Apareceu a margarida! Ano novo, mês novo, post novo

E o problema é saber por onde começar a conversa depois de tanto tempo sem aparecer por essas bandas.
Parei no tema sobre os introvertidos e pretendo continuar com a minha impressão sobre os ingleses, mas não adianta ficar regurgitando sobre o que escrever, a força do clichê de ter que fazer a retrospectiva do ano anterior e de tentar enxergar o que vem pela frente é maior do que todas outras caraminholas agitadas querendo sair da cabeça pro blog.

E o que 2011 teve de bom?

  • Viajei em qualquer oportunidade possível
    • Brasil, o que sempre faz qualquer ano ficar infinitamente melhor , e pra ser melhor ainda, fui duas vezes!  :)
    • Bélgica
    • Sorrento & Pompéia & Capri
    • Bristol
    • Região dos Lagos (por aqui mesmo)
  • Comecei a dieta, e apesar de não ter atingido a meta, consegui manter a balança em um nível razoável.
  • Noites foram ocupadas com as aulas de teclado, canto e golfe.
  • E mais noites ainda ocupadas com a academia.
  • Bebê Arthur fofo, filha de minha prima, chegou chegando pra amenizar a quantidade de meninas na família  <):)
  • Muitos finais de semana que não paramos em casa, saracoteando por aí, vendo pessoas queridas de longa data e conhecendo novas figurinhas.
  • Mais finais de semana vendo Chelsea jogando em Stamford Bridge.
  • E até um final de semana vendo futebol americano em Wembley e outro na Fórmula 1 em Silverstone  \:D/
  • Muitas noites indo em shows \\m/ :
    • Red Hot Chilli Peppers
    • Evanescence
    • Terrorvision
    • Gravação do programa de TV “Never Mind the Buzzcocks”
  • Consegui priorizar minha vida virtual (leia-se Twitter, Facebook e blogs) x vida real. A virtual acabou perdendo território, mas confesso, valeu a pena.
  • No trabalho, progresso de vento em popa.
  • Voltei a bordar ponto cruz, depois de ter abandonado o hobby há uns 5-6 anos.
  • Muitos dias de trabalho ajudando uma amiga-irmã a cuidar da filhota durante o dia.
  • Não perdi ninguém querido, todos passaram mais um ano conosco com saúde e segurança, e não é esse o melhor motivo de comemoração no final do ano?

E essa lista também serve pra justificar o porque do blog estar um tanto abandonado, jogado às traças. A vida foi ocupada, de uma forma deliciosa, e o tempo para parar pra escrever ficou um pouco de lado. Mas nunca esquecido.

Em 2012 tenho certeza que vou sentir saudades das amigas que se mandaram da ilha pra outros cantos do mundo, das tardes ajudando dona M. cuidar de baby V. e dos passeios de finais de semana sem motivo de serem, só por que não temos mais nada pra fazer.

Mas 2012 tem muitas promessas também. As férias já estão todas planejadas e quase toda comprada. Cinco lugares novos serão conhecidos e dois lugares revisitados. Vão ter visitas muto especiais chegando em Julho, e olimpíadas e para-olimpíadas em Agosto. Encontros mensais com novas figurinhas prometem boas risadas, desabafos e até umas discussões acirradas em mesas de restaurante. O que já é mais que suficiente para me manter animada pelo ano que vem pela frente!  :-bd

E como já foi costume o ano passado, esse ano não tem metas, mas uma filosofia.

Ano passado consegui insistir em ser a mudança que quero no mundo. Mas ainda parei em muitos obstáculos e muitas horas em que o sangue ferveu e acabei me deixando levar por picuinhas e momentos de baixa auto-estima, o que sempre nos deixa defensivos.

Na missa de Ano Novo no Guarujá, o padre rezou a oração de São Francisco, que quero sempre me lembrar, junto com a frase do ano passado, e tentar ser uma pessoa melhor, com menos arrependimentos e mais tranqüilidade, começando por esse ano.

E eu acho que mesmo quem não é religioso, pode usar de seus dizeres, e assim evitar conflitos, brigas e argumentos denecessários .

Como de costume, as partes em destaque são as que são as mais complicadas pra eu mudar meu jeito de ser, e que preciso abrir mais os olhos durante o ano pela frente. E, vai, isso vindo de uma mulher com sangue nos olhos quando cutucada na ferida, é meta suficiente pra um ano inteiro!   :-D

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Podem puxar a minha orelha quando se eu fugir da meta, seja na vida real ou virtual hein?

E pra vocês leitores, que seu ano seja recheado de coisas boas e muita força para os momentos difíceis. Que seja rodeado de saúde e paz.
Que venha 2012 com o que nos tem reservado! Carpe Diem  :o)

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Abrindo os olhos: Dez mitos sobre introvertidos

Uns tempos atrás fui relembrada do porque continuar no Twitter mesmo com todos os contras. Caiu no meu colo através da @anca_foster um artigo escrito por Carl King (@carlking) que abriu os meus olhos e tirou um peso da minha cabeça. Sem muito blablablá porque o artigo já é gigante por si mesmo, lá vai, traduzido pra ver se ajuda mais pessoas a entenderem a si mesmas e os Introvertidos ao seu redor.

Nos quadros, o que Carl King disse no site dele, em itálico são os meus comentários.

“No final de 2008, tive a sorte de descobrir um livro chamado, The Introvert Advantage (How To Thrive in an Extrovert World) (infelizmente não foi traduzindo para o português ainda) by Marti Laney, Psy.D. Parecia que alguém tinha escrito um verbete de enciclopédia sobre uma raça rara de pessoas a que pertenço. Não só explicava muitas das minhas excentricidades como também me ajudou a redefinir toda a minha vida em um novo e produtivo contexto.
Claro, qualquer um que me conhece diria: ‘Duh! Por que você demorou tanto tempo para perceber que você é um introvertido?’ Não é tão simples. O problema é que a rotulagem de introvertido é uma avaliação muito superficial, cheio de equívocos comuns. É mais complexo do que isso.
Uma seção do livro mapa o cérebro humano e explica como neuro-transmissores seguem diferentes caminhos dominante no sistema nervoso dos introvertidos e extrovertidos. Se a ciência por trás do livro está correta, é prova de que os introvertidos são pessoas que estão mais sensíveis à dopamina, de forma que overdoses de estimulação externa esgota-os. Por outro lado, extrovertidos não produzem dopamina suficiente, e seus cérebros precisam de adrenalina para produzi-la.
Os extrovertidos também têm um curto percurso e menos fluxo de sangue para o cérebro. As mensagens de um sistema nervoso do extrovertido está em sua maioria no atalho de Broca, no lobo frontal, onde grande parte da contemplação ocorre.
Infelizmente, de acordo com o livro, apenas cerca de 25% das pessoas são introvertidas. Há ainda menos que são tão extremas como eu sou. Isto leva a uma série de mal-entendidos, já que a sociedade não tem muita experiência com o meu povo. (Eu amo ser capaz de dizer isso.)
Então, aqui estão alguns equívocos comuns sobre introvertidos (não tirados diretamente do livro, mas com base na minha própria experiência de vida):

Mito 1 – Os introvertidos não gostam de falar.
Isso não é verdade. Introvertidos simplesmente não falam a menos que tenham algo a dizer. Eles odeiam conversa fiada. Converse com o introvertido sobre um assunto que os interesse, e eles não vão calar a boca por alguns dias.

Não gosto mesmo de conversinha enche-linguiça, me dá gastura! Mas comece falar de algo que tenha mais substância ou possibilite eu dar a minha opinião, e eu corto todo mundo da conversa. Ultimamente tenho até pensado em prestar mais atenção quando estou me intrometendo demais ou falando demais sem deixar os outros participarem do diálogo :">

Mito 2 – Os introvertidos são tímidos.
Timidez não tem nada a ver com ser um introvertido. Introvertidos não são necessariamente amendrontados por pessoas. O que eles precisam é um motivo para interagir. Eles não interagem em prol da interação. Se você quiser falar com um introvertido, basta começar a falar. Não se preocupe em ser educado.

Isso abriu os meus olhos, eu sempre me entitulei tímida mas todos os meus amigos diziam que tímida eu não sou, que falo pelas tabelas uma vez que estou na conversa. Agora caiu a ficha, por ser introvertida, prefiro selecionar as interações, e por isso não chego chegando em festa, não fico andando de mesa em mesa conversando com todo mundo do escritório, não tenho facilidade de começar papos com pessoas estranhas na rua. Sempre admirei minha mãe por ter sua simpatia, sua alegria e facilidade de relacionamento com todo mundo, e nunca entendi porque sempre tive essa dificuldade. Agora está explicado!

Mito 3 – Os introvertidos são rudes.
Introvertidos muitas vezes não vêem uma razão para rodeios com gentilezas social. Eles querem todos ser apenas reais e honestos. Infelizmente, isto não é aceitável na maioria das situações sociais, de modo que introvertidos podem sentir muita pressão para se ajustar, o que se torna muito cansativo.

Aleluia!! Até que em enfim uma explicação. Já fui chamada de rude tantas vezes, porque já vou direto ao ponto, ou onde terminamos a coversa da última vez, sem fazer rodeio. Na maioria das vezes me esqueço da sala, de perguntar como a pessoa está, blablablá. Sempre me achei uma ET por causa disso, e achando que era sem-educação ou que não me importava com as pessoas :(

Mito 4 – Os introvertidos não gostam de pessoas.
Pelo contrário, introvertidos valorizam intensamente os poucos amigos que eles têm. Podem contar seus amigos mais próximos de um lado. Se você tiver sorte o suficiente de um introvertido considerá-lo um amigo, você provavelmente tem um aliado leal para a vida. Uma vez que você ganhou o seu respeito como sendo uma pessoa de substância, você está dentro.

Isso não poderia ser mais verdade. Os meus amigos mesmo conto na mão. Confesso que pelo relacionamento com outras pessoas ser complicado por ser fora dos meu sistema, eu sofro com receio de não me ajustar. Digamos que tenho medo sim de conhecer pessoas novas, mas acho que agora se explicou que o medo não é das pessoas, mas da experiência, que pode ser sofrida. Mas uma vez que conheço-as e elas passam pelo filtro de pessoas “bacanas”, adoro reencontra-las. Já expliquei antes como é que amizades funcionam pra mim em posts passados, né?

