, “- Só troca de cartão, hein!?!” e a gente foi pra Southampton, pro show da banda dele, então tivemos que dormir por lá. Na confusão de três casas pra irmos, acabei esquecendo o cartão dele na minha casa. De última hora, na sexta-feira antes do fatídico dia, fiz um cartão com colagens de revistas e enfiei na mala, torcendo pra ele gostar e ter aquela coisinha a mais especial.

No Domingo de dia dos Namorados (e depois do show que tinha sido no Sábado) Mr. W me acordou com o cartão pra me dar nas mãos, mas junto com o cartão tinha um pacotinho, um livro sobre Veneza (que sempre foi um dos poucos lugares que eu sempre quis conhecer, e ele sabia)…. Então teve aquela bronquinha básica e biquinho “-Você sabia que não era pra ter presente, não vale, vou ter que comprar algo pra você também! 8-|  ”  e ele então suspirou no meu ouvido “Tudo bem, só que as passagens e o hotel foram mais caros!”   Minha única reação só podia ser derrubar a mandíbula e aceitar :O  Viagem marcada pro feriado de Agosto e contagem regressiva começava!

Seis meses passaram voando, muitas notícias boas chegaram, Bebê C nasceu, Bebê Dengo e Bebê ô-nome-difícil-de-se-escolher foram encomendados. Teve viagem pro Brasil depois de dois anos desesperados, e a hora de realizar o sonho de conhecer Veneza chegou também.

O dia começou na chuva – nem tão esperada em Londres nessa época do ano. Acordamos às 4:20 da manhã,e lá vamos nós! Nós dois detestamos acordar cedo, mas se é pra um dia de diversão, a gente pula da cama, no maior sono, mal-humor, dando choque, mas levanta e vai. Quando chegamos no Lounge da BA (sim, o ticket era de primeira classe, que tava em promoção do tipo toma-aqui-esses-tickets-que-agente-não-vende-nem com-reza-brava) o humor já estava melhor, e os choques tinham passado, a gente só tava feliz de termos esse tempinho longe de tudo e de todos e só nós dois que já estava vencido de acontecer 8->

Esperando no aeroporto
Esperando no aeroporto

Quem me conhece sabe que sou uma hippie-hipócrita mesmo. Tenho ideais de que todo mundo deveria dividir o que tem, não gastar tudo que ganha etc etc, mas confesso que parecia criança em loja de doce no lounge. Peguei umas 3 revistas (incluindo a Hello! – que é tipo a Caras – que eu abomino, mas de graça até injeção na testa né?) e passei a mão mesmo em alguns biscoitinhos e suquinho que ficam à disposição no lounge.

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Não sou muito de tirar fotos de dentro do avião, mas tinha como não tirar fotos desse céu azulzinho que tava por cima de Londres? Quero ver se coloco num quadro, pra me lembrar que o céu é sempre azul em Londres. Mesmo que somente por cima das nuvens que tentam estragar o espetáculo ;;) Quando estávamos chegando em Veneza, a mulher sentada do lado disse pra prestarmos atenção que Veneza ia estar do nosso lado. Me empolguei e tirei fotos de umas ilhas que não sei quais são achando que era Veneza. Já tinha ouvido falar que a cidade alaga, mas tinha limite né? Não dava pra ver uma casa, uma rua, nada! Alguns minutos depois percebemos que Veneza era a ilha grande que estava por vir, e que tinha uma estrada enooooorme do aeroporto até lá…

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Assim que descemos do avião, o bafo já conhecido das viagens ao Brasil avisava que a BBC estava mais uma vez errada com a previsão do tempo. O dia estava lindo e o Sol já estava queimando ao meio-dia. Depois do passaporte devidamente carimbado (eu ainda estou viajando com o Brasileiro, que é carimbado, enquanto o Britânico, que não é carimbado, não sai) era hora de decidir como sair do continente pra ir pra Ilha. Entre as escolhas de irmos de ônibus pela estrada (20 minutos, €3) , de taxi-barco (20 minutos, €150) ou o Vaporetto, o ônibus barco (1:30 hora, €25 ida-e-volta), escolhemos o Vaporetto. As malas vão todas amontoadas na cabine, mas a gente foi confortável com 6 assentos pra escolher e olhando na janelinha, se melecando de protetor solar, e tentando se esconder do Sol escaldante, mas delicioso. A vontade era de se jogar na água ali mesmo.

