Do povo para o povo – III

Esse é mais um dos posts-desabafo. Debati comigo mesma se deveria escrever ou não, mas tem me rondado, e não posso mais me calar. :-$ Como diria o defunto Rá-tim-bum, senta que lá vem história.  :>

Ou se não gosta de política, já dê a meia-volta e passe para o próximo blog da lista porque hoje é papo daqueles que, confesso, podem ser chatonildos!  :-B

Já escrevi sobre meu descontento com a democracia aqui e acolá, onde mencionei minha personalidade que descrevo como “socialista hipócrita” mas hoje venho escrever sobre o meu contento, o processo de escolha do novo líder do nosso – suposto – partido de esquerda, o “Labour Party” , literalmente o Partido Trabalhista.

Começando do começo, um pouquinho de história, nas eleições que aconteceram em Maio (ao invés de encher o blog com dados melhores explicados em outro lugar, clique aqui para ler como o processo no Reino Unido é diferente do Brasil e EUA – e lembrem-se, votar aqui é opcional), a direita, o “Conservative Party”, apelidado de Tories e literalmente o Partido Conservador, re-ganhou a maioria do Parlamento, depois de 4 anos de uma coalizão com o partido de meia-esquerda, os “Liberal Democrats”, literalmente os Democratas Liberais. Antes deles, o Labour Party governou por 12 anos, 3 mandatos consecutivos, sob o comando de Tony Blair. E antes dele, os Tories governaram por 18 anos, sob Margareth Tatcher por 3 mandatos consecutivos e  1 de John Major.

A eleição de Maio foi uma decepção para os seguidores do Labour Party, por dois motivos. O novo partido do clube, o “UKIP”, “United Kingdom Independance Party”, literalmente o Partido de Independência do Reino Unido, com visões nacionalistas extremistas, que por exemplo advoga o Reino Unido a sair da União Européia, e o “SNP” , “Scottish National Party”, literalmente o Partido Nacional Escocês, ganharam força e votos aonde o decepcionante LibDem – que mentiu ao prometer cortar os empréstimos a estudantes indo para a faculdade e na hora do vamos ver aceitaram aumentar o preço e os juros durante a coalizão – perderam seus votos.

 

LibDem nem dá a largada, Labour não consegue se levantar e Tories ganham por uma margem. Assim foi Maio de 2015!

A grande perda do partido ao SNP e a perda dos votos dos LibDems para a Direita (via votos ao UKIP e Tories) levou o líder que concorreu a Primeiro Ministro, Ed Milliband, a renunciar seu cargo, e a corrida para escolher uma nova ou um novo líder começou. Uma regra da época de Harrold Wilson (o último PM Labour antes de Tony Blair) foi trazida à tona novamente e significa que qualquer pessoa pode votar para o novo líder. Isso mesmo, sem politicagem, sem cabides de emprego, sem favores, sem chantagem, sem interesses. Tudo que você teria que fazer é se registrar como adepto ou afiliado do partido. Para ser adepto, basta pagar a taxa (existem cenários e preços diferentes) ou ser membro de um sindicato ou associação afiliada ao partido e pronto!  =D>

Com isso, a perda de Maio também fez 20 mil pessoas se inscreverem ao partido em um espaço de 3 dias  :O , entre eles, cansado de só reclamar do conforto do sofá, Mr. W!

Eu me segurei um pouco, sou divida entre Labour e o “Green Party”, literalmente o Partido Verde. Nas eleições de Maio acabei votando (aliás, James teve minha procuração para votar por mim, já que estava no Brasil :-D ) Labour para o Parlamento e Green Party para o “Local Council” – o equivalente à prefeitura brasileira. Explicando minha escolha, aqui se vota bastante taticamente, aquela velha mentalidade, que me lembro existia no Brasil antes de Lula, de que se votar nesse ou naquele partido você está tirando as chances de um partido maior e que você não concorda tanto mas em teoria tem a maioria em ganhar e seu voto iria para aqueles que você não quer que ganhe de jeito nenhum, e me deixei levar achando que meu voto faria a diferença para Labour. Não fez. 71% eleitores do condado votaram, e perdemos para os Tories, que mantiveram o lugar no parlamento que têm desde 2001, UKIP ficou em segundo, mas o Green Party ficou em terceiro! Com um aumento de 3.7% dos votos, se tivesse votado com a minha convicção, poderia ter ajudado a essa porcentagem ser um pouco mais alta!   :-q