Mito 5 – Os introvertidos não gostam de sair em público.
Absurdo. Introvertidos só não gosto de sair em público tanto quanto os extrovertidos. Eles também gostam de evitar as complicações que estão envolvidos em atividades públicas. Eles absorvem dados e experiências muito rapidamente, e como resultado, não precisam estar lá por muito tempo, e normalmente estão prontos para ir pra casa e processar essas experiências mais cedo do que os extrovertidos. Na verdade, a recarga é absolutamente crucial para introvertidos.

Também já fui acusada de party pooper* porque eu não gosto de ficar até tarde em balada, em festas, ou de ir emendando um programa no outro. Mas aí, a culpa é da dopamina! :-D Também não gosto de acordar cedinho e ficar até de madrugada na rua quando viajo. Gosto de passar o dia fora, mas sem pressa, sem correria, e sem ver um gagilhão de coisas.

Mito 6 – Os introvertidos sempre querem estar sozinho.
Introvertidos são perfeitamente confortáveis com seus próprios pensamentos. Eles pensam muito. Eles devaneiam. Eles gostam de ter problemas para trabalhar, quebra-cabeças para resolver. Mas eles também podem ficar incrivelmente solitários se não tiverem alguém para compartilhar suas descobertas. Eles anseiam por uma conexão autêntica e sincera com uma pessoa de cada vez.

Wow, não poderia ser mais verdade! Detesto ficar sozinha porque minha cabeça fervilha com pensamentos, sem ter com quem verborrejar. Bom, o blog aqui já é um exemplo né? :))

Mito 7 – Os introvertidos são estranhos.
Introvertidos são frequentemente individualistas. Eles não seguem a multidão. Eles preferem ser valorizadas por suas novas formas de vida. Eles pensam por si mesmos e por causa disso, eles muitas vezes desafiam a norma. Eles não tomam a maioria das decisões baseadas no que é popular ou moda.

Wow de novo. Quem me conhece sabe que cai direitinho como uma luva.

Mito n º 8 – Os introvertidos são nerds desinteressados.
Introvertidos são pessoas que basicamente olham para dentro, prestando atenção aos seus pensamentos e emoções. Não é que eles são incapazes de prestar atenção ao que está acontecendo ao seu redor, é só que o seu mundo interior é muito mais estimulante e gratificante para eles.

Mais uma verdade. E talvez o motivo de já ter sido chamada de egoísta, e de ter tido meus poderes de invisibilidade reconhecidos.

Mito n º 9 – Os introvertidos não sabem como relaxar e se divertir.

Introvertidos normalmente relaxam em casa ou na natureza, e não em locais públicos movimentados. Introvertidos não são candidatos a emoção ou viciados em adrenalina. Se houver muita conversa e barulho acontecendo, eles se fecham. Seus cérebros são muito sensíveis ao neurotransmissor chamado dopamina. Introvertidos e extrovertidos têm diferentes dominante neuro-vias.

Nunca gostei de multidão, mas aprendi a lidar com ela por adorar dançar, música ao vivo e futebol. Mas que prefiro dançar na sala e assistir aos shows e jogos de cadeirinha, isso sem dúvida. E agora também está explicado porque não sou adepta dos esportes radicais e detesto montanha-russa!

Mito n º 10 – Os introvertidos podem se consertar e tornarem-se extrovertidos.
Um mundo sem introvertidos seria um mundo com poucos cientistas, músicos, artistas, poetas, cineastas, médicos, matemáticos, escritores e filósofos. Dito isto, há ainda uma abundância de técnicas que as pessoas extrovertidas podem aprender, a fim de interagir com pessoas introvertidas. (Sim, eu inverti estes dois termos com o propósito de mostrar a você como nossa sociedade é tendenciosa.) Introvertidos não podem “corrigir-se” e merecem respeito pelo seu temperamento natural e as contribuições para a raça humana. De fato, um estudo (Silverman, 1986) mostrou que o percentual de introvertidos aumenta com QI.
Pode ser terrivelmente destrutivo para um introvertido negar-se a fim de se dar bem em um mundo extrovertido-dominantes. Como outras minorias, introvertidos pode acabar odiando a si mesmos e os outros por causa das diferenças.

Conheço pessoas que desenvolveram problemas psicológicos graves tentando atravessar a barreira do introvertido para o extrovertido. Minhas histórias de vida têm muitas passagens que incluem episódios desse conflito, talvez eu conte aqui no blog um dia desses. E confesso, também já tentei mudar, forçar as características de extrovertidos em mim. São características que eu invejo sim, e agora descobri que é porque somos, como introvertidos, minorias. Acho que deve ser algo como querer olho azul e cabelo loiro no Brasil (aqui eles adoram o cabelo e olhos castanhos!), e a necessidade humana de ter que se ajustar e ser aceito pelo grupo ao seu redor. Agora que descobri que provavelmente é algo físico e químico, vou trabalhar em como me ajustar ao mundo dos extrovertidos, mas não através da transformação de personalidade ou comportamento. Um alívio da pressão que todos nós nesse perfil sofremos em nossas vidas.

Se você pensa que é um introvertido, eu recomendo que você pesquisar o tema e buscar outros introvertidos para comparar as notas. A sobrecarga não é inteiramente em introvertidos para tentar se tornar “normal”. Extrovertidos necessitam reconhecer e respeitar-nos, e nós também precisamos respeitar a nós mesmos. PS Se você estiver interessado em ler mais das minhas idéias, eu escrevi um livro chamado “So, You’re A Creative Genius, Now What?” (também não traduzido para o Inglês ainda) É um guia de sobrevivência criativa carreira (artistas, músicos, escritores, diretores, atores) escrito a partir da perspectiva de um introvertido extremas.”

Já tenho uma listinha de livros pra ler sobre ser introvertido e como interagir com o mundo extrovertido, conforme fôr comprando e lendo, vou colocando aqui. E espero que ajude outros introvertidos espalhados pelo mundo

No próximo post devo refletir sobre o mito dos ingleses serem “frios” e como pode ser somente um mal entendido por serem, na verdade, mais introvertidos do que os brasileiros e passarem essa impressão.

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Minha complicada relação com o mundo da moda

Então a polêmica da vez na semana passada foi o escandâlo de que a Zara (e mais de 20 outras grifes) usam mão de obra escrava para produzirem suas roupas. Que na minha timeline começou com o Twit da Helô Righetto.
Confesso que tal fato não me deixou perplexa. Essa história, pra quem mora na Inglaterra e acompanha as notícias, já é velha.
Dessa vez, o vexame foi flagrado no Brasil. Em 2009, a Zara e a H&M já eram denunciadas por utilizarem mão de obra escrava no Uzbesquistão.
Li uma vez na revista do avião, que a Diesel e a GAP usavam mão de obra infantil no Brasil.
Tem muito pouco que podemos fazer para impedir essa natureza da indústria. Eu faço o meu pouquinho, e lá vai a relação que eu tenho com mundo da moda:

  • Começou desde pequena, marca não pesa em nada pra mim

Meus pais sempre me ensinaram que o importante é quem você é, e não o que você veste ou o que você tem. Estudei em escola particular durante toda a minha infância, e não se engane de achar que não choramos por não termos tênis New Balance, camiseta Pakalolo e calça jeans M. Officer. Lembro de muitos escândalos mas meus pais sempre nos ensinaram com muito amor que o dinheiro gasto com as grifes poderiam ser gastos com outras coisas, e que no fim das contas, estávamos crescendo mesmo, o tênis, a camiseta e a calça jeans seriam perdidos antes de serem gastos. Que a qualidade do que compravam pra gente era suficiente para durar aquele ano, e na verdade que podíamos ficar lindões mesmo não carregando o peso da etiqueta. Com o tempo fui crescendo e o fato de não ter nada de grife só me ensinou que meus pais – mais uma vez – estavam certo. Sempre achei um jeitinho de achar o que precisava de maneira mais em conta, e aprendi o valor do dinheiro, no que valia a pena gastar ou não, qual era o valor do mesmo item em outras lojas?
Confesso, que a primeira coisa que comprei com meu salário de estagiária, foi um Nike. Não podia comprar só com o salário, mas meus pais, em uma forma de reconhecer meus esforços, pagaram por metade. Usei com muito gosto o tênis, e fiz durar até rasgar, mas enjoei muito antes do tênis acabar e aprendi mais uma lição.

  • Se compro barato, quando chega a hora de desfazer, não contrbuí para o lucro da marca

A lição com o tênis foi a de que a moda comprada normalmente me enjoa antes de chegar ao máximo que eu posso usar dela. O tênis durou um ano e meio mais ou menos, mas muito antes disso eu já estava com cosquinha de comprar outro. Mas como suava pelo dinheiro do estágio (cujo metade do salário ia direto para a poupança assim que caía na conta) me segurava para não comprar outro. E fiquei com o coitado até não ter mais como usar, assim como fazia com as roupas de trabalho. Dali pra frente, comprava blusinhas e roupas “temporárias” na Miroa, na Fancy, na Barred’s. Aqui eu compro na Matalan e Primark. Mas sei que a duração dessas roupas é curta, mas o suficiente para desfilar e me aprovietar nelas, sem ir à bancarrota, e então aprendi mais uma lição.

  • Pagar um pouco mais vale a pena, se é para durar

A lição com as roupas de trabalho, foi que quando comecei a trabalhar na AT&T (vulga Lucent, vulga Avaya) exigiram que eu começasse utilizar roupas mais formais. Peguei a mãe e fomos juntas escolher o que era apropriado e o que valia a pena pagar. Minha mãe sempre foi “O” exemplo de mulher elegante, linda e charmosa, quem melhor para ir comigo? Resolvemos fazer a rapa na Luigi Bertolli. As roupas eram clássicas, de ótima qualidade e por isso significava que eu poderia passar um ano usando-as sem precisar gastar dinheiro de novo. O famoso barato que sai caro, quando é para roupas de trabalho, não colam comigo. Aqui, compro na Next e New Look quando preciso de coisas mais duradouras, mas mesmo assim, prefiro esperar quando tem promoção, assim gasto menos ainda. Investir o dinheiro em qualidade sem pagar mais pela etiqueta, me mostrou que não preciso comprar roupas todo mês, toda semana, todo dia. Mas quando preciso. E mais uma lição.

