Um elo mais que especial

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Tô mais pra fairly odd parent (uma madrinha mais ou menos estranha) do que pra godparent (madrinha)

Lembram-se que eu disse em Maio eu havia ganho dois super presentes de aniversário?

Pois sim, um deles foi o convite para ser madrinha da filha da Q., minha melhor amiga aqui na Inglaterra. Pra quem não sabe ainda, já tenho uma sobrinha-afilhada fofa, Dona G., hoje com 7 anos, filha do meu irmão.

Particularmente, eu adoro ser madrinha. Mimo, fico brava, brinco, levo passear e às vezes até dou pitaco na educação, claro que sem me envolver muito e meio de longe, até porque nem tenho filhos então quem sou eu pra me intrometer?

Adoro ser chamada de madrinha e de tentar criar esse vínculo com minhas afilhadas, de tentar criar essa amizade, essa coisa especial! Sempre lembro que percebia a diferença entre a minha madrinha (que é a minha avó materna) que é a “Dinda” da família inteira, mesmo de quem não era afilhado! Sempre me senti um pouco excluída do vínculo de ela ser minha madrinha (olha a síndrome do filho do meio aí gente :-" ) e eu tento fazer essa diferenciação com dona G., e vou tentar o mesmo com Dona B.!

Mas muito mais que isso, também faz parte do pacote os compadres e as comadres. O fato de ter sido escolhida tanto pelo meu irmão quanto por Q. me faz sentir tão querida, tão amada. Um reconhecimento de que sou admirada, e confiada um papel especial na vida de seus filhos, seus bens mais preciosos. E que elogio ou gesto melhor e mais grandioso do que esse pode se esperar de um irmão, ou ainda mais raro, de um amigo? Acho que  mais que a benção e os pedidos e promessas que fazemos na igreja, o voto de confiança de que estaremos presentes em suas vidas para sempre, e com uma influência positiva, é que torna esse momento e o resto de nossas vidas tão especiais.

Mantendo um pouco dessa comparação de vida lá e cá, como não comparar como foram os batizados, e também como são os meus relacionamentos com essas pessoinhas especiais?

Como foi e tem sido com Dona G: O batizado de Dona G foi na igreja Luterana. Uma filosofia que eu admiro muito e se seguisse alguma, seria a minha escolhida. Já foi depois de ter vindo pra cá, e precisávamos de algo sem a complicação de cursos, de ter que ir na igreja X vezes mas com a validade de que ela receberia a benção e seríamos os padrinhos oficiais. A igreja era pequena mas estava cheia, era um Domingo de culto lindo, com Sol, e alguns amigos dos compadres compareceram para a ocasião especial. Dona G. não chorou (que eu me lembro) mas cantou! Ela cantou durante o culto, até em momentos de silêncio. O culto foi super bonito com as palavras do Pastor Ernani que aqueceram nossos corações. De lá fomos todo mundo (se não me engano umas 20 pessoas) pra churrascaria comemorar, trocar presentes e tirar muitas fotos.
Dona G. demorou um pouco pra me chamar de madrinha e confesso que foi meio “imposto”, e ainda é. A proximidade do diminutivo nome da minha irmã com Madrinha, a confundia um pouco e era mais fácil chamar de Tia Lelei. Mas a gente faz questão do Madrinha, mesmo que às vezes ela queira trocar de novo, hoje em dia ela vem gritando quando me ouve no telefone “Madrinha, madrinha!” e eu confesso que adoro. Temos uma amizade gostosa, ela me conta coisas da escola, do Kumon, dos passeios. Desabafa segredos que a vó não pode escutar e brinca de desenhar e fazer lição de casa juntas pelo Skype sempre que a vó deixa. Infelizmente o padrinho meio que se perdeu na multidão, mas com certeza a perda é dele. Dona G é uma menina sapeca, inteligentíssima, que é detesta que lhe penteiem o cabelo (assim como a madrinha) e tenho muito orgulho de tê-la como minha afilhada.

