Oi, como estão as coisas?

Uns dias atrás mandei uma mensagem pelo Facebook para uma pessoa a qual quero bem mas com quem não falo há dois anos! Me sentindo já ignorada por ser tão desnaturada, pensei em uma das dicas que aprendei recentemente quando participei de um treinamento de como engajar com pessoas com as quais trabalhamos, das e pelas quais normalmente influenciamos o nível de sucesso e excelência de desempenho.

Assimilei várias dicas, e vamos ver se com o tempo as coloco todas aqui, mas duas coisas me marcaram mais.

Primeiro, temos que entender que engajar é diferente de entrar em contato com alguém, ou trabalhar juntos com um objetivo em mente. Engajar é literalmente, segundo o Michaelis, “alinhar-se em ordem de ideia ou de ação coletiva” Engajar dá mais trabalho e é mais longo do que do que simplesmente impor sua opinião, ou aceitar facilmente a do outro, mas a longo prazo, traz um relacionamento mais sincero, confiável, e fácil de chegar a melhores decisões. E pode até acontecer que a decisão seja completamente diferente do que estava sendo inicialmente proposto!

Então as duas coisas que mais me marcaram, e que me acenderam uma lâmpada em cima da minha cabeça, foram o poder das perguntas abertas e o poder da intimidade.

No Brasil, eu sentia que perguntas serem fechadas (aquelas que requerem sim ou não como respostas) ou abertas (aquelas em que a pessoa têm liberdade de expandir e explicar) não faziam muita diferença, a maioria dos brasileiros adora tagarelar, e normalmente o problema é arrumarmos tempo para a discussão! Aqui na Inglaterra, sinto que a maioria das pessoas está mais confortável em responder uma pergunta assim como é perguntada. Elas podem até estender um pouco,  mas  a tendência é a de ser mais literal.

Então se perguntamos (fechado) “Você gostou do filme?” a resposta provavelmente vai ser: Sim, gostei! ou Não, nem tanto ou Mais ou menos!… Não porque eles não querem conversar com você, mas porque eles provavelmente acham que você simplesmente quer saber se gostaram ou não, e a resposta curta deve ser suficiente.

Mas se perguntamos (aberto) “O que você achou do filme?” eles vão conversar por horas, sobre quais foram os momentos que gostaram, não gostaram, e até talvez puxar outros filmes para a conversa!Ao conversar com

Ao conversar com Mr. W sobre o treinamento ele também me explicou que na sua profissão de advogado essas diferenças em perguntas são vitais e tudo depende se ele está defendendo ou acusando alguém e o quanto deve expandir suas histórias.

Por ser introvertida (sobre o que falei aqui) , tenho a tendência em não expressar muito interesse pelos outros – não por egoísmo, mas por receio de estar me intrometendo demais – e mesmo quando o faço, a tendência é de olhar para as minhas experiências, os meus conselhos, o que eu tenho a dizer. Re-aprender sobre o poder das perguntas abertas – eu já havia ouvido sobre isso antes – me abriu os olhos para não somente ter um relacionamento mais positivo, amigável e colaborativo no serviço mas também no meu dia a dia, com amigos e família. Na maioria das vezes me pegava com esse conflito de que existia essa barreira de como começar uma conversa, como fazê-la durar, como aproveitar a interatividade com outras pessoas, principalmente quando conhecia alguém novo. Agora, perguntas abertas são meu maior truque de mágica! E tem um truquinho mais fácil de usar ainda, usar TED – T para “tell me” , começando conversas com “Me diga”, “me fale”, E para “explain” , “Me explique”, D para “Describe” , “Descreva”. Os três são aberturas que podem ser utilizados como “O que você acha de…”, “Como você se sente se…”, “Quais você…” e muitas mais por aí que teriam o mesmo resultado…

Indo de mãos dadas com isso, veio a diferença entre perguntar o famoso “Oi tudo bem?” brasileiro que pede somente um Sim ou Não ou mais ou menos, pelo “How are you?” (Como você está?) inglês, onde pessoas podem realmente explicar como elas estão e dar mais detalhes se elas assim o desejarem. Aqui normalmente a resposta vai ser um ‘fine‘ – “Estou bem”, um ‘not too bad, thanks’ ou ‘not bad at all!’, que merecem seu próprio parágrafo ;)

O ‘not too bad, thanks‘ literalmente traduzido, pode dar a impressão de significar um “não tão mal, obrigado” ou “não tão ruim, obrigado”, levando a crer que a pessoa está passando por um momento não tão favorável. Mas com o tempo aprendi que a expressão aqui no Reino Unido é simplesmente um diminutivo do “Tudo Bem”, quando a pessoa não está tudo 100% bem, mas ainda ainda assim a pessoa está mais para o lado de estar bem do que ruim. O ‘not bad at all!‘ usa a negativa “not at all” que significa “nem um pouco”, ou seja, significa que a pessoa está literalmente “Nem um pouco ruim” -> “Está tudo 100% bem”. Me levou um pouco de tempo para entender as nuances e o negativismo das respostas britânicas e começar a adotá-las também, mas de uns tempos para cá tenho feito uso de respostas e escolhas positivas quando me perguntam como estou, e bani essas expressões de meu vocabulário, assim minha mensagem poderá ser sempre positiva!

Claro não são todas as vezes que eles expandem, mas em minha experiência eles normalmente seguem com um comentário sobre o final de semana (se fôr sexta ou segunda) ou sobre o clima e sua previsão pelo menos e a conexão se torna mais íntima e positiva.

Já tenho percebido as diferentes reações de quando pergunto “Como estão as coisas?” para amigos e familiares brasileiros, tão mais explicativo e inclusivo do que o antigo “Oi, tudo bem?” e por aqui, depois que comecei a perguntar mais com honestidade “How are you feeling today?” “Como você está se sentindo hoje?” Nem que seja para me dizerem que estão ocupados e pra terminar a reunião rapidinho ou ir embora e deixá-los em paz!

E é claro, não há garantias contra o “How are you” Vortex, ou o ciclo vicioso que “Um Como você está” pode gerar…

Oi como estão as coisas? Tudo bem e você? Tudo ótimo, e a vida como tem te tratado? Bem, bem e você? Não posso reclamar, e você? …

Expliquei no começo do post que comecei a conversa com a pessoa com quem perdi o contato com um “Como vai você?”, assim o fiz para  realmente mostrar minhas sinceras intenções de saber como ela está. Ainda não me respondeu, e a sua reação está fora de minhas mãos, há somente tanto que podemos fazer, o resto eu respeito e coloco na gavetinha de ter seguido meu instinto quando senti a necessidade de refazer a conexão.

E você, qual a sua experiência com perguntas abertas e fechadas em diferentes lugares do mundo , com pessoas diferentes? Me explique aí nos comentários ;)

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Contra a homofobia nos Jogos Olímpicos de Inverno

Na verdade, contra qualquer homofobia. Em qualquer lugar, a qualquer hora, qualquer lugar.

Mas como é o assunto da hora, o país  que precisa alcançar o século 21, fica aqui o vídeo, dessa vez com uma mini legenda embaixo. (via @avidaquer no Twitter, e a revista Exame)

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=effb2JYiKXM

 

A música canta: “Você não me quer, baby?”
E as frases escrevem: “Os jogos sempre foram um pouco gays” “Vamos lutar para mantê-los dessa forma”

Ontem mesmo assistimos um documentário da BBC sobre a história dos Jogos Olímpicos e como a Rússia é uma das grandes potências nos jogos, pelas condições geológicas e metereológicas. Começou no socialismo e na questão de ter que provar que  o socialismo produz melhores pessoas.

Para quem não sabe, no ano passado a Rússia  fez ser ilegal ter propaganda ou imagens que use imagens homossexuais.Isso fez com que qualquer demonstração anti-homofobia seja ilegal e pessoas têm sido presas por protestarem. Também existe um problema enorme com pessoas que “se comportam” como homossexuais. A violência contra elas está em níveis altíssimos.

