Oi, como estão as coisas?

Uns dias atrás mandei uma mensagem pelo Facebook para uma pessoa a qual quero bem mas com quem não falo há dois anos! Me sentindo já ignorada por ser tão desnaturada, pensei em uma das dicas que aprendei recentemente quando participei de um treinamento de como engajar com pessoas com as quais trabalhamos, das e pelas quais normalmente influenciamos o nível de sucesso e excelência de desempenho.

Assimilei várias dicas, e vamos ver se com o tempo as coloco todas aqui, mas duas coisas me marcaram mais.

Primeiro, temos que entender que engajar é diferente de entrar em contato com alguém, ou trabalhar juntos com um objetivo em mente. Engajar é literalmente, segundo o Michaelis, “alinhar-se em ordem de ideia ou de ação coletiva” Engajar dá mais trabalho e é mais longo do que do que simplesmente impor sua opinião, ou aceitar facilmente a do outro, mas a longo prazo, traz um relacionamento mais sincero, confiável, e fácil de chegar a melhores decisões. E pode até acontecer que a decisão seja completamente diferente do que estava sendo inicialmente proposto!

Então as duas coisas que mais me marcaram, e que me acenderam uma lâmpada em cima da minha cabeça, foram o poder das perguntas abertas e o poder da intimidade.

No Brasil, eu sentia que perguntas serem fechadas (aquelas que requerem sim ou não como respostas) ou abertas (aquelas em que a pessoa têm liberdade de expandir e explicar) não faziam muita diferença, a maioria dos brasileiros adora tagarelar, e normalmente o problema é arrumarmos tempo para a discussão! Aqui na Inglaterra, sinto que a maioria das pessoas está mais confortável em responder uma pergunta assim como é perguntada. Elas podem até estender um pouco,  mas  a tendência é a de ser mais literal.

Então se perguntamos (fechado) “Você gostou do filme?” a resposta provavelmente vai ser: Sim, gostei! ou Não, nem tanto ou Mais ou menos!… Não porque eles não querem conversar com você, mas porque eles provavelmente acham que você simplesmente quer saber se gostaram ou não, e a resposta curta deve ser suficiente.

Mas se perguntamos (aberto) “O que você achou do filme?” eles vão conversar por horas, sobre quais foram os momentos que gostaram, não gostaram, e até talvez puxar outros filmes para a conversa!Ao conversar com

Ao conversar com Mr. W sobre o treinamento ele também me explicou que na sua profissão de advogado essas diferenças em perguntas são vitais e tudo depende se ele está defendendo ou acusando alguém e o quanto deve expandir suas histórias.

Por ser introvertida (sobre o que falei aqui) , tenho a tendência em não expressar muito interesse pelos outros – não por egoísmo, mas por receio de estar me intrometendo demais – e mesmo quando o faço, a tendência é de olhar para as minhas experiências, os meus conselhos, o que eu tenho a dizer. Re-aprender sobre o poder das perguntas abertas – eu já havia ouvido sobre isso antes – me abriu os olhos para não somente ter um relacionamento mais positivo, amigável e colaborativo no serviço mas também no meu dia a dia, com amigos e família. Na maioria das vezes me pegava com esse conflito de que existia essa barreira de como começar uma conversa, como fazê-la durar, como aproveitar a interatividade com outras pessoas, principalmente quando conhecia alguém novo. Agora, perguntas abertas são meu maior truque de mágica! E tem um truquinho mais fácil de usar ainda, usar TED – T para “tell me” , começando conversas com “Me diga”, “me fale”, E para “explain” , “Me explique”, D para “Describe” , “Descreva”. Os três são aberturas que podem ser utilizados como “O que você acha de…”, “Como você se sente se…”, “Quais você…” e muitas mais por aí que teriam o mesmo resultado…

Indo de mãos dadas com isso, veio a diferença entre perguntar o famoso “Oi tudo bem?” brasileiro que pede somente um Sim ou Não ou mais ou menos, pelo “How are you?” (Como você está?) inglês, onde pessoas podem realmente explicar como elas estão e dar mais detalhes se elas assim o desejarem. Aqui normalmente a resposta vai ser um ‘fine‘ – “Estou bem”, um ‘not too bad, thanks’ ou ‘not bad at all!’, que merecem seu próprio parágrafo ;)

O ‘not too bad, thanks‘ literalmente traduzido, pode dar a impressão de significar um “não tão mal, obrigado” ou “não tão ruim, obrigado”, levando a crer que a pessoa está passando por um momento não tão favorável. Mas com o tempo aprendi que a expressão aqui no Reino Unido é simplesmente um diminutivo do “Tudo Bem”, quando a pessoa não está tudo 100% bem, mas ainda ainda assim a pessoa está mais para o lado de estar bem do que ruim. O ‘not bad at all!‘ usa a negativa “not at all” que significa “nem um pouco”, ou seja, significa que a pessoa está literalmente “Nem um pouco ruim” -> “Está tudo 100% bem”. Me levou um pouco de tempo para entender as nuances e o negativismo das respostas britânicas e começar a adotá-las também, mas de uns tempos para cá tenho feito uso de respostas e escolhas positivas quando me perguntam como estou, e bani essas expressões de meu vocabulário, assim minha mensagem poderá ser sempre positiva!

Claro não são todas as vezes que eles expandem, mas em minha experiência eles normalmente seguem com um comentário sobre o final de semana (se fôr sexta ou segunda) ou sobre o clima e sua previsão pelo menos e a conexão se torna mais íntima e positiva.

Já tenho percebido as diferentes reações de quando pergunto “Como estão as coisas?” para amigos e familiares brasileiros, tão mais explicativo e inclusivo do que o antigo “Oi, tudo bem?” e por aqui, depois que comecei a perguntar mais com honestidade “How are you feeling today?” “Como você está se sentindo hoje?” Nem que seja para me dizerem que estão ocupados e pra terminar a reunião rapidinho ou ir embora e deixá-los em paz!

E é claro, não há garantias contra o “How are you” Vortex, ou o ciclo vicioso que “Um Como você está” pode gerar…

Oi como estão as coisas? Tudo bem e você? Tudo ótimo, e a vida como tem te tratado? Bem, bem e você? Não posso reclamar, e você? …

Expliquei no começo do post que comecei a conversa com a pessoa com quem perdi o contato com um “Como vai você?”, assim o fiz para  realmente mostrar minhas sinceras intenções de saber como ela está. Ainda não me respondeu, e a sua reação está fora de minhas mãos, há somente tanto que podemos fazer, o resto eu respeito e coloco na gavetinha de ter seguido meu instinto quando senti a necessidade de refazer a conexão.

E você, qual a sua experiência com perguntas abertas e fechadas em diferentes lugares do mundo , com pessoas diferentes? Me explique aí nos comentários ;)

2 clique(s)

Do povo para o povo – III

Esse é mais um dos posts-desabafo. Debati comigo mesma se deveria escrever ou não, mas tem me rondado, e não posso mais me calar. :-$ Como diria o defunto Rá-tim-bum, senta que lá vem história.  :>

Ou se não gosta de política, já dê a meia-volta e passe para o próximo blog da lista porque hoje é papo daqueles que, confesso, podem ser chatonildos!  :-B

Já escrevi sobre meu descontento com a democracia aqui e acolá, onde mencionei minha personalidade que descrevo como “socialista hipócrita” mas hoje venho escrever sobre o meu contento, o processo de escolha do novo líder do nosso – suposto – partido de esquerda, o “Labour Party” , literalmente o Partido Trabalhista.