No mês passado, Mr. W me levou aos “hustings” em Brighton, uma espécie de debate, em que todos candidatos respondem perguntas selecionadas, um de cada vez, e sem direito de discussão ou de réplica. Vimos os 4 candidatos a líder e os 6 candidatos a vice-líder. Saí de lá uma tagarela, voltamos o tempo todo conversando no carro, e eu super animada e apaixonada por Jeremy Corbyn   8->

O sistema de votos nessa eleição do líder do partido é por ordem de preferência. Escolhemos o primeiro, segundo, terceiro e quarto favoritos. O meu voto vai ser assim:

Como Jeremy pode ganhar as eleições para líder: Ele é contra Programa Anti-Nuclear Tridente, Austeridade, Intervenção Militar. Na ordem, Burhnam, Copper e Kendall ainda se pronunciam a favor ou em cima do muro dessas políticas.

  1. Jeremy Corbyn – Claro, meu presidente em Leleilândia :)>- , sim por que em Leleilândia não tem parlamento e não tem Rainha, todo mundo é votado do povo para o povo, um voto vale um voto direto, igual ao Brasil e diferente dos EUA e daqui, pelo menos até acharmos um sistema que funcione melhor! Voltando à lição de história, Jeremy foi o candidato escolhido para concorrer a líder pelos “back benchers” literalmente a turma do fundão, e como são chamados os membros do parlamento que não são e nunca foram ministros. Diz a imprensa que o escolheram como alguém somente para gerar debate, para mostrar que o partido se importa com as visões esquerdistas e socialistas percebidas como esquecidas pelo eleitorado. Jeremy é socialista de carteirinha, humanitário, pacifista e ativista. Por exemplo, no mês passado ele foi o único dos quatro candidatos que votaram contra a lei do “Bem-Estar” – que inclui corte de benefícios a quem tem mais de 2 filhos – os outros 3 candidatos se ausentaram e a lei passou ao próximo estágio que agora é esperada ser lavrada.
  2. Andy Burham – Porque ele promete colocar Jeremy como um de seus ministros (e eu espero que seja da habitação) se ele ganhar a eleição para liderança. E porque muitos de seus preceitos estão também de acordo com a minha opinião mas ainda o acho muito em cima do muro ou fraco em sua postura. Sua mãozinha de política em punho fechado e seu comportamento pessoalmente e com a imprensa não me passam convicção suficiente.
  3. Yvette Cooper – A mulher com maiores chances de ganhar é uma “Blairite”, como se diria no Português claro, uma cria de Blair, e que segue as mesmas políticas. Esquerda mas nem tanto, é como se fôsse um PSDB, ainda a favor da privatização e armamento e a participação do Reino Unido em Guerras. Não gosto dela usar feminismo como muleta em sues discursos. Cada vez que ela fala “É hora de uma mulher de esquerda ser líder” quero colocar o tampão de ouvido %-( . Então eu deveria votar para alguém que eu acho que é menos competente para me representar só porque ela é mulher? Diferente da líder do SNP, Nicola Sturgeon, que admiro e em quem votaria, Yvette se demonstrou com ideais sociais fracos e com os mesmos problemas de Ed Millband.
  4. Liz Kendall – Outra Blairite, mas mais de direita ainda, propõe continuar os cortes governamentais, algumas políticas ambientais que propõe contradizem com minha posição política. Sua maneira de comunicar como se fôssemos criancinhas de 3 anos me dá nos nervos ~x( e não consigo imaginar um governo com alguém como ela no poder.

    Blair ganhou 3 eleições seguidas mas deu um tiro no pé quando se juntou à guerra do Iraque contra a vontade popular, não ajustou o sistemas de benefícios e gastos parlamentares, e mudou a educação para pior. Seria um de seus seguidores a escolha que o partido quer?