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E a viagem de 1:30 passou tão rapidinho que nem percebemos. Como boa hippie-ócrata, fiquei possessa com o yacht gigante que estava ancorado em uma das ilhas e mais possessa ainda quando vi que carregava a bandeira Britânica, cadê a recessão meu povo? Mas fiquei calminha calminha com os detalhes de Veneza pelo caminho, a primeira ponte, e a Ambulância-barco. Só espero que nenhum paciente esteja sofrendo de enjôo! :D

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E então chegamos, e a sensação de chegar num lugar novo é sempre de tirar o fôlego. Ainda mais quando é um lugar que você esperou conhecer desde a primeira vez que viu a propaganda do Cornetto. Veneza é linda. A Gisele Bunchen dos destinos turisticos. Fotogênica, charmosa, elegante, exótica. Pra onde eu olhava, era uma foto que queria tirar. Cada piscada de olho um clique. Mas antes de começar a foto-fest, precisávamos nos livrar das malas. E foi a primeira experiência com a impossibilidade de achar qualquer lugar em Veneza, mesmo tendo mapa e indicações. Se um dia você fôr, prepare-se pra se perder, muito. E adorar. A não ser, é claro, que esteja viajando há 8 horas e querendo largar as malas em qualquer canto pra começar o turismo de vez.

Achamos o hotel depois de uns 20 minutos procurando (na verdade era a 5 minutos do porto do barco), usando meu Italiano arranhado (estudei 18 meses quando tinha 14 anos) e o Inglês arrastado dos Italianos. O hotel era no coração de Veneza, bem no meio entre os dois pontos principais de turismo, a Ponte Rialto e a Basílica de São Marco. Lindo, chique, luxo, mas amigável e confortável.

Na recepção já tinham 3 Brasileiras brigando porque o quarto não tava pronto, e um grupo de americano já fazendo o check-in e se mandando pro quarto. O nosso quarto não tava pronto, então peguei a câmera, pegamos o recibo das malas, e fomos investigar a cidade que os dois tanto queríamos ter sempre ido, e nunca tinha dado certo.

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Tínhamos umas duas horas pra bater perna antes do horário do quarto ser liberado. Resolvemos voltar pelas ruazinhas de lojas, e até as bancas de máscaras de Carnaval. Mas nos perdemos um pouquinho de volta só pra eu tirar a foto da porta que me chamou a a atenção, o restaurante na viela que me lembrou Bragança. Achei fofo os relógios inspirados em Dalí. Especialmente o da torneira Perde-Tempo :-D  Só não comprei porque a gente não ia conseguir trazer sem quebrar em mil pedacinhos. Mas talvez um dia compre e mande entregar, quem sabe?

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A rua das lojinhas (aliás, se você não se perder – de propósito ou sem querer –  em Veneza, todas as ruas vão ter lojinhas) terminava na Basílica de São Marco, que já tinha chamado a nossa atenção no caminho do barco até o hotel. Mas com calma, percebi quão impressionante a contrução é, toda aquela quantidade fenomenal de mármore! Linda, e monumental, mas não deixamos de comentar o preço (em dinheiro, vidas, corrupção, interesse, poder, etc…) dessa riqueza toda era diretamente proporcional ao fato da Igreja pregar divisão dos bens, cuidado com o próximo e desprendimento dos bens materiais. Mas deixamos esse fato pra lá, e decidimos apreciar todas as Igrejas como símbolos da história, da arquitetura, arte e herança a futuras gerações, incluindo a gente.

A Campanille é uma torre que ruiu em 1902 depois de incêndios e má restaurações. A gente ia entrar um dia a noite mas acabou não dando certo com os planos, mas vimos a cidade de cima no último dia, mas de outro ângulo.

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Do ladinho da Basílica tem o Palazzo Ducalle, que já foi o Governo de Veneza quando eles ainda  “lutavam” com o Vaticano pra ver quem ia ter o poder da igreja. A Praça São Marco não tem mais tantos pombos como antigamente  mas ainda tem alguns só pras fotos :) – hoje em dia você pode ser multado na hora se fôr pego pela polícia alimentando os pássaros – apesar que vimos gente dando paozinho e ningém levando multa.