Começando do começo, um pouquinho de história, nas eleições que aconteceram em Maio (ao invés de encher o blog com dados melhores explicados em outro lugar, clique aqui para ler como o processo no Reino Unido é diferente do Brasil e EUA – e lembrem-se, votar aqui é opcional), a direita, o “Conservative Party”, apelidado de Tories e literalmente o Partido Conservador, re-ganhou a maioria do Parlamento, depois de 4 anos de uma coalizão com o partido de meia-esquerda, os “Liberal Democrats”, literalmente os Democratas Liberais. Antes deles, o Labour Party governou por 12 anos, 3 mandatos consecutivos, sob o comando de Tony Blair. E antes dele, os Tories governaram por 18 anos, sob Margareth Tatcher por 3 mandatos consecutivos e  1 de John Major.

A eleição de Maio foi uma decepção para os seguidores do Labour Party, por dois motivos. O novo partido do clube, o “UKIP”, “United Kingdom Independance Party”, literalmente o Partido de Independência do Reino Unido, com visões nacionalistas extremistas, que por exemplo advoga o Reino Unido a sair da União Européia, e o “SNP” , “Scottish National Party”, literalmente o Partido Nacional Escocês, ganharam força e votos aonde o decepcionante LibDem – que mentiu ao prometer cortar os empréstimos a estudantes indo para a faculdade e na hora do vamos ver aceitaram aumentar o preço e os juros durante a coalizão – perderam seus votos.

 

LibDem nem dá a largada, Labour não consegue se levantar e Tories ganham por uma margem. Assim foi Maio de 2015!

A grande perda do partido ao SNP e a perda dos votos dos LibDems para a Direita (via votos ao UKIP e Tories) levou o líder que concorreu a Primeiro Ministro, Ed Milliband, a renunciar seu cargo, e a corrida para escolher uma nova ou um novo líder começou. Uma regra da época de Harrold Wilson (o último PM Labour antes de Tony Blair) foi trazida à tona novamente e significa que qualquer pessoa pode votar para o novo líder. Isso mesmo, sem politicagem, sem cabides de emprego, sem favores, sem chantagem, sem interesses. Tudo que você teria que fazer é se registrar como adepto ou afiliado do partido. Para ser adepto, basta pagar a taxa (existem cenários e preços diferentes) ou ser membro de um sindicato ou associação afiliada ao partido e pronto!  =D>

Com isso, a perda de Maio também fez 20 mil pessoas se inscreverem ao partido em um espaço de 3 dias  :O , entre eles, cansado de só reclamar do conforto do sofá, Mr. W!

Eu me segurei um pouco, sou divida entre Labour e o “Green Party”, literalmente o Partido Verde. Nas eleições de Maio acabei votando (aliás, James teve minha procuração para votar por mim, já que estava no Brasil :-D ) Labour para o Parlamento e Green Party para o “Local Council” – o equivalente à prefeitura brasileira. Explicando minha escolha, aqui se vota bastante taticamente, aquela velha mentalidade, que me lembro existia no Brasil antes de Lula, de que se votar nesse ou naquele partido você está tirando as chances de um partido maior e que você não concorda tanto mas em teoria tem a maioria em ganhar e seu voto iria para aqueles que você não quer que ganhe de jeito nenhum, e me deixei levar achando que meu voto faria a diferença para Labour. Não fez. 71% eleitores do condado votaram, e perdemos para os Tories, que mantiveram o lugar no parlamento que têm desde 2001, UKIP ficou em segundo, mas o Green Party ficou em terceiro! Com um aumento de 3.7% dos votos, se tivesse votado com a minha convicção, poderia ter ajudado a essa porcentagem ser um pouco mais alta!   :-q

No mês passado, Mr. W me levou aos “hustings” em Brighton, uma espécie de debate, em que todos candidatos respondem perguntas selecionadas, um de cada vez, e sem direito de discussão ou de réplica. Vimos os 4 candidatos a líder e os 6 candidatos a vice-líder. Saí de lá uma tagarela, voltamos o tempo todo conversando no carro, e eu super animada e apaixonada por Jeremy Corbyn   8->

O sistema de votos nessa eleição do líder do partido é por ordem de preferência. Escolhemos o primeiro, segundo, terceiro e quarto favoritos. O meu voto vai ser assim:

Como Jeremy pode ganhar as eleições para líder: Ele é contra Programa Anti-Nuclear Tridente, Austeridade, Intervenção Militar. Na ordem, Burhnam, Copper e Kendall ainda se pronunciam a favor ou em cima do muro dessas políticas.

  1. Jeremy Corbyn – Claro, meu presidente em Leleilândia :)>- , sim por que em Leleilândia não tem parlamento e não tem Rainha, todo mundo é votado do povo para o povo, um voto vale um voto direto, igual ao Brasil e diferente dos EUA e daqui, pelo menos até acharmos um sistema que funcione melhor! Voltando à lição de história, Jeremy foi o candidato escolhido para concorrer a líder pelos “back benchers” literalmente a turma do fundão, e como são chamados os membros do parlamento que não são e nunca foram ministros. Diz a imprensa que o escolheram como alguém somente para gerar debate, para mostrar que o partido se importa com as visões esquerdistas e socialistas percebidas como esquecidas pelo eleitorado. Jeremy é socialista de carteirinha, humanitário, pacifista e ativista. Por exemplo, no mês passado ele foi o único dos quatro candidatos que votaram contra a lei do “Bem-Estar” – que inclui corte de benefícios a quem tem mais de 2 filhos – os outros 3 candidatos se ausentaram e a lei passou ao próximo estágio que agora é esperada ser lavrada.
  2. Andy Burham – Porque ele promete colocar Jeremy como um de seus ministros (e eu espero que seja da habitação) se ele ganhar a eleição para liderança. E porque muitos de seus preceitos estão também de acordo com a minha opinião mas ainda o acho muito em cima do muro ou fraco em sua postura. Sua mãozinha de política em punho fechado e seu comportamento pessoalmente e com a imprensa não me passam convicção suficiente.
  3. Yvette Cooper – A mulher com maiores chances de ganhar é uma “Blairite”, como se diria no Português claro, uma cria de Blair, e que segue as mesmas políticas. Esquerda mas nem tanto, é como se fôsse um PSDB, ainda a favor da privatização e armamento e a participação do Reino Unido em Guerras. Não gosto dela usar feminismo como muleta em sues discursos. Cada vez que ela fala “É hora de uma mulher de esquerda ser líder” quero colocar o tampão de ouvido %-( . Então eu deveria votar para alguém que eu acho que é menos competente para me representar só porque ela é mulher? Diferente da líder do SNP, Nicola Sturgeon, que admiro e em quem votaria, Yvette se demonstrou com ideais sociais fracos e com os mesmos problemas de Ed Millband.
  4. Liz Kendall – Outra Blairite, mas mais de direita ainda, propõe continuar os cortes governamentais, algumas políticas ambientais que propõe contradizem com minha posição política. Sua maneira de comunicar como se fôssemos criancinhas de 3 anos me dá nos nervos ~x( e não consigo imaginar um governo com alguém como ela no poder.

    Blair ganhou 3 eleições seguidas mas deu um tiro no pé quando se juntou à guerra do Iraque contra a vontade popular, não ajustou o sistemas de benefícios e gastos parlamentares, e mudou a educação para pior. Seria um de seus seguidores a escolha que o partido quer?

Pronto, isso explicado, continue sentada ou sentado porque ainda tenho coisa pra escrever.  :>

Tudo estava indo bem, com uns políticos criticando a popularidade de Jeremy que começou a crescer depois que os sindicatos decidiram o apoiar e recomendar que seus associados votassem nele. Blair disse que aqueles votando em Jeremy com o coração deveriam fazer um transplante de coração. Uma membra do parlamento disse que foi retardada quando indicou Jeremy a ser candidato. O discurso de que Jeremy é inelegível, de que se ele fôr escolhido como líder Labour não vai ganhar uma eleição por 20 anos (hein? :-?? ) se tornou mais forte. As candidatas se tornaram papagaias toda vez que perguntam porque merecem ser líder, falam “Porque não adianta ter ideais, é preciso estar no poder”. Me deixa doente  X_X Preciso explicar porque?