Irônico não?

Esse assunto é pano pra manga, e dá pra discutir muito, mas não quero tirar do foco de que eu não aceito homofobia, e que agora, durante os jogos, é a hora de balançar a bandeira pró-LGBT (Lésbicas, gays, bisexuais e transexuais) para o mundo inteiro ver.

Quem sabe quem ainda não aceita , não sabe, não entende passa pro nosso lado?

Bom final de semana!

PS: Depois de escrever o post, ouvi na rádio que as duas mulheres do T.a.T.u, que fizeram fama nos anos 00, farão parte da abertura dos jogos. Um ponto positivo no meio da homofobia do país, será que elas vão ter demonstração de carinho pra todo mundo (e todo país) ver? Esperamos que sim!

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Mais um ano com ele ao meu lado

Ele e ela. Uma de 12, um de 8 e uma de 10.

Hoje é o dia dele.
Sem ele eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ele, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ele é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dele.
Ele, quem me carregou no colo assim que eu nasci e me aconchegou em seu colo por muitos anos por virem.
Ele quem trabalhou pesado e pagou minha educação em escolas e faculdades particulares. Ele quem nos encontrou na primeira ida ao cinema depois do serviço com pacotinhos de Amendita, depois que a Branca de Neve acabou e Fievel iria começar.
Ele quem comprou nosso primeiro vídeo-cassete, com Policial da Pesada e Irmãos Gêmeos a tira-colo para assistirmos todos juntos comendo pipoca estourada na panela.
Hoje é o dia dele.
Ele quem, como dizem aqui “venceu seus demônios” em nome da família. Me ensinando uma lição que ninguém mais poderia, de força de vontade, de prioridade e de amor.
Ele que esperava no carro com dois emburrados enquanto um (na vez do rodízio, claro) ia com ela fazer a compra no mês no supermercado.
Ele que era o fotógrafo da família, e que instigou em mim a paixão de registrar por onde passo e coisas que vejo.
Hoje é o dia dele.
Ele que era um dos poucos pais que ia nos buscar na porta da escola, e inventava brincadeiras pra nos entreter enquanto esperávamos ela acabar o dia de trabalho. Brincadeiras de lembrar placa de carros, de equilibrar nos troncos cortados do lugar que tinha vista pra terra da garoa. De contar o que aprendemos na escola.
Ele quem colocava rádio de notícia no rádio, ia buscar jornal todo domingo na banca, e não deixava (e ainda não deixa) de assistir pelo menos 2 “jornais” de noite e nos ensinou a importância de ter conhecimento e uma opinião no mundo ao nosso redor.
Ele quem também colocava em rádio de música clássica e é o responsável por uma das minhas músicas favoritas ser Bolero de Ravel. E uma das bandas favoritas ser Beatles.
Ele quem nos ensinou que para escrever precisava aprender a ler. E nos levava todos os sábados devolver um livro e escolher um novo na biblioteca.
Hoje é o dia dele.
Ele quem me passou no DNA o amor-doente-daqueles-que-dá ataque-no-coração pelo futebol, pelo Palmeiras e Bragantino, que por bem ou por mal também passou o gosto pela Fórmula 1.
Ele quem comprou um livro da Disney explicando tudo sobre as olimpíadas para nos ensinar sobre todos os esportes, e que líamos debruçados na mesa, todos querendo engolir as páginas do livro principalmente durante as Olimpíadas da escola.
Ele quem ia nos jogos de olimpíadas da escola, e gritava, incentivava e nos treinava (do handball ao salto em distância) para entender a importância de participar e não só de ganhar.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos ensinou xadrez e dama, e que até hoje ainda é invicto em casa, mas com 3 troféus de seus herdeiros, um deles ganho pelo caçula através do vários xeque do pastor que ele também ensinou.
Ele quem nos ensinou a importância de guardar dinheiro para, como eles dizem aqui, a rainy day “um dia de chuva”. Quem, junto com ela, me disse a partir do meu primeiro salário aproveitar metade e a colocar metade na poupança.
Ele quem foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Hoje é o dia dele.
Ele quem era o motorista oficial, nos levando pra cima e pra baixo. Algumas vezes meio emburrado, meio calado, outras vezes falante e animado, mas sempre com segurança e paciência.
Ele quem nos levava para comer esfiha e kibe cru. Ou churrasco, ou pizza.
Ele quem nos levava para o escritório, fazer limpeza, fazer fechamento, ir ver a nova aquisição. E nos deixava brincar de gente grande. Ou uma vez até irmos no lançamento de um prédio ali pertinho e pegar bexigas que estavam dando de graça, daquelas presas no palitinho.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deixava conferir as contas, “bater” os resultados do contabilista.
Ele quem deu a dica pra eu não ser contabilista mas seguir a carreira de tecnologia. Ele que comigo ia junto até o metrô de tarde, e no último ano ia nos buscar na Federal de noite.
Ele quem dizia, e ainda diz que McDonalds não é comida, é isopor.
Hoje é o dia dele.
Ele quem religiosamente pede pizza de sexta. E come mozarela de rolinho. E gosta de salaminho, bolacha “vafer”, Halawe, sorvete de “abaixaaqui” e suspiro.
Ele quem sabia se estávamos mesmo com fome olhando dentro do nosso ouvido.
Ele que brincava de cavalinho. E nun a levantou a mão pra mim. Só um beliscão merecido pela teimosia e desafio. Primeiro e último e que ela me falou que ele se arrepende até hoje.
Hoje é o dia dele.
Ele quem deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ele quem é uma enciclopédia ambulante. Que sabe tudo sobre tudo e está sempre aprendendo mais.
Ele de quem eu puxei o amor às bugigangas, a gostar de ficar em casa e a preciosa introversão.
Ele quem comprou a pulseira quando “virei mocinha” e que fez toda a experiência que estava sendo traumática ser mais positiva.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deu dois sustos. Uma úlcera e um câncer. Mas que forte e firme continua com a gente, fazendo parte, ajudando, amando, incentivando.
Ele quem lê e comenta cada post, passando o amor pro outro lado do oceano.
Ele quem paga e às vezes vai buscar, todas as minhas “vontades de comer” quando estou por lá. Seja churros, pastel, pizza de frango e catupiry ou Quatro Queijos.
Hoje é o dia dele.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ele.
Ele quem não queria acreditar que eu nunca mais voltaria pra terrinha pra morar de novo, e que parte meu coração toda vez que penso nisso.
Ele quem veio pra cá quando eu prometi que se ele viesse eu pararia de chorar na despedida do aeroporto.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços apertados, mimos e coisa boa.

Hoje é o dia dele.
Ele, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntos num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ele desejo um aniversário sem muita bagunça e barulho, boas notícias e coisas boas.
Pra ele desejo que saiba o quanto ele me ensinou, o quanto é amado e admirado por essa pessoinha aqui.

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Mais um ano com ela ao meu lado.

Ela. Uma de 2. Um de 1. Uma de 4.

