Contra a homofobia nos Jogos Olímpicos de Inverno

Na verdade, contra qualquer homofobia. Em qualquer lugar, a qualquer hora, qualquer lugar.

Mas como é o assunto da hora, o país  que precisa alcançar o século 21, fica aqui o vídeo, dessa vez com uma mini legenda embaixo. (via @avidaquer no Twitter, e a revista Exame)

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=effb2JYiKXM

 

A música canta: “Você não me quer, baby?”
E as frases escrevem: “Os jogos sempre foram um pouco gays” “Vamos lutar para mantê-los dessa forma”

Ontem mesmo assistimos um documentário da BBC sobre a história dos Jogos Olímpicos e como a Rússia é uma das grandes potências nos jogos, pelas condições geológicas e metereológicas. Começou no socialismo e na questão de ter que provar que  o socialismo produz melhores pessoas.

Para quem não sabe, no ano passado a Rússia  fez ser ilegal ter propaganda ou imagens que use imagens homossexuais.Isso fez com que qualquer demonstração anti-homofobia seja ilegal e pessoas têm sido presas por protestarem. Também existe um problema enorme com pessoas que “se comportam” como homossexuais. A violência contra elas está em níveis altíssimos.

Irônico não?

Esse assunto é pano pra manga, e dá pra discutir muito, mas não quero tirar do foco de que eu não aceito homofobia, e que agora, durante os jogos, é a hora de balançar a bandeira pró-LGBT (Lésbicas, gays, bisexuais e transexuais) para o mundo inteiro ver.

Quem sabe quem ainda não aceita , não sabe, não entende passa pro nosso lado?

Bom final de semana!

PS: Depois de escrever o post, ouvi na rádio que as duas mulheres do T.a.T.u, que fizeram fama nos anos 00, farão parte da abertura dos jogos. Um ponto positivo no meio da homofobia do país, será que elas vão ter demonstração de carinho pra todo mundo (e todo país) ver? Esperamos que sim!

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Mr W. e seus 30 anos…

bday

E tinha brigadeiro? Tinha sim-senhor!

Sábado foi a comemoração do aniversário de 30 anos de Mr. W. O aniversário mesmo foi dia 16, mas como dia 19 ele teve show, e dia 12 foi a viagem de dia dos namorados (que aliás me lembra que tenho que postar sobre isso ainda :"> ) tivemos que adiar um pouco a festa, mas não podia falhar.

Aqui, o aniversário de 30 anos é um pouco mais significativo. É chamado de Big 30s o que eu imagino por ter a ver por ser quando normalmente os ingleses começam a ser considerados adultos. A maioria se dedica exclusivamente aos estudos até os 26, 27 anos, muitos começam a carreira profissional bem próxima dessa idade, e apesar de morarem fora da casa dos pais desde os 22-23 (senão mais cedo), os 30 são o que marcam a maturidade.

Nós ainda estavámos devendo outra tradição, a de fazer o house warming (festa de inauguração) , então resolvemos juntar as duas festas e chamamos os mais chegados para dar um pulinho por aqui.

A preparação começou mês passado, quando demos um gás na arrumação da casa, e finalmente consegui me desfazer da última caixa da mudança. Agora está tudo arrumado e no lugar, e como é bom ter uma vida organizada e quando querer uma coisa saber onde está! Fazia mais de anos que minha vida andava meio fora dos eixos, mas agora é só correr pro abraço.