Mr W era do mesmo ponto de vista, e queria votar em Andy como primeira opção. Em uma de nossas longas caminhadas (que invariavelmente termina falando em política) o convenci da história do Brasil, de como mesmo com PMDB e PSDB sendo as duas potências por décadas, mesmo com Globo e suas novelas querendo a direita e meia-direita no poder, a esquerda prevaleceu e ainda prevalece. Não perfeitamente, mas o mais perto que podemos ter até conseguirmos limpar a corrupção de nossos caminhos, daí Leleilândia aí vamos nós!  :-bd

De que como podemos esperar que um governo nos represente se votamos pensando em ganhar e não em nossas convicções? Se todos votam com medo de não ganhar, como acreditar que podemos mudar o mundo? Não assistiu FormiguinhaZ não?  /:)

A conclusão foi de que acho que Jeremy é elegível pelo mesmo motivo de Lula. Ele fala diretamente a todos, àqueles que perderam a esperança em votar por acharem de que não adianta nada. Sua mensagem é parecida com a de Obama, de dias melhores, em que todos podem se beneficiar por um governo mais igualitário. Ele acaba com os medos de que são imigrantes que causam problemas ao país, ele mostra de onde vai tirar o dinheiro para pagar as contas (exemplos: mais taxas à classe AA, fechar buracos na lei que permitem a sonegação de impostos, menos dinheiros cobrindo rombos de empresas que foram e estão sendo privatizadas, começará a criação de empregos em indústrias novamente). Como não concordar com esse homem?

Claro ele é inelegível, porque claro existem interesses da cúpula, do poder político e e instituições financeiras e em suas crenças, podem o parar, manchando suas convicções, sua vida e seus seguidores. E claro, seria ingênuo pensar que somos conseqüência da máquina. Pode ser que sou em que estou errada em minhas convicções, pode ser que existem mais pessoas lá fora felizes com o que está acontecendo no país atualmente, e porque não? Afinal Tories foram votados na maioria, e não há argumento contra as urnas e o que a maioria do povo quis.

Duas semanas depois Mr. W foi convencido por um artigo no jornal que explicava exatamente o que eu tive dificuldade de fazê-lo mudar de ideia – plantei a semente e o artigo foi a água que regou minha planta. E os que são a favor de Corbyn começaram a sair da toca, mais e mais pessoas se juntaram ao partido – principalmente depois do voto à lei do Bem Estar – já estamos em mais 65 Mil pessoas desde Maio, a maioria espera-se que seja para votar para Jeremy mas como não existe como fazer pesquisas, só saberemos quando o resultado sair dia 12 de Setembro (mal posso me conter! :-SS )

E pelo jeito todo mundo se irritou com aqueles que ofenderam a nós, que gostamos de Corbyn, seu suporte está maior do que nunca.

As campanhas para ser líder: Corbyn, e os outros

Então, hoje foi o último dia para quem quisesse se inscrever ao partido.

Sexta começamos a receber os formulários para votar, via e-mail e pelo correio. Tudo indo conforme o planejado? Não responda ainda! Hoje apareceu mais uma confusão negativista dos políticos do partido amedrontados pelo suposto monstro do socialismo, bichão de 7 cabeças que te pega enquanto você dorme.

Explico: Desde de que Jeremy começou a ganhar forças como um candidato viável, os Tories dizem ter se”infiltrado” no Labour. Se inscreveram, para votar em Jeremy e acreditam que assim iriam acabar com as chances de Labour ganhar a próxima eleição. Injusto, desleal e corruto? Sim, e como negar? E fato: Aproximadamente 1200 das 65000 novas inscrições foram identificas como possível infiltrações e negados acesso ao voto. Aquelas de jornalistas e políticos identificados como Tories.

Isso fez com que Labour entrasse em pânico e dissesse que vão cancelar as eleições. Até que se tenha uma maneira de saber somente quem é de esquerda pode votar e quem está ligado ao partido. Basicamente dizendo, adoramos a democracia, desde que você vote em quem queremos que você vote. Triste não? Assim como outros telefonando o rádio, escrevendo no Facebook, Twitter e seguidores da esquerda verdadeira, eu digo, venham Tories, e votem, votem sim no Jeremy! Deixe-o nos mostrar que se pode ser eleito como esquerdista. Melhor ainda, vamos nos livrar de rótulos! Deixemos de ser equerdistas, socialistas, direitistas! Seremos o partido que se mostra humanitário, que se importa com o futuro de nossas gerações! Esquerda, direita, quem se importa?

Ou que não seja eleito, mas que nos dê uma oposição humanitária e decente, colocando uma barreira quando Tories quiserem ignorar as classes mais baixas, deficientes físicos e mentais, minorias raciais, o acesso à educação, saúde, à lei, polícia, transporte, energia e tudo que chamamos de serviços públicos e cada vez mais se tornam particulares, com qualidade duvidosa e liberdade para cobrarem o quanto quiserem de nós.

Muito triste ver um partido quebrado, com medo de perder eleição mais do que com medo de perder seus ideais e o que representam.

Espero o resultado para saber se me junto e me torno afiliada de um Labour, que terá que se unir para ganhar meu dinheiro e esforço ou se me afilio ao Green Party e sei que é um partido pequeno agora, mas em ter esperança de sermos mais e melhores no futuro, e representar no que realmente acredito. Mesmo que aceite a perda em nome dos meus direitos.

Falando em direitos, deixo como uma pitada de pimenta,  uma música que me inspira e me dá arrepios, do grande Bob Marley, ídolo de meu maninho amado Mr. D!

Most people think
Great God will come from the skies
Take away everything
And make everybody feel high
But if you know what life is worth
You will look for yours on earth
And now you see the light
You stand up for your rights
A maioria das pessoas pensa
Que o grande Deus vai surgir dos céus
Levar tudo
E fazer todo mundo se sentir elevado
Mas se você sabe o quanto vale a vida
Vai cuidar de sua elevação aqui na Terra
E agora que você enxerga a luz
Lute pelos seus direitos
[…]

We sick an’ tired of-a your ism-skism game
Dyin’ ‘n’ goin’ to heaven in-a Jesus’ name, Lord
We know when we understand
Almighty God is a living man
You can fool some people sometimes
But you can’t fool all the people all the time
So now we see the light (What you gonna do?)
We gonna stand up for our rights! (Yeah, yeah, yeah!)

Estamos cheios e cansados do seu jogo de ismos
Morrendo e indo para o paraíso em nome de Jesus, Senhor
Nós sabemos e entendemos
O Deus poderoso é um homem vivo
Vocês podem enganar algumas pessoas algumas vezes
Mas não podem enganar a todos o tempo todo
Então agora que você enxerga a luz (O que você vai fazer?)
Vamos lutar por nossos direitos! (Sim, sim, sim!)

3 clique(s)

Feliz 2015!

Uau, por onde começar?
Dois mil e quatorze vai ser um ano difícil de bater. Daqueles que apagam tudo de ruim que aconteceu, e deixam boas marcas na nossa história. Cheio de coisas gostosas, sorrisos compartilhados, desejos realizados. Eu e Mr. W assinamos o papel que trocou nossos nomes em um dia quente de verão, com pingos de chuva pra nos refrescar e rodeados pelas pessoas mais presentes em nossos capítulos.

Mas isso fica para outro dia! Junto com a fila quilométrica de posts para escrever.
Começo o ano de 2015 atrasada, e fora de ordem e daí?
Vou começar com uma das frases que me são entregue todos os dias como inspiração, e será meu sexto mantra.

