Um final de semana que não dá para ignorar

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Não tem como. Tentei ignorar o fato no blog – como muitos companheiros de blog fizeram – mas minha cabeça e suas caraminholas ganham a luta. E esse “blog é sobre  nada” (roubando a terminologia de Helô e Marina) mas ao mesmo tempo é sobre tudo que se passa nessa mente criada por pais de direita, irmã e namorado de esquerda, e que tenta justificar as coisas difíceis de entender para quem teve um passado fácil de viver. Esse blog é uma das válvulas de escape para eu não acabar “fundindo a cuca” como diziam meus pais quando eu queria ficar estudando por muito tempo (sim, sou CDF e daí :P ) então dedos à obra e ao desabafo!

Preciso dizer que o tempo me ensinou muita coisa sobre a imprensa. As lições são muitas, mas a mais importante e relevante nos casos de tragédias, é esperar. Esperar até que as especulações se acalmem, a poeira do choque se abaixe, e as notícias comecem a fazer mais sentido.

Com o tempo, tudo faz mais sentido, se você conseguir manter a frieza de se distanciar das emoções que o noticiário quer instigar em você – o famoso inconsciente coletivo – para te prender aos números do IBOPE, às vendas de jornais e aos acessos de seus websites. No começo tudo é sensacional. No mau sentido, mas mesmo assim, sensacional. Pessoas são transformadas em monstros. Empresas são transformadas em instrumentos diabólicos que só servem para destruir a vida de todos. Partidos políticos são transformados em mecanismos de pura corrupção. Com o tempo você começa a ver que não é bem por aí. Ninguém nem nada se transforma em algo puramente ruim e negativo da noite para o dia.

Existem quatro assuntos que quero discutir no blog. News International e suas traquinagens, o ataque de Oslo, a fome na África e a morte de Amy Winehouse. Para não ficar muito cansativo (tanto para leitura quanto para escrever) vou fazer um de cada vez. O primeiro é sobre o ataque em Oslo.

Na sexta, quando as notícias estavam quentes, Regina26 (que aliás me surpreendeu por ter sido a única que comentou o que aconteceu) escreveu no Twitter

“Acabei de ver na Tv as imagens do atentado em Oslo. Será que algum dia isso vai parar? Por que matar, ao invés de sentar e conversar?”

Respondi que era um assunto complexo, mas que concordava que deveria sim ser tão simples quanto sentar e conversar. Minha concordância foi relativa ao fato de que eu sei que o mundo não é feito para tanta ingenuidade, mas ainda assim espelharia minha utopia, sobre a qual falei aqui. Mas como falei naquela época, Utopia é algo que sabemos que não é atingível.  Na época, adorei a explicação de Mauro, comentando no mesmo post:

“- Infelizmente, não acho que isso vá acontecer porque a humanidade no final das contas é um bando de gente egoísta e que não está nem aí para com quem está fora da sua “turminha”. A gente evolui como animais sociais, mas isso normalmente implica viver em grupos pequenos. A gente se importa com a família e os amigos próximos, mas normalmente está pouco se lixando com quem está em outros países ou mora na cidade ao lado, afinal eles são só “estatísticas” ou mais ou menos “conceituais” para a gente. Tipo, se eu mal consigo imaginar alguém que mora no Kazaquistão, como é que vou sentir simpatia real por essa pessoa, comparada com, por exemplo, meu vizinho?”

Depois que Mauro acendeu a lampadinha na minha cabeça, o mundo e suas coisas com as quais não concordo passaram a fazer muito mais sentido. Desde idéias e discussões de amigos, da família, dos vizinhos, até – o que sob o nosso ponto de vista são – atrocidades que acontecem pelo mundo. E para passar a entender mais ainda essas atrocidades, basta se colocar do outro lado da moeda, a ver as coisas de um outro ângulo. Todos os “loucos” têm o seu pouquinho de sanidade também, as suas justificativas exageradas para ações que não são consideradas normais por nós, considerados normais.

Nesse caso específico, após ler alguns poucos artigos sobre o assunto e ouvir as notícias curtas dadas no rádio que toca na maioria música, percebi a similaridade com o caso da Escola do Rio. O mesmo caso que me fez desabafar sobre a Imprensa.

