Um final de semana que não dá para ignorar

Não tem como. Tentei ignorar o fato no blog – como muitos companheiros de blog fizeram – mas minha cabeça e suas caraminholas ganham a luta. E esse “blog é sobre  nada” (roubando a terminologia de Helô e Marina) mas ao mesmo tempo é sobre tudo que se passa nessa mente criada por pais de direita, irmã e namorado de esquerda, e que tenta justificar as coisas difíceis de entender para quem teve um passado fácil de viver. Esse blog é uma das válvulas de escape para eu não acabar “fundindo a cuca” como diziam meus pais quando eu queria ficar estudando por muito tempo (sim, sou CDF e daí :P ) então dedos à obra e ao desabafo!

Preciso dizer que o tempo me ensinou muita coisa sobre a imprensa. As lições são muitas, mas a mais importante e relevante nos casos de tragédias, é esperar. Esperar até que as especulações se acalmem, a poeira do choque se abaixe, e as notícias comecem a fazer mais sentido.

Com o tempo, tudo faz mais sentido, se você conseguir manter a frieza de se distanciar das emoções que o noticiário quer instigar em você – o famoso inconsciente coletivo – para te prender aos números do IBOPE, às vendas de jornais e aos acessos de seus websites. No começo tudo é sensacional. No mau sentido, mas mesmo assim, sensacional. Pessoas são transformadas em monstros. Empresas são transformadas em instrumentos diabólicos que só servem para destruir a vida de todos. Partidos políticos são transformados em mecanismos de pura corrupção. Com o tempo você começa a ver que não é bem por aí. Ninguém nem nada se transforma em algo puramente ruim e negativo da noite para o dia.

Existem quatro assuntos que quero discutir no blog. News International e suas traquinagens, o ataque de Oslo, a fome na África e a morte de Amy Winehouse. Para não ficar muito cansativo (tanto para leitura quanto para escrever) vou fazer um de cada vez. O primeiro é sobre o ataque em Oslo.

Na sexta, quando as notícias estavam quentes, Regina26 (que aliás me surpreendeu por ter sido a única que comentou o que aconteceu) escreveu no Twitter

“Acabei de ver na Tv as imagens do atentado em Oslo. Será que algum dia isso vai parar? Por que matar, ao invés de sentar e conversar?”

Respondi que era um assunto complexo, mas que concordava que deveria sim ser tão simples quanto sentar e conversar. Minha concordância foi relativa ao fato de que eu sei que o mundo não é feito para tanta ingenuidade, mas ainda assim espelharia minha utopia, sobre a qual falei aqui. Mas como falei naquela época, Utopia é algo que sabemos que não é atingível.  Na época, adorei a explicação de Mauro, comentando no mesmo post:

“- Infelizmente, não acho que isso vá acontecer porque a humanidade no final das contas é um bando de gente egoísta e que não está nem aí para com quem está fora da sua “turminha”. A gente evolui como animais sociais, mas isso normalmente implica viver em grupos pequenos. A gente se importa com a família e os amigos próximos, mas normalmente está pouco se lixando com quem está em outros países ou mora na cidade ao lado, afinal eles são só “estatísticas” ou mais ou menos “conceituais” para a gente. Tipo, se eu mal consigo imaginar alguém que mora no Kazaquistão, como é que vou sentir simpatia real por essa pessoa, comparada com, por exemplo, meu vizinho?”

Depois que Mauro acendeu a lampadinha na minha cabeça, o mundo e suas coisas com as quais não concordo passaram a fazer muito mais sentido. Desde idéias e discussões de amigos, da família, dos vizinhos, até – o que sob o nosso ponto de vista são – atrocidades que acontecem pelo mundo. E para passar a entender mais ainda essas atrocidades, basta se colocar do outro lado da moeda, a ver as coisas de um outro ângulo. Todos os “loucos” têm o seu pouquinho de sanidade também, as suas justificativas exageradas para ações que não são consideradas normais por nós, considerados normais.

Nesse caso específico, após ler alguns poucos artigos sobre o assunto e ouvir as notícias curtas dadas no rádio que toca na maioria música, percebi a similaridade com o caso da Escola do Rio. O mesmo caso que me fez desabafar sobre a Imprensa.