“Most people are so busy knocking themselves out trying to do everything they think they should do, they never get around to do what they want to do.”
– Kathleen Winsor

” A maioria das pessoas são tão ocupadas se cansando tentando fazer tudo que pensam ser o que deveriam fazer, elas nunca conseguem fazer o que querem fazer “

Recebi em meu email em Novembro do ano passado e como me abriu os olhos! Sou daquelas pessoas que gostam de tudo certinho de tudo como deve ser. Mas pensando mais sobre a frase, também percebi que não existe barreira entre o que quero fazer e o que deveria fazer. Passei, desde Novembro a conciliar os dois e a prestar mais atenção no que eu quero, e a partir desse momento, é o que devo fazer. Simples assim!

E deixei de fazer o que devo, somente porque devo. Me deixando frustrada, me deixando cansada, me deixando infeliz e não realizada. Tem funcionado até agora, e em time que está ganhando não se mexe ;)

O que inclui não ter metas. Não gosto de metas, que no fim do ano me são esquecidas e colocadas na pilha de coisas que falhei fazendo.
O que inclui não ter ordem para posts no blog. Ou ter que ser ativa nas redes sociais. O que me coloca sob pressão de achar mais horas no dia, ou abrir mão do que quero fazer. O que me deixa estressada, e desinteressada em coisas que acontecem na minha vida fora do computador.

O que inclui um monte de coisas que deixaram de ser feitas, e provavelmente muitas mais virão, substituídas por coisas que me deixam feliz, me dão a liberdade de escolher o que, quando e onde fazer.

Incluindo não ter mais regras para meu blog, baseado no que dizem por aí que é o que eu deveria fazer ou deixar de fazer. A começar por esse. Sempre achei que deveria deixar um por assunto, e evitar deixá-lo muito longo.

Pois bem. Quero deixar duas coisas registradas aqui! E o post e texto vai ser longo!
Mas para ajudar a leitura, ainda deixo uma dica :)
Quem não tem tempo ou energia para ler tudo, vá direto ao texto em laranja. Os 5 mantras de Rik Mayall, que adotei para 2015.

Rik Mayall foi um comediante inglês, um dos favoritos de Mr. W, que faleceu no ano passado. Do estilo pastelão e sarcástico, é bem o que chamamos de humor britânico, e não é todo mundo que sacava a dele – para passar um pouco como ele era, deixei o texto completo, para ver mais ainda, clique aqui para ver suas expressões faciais ao discursar.
Em 2008, ele recebeu um doutorado honorário e o texto que me inspirou é a tradução de seu discurso de aceitação do diploma, feita durante a formatura dos graduandos.

Senhoras e senhoras
“Vinte e oito anos atrás, Paul Jackson entrou em uma boate incipiente em Londres chamada Comedy Store e me perguntou se eu gostaria de trabalhar na TV, o que era impressionante na época.
Haviam somente 3 canais, então se você estava na TV, você seria famoso da noite para o dia!
Então eu disse sim , sim, por favor, eu gostaria de estar na televisão e fui até a BBC e lá, no departamento de maquiagem, eu vi a mulher mais linda do Planeta e ela rapidamente se tornou minha amiga, e daí minha melhor amiga, daí minha amante e daí grávida, e daí minha esposa e daí a mãe das minhas 3 crianças.
Então Paul, quero usar essa rara para te agradecer formalmente e publicamente pela minha vida.
E então para a ordem do dia. O doutrado de Rik Mayall.

Senhoras e senhores, isso é extraordinário. É uma honra de tal tamanho. Tal alegria. Tal presente. Tal terrível engano!!

Eu fiz quase todas as coisas em minha vida longa e nojenta, e eu pensei que tinha feito quase tudo disponível a mim, mas eu nunca imaginei em meus sonhos mais impossíveis que algo assim poderia me acontecer.

Eu NÃO sou uma pessoa inteligente, e eu consegui disfarçar esse fato por um longo tempo, e agora vocês laudáveis me pegaram, e aqui estou com todos vocês, CDFs, e sou um homem com nenhuma célula cerebral a mencionar.

Sim, eu passei meus exames em 1967*, e tudo despencou a partir daquele momento. Fui reprovado em 7 Level Os* , fui reprovado meu exame de matemática 3 vezes, e e ganhei um F***-** nos meus ALevels*, F de Falhar, vocês sabem!

Mas mesmo assim, a Universidade de Marchester me admitiu! Baseado em uma entrevista, eles não são do mesmo padrão de vocês claro, eles aceitam qualquer um lá! Mas eu?? D’oh!

Agora, eu não exatamente falhei meu curso em Drama em Machester, eu simplemente não apareci para fazer as provas. Não que eu fosse estúpido demais, mas era bêbado demais e eu estava na cama demais com garotas do curso de Inglês!

Então aqui estou, Rik Mayall, um 11 plus, 3 O Levels e um Doutorado! DOUTOR Rik Myall!

Inacreditável.

Então muito obrigado por sua imaginação e caridade, I-N-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l!

Mas, as celebrações de hoje, não são para mim, são para vocês, que se esforçaram e trabalharam pesado! Agora é hora de começar a aproveitar sua vida. Esqueçam-se sobre Acadêmica. Vocês fizeram seu a parte pesada!

Comecem a celebrar seu sucesso, e a colher suas recompensas!

Comecem a viver suas vidas por COMPLETO!

No mundo lá fora, real, e sensual, e desagradável! Vamos lá!! Está na hora de desfrutar você mesmo!

Mas espere, em troca desta espantosa generosidade da Universidade de Exeter, deixe-me dar a vocês jovens um presente.

5 mantras para carregar contigo em suas vidas. Eles são meus. E eles têm me ajudado não somente a sobreviver, mas a ser feliz. Agora, lembrem-se disso!

1. Todos os homens são iguais! E com isso em mente, ninguém pode ser genuinamente superior a você.
2. SEU futuro. É SEU para criar. E é tão brilhante como você o criar!
3. Mudança é uma constante da vida. Então nunca NUNCA perca sua sabedoria. Sua saberia que você alimentou em seu tempo na universidade.
4. Se você quiser viver uma vida completa e inteiramente humana, você tem que ser LIVRE! Liberdade é soberamente necessária.
5. Amor é a resposta.

Então esse é meu presente a você. Somente tenha certeza que você leve sempre contigo:

Igualdade, Oportunidade, Sabedoria, Liberdade e Amor. E você vai estar ok. Esses 5 e um pouco de sorte! Então boa sorte!

Aproveitem a vocês mesmo, tenham uma FUCKING good life (uma vida boa pra cacete!)

Boa jornada meus jovens amigos, boa jornada!

E como não levar esses 5 mantras não só para 2015, mas para a vida toda? ^:)^

Bom 2015 meus amigos e boa jornada!

1 clique(s)

Contra a homofobia nos Jogos Olímpicos de Inverno

Na verdade, contra qualquer homofobia. Em qualquer lugar, a qualquer hora, qualquer lugar.

Mas como é o assunto da hora, o país  que precisa alcançar o século 21, fica aqui o vídeo, dessa vez com uma mini legenda embaixo. (via @avidaquer no Twitter, e a revista Exame)

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=effb2JYiKXM

 

A música canta: “Você não me quer, baby?”
E as frases escrevem: “Os jogos sempre foram um pouco gays” “Vamos lutar para mantê-los dessa forma”

Ontem mesmo assistimos um documentário da BBC sobre a história dos Jogos Olímpicos e como a Rússia é uma das grandes potências nos jogos, pelas condições geológicas e metereológicas. Começou no socialismo e na questão de ter que provar que  o socialismo produz melhores pessoas.