  • Comprar quando é preciso

Só compro quando preciso. Quando as roupas mais baratinhas não estão mais em condições de usar que eu ainda me ache bonita com elas, vão pra doação. Algumas vezes até penso que elas precisem ir para a reciclagem de retalhos aqui de tão usadas que foram. Muitas vezes levo pro Brasil e junto com a minha mãe, as reformamos. Recorta e costura daqui, cola um brilhinho ali. A época que mais comprei roupa foi quando perdi 10 quilos e as roupas antigas estavam todas grandes. Na empolgação da perda de peso, comprei comprei comprei. A casa tinha espaço pra guardar e não me desfiz das roupas antigas, vi o estrago na mudança. Quando quase 20 sacos de 20L. saíram de casa com roupas que já não queria mais. No meio tempo engordei de novo, e precisei comprar algumas peças novas. Compro conforme vou precisando para novas ocasiões, vou comprando, mas tenho pego somente as baratinhas, pelo menos até perder perder o peso de novo, então as roupas que preciso agora são da categoria “temporária” e serão das baratinhas, já que daqui uns meses quero ir comprar as definitivas do novo corpitcho e daí sim renovar as roupas para um armário mais duradouro.

  • E o boicote?

A primeira reação das amigas fashion é a de boicotar as marcas que forem provadas fazerem parte do cartel da escravidão.
Meu boicote é antigo. Meu boicote é o mesmo dos meus pais. Que me ensinaram que a indústria da moda é tentadora, e que precisamos vencer a pressão da importância “do ter, antes de ser”. De entender, que se alguém não é nosso amigo porque não nos vestimos com roupa da moda ou da marca, quem não merece ser nossos amigos são essas pessoas.

O boicote é uma forma de protesto. Mas para não sairmos pelados, como a Helô Righetto sugeriu sendo a única solução possível, uso as minhas lições aprendidas, e evito até entrar em lojas de grifes, contra o abuso em nome do lucro. Fazer uma roupa por 20 centavos e vender por £10 (o que a Primark e Matalan cobrariam) é abuso. Vender por £20 – o que pagaria nas lojas mais médias daqui (Next, New Look) é abuso – mas normalmente espero a promoção chegar e o preço cair até £10 ou mais barato, e assim evitar comprar muitas calças Primark. Vender por £60 (o que seria o preço da Zara e GAP) é pior ainda, e normalmente mesmo as promoções não são preços exorbitantemente ótimos, e os tamanhos que sobram não me servem /:)  Não sou contra o lucro, sou contra o lucro abusivo. Em Leleilândia, que não é socialista porque não é obrigatório mas voluntário, o lucro é dividido pelo bem daqueles ao redor de nós, e não em nome de sua exploração. Exploração na linha de produção, exploração de quem sua a camisa para comprar algo que quer.

  • Se o boicote não vai funcionar, o que pode funcionar ?

Eu acho que o boicote funciona sim. Mas o boicote a longo prazo, consistente e consciente. Escrever para as marcas que você gosta (e faz questão de usar) explicando que está parando de comprar lá por causa da posição social da empresa. Ficar na cola da imprensa para dar seguimento às investigações reportadas anteriormente. Fazer sua voz valer no Twitter e blogs e onde mais puder ser ouvida.
Simplesmente e brevemente boicotar, não ajuda. Pensem comigo. Zara(em ’09) e GAP(em ’07) e Diesel(em ’08) já foram escancaradas no passado como marcas que utilizam mão-de-obra escrava. No passado também disseram que iriam averigüar os fatos e certificar que o problema não acontecesse mais. Anos depois, Zara resolveu mudar as operações escravas do Uzbesquitão para o mercado escravo no Brasil e a GAP caiu de novo na tática do mercado escravo da Índia – denunciado em Agosto do ano passado. A impressão é que essas grifes deixam a poeira baixar, fazem um escarcéu de que vão olhar no problema, vão resolver, bladidádá e nada é feito, volta e meia sai um escândalo de trabalho escravo (e muitas vezes infantil) sendo utilizado.

Surpreendentemente a única empresa que realmente sempre impôs condições de trabalho e desmentiu relatórios falsos de trabalho escravo (a BBC teve que pedir desculpa pelo programa mentiroso) até hoje foi a Primark, a mais popular e baratinha de todas. É a única da indústria – que eu sei – a colocar seus valores éticos no site da loja pra quem quiser ver.
A New Look e a Diesel publicam quais são as caridades para as quais elas doam parte de seus lucros, um ponto positivo no meu caderninho (mesmo que eu não compre Diesel porque o preço ainda é impraticável para o que oferecem).
Algumas têm um blablablá enorme no meio de letrinhas confusas e muitas vezes não vêm a publico quais caridades elas ajudam, qual são as ações que fazem mesmo para beneficiar seus empregados e costureiros?
Se alguém achar mais alguma, me avise e colocarei com prazer aqui no blog e tirarei da minha lista do boicote.

Fazer pressão às marcas para abrirem as portas de suas fábricas, além do boicote de não comprar mais lá até conseguirem colocar ordem na casa, é a melhor ação.
Elas não poderem culpar o clima ecônomico por quererem fechar suas lojas e fábricas (que pelo sim pelo não é a única fonte de renda dessas famílias) quando pararem de vender e suas ações despencarem, é o que as fariam repensarem suas responsabilidades sociais, e acompanharem mais de perto sua linha de produção.

Escrever para os políticos exigindo melhores condições de trabalho serem impostas, é o que o povo todo no mundo inteiro (para evitar ações como as da Zara que mudou de um país para o outro) deveria fazer também. Foi assim que nos livramos de condições desumanas na Inglaterra (com a união dos sindicatos e trabalhadores) e muitos países que hoje em dia prezam pelas suas condições de trabalho. Vejam bem, isso ainda não evita que existam trabalhos escravos e explorativos no Reino Unido. Mas muito MUITO mesmo foi banido no passado.

  • Então eu nunca compro nada de marca?

Depende o que você chama de marca. Posso dizer que 99.9% das minhas roupas e sapatos não são de grife. E os 0.01% que são, foram presentes. Tenho um casaco da Zara que ganhei de presente, uma bolsa da Radley que ganhei de presente. Foram presentes de pessoas que gostam de mim e tinham a melhor das intenções em seus corações. Aceitei com carinho, e os usarei até não dar mais, fazendo jus ao dinheiro que gastaram ;;)

  • E as pessoas que justificam as compras nessas lojas?

De novo, eu entendo que é o mundo em que vivemos. Eu não condeno os amigos e conhecidos que sucumbem à tentação das marcas. Eu não entendo a atração pela mudança de estações, pela renovação do armário a cada 3 meses, pelo julgamento de acordo com o que você veste. Não entendo o porque pagar mais pelo que você poderia ter por menos. Não tenho o hobby de ir fazer compras.Já tentei me entrosar em conversas da moda, mas não rola. Então não tenho como condená-las. Só poderia ter o direito de levantar um dedo se a minha criação tivesse sido diferente, se minha personalidade fôsse diferente.
Só posso tentar explicar porque é que penso e ajo diferente.
E abrir meus ouvidos pra quem quiser me convencer do contrário :)

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O tumulto de Londres: Perguntas e (minhas) respostas

Desculpem pelo assunto pesado de novo, escrevo hoje sobre o que aconteceu em Londres. Não tem como deixar entalado na garganta e sempre me ajuda a lidar com os sentimentos que vêm nessas horas…

Difícil achar uma tradução decente para a palavra riot. Riot aqui tem a conotação de arrastão, tumulto, revolta, tudo em uma palavra só. Em um dos artigos que li, na verdade eles diziam que nem riot foi, porque riot teria em si, uma definição de fundo politíco e argumentação, o que aqui não teve. Talvez tenha começado como uma riot, mas como terminou, ninguém sabe muito bem como colocar um nome. Vou chamar de tumulto, pra deixar mais fácil pra todo mundo, por agora.

Primeiro, a história de como aconteceu sob o meu ponto de vista, pra quem está no Brasil e ficou meio perdido com a bagunça que não foi bem explicada no jornal.

No dia 4 de Agosto (quinta-feira), um rapaz do Norte de Londres, do bairro de Tottenham foi morto por policiais. O que eu vi de notícias (assisto BBC News – notícias 24 horas – antes de dormir, pelas curtinhas do que está acontecendo pelo mundo) foi que um homem havia sido baleado pela polícia e estavam investigando. Na sexta, na hora do almoço – quando vemos as manchetes de novo – a notícia era de que ele havia atirado no policial, mas o IPCC (que é o órgão independente de investigação de ações da polícia) estava investigando o que realmente tinha acontecido.
No sábado, passei o dia fora. Na volta, quando paramos para jantar em um posto de serviços da estrada, vimos na televisão que estavam acontecendo alguns tumultos no bairro onde o rapaz foi morto. Carro de polícia pegando fogo, mas sem muitas informações sobre o que estava acontecendo. Chegamos em casa umas 2 horas depois, e o circo sensacionalista havia sido montado. Ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo, como tinha começado e o que a polícia estava fazendo para contê-los. Resolvemos desligar a televisão, mas sei que ficaram a noite inteira reportando do local, colocando as imagens em loop, repetindo sempre as mesmas imagens de pessoas atirando pedras nos carros da polícia, de prédios pegando fogo.
No domingo, ligamos a TV pra ver o que estava acontecendo, mas até aí estava tudo meio tranqüilo. Até a hora de dormir de novo, quando vimos que haviam acontecido mais alguns tumultos. Na segunda-feira pela tarde o rádio começou a falar de tumultos acontecendo em maior escala em vários lugares de Londres. Ao assistirmos a TV de noite, vimos que estava fora de controle.
Na terça David Cameron chegou das suas férias, convocou a polícia, e o número de policiais nas ruas em Londres triplicou do dia para a noite, contando com carros-fortes e policiamento especial para tratar desse tipo de distúrbio. A note de terça foi tranqüila para Londres, mas Manchester, Birginham e Liverpool sofreram tumultos.
Não sei o número certo de pessoas que ficaram feridas no tumulto, mas confirmaram que 5 pessoas morreram.

E então vêm as perguntas. Que quero responder com as minhas respostas, meu ponto de vista, com meu conhecimento, com as horas que perdi lendo artigos de pessoas que não abusam de verborragia.

1) A polícia que matou o rapaz reagiu a ele atirando contra eles?
Não se sabe. Até agora a investigação confirmou que uma bala encravada no crachá do policial que foi envolvido no incidente não saiu da arma não-policial que foi encontrada na cena do crime. A investigação ainda está em andamento. Muitas perguntas precisam ser respondidas.
Pessoalmente, eu acho que os rapazes não atiraram. Que entraram em pânico e ameaçaram a polícia com a arma que tinham (se é que era deles mesmo) e a polícia entrou em pânico de volta e atirou para matar.

