24/abril/2012, 11:06 am Em quadrinhos, Viagens
Antes tarde do que nunca é o meu lema dos relatos de viagem, e esse estava quebrando o recorde.
A nossa segunda viagem pra Itália aconteceu em Agosto do ano passado, por questões de plantão no serviço, compromissos de trabalho de Mr.W e que a alta temporada terminava justamente depois do feriadão de Verão, fomos na quarta e voltamos no domingo – depois do feriado.
A idéia era ir pra Costa Amalfitana, mas os preços da costa não valiam a pena, e decidimos ir pra área de Sorrento, que ficava mais perto de Pompéia.
Saímos de avião (British Airways) de Londres pra Nápoles na manhãzinha da sexta. Chegamos quase na hora do almoço e fomos pegar o carro de aluguel. Nos perdermos pra achar onde é que pegava a Van pro local onde pegaríamos o carro. As explicações eram desconectas, confusas e o calor imenso os deixou meio de pávio-curto já de começo. Mas no meio dos dois perdidos, conseguimos pegar a van, fomos pro local pegar o carro, e uma vez o ar condicionado ligado, estávamos na maior paz a caminho do hotel.
Decidimos nem parar em Nápoles dessa vez. Sabemos que a cidade é imensa, tem muitos museus bacanas, e precisaríamos de mais tempo pra fazer direito, então pra não fazermos meia-boca e não atrapalhar o resto do passeio, fomos direto pra Castellammare di Stabi, um vilarejo que fica entre Pompéia e Sorrento.
Chegamos, pedimos um almoço no quarto mesmo, abrimos as janelas (o ar condicionado não estava ligado ainda), trocamos de roupa e fomos pra varanda, curtir a brisa e a vista do Monte Vesúvios. Mr. W pediu um espaguete à bolonhesa, eu pedi um escalope de frango à milanesa com fritas. Não estava maravilhoso mas foi razoável. Os bolos e sobremesas estavam excelentes e esses sim valeram a pena. Depois disso, descansamos na suíte e descemos pra piscina pegar o finzinho de tarde, ver o pôr do Sol que nos presenteou durante todos os dias.
(Clique na foto para ver maior)
 Teve muita leitura, conversa, e pôr do Sol dessa varanda, que conseguimos um upgrade de grátis e na sorte ;)  Teve um amiguinho que vinha xeretar quem eram as visitas...  Teve nós dois sentando na muretinha pra ficar admirando essa vista. Olhar piscina pra que? =)  E é claro que teve o Monte Vesúvios, todo dia, toda noite, toda hora que estávamos no hotel, no carro ou em Pompéia.  Tiveram pores-do-Sol...  tão lindos que foi difícil...  não tirar várias fotos...  e depois não saber...  qual escolher...  qual escolher pra...  espalhar por aí!  Teve vista urbana tão inspiradora quanto a natural
No segundo dia, já decidimos ir pra Pompéia, pra aproveitar o dia maravilhoso. Todas as dicas diziam pra ir cedinho, pra evitarmos a multidão de turistas e aproveitarmos tudo que Pompéia tem pra mostrar. Ver Pompéia era um dos meus desejos de viagem. Ainda me lembro das aulas de História e a professora Marina  nos encantando com os acontecimentos, nos impressionando e nos fascinando de como o ser humano já enfrentou tanta coisa em sua jornada. A sensação de estar ali, onde antes só estive através de fotos dos livros, e assistindo documentários na TV, me vez voltar pras mesas do Recanto, as orelhas de pé, ouvindo e prestando atenção, fazendo anotações nas bordas das páginas do livro de capa marrom pra lembrar no dia da prova – como se precisasse. Aulas de história eram das minhas preferidas (e o assunto ainda me encanta) lembrar no dia da prova, era fácil. Me fez lembrar de como me senti no Egito uns anos atrás. Essa sensação no peito de estar em outro mundo, dentro dos livros, dentro da TV. De admirar o ser humano em sua magnitude, suas vitórias e suas derrotas.