Para quem não sabe, no ano passado a Rússia  fez ser ilegal ter propaganda ou imagens que use imagens homossexuais.Isso fez com que qualquer demonstração anti-homofobia seja ilegal e pessoas têm sido presas por protestarem. Também existe um problema enorme com pessoas que “se comportam” como homossexuais. A violência contra elas está em níveis altíssimos.

Irônico não?

Esse assunto é pano pra manga, e dá pra discutir muito, mas não quero tirar do foco de que eu não aceito homofobia, e que agora, durante os jogos, é a hora de balançar a bandeira pró-LGBT (Lésbicas, gays, bisexuais e transexuais) para o mundo inteiro ver.

Quem sabe quem ainda não aceita , não sabe, não entende passa pro nosso lado?

Bom final de semana!

PS: Depois de escrever o post, ouvi na rádio que as duas mulheres do T.a.T.u, que fizeram fama nos anos 00, farão parte da abertura dos jogos. Um ponto positivo no meio da homofobia do país, será que elas vão ter demonstração de carinho pra todo mundo (e todo país) ver? Esperamos que sim!

0 clique(s)

Mais um ano que passou…

Ok ok, então estou mais pra filha pródiga do blog do que mãe orgulhosa. Mas se tem uma coisa que eu tento não deixar passar é o post de ano novo.

No ano passado confessei de não gostar de Anos Novos, mas que algo me puxa a contemplar o que passou, olhar para trás e focar no que vem pela frente.

Continuando a tradição, aqui vai então a restrospectiva e a comemoração de que estive nessa Terra por mais um ano!

 

Dois mil e treze começou com um sentimento esquisito. Anos ímpares sempre me deixam meio inquieta, meio suspeitade que o ano vai ser capenga. Mas eu sabia que seria um ano de planejamento daqueles que parecem ser direto da frase “A vida é o que acontece enquanto se está fazendo planos”. De alguma maneira os planos foram também o que fizeram a vida acontecer nesse ano que passou. Aproveitamos cada opção, cada decisão, cada passo riscado da lista.

Foi um ano de coisas boas. O presente do nascimento e batizado da dona B. foi um dos destaques, com certeza, e incomparável com qualquer outro momento do ano.

Mas houveram outros destaques também. Fomos para o Brasil no estilo família-unida-jamais-será-vencida. Mr. W chegou com mais duas pessoinhas a tira-colo e com família W. fomos na passarela ver o Carnaval desfilar no Anhembi, cachoeiras em Brotas, bandinha tocando na praça na parada rápida em Poços de Caldas, orelhão em formato de papagaio em São Lourenço. Queimamos os pés na areia de Copacabana, descansamos nas águas de Angra, passamos calor e queda de força em Paraty. Uma viagem que deixou muita história pra contar.

Teve Fórmula 1 em Mônaco. Dessas viagens que a gente nunca acredita que vai fazer. Mas Mr. W mais uma vez me surpreendeu (essa era a segunda grande surpresa do meu aniversário!) e foi uma viagem melhor do que jamais teria sonhado.

Mais uma vez a afilhadona Dona G. e minha mãe vieram passar as férias de Julho conosco. Dessa vez o mimo foi pra mãe, fomos pra Maastritch assistir o ídolo Andre Rieu, com paradinha em Amsterdam na volta. Teve piscina no quintal, e passeios baseados nos planos pro grande acontecimento de 2014 :) Uma delícia tê-la participando disso juntinho e ajudando com as difíceis decisões.

Teve casamento em Jersey de uma ex-chefe-que-se-tornou-amiga, com passeios a pé pela ilha charmosa, e festa até meia-noite.

Dois mil e treze foi um ano em que não perdemos ninguém e por isso sou muito grata. Todos com saúde e proteção.

O ano trouxe novos bebês, além de Dona B. chegou ao mundo Dona A. filhinha da amigona LdM., que sempre dá um jeitinho de nos ver, em qualquer lugar do globo que estivermos. Também teve Dona G, segunda filha de R. que é uma das melhores amigas desde o colegial. Completando o berçário, teve mais uma menina! Dona F. filha de L., uma das amigas que veio na bagagem de amigos de Mr. W.

No serviço houveram decepções, mas houveram muitos elogios e reconhecimentos. Não dá pra reclamar. Ganhei no Euromillions, mas no máximo £10, o que é melhor do que nada  $-)

Entre altos e baixos, perdi 8 quilos, o que é uma surpresa que só fui ver quando conferi os números pra colocar aqui no blog. Surpresona, me parecia que tinha sido menos, mas estou muito feliz com o progresso. Foi uma mistura de exercícios, e reeducação alimentar. Nenhuma dica, truque ou dieta maluca.

Na vida virtual, foi mais um ano em branco. Devo escrever um post sobre isso especificamente, mas vamos dizer que um medinho misturado com preguiça de voltar, foram responsáveis. Se volto esse ano? Quem sabe? Acho que teremos que esperar até a retrospectiva de 2014 pra ter certeza!  :P Mas confesso que sempre penso naqueles que só mantém contato virtualmente,e às vezes sinto falta da interatividade.

No mais, tudo ótimo e tudo calmo. Do jeitinho que eu gosto.

Continuo com a única meta ser a de me concentrar nas idéias de 2011.  A de ser a mudança que quero no mundo.

De inspiração para o ano, escolho dessa vez somente uma frase, a que recebi como inspiração hoje de manhã:

“The art of living lies less in eliminating our troubles than in growing with them.”
– Bernard Baruch
“A arte de viver está menos em eliminar nossos problemas do que em crescer com eles”

 

E repito o que disse o ano passado, já que ainda é verdade:

Nenhum ano novo é completamente  só feliz. Nem que seja algum mequetrefe que te feche no farol, sempre vai ter alguns momentos do ano em que a cobra vai fumar, e vão ter anos que vão ser apáticos, em que nada demais vai acontecer. Então eu desejo um ano forte pra você.

Forte, pra você ter muita saúde.
Forte pra você se proteger de qualquer violência e qualquer tragédia.
Forte pra se e quando você tiver momentos tristes, nervosos, ansiosos, negativos, você tenha força de saltar os obstáculos.
Forte mentalmente, e que tenha a sabedoria de reconhecer o que te faz feliz e aproveite esses momentos com muita alegria, sempre!

0 clique(s)

Mais um ano com ele ao meu lado

Ele e ela. Uma de 12, um de 8 e uma de 10.