2) Os tumultos foram causados pela morte de Mark Duggan?
Não se sabe. As pessoas que estavam fazendo o tumulto era pouco concisas. Não tinham uma explicação dos motivos de estarem roubando lojas, colocando fogo em prédios, e fazendo bagunça. Cada um dava um motivo diferente, mas poucas vezes faziam sentido, e muitas vezes estavam embrigados por álcool.
Pessoalmente, digo que sim. Foi a única coisa que mudou do Sexta para Sábado. Depois que a poeira baixou um pouco, veio a notícia de que o tumulto começou no fim da vigília organizada pela família para protestar a morte do rapaz morto pela polícia. A vigília saiu de controle e algumas pessoas do bairro começaram o tumulto em uma revolta contra a polícia. Mas também acho que a televisão ao mostrar tudo ali, nú e crú e no loop repetitivo, instigou outros grupos do país a soltarem toda raiva e frustração contra o sistema. Ver que pessoas estavam roubando e destruindo saindo impunes, mostrou que se você quisesse, seria fácil ir pegar o seu pedacinho de mercadoria. A TV mostrou que polícia não ia te parar, se seus amigos iriam pra lá fazer tumulto também, que diferença iria fazer?

3) Porque a polícia não deu conta do recado?
Porque a polícia de rua aqui não é treinada para lidar com tumulto, e não só isso, ela não é autorizada a lidar com tumulto, eles não são armados, e normalmente só têm o bastão de borracha para conter violêncida em casos extremos e individuais de violência. Tem que ser a polícia treinada para tanto. Foi a primeira vez que aconteceram tumultos em vários lugares ao mesmo tempo. O número de policiais de tumulto (tipo Rota e Bope) foi pequeno para lidar com todos os tumultos. Foi um caso de como a TV estava mostrando onde os tumultos aconteceram, o pessoal causando o tumulto via na TV que poderia atacar outras áreas, e aproveitava a brecha.
Também teve o fator de que durante outros protestos durante o último ano a polícia foi muito criticada por usar força excessiva. Inquéritos foram armados, e a polícia ordenada a usar menos força da próxima vez. Quando chegou a hora do vamos ver, foi o que eles fizeram.

4) O Primeiro Ministro estava de férias, isso quer dizer que ele é folgado?
Não (mas jornais podem tentar te convencer do contrário). Não só o primeiro ministro como todos os políticos e a maioria da população tira férias no verão inglês. É quando as crianças saem de férias da escola, então é normal terem um tempo de descanso. O balanço entre a vida pessoal e trabalho aqui é protegido por leis européias, e isso é uma coisa importante na qualidade de vida de todos. O Primeiro Ministro é uma pessoa como qualquer outra, e para “funcionar” direito, precisa desligar de tempos em tempos. Ele e o Prefeito de Londres voltaram para Londres na terça-feira do tumulto. Todos os outros Membros do Parlamento (equivalente a deputados e senadores) foram convocados para uma audiência na quinta-feira depois do tumulto. Críticas são maiores pelo fato do Prefeito ter demorado mais para chegar, e quando todos estavam se unindo para limpar e resconstruir a cidade, eles não se uniram à população afetada.

O Primeiro Ministro não fez muita coisa na verdade voltando das férias. A polícia aqui é um órgão independente que tem liberdade de decidir ações conforme acharem necessário. David Cameron ter voltado foi literalmente, mais para inglês ver.

5) As pessoas que causaram o tumulto são pessoas simplesmente desocupadas, se aproveitando da falta de policiamento, ou crianças que os pais não tomam conta, querendo roubar coisas?
Aí está uma questão que cutuca a ferida de muita gente. Meu problema com essa questão é a palavra simplesmente. O que transpareceu durante esses acontecimentos é que nada é tão simples assim. E teve muito adulto na bagunça (até um brasileiro), e pessoas que queriam roubar comida, água e bebida acoólica.

5) Qual é a solução para isso não aconteça mais?
Não existe só uma solução. São várias. Que custam dinheiro, esforço, tempo. Sem entrar na questão histórica de partidos políticos, aqui está a minha lista de soluções, baseadanos ideais de Leleilândia:

  • Para os governantes:
    • Reforma do sistema de benefícios: Fazer com que o benefício seja merecido e não simplesmente oferecido. E benefícios merecidos seriam então melhores. As casas dadas pelo governo pra quem não pode pagar aluguel, seriam de melhor qualidade,ofereceriam condições mais humanas, e o serviço social apoiando o crescimento dos cidadões que necessitam dessa ajuda.

    • Reforma do sistema de ensino: Criar mais colégios de ensino técnico e aprendizes.
      Dar mais atenção para escolas que servem essas áreas:A maioria do pessoal envolvido (que claro teve suas exceções) vêm de sistemas educacionais precários. Saem da escola com o mínimo de alfabetizado (quando alfabetizados) e por isso também não conseguem se integrar à sociedade e procurar/conseguir emprego. O futuro para quem sai da escola nessas condições é escuro e sem muitas esperanças, o que traz frustração, raiva, inconformismo. Faça as contas.
      Criar e manter os centros jovens/infantis:Existem muitas histórias de centros juvenis e infantis de sucesso que ajudam aos menos privilegiados (e provilegiados também, pra quem quiser) com atividades pós-escola. É excelente para aqueles que não podem pagar para terem atividades extra-curriculares e precisam passar o tempo fazendo algo e se sentindo úteis.

    • Treinar a polícia: Não só para lidar melhor com tumultos, mas para evitá-los em primeiro lugar. Aprender as lições desses dias e rever as ações necessárias. Treiná-las para trabalharem com a comunidade problemática e não contra ela. Treinar oficiais que usam armas para saberem como lidar com o pânico e instintos de sobrevivência de mandeira melhor.

    • Reforma do sistema social: Oferecer condições melhores para trabalhadores do serviço social. Para identificarem e trabalharem com pais que não têm condições (morais, físicas e/ou ecônomicas) de criarem seus filhos. Cortar o mal pela raiz, identificando isso cedo na vida das famílias, seria mais fácil de direcionar crianças para um caminho mais correto, e evitar adolescentes e adultos que trariam problemas para a sociedade no futuro.

    • Impulsionar a criação de empregos: O corte de empregos, públicos ou não, é um grande fator nisso tudo, lembram de Gonzaguinha? “Um homem se humilha/ Se castram seu sonho/ Seu sonho é sua vida/ E vida é trabalho…/ E sem o seu trabalho
      O homem não tem honra/ E sem a sua honra/ Se morre, se mata…
      “. Na minha opinão a criação de empregos vem da criação de indústrias, de empregos públicos (feito de maneira enxuta e eficiente) de mais felixibilidade dos sindicados, de mais educação no país. De facilidade para pequenas empresas lidarem com os bancos.

    • Regularizar a propaganda e ânsia de ter que vender vender vender: Como eu falei, a maioria saiu roubando o que eles viam e queriam mas não têm condições (ou esperança de ter condições) de comprar. Pessoas “de bem” se aproveitaram e roubaram também. Pessoas com estudos e empregos, e sabiam o certo do errado. O que elas têm em comum com os muitos vieram de locais mais vulneráveis é querer e não poder comprar. É necessário colocar um freio nessa cultura onde ter é melhor como ser, como disse sabiamente, a Lolla.

  • Para nós, o povo:
    Esse é um ponto que dificilmente se vê por aí. Normalmente todo mundo é rapidinho em atacar a pedra, sem olhar para o próprio umbigo. Mas a sociedade e o povo tem culpa – e muita – no cartório. Então, o que podemos fazer para mudar o que está ao nosso redor e não deixar somente na mão do governo?

    • Não perpetuar a raiva direcionada aos que têm uma realidade diferente da nossa: Xingar, apelidar, falar (ou escrever) com tom de voz racista ou preconceituosa sobre os jovens, crianças e adultos envolvidos ou não nos tumultos, somente piora a situação que também é formada pelo fato de se sentirem excluídos do grupo de pessoas aunto-entituladas “boas”. Mais um fator para se juntarem aos grupos que entitulamos “maus” – alguém falou no programa de debate na televisão, com muita razão, quando não há proteção boa, proteção ruim toma conta. E assim gangs se formam que por sua vez acham o espaço para crescerem. E o ciclo assim vai continuando.

    • Pesquisar mais sobre política e exercer nosso papel cívico: Saber o que cada partido fez, faz e quer fazer é essencial para exercermos nossos direitos de cidadãos. Sair pesquisando leva tempo, mas as recompensas são saber que na hora de votar – e tem que votar! – estamos escolhendo o melhor realmente para o que queremos, e não só ouvindo o barulho que a imprensa e jornais fazem durante a eleição e escândalos. Não só ouvindo o que celebridades, seus amigos ou o debate resultou na televisão. A escolha é nossa e temos que ser responsáveis por ela.

    • Pesquisar mais sobre como é que o pessoal mais vulnerável que nós vive?: Saber as condições desse pessoal vai te fazer parar de julgá-los. É tão fácil do alto do nosso pedestal onde tivemos uma educação, pais moralmente corretos que nos ensinaram o certo do errado e nos suportaram nas horas de dor e de alegria, de amigos que nos aceitam, do quentinho da nossa casa, da segurança da polícia que nos protege ao invés de nos atacar, do emprego que paga as nossas contas e o que queremos comprar. %-( Tire seus dedos dos ouvidos,  e use seu tempo para antes de atacar pedras, pesquisar o que está causando o problema, e como você pode ajudar.

    • Perpetue idéias e ações que proporcionem o que você quer no mundo: Se você já tem uma idéia do que é certo e errado na sua concepção, perpetue-as. Aponte os seus amigos que não conseguem (ou não querem ver) ainda na direção correta. Pode haver uma discussão básica, assim como a que houve com a Cris no Twitter, a Lolla e a minha ex-chefe no Facebook, só tenha certeza de manter civilizado, colocando seus pontos através de fatos, mas não batendo de frente e deixando o emocional tomar conta. Nos três casos, chegamos em um acordo, aprendemos umas com as outras. Em um caso de uma menina que conheci uma vez em um casamento e se tornou amiga no Facebook, consegui fazer ela retirar o post dizendo que era “fácil os jovens conseguirem emprego, que só precisavam colocar um terno e aprender a falar sem gíria.” E nem precisei pedir para tirar, só com jeitinho disse que não era tão simples assim…

6) E por último, porque isso não muda?