Na quinta chamei ajuda profissional para limpar a casa que estava meio abandonada. Vieram DUAS, trabalharam 4 horas, e eu trabalhei mais uma para terminar o que faltava. As decorações eu comprei pela internet, assim como os petiscos e os bolos. Comprei massa de pão de queijo e Nescau pro brigadeiro na lojinha brasileira que tem aqui no bairro (sou a maior sortuda, tem 2 lojinhas aqui perto).

food

"Not just any food but M&S food" (Slogan do supermercado onde comprei as comidinhas)

Sexta-feira de noite fomos buscar os bolos e salgadinhos na Marks and Spencers. Como não conseguimos decidir por um bolo só, pegamos dois. Um sponge cake – que é bolo branco com recheio de creme e geléia de framboesa  – e um Capuccino. Os salgadinhos foram ingleses mesmo, Sausage Roll (enroladinho de lingüiça), Mini Scotch Egg (Ovo de Cordona cozido e coberto por massa de salsicha e frito à milanesa), Torta de Carne de Porco, Mini-Lingüiças e Mini-quiches (com 6 recheios diferents, incluindo opção vegetariana). Também na sexta a noite fiz o brigadeiro e o beijinho, e preparei o pão de queijo, que deixei no congelador. E enchemos as bexigas para só pendurar no Sábado.

Pois Sábado chegou, eu tive o sono meio agitado. Era a primeira vez que eu dava festa desse tamanho (os mais chegados acabaram sendo 23 pessoas –  4 cancelaram de última hora) , era a primeira vez que os amigos de Mr. W viriam conhecer a casa e eu confesso que estava uma pilha de nervos. As festas desse pessoal são normalmente super animadas, confesso que por culpa do álcool muitas vezes, e como nós não somos muito de beber, eu estava achando que eles iriam acabar achando a festa muito paradona, chata e iriam embora cedo.

Mas não tinha o que fazer, respirei fundo e planejei dar o meu melhor, e tentar ser uma boa anfitriã. Começamos o dia às 11 horas, enrolei os beijinhos, coloquei as decorações, Mr.W colocou o porta-casacos perto da porta (porta-casacos aqui é obrigatório!) e eu coloquei a sapateira (aqui eles costumam tirar o sapato pra entrarem em casa, por mais que a gente insista que não precisa). Demos a última ajeitada na faxina da casa, e fui me arrumar ficar bonitona e cheirosona pros convidados.

Mrs and Mr C com Baby Laura chegaram lá pelas 4 horas. Servi os petiscos, amendoins e batata frita (tipo Chips) E esperamos até 5:30 pra começarmos a colocar os salgadinhos no forno. Pronto, a partir daí o pessoal começou a chegar e minhas idas à cozinha e pro forno foram contantes. Duas rodadas de salgadinhos, de pão de queijo, e de pizza. Acho que fome o povo não passou, mas também sobrar muito não sobrou. Cortamos o bolo às 10:45!! Tinha gente chegando até as 10 da noite, e o último casal foi embora à meia-noite e meia. A TV (meio que contra a minha vontade) ficou ligada o tempo todo, assistimos o jogo de Rugby, um programa de questões (quiz show), vídeos da MTV e o DVD de Carnaval de 2007 (emprestado de Mrs MC :) ). O Carnaval o pessoal adorou, fizeram bastante perguntas, e todo mundo disse que gostaria de ir um dia, por parecer maravilhoso…

Mas mais maravilhoso foi o pão de queijo. Eu fiz só dois pacotes, o que deu um média 2 pães de queijo pequenos pra cada. E rasparam tudo em minutos. Gostaram do guaraná também, mas esqueci de servir a segunda garrafa, aliás, esqueci de servir as outras batatinhas que tinha, chocolates e after-eights. Também esqueci de oferecer café e chá. X_X

Mas acho que o saldo geral da festa foi positivo. Apesar da TV ligada, todo mundo conversou de boa, não teve briga e ninguém com cara de cansado ou entediado. Foi uma festa mais quieta que as outras, mas teve menos álcool, e muita gente trabalhou antes de vir e/ou iriam trabalhar no Domingo (normalmente eles dormem na festa). Os meninos foram para a cozinha no meio da festa (o que acontece em todas as festas, por algum motivo) e deram boas risadas. Consegui conversar com todos os convidados, mas gostaria de ter coversado mais, com tanta gente assim, sempre acabava sendo interrompida pra conversar com outras pessoas.