Hoje é o dia dele.
Sem ele eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ele, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ele é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dele.
Ele, quem me carregou no colo assim que eu nasci e me aconchegou em seu colo por muitos anos por virem.
Ele quem trabalhou pesado e pagou minha educação em escolas e faculdades particulares. Ele quem nos encontrou na primeira ida ao cinema depois do serviço com pacotinhos de Amendita, depois que a Branca de Neve acabou e Fievel iria começar.
Ele quem comprou nosso primeiro vídeo-cassete, com Policial da Pesada e Irmãos Gêmeos a tira-colo para assistirmos todos juntos comendo pipoca estourada na panela.
Hoje é o dia dele.
Ele quem, como dizem aqui “venceu seus demônios” em nome da família. Me ensinando uma lição que ninguém mais poderia, de força de vontade, de prioridade e de amor.
Ele que esperava no carro com dois emburrados enquanto um (na vez do rodízio, claro) ia com ela fazer a compra no mês no supermercado.
Ele que era o fotógrafo da família, e que instigou em mim a paixão de registrar por onde passo e coisas que vejo.
Hoje é o dia dele.
Ele que era um dos poucos pais que ia nos buscar na porta da escola, e inventava brincadeiras pra nos entreter enquanto esperávamos ela acabar o dia de trabalho. Brincadeiras de lembrar placa de carros, de equilibrar nos troncos cortados do lugar que tinha vista pra terra da garoa. De contar o que aprendemos na escola.
Ele quem colocava rádio de notícia no rádio, ia buscar jornal todo domingo na banca, e não deixava (e ainda não deixa) de assistir pelo menos 2 “jornais” de noite e nos ensinou a importância de ter conhecimento e uma opinião no mundo ao nosso redor.
Ele quem também colocava em rádio de música clássica e é o responsável por uma das minhas músicas favoritas ser Bolero de Ravel. E uma das bandas favoritas ser Beatles.
Ele quem nos ensinou que para escrever precisava aprender a ler. E nos levava todos os sábados devolver um livro e escolher um novo na biblioteca.
Hoje é o dia dele.
Ele quem me passou no DNA o amor-doente-daqueles-que-dá ataque-no-coração pelo futebol, pelo Palmeiras e Bragantino, que por bem ou por mal também passou o gosto pela Fórmula 1.
Ele quem comprou um livro da Disney explicando tudo sobre as olimpíadas para nos ensinar sobre todos os esportes, e que líamos debruçados na mesa, todos querendo engolir as páginas do livro principalmente durante as Olimpíadas da escola.
Ele quem ia nos jogos de olimpíadas da escola, e gritava, incentivava e nos treinava (do handball ao salto em distância) para entender a importância de participar e não só de ganhar.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos ensinou xadrez e dama, e que até hoje ainda é invicto em casa, mas com 3 troféus de seus herdeiros, um deles ganho pelo caçula através do vários xeque do pastor que ele também ensinou.
Ele quem nos ensinou a importância de guardar dinheiro para, como eles dizem aqui, a rainy day “um dia de chuva”. Quem, junto com ela, me disse a partir do meu primeiro salário aproveitar metade e a colocar metade na poupança.
Ele quem foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Hoje é o dia dele.
Ele quem era o motorista oficial, nos levando pra cima e pra baixo. Algumas vezes meio emburrado, meio calado, outras vezes falante e animado, mas sempre com segurança e paciência.
Ele quem nos levava para comer esfiha e kibe cru. Ou churrasco, ou pizza.
Ele quem nos levava para o escritório, fazer limpeza, fazer fechamento, ir ver a nova aquisição. E nos deixava brincar de gente grande. Ou uma vez até irmos no lançamento de um prédio ali pertinho e pegar bexigas que estavam dando de graça, daquelas presas no palitinho.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deixava conferir as contas, “bater” os resultados do contabilista.
Ele quem deu a dica pra eu não ser contabilista mas seguir a carreira de tecnologia. Ele que comigo ia junto até o metrô de tarde, e no último ano ia nos buscar na Federal de noite.
Ele quem dizia, e ainda diz que McDonalds não é comida, é isopor.
Hoje é o dia dele.
Ele quem religiosamente pede pizza de sexta. E come mozarela de rolinho. E gosta de salaminho, bolacha “vafer”, Halawe, sorvete de “abaixaaqui” e suspiro.
Ele quem sabia se estávamos mesmo com fome olhando dentro do nosso ouvido.
Ele que brincava de cavalinho. E nun a levantou a mão pra mim. Só um beliscão merecido pela teimosia e desafio. Primeiro e último e que ela me falou que ele se arrepende até hoje.
Hoje é o dia dele.
Ele quem deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ele quem é uma enciclopédia ambulante. Que sabe tudo sobre tudo e está sempre aprendendo mais.
Ele de quem eu puxei o amor às bugigangas, a gostar de ficar em casa e a preciosa introversão.
Ele quem comprou a pulseira quando “virei mocinha” e que fez toda a experiência que estava sendo traumática ser mais positiva.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deu dois sustos. Uma úlcera e um câncer. Mas que forte e firme continua com a gente, fazendo parte, ajudando, amando, incentivando.
Ele quem lê e comenta cada post, passando o amor pro outro lado do oceano.
Ele quem paga e às vezes vai buscar, todas as minhas “vontades de comer” quando estou por lá. Seja churros, pastel, pizza de frango e catupiry ou Quatro Queijos.
Hoje é o dia dele.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ele.
Ele quem não queria acreditar que eu nunca mais voltaria pra terrinha pra morar de novo, e que parte meu coração toda vez que penso nisso.
Ele quem veio pra cá quando eu prometi que se ele viesse eu pararia de chorar na despedida do aeroporto.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços apertados, mimos e coisa boa.

Hoje é o dia dele.
Ele, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntos num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ele desejo um aniversário sem muita bagunça e barulho, boas notícias e coisas boas.
Pra ele desejo que saiba o quanto ele me ensinou, o quanto é amado e admirado por essa pessoinha aqui.

1 clique(s)

Mais um ano com ela ao meu lado.

Ela. Uma de 2. Um de 1. Uma de 4.

Hoje é o dia dela.
Sem ela eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ela, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ela é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dela.
Ela que me alimentou, me cobriu, me carregou.
Ela que telefonava no berçário e não falava nada pra ouvir se eu estava chorando, e que acabava me ouvindo cantando pros outros bebês.
Ela que me dava 4 chupetas ao mesmo tempo, pra cheirar, pra brincar no dedão do pé, na orelha, na mão.
Hoje é o dia dela.
Ela que colocou comida quente na minha boca pra eu aprender o que é quente e aprender ter paciência e acreditar que mãe nunca mente.
Ela que me ficou horas cuidando de mim nas crises de bronquite, com o paninho molhado no álcool e “vicvaporub” nas noites em claro, nos plantões de inalação, nas saídas do serviço pra me buscar na escola
Ela que me mandou pra homeopatia e acupuntura e que finalmente curaram as crises.
Hoje é o dia dela.
Ela que pagou um dinheirão no aparelho capacete. Ela que mandou eu parar de usar o aparelho porque judiava muito de mim. Ela achou uma clínica-popular-esquema-faculdade de ortodontistas la na PQP pra colocar meu aparelho e endireitar meus caninos, resultado de dentes grandes que puxei dela e da arcada pequena que puxei dele.
Ela que nunca levantou o braço pra mim.
Ela que me ensinou que se mentirmos onde estamos, ninguém vai acreditar se telefonarem dizendo que houve um acidente com a gente e por isso ela não iria nos socorrer (tacada de mestre, não sei mentir pra ela e pra ninguém até hoje!)
Hoje é o dia dela.
Ela que me ensinou das coisas que existem entre o céu e a terra e me deu liberdade de acreditar e seguir o que meu coração e minha alma escolheram.
Ela que me ensinou que não há vergonha em arregaçar as mangas para serviço doméstico, mas somente depois que a família está feliz, alimentada e com a lição feita, sem neuras.
Ela que levantava mais cedo pra fazer “as lancheira”.
Ela que ensinou que coisa de marca é bobagem, e o que vale é a qualidade que se paga, no bolso que se cabe.
Hoje é o dia dela.
Ela que nos levava nos McDonalds toda sexta-feira depois da aula.
Ela que deixava a gente fazer picnic de domingo na sala minúscula, com frango frito – ela que se queimava fazendo frango frito! – macarronada e suco de laranja, assistindo trapalhões.
Ela que nos ensinou o valor da mesada, o dinheirinho que não ganhávamos, mas era dado pra pagar um brinquedo todo mês no valor do que merecíamos.
Ela que sacrificou sua carreira em nome de sua presença com a gente, mas que continuou trabalhando, nos mostrando que o homem é seu trabalho.
Ela que pegava ônibus com um de 2, uma de 4 e uma de 6.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Ela que achou aula de italiano no Albino pra eu fazer.
Ela que me empurrou pra fazer Escola Federal e que traçou o meu destino por tê-lo feito.
Ela que pagou balé, natação e hidroginástica.
Ela que pagou Kumon – matemática e japonês.
Ela que me deu conselhos, enxugou minhas lágrimas, me guiou pela minha vida.
Hoje é o dia dela.
Ela que decorou nosso quarto com papel de parede cor-de-rosa cheio de carneirinhos e nuvens, lembrança boa e confortável pro resto da vida.
Ela que separava o irmão dos cabelos da irmã.
Ela que deixava a gente brincar no serviço dela como se fôssemos gente grande.
Hoje é o dia dela.
Ela que deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ela que deixava a gente brincar até de noitinha no parquinho.
Ela que me ajudou a aprender a taboada.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi a pessoa que me levou ver Palmeiras pela primeira vez no Palestra.
Ela que organizou a festa de aniversário no salão com amigos e peça de teatro, e a festa de 15 anos na casa da tia com as melhores amigas.
Ela que paga um dinheirão pra passar férias.
Hoje é o dia dela.
Ela que é um terço do meu porto seguro até hoje
Ela que é um terço do meu livro de conselhos até hoje. E eu nem ameaço ir contra o que ela diz que é o certo a fazer.
Dela puxei além dos dentes grandes, o cabelo enroladinho, o tamanho do sutiã, o senso de justiça, o pezinho pequeno.
Ela que ainda me ensina, me consola, me acompanha, me abraça gostoso, me beija bom dia e boa noite (quando estamos sob o mesmo teto), que tem atos de serviço como demonstração de amor e que coloca todo mundo na frente do seu bem-estar.
Hoje é o dia dela.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ela.
Mas ela também me ensinou que todo dia é dia de aniversário.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços, fofoquinha e coisa boa.