Hoje é o dia dela.
Sem ela eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ela, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ela é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dela.
Ela que me alimentou, me cobriu, me carregou.
Ela que telefonava no berçário e não falava nada pra ouvir se eu estava chorando, e que acabava me ouvindo cantando pros outros bebês.
Ela que me dava 4 chupetas ao mesmo tempo, pra cheirar, pra brincar no dedão do pé, na orelha, na mão.
Hoje é o dia dela.
Ela que colocou comida quente na minha boca pra eu aprender o que é quente e aprender ter paciência e acreditar que mãe nunca mente.
Ela que me ficou horas cuidando de mim nas crises de bronquite, com o paninho molhado no álcool e “vicvaporub” nas noites em claro, nos plantões de inalação, nas saídas do serviço pra me buscar na escola
Ela que me mandou pra homeopatia e acupuntura e que finalmente curaram as crises.
Hoje é o dia dela.
Ela que pagou um dinheirão no aparelho capacete. Ela que mandou eu parar de usar o aparelho porque judiava muito de mim. Ela achou uma clínica-popular-esquema-faculdade de ortodontistas la na PQP pra colocar meu aparelho e endireitar meus caninos, resultado de dentes grandes que puxei dela e da arcada pequena que puxei dele.
Ela que nunca levantou o braço pra mim.
Ela que me ensinou que se mentirmos onde estamos, ninguém vai acreditar se telefonarem dizendo que houve um acidente com a gente e por isso ela não iria nos socorrer (tacada de mestre, não sei mentir pra ela e pra ninguém até hoje!)
Hoje é o dia dela.
Ela que me ensinou das coisas que existem entre o céu e a terra e me deu liberdade de acreditar e seguir o que meu coração e minha alma escolheram.
Ela que me ensinou que não há vergonha em arregaçar as mangas para serviço doméstico, mas somente depois que a família está feliz, alimentada e com a lição feita, sem neuras.
Ela que levantava mais cedo pra fazer “as lancheira”.
Ela que ensinou que coisa de marca é bobagem, e o que vale é a qualidade que se paga, no bolso que se cabe.
Hoje é o dia dela.
Ela que nos levava nos McDonalds toda sexta-feira depois da aula.
Ela que deixava a gente fazer picnic de domingo na sala minúscula, com frango frito – ela que se queimava fazendo frango frito! – macarronada e suco de laranja, assistindo trapalhões.
Ela que nos ensinou o valor da mesada, o dinheirinho que não ganhávamos, mas era dado pra pagar um brinquedo todo mês no valor do que merecíamos.
Ela que sacrificou sua carreira em nome de sua presença com a gente, mas que continuou trabalhando, nos mostrando que o homem é seu trabalho.
Ela que pegava ônibus com um de 2, uma de 4 e uma de 6.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Ela que achou aula de italiano no Albino pra eu fazer.
Ela que me empurrou pra fazer Escola Federal e que traçou o meu destino por tê-lo feito.
Ela que pagou balé, natação e hidroginástica.
Ela que pagou Kumon – matemática e japonês.
Ela que me deu conselhos, enxugou minhas lágrimas, me guiou pela minha vida.
Hoje é o dia dela.
Ela que decorou nosso quarto com papel de parede cor-de-rosa cheio de carneirinhos e nuvens, lembrança boa e confortável pro resto da vida.
Ela que separava o irmão dos cabelos da irmã.
Ela que deixava a gente brincar no serviço dela como se fôssemos gente grande.
Hoje é o dia dela.
Ela que deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ela que deixava a gente brincar até de noitinha no parquinho.
Ela que me ajudou a aprender a taboada.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi a pessoa que me levou ver Palmeiras pela primeira vez no Palestra.
Ela que organizou a festa de aniversário no salão com amigos e peça de teatro, e a festa de 15 anos na casa da tia com as melhores amigas.
Ela que paga um dinheirão pra passar férias.
Hoje é o dia dela.
Ela que é um terço do meu porto seguro até hoje
Ela que é um terço do meu livro de conselhos até hoje. E eu nem ameaço ir contra o que ela diz que é o certo a fazer.
Dela puxei além dos dentes grandes, o cabelo enroladinho, o tamanho do sutiã, o senso de justiça, o pezinho pequeno.
Ela que ainda me ensina, me consola, me acompanha, me abraça gostoso, me beija bom dia e boa noite (quando estamos sob o mesmo teto), que tem atos de serviço como demonstração de amor e que coloca todo mundo na frente do seu bem-estar.
Hoje é o dia dela.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ela.
Mas ela também me ensinou que todo dia é dia de aniversário.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços, fofoquinha e coisa boa.

Hoje é o dia dela.
Ela, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntas num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ela desejo um aniversário cheio de “balinhas”, boas notícias e coisas boas.
Pra ela desejo que saiba o quanto ela me ensinou, o quanto é amada e admirada por essa pessoinha aqui.

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Seriam os ingleses anti-sociais?

Importante ter amigos…

Já faz um tempo que não escrevo sobre a vida na Inglaterra, então vou escrever sobre algo que prometi lá em 2011, no finzinho do post sobre pessoas introvertidas, quando disse que escreveria sobre o mito de que os brtitânicos são frios e anti-sociais.

Preciso começar explicando que essa é a minha experiência e que de forma alguma eu pretendo generalizar todos os britânicos.

Depois de 10 anos nesse país, percebi que na verdade de frio, os britânicos com os quais eu lidei,  não têm nada. Mas a personalidade deles é mais introvertida. Ou seja, eles não vão invadir o seu espaço, a sua privacidade, os seus horários.

Mas conheço britânicos extrovertidos (na maioria escoceses) e britânicos que fizeram amizades com seus vizinhos, com pessoas que conheceram durante as férias, ou que trabalharam juntos.

O que existe é uma resistência de ser como – a maioria dos – brasileiros. Aquela coisa livre e que pode ser muito boa de fazer churrasco em cima da hora, de chegar 3 horas atrasado, de ligar qualquer hora do dia ou da noite pra conversar. De fazer festa no meio da rua e de que qualquer desculpa é boa pra uma bagunça.

O maior aspecto é que mesmo quando se faz amigos, as amizades são diferentes. Não existem muitos livros abertos. Os britânicos reservam seus problemas, suas neuras, seus segredos para um grupo seleto de pessoas, ou somente para eles mesmos. Não existe muito chororô ou reclamação. Os encontros são para falar de coisas interessantes, felizes, positivas e colocar a conversa em dia. O que está acontecendo em nossas vidas, quais são nossos planos, o que mudou desde que nos vimos da última vez.

Rola muito álcool. Muito vinho, muita cerveja, muita coca-cola com vodka e muita cidra. Mas de novo, existem os alcoólatras, os que sabem beber, e os que não bebem nem uma gota. Muitos bebem para soltar a inibição, e se socializarem sem vergonha. E todos, na maioria das vezes, e na minha experiência, se entendem.

Agora um dos pontos que muitos brasileiros estranham quando chegam aqui é o fato da dificuldade de se conhecer e fazer amigos. Para ser sincera eu não consigo identificar se é um problema porque quando a gente vem para cá, já somos adultos e todo mundo já tem suas amizades formadas (pesssoal que mora no Brasil ou em outros lugares no mundo, como é fazer novos amigos por aí?) , ou se é porque nos identificamos melhor com outros brasileiros e o grupinho acaba sendo o mesmo. Tenho exemplos de uma amiga inglesa que fiz onde trabalhei, e uma vizinha inglesa com a qual tentei criar um vínculo e que acabou não firmando. O restante dos amigos vieram da bagagem de Mr. W, ou são estrangeiros.

No meu exemplo também, por ser introvertida, não sou de precisar ou querer muitos amigos. Sempre fui de poucos amigos, aqueles de novo, que sabem todos os meus segredos e perturbações. Gosto de coleguinhas, que fazem um papel essencial de trocar notícias, opiniões, conselhos, de elevar a auto-estima por nos fazer sentir queridos.

A verdade é que o fato de onde uma pessoa vem não vai facilitar fazer essas amizades. Só porque alguém é brasileiro, não quer dizer que o entrosamento vai acontecer. Tenho muitos exemplos em que não rolou. Só porque alguém é britânico, não quer dizer que vão ser antipáticos, frios e distantes. Tenho muitos exemplos de pessoas queridíssimas que são britânicas.