    Em resumo é mais ou menos como um cartunista colocou no The Independent (nosso jornal favorito aqui):
    Os sintomas, as causas, a solução

Tem muito que envolve richas políticas, a impossibilidade de governos trabalhem juntos pelo bem da nação. Muito da sociedade que começa errado e é difícil de mudar assim rápido. São atitudes, culturas, crenças. Que são parte da personalidade dos indivíduos. Muito vem de novo do que o Mauro me falou, de que a raça humana é simplesmente muito grande para instigar o carinho e a preocupação pelo próximo em uma escala em que todos se ajudariam, na verdade.
Pode ser que esta lista mude conforme eu fôr lendo mais (ainda tenho muito mais artigos para ler!) e mais informações sobre o que aconteceu forem surgindo. Afinal, vocês sabem, sou a mestra em mudar e adaptar minhas opiniões.

Ia publicar a lista de artigos que li, mas seria enorme e não sei se vocês estariam interessados. Quem quiser pode me pedir e pode ser que eu publique aqui ou mande por e-mail.

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Blogagem Coletiva – Estudar Vale a pena! #estudarvaleapena

A querida Graziela essa semana me chamou para participar da blogagem coletiva divulgado pela Samantha, parte da campanha do Unibanco.

E claro que topei participar, tem como recusar uma causa dessas, tão importante? Ainda mais um assunto tão importante nos dias de hoje aonde educação é sempre apontado como um dos milhares de motivos porque comportamentos têm sido tão violentos.

Isso me pegou pensando porque estudar valeu a pena pra mim?

Acho que sempre tive medo do que aconteceria comigo se não estudasse. Sempre me afundei nos livros, sempre me interessei pelas aulas, sempre fiz questão de decidir o meu destino. Sempre ouvi muito aos meus pais, aos seus conselhos, e seguindo seus exemplos (meus pais fizeram faculdade enquanto a gente crescia) admirava a vida que construíram para eles baseados em seus estudos.

Vamos voltar na máquina do tempo, e ver o que aconteceu lá, 32 anos atrás :-?

Com 4 meses de idade, já ia pro berçário. Minha mãe teve que voltar a trabalhar depois da licença maternidade e sei que ela sofreu a separação da bebê (ela conta que ligava pra escolinha querendo ouvir se eu estava chorando, e me ouvia cantando no fundo :)) ). Até os 6 anos de idade, ia pra escola para brincar com outras crianças, mas aprendi o básico e comecei a ser alfabetizada. Sabe do que me lembro? De “pernoites”, das brincadeiras, das professoas que brincavam ensinando (ou ensinavam brincando?).

Dos 7 aos 12 anos, estudei na mesma escola. Amava todas as aulas, as lições de casa, as festas comemorativas, as feiras de ciência, as “olimpíadas”. Ganhei prêmios de redação, xadrez, dama, handebol. Estudava pesado, e como resultado, apareci mais de uma vez no quadro de honra. Fiz parte do time de handebol da escola e ficamos em segundo lugar no campeonado de handebol de São Paulo. Uma vez esqueci de fazer a lição de casa e comecei a chorar, por ser boa estudante, a professora me usou como exemplo que não passaria castigo porque eu sempre fiz tudo tão certinho que merecia ser desculpada daquela vez. Brincava MUITO e as histórias para contar são infinitas.

Dos 13 aos 14 anos fui para escola pública. Apesar das atividades não serem tantas como na escola particular, os professores eram excelentes. Tínhamos aula no laboratório (ainda lembro a primeira vez que vi os gominhos da lanranja no microscópio), festa junina, e os melhores recreios que me lembro. Foi quando comecei a paquerar garotos, e a escola também me ensinou o que estava acontecendo comigo, e que eu estava começando a virar gente grande.

Dos 15 aos 18, comecei o período mais pauleira dos estudos. Graças a ser uma estudante – no sentido completo da palavra – consegui entrar em uma das escolas técnicas públicas mais difíceis de passar no vestibulinho. A antiga Federal. Passei e lá reecontrei uma amiga que estudou comigo da 3a até a 6a série. Quem diria! Por ter sido estudante, a vida já estava facilitando a minha passagem pelo colégial técnico que era mais como uma faculdade. Foram os anos de estudo mais pesados da minha vida. Estudávamos até ficarmos esgotados. Ir para a Escola era rotina que  na maioria começava cedinho e só terminava de noite (e incluía sábados!), senão na classe, estudando na biblioteca, fazendo projetos no laboratório, jogando basquete na quadra, ouvindo walkman no saguão, fazendo coisas básicas que me formaram quem hoje sou. A paquera nessa época ficou mais forte e conheci o que era o amor. Conheci muita gente bacana, que levo pro resto da vida como amigos verdadeiros. Pessoas de bem, que hoje em dia têm sucesso em suas vidas. Experiências e histórias que escreveriam um livro ao invés de um post no blog.

Aos 17 anos, graças a ser estudante, consegui estágio na ainda então Telesp, que depois virou Telefônica. Tive que prestar concurso público e fui chamada na segunda leva de pessoas convocadas. Estudei durante o 3o ano na Telesp (trabalhava de manhã e estudava de tarde), por estar na Federal, fui chamada para ir fazer estágio em uma multinacional durante o último ano, na época ainda AT&T, que depois virou Avaya. Trabalhei no estágio por 2 anos, e por não ter faculdade, não fui efetivada com a Avaya, mas com uma empresa que prestava serviços para eles.

Um amigo que trabalhava comigo na Avaya então me chamou para ir prestar vestibular com ele na UNIP. Fui com compromisso, e passei na primeira chamada. Continuei trabalhando de dia e estudando de noite. No último ano, fui chamada para trabalhar na Siemens, que oferecia treinamento nos Estados Unidos e uma estrutura melhor de vida pessoal.

Por estar terminando a faculdade, consegui um salário melhor. Por ter feito Federal (e o nível das aulas de inglês lá ser excelente apesar de ter sido somente dois anos) fiz treinamento nos Estados Unidos e trabalhei na Siemens até decidir vir para Inglaterra.

Chegando aqui, aos 23 anos, fui estudar de novo! Fiz 6 meses de aulas de inglês até conseguir meu emprego. Porque eu tinha um histórico profissional tão bom, fui chamada para trabalhar na Siemens daqui (sem relação com o emprego do Brasil hein?). Nas entrevistas, era difícil convencer as empresas que trabalhei e estudei ao mesmo tempo, tinha que provar, mas era admirada pelo esforço e pela conquista.

Ainda pensando que precisava mais, fui fazer Pós. Dois anos pesados de novo, aprendendo, pesquisando, fazendo projeto de tese.

Depois da pós, decidi ir aprender outras coisas, como vocês sabem, hoje faço aulas de canto e teclado. Quero aprender muito mais.

Acho que por tudo isso, e por todas as coisas boas que posso listar que aconteceram na minha vida devido ao fato que eu estudei, não tem como negar os benefícios do porque vale MUITO a pena estudar. Ir para a escola é muito mais do que só aprender a decorar matérias que podem ser chatas. É aprender como lidar com a vida, com o mundo ao redor, como pensar por você mesmo, como aproveitar os momentos de brincadeira, de alegrias.

Nem que seja para termos a escolha de não fazer nada com o que estudamos. O problema é querer fazer algo que requer estudos e ter a opotunidade negada. De ter que rechear o tempo que você estaria aprendendo alguma coisa com algo que te traria tantas coisas boas quanto a de ir para a escola.

Claro, existem vários problemas com o sistema de educação no mundo. Não estou negando isso. Mas esse post foi para listar o porque vale a pena ir para a escola. Mesmo com seus problemas, pra mim ainda ganha de abandonar um futuro que nunca saberia como seria se não fôssem por aqueles momentos maravilhosos de minha infância, adolescência e vida adulta.

E olha, o ponto a ser feito é tão importante que estou até quebrando a regra de não publicar fotos comigo por aqui. Essa foto foi tirada em 1998, depois de um dia de estágio, fazendo projeto no laboratório na Federal. Tão novinha e tão magrinha aos 17 anos, mas só por causa dela, é que a mulherão Lelei aos 32 existe hoje :>

Tá vendo como Escola não é chata? Taí a prova! :)

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Um final de semana que não dá para ignorar

Não tem como. Tentei ignorar o fato no blog – como muitos companheiros de blog fizeram – mas minha cabeça e suas caraminholas ganham a luta. E esse “blog é sobre  nada” (roubando a terminologia de Helô e Marina) mas ao mesmo tempo é sobre tudo que se passa nessa mente criada por pais de direita, irmã e namorado de esquerda, e que tenta justificar as coisas difíceis de entender para quem teve um passado fácil de viver. Esse blog é uma das válvulas de escape para eu não acabar “fundindo a cuca” como diziam meus pais quando eu queria ficar estudando por muito tempo (sim, sou CDF e daí :P ) então dedos à obra e ao desabafo!

Preciso dizer que o tempo me ensinou muita coisa sobre a imprensa. As lições são muitas, mas a mais importante e relevante nos casos de tragédias, é esperar. Esperar até que as especulações se acalmem, a poeira do choque se abaixe, e as notícias comecem a fazer mais sentido.

Com o tempo, tudo faz mais sentido, se você conseguir manter a frieza de se distanciar das emoções que o noticiário quer instigar em você – o famoso inconsciente coletivo – para te prender aos números do IBOPE, às vendas de jornais e aos acessos de seus websites. No começo tudo é sensacional. No mau sentido, mas mesmo assim, sensacional. Pessoas são transformadas em monstros. Empresas são transformadas em instrumentos diabólicos que só servem para destruir a vida de todos. Partidos políticos são transformados em mecanismos de pura corrupção. Com o tempo você começa a ver que não é bem por aí. Ninguém nem nada se transforma em algo puramente ruim e negativo da noite para o dia.

Existem quatro assuntos que quero discutir no blog. News International e suas traquinagens, o ataque de Oslo, a fome na África e a morte de Amy Winehouse. Para não ficar muito cansativo (tanto para leitura quanto para escrever) vou fazer um de cada vez. O primeiro é sobre o ataque em Oslo.

Na sexta, quando as notícias estavam quentes, Regina26 (que aliás me surpreendeu por ter sido a única que comentou o que aconteceu) escreveu no Twitter

“Acabei de ver na Tv as imagens do atentado em Oslo. Será que algum dia isso vai parar? Por que matar, ao invés de sentar e conversar?”