Hoje é o dia dela.
Ela, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntas num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ela desejo um aniversário cheio de “balinhas”, boas notícias e coisas boas.
Pra ela desejo que saiba o quanto ela me ensinou, o quanto é amada e admirada por essa pessoinha aqui.

1 clique(s)

Seriam os ingleses anti-sociais?

Importante ter amigos…

Já faz um tempo que não escrevo sobre a vida na Inglaterra, então vou escrever sobre algo que prometi lá em 2011, no finzinho do post sobre pessoas introvertidas, quando disse que escreveria sobre o mito de que os brtitânicos são frios e anti-sociais.

Preciso começar explicando que essa é a minha experiência e que de forma alguma eu pretendo generalizar todos os britânicos.

Depois de 10 anos nesse país, percebi que na verdade de frio, os britânicos com os quais eu lidei,  não têm nada. Mas a personalidade deles é mais introvertida. Ou seja, eles não vão invadir o seu espaço, a sua privacidade, os seus horários.

Mas conheço britânicos extrovertidos (na maioria escoceses) e britânicos que fizeram amizades com seus vizinhos, com pessoas que conheceram durante as férias, ou que trabalharam juntos.

O que existe é uma resistência de ser como – a maioria dos – brasileiros. Aquela coisa livre e que pode ser muito boa de fazer churrasco em cima da hora, de chegar 3 horas atrasado, de ligar qualquer hora do dia ou da noite pra conversar. De fazer festa no meio da rua e de que qualquer desculpa é boa pra uma bagunça.

O maior aspecto é que mesmo quando se faz amigos, as amizades são diferentes. Não existem muitos livros abertos. Os britânicos reservam seus problemas, suas neuras, seus segredos para um grupo seleto de pessoas, ou somente para eles mesmos. Não existe muito chororô ou reclamação. Os encontros são para falar de coisas interessantes, felizes, positivas e colocar a conversa em dia. O que está acontecendo em nossas vidas, quais são nossos planos, o que mudou desde que nos vimos da última vez.

Rola muito álcool. Muito vinho, muita cerveja, muita coca-cola com vodka e muita cidra. Mas de novo, existem os alcoólatras, os que sabem beber, e os que não bebem nem uma gota. Muitos bebem para soltar a inibição, e se socializarem sem vergonha. E todos, na maioria das vezes, e na minha experiência, se entendem.

Agora um dos pontos que muitos brasileiros estranham quando chegam aqui é o fato da dificuldade de se conhecer e fazer amigos. Para ser sincera eu não consigo identificar se é um problema porque quando a gente vem para cá, já somos adultos e todo mundo já tem suas amizades formadas (pesssoal que mora no Brasil ou em outros lugares no mundo, como é fazer novos amigos por aí?) , ou se é porque nos identificamos melhor com outros brasileiros e o grupinho acaba sendo o mesmo. Tenho exemplos de uma amiga inglesa que fiz onde trabalhei, e uma vizinha inglesa com a qual tentei criar um vínculo e que acabou não firmando. O restante dos amigos vieram da bagagem de Mr. W, ou são estrangeiros.

No meu exemplo também, por ser introvertida, não sou de precisar ou querer muitos amigos. Sempre fui de poucos amigos, aqueles de novo, que sabem todos os meus segredos e perturbações. Gosto de coleguinhas, que fazem um papel essencial de trocar notícias, opiniões, conselhos, de elevar a auto-estima por nos fazer sentir queridos.

A verdade é que o fato de onde uma pessoa vem não vai facilitar fazer essas amizades. Só porque alguém é brasileiro, não quer dizer que o entrosamento vai acontecer. Tenho muitos exemplos em que não rolou. Só porque alguém é britânico, não quer dizer que vão ser antipáticos, frios e distantes. Tenho muitos exemplos de pessoas queridíssimas que são britânicas.

Mas provavelmente vai querer dizer que para conhecê-los você vai precisar de um ambiente (trabalho, vizinhança, academia, escola, parceiro) e para encontrá-los você vai precisar umas boas semanas de antecedência, e quando se encontrarem, a conversa não será muito de íntimo pessoal, o que cá entre nós, brasileiro vive falando pra cada um cuidar dos seus problemas, não é o ideal?  :-bd

 

Então fica registrada aqui a minha opinião. O britânico pode ser percebido como frio e distante por não serem tão calorosos e próximos como brasileiros podem ser. Mas isso seria mais um ponto de vista, uma percepção e que se você vier para cá, pode causar um choque. De não ter pessoas estranhas conversando com você, de narizes enfiados em jornais e telefones quando você estiver no trem ou no metrô. De caras fechadas cruzando a sua andando na rua. Mas se a sua experiência for a mesma que a minha, com o tempo você vai ver que é uma questão de adaptação e de ajustes. De ter que suar pra conseguir fazer amizades e coleguismos darem certo. E que com o tempo fica difícil manter o sorriso com o tempo cinzenta e ventinho frio soprando no rosto (incrível como o clima muda a fisionomia do pessoal aqui nessa terra) e quando voltar pro Brasil o que vai te chocar é como os brasileiros têm se tornado cada vez mais como a percepção que temos dos ingleses.

Notinha: Para esclarecer um mal entendido que pode acontecer quando usando a língua inglesa, o “anti-social” na verdade aqui é traduzido como bardeneiro e maloqueiro. São pessoas que causam uma problema para sociedade e daí vem o anti-social. Pessoas que  que arrumam brigas, que ouvem música muito alta, que andam de moto onde não deveriam, etc. Essas pessoas podem receber uma A.S.B.O (anti-social behaviour order – ordem pública de comportamento anti-social) e serem proibidas de freqüentar certos locais, de terem rádio dentro de casa, ou até de serem expulsas de onde moram.

5 clique(s)

Um forte 2013 pra nós todos

E vam’bora pro clichê?
O clichê do ano novo é um dos mais fortes de resistir, e mesmo sendo do contra, eu gosto da tradição de olhar pro ano que passou, e ver o que aconteceu. Mas sendo boa do contra que sou, adoro o fim de ano e detesto o ano novo.