Mas provavelmente vai querer dizer que para conhecê-los você vai precisar de um ambiente (trabalho, vizinhança, academia, escola, parceiro) e para encontrá-los você vai precisar umas boas semanas de antecedência, e quando se encontrarem, a conversa não será muito de íntimo pessoal, o que cá entre nós, brasileiro vive falando pra cada um cuidar dos seus problemas, não é o ideal?  :-bd

 

Então fica registrada aqui a minha opinião. O britânico pode ser percebido como frio e distante por não serem tão calorosos e próximos como brasileiros podem ser. Mas isso seria mais um ponto de vista, uma percepção e que se você vier para cá, pode causar um choque. De não ter pessoas estranhas conversando com você, de narizes enfiados em jornais e telefones quando você estiver no trem ou no metrô. De caras fechadas cruzando a sua andando na rua. Mas se a sua experiência for a mesma que a minha, com o tempo você vai ver que é uma questão de adaptação e de ajustes. De ter que suar pra conseguir fazer amizades e coleguismos darem certo. E que com o tempo fica difícil manter o sorriso com o tempo cinzenta e ventinho frio soprando no rosto (incrível como o clima muda a fisionomia do pessoal aqui nessa terra) e quando voltar pro Brasil o que vai te chocar é como os brasileiros têm se tornado cada vez mais como a percepção que temos dos ingleses.

Notinha: Para esclarecer um mal entendido que pode acontecer quando usando a língua inglesa, o “anti-social” na verdade aqui é traduzido como bardeneiro e maloqueiro. São pessoas que causam uma problema para sociedade e daí vem o anti-social. Pessoas que  que arrumam brigas, que ouvem música muito alta, que andam de moto onde não deveriam, etc. Essas pessoas podem receber uma A.S.B.O (anti-social behaviour order – ordem pública de comportamento anti-social) e serem proibidas de freqüentar certos locais, de terem rádio dentro de casa, ou até de serem expulsas de onde moram.

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Um forte 2013 pra nós todos

E vam’bora pro clichê?
O clichê do ano novo é um dos mais fortes de resistir, e mesmo sendo do contra, eu gosto da tradição de olhar pro ano que passou, e ver o que aconteceu. Mas sendo boa do contra que sou, adoro o fim de ano e detesto o ano novo.

Então, indo de contra do que mãe e pai me ensinaram, vou começar pelo o que eu gosto primeiro, revisando o que aconteceu. Acho que gosto mais por ser algo não me reserva mais nada, que eu lidei, que passou. Surpresas vieram e se foram, coisas boas, ruins, alegres e tristes aconteceram e pronto, mais um capítulo da vida que se fechou. E é gostoso ver como eu lidei com tudo isso.

Começando pela filosofia do ano passado, que lembrem-se substitui as comuns metas de ano novo, acho que tive sucesso. A idéia era evitar brigas, picuinhas, discussões. Muitas vezes durante 2012, respirei fundo, deixei de brigar e parei de procurar discussões. Confesso que me distanciar de certos lugares (virtuais e reais) ajudaram. Meio que estabeleci pessoas bacanas que quero ao meu redor, que me fazem bem, e as com quais havia um atrito, foram deixadas meio de lado.

Foi um ano com viagens gostosas novamente, pra Paris, pros Estados Unidos, Islândia, pra França e várias viagens de final de semana, não a passeio, mas preparando para o grande acontecimento de 2014 :-D . Ainda mais gostoso, teve mãe e sobrinha vindo pra cá, e nós todos indo pra Euro Disney.

Dois mil e doze foi um ano que também viu bebês nascendo como lindo Ângelo da amiga Fernanda França, e Menino P., meu sobrinho caçulinha. Trazendo muita felicidade e esperança em nossas vidas! Foi um ano com uma surpresa deliciosa no meu aniversário, e uma surpresa tristonha para fechar o ano. A perda de Grandma B. sempre será uma macha no ano de 2012. Foi um ano corrido com o trabalho, passando por reformulações,  com as aulas de piano e canto, indo encontrar garotas legais para uma jantinha jogando conversa fora, telefonando para a família linda e onde sobrou pouco tempo para espremer para o blog, twitter e facebook.

Essa falta de tempo me ajudou muito em minha auto-análise, me ajudou a separar (mais uma vez) quem é amigo, quem é troca de idéias (positivas ou negativas), quem é bacana de encontrar e bater papo, quem se importa comigo – e pra todos os pontos anteriores – vice e versa, como é que as outras pessoas me percebem. Isso fez muita diferença na minha sanidade mental, e me proporcionou  melhor qualidade de vida.

Sempre difícil escrever mil maravilhas sobre um ano quando temos perdas, então fica o saldo de um ano que teve dias mais felizes que tristes, mais notícias boas que ruins, e não posso choramingar muito sobre ele não é mesmo?

E como boa do contra, eu não gosto de Ano Novo. Adoro quando fevereiro chega e o Ano novo não é mais novo. Quando é só o ano.

Ano Novo é sinal do desconhecido pra mim. Sei que como boa Pollyana, deveria adorar tudo de bom que o ano poderia trazer, mas eu sempre fui meio suspeita de anos novos. Tenho uma ansiedade de saber, o ano vai ser bom? Vai ser ruim? Alguém vai morrer? Ora, não quero que ninguém se vá nesse -ou em qualquer outro – ano! Vou ser promovida? Vou ser despedida? Vou ganhar no Euromillions? Vou ter muito stress? Vai ser tranqüilo? Meus amigos não vão embora? Vou perder alguma amizade? Vou conhecer alguém novo?

Nunca me lembro de ter sido animada com a promessa do ano novo. Por isso eu não tenho metas para o ano. Esse ano não  quero nem ter uma idéia ou filosofia. Mas vou me concentrar nas idéias de 2011 o que me parece uma boa, a de ser a mudança que quero no mundo.

Se bater a preguiça pra ir ver o vídeo post-it lá, veja aqui!


 

Sempre achei que desejar feliz ano novo é meio vazio. Nenhum ano novo é completamente  só feliz. Nem que seja algum mequetrefe que te feche no farol, sempre vai ter alguns momentos do ano em que a cobra vai fumar, e vão ter anos que vão ser apáticos, em que nada demais vai acontecer. Então eu desejo um ano forte pra você.

Forte, pra você ter muita saúde.
Forte pra você se proteger de qualquer violência e qualquer tragédia.
Forte pra se e quando você tiver momentos tristes, nervosos, ansiosos, negativos, você tenha força de saltar os obstáculos.
Forte mentalmente, e que tenha a sabedoria de reconhecer o que te faz feliz e aproveite esses momentos com muita alegria, sempre!

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Se lembre, se lembre, do 5 de Novembro

Estava aqui colocando a montanha de emails pra responder em ordem, quando me deparei tentando contar pra minha irmã o que eu fiz no final de semana. Ora ora, fui comemorar o 5 de Novembro!  E claro, a pergunta inevitável seguiu:  “E o que seria o 5 de Novembro?”

Eu lembro ter explicado o que o 5 de Novembro significa aqui, mas acho que o post era da época do so-candy, que acabou voltando ao pó da internet. Então sempre bom explicar aqui de novo, e fica como referência pra quem se encontrar em Londres do mesmo jeito que eu há 10 anos atrás, não entendo o porque de tantos fogos de artíficios em pleno Novembro!

E quem melhor pra explicar do que a BBC? Tudo bem que ela não está em seus melhores momentos atualmente com acusações de que teria escondido o fato de que um de seus maiores apresentadores de TV Infantil dos anos 70 e 80 estivesse envolvido com pedofilia, e esse é assunto pra outro post, mas a BBC é a produtora de “Horrible Histories” (histórias horríveis), um programa de TV que conta fatos interessantes da história da Ingalterra e do mundo. É um programa voltado para crianças e adolescentes, mas que somos fãs aqui em casa. O programa utiliza o humor e a sátira para ensinar história, e eu acho que deveria ocupar espaço de horário nobre!  :-B

Então fica aqui a explicação do que aconteceu em 1605 com Guy Fawkes, são só dois minutos e muito melhor do que eu poderia ou teria tempo para contar!

(Se o vídeo não funcionar pra você, clique aqui)

E depois que isso aconteceu, começou-se a tradição de na noite de 5 de Novembro (e no final de semana anterior, se o 5 de Novembro cair em um dia de semana), de estourar fogos de artifício. Por estar frio e por que se o Parlamento tivesse explodido teria virado uma fogueira, pessoas e alguns shows de fogos, fazem grandes fogueiras, que em inglês é “bonfire”. Então para sempre, 5 de Novembro é conhecido como Bonfire Night, a noite das fogueiras. Não se sabe bem se por comemoração de que Guy falhou em seu plano, ou porque o plano existiu e foi uma forma de manter o protesto contra a família real*.