Perdi a virgindade de ser anfitriã, e acho que sou capaz de pegar gosto pela coisa e fazer mais festinhas por aqui. Principalmente no verão quando teremos o quintal para mais espaço pro pessoal poder se espalhar ao invés de sentarmos todos em volta da TV :P

Aprendi umas lições que não posso esquecer para a próxima vez:

– Fazer as comidas e deixar prontas e servidas antes do pessoal chegar. Ou no máximo dividir em duas rodadas, no caso de ter turminha chegando mais tarde. Isso vai evitar ter que ficar indo para a cozinha ao invés de dar atenção para os convidados. E também proporcionar mais fotos das comidas, dessa vez saía tão rápido da forma que nem dava tempo #:-S

– Mudar o layout da sala, para fazer de um jeito que ninguém fique de costas para ninguém e fique todo mundo apontado para a TV. O pessoal gostou desse jeito, mas eu senti que a festa demorou para “engatar”.

– Colocar umas cadeiras ou bancos na cozinha, se o pessoal vai pra lá mesmo, não tem porque não deixar uns lugares para sentarem.

– Fazer mais pães de queijo!

– Perder mais a timidez e falar mais com os convidados. Para evitar o branco na hora do nervoso e timidez, tentar lembrar o que conversei da última vez que os vi, e fazer uma listinha mental no dia anterior, para puxar assunto.

– Tirar mais fotos !! Fiquei com vergonha e meio sem tempo para fotos e estou me arrependendo amargamente por causa disso agora, da próxima vez vou tirar foto e num-quero-nem-saber!

– Foi ótimo ter seguido conselho de Mr. W, e utilizar somente pratos, garfos, copos e taças descartáveis. Hoje não demorou 10 minutos pra limparmos e arrumarmos a bagunça :-bd

Acho que o resto fizemos tudo direitinho. Três pessoas mandaram torpedo para agradecer da festa dizendo que foi ótima, então essa é todo elogio que eu preciso para me empolgar   \:D/

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Sexismo no futebol britânico

A história todo mundo ligado no mundo do futebol deve estar sabendo.
Pra quem não sabe, no sábado passado uma bandeirinha mulher foi escalada para um jogo da primeira divisão. Infelizmente

Sean Massey, a bandeirinha

um dos narradores mais tradicionais da Inglaterra, Andy Gray (que inclusive empresta a voz para o jogo de vídeo-game FIFA) acabou sendo flagrado fazendo comentários machistas de que “mulher não sabe das regras de impedimento, e que alguém deveria explicar pra ela antes do jogo começar”. Digo que foi flagrado porque os comentários foram feitos fora do ar, quando os microfones deveriam estar desligados.

A príncipio, Andy Gray e Richard Keys (o comentarista que participou da conversa) pediram desculpa pelo comentário e a história pararia por aí mesmo. Mas ontem veio à tona mais duas revelações de machismo por parte de Andy Gray. Um comentário feito em campo, demonstrando o desgosto por pela decisão de escalarem uma mulher para ser bandeirinha, e uma “brincadeira” com uma repórter em Dezembro passado, em que ele brinca que ela deveria colocar o microfone em seu pênis.
Depois desses incidentes, Andy Gray foi demitido, e agora está em contato com advogados para estudar se há caso de demissão injusta.

Andy Gray e Richard Keys

A questão de machismo no futebol me incomoda faz muito tempo. Sempre me perguntei porque não existem Técnicas de futebol? Porque não existem juízas de futebol? Porque futebol de mulher é tão menos investido, quando o mesmo não acontece com futebol e vôlei?

E quem não se lembra de Ana Paula de Oliveira, bandeirinha em 2003? Na época eu já estava na Inglaterra então não participei muito do bafafá que a decisão trouxe ao esporte no Brasil, mas sei que ela acabou se entregando ao clichê de pousar pra Playboy (perpetruando assim a idéia de que mulher só consegue sucesso se fôr gostosa e deixar explorar sua beleza, e não pelos próprios méritos e competência), se filiar a partido político (insunando que gostosura e competência política pertencem ao mesmo espaço) e até participar da Fazenda ela participou, como celebridade. É triste quando mulheres contribuem para essa cultura, em vez de insisitirem em mostrar o seu valor pelo que fazem. Seria tão melhor se ela tivesse respondido que não pousaria para Playboy, não entraria em partido político e não aceitaria o papel de celebridade porque ela seria somente uma bandeirinha, e competente no que faz. Mas eu acho que a verdade do mundo é como dizem por aqui e Money talks (Dinheiro fala mais alto).