Então, indo de contra do que mãe e pai me ensinaram, vou começar pelo o que eu gosto primeiro, revisando o que aconteceu. Acho que gosto mais por ser algo não me reserva mais nada, que eu lidei, que passou. Surpresas vieram e se foram, coisas boas, ruins, alegres e tristes aconteceram e pronto, mais um capítulo da vida que se fechou. E é gostoso ver como eu lidei com tudo isso.

Começando pela filosofia do ano passado, que lembrem-se substitui as comuns metas de ano novo, acho que tive sucesso. A idéia era evitar brigas, picuinhas, discussões. Muitas vezes durante 2012, respirei fundo, deixei de brigar e parei de procurar discussões. Confesso que me distanciar de certos lugares (virtuais e reais) ajudaram. Meio que estabeleci pessoas bacanas que quero ao meu redor, que me fazem bem, e as com quais havia um atrito, foram deixadas meio de lado.

Foi um ano com viagens gostosas novamente, pra Paris, pros Estados Unidos, Islândia, pra França e várias viagens de final de semana, não a passeio, mas preparando para o grande acontecimento de 2014 :-D . Ainda mais gostoso, teve mãe e sobrinha vindo pra cá, e nós todos indo pra Euro Disney.

Dois mil e doze foi um ano que também viu bebês nascendo como lindo Ângelo da amiga Fernanda França, e Menino P., meu sobrinho caçulinha. Trazendo muita felicidade e esperança em nossas vidas! Foi um ano com uma surpresa deliciosa no meu aniversário, e uma surpresa tristonha para fechar o ano. A perda de Grandma B. sempre será uma macha no ano de 2012. Foi um ano corrido com o trabalho, passando por reformulações,  com as aulas de piano e canto, indo encontrar garotas legais para uma jantinha jogando conversa fora, telefonando para a família linda e onde sobrou pouco tempo para espremer para o blog, twitter e facebook.

Essa falta de tempo me ajudou muito em minha auto-análise, me ajudou a separar (mais uma vez) quem é amigo, quem é troca de idéias (positivas ou negativas), quem é bacana de encontrar e bater papo, quem se importa comigo – e pra todos os pontos anteriores – vice e versa, como é que as outras pessoas me percebem. Isso fez muita diferença na minha sanidade mental, e me proporcionou  melhor qualidade de vida.

Sempre difícil escrever mil maravilhas sobre um ano quando temos perdas, então fica o saldo de um ano que teve dias mais felizes que tristes, mais notícias boas que ruins, e não posso choramingar muito sobre ele não é mesmo?

E como boa do contra, eu não gosto de Ano Novo. Adoro quando fevereiro chega e o Ano novo não é mais novo. Quando é só o ano.

Ano Novo é sinal do desconhecido pra mim. Sei que como boa Pollyana, deveria adorar tudo de bom que o ano poderia trazer, mas eu sempre fui meio suspeita de anos novos. Tenho uma ansiedade de saber, o ano vai ser bom? Vai ser ruim? Alguém vai morrer? Ora, não quero que ninguém se vá nesse -ou em qualquer outro – ano! Vou ser promovida? Vou ser despedida? Vou ganhar no Euromillions? Vou ter muito stress? Vai ser tranqüilo? Meus amigos não vão embora? Vou perder alguma amizade? Vou conhecer alguém novo?

Nunca me lembro de ter sido animada com a promessa do ano novo. Por isso eu não tenho metas para o ano. Esse ano não  quero nem ter uma idéia ou filosofia. Mas vou me concentrar nas idéias de 2011 o que me parece uma boa, a de ser a mudança que quero no mundo.

Se bater a preguiça pra ir ver o vídeo post-it lá, veja aqui!


 

Sempre achei que desejar feliz ano novo é meio vazio. Nenhum ano novo é completamente  só feliz. Nem que seja algum mequetrefe que te feche no farol, sempre vai ter alguns momentos do ano em que a cobra vai fumar, e vão ter anos que vão ser apáticos, em que nada demais vai acontecer. Então eu desejo um ano forte pra você.

Forte, pra você ter muita saúde.
Forte pra você se proteger de qualquer violência e qualquer tragédia.
Forte pra se e quando você tiver momentos tristes, nervosos, ansiosos, negativos, você tenha força de saltar os obstáculos.
Forte mentalmente, e que tenha a sabedoria de reconhecer o que te faz feliz e aproveite esses momentos com muita alegria, sempre!

0 clique(s)

Se lembre, se lembre, do 5 de Novembro

Estava aqui colocando a montanha de emails pra responder em ordem, quando me deparei tentando contar pra minha irmã o que eu fiz no final de semana. Ora ora, fui comemorar o 5 de Novembro!  E claro, a pergunta inevitável seguiu:  “E o que seria o 5 de Novembro?”

Eu lembro ter explicado o que o 5 de Novembro significa aqui, mas acho que o post era da época do so-candy, que acabou voltando ao pó da internet. Então sempre bom explicar aqui de novo, e fica como referência pra quem se encontrar em Londres do mesmo jeito que eu há 10 anos atrás, não entendo o porque de tantos fogos de artíficios em pleno Novembro!

E quem melhor pra explicar do que a BBC? Tudo bem que ela não está em seus melhores momentos atualmente com acusações de que teria escondido o fato de que um de seus maiores apresentadores de TV Infantil dos anos 70 e 80 estivesse envolvido com pedofilia, e esse é assunto pra outro post, mas a BBC é a produtora de “Horrible Histories” (histórias horríveis), um programa de TV que conta fatos interessantes da história da Ingalterra e do mundo. É um programa voltado para crianças e adolescentes, mas que somos fãs aqui em casa. O programa utiliza o humor e a sátira para ensinar história, e eu acho que deveria ocupar espaço de horário nobre!  :-B

Então fica aqui a explicação do que aconteceu em 1605 com Guy Fawkes, são só dois minutos e muito melhor do que eu poderia ou teria tempo para contar!

(Se o vídeo não funcionar pra você, clique aqui)

E depois que isso aconteceu, começou-se a tradição de na noite de 5 de Novembro (e no final de semana anterior, se o 5 de Novembro cair em um dia de semana), de estourar fogos de artifício. Por estar frio e por que se o Parlamento tivesse explodido teria virado uma fogueira, pessoas e alguns shows de fogos, fazem grandes fogueiras, que em inglês é “bonfire”. Então para sempre, 5 de Novembro é conhecido como Bonfire Night, a noite das fogueiras. Não se sabe bem se por comemoração de que Guy falhou em seu plano, ou porque o plano existiu e foi uma forma de manter o protesto contra a família real*.

O plano de Guy Fawkes também foi a inspiração do filme V de Vendetta, um dos meus favoritos e que mencionei no blog durante a tragédia de Oslo e da escola do Rio de Janeiro.

Mas o que todo mundo sabe é  Poema Remember Remember:

Remember remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason why gunpowder, treason
Should ever be forgot..

Se lembre, se lembre
De de 5 de Novembro,
Pólvora, traição e armação
Eu não vejo motivo porque
Pólvora e Traição
Deveria ser esquecido!

Famílias e amigos se unem para ver fogos em espaços descampados, e depois se reunem em festas em casa, fazendo a fogueira e cozinhando pratos típicos dessa época, clique aqui pra ver alguns (em inglês).

E foi isso que fizemos no final de semana! Nos mandamos pra Southampton na casa dos pais do Mr. W e assistimos o show de fogos de artifício no campo atrás da escola onde ele cursou primário, comemos leitão à puruca com feijão branco, alho poró e erva-doce, com bolo Buttenburg de sobremesa. A mãe do James normalmente faz o Bonfire Cake que se parece com esse aqui, mas esse ano não deu tempo de fazer  :-q

*Eu, como socialista mequetrefe, comemoro o fato de que planejaram destruir a família real que não tolerava católicos! :P O que você comemoraria se morasse na Inglaterra?

1 clique(s)