 Chegando em Pompéia já demos de cara com um dos anfiteatros,  Existem 3 no total, e um deles foi recentemente reformado, e é utilizado para shows, peças de teatro e espetáculos hoje em dia novamente.  A maioria da vegetação foi replantada baseada na original de quando o desastre aconteceu.  Essa raiz de árvore parecia estar no processo de virar pedra, fiquei boquiaberta quando vi o.O  Tinha plantação de uvas pra vinho, assim e onde como era antes.  Teve pé de romã me lembrando a infância, o quintal do Vô Paulo, os anos novos em Bragança com a turminha do barulho. *saudades*  A maioria das casas eram construídas ao redor do jardim, com uma árvore no meio. Percebemos que apesar do calor exaustante, dentro das casas estava sempre fresquinho e pensamos se tinha alguma relação.  E pra que uma porta tão grande?  Prova que nossos pezinhos passaram por lá, como de costume  Em alguns locais, o jardim tinha uma espécie de "mesa" no centro...  Eles também não pareciam ter muita inibições. A banheira pra tomar banho ficava pertinho dos sanitários do xixi e cocô. Hora da fofoca!  Santo Carteiro! Os dois nomes de rua da esquina são os mesmos!  O Fórum da cidade, e a praça principal onde acontecia o comércio, mercado, consultas médicas e onde a cidade era mais ativa.  E como não ver o estado em que as pessoas que não conseguiram fugir (as mais pobres, na maioria) foram encontradas. Estaria essa rezando ou chorando pelo fim inevitável?  O primeiro capacho. Tapete permanete na calçada em frente à porta da mansão dizia "Seja bem-vindo", segundo o guia de viagem  Pompéia hoje em dia é uma cidade imensa cercada, ainda sendo renovada e estudada. Dessa visão, de cima dos muros que a rodeiam, dá pra ver Vesúvios imponente. Sua proximidade ainda é preocupante, já que a próxima erupção já passou da hora, segundo os cálculos dos cientistas.  E atá na hora de enterrar, tem toda pompa (será que essa palavra vem de Pompéia?) e circumstância. Eu lembro que tinha uma história interessante sobre esse mausoléu, mas me esqueci os detalhes, um dia se eu lembrar ou ver o programa na BBC de novo, eu coloco aqui.  Em muitas das casas, algumas das decorações originais sobreviveram...  O vermelho, terracota e amarelo eram predominantes, com pintura simulando os efeitos que hoje em dia são feitos com papel de parede ou gêsso...  No chão, o piso também foi preservado  Dentro dessa sala parecia ter até ar condicionado apesar do Sol lascante do lado de fora. Tem que caminhar bastante pra chegar nessa ponta da cidade, mas valeu a pena. Foi onde vimos os locais mais preservados.  Aqui deu pra ver uma cobra, que pintada na parede de vista para a rua oferecia proteção para o local.  Inscrição em um bar: Você veio, jogou, bebeu, agora me pague!  E mais cobrinhas estavam espalhadas pelos cantos
No terceiro dia íamos pra Capri, e até pegamos a Van pra Sorrento, mas perdemos o horário da balsa. Mr.W também estava meio ruim do dia anterior (muito Sol, muito tempo sem comer dentro de Pompéia) , resolvemos passear por Sorrento mesmo, já que também era uma das coisas que planejamos fazer. Caminhamos quase a cidade toda, e em umas 3 horas estávamos de volta no hotel. Pra descasarmos, lermos nossos livros (foi quando terminei o “ Foi apenas um sonho“), aproveitarmos a piscina, a praia “ particular” e ficar de bem com a vida