O plano de Guy Fawkes também foi a inspiração do filme V de Vendetta, um dos meus favoritos e que mencionei no blog durante a tragédia de Oslo e da escola do Rio de Janeiro.

Mas o que todo mundo sabe é  Poema Remember Remember:

Remember remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason why gunpowder, treason
Should ever be forgot..

Se lembre, se lembre
De de 5 de Novembro,
Pólvora, traição e armação
Eu não vejo motivo porque
Pólvora e Traição
Deveria ser esquecido!

Famílias e amigos se unem para ver fogos em espaços descampados, e depois se reunem em festas em casa, fazendo a fogueira e cozinhando pratos típicos dessa época, clique aqui pra ver alguns (em inglês).

E foi isso que fizemos no final de semana! Nos mandamos pra Southampton na casa dos pais do Mr. W e assistimos o show de fogos de artifício no campo atrás da escola onde ele cursou primário, comemos leitão à puruca com feijão branco, alho poró e erva-doce, com bolo Buttenburg de sobremesa. A mãe do James normalmente faz o Bonfire Cake que se parece com esse aqui, mas esse ano não deu tempo de fazer  :-q

*Eu, como socialista mequetrefe, comemoro o fato de que planejaram destruir a família real que não tolerava católicos! :P O que você comemoraria se morasse na Inglaterra?

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Li e aprendi: Foi apenas um sonho

Revolutionary Road
Revolutionary Road
Ok, tô devendo o relato da viagem pra Sorrento, mas enquanto não dá tempo, fica o relatório do livro que li (aliás praticamente engoli) durante os 5 dias de férias ouvindo o barulhinho do mar e fugindo do Sol :)

Primeiro o resumo de livrarias, pra saber sobre o que a história fala: Foi apenas um sonho (Richard Yates) conta a história de Frank e April Wheeler, um casal talentoso e jovem que, acredita ter toda a vida diante de si e que o sucesso há de chegar a qualquer momento. Mas, à medida que os anos passam, eles vão mergulhando num mundo de intrigas e frustrações, e só uma grande guinada poderá alterar seu destino. Em 2009, chegou às telas do cinema, com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet como protagonistas.

Em que língua eu li? Na original, em inglês. O título original? Revolutionary Road (não gostei do título português, teria deixado como o nome da rua onde moravam mesmo).

A experiência da leitura: Na verdade o fato de que o livro virou um filme tão bem criticado, me deixou curiosa. Sempre gosto de ler os livros antes de ver o filme, e quando vi esse na baciada para comprar por £5 peguei sem nem pensar. A Katie é uma das minhas atrizes (e celebridades) favoritas, a Qris assistiu o filme e disse que era bom, não podia deixar passar.  Mas confesso que saber como os personagens se parecem antes de ler o livro tira um pouco a graça e às vezes até me irritou. Ou acabava indo e voltando enquanto imaginava o que lia entre os personagens que criei na cabeça e os atores do filme (ainda bem que só sabia os principais).

Tirando isso, o livro começa devagar, até meio tedioso. Tive que me forçar a continuar, afinal um texto com tantas aclamações não poderia ser tão moroso. E valeu muito a pena. A história começou a me envolver, e as emoções que os personagens viviam mexiam comigo também. Apertos no coração, nó na garganta, e uma identificação de que qualquer um poderia estar na pele deles.

O livro é realmente MUITO bem escrito, os conflitos e revoltas dos anos 50 tão atuais ainda no segundo milênio, me impressionaram mas me deixaram meio deseperançosa, não aprendemos *nada* durante todo esse tempo? Mas conforme ia lendo o livro, também me peguei percebendo que muitas coisas mudaram, muitos preconceitos caíram e a esperança foi reinstaurada :-D

Me identifiquei e identifiquei tantas outras pessoas ao meu redor com Frank e April e seus idealismos… Com essa vontade enorme de querer mudar o mundo. Com o amor tão grande que vai e volta, cresce e diminui e cresce… Com tanta gente que dá uma (ou vive anos planjando) reviravolta na vida em busca da realização dos sonhos e dos desejos que parecem ser maior que a gente e…

…Mas não posso ir muito a fundo, pra não estragar a história pra quem não leu ainda. Se vocês lerem e quiserem discutir, me avisem, abrirei um post em separado para termos uma conversa à parte.

E pra acabar, quantas estrelas leva o livro? 5 de 5, claro!

Claro! O livro é forte, com uma mensagem profunda e recomendo todos a lerem e tirarem suas conclusões.

P.S.: Coloquei uma listinha dos próximos relatórios que vocês devem ver aqui na minha fila de posts com os livros que li e ainda não comentei. O livro que está na beira da cama agora? O símbolo perdido (Dan Brown). Tô gostando, mas está me enjoando um pouco, mas uma vez que se começa Dan Brown, é díficil de parar sem terminar hein? /:)

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Minha complicada relação com o mundo da moda

Então a polêmica da vez na semana passada foi o escandâlo de que a Zara (e mais de 20 outras grifes) usam mão de obra escrava para produzirem suas roupas. Que na minha timeline começou com o Twit da Helô Righetto.
Confesso que tal fato não me deixou perplexa. Essa história, pra quem mora na Inglaterra e acompanha as notícias, já é velha.
Dessa vez, o vexame foi flagrado no Brasil. Em 2009, a Zara e a H&M já eram denunciadas por utilizarem mão de obra escrava no Uzbesquistão.
Li uma vez na revista do avião, que a Diesel e a GAP usavam mão de obra infantil no Brasil.
Tem muito pouco que podemos fazer para impedir essa natureza da indústria. Eu faço o meu pouquinho, e lá vai a relação que eu tenho com mundo da moda:

  • Começou desde pequena, marca não pesa em nada pra mim

Meus pais sempre me ensinaram que o importante é quem você é, e não o que você veste ou o que você tem. Estudei em escola particular durante toda a minha infância, e não se engane de achar que não choramos por não termos tênis New Balance, camiseta Pakalolo e calça jeans M. Officer. Lembro de muitos escândalos mas meus pais sempre nos ensinaram com muito amor que o dinheiro gasto com as grifes poderiam ser gastos com outras coisas, e que no fim das contas, estávamos crescendo mesmo, o tênis, a camiseta e a calça jeans seriam perdidos antes de serem gastos. Que a qualidade do que compravam pra gente era suficiente para durar aquele ano, e na verdade que podíamos ficar lindões mesmo não carregando o peso da etiqueta. Com o tempo fui crescendo e o fato de não ter nada de grife só me ensinou que meus pais – mais uma vez – estavam certo. Sempre achei um jeitinho de achar o que precisava de maneira mais em conta, e aprendi o valor do dinheiro, no que valia a pena gastar ou não, qual era o valor do mesmo item em outras lojas?
Confesso, que a primeira coisa que comprei com meu salário de estagiária, foi um Nike. Não podia comprar só com o salário, mas meus pais, em uma forma de reconhecer meus esforços, pagaram por metade. Usei com muito gosto o tênis, e fiz durar até rasgar, mas enjoei muito antes do tênis acabar e aprendi mais uma lição.

  • Se compro barato, quando chega a hora de desfazer, não contrbuí para o lucro da marca

A lição com o tênis foi a de que a moda comprada normalmente me enjoa antes de chegar ao máximo que eu posso usar dela. O tênis durou um ano e meio mais ou menos, mas muito antes disso eu já estava com cosquinha de comprar outro. Mas como suava pelo dinheiro do estágio (cujo metade do salário ia direto para a poupança assim que caía na conta) me segurava para não comprar outro. E fiquei com o coitado até não ter mais como usar, assim como fazia com as roupas de trabalho. Dali pra frente, comprava blusinhas e roupas “temporárias” na Miroa, na Fancy, na Barred’s. Aqui eu compro na Matalan e Primark. Mas sei que a duração dessas roupas é curta, mas o suficiente para desfilar e me aprovietar nelas, sem ir à bancarrota, e então aprendi mais uma lição.