A similaridade é um indivíduo que em um surto entre realidade e fantasia, misturou seus pontos extremos com uma doença mental e acabou afetando pessoas inocentes em sua busca de uma vida melhor. Sim! Porque ele jura de pés juntos que fez o que necessário para uma Europa melhor, livre da invasão islâmica e imigrantes ilegais. Já ouviu essa história antes? Um certo senhor chamado Adolf Hitler, querendo limpar a Europa dos judeus e não-caucasianos? Pois então. É primeiro necessário entender que na cabeça dele, seus ideais são corretos.

Meu ponto aqui se dividem em dois:

– Influência da mídia de que você deve lutar pelos seus sonhos e pelo mundo que deseja

Três dos meus filmos favoritos são Matrix, V de Vendetta e Mais Estranho que Ficção. Ambos lidam com a idéia de que você deve sair da cadeira, e fazer algo pelo mundo que deseja ver. Se fôr criar uma revolução, e eliminar quem não concorde com os seus ideais, que assim seja.

Também adoro os ideais de Rage Against the Machine, com suas músicas revolucionárias que cantam coisas como:

So called facts are fraud – Os “fatos” são fraudes
They want us to allege and pledge – Eles querem que nos aleguemos e assim prometamos
And bow down to their God – E nos curvarmos diante de seu Deus
Lost the culture, the culture lost – Perder a cultura, a cultura perdida
Spun our minds and through time – Virou nossas cabeças e durante o tempo
Ignorance has taken over – Ignorância tomou seu lugar
Yo, we gotta take the power back! – Temos que tomar o poder de volta!
Bam! Here’s the plan – Bam! Aqui está o plano
Motherfuck Uncle Sam – Estados Unidos FDP
Step back, I know who I am – Dê um passo para trás, eu sei quem eu sou
Raise up your ear, I’ll drop the style and clear – Abra seus ovidos, Vou pingar algum estilo e limpidamente
It’s the beats and the lyrics they fear – É a batida e a letra da música que os amedronta
The rage is relentless – A fúria é implacável
We need a movement with a quickness – Precisamos de um movimento rápido
You are the witness of change – Somos as testemunhas da mudança
And to counteract – e para contra atacar
We gotta take the power back – Temos que tomar o poder de volta

Gosto também de Muse, Green Day, Legião Urbana, Paralamas, Titãs, Caetano, Gil e Tropicália. Claro, da época que falavam mais de governos do que de corações partidos.

Então não seria o certo começar uma revolução agora mesmo? Me juntar aos que pensam como eu e tomar o mundo de pessoas que não concordam com os meus ideais? Protestar não ajuda em quase nada quase sempre, e mudar o partido no poder só faz outras pessoas que se vêem cegas pelos próprios interesses controlar a maioria.

Então porque vivo essa vida hipócrita, que não me deixa lutar pelo meus sonhos, pelos meus ideais de uma maneira mais agressiva assim como escuto meus ídolos cantarem pra mim, me mostrarem em filmes e escreverem em livros?

Pode ser por pura preguiça, e pela ilusão de achar que uma andorinha não faz verão, mas acho que na verdade é mais pelo fato de que:

– Somente excessões têm a capacidade de matar a sangue frio, não importa qual motivação.

Não é mais do ser humano ter o instinto de ter que eliminar o lhe ameaça. Deixamos essa característica animal, lá trás no tempo dos homens da caverna. Essa necessidade de ter que matar para conquistar o que queremos é o que nos faz viver em sociedade, e termos a capacidade de conversar, de discutir, de tentar chegar um senso comum e mesmo se não chegarmos, de “concordar em discordar”, e seguir a vida em frente.

Claro existem suas excessões. Nossa evolução ainda não se completou. Ainda temos necessidade de comer, beber líquidos. Ainda temos de depilar a perna (aliás, a evolução já deveria ter dado conta do recado né, fala sério /:) ) e temos a necessidade de dormir para suprimirmos a necessidade de descanso. Ainda somos animais, em muitos aspectos.

Mas assim como existem excessões da evolução para essas necessidades, existem excessões para aqueles que por um motivo ou por outro ainda têm essa característica em sua personalidade, em sua mente, em suas ações.