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E tava um calor de lascar 36° na média, até o passarinho precisava parar pra se refrescar :) E até o cachorro mereceu uma foto em Veneza. Perdidos por ali era onde éramos agraciados com as coisas mais lindas e inexperadas, como esse protão no meio de uma pracinha. Mas sem o propósito de fechar ou trancar nada. Só ali.

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Me apaixonei mesmo pelas máscaras. Em um momento Mr. W até teve que perguntar porque é que eu tirava tantas fotos, e minha resposta foi: “Porque não?” :-?? Tirei mais de 50 fotos delas, e peguei leve na hora de dividir com o povo porque slide de fotos de viagens alheio é interessante só até um certo ponto. As sombrinhas eras fofas, e eu ia comprar uma pra mim mas 1) Não ia dar pra trazer  2) O final da viagem foi meio atribulado, acabei me atrapalhando e esqueci de comprar #-o

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Já não é mais segredo que eu sou tarada por lustres, lâmpadas, luzes em geral. É um gosto novo, eu nunca liguei muito pra isso, mas de uns meses pra cá, os detalhes me chamam a atenção e é cada vez mais difícil resistir registrar os designs maravilhosos que me encontram pelo caminho.  Sem falar no charme de uma rua sem saída, que só é sem saída se você pensar pequeno.

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E entre uma perdida e outra, a gente se encantou com os vasos nas janelas. E os cataventos nas janelas. E os canais nas janelas.

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Pra guiar os passeios perdidos, pegamos o passe de visitar 12 igrejas pelo peço de 3. Foi um veneno contra a barata-tontice que estava nos assolando de andar sem destino. As igrejas nos puxavam pros lugares mais longe dos tumultos de turistas, apesar de continuar no roteiro e mais uma vez nos proporcionar a chance de admirar uma riqueza em arquitetura e materiais que não sei se a humanidade jamais verá novamente sendo criada. Os pés cansados de andar 12-14 por dia mereciam sempre um descando onde desse, mas sempre garantido de ser um lugar espetacular, essa parada  foi nos degrais da Igreja San Stae.

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E como falar da Itália e não falar de comida? Comida gostosa, pros olhos e pra barriga. Detalhe pro coco no chuveirinho, o sorvete que nem eles sabem o sabor (Puffo = Smurfs!) deveria ter experimentado! O torrone gigante, o pão-peixe, e as massas coloridas. Na maioria das sorveterias eles colocam a fruta em cima do sabor, ou enfeitam, a-do-rei.

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E por falar em comer, ficam as dicas de restaurantes (que aliás vieram daquele livro sobre Veneza que Mr. W me deu) a Rosticceria Gislon, que parecia boteco brasileiro, com uma comida boa e barata, comemos os dois por €15 o que é a maior bagatela em Veneza, onde uma coca não sai por menos de €2,80 e pode chegar a €4,50. Comi risotto de camarão com cogumelo – não deu nem tempo de esperar pra tirar foto- e Mr. W foi de bom e velho Bolonhesa (que lá eles chamavam de Ragu).

A segunda dica é da Trattoria Da Fiore que serve pratos à la Carte, baratinhos também (mas a conta já foi €25) e bem típicos de Veneza. Comi o Ciccetti que é uma seleção de peixes e Mr. W foi de polenta com camarão.

Comida deliciosa, cheirosa, linda. E tinha como resistir?

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Pra os jantares, ficamos pelo Hotel mesmo. Aliás o Hotel Splendid foi perfeito. Mr. W pegou um quarto com vista pro canal, e toda vez que passava o gondoleiro cantando, a gente ouvia do quarto. O quarto e a cama eram confortáveis, e trocavam as toalhas duas vezes por dia (o que pra gente funcionou porque o calor era tanto que precisávamos de dois banhos mesmo). Também tinha kit de tratamento pros pés no kit do banheiro, que eu usei e abusei todos os dias :-bd

No primeiro dia estávamos acabados, vimos os preços no menu e achamos razoável, então resolvemos tentar. O garçom era uma simpatia de pessoa, os pãezinhos e água servidos de graça, e no último dia ganhamos umas três entradas de graça. A comida era excelente e o ambiente delicioso. Piano ao vivo todos os dias e no dia que choveu de noite foi uma mão na roda. Recomendo mesmo que você não fique no hotel, jante uma noite lá e não se arrependerá!