  • Pagar um pouco mais vale a pena, se é para durar

A lição com as roupas de trabalho, foi que quando comecei a trabalhar na AT&T (vulga Lucent, vulga Avaya) exigiram que eu começasse utilizar roupas mais formais. Peguei a mãe e fomos juntas escolher o que era apropriado e o que valia a pena pagar. Minha mãe sempre foi “O” exemplo de mulher elegante, linda e charmosa, quem melhor para ir comigo? Resolvemos fazer a rapa na Luigi Bertolli. As roupas eram clássicas, de ótima qualidade e por isso significava que eu poderia passar um ano usando-as sem precisar gastar dinheiro de novo. O famoso barato que sai caro, quando é para roupas de trabalho, não colam comigo. Aqui, compro na Next e New Look quando preciso de coisas mais duradouras, mas mesmo assim, prefiro esperar quando tem promoção, assim gasto menos ainda. Investir o dinheiro em qualidade sem pagar mais pela etiqueta, me mostrou que não preciso comprar roupas todo mês, toda semana, todo dia. Mas quando preciso. E mais uma lição.

  • Comprar quando é preciso

Só compro quando preciso. Quando as roupas mais baratinhas não estão mais em condições de usar que eu ainda me ache bonita com elas, vão pra doação. Algumas vezes até penso que elas precisem ir para a reciclagem de retalhos aqui de tão usadas que foram. Muitas vezes levo pro Brasil e junto com a minha mãe, as reformamos. Recorta e costura daqui, cola um brilhinho ali. A época que mais comprei roupa foi quando perdi 10 quilos e as roupas antigas estavam todas grandes. Na empolgação da perda de peso, comprei comprei comprei. A casa tinha espaço pra guardar e não me desfiz das roupas antigas, vi o estrago na mudança. Quando quase 20 sacos de 20L. saíram de casa com roupas que já não queria mais. No meio tempo engordei de novo, e precisei comprar algumas peças novas. Compro conforme vou precisando para novas ocasiões, vou comprando, mas tenho pego somente as baratinhas, pelo menos até perder perder o peso de novo, então as roupas que preciso agora são da categoria “temporária” e serão das baratinhas, já que daqui uns meses quero ir comprar as definitivas do novo corpitcho e daí sim renovar as roupas para um armário mais duradouro.

  • E o boicote?

A primeira reação das amigas fashion é a de boicotar as marcas que forem provadas fazerem parte do cartel da escravidão.
Meu boicote é antigo. Meu boicote é o mesmo dos meus pais. Que me ensinaram que a indústria da moda é tentadora, e que precisamos vencer a pressão da importância “do ter, antes de ser”. De entender, que se alguém não é nosso amigo porque não nos vestimos com roupa da moda ou da marca, quem não merece ser nossos amigos são essas pessoas.

O boicote é uma forma de protesto. Mas para não sairmos pelados, como a Helô Righetto sugeriu sendo a única solução possível, uso as minhas lições aprendidas, e evito até entrar em lojas de grifes, contra o abuso em nome do lucro. Fazer uma roupa por 20 centavos e vender por £10 (o que a Primark e Matalan cobrariam) é abuso. Vender por £20 – o que pagaria nas lojas mais médias daqui (Next, New Look) é abuso – mas normalmente espero a promoção chegar e o preço cair até £10 ou mais barato, e assim evitar comprar muitas calças Primark. Vender por £60 (o que seria o preço da Zara e GAP) é pior ainda, e normalmente mesmo as promoções não são preços exorbitantemente ótimos, e os tamanhos que sobram não me servem /:)  Não sou contra o lucro, sou contra o lucro abusivo. Em Leleilândia, que não é socialista porque não é obrigatório mas voluntário, o lucro é dividido pelo bem daqueles ao redor de nós, e não em nome de sua exploração. Exploração na linha de produção, exploração de quem sua a camisa para comprar algo que quer.

  • Se o boicote não vai funcionar, o que pode funcionar ?

Eu acho que o boicote funciona sim. Mas o boicote a longo prazo, consistente e consciente. Escrever para as marcas que você gosta (e faz questão de usar) explicando que está parando de comprar lá por causa da posição social da empresa. Ficar na cola da imprensa para dar seguimento às investigações reportadas anteriormente. Fazer sua voz valer no Twitter e blogs e onde mais puder ser ouvida.
Simplesmente e brevemente boicotar, não ajuda. Pensem comigo. Zara(em ’09) e GAP(em ’07) e Diesel(em ’08) já foram escancaradas no passado como marcas que utilizam mão-de-obra escrava. No passado também disseram que iriam averigüar os fatos e certificar que o problema não acontecesse mais. Anos depois, Zara resolveu mudar as operações escravas do Uzbesquitão para o mercado escravo no Brasil e a GAP caiu de novo na tática do mercado escravo da Índia – denunciado em Agosto do ano passado. A impressão é que essas grifes deixam a poeira baixar, fazem um escarcéu de que vão olhar no problema, vão resolver, bladidádá e nada é feito, volta e meia sai um escândalo de trabalho escravo (e muitas vezes infantil) sendo utilizado.

Surpreendentemente a única empresa que realmente sempre impôs condições de trabalho e desmentiu relatórios falsos de trabalho escravo (a BBC teve que pedir desculpa pelo programa mentiroso) até hoje foi a Primark, a mais popular e baratinha de todas. É a única da indústria – que eu sei – a colocar seus valores éticos no site da loja pra quem quiser ver.
A New Look e a Diesel publicam quais são as caridades para as quais elas doam parte de seus lucros, um ponto positivo no meu caderninho (mesmo que eu não compre Diesel porque o preço ainda é impraticável para o que oferecem).
Algumas têm um blablablá enorme no meio de letrinhas confusas e muitas vezes não vêm a publico quais caridades elas ajudam, qual são as ações que fazem mesmo para beneficiar seus empregados e costureiros?
Se alguém achar mais alguma, me avise e colocarei com prazer aqui no blog e tirarei da minha lista do boicote.

Fazer pressão às marcas para abrirem as portas de suas fábricas, além do boicote de não comprar mais lá até conseguirem colocar ordem na casa, é a melhor ação.
Elas não poderem culpar o clima ecônomico por quererem fechar suas lojas e fábricas (que pelo sim pelo não é a única fonte de renda dessas famílias) quando pararem de vender e suas ações despencarem, é o que as fariam repensarem suas responsabilidades sociais, e acompanharem mais de perto sua linha de produção.

Escrever para os políticos exigindo melhores condições de trabalho serem impostas, é o que o povo todo no mundo inteiro (para evitar ações como as da Zara que mudou de um país para o outro) deveria fazer também. Foi assim que nos livramos de condições desumanas na Inglaterra (com a união dos sindicatos e trabalhadores) e muitos países que hoje em dia prezam pelas suas condições de trabalho. Vejam bem, isso ainda não evita que existam trabalhos escravos e explorativos no Reino Unido. Mas muito MUITO mesmo foi banido no passado.

  • Então eu nunca compro nada de marca?

Depende o que você chama de marca. Posso dizer que 99.9% das minhas roupas e sapatos não são de grife. E os 0.01% que são, foram presentes. Tenho um casaco da Zara que ganhei de presente, uma bolsa da Radley que ganhei de presente. Foram presentes de pessoas que gostam de mim e tinham a melhor das intenções em seus corações. Aceitei com carinho, e os usarei até não dar mais, fazendo jus ao dinheiro que gastaram ;;)

  • E as pessoas que justificam as compras nessas lojas?