Na minha santa ignorância, os motivos que causariam tantas tragédias seriam:

1) Uma infância ou vida adulta conturbada

2) Doença mental (como esquizofrenia ou paranóia, por exemplo)

3) Necessidade (de sobrevivência, a questão de vida ou morte, auto-defesa, ou auto-subsistência)

Qualquer um dos três acaba explicando os casos isolados de violência contra outra(s) pessoa(s). O que explicou casos de matança no cinema em São Paulo, o caso da escola no Rio, atiradores nos Estados Unidos e provavelmente o que vai explicar o caso de Oslo é o ponto da doença mental.

O que explicaria casos do Nazismo, seria a combinação da mente doentia de Hitler, que encontrou em seus seguidores o motivo da sobrevivência. Os alemães tendo vindo da perda da 1a Guerra Mundial e se vendo ameaçados pelos judeus, seguiram Hitler em seus ideais, cegamente (mais ainda assim com suas exceções humanas, com pessoas que ofereceram abrigo a judeus e salvaram muitas vidas!).

Agora, a guerra motivada por Islamismo x Ocidente é um pouco diferente. Aí temos uma mistureba de motivos, e a sede do Ocidente de manter as guerras acontecendo por uma outra tendência que vem com o Homo Sapiens. A ganância e ambição. Os Estados Unidos e o Reino Unido ainda precisam do dinheiro que a guerra gera. A venda de armamentos ainda é um comércio muito grande para abrirem mão. O que é triste, mas na realidade o porque a Guerra não acaba nunca. E acaba gerando mais motivos de criação de terroristas que nascem em crescem em território de guerra e acreditando que devem ter uma vingança e retribuição, criando assim um círculo vicioso.

Existe uma saída?

Sim, imprensa PRECISA largar essa coisa que denominar pessoas de demoníacas, como isso explicasse o ocorrido e como se as escolhas fôssem delas de cometer esses atos horrendos. É preciso começar a aceitar doenças mentais como algo grave da condição humana. Oferecer triagem, tratamento e inclusão na sociedade.

Um ponto positivo é que parece que aprendemos sim com o Nazismo. Hoje já não é aceito como normal e não acredito que cresceria aos níveis que vimos no passado.

Ainda é necessário endereçar o problema da inclusão de imigrantes na Europa (escrevi que já era um problema em 2010, no blog da Denise), que é o que fundalmente tem ameaçado os nacionais e feito com que sintam medo do diferente e achem que mulçumanos  e estrangeiros representam o mal e deve ser eliminado – a famosa direita fanática, que claro é a minoria, ainda que ameaçadora. E a culpa de quem é?

Bom temos governos que fazem uma bagunça de todo o processo de imigração, e de novo – olha só a surpresa – imprensa de baixo calão com manchetes sensacionalistas e exagero para negativizar estrangeiros, são a fórmula para desastre acontecendo no momento.

É preciso achar outras saídas ao invés de depender no dinheiro da Guerra para conseguir fazer seu país sair da pendura!

A única saída pessoal que achei por enquanto é seguir as palavras de Ghandi, que são as que mais me fazem sentido. “Seja a mudança que quer no mundo” . Tenho outros planos, mas enquanto meu traseiro não sai do sofá para agir, seriam somente conjecturas.

Por enquanto tento fazer a minha parte no que eu acho que é bom. Não fazendo o que eu acho que é errado. Eu acho que é errado confrontar outras pessoas de maneira agressiva e fanfarrônica (confesso que ainda estou mudando essa tendência, assunto pra outro post talvez?).  Se um dia tiver filhos, ensinarei a eles meu ponto de vista e tentarei dar um lar estável e seguindo meus ideais. Quando tenho a oportunidade, espalho meus ideais por aí, pra quem quiser se juntar. Mas principalmente mudo meus ideais a todo tempo, quando acho que outros fazem mais sentido. Sou maleável, porque acho que todos deveriam ser maleáveis. É uma jornada conflitante e cheia de ficar em cima do muro por um tempo (às vezes por um longo tempo) – o que é mal visto nos dias de hoje,  como se fôsse um defeito, infelizmente.

Mas é a mudança que eu gostaria de ver no mundo, um mundo mais tolerante, e com mais paciência.

Deixo o vídeo abaixo, para ilustrar a idéia, sem nenhuma palavra sequer necessária.

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23 comments to Um final de semana que não dá para ignorar

  • Sensacional o texto. Você conseguiu escrever um texto emocional sem ser piegas e, mais importante, sem pegar o caminho mais fácil, tão comum hoje em dia.