Pronto, isso explicado, continue sentada ou sentado porque ainda tenho coisa pra escrever.  :>

Tudo estava indo bem, com uns políticos criticando a popularidade de Jeremy que começou a crescer depois que os sindicatos decidiram o apoiar e recomendar que seus associados votassem nele. Blair disse que aqueles votando em Jeremy com o coração deveriam fazer um transplante de coração. Uma membra do parlamento disse que foi retardada quando indicou Jeremy a ser candidato. O discurso de que Jeremy é inelegível, de que se ele fôr escolhido como líder Labour não vai ganhar uma eleição por 20 anos (hein? :-?? ) se tornou mais forte. As candidatas se tornaram papagaias toda vez que perguntam porque merecem ser líder, falam “Porque não adianta ter ideais, é preciso estar no poder”. Me deixa doente  X_X Preciso explicar porque?

Mr W era do mesmo ponto de vista, e queria votar em Andy como primeira opção. Em uma de nossas longas caminhadas (que invariavelmente termina falando em política) o convenci da história do Brasil, de como mesmo com PMDB e PSDB sendo as duas potências por décadas, mesmo com Globo e suas novelas querendo a direita e meia-direita no poder, a esquerda prevaleceu e ainda prevalece. Não perfeitamente, mas o mais perto que podemos ter até conseguirmos limpar a corrupção de nossos caminhos, daí Leleilândia aí vamos nós!  :-bd

De que como podemos esperar que um governo nos represente se votamos pensando em ganhar e não em nossas convicções? Se todos votam com medo de não ganhar, como acreditar que podemos mudar o mundo? Não assistiu FormiguinhaZ não?  /:)

A conclusão foi de que acho que Jeremy é elegível pelo mesmo motivo de Lula. Ele fala diretamente a todos, àqueles que perderam a esperança em votar por acharem de que não adianta nada. Sua mensagem é parecida com a de Obama, de dias melhores, em que todos podem se beneficiar por um governo mais igualitário. Ele acaba com os medos de que são imigrantes que causam problemas ao país, ele mostra de onde vai tirar o dinheiro para pagar as contas (exemplos: mais taxas à classe AA, fechar buracos na lei que permitem a sonegação de impostos, menos dinheiros cobrindo rombos de empresas que foram e estão sendo privatizadas, começará a criação de empregos em indústrias novamente). Como não concordar com esse homem?

Claro ele é inelegível, porque claro existem interesses da cúpula, do poder político e e instituições financeiras e em suas crenças, podem o parar, manchando suas convicções, sua vida e seus seguidores. E claro, seria ingênuo pensar que somos conseqüência da máquina. Pode ser que sou em que estou errada em minhas convicções, pode ser que existem mais pessoas lá fora felizes com o que está acontecendo no país atualmente, e porque não? Afinal Tories foram votados na maioria, e não há argumento contra as urnas e o que a maioria do povo quis.

Duas semanas depois Mr. W foi convencido por um artigo no jornal que explicava exatamente o que eu tive dificuldade de fazê-lo mudar de ideia – plantei a semente e o artigo foi a água que regou minha planta. E os que são a favor de Corbyn começaram a sair da toca, mais e mais pessoas se juntaram ao partido – principalmente depois do voto à lei do Bem Estar – já estamos em mais 65 Mil pessoas desde Maio, a maioria espera-se que seja para votar para Jeremy mas como não existe como fazer pesquisas, só saberemos quando o resultado sair dia 12 de Setembro (mal posso me conter! :-SS )

E pelo jeito todo mundo se irritou com aqueles que ofenderam a nós, que gostamos de Corbyn, seu suporte está maior do que nunca.

As campanhas para ser líder: Corbyn, e os outros

Então, hoje foi o último dia para quem quisesse se inscrever ao partido.

Sexta começamos a receber os formulários para votar, via e-mail e pelo correio. Tudo indo conforme o planejado? Não responda ainda! Hoje apareceu mais uma confusão negativista dos políticos do partido amedrontados pelo suposto monstro do socialismo, bichão de 7 cabeças que te pega enquanto você dorme.

Explico: Desde de que Jeremy começou a ganhar forças como um candidato viável, os Tories dizem ter se”infiltrado” no Labour. Se inscreveram, para votar em Jeremy e acreditam que assim iriam acabar com as chances de Labour ganhar a próxima eleição. Injusto, desleal e corruto? Sim, e como negar? E fato: Aproximadamente 