De novo, eu entendo que é o mundo em que vivemos. Eu não condeno os amigos e conhecidos que sucumbem à tentação das marcas. Eu não entendo a atração pela mudança de estações, pela renovação do armário a cada 3 meses, pelo julgamento de acordo com o que você veste. Não entendo o porque pagar mais pelo que você poderia ter por menos. Não tenho o hobby de ir fazer compras.Já tentei me entrosar em conversas da moda, mas não rola. Então não tenho como condená-las. Só poderia ter o direito de levantar um dedo se a minha criação tivesse sido diferente, se minha personalidade fôsse diferente.
Só posso tentar explicar porque é que penso e ajo diferente.
E abrir meus ouvidos pra quem quiser me convencer do contrário :)

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O tumulto de Londres: Perguntas e (minhas) respostas

Desculpem pelo assunto pesado de novo, escrevo hoje sobre o que aconteceu em Londres. Não tem como deixar entalado na garganta e sempre me ajuda a lidar com os sentimentos que vêm nessas horas…

Difícil achar uma tradução decente para a palavra riot. Riot aqui tem a conotação de arrastão, tumulto, revolta, tudo em uma palavra só. Em um dos artigos que li, na verdade eles diziam que nem riot foi, porque riot teria em si, uma definição de fundo politíco e argumentação, o que aqui não teve. Talvez tenha começado como uma riot, mas como terminou, ninguém sabe muito bem como colocar um nome. Vou chamar de tumulto, pra deixar mais fácil pra todo mundo, por agora.

Primeiro, a história de como aconteceu sob o meu ponto de vista, pra quem está no Brasil e ficou meio perdido com a bagunça que não foi bem explicada no jornal.

No dia 4 de Agosto (quinta-feira), um rapaz do Norte de Londres, do bairro de Tottenham foi morto por policiais. O que eu vi de notícias (assisto BBC News – notícias 24 horas – antes de dormir, pelas curtinhas do que está acontecendo pelo mundo) foi que um homem havia sido baleado pela polícia e estavam investigando. Na sexta, na hora do almoço – quando vemos as manchetes de novo – a notícia era de que ele havia atirado no policial, mas o IPCC (que é o órgão independente de investigação de ações da polícia) estava investigando o que realmente tinha acontecido.
No sábado, passei o dia fora. Na volta, quando paramos para jantar em um posto de serviços da estrada, vimos na televisão que estavam acontecendo alguns tumultos no bairro onde o rapaz foi morto. Carro de polícia pegando fogo, mas sem muitas informações sobre o que estava acontecendo. Chegamos em casa umas 2 horas depois, e o circo sensacionalista havia sido montado. Ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo, como tinha começado e o que a polícia estava fazendo para contê-los. Resolvemos desligar a televisão, mas sei que ficaram a noite inteira reportando do local, colocando as imagens em loop, repetindo sempre as mesmas imagens de pessoas atirando pedras nos carros da polícia, de prédios pegando fogo.
No domingo, ligamos a TV pra ver o que estava acontecendo, mas até aí estava tudo meio tranqüilo. Até a hora de dormir de novo, quando vimos que haviam acontecido mais alguns tumultos. Na segunda-feira pela tarde o rádio começou a falar de tumultos acontecendo em maior escala em vários lugares de Londres. Ao assistirmos a TV de noite, vimos que estava fora de controle.
Na terça David Cameron chegou das suas férias, convocou a polícia, e o número de policiais nas ruas em Londres triplicou do dia para a noite, contando com carros-fortes e policiamento especial para tratar desse tipo de distúrbio. A note de terça foi tranqüila para Londres, mas Manchester, Birginham e Liverpool sofreram tumultos.
Não sei o número certo de pessoas que ficaram feridas no tumulto, mas confirmaram que 5 pessoas morreram.

E então vêm as perguntas. Que quero responder com as minhas respostas, meu ponto de vista, com meu conhecimento, com as horas que perdi lendo artigos de pessoas que não abusam de verborragia.

1) A polícia que matou o rapaz reagiu a ele atirando contra eles?
Não se sabe. Até agora a investigação confirmou que uma bala encravada no crachá do policial que foi envolvido no incidente não saiu da arma não-policial que foi encontrada na cena do crime. A investigação ainda está em andamento. Muitas perguntas precisam ser respondidas.
Pessoalmente, eu acho que os rapazes não atiraram. Que entraram em pânico e ameaçaram a polícia com a arma que tinham (se é que era deles mesmo) e a polícia entrou em pânico de volta e atirou para matar.

2) Os tumultos foram causados pela morte de Mark Duggan?
Não se sabe. As pessoas que estavam fazendo o tumulto era pouco concisas. Não tinham uma explicação dos motivos de estarem roubando lojas, colocando fogo em prédios, e fazendo bagunça. Cada um dava um motivo diferente, mas poucas vezes faziam sentido, e muitas vezes estavam embrigados por álcool.
Pessoalmente, digo que sim. Foi a única coisa que mudou do Sexta para Sábado. Depois que a poeira baixou um pouco, veio a notícia de que o tumulto começou no fim da vigília organizada pela família para protestar a morte do rapaz morto pela polícia. A vigília saiu de controle e algumas pessoas do bairro começaram o tumulto em uma revolta contra a polícia. Mas também acho que a televisão ao mostrar tudo ali, nú e crú e no loop repetitivo, instigou outros grupos do país a soltarem toda raiva e frustração contra o sistema. Ver que pessoas estavam roubando e destruindo saindo impunes, mostrou que se você quisesse, seria fácil ir pegar o seu pedacinho de mercadoria. A TV mostrou que polícia não ia te parar, se seus amigos iriam pra lá fazer tumulto também, que diferença iria fazer?

3) Porque a polícia não deu conta do recado?
Porque a polícia de rua aqui não é treinada para lidar com tumulto, e não só isso, ela não é autorizada a lidar com tumulto, eles não são armados, e normalmente só têm o bastão de borracha para conter violêncida em casos extremos e individuais de violência. Tem que ser a polícia treinada para tanto. Foi a primeira vez que aconteceram tumultos em vários lugares ao mesmo tempo. O número de policiais de tumulto (tipo Rota e Bope) foi pequeno para lidar com todos os tumultos. Foi um caso de como a TV estava mostrando onde os tumultos aconteceram, o pessoal causando o tumulto via na TV que poderia atacar outras áreas, e aproveitava a brecha.
Também teve o fator de que durante outros protestos durante o último ano a polícia foi muito criticada por usar força excessiva. Inquéritos foram armados, e a polícia ordenada a usar menos força da próxima vez. Quando chegou a hora do vamos ver, foi o que eles fizeram.

4) O Primeiro Ministro estava de férias, isso quer dizer que ele é folgado?
Não (mas jornais podem tentar te convencer do contrário). Não só o primeiro ministro como todos os políticos e a maioria da população tira férias no verão inglês. É quando as crianças saem de férias da escola, então é normal terem um tempo de descanso. O balanço entre a vida pessoal e trabalho aqui é protegido por leis européias, e isso é uma coisa importante na qualidade de vida de todos. O Primeiro Ministro é uma pessoa como qualquer outra, e para “funcionar” direito, precisa desligar de tempos em tempos. Ele e o Prefeito de Londres voltaram para Londres na terça-feira do tumulto. Todos os outros Membros do Parlamento (equivalente a deputados e senadores) foram convocados para uma audiência na quinta-feira depois do tumulto. Críticas são maiores pelo fato do Prefeito ter demorado mais para chegar, e quando todos estavam se unindo para limpar e resconstruir a cidade, eles não se uniram à população afetada.

O Primeiro Ministro não fez muita coisa na verdade voltando das férias. A polícia aqui é um órgão independente que tem liberdade de decidir ações conforme acharem necessário. David Cameron ter voltado foi literalmente, mais para inglês ver.