  • Marília

    Somos elos de uma imensa corrente…. e se o estímulo no núcleo de um átomo ocasina a explosão atômica, nossas atitudes mesmo que ínfimas estão interfirindo na HUMANIDADE, muito mais com atitudes do que com palavras.Beijos mãe……

    • L.

      Verdade mãe.. E com certeza aprendi isso com vocês! =) Só precisamos aprender mais a agir como tal, já que a teoria nós já sabemos né?

  • Pai coruja

    Essa é a minha garotinha………..rsrsrsrsrsrsrsrs. Desculpe a brincadeira, mas é para dar uma "quebrada" na seriedade, tanto do assunto, como da sua brilhante abordagem sobre ele. Parabéns. É isso aí mesmo. Pena que a imprensa sempre ache que "good news, no news"….

    Ontem, aqui no Brasil, a manchete de um jornal distribuido no metrô, (Não lembro se era o metro, destak ou metronews) era : "Assaltos com mortes sobem mais de 20%" no 1º semestre em São Paulo". Quando li a reportagem completa, o número absoluto era um aumento de 41 pessoas para 46 pessoas.

    O interessante é que, perdido no meio da matéria, constava que os homicidios haviam baixado de (+ou-) 1.400 para 1.300 no mesmo período. Quem sabe algum dia isso mude. Beijosssssssssssssssssssssssssssss

    • L.

      Rsrs, com certeza esse post ficou super pesado, vou escrever algo mais leve da próxima vez e deixar os outros pesados pra depois :) É isso mesmo pai, tem muita coisa que podemos julgar a imprensa, inclusive o medo de tudo e de todos que temos desenvolvido :( O que vc disse do jornal do metrô é exatamente isso mesmo!

      Sabe que um dia (acho que nos anos 70) teve um jornal da TV aqui só falou "Hoje não tem notícias" e pronto! O máximo né? :D

  • Carolzinha

    Leleiiii… como sempre !!! BRAVO…. bjinhusss saudades s2

  • O que falar deste texto? Sem palavras. Excelente é pouco!

    Temos mesmo o mesmo pensamento utópico, mas sabemos o quanto a realidade é dura. A frase do Gandhi diz tudo: precisamos mudar, à partir de nós mesmos. Mudar o nosso mundinho talvez seja o início de um mundo grandão melhor.

    Beijos!

    P.S.: Obrigada por ter me citado no post!

    • L.

      Obrigada Célia! E não precisa agradecer não, você que desencadeou o pensamento… Espero que tenha explicado mais que não é tão simples quanto sentarmos e conversarmos ;)

  • Putz, é um post compridão com muitos assuntos para comentar de uma vez. Mas tem algumas coisas que eu queria falar.

    1) Sobre evolução

    "Claro existem suas excessões. Nossa evolução ainda não se completou. Ainda temos necessidade de comer, beber líquidos. Ainda temos de depilar a perna (aliás, a evolução já deveria ter dado conta do recado né, fala sério /:) ) e temos a necessidade de dormir para suprimirmos a necessidade de descanso. Ainda somos animais, em muitos aspectos."

    Nós sempre vamos ser animais e sempre vamos precisar de comida e bebida (a não se que a Singularidade aconteça mesmo). Evolution doesn't work like that. :-)

    2) Sobre os motivos que levam alguém a matar

    Acho que você esqueceu de adicionar na sua lista "dogma". Não é doença mental, nem necessidade, nem necessariamente abuso infantil ou adulto. Dogma faz uma pessoa normal em outros aspectos cometer absurdos e eu acho que teve muito a ver com o caso de Oslo.

    3) Sobre como confrontar as pessoas

    Eu cansei de ser bonzinho e não querer conflito. Isso não muda nada. Se as suas idéias são inconsistentes e sem fundamento, eu estou cada vez mais simplesmente confrontando diretamente e apontando. Não tenho tempo para perder sendo bonzinho e ficar nessa de "cada um tem direito à sua opinião". Se eu sei que você está errado vou falar mesmo. :-P

    • L.

      1) Sobre evolução

      Yeap, eu sei disso, mas estava só fazendo questão de explicar do começo :)

      2) Sobre os motivos que levam alguém a matar

      Hmm, talvez eu não conheça muito bem o que "Dogma" viria a significar nesse ponto de vista. O único dogma que conheço é o religioso, que você tem que aceitar de cabeça baixa e não questionar que acontece.

