Quando quero acreditar mais no que acredito

 E semana passada quando a vida estava começando a entrar nos eixos novamente depois de tanta coisa boa acontecendo, a dar uma acalmada, fomos pegos meio de surpresa com a partida da Grandma B. Avó materna de Mr. W, ela teve um derrame na semana anterior e foi-se assim, em paz, após ter dito seus adeuses.

Mr.W e sua mãe estão bem, eles sempre lidam muito melhor com partidas do que eu jamais vi alguém lidar no Brasil. Existe uma tranqülidade, um reconhecimento de que ela não sofreu, de que viveu uma vida boa,  existe aquele sentimento de que aproveitaram o melhor da vida com ela, e de que não houveram arrependimentos ou pendências.

Eu chorei, e ainda tenho que segurar as lágrimas de rolarem, mas por saudade, por aquela dorzinha no peito de que ela não vai estar na data mais importante de nossas vidas. Eu sim tenho o sentimento de que gostaria de ter aproveitado mais a sua compania, ter dividido mais jantares de Natal, de aniversário, de dia das mães, de mais passeios à fazendinha (assim como fizemos quando minha mãe e Dona G.)… Grandma B.  morou boa parte de sua vida lá em Cumbria, na região dos Lagos. Horas e horas dirigindo ou no trem nos fez só irmos lá uma vez antes de ela ter sido forçada a se mudar pro Sul esse ano depois que a caridade de cuida de idosos  fechar a casa em que morava (foi lá que tirei a foto do post). A mudança nos proporcionou aproveitar mais a sua presença. Eu sempre que podia a visitava com a mãe do Mr. W, nem que fôsse pra tomar um chá e comer uns biscoitos. Da última vez que a vimos consciente e conversamos, me recusei a responder aos goodbyes que ela insistia em nos dar. Eu na minha ignorância jovem, tentei ser positiva dizendo que ela ia ainda nos dizer muitos goodbyes e que nós queríamos ela presente no que ainda viria pro nosso futuro.

A ligação dizendo que deveríamos ir ao hospital veio duas semanas depois dessa visita e só 6 semanas depois que a vimos forte, saudável e contente. Pegamos ela em 10 minutos conscientes em que ela confirmou saber que estávamos lá, e mesmo com uma pontinha de esperança de que ela iria se recuperar, disse meu adeus mental e pedi que ela somente fôsse poupada de qualquer sofrimento em nome de nosso egoísmo.

Dois dias depois, ela partiu. E no dia em que faleceu aconteceram coisas que para céticos seriam somente coincidências.

Exatamente na hora que ela se foi, às 3:15 da manhã, nosso alarme começou a disparar sem nenhuma explicação, o que nos fez acordar e ver a hora que era. E não é como se o alarme disparasse todo dia no meio da noite sem explicação. O que aconteceu foi que a pilha do controle acabou, e durante os dois anos que usamos o sistema isso nunca aconteceu.

Quando a mãe de Mr. W estava revisando os pertences de Grandma B., uma cartinha caiu do folheto-guia de caminhada da região dos lagos. Era uma declaração que Grandma B. tinha escrito antes de se mudar pro Sul, dizendo que enquanto ela estava de mente-sã, gostaria de dizer que não queria ser mantida por aparelhos quando a hora chegasse, que não queria morar nem com a filha nem com o filho, por mais que dissesse ou sugerisse isso no futuro. Isso era uma das coisas que estava incomodando a mãe de Mr. W, aquela culpazinha de que poderia ter feito algo melhor. E foi essa cartinha que lhe trouxe a paz.

E são esses e outros fatos em minha vida que me fazem acreditar que “existem mais coisas entre o céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia” e é nessa hora que quero acreditar ainda mais no que acredito.

O nosso adeus vai ser durante o funeral e cremação na semana que vem. Aqui a burocracia e cultura significa que nos despedimos muito depois do que aconteceria no Brasil. Mas o nó na garganta estava grande, e fica aqui no blog o meu adeus, que dificilmente conseguirei dar em voz alta em qualquer dia.

Vai em paz Grandma B. Obrigada por tudo que você nos deu. Das lembranças, os presentes, os ensinamentos. Os sorrisos, os desafios, os abraços e o carinho. Quero acreditar que quando disse de que estará em espiríto com a gente no nosso futuro de agora em diante, seja verdade. A velhice que você tanto detestava agora acabou. Espero um dia te encontrar de novo, mas mesmo que não seja verdade, que a energia que você deixou pra trás saiba o quanto era amada e admirada.

Adeus Grandma B.