Respondi que era um assunto complexo, mas que concordava que deveria sim ser tão simples quanto sentar e conversar. Minha concordância foi relativa ao fato de que eu sei que o mundo não é feito para tanta ingenuidade, mas ainda assim espelharia minha utopia, sobre a qual falei aqui. Mas como falei naquela época, Utopia é algo que sabemos que não é atingível.  Na época, adorei a explicação de Mauro, comentando no mesmo post:

“- Infelizmente, não acho que isso vá acontecer porque a humanidade no final das contas é um bando de gente egoísta e que não está nem aí para com quem está fora da sua “turminha”. A gente evolui como animais sociais, mas isso normalmente implica viver em grupos pequenos. A gente se importa com a família e os amigos próximos, mas normalmente está pouco se lixando com quem está em outros países ou mora na cidade ao lado, afinal eles são só “estatísticas” ou mais ou menos “conceituais” para a gente. Tipo, se eu mal consigo imaginar alguém que mora no Kazaquistão, como é que vou sentir simpatia real por essa pessoa, comparada com, por exemplo, meu vizinho?”

Depois que Mauro acendeu a lampadinha na minha cabeça, o mundo e suas coisas com as quais não concordo passaram a fazer muito mais sentido. Desde idéias e discussões de amigos, da família, dos vizinhos, até – o que sob o nosso ponto de vista são – atrocidades que acontecem pelo mundo. E para passar a entender mais ainda essas atrocidades, basta se colocar do outro lado da moeda, a ver as coisas de um outro ângulo. Todos os “loucos” têm o seu pouquinho de sanidade também, as suas justificativas exageradas para ações que não são consideradas normais por nós, considerados normais.

Nesse caso específico, após ler alguns poucos artigos sobre o assunto e ouvir as notícias curtas dadas no rádio que toca na maioria música, percebi a similaridade com o caso da Escola do Rio. O mesmo caso que me fez desabafar sobre a Imprensa.

A similaridade é um indivíduo que em um surto entre realidade e fantasia, misturou seus pontos extremos com uma doença mental e acabou afetando pessoas inocentes em sua busca de uma vida melhor. Sim! Porque ele jura de pés juntos que fez o que necessário para uma Europa melhor, livre da invasão islâmica e imigrantes ilegais. Já ouviu essa história antes? Um certo senhor chamado Adolf Hitler, querendo limpar a Europa dos judeus e não-caucasianos? Pois então. É primeiro necessário entender que na cabeça dele, seus ideais são corretos.

Meu ponto aqui se dividem em dois:

– Influência da mídia de que você deve lutar pelos seus sonhos e pelo mundo que deseja

Três dos meus filmos favoritos são Matrix, V de Vendetta e Mais Estranho que Ficção. Ambos lidam com a idéia de que você deve sair da cadeira, e fazer algo pelo mundo que deseja ver. Se fôr criar uma revolução, e eliminar quem não concorde com os seus ideais, que assim seja.

Também adoro os ideais de Rage Against the Machine, com suas músicas revolucionárias que cantam coisas como:

So called facts are fraud – Os “fatos” são fraudes
They want us to allege and pledge – Eles querem que nos aleguemos e assim prometamos
And bow down to their God – E nos curvarmos diante de seu Deus
Lost the culture, the culture lost – Perder a cultura, a cultura perdida
Spun our minds and through time – Virou nossas cabeças e durante o tempo
Ignorance has taken over – Ignorância tomou seu lugar
Yo, we gotta take the power back! – Temos que tomar o poder de volta!
Bam! Here’s the plan – Bam! Aqui está o plano
Motherfuck Uncle Sam – Estados Unidos FDP
Step back, I know who I am – Dê um passo para trás, eu sei quem eu sou
Raise up your ear, I’ll drop the style and clear – Abra seus ovidos, Vou pingar algum estilo e limpidamente
It’s the beats and the lyrics they fear – É a batida e a letra da música que os amedronta
The rage is relentless – A fúria é implacável
We need a movement with a quickness – Precisamos de um movimento rápido
You are the witness of change – Somos as testemunhas da mudança
And to counteract – e para contra atacar
We gotta take the power back – Temos que tomar o poder de volta

Gosto também de Muse, Green Day, Legião Urbana, Paralamas, Titãs, Caetano, Gil e Tropicália. Claro, da época que falavam mais de governos do que de corações partidos.

Então não seria o certo começar uma revolução agora mesmo? Me juntar aos que pensam como eu e tomar o mundo de pessoas que não concordam com os meus ideais? Protestar não ajuda em quase nada quase sempre, e mudar o partido no poder só faz outras pessoas que se vêem cegas pelos próprios interesses controlar a maioria.

Então porque vivo essa vida hipócrita, que não me deixa lutar pelo meus sonhos, pelos meus ideais de uma maneira mais agressiva assim como escuto meus ídolos cantarem pra mim, me mostrarem em filmes e escreverem em livros?

Pode ser por pura preguiça, e pela ilusão de achar que uma andorinha não faz verão, mas acho que na verdade é mais pelo fato de que:

– Somente excessões têm a capacidade de matar a sangue frio, não importa qual motivação.

Não é mais do ser humano ter o instinto de ter que eliminar o lhe ameaça. Deixamos essa característica animal, lá trás no tempo dos homens da caverna. Essa necessidade de ter que matar para conquistar o que queremos é o que nos faz viver em sociedade, e termos a capacidade de conversar, de discutir, de tentar chegar um senso comum e mesmo se não chegarmos, de “concordar em discordar”, e seguir a vida em frente.

Claro existem suas excessões. Nossa evolução ainda não se completou. Ainda temos necessidade de comer, beber líquidos. Ainda temos de depilar a perna (aliás, a evolução já deveria ter dado conta do recado né, fala sério /:) ) e temos a necessidade de dormir para suprimirmos a necessidade de descanso. Ainda somos animais, em muitos aspectos.

Mas assim como existem excessões da evolução para essas necessidades, existem excessões para aqueles que por um motivo ou por outro ainda têm essa característica em sua personalidade, em sua mente, em suas ações.

Na minha santa ignorância, os motivos que causariam tantas tragédias seriam:

1) Uma infância ou vida adulta conturbada

2) Doença mental (como esquizofrenia ou paranóia, por exemplo)

3) Necessidade (de sobrevivência, a questão de vida ou morte, auto-defesa, ou auto-subsistência)

Qualquer um dos três acaba explicando os casos isolados de violência contra outra(s) pessoa(s). O que explicou casos de matança no cinema em São Paulo, o caso da escola no Rio, atiradores nos Estados Unidos e provavelmente o que vai explicar o caso de Oslo é o ponto da doença mental.

O que explicaria casos do Nazismo, seria a combinação da mente doentia de Hitler, que encontrou em seus seguidores o motivo da sobrevivência. Os alemães tendo vindo da perda da 1a Guerra Mundial e se vendo ameaçados pelos judeus, seguiram Hitler em seus ideais, cegamente (mais ainda assim com suas exceções humanas, com pessoas que ofereceram abrigo a judeus e salvaram muitas vidas!).

Agora, a guerra motivada por Islamismo x Ocidente é um pouco diferente. Aí temos uma mistureba de motivos, e a sede do Ocidente de manter as guerras acontecendo por uma outra tendência que vem com o Homo Sapiens. A ganância e ambição. Os Estados Unidos e o Reino Unido ainda precisam do dinheiro que a guerra gera. A venda de armamentos ainda é um comércio muito grande para abrirem mão. O que é triste, mas na realidade o porque a Guerra não acaba nunca. E acaba gerando mais motivos de criação de terroristas que nascem em crescem em território de guerra e acreditando que devem ter uma vingança e retribuição, criando assim um círculo vicioso.

Existe uma saída?

Sim, imprensa PRECISA largar essa coisa que denominar pessoas de demoníacas, como isso explicasse o ocorrido e como se as escolhas fôssem delas de cometer esses atos horrendos. É preciso começar a aceitar doenças mentais como algo grave da condição humana. Oferecer triagem, tratamento e inclusão na sociedade.

Um ponto positivo é que parece que aprendemos sim com o Nazismo. Hoje já não é aceito como normal e não acredito que cresceria aos níveis que vimos no passado.

Ainda é necessário endereçar o problema da inclusão de imigrantes na Europa (escrevi que já era um problema em 2010, no blog da Denise), que é o que fundalmente tem ameaçado os nacionais e feito com que sintam medo do diferente e achem que mulçumanos  e estrangeiros representam o mal e deve ser eliminado – a famosa direita fanática, que claro é a minoria, ainda que ameaçadora. E a culpa de quem é?

Bom temos governos que fazem uma bagunça de todo o processo de imigração, e de novo – olha só a surpresa – imprensa de baixo calão com manchetes sensacionalistas e exagero para negativizar estrangeiros, são a fórmula para desastre acontecendo no momento.

É preciso achar outras saídas ao invés de depender no dinheiro da Guerra para conseguir fazer seu país sair da pendura!

A única saída pessoal que achei por enquanto é seguir as palavras de Ghandi, que são as que mais me fazem sentido. “Seja a mudança que quer no mundo” . Tenho outros planos, mas enquanto meu traseiro não sai do sofá para agir, seriam somente conjecturas.

Por enquanto tento fazer a minha parte no que eu acho que é bom. Não fazendo o que eu acho que é errado. Eu acho que é errado confrontar outras pessoas de maneira agressiva e fanfarrônica (confesso que ainda estou mudando essa tendência, assunto pra outro post talvez?).  Se um dia tiver filhos, ensinarei a eles meu ponto de vista e tentarei dar um lar estável e seguindo meus ideais. Quando tenho a oportunidade, espalho meus ideais por aí, pra quem quiser se juntar. Mas principalmente mudo meus ideais a todo tempo, quando acho que outros fazem mais sentido. Sou maleável, porque acho que todos deveriam ser maleáveis. É uma jornada conflitante e cheia de ficar em cima do muro por um tempo (às vezes por um longo tempo) – o que é mal visto nos dias de hoje,  como se fôsse um defeito, infelizmente.

Mas é a mudança que eu gostaria de ver no mundo, um mundo mais tolerante, e com mais paciência.

Deixo o vídeo abaixo, para ilustrar a idéia, sem nenhuma palavra sequer necessária.

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Prioridade e sanidade

Minha única decisão do post-it de Janeiro foi “tentar sofrer menos, me machucar menos, e assim enfrentar a vida de frente.”

Depois que voltei do Brasil  percebi que a Internet estava sendo uma das grandes causadoras de eu me machucar. Mas dessa vez peguei a caraminhola de jeito antes que ela pudesse crescer demais e dar cria. Ok, entendi a brincadeira do Twitter e Facebook errado, achei que era um mini bate-papo, que tinha que ler tudo que se passava, e dar meu pitaco em todas as conversas.