Vimos a bandeira do Brasil umas 3 vezes, e em uma delas era chamando pra aulinha de Samba. Mas tinha acontecido no final de semana anterior… Tem MUITO brasileiro lá , ouvi mais gente falando em português do que em inglês :D E a foto do meio são as máscaras genuínas mesmo, feitas enquanto você vê os artistas trabalhando nas lojas autênticas de Papier Mache.

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No último dia, finalmente fomos aos dois primeiros lugares que o livro fala que não é pra sair de Veneza sem visitar. A Basílica e o Palácio Ducale (comentários na página de viagens)

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E num piscar de olhos era hora de irmos embora. Na volta, perdemos o ticket de barco do Mr. W w tivemos que comprar um novo. Achei no meio do passaporte quando estava pegando pra apresentar pra imigração Italiana #-o

Foram 4 dias deliciosos, compramos lembracinhas (de vidro Murano, específico de Veneza), comemos muito, andamos mais ainda. O tempo colaborou imensamente pra experiência e tomamos chuva com gosto. Com certeza repetirei a dose se um dia tiver a oportunidade.

E pra quem achou que escrevi demais, vocês não viram o relato que fiz por dia com detalhes tim-por-timtim, mas esse só vai ser escrito no diário de papel, com caneta e para minha própria recordação, porque de novo, relato de viagem dos outros não é refresco não :))

Pra quem tiver mesmo planejando a viagem à Veneza, tem resumo das recomendações aqui.

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Nova fase, blog novo.

Depois que tirei a cidadania, uma nova fase começou pra mim. Deixar pra trás o que ficou pra trás e o blog antigo representava esse período de não saber o que ia acontecer comigo. Também foi a fase de voltar a blogar, de sentir o chão e estabelecer como eu queria escrever daqui pra frente. Sou blogueira desde 2002, parando e voltando, mas espero que dessa vez seja pra ficar!

Depois de muito pensar (como já é costume) resolvi mudar de template, de blog, de título, de tudo!

Então escolhi o nome Sambalelê.

Quando eu era pequena, eu achava que Samabalelê era a MINHA música. Na minha ingenuidade de 4, 5 anos, eu achava que meus pais tinham feito a música pra mim, pela similaridade que a o refrão tinha com o meu apelido. :P

Achava que eu que tava com a cabeça quebrada, que eu que precisava de palmadas (apesar que eu vi que mudaram o refrão da música pra “Sambalele precisava é de uma boa lambada”). Na verdade percebi que essa música tem a maior batida de terreiro não tem não, batendo as palminhas e tal? :-??  E no vídeo o Sambalelê é um menino, e tem uma cobra no meio não sei porque também, mas é a melhor versão que eu achei e era bonitinho.

De uma certa forma eu ainda acho que com todas as minhas leves loucuras, minha cabeça é quebrada, mas quem disse que eu quero consertar? Preciso mesmo é de palmadas pra largar mão de reclamar das coisas.

Entre minhas leves loucuras, é a minha obsessão quando eu encasqueto com alguma coisa. E assim foi com esse blog, enquanto não tava do jeitinho que eu queria, não parei de trabalhar nele (a não ser pra trabalhar mesmo!) e ficava até altas horas da noite, mexendo, editando, brincando. Eu não sei porque dou tanta importância pra isso, o povo vem ler o texto mesmo e muitas vezes as horas, dias gastos mexendo não valem muita pros leitores, mas pra mim vale, e como é uma leve loucura,  ‘melhor não contrariar’ :-D

Agora tem versão pra celular, e o banner (essas imagens com fotos no topo do blog) faz o rodízio de imagens automaticamente, conforme a quantidade de imagens que eu mandar. Só vou inventar de mexer no blog agora quando realmente tiver sem nada pra fazer, ou até eu mudar de idéia de novo.

Nunca se sabe ;)

Bem-vindos ao meu novo endereço na rede!

(Para continuar lendo o que estava no blog antigo, incluindo celebração da cidadania britânica, clique aqui. Mas parte do blog antigo foi escrito em inglês)

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