      Eu não consigo entender como é que Dogma seria um fator para a matança sangue frio. Eu fico imaginando se Dogma psiquiátrico vamos chamar assim, seria para o mesmo uso do Dogma religioso.

      Nesse caso, ações que a ciência ainda não consegue explicar, mas eu acho que com mais fundos e pesquisa científicas, motivos e tratamentos seriam desenvolvidos para esses desvios.

      Assim como tanto avanço já aconteceu no passado com doenças mentais, muito avanço ainda deveria acontecer no futuro e talvez explicar o tão chamado "Dogma" ?

      3) Sobre como confrontar as pessoas

      Tem formas e formas de falar. E pra quem falar. Eu confronto também, mas quando tenho o conforto de fazer tal e quando sei que não vai cair on deaf ears. Murro em ponta de faca e discussão com pessoas que eu sei que simplesmente vão ficar insistindo no próprio umbigo, eu simplesmente ignoro e deixo "a vida ensinar" como diz a minha mãe. Também prefiro não bater de frente com quem eu não conheço direito, porque isso sempre abriria as portas para pré-conceito. Sempre demoro um pouco para identificar o que vale a pena ou não ;) Mas na maioria das vezes fico quieta ao invés de ficar tacando pedra rsrs :)

  • Má, seu texto é maravilhoso. Só acho que um ponto é polêmico: "Ainda temos necessidade de comer, beber líquidos. Ainda temos de depilar a perna". De comer, beber, etc, ainda sim. Depilar a perna não é uma necessidade humana, mas, de certa forma, uma imposição da mesma mídia que falamos (me sinto péssima em generalizar, mas falo mais à frente). Na verdade, essa ideia de sermos belas, lindas, magras, sem cabelo branco, sem pelos no corpo, isso tudo é a imagem ideal, não é? Mesmo que a gente se sinta bem, que se sinta limpa fazendo isso, não é necessidade, não. Se nunca tivessem nos dito que deveríamos nos depilar, talvez hoje vivêssemos bem e sem isso. O assunto é bem complexo, mas há coisas que prefiro falar só por e-mail (risos). De maneira geral, isso também não muda nossa essência. Uma mulher pode ser feminista e lutar pelos direitos iguais e pelas minorias e, ainda assim, conscientemente (vale ser consciente) usar salto alto, maquiagem e até se depilar – eu me nego a passar dor com qualquer método de depilação, mas isso sou eu, acho que posso me depilar sem dor porque afinal das contas nada vale minha dor. Mas eu uso maquiagem, uso salto alto (de vez em quando!) e sou consciente do que a sociedade espera de mim – e de que muitas vezes não correspondo, rsrsrs… A tal "mídia" é mais ampla, é um conceito criado há muitos anos, é até uma imposição social, como nesses casos. No caso das notícias, eu penso que sempre fiz minha parte mostrando matérias para melhorar, tentar ajudar, esclarecer, enfim… Eu me sentia fazendo um papel diferente, então a generalização nunca me caiu bem, acho que por ser jornalista, rs. Mas cada um fazendo seu papel, podemos mudar o mundo :-) Vai demorar, mas eu acredito no bem! Beijos, minha amiga.

    • L.

      Concordo com seus pontos de vista sobre a mídia e o feminismo. Eu não tenho muita dor quando depilo, então pra mim é mais tranqülo! Meu ponto era mais como piada! Com certeza os pêlos estão ali por um motivo e se um dia nosso código genético mudar com certeza não vou estar viva pra ver! Aqui a cultura de depilar nem é tão forte elas usam mais gilette e mesmo assim provavelmente só no verão. Não tem essa de machismo, mas no Brasil talvez por ser bem pior nesse ponto de vista a pressão seja maior (fora o calor também!!) =)

  • Lelei, gostei muito das suas colocacoes/ reflexoes… tanta coisa para pensar sobre, que ja ate elaborei um texto na minha mente, sobre o seu, quem sabe um dia sai da cabeca e passa para os dedos.

    Sao muitas coisas juntas, talvez falar em topicos, seria o melhor, mas agora nao consigo. Prefiro me prender ao que ficou na primeira leitura (feita no dia que voce publicou), acho importante falarmos das doencas mentais, mas nao somente no tratamento, mas principalmente nas causas ou melhor ainda na prevencao (sim e' possivel). Ate porque, nao sei como e' o sistema na Noruega, mas no Brasil, existe uma luta anti-manicomial seria e que ja dura tanto tempo, que hoje os hospitais dias obtem resultados muito mais satisfatorios, com mais qualidade de vida para os pacientes, que qualquer outra instituicao.