Claro que a combinação de alguém que não entende regras do jogo e  que não tem thick-skin*, não deu muito certo. Mas me lembrei do post-it e decidi “arrumar um tanque de roupa pra lavar” como diria a minha mãe para resolver essas ‘frescuras de quem tem tempo de procurar pelo em casca de ovo’. Então Twitter agora é só de relance durante o dia, Facebook – menos ainda. Também mudei minha atitude em aumentar a rede social, e agora, para não ser mais ignorada quanto a pedidos de ‘ser amiga’ espero virem até mim, e com a mesma facilidade que adiciono também tiro, se a ‘amizade’ não estiver sendo frutífira (já escrevi sobre isso no meu blog anterior, mas o lembrete – pra eu mesma – é sempre bom).

Meu tempo agora está sendo dividio entre meu trabalho (que está pegando fogo), comunicação com os Amigos (email, telefone, MSN, Skype, mensagem no facebook, sinal de fumaça, torpedo, vale tudo) , cuidar da decoração e jardinagem da cave, sair passear, viajar, VER os amigos por aqui, jogar video-games…

Também comecei minhas aulas de teclado e canto, e tenho que praticar quase toda noite, e tenho que confessar, estou amando. Sair da distração hipnótica da vida virtual, da necessidade de ter a reciprocidade de estranhos realmente se pagou. Agora acho que estou seguindo as regras da brincadeiras como deve ser, sem levar muito a sério, e respondendo quando dá na telha e quando dá tempo.

Prioridades que ainda preciso cuidar, mas estou quase lá, é ler mais os blogs da minha lista e telefonar mais para meus pais e minha irmã, ao invés de ficar só no e-mail – ok, o fuso também não ajuda vai :-w . Mas estou quase lá. A sensação de ter uma vida organizada e fazer tudo o que é prioridade é impagável, e conseguir priorizar o que realmente eu quero fazer (e não o que eu preciso fazer, ou ditado pelo que outros dizem o que deveria ser o que fizesse) é indiscretível.

Talvez isso seja natural para algumas pessoas, porém para pessoas como eu, que têm a tendência de se emergir em distrações é um perigo! Mas achei o caminho, aleluia!

A dificuldade ainda é deixar de responder quem entra em contato comigo. Tenho a impressão de que estaria deixando o povo falando sozinho e vou lá e respondo mesmo. Mas minha naturalidade stalker* de ter que dar minha opinião e me intrometer em tudo que é conversa, e principalmente das que não são parte da minha panelinha (sim porque rede social tem MUITA panelinha), ficou pra trás.

Semana passada, caiu no meu colo o vídeo da Bianca, e ela discutia os motivos escondidos de queremos ajudarmos os outros, e porque nos machucamos quando a ajuda, ou a mãe extendida, ou a palavra oferecida não é recíproca. Em Julho do ano passado postei uma reportagem que caiu no meu colo quando eu passava por uma crise terrível, e guardei para sempre ler quando tivesse recaídas, é ótimo na vida real também e aprendi a dizer muitos nãos depois de ler isso (não lembro de qual revista tirei).

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5 maneiras de ser uma pessoa melhor

Se você seguir esses passos corretamente, eles não só o levarão ao céu – eles também o manterão longe dos médicos!
Imagine um cenário: Você achou uma caixa de pílulas mágicas que garantem:
a) Reforçar seu sistema imunológico
b) Impulsionar sua auto-estima
c) Liberar anagélsicos naturais no seu corpo
d) Reduzir stress
e) Te dar uma carga de adrenalina
Você acharia que acabou de tropeçar no Santo Graal da saúde, certo? Bem, a boa notícia é que você já tem esse remédio. Tudo que você tem a fazer é praticar um gesto bondoso por dia. E aqui está como conseguir o seu “um por dia”

1. Examine minuciosamente seus verdadeiros motivos
Pergunte a você mesmo “Eu ainda faria isso se ninguém soubesse que estou fazendo?” Se você está fazendo algo para fazer você mesmo se sentir ou parecer melhor, você não vai conseguir os mesmos benefícios para a sua saúde, alerta a Psicóloga Dra. Anna Collins.
2. Eleve-se acima de pessoas ingratas (*)
E você acabou de segurar a porta para alguém e eles voaram por ela sem dizer “Obrigado”? Não se irrite ou você vai desfazer o aumento de saúde. “Você não pode controlar as ações de outras pessoas, então é fútil brigar sobre isso” Diz a Dra Collins
3. Domine seus humores
… e não desconte nos outros. “Apesar de sua criação ou estado de espírito serem influências em seu comportamento, ele é fundamentalmente sua escolha” diz Dra Collins. “Se você foi vítima de indelicadezas quando criança, você é suscetível a usar a mesma reação como um mecanismo de defesa, você é capaz de mudar isso”
4. Lembre-se, esses passos são melhores que um cafézinho
Cientistas dizem que pessoas que ativamente procuram ajudar aos outros são mais enegéticas. Então pode-se concluir que a parte da manhã é a chance ideal de oferecer sua cadeira do ônibus, ou enviar uma simples mensagem dizendo “Eu te amo para seus amigos”
5. Reconheça os seus limites. (*)
Existe uma linha fina entre ser bondoso e ser capacho. (aliás foi o que me levou a escrever o post e mudar minhas atitudes) “Se você se sente esgotado, exausto ou put-on*, é hora de se concentrar mais em você mesmo”, aconselha Dr. Roger Kingerlee, “Porque você está fazendo isso pelo outros? Se você tem medo de recusar ou dizer não, isso deveria soar alarm bells*”

Outra notinha da revista é sobre algo que preciso escrever aqui no blog também, sobre os sickie days (que são os dias tirados por motivo de doença, mas muitas vezes abusados) que estão diminuindo no Reino Unido, com pessoal com medo de perder o emprego por causa disso, mas como eu disse, pra pra um próximo post :)

*

Thick-Skin: Traduzindo literalmente, pele-grossa. Descreve a caraterística que algumas pessoas têm de resistir rejeição, ofensas, indiferença e não se afetar psicologicamente.

Stalker: Aquele que persegue, espreita (de maneira exagerada, obcecada)

Put-on: Quando as pessoas abusam da sua boa vontade, quando você é vítima de todo mundo levar vantagem sobre você

Alarm Bells: O sexto sentido, a voz dentro de você que grita que tem alguma coisa errada.


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Mr W. e seus 30 anos…

bday

E tinha brigadeiro? Tinha sim-senhor!

Sábado foi a comemoração do aniversário de 30 anos de Mr. W. O aniversário mesmo foi dia 16, mas como dia 19 ele teve show, e dia 12 foi a viagem de dia dos namorados (que aliás me lembra que tenho que postar sobre isso ainda :"> ) tivemos que adiar um pouco a festa, mas não podia falhar.

Aqui, o aniversário de 30 anos é um pouco mais significativo. É chamado de Big 30s o que eu imagino por ter a ver por ser quando normalmente os ingleses começam a ser considerados adultos. A maioria se dedica exclusivamente aos estudos até os 26, 27 anos, muitos começam a carreira profissional bem próxima dessa idade, e apesar de morarem fora da casa dos pais desde os 22-23 (senão mais cedo), os 30 são o que marcam a maturidade.

Nós ainda estavámos devendo outra tradição, a de fazer o house warming (festa de inauguração) , então resolvemos juntar as duas festas e chamamos os mais chegados para dar um pulinho por aqui.

A preparação começou mês passado, quando demos um gás na arrumação da casa, e finalmente consegui me desfazer da última caixa da mudança. Agora está tudo arrumado e no lugar, e como é bom ter uma vida organizada e quando querer uma coisa saber onde está! Fazia mais de anos que minha vida andava meio fora dos eixos, mas agora é só correr pro abraço.

Na quinta chamei ajuda profissional para limpar a casa que estava meio abandonada. Vieram DUAS, trabalharam 4 horas, e eu trabalhei mais uma para terminar o que faltava. As decorações eu comprei pela internet, assim como os petiscos e os bolos. Comprei massa de pão de queijo e Nescau pro brigadeiro na lojinha brasileira que tem aqui no bairro (sou a maior sortuda, tem 2 lojinhas aqui perto).

food

"Not just any food but M&S food" (Slogan do supermercado onde comprei as comidinhas)

Sexta-feira de noite fomos buscar os bolos e salgadinhos na Marks and Spencers. Como não conseguimos decidir por um bolo só, pegamos dois. Um sponge cake – que é bolo branco com recheio de creme e geléia de framboesa  – e um Capuccino. Os salgadinhos foram ingleses mesmo, Sausage Roll (enroladinho de lingüiça), Mini Scotch Egg (Ovo de Cordona cozido e coberto por massa de salsicha e frito à milanesa), Torta de Carne de Porco, Mini-Lingüiças e Mini-quiches (com 6 recheios diferents, incluindo opção vegetariana). Também na sexta a noite fiz o brigadeiro e o beijinho, e preparei o pão de queijo, que deixei no congelador. E enchemos as bexigas para só pendurar no Sábado.

Pois Sábado chegou, eu tive o sono meio agitado. Era a primeira vez que eu dava festa desse tamanho (os mais chegados acabaram sendo 23 pessoas –  4 cancelaram de última hora) , era a primeira vez que os amigos de Mr. W viriam conhecer a casa e eu confesso que estava uma pilha de nervos. As festas desse pessoal são normalmente super animadas, confesso que por culpa do álcool muitas vezes, e como nós não somos muito de beber, eu estava achando que eles iriam acabar achando a festa muito paradona, chata e iriam embora cedo.

Mas não tinha o que fazer, respirei fundo e planejei dar o meu melhor, e tentar ser uma boa anfitriã. Começamos o dia às 11 horas, enrolei os beijinhos, coloquei as decorações, Mr.W colocou o porta-casacos perto da porta (porta-casacos aqui é obrigatório!) e eu coloquei a sapateira (aqui eles costumam tirar o sapato pra entrarem em casa, por mais que a gente insista que não precisa). Demos a última ajeitada na faxina da casa, e fui me arrumar ficar bonitona e cheirosona pros convidados.