Sean Massey foi ótima bandeirinha, acertou no lance do impedimento que era duvidoso e fez bonito. Fez melhor do que muito bandeirinha homem por aqui.

Mas questões ainda mais profundas foram levantadas com relação a essa história:

– Andy Gray deveria ter sido demitido pelos comentários que fez fora do ar?
O ponto aqui é que as brincandeiras e comentários nunca foram intencionados para irem ao ar. Foram gravadas quando as câmeras e microfones deveriam estar desligados. Andy Grey nunca teve a intenção de deixar transparecer seu machismo e fazer pública sua opinião. Então, se as gravações não tivessem sido vazadas, ninguém nunca saberia de sua verdadeira opinião. Entra na questão, quais são os direitos que uma pessoa tem de fazer comentários em sua vida particular?
Vale lembrar também que Andy Gray é de uma geração anterior à minha, uma época que mulher mal podia entrar no estádio para torcer pelo seu time. Idéias de machismo já impregnadas na mente, personalidade e comportamento. Então eu concordo com a opinião da Sky, quando os dois envolvidos na conversa sobre a bandeirinha levaram um sermão e suspensão para serem mais atentos a comentários quando no local de trabalho.

– Andy Gray deveria ter sido demitido pela brincadeira com a repórter que fez fora do ar?
Sim sim sim. Apesar de ter acontecido em Dezembro (e antes do sermão), eu acredito que a Sky, como empresa, não pode e não deve aceitar esse tipo de comportamento, mesmo fora do ar. Alguns dizem que se a repórter não reclamou, qual a maldade? A maldade está no fato de que mulheres sãonormalmente criadas para aceitar essas brincadeiras como normalidade, ou simplesmente temem serem demitidas por reclamarem. A demissão traz a público uma força a mais para mulheres, de que esse comportamento é errado, não será aceito, e as mulheres tem o direito de serem respeitadas e os homens o dever de respeitá-las. E para isso não se precisa mais sermão nem suspensão hoje em dia.

Resumindo… Acredito que mudança de comportamento não acontece sendo imposta na marra, mas lenta e constatemente. Gerações de machismo (e racismo!) são díficeis de apagar da face da Terra, mas a evolução aconteceu e ainda acontece. Imposições de regras e punições fora de proporção somente aumentam a probabilidade de resistência à mudança. Homens (e mulheres!) precisam ser bombardeados com informações e ações que acabem com o preconceito com relação ao sexismo. Nada deve ser censurado, mas hoje em dia é público e notório (aqui na Inglaterra) piadinhas e comentários sexistas e racistas não serão tolerados e o povo vai mesmo reclamar em peso.
Advertência e punição começando pelo local de trabalho, gerará a consciência de que essa atitude é errada e se espalhará para fora do trabalho, para o pub do happy hour, e finalmente para dentro de casa e uma mudança de consciência.
A reclamação, multas, sermões, suspensões e o boicote a programas que querem perpetuar idéias que não se encaixam nos valores de hoje com certeza contribuem para no futuro gerações crescerem vendo homem e mulheres com suas diferenças, mas competências iguais. E esperançosamente o futuro do mundo será melhor e mais igual, assim como hoje em dia é melhor e mais igual do que foi no passado.

É díficil ter paciência para esperar as mudanças acontecerem quando ela é tão clara pra pessoas que como eu a conseguem ver. Mas se imagine no lado da escuridão e sendo preconceituoso há anos e ter aprendido que esse era o certo? :-? Então vam’bora pra luta que é árdua e deve ser constante!

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