A similaridade é um indivíduo que em um surto entre realidade e fantasia, misturou seus pontos extremos com uma doença mental e acabou afetando pessoas inocentes em sua busca de uma vida melhor. Sim! Porque ele jura de pés juntos que fez o que necessário para uma Europa melhor, livre da invasão islâmica e imigrantes ilegais. Já ouviu essa história antes? Um certo senhor chamado Adolf Hitler, querendo limpar a Europa dos judeus e não-caucasianos? Pois então. É primeiro necessário entender que na cabeça dele, seus ideais são corretos.

Meu ponto aqui se dividem em dois:

– Influência da mídia de que você deve lutar pelos seus sonhos e pelo mundo que deseja

Três dos meus filmos favoritos são Matrix, V de Vendetta e Mais Estranho que Ficção. Ambos lidam com a idéia de que você deve sair da cadeira, e fazer algo pelo mundo que deseja ver. Se fôr criar uma revolução, e eliminar quem não concorde com os seus ideais, que assim seja.

Também adoro os ideais de Rage Against the Machine, com suas músicas revolucionárias que cantam coisas como:

So called facts are fraud – Os “fatos” são fraudes
They want us to allege and pledge – Eles querem que nos aleguemos e assim prometamos
And bow down to their God – E nos curvarmos diante de seu Deus
Lost the culture, the culture lost – Perder a cultura, a cultura perdida
Spun our minds and through time – Virou nossas cabeças e durante o tempo
Ignorance has taken over – Ignorância tomou seu lugar
Yo, we gotta take the power back! – Temos que tomar o poder de volta!
Bam! Here’s the plan – Bam! Aqui está o plano
Motherfuck Uncle Sam – Estados Unidos FDP
Step back, I know who I am – Dê um passo para trás, eu sei quem eu sou
Raise up your ear, I’ll drop the style and clear – Abra seus ovidos, Vou pingar algum estilo e limpidamente
It’s the beats and the lyrics they fear – É a batida e a letra da música que os amedronta
The rage is relentless – A fúria é implacável
We need a movement with a quickness – Precisamos de um movimento rápido
You are the witness of change – Somos as testemunhas da mudança
And to counteract – e para contra atacar
We gotta take the power back – Temos que tomar o poder de volta

Gosto também de Muse, Green Day, Legião Urbana, Paralamas, Titãs, Caetano, Gil e Tropicália. Claro, da época que falavam mais de governos do que de corações partidos.

Então não seria o certo começar uma revolução agora mesmo? Me juntar aos que pensam como eu e tomar o mundo de pessoas que não concordam com os meus ideais? Protestar não ajuda em quase nada quase sempre, e mudar o partido no poder só faz outras pessoas que se vêem cegas pelos próprios interesses controlar a maioria.

Então porque vivo essa vida hipócrita, que não me deixa lutar pelo meus sonhos, pelos meus ideais de uma maneira mais agressiva assim como escuto meus ídolos cantarem pra mim, me mostrarem em filmes e escreverem em livros?

Pode ser por pura preguiça, e pela ilusão de achar que uma andorinha não faz verão, mas acho que na verdade é mais pelo fato de que:

– Somente excessões têm a capacidade de matar a sangue frio, não importa qual motivação.

Não é mais do ser humano ter o instinto de ter que eliminar o lhe ameaça. Deixamos essa característica animal, lá trás no tempo dos homens da caverna. Essa necessidade de ter que matar para conquistar o que queremos é o que nos faz viver em sociedade, e termos a capacidade de conversar, de discutir, de tentar chegar um senso comum e mesmo se não chegarmos, de “concordar em discordar”, e seguir a vida em frente.

Claro existem suas excessões. Nossa evolução ainda não se completou. Ainda temos necessidade de comer, beber líquidos. Ainda temos de depilar a perna (aliás, a evolução já deveria ter dado conta do recado né, fala sério /:) ) e temos a necessidade de dormir para suprimirmos a necessidade de descanso. Ainda somos animais, em muitos aspectos.

Mas assim como existem excessões da evolução para essas necessidades, existem excessões para aqueles que por um motivo ou por outro ainda têm essa característica em sua personalidade, em sua mente, em suas ações.