    Quem ja esteve em um hospital psiquiatrico, sabe o quanto, muitas vezes ele pode causar mais mal do que bem… Agora se pensarmos na raiz do problema, onde sera que tudo comecou, ai vamos para outro lado, caminharemos por outra estrada.

    Nao basta apenas pensar no que levou as pessoas a cometerem crimes absurdos, isso nos faria apenas a entender um lado da moeda ou entao a passar o bom e velho Merthiolate na ferida, criou casquinha, pronto, ta ressolvido. Porem nao saberiamos ao certo, qual a causa do problema, o que causou a ferida, e' preciso investigar e ir na raiz.

    E ai esta meu ponto: acredito, seriamente, que podemos ver alguma mudanca no mundo, se comecarmos a pensar no principio do principio, no conceber, gerar, parir (a forma de), o amamentar e os primeiros anos da infancia. Estamos nos perdendo da nossa essencia e nao estamos nos dando conta das consequencias.

    Vou parar por aqui, mas assim que der, escrevo la no meu canto e volto aqui para deixar o link, e voce me diz o que acha!

    Agora com relacao a midia… fica para outra hora.

    Abracos

    Gra

    *muito legal ver seus pais comentarem por aqui, que orgulho eles tem de voce e com razao!Parabens amiga!

    • L.

      Isso isso escrevesse no blog sobre isso também, adoro a discussão civilizada :)

      Exatamente isso mesmo Graziela. Acho que no mundo inteiro o tratamento (que incluí prevenção e interação com a sociedade) mudou e ainda muito rápido. Mas ainda há muito trabalho a ser feito e às vezes só com muita tragédia quando já se é tarde demais é que os governos se mobilizam para continuar o trabalho de melhorias.

      É meus pais são o máximo, e com certeza tenho o maior orgulho deles também! Afinal só sou quem sou graças a eles né? :)

  • Diz a acusação que o norueguês assassino nada tem de louco; é apenas mau, mesmo. Não sei, não consigo acreditar na maldade como um conceito assim contínuo e enraizado. Acho que todos nós temos nossos momentos de maldade (uns mais que outros), mas para chegar ao ponto de premeditar o assassinato de 70 pessoas a sangue frio é preciso um certo grau de insanidade ou disfunção psicológica. E isso vale para as atitudes de qualquer um, desde o louco de extrema-direita ao terrorista religioso que ele buscava "erradicar". Bem, vai ver é a minha ingenuidade falando.

    Sobre nazismo/judeus/alemães que abrigavam judeus, já leu A Menina que Roubava Livros?

    • L.

      Pois é, foi o que o Mauro disso no comentário dele, desconfio que é o que chamou de Dogma, e eu rebati que também não acredito nisso (talvez por não entender do que se trata realmente :-? ) me parece mais desculpa para não ir atrás das causas e concertá-las, meio que nem Dogma religioso, que é na base do "aceita que foi assim e cala-te" :

      Não li não! Vou colocar na minha wishlist, (peguei o nome aqui no Santo Google :) )

  • O nome é The Book Thief, do Markus Zusak. :)

  • Minha querida, esse último fim de semana é que não deu mesmo para ignorar! Acompanhei o terror no norte e depois em Brixton. Que triste. Espero que você esteja bem longe de tanta violência. Nunca imaginei isso outra vez em Londres, onde me sinto tão segura.

    • L.

      Estou longe sim! Me mudei pra Grande Londres o ano passado, mas Londres more no meu coração, é como se ainda estivesse morando lá :( Tenho certeza que vai voltar a ser segura sim, ainda tem muito pra acontecer até virar um Brasil viu? Depois vou escrever sobre isso também, mas como eu disse nesse post, eu não gosto de escrever logo depois que acontece. Gosto de dar tempo ao tempo, esperar a poeira baixar, ver todos os pontos e daí sim, colocar os pensamentos e sentimentos no lugar. Muito triste tudo isso, mas a vida continua, como sempre! :)

  • […] plano de Guy Fawkes também foi a inspiração do filme V de Vendetta, um dos meus favoritos e que mencionei no blog durante a tragédia de Oslo e da escola do Rio de […]

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