5) As pessoas que causaram o tumulto são pessoas simplesmente desocupadas, se aproveitando da falta de policiamento, ou crianças que os pais não tomam conta, querendo roubar coisas?
Aí está uma questão que cutuca a ferida de muita gente. Meu problema com essa questão é a palavra simplesmente. O que transpareceu durante esses acontecimentos é que nada é tão simples assim. E teve muito adulto na bagunça (até um brasileiro), e pessoas que queriam roubar comida, água e bebida acoólica.

5) Qual é a solução para isso não aconteça mais?
Não existe só uma solução. São várias. Que custam dinheiro, esforço, tempo. Sem entrar na questão histórica de partidos políticos, aqui está a minha lista de soluções, baseadanos ideais de Leleilândia:

  • Para os governantes:
    • Reforma do sistema de benefícios: Fazer com que o benefício seja merecido e não simplesmente oferecido. E benefícios merecidos seriam então melhores. As casas dadas pelo governo pra quem não pode pagar aluguel, seriam de melhor qualidade,ofereceriam condições mais humanas, e o serviço social apoiando o crescimento dos cidadões que necessitam dessa ajuda.

    • Reforma do sistema de ensino: Criar mais colégios de ensino técnico e aprendizes.
      Dar mais atenção para escolas que servem essas áreas:A maioria do pessoal envolvido (que claro teve suas exceções) vêm de sistemas educacionais precários. Saem da escola com o mínimo de alfabetizado (quando alfabetizados) e por isso também não conseguem se integrar à sociedade e procurar/conseguir emprego. O futuro para quem sai da escola nessas condições é escuro e sem muitas esperanças, o que traz frustração, raiva, inconformismo. Faça as contas.
      Criar e manter os centros jovens/infantis:Existem muitas histórias de centros juvenis e infantis de sucesso que ajudam aos menos privilegiados (e provilegiados também, pra quem quiser) com atividades pós-escola. É excelente para aqueles que não podem pagar para terem atividades extra-curriculares e precisam passar o tempo fazendo algo e se sentindo úteis.

    • Treinar a polícia: Não só para lidar melhor com tumultos, mas para evitá-los em primeiro lugar. Aprender as lições desses dias e rever as ações necessárias. Treiná-las para trabalharem com a comunidade problemática e não contra ela. Treinar oficiais que usam armas para saberem como lidar com o pânico e instintos de sobrevivência de mandeira melhor.

    • Reforma do sistema social: Oferecer condições melhores para trabalhadores do serviço social. Para identificarem e trabalharem com pais que não têm condições (morais, físicas e/ou ecônomicas) de criarem seus filhos. Cortar o mal pela raiz, identificando isso cedo na vida das famílias, seria mais fácil de direcionar crianças para um caminho mais correto, e evitar adolescentes e adultos que trariam problemas para a sociedade no futuro.

    • Impulsionar a criação de empregos: O corte de empregos, públicos ou não, é um grande fator nisso tudo, lembram de Gonzaguinha? “Um homem se humilha/ Se castram seu sonho/ Seu sonho é sua vida/ E vida é trabalho…/ E sem o seu trabalho
      O homem não tem honra/ E sem a sua honra/ Se morre, se mata…
      “. Na minha opinão a criação de empregos vem da criação de indústrias, de empregos públicos (feito de maneira enxuta e eficiente) de mais felixibilidade dos sindicados, de mais educação no país. De facilidade para pequenas empresas lidarem com os bancos.

    • Regularizar a propaganda e ânsia de ter que vender vender vender: Como eu falei, a maioria saiu roubando o que eles viam e queriam mas não têm condições (ou esperança de ter condições) de comprar. Pessoas “de bem” se aproveitaram e roubaram também. Pessoas com estudos e empregos, e sabiam o certo do errado. O que elas têm em comum com os muitos vieram de locais mais vulneráveis é querer e não poder comprar. É necessário colocar um freio nessa cultura onde ter é melhor como ser, como disse sabiamente, a Lolla.

  • Para nós, o povo:
    Esse é um ponto que dificilmente se vê por aí. Normalmente todo mundo é rapidinho em atacar a pedra, sem olhar para o próprio umbigo. Mas a sociedade e o povo tem culpa – e muita – no cartório. Então, o que podemos fazer para mudar o que está ao nosso redor e não deixar somente na mão do governo?

    • Não perpetuar a raiva direcionada aos que têm uma realidade diferente da nossa: Xingar, apelidar, falar (ou escrever) com tom de voz racista ou preconceituosa sobre os jovens, crianças e adultos envolvidos ou não nos tumultos, somente piora a situação que também é formada pelo fato de se sentirem excluídos do grupo de pessoas aunto-entituladas “boas”. Mais um fator para se juntarem aos grupos que entitulamos “maus” – alguém falou no programa de debate na televisão, com muita razão, quando não há proteção boa, proteção ruim toma conta. E assim gangs se formam que por sua vez acham o espaço para crescerem. E o ciclo assim vai continuando.

    • Pesquisar mais sobre política e exercer nosso papel cívico: Saber o que cada partido fez, faz e quer fazer é essencial para exercermos nossos direitos de cidadãos. Sair pesquisando leva tempo, mas as recompensas são saber que na hora de votar – e tem que votar! – estamos escolhendo o melhor realmente para o que queremos, e não só ouvindo o barulho que a imprensa e jornais fazem durante a eleição e escândalos. Não só ouvindo o que celebridades, seus amigos ou o debate resultou na televisão. A escolha é nossa e temos que ser responsáveis por ela.

    • Pesquisar mais sobre como é que o pessoal mais vulnerável que nós vive?: Saber as condições desse pessoal vai te fazer parar de julgá-los. É tão fácil do alto do nosso pedestal onde tivemos uma educação, pais moralmente corretos que nos ensinaram o certo do errado e nos suportaram nas horas de dor e de alegria, de amigos que nos aceitam, do quentinho da nossa casa, da segurança da polícia que nos protege ao invés de nos atacar, do emprego que paga as nossas contas e o que queremos comprar. %-( Tire seus dedos dos ouvidos,  e use seu tempo para antes de atacar pedras, pesquisar o que está causando o problema, e como você pode ajudar.

    • Perpetue idéias e ações que proporcionem o que você quer no mundo: Se você já tem uma idéia do que é certo e errado na sua concepção, perpetue-as. Aponte os seus amigos que não conseguem (ou não querem ver) ainda na direção correta. Pode haver uma discussão básica, assim como a que houve com a Cris no Twitter, a Lolla e a minha ex-chefe no Facebook, só tenha certeza de manter civilizado, colocando seus pontos através de fatos, mas não batendo de frente e deixando o emocional tomar conta. Nos três casos, chegamos em um acordo, aprendemos umas com as outras. Em um caso de uma menina que conheci uma vez em um casamento e se tornou amiga no Facebook, consegui fazer ela retirar o post dizendo que era “fácil os jovens conseguirem emprego, que só precisavam colocar um terno e aprender a falar sem gíria.” E nem precisei pedir para tirar, só com jeitinho disse que não era tão simples assim…

6) E por último, porque isso não muda?

    Em resumo é mais ou menos como um cartunista colocou no The Independent (nosso jornal favorito aqui):
    Os sintomas, as causas, a solução

Tem muito que envolve richas políticas, a impossibilidade de governos trabalhem juntos pelo bem da nação. Muito da sociedade que começa errado e é difícil de mudar assim rápido. São atitudes, culturas, crenças. Que são parte da personalidade dos indivíduos. Muito vem de novo do que o Mauro me falou, de que a raça humana é simplesmente muito grande para instigar o carinho e a preocupação pelo próximo em uma escala em que todos se ajudariam, na verdade.
Pode ser que esta lista mude conforme eu fôr lendo mais (ainda tenho muito mais artigos para ler!) e mais informações sobre o que aconteceu forem surgindo. Afinal, vocês sabem, sou a mestra em mudar e adaptar minhas opiniões.

Ia publicar a lista de artigos que li, mas seria enorme e não sei se vocês estariam interessados. Quem quiser pode me pedir e pode ser que eu publique aqui ou mande por e-mail.

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