Mrs and Mr C com Baby Laura chegaram lá pelas 4 horas. Servi os petiscos, amendoins e batata frita (tipo Chips) E esperamos até 5:30 pra começarmos a colocar os salgadinhos no forno. Pronto, a partir daí o pessoal começou a chegar e minhas idas à cozinha e pro forno foram contantes. Duas rodadas de salgadinhos, de pão de queijo, e de pizza. Acho que fome o povo não passou, mas também sobrar muito não sobrou. Cortamos o bolo às 10:45!! Tinha gente chegando até as 10 da noite, e o último casal foi embora à meia-noite e meia. A TV (meio que contra a minha vontade) ficou ligada o tempo todo, assistimos o jogo de Rugby, um programa de questões (quiz show), vídeos da MTV e o DVD de Carnaval de 2007 (emprestado de Mrs MC :) ). O Carnaval o pessoal adorou, fizeram bastante perguntas, e todo mundo disse que gostaria de ir um dia, por parecer maravilhoso…

Mas mais maravilhoso foi o pão de queijo. Eu fiz só dois pacotes, o que deu um média 2 pães de queijo pequenos pra cada. E rasparam tudo em minutos. Gostaram do guaraná também, mas esqueci de servir a segunda garrafa, aliás, esqueci de servir as outras batatinhas que tinha, chocolates e after-eights. Também esqueci de oferecer café e chá. X_X

Mas acho que o saldo geral da festa foi positivo. Apesar da TV ligada, todo mundo conversou de boa, não teve briga e ninguém com cara de cansado ou entediado. Foi uma festa mais quieta que as outras, mas teve menos álcool, e muita gente trabalhou antes de vir e/ou iriam trabalhar no Domingo (normalmente eles dormem na festa). Os meninos foram para a cozinha no meio da festa (o que acontece em todas as festas, por algum motivo) e deram boas risadas. Consegui conversar com todos os convidados, mas gostaria de ter coversado mais, com tanta gente assim, sempre acabava sendo interrompida pra conversar com outras pessoas.

Perdi a virgindade de ser anfitriã, e acho que sou capaz de pegar gosto pela coisa e fazer mais festinhas por aqui. Principalmente no verão quando teremos o quintal para mais espaço pro pessoal poder se espalhar ao invés de sentarmos todos em volta da TV :P

Aprendi umas lições que não posso esquecer para a próxima vez:

– Fazer as comidas e deixar prontas e servidas antes do pessoal chegar. Ou no máximo dividir em duas rodadas, no caso de ter turminha chegando mais tarde. Isso vai evitar ter que ficar indo para a cozinha ao invés de dar atenção para os convidados. E também proporcionar mais fotos das comidas, dessa vez saía tão rápido da forma que nem dava tempo #:-S

– Mudar o layout da sala, para fazer de um jeito que ninguém fique de costas para ninguém e fique todo mundo apontado para a TV. O pessoal gostou desse jeito, mas eu senti que a festa demorou para “engatar”.

– Colocar umas cadeiras ou bancos na cozinha, se o pessoal vai pra lá mesmo, não tem porque não deixar uns lugares para sentarem.

– Fazer mais pães de queijo!

– Perder mais a timidez e falar mais com os convidados. Para evitar o branco na hora do nervoso e timidez, tentar lembrar o que conversei da última vez que os vi, e fazer uma listinha mental no dia anterior, para puxar assunto.

– Tirar mais fotos !! Fiquei com vergonha e meio sem tempo para fotos e estou me arrependendo amargamente por causa disso agora, da próxima vez vou tirar foto e num-quero-nem-saber!

– Foi ótimo ter seguido conselho de Mr. W, e utilizar somente pratos, garfos, copos e taças descartáveis. Hoje não demorou 10 minutos pra limparmos e arrumarmos a bagunça :-bd

Acho que o resto fizemos tudo direitinho. Três pessoas mandaram torpedo para agradecer da festa dizendo que foi ótima, então essa é todo elogio que eu preciso para me empolgar   \:D/

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Adeus ano velho…

Se tem uma coisa que eu sinto falta aqui no Reino Unido, é de restrospectivas do ano na TV. No máximo tem um gameshow aqui que dá pro gasto pra revisar o que se passou. Mas ainda posso escrever minha própria retrô, e me incluir no prache e clichês de blogs :)

Dois mil e dez foi um ano, principalmente, de fechamentos. Depois de quase 3 anos de um período meio montanha-russa, pendências da vida pessoal, incluindo cidadania e passaporte foram resolvidas esse ano. Fecha a conta e passa a régua. Pendências de cartório terminam hoje (GRANDE OBRIGADO vai para minha mãe e meu pai :x ). A venda do apartamento sendo fechada na próxima terça-feira, colocará o ponto final naquele capítulo da minha vida. Momentos muitos felizes ficaram marcados e guardados, agradecendo pela oportunidade de tê-los vivido e com certeza não estaria onde estou hoje se não fôsse por eles. Momentos amargos guardados no mesmo local onde aprendizados da escola são guardados. Nunca esquecidos, pois sem eles, o crescimento e amadurecimento, nunca seriam possíveis. Dar murro em ponta de faca nunca mais. Já dizia Einsten que ser louco é insistir no mesmo comportamento esperando um resultado diferente. Aprendi, guradei, e bola pra frente.

O capítulo que comecei em paralelo ficou mais forte e definido. Mudança oficial pro mesmo teto que Mr.W , só se provou a coisa certa a fazer. Vida ficou mais confiante, tranqüila e feliz. Chegaram quatro novas vidas no planeta. Baby M tá pra chegar a qualquer momento. Laurinha, Vicky, André e Gabriel. Ben,Isabela, Nicolas, Levi e Gigi continuam crescendo fofos e fortes. Mas continuo feliz sendo a tia babona por enquanto :D

Viagens foram poucas, mas excelentes. Finalmente teve Brasil, depois que o aperto no coração não agüentava mais. Teve Veneza, sonho realizado, melhor do que sonhado. Teve Gales, comemoração de 2 anos que cruzamos olhares pela primeira vez. Teve Cardiff, em noite de eleição, com emoção.

Conheci mais pessoas, sempre gostoso, contatos com outras esfriaram, sempre um pouco triste.

Mas estou pronta novamente, dois pés no chão novamente e cabeça nas nuvens novamente.

Que venha 2011, para o qual tenho planos, claro. Mas a pressão com planos ficou no aprendizado de tudo que passei. A vida é para ser vivida e não planejada. Assim que os planos forem se concretizando, vocês vão ficar sabendo.

Mas fica uma idéia, um post-it para 2011. Para tentar sofrer menos, me machucar menos, e assim enfrentar a vida de frente. Seja lá o que fôr ela atire no meu nariz.

E que seu 2011 seja cheio de força para os momentos de amargura, e que eles sejam poucos. O que mais podemos pedir não é mesmo?

Epitáfio (2001)

Sérgio Britto

Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos

Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Não conhece a música, olha o vídeo aí embaixo

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Do povo para o povo – II

Com o tempo eu criei uma superstição (ou seria costume?) que quando algo evita eu falar ou escrever alguma coisa que eu queria, é porque no final das coisas a melhor coisa seria enterrar o assunto.

E ba-ta-ta, a segunda parte do post acabou se perdendo na perda de energia do micro e na falha técnica que deu no WordPress quando tentei escrever tudo de uma vez.

Então ao invés de ficar irritada com o fato que perdi o trabalhão de escrever tudo, vou continuar de onde parei de cabeça fresca e mudando o teor e a intensidade do texto.

Só pra lembrar onde parei no último post:

E já que a realidade seria muito zumbi se fôsse apática (o que eu também abomino. Apatia é uma coisa, ficar em cima do muro é outra e se retirar da briga é outra) vamos para a realidade que se confunde com a internet nos tempos de hoje.

A briga foi quente, como sempre, mas tenho que dizer que foram poucos dos meus amigos que realmente foram extermos vendo somente um lado da moeda, em uma tentativa de fazer os amigos que não concordavam com suas opções de votos a mudarem de idéia.

Não concordo com o discurso que política, religião e futebol não se discute. Tem que discutir sim! Sem discussão o mundo estaria stagnado. Prefiro que o mundo ande, pra frente ou pra trás, mas que haja movimento. Senão, qual é a razão de tudo isso? Melhor sentar e esperar a morte da bezerra.

Eu gosto quando tem discussões acirradas, e eu mesma já mudei de idéia e abri a mente pra várias coisas que não via antes através das redes sociais. Em quesito de crenças religiosas (ou a abdicação delas), políticas, sociais, enfim, a cada opinião dos outros eu acabo meio que ponderando, e guardando o que acho legal guardar e cuspindo o que não concordo. Às vezes meto o bedelho expondo o meu ponto-de-vista, mas na maioria das vezes não faz muita diferença, a pessoa ignora e segue o rumo.

O que me impressionou (mas não surpreendeu) nas eleições foi a quantidade de gente que perdeu mesmo as estribeiras, dando xiliques, bloqueando amigos, baixando o nível de como se referir a quem tinha uma opinião diferente da deles. Não cortei relação com ninguém e não acho que ninguém tenha cortado comigo e no fim as pessoas, com quem tenho contato, esfriaram os ânimos reconheceram que estavam exagerando, e baixaram a bola.

Eu acho que a diferença comigo é que eu demoro pra subir a bola, principalmente publicamente e na net. Mas fico positiva ao saber que as pessoas têm a capacidade de perceber que o extremismo não leva a nada, não importa a causa. E pra falar a verdade, se a pessoa acabar se provando extremista (no meu ponto de vista, diferente de militante) quem vai cortar os laços sou eu.

Resumindo o que eu achei da briga, vou deixar aqui o que postei no Facebook: e eu penso cá com meus botões. Quem odeia o PSDB e tudo o que ele representa, se não fôsse pelo FHC o Brasil ainda estaria na lama cortando três zeros à direita a cada 6 meses. Quem odeia o PT, senão fôsse pelo Lula os pobres ainda seriam miseráveis. O ideal seria juntar forças no que são bons em fazer pelo bem da nação e não essa guerra de braços pelo poder. Mas talvez seja ingenuidade e uma utopia.

E finalizando, se um dia eu votar nas eleições brasileiras novamente, vou fazer igualzinho quero fazer quando fôr votar nas eleições britânicas. Pesquisar MUITO as propostas de governo. O quanto teve de corrupção durante o governo, o que foi feito, o que foi desfeito, e pesar na balança.

Concordo que é muito complicado fazer isso com uma mídia interesseira e manipuladora, mas sei que é possível.

E só dessa forma terei qualquer direito de reclamar de promessas que não foram cumpridas e não me decepcionar quando o barco entornar pro lado errado, porque daí sim fiz parte da multidão que acabou escolhendo um dos lados, ciente do que esperava pela frente.

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