Como foi e tem sido com Dona B Já Dona B. foi batizada na CoB (Church of England) que é a Igreja Anglicana. Compadre não queria igreja que não fôsse “Oficial” então lá fomos nós. O horário foi reservado somente para o batizado e compadres decidiram que somente os avós paternos e os padrinhos seriam convidados. A Igreja era média em tamanho mas a enchemos com o amor que todos sentíamos por B. Algumas pessoas da comunidade chegaram um pouquinho depois que a cerimônia – realizada por uma vigária – começou. Dona L., irmã mais velha de B. se divertiu correndo pelos corredores da igreja, por mais que a vó tentasse ensinar que era falta de respeito. Eu quase “roubei” B. da cerimônia, quando na hora de acender a vela que faz parte do ritual, a levei longe para tentar fazê-la dormir. Mas a vela foi acendida por L. e os compadres, e tudo foi curtinho mas muito significativo. O batizado não é cobrado, mas os pais fazem uma doação para a ingreja, que vai no envelopinho e sem ninguém saber quanto foi.
De lá fomos pra “Carvery” que é tipo um pub-restaurante onde fazem carnes assadas (tinha frango, gamão, e carne de vaca) e buffet de molhos, saladas e legumes à vontade. Nos empanturramos, comemos o bolo (que eu como madrinha comprei e decorei) e os padrinhos pagaram a conta antes de uns minutos no parquinho brincando com L. e colocando a conversa em dia com os compadres. Fomos embora com sorrisão de orelha a orelha. E agora Padrinho compra presentinhos pra B. dizendo que “tem que colocar mais esforço, porque afinal ela é a afilhada né?”.

Dois dias em minha vida que nunca esquecerei, levarei pre sempre comigo. Onde quer que minhas afilhadas estejam, espero estar com elas, pra o que der e vier, precisarem e quiserem. E serei sempre grata aos compadres que me escolheram para receber esse presentão tão lindo.

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10 comments to Um elo mais que especial

  • Awwwwwnnn, no que depender de mim, ela vai te chamar de Dinda sim, viu? ;-)

    • L.

      Eba o/ Vamos impor Cris, vamos impor! Hehehe. Laura chama a madrinha dela?(chama em romeno :)) ?

      • Não, ela chama de tia mesmo. Perguntei pro Cipri e ele disse que "tia" tem um peso maior, por isso eles não fazem questao do "madrinha". Pra ser sincera, ele nem parece saber o nome em romeno. hahahahaha To dizendo, todo errado.

        • L.

          ah sério! Engraçado, como eles consideraram os batizados tanto, achei que madrinha seria super importante! Mas talvez com o tempo Laura veja Bea me chamar de madrinha e mude o "tia" romena pra madrinha, vamos ver!

          PS: Google translator diz que Madrinha em romeno é "na??" ;)

  • Ana

    Post mais fofo! Eu acho uma baita responsabilidade ser madrinha, acho fofo, mas tem que ser a pessoa certa, eu pelo pouco q te conheco, as tuas afilhadas serao felizes com uma madrinha como tu ;-) Fica bem xxx

  • Fernanda

    Que lindo Lelei!

    Nossos afilhados são realmente especiais.

    Pena que não consigo convencer meu ultimo afilhado a me chamar se madrinha, eles não fazem essa diferenciação na família, é tudo tia, mas o amo muito mesmo assim.

    Beijado

    • L.

      Quantos anos ele tem Fer? Talvez porque ele eh novinho? Como eu disse, Dona G só começou a se acostumar mesmo agora que ela está com 7 anos! Mas tivemos que corrigir sempre que ela queria chamar de tia =) Meu irmão também chamava a minha madrinha (nossa v&oacute ;) de Dinda, e a madrinha dele de tia (nossa tia), e sei que todo mundo era amado o mesmo tanto, mas ele sempre ganhava mais presente por ser o afilhado, então sabíamos que o elo especial estava lá.

      Você trata ele de alguma maneira diferenciada? Beijos!!

  • Pai coruja

    Desculpe a demora em responder, mas essa época é meio enrolada.

    De qualquer maneira parabéns pelo texto e pelo carinho que você tem com todos e, especialmente, com as afilhadas.

    Beijossssssssssssssssssss

    • L.

      Precisa desculpar não pai! Eu entendo, claro!! =)

      E claro que o carinho é meio inevitável né, com pessoas tão especiais como vocês!!

      Obrigada, beijão e feliz aniversário!!

      =D>

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