 Eu e minhas luminárias. Apaixonada pelas Italianas, mais uma vez.  Depois de descer as escadas, tem que andar no meio dos carros, mas pelo menos tem a faixa né? #perigoso  E pra ir até onde pega a balsa pra Ilha de Capri, tem que descer esse tiquinho de escadas...  Desceu? Agora tem que subir!  Teve scooter até dizer chega. E teve mais.  Uma das ruas estreitas de Sorrento, que me lembrou Bragança em todas as esquinas.  E teve bandeirinha do Brasil em um dos bares onde dá pra ir a pé ou ancorar o yatch particular. Nós, ficamos olhando de longe.  Igreja de Carmem por fora. Com o pé de limão (ou lima?) na frente. De propósito. Os pés de limão estão em todas as ruas da cidade onde cabem e dão os frutos assim, pra quem quiser pegar! :)  A Igreja de Carmem por dentro. Do lado de fora, uma moça sem nariz pedia esmolas. Ai esse mundo cristão...  No meio da cidade achamos, sem querer, essa plantação de limão. Pode entrar, ver, tirar fotos e no fim do pomar tem uma lojinha que vende Limoncello. Um licor de limão típico de lá.  E o close na cornetinha cor de pêssego  As cornetinhas todas juntas  E eu nunca vi tantas flores em uma região como a de Sorrento, elas invadem as ruas e todo mundo respeita e desvia. Lindíssimas  Tiramos essa foto de um banquinho em uma sobra quando paramos pra descansar um pouco. Depois que voltamos de viagem, olhando nas fotos antigas da vó de Mr. W, vimos que os avós deles tiraram a mesma fotos décadas atrás (só que estava em preto e branco). Adorei a coincidência.  Pra quem não quiser passear a pé, tem um trenzinho que faz os pontos mais importantes da cidade. Não pegamos, porque gostamos de sair à toa por aí, mas pode ser uma boa - principalmente com crianças!  O jardim botânico era pequenino, mas não por isso menos charmoso. É daí que sai o elevador (pago) pro porto da balsa se você não quiser/puder usar as escadarias  Sorrento vista do ônibus, voltando pro hotel. Lindíssima.  E de volta pra praia do hotel... Era somente pra hóspedes, mas meio inútil. As praias dessa parte da costa Italiana são lindas, mas de pedregulho e bem difícil de usar se não fôr pra nadar. Deu pra tomar um Sol e ler uns livros, mas rapidinho fomos pra piscina!
No quarto dia conseguimos acordar mais cedo e irmos pra Capri. Uma ilha linda, mas que os 40 minutos de subida íngrime, com o Solzão na fuça  meio que fez o encanto se perder, infelizmente. Não fiz a lição de casa direitinho e deixei o micro ônibus, o teleférico e o taxi “conversível” que nos levaria para o topo passarem batido – só descobri que poderia tê-los utilizado no fim do passeio. Achamos que a caminhada seria fácil, mas como os dois são meio alérgicos ao calor, acabou estragando um pouco o passeio. Tenho certeza de que se tívessemos subido de transporte teria sido mais aproveitado. Mas a maneira de ir à Capri, seria em estilo mesmo pra dizer a verdade. Ficar em um dos hotéis de luxo, à beira da piscina e ar condicionado. Ou então, se você puder mais ainda, comprar uma casinha de final de semana na vizinhança ou ancorar seu yatch na beira do mar por ali, daí não tem erro  #sarcastica
Na volta paramos em Sorrento para almoçar e tomar o sorvete (que de Cornetto só a casquinha de biscoito) Italiano de prache, e dar a última volta na cidade.