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Começando pelo final

Ok, vam’bora colocar o blog em ordem. E como eu sou do contra mesmo, vou começar pelo final. Pela primeira viagem que ainda não contei como foi. E coincide com o clima de Natal que já começou por aqui na TV, nas lojas e supermercados, para total irritação de Mr. W. Começo pelo final, o final do ano passado, quando fomos para o Brasil, passar o Natal e Ano Novo com a família brasileira.

Pra quem não sabe, eu só vou pro Brasil para o Natal a 2-3 anos. Os motivos são vários, a começar pelo preço das passagens, com a correria no serviço (sempre temos que revezar férias) e a correria de fim de ano no Brasil mesmo, que sempre deixa a visita mais curta, por mais que dure o mesmo tempo.

E o ano passado, lá fomos nós, rumo ao Brazilsão. Primeira vez que Mr.W passaria o Natal em país tropical e sem ameaça de neve  :-bd

 

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E depois disso teve muita praia, muita chuva, sem muito Sol e sem muita areira, mas com a mesma alegria. Depois eu volto contando mais :)

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Se lembre, se lembre, do 5 de Novembro

Estava aqui colocando a montanha de emails pra responder em ordem, quando me deparei tentando contar pra minha irmã o que eu fiz no final de semana. Ora ora, fui comemorar o 5 de Novembro!  E claro, a pergunta inevitável seguiu:  “E o que seria o 5 de Novembro?”

Eu lembro ter explicado o que o 5 de Novembro significa aqui, mas acho que o post era da época do so-candy, que acabou voltando ao pó da internet. Então sempre bom explicar aqui de novo, e fica como referência pra quem se encontrar em Londres do mesmo jeito que eu há 10 anos atrás, não entendo o porque de tantos fogos de artíficios em pleno Novembro!

E quem melhor pra explicar do que a BBC? Tudo bem que ela não está em seus melhores momentos atualmente com acusações de que teria escondido o fato de que um de seus maiores apresentadores de TV Infantil dos anos 70 e 80 estivesse envolvido com pedofilia, e esse é assunto pra outro post, mas a BBC é a produtora de “Horrible Histories” (histórias horríveis), um programa de TV que conta fatos interessantes da história da Ingalterra e do mundo. É um programa voltado para crianças e adolescentes, mas que somos fãs aqui em casa. O programa utiliza o humor e a sátira para ensinar história, e eu acho que deveria ocupar espaço de horário nobre!  :-B

Então fica aqui a explicação do que aconteceu em 1605 com Guy Fawkes, são só dois minutos e muito melhor do que eu poderia ou teria tempo para contar!

(Se o vídeo não funcionar pra você, clique aqui)

E depois que isso aconteceu, começou-se a tradição de na noite de 5 de Novembro (e no final de semana anterior, se o 5 de Novembro cair em um dia de semana), de estourar fogos de artifício. Por estar frio e por que se o Parlamento tivesse explodido teria virado uma fogueira, pessoas e alguns shows de fogos, fazem grandes fogueiras, que em inglês é “bonfire”. Então para sempre, 5 de Novembro é conhecido como Bonfire Night, a noite das fogueiras. Não se sabe bem se por comemoração de que Guy falhou em seu plano, ou porque o plano existiu e foi uma forma de manter o protesto contra a família real*.

O plano de Guy Fawkes também foi a inspiração do filme V de Vendetta, um dos meus favoritos e que mencionei no blog durante a tragédia de Oslo e da escola do Rio de Janeiro.

Mas o que todo mundo sabe é  Poema Remember Remember:

Remember remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason why gunpowder, treason
Should ever be forgot..

Se lembre, se lembre
De de 5 de Novembro,
Pólvora, traição e armação
Eu não vejo motivo porque
Pólvora e Traição
Deveria ser esquecido!

Famílias e amigos se unem para ver fogos em espaços descampados, e depois se reunem em festas em casa, fazendo a fogueira e cozinhando pratos típicos dessa época, clique aqui pra ver alguns (em inglês).

E foi isso que fizemos no final de semana! Nos mandamos pra Southampton na casa dos pais do Mr. W e assistimos o show de fogos de artifício no campo atrás da escola onde ele cursou primário, comemos leitão à puruca com feijão branco, alho poró e erva-doce, com bolo Buttenburg de sobremesa. A mãe do James normalmente faz o Bonfire Cake que se parece com esse aqui, mas esse ano não deu tempo de fazer  :-q

*Eu, como socialista mequetrefe, comemoro o fato de que planejaram destruir a família real que não tolerava católicos! :P O que você comemoraria se morasse na Inglaterra?

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