Na minha santa ignorância, os motivos que causariam tantas tragédias seriam:

1) Uma infância ou vida adulta conturbada

2) Doença mental (como esquizofrenia ou paranóia, por exemplo)

3) Necessidade (de sobrevivência, a questão de vida ou morte, auto-defesa, ou auto-subsistência)

Qualquer um dos três acaba explicando os casos isolados de violência contra outra(s) pessoa(s). O que explicou casos de matança no cinema em São Paulo, o caso da escola no Rio, atiradores nos Estados Unidos e provavelmente o que vai explicar o caso de Oslo é o ponto da doença mental.

O que explicaria casos do Nazismo, seria a combinação da mente doentia de Hitler, que encontrou em seus seguidores o motivo da sobrevivência. Os alemães tendo vindo da perda da 1a Guerra Mundial e se vendo ameaçados pelos judeus, seguiram Hitler em seus ideais, cegamente (mais ainda assim com suas exceções humanas, com pessoas que ofereceram abrigo a judeus e salvaram muitas vidas!).

Agora, a guerra motivada por Islamismo x Ocidente é um pouco diferente. Aí temos uma mistureba de motivos, e a sede do Ocidente de manter as guerras acontecendo por uma outra tendência que vem com o Homo Sapiens. A ganância e ambição. Os Estados Unidos e o Reino Unido ainda precisam do dinheiro que a guerra gera. A venda de armamentos ainda é um comércio muito grande para abrirem mão. O que é triste, mas na realidade o porque a Guerra não acaba nunca. E acaba gerando mais motivos de criação de terroristas que nascem em crescem em território de guerra e acreditando que devem ter uma vingança e retribuição, criando assim um círculo vicioso.

Existe uma saída?

Sim, imprensa PRECISA largar essa coisa que denominar pessoas de demoníacas, como isso explicasse o ocorrido e como se as escolhas fôssem delas de cometer esses atos horrendos. É preciso começar a aceitar doenças mentais como algo grave da condição humana. Oferecer triagem, tratamento e inclusão na sociedade.

Um ponto positivo é que parece que aprendemos sim com o Nazismo. Hoje já não é aceito como normal e não acredito que cresceria aos níveis que vimos no passado.

Ainda é necessário endereçar o problema da inclusão de imigrantes na Europa (escrevi que já era um problema em 2010, no blog da Denise), que é o que fundalmente tem ameaçado os nacionais e feito com que sintam medo do diferente e achem que mulçumanos  e estrangeiros representam o mal e deve ser eliminado – a famosa direita fanática, que claro é a minoria, ainda que ameaçadora. E a culpa de quem é?

Bom temos governos que fazem uma bagunça de todo o processo de imigração, e de novo – olha só a surpresa – imprensa de baixo calão com manchetes sensacionalistas e exagero para negativizar estrangeiros, são a fórmula para desastre acontecendo no momento.

É preciso achar outras saídas ao invés de depender no dinheiro da Guerra para conseguir fazer seu país sair da pendura!

A única saída pessoal que achei por enquanto é seguir as palavras de Ghandi, que são as que mais me fazem sentido. “Seja a mudança que quer no mundo” . Tenho outros planos, mas enquanto meu traseiro não sai do sofá para agir, seriam somente conjecturas.

Por enquanto tento fazer a minha parte no que eu acho que é bom. Não fazendo o que eu acho que é errado. Eu acho que é errado confrontar outras pessoas de maneira agressiva e fanfarrônica (confesso que ainda estou mudando essa tendência, assunto pra outro post talvez?).  Se um dia tiver filhos, ensinarei a eles meu ponto de vista e tentarei dar um lar estável e seguindo meus ideais. Quando tenho a oportunidade, espalho meus ideais por aí, pra quem quiser se juntar. Mas principalmente mudo meus ideais a todo tempo, quando acho que outros fazem mais sentido. Sou maleável, porque acho que todos deveriam ser maleáveis. É uma jornada conflitante e cheia de ficar em cima do muro por um tempo (às vezes por um longo tempo) – o que é mal visto nos dias de hoje,  como se fôsse um defeito, infelizmente.

Mas é a mudança que eu gostaria de ver no mundo, um mundo mais tolerante, e com mais paciência.

Deixo o vídeo abaixo, para ilustrar a idéia, sem nenhuma palavra sequer necessária.

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