 Olha a subida íngrime que nos esperava. Só que de manhã, não tinha sombra não. Por isso o sofrimento.  St Michael's church bem no centro de Capri...  ... Onde também dá pra ver outra Torre com Relógio...  e a vista lá de cima com as casinhas de Capri.  Capri também é conhecida pelas vielas com lojas de grife (ainda se usa esse termo?) e me lembrou Brighton, na Inglaterra, e confesso que apesar de lojas lindas, tirou um pouco o charme do local. Mas gostei das lojas de limoncello e perfumes caseiros.  Jardim de Augustus. Paga pra entrar mas vale a pena. Nem tanto pelo jardim, mas pela vista do...  ...I Faraglioni e a...  ...Via Krupp, construída entre 1900 and 1902, era uma conexão para o arquiteto/biológo entre seu hotel de luxo, Hotel Quisisana, e a Marina Piccola, onde ele ancorava seu barco de pesquisas. Mas secretamente , esse caminho também o levava à Grotta di Fra Felice, uma gruta onde orgias com jovens locais supostamente aconteciam. Quando o segredo foi descoberto, Krupp foi "solicitado" a deixar a Itália, em 1902. Desde então, a via tem permanecido fechada, devido ao risco de desabamento de pedras.  E como não gostar desse tom de rosa, mesmo quando você não é nem um pouco fã de cor-de-rosa?  Mais uma das flores da Itália... Cornetinha roxa dessa vez.  Monastério de San Giacomo em Capri. Hoje em dia é um museu de arte moderna, mas já foi um monastério. Tranqüilo, quietinho. Dá pra entender porque está localizado onde está.  Foto tirada do alto, tá vendo como não tem praia? Mas o azulzinho do mar ainda vale muito a pena ser visto.  Tá vendo o que eu quis dizer com atracar o Yatch?  Caprilu, um dos doces que comemos com os olhos...  ...Assim como essas pizzas...  e os Nocciolatti!  E casa em Capri tem nome, por que não?  O pessoal que não atracou o barco na praia nem ficou em hotel com piscina e ar condicionado (ou não tem casão) por lá, ficou pela praia na entrada de Capri que é uma das poucas de fácil acesso. Mas não muito agradável, com o barulho e poluição das balsas e carros passando por ali.  Olha o taxi-conversível e o micro-ônibus que te levaria pro topo de Capri... Só achamos na volta quando já estávamos embaixo...  Esses carrinhos de carga são super comuns em Sorrento (assim como as vespas!) Normalmente é um lugar só para o motorista, mas mas chegamos a ver 3 pessoas no banco!  De volta a Sorrento, almoçamos Pizza no Foreigners Club. Delícia e bem parecida com a do Brasil. Deu pra matar a saudade!  E a vista @ Foreigners Club em Sorrento, com a brisa vindo do Mar, foi uma das melhores que já tivemos de restaurantes.  Sedile Dominova, um lugarzinho onde hoje em dia os aposentados vão conversar, jogar dominó, xadrez, e ler jornal.  Il Campanile della cattedrale a Natale, uma torre meio escondida e cheia de charme.  Gelatto em Sorrento, com direito a "pega-sorvete-derretido" e biscoito de casquinha. E casquinha de biscoito.  Neapolitan cakes, lembrou uma massa de bolinho de chuva bem leve e aerada, encharcada no licor, e com recheio de creme, cobertura de açucar confeiteiro e uma framboesa na pontinha. Virou minha sobremesa favorita e comi umas 5 vezes, só pulei o dia que eles não tinham :P
E no quinto dia madrugamos pra pegarmos o avião de volta. A Itália mais uma vez mexeu com meu coração, deixou saudades grandes e com gostinho de quero mais. Com certeza voltaremos, meio ainda sem saber pra qual destino.
Mas o dinheiro tá curto ou as férias escassas? Quer conhecer Sorrento sem sair de casa? Graças ao Street Map, agora dá, clique aqui e saia passeando por lá
E até dá pra fazer Capri sem a ladeira, mas não dá pra ir nos lugares mais legais. Tá curioso/a mesmo assim? Clica aqui.
Como de costume, dicas práticas e mais informações, aqui ó.
Pra ver todas as fotos que saíram da máquina pro flickr, só clicar aqui ó.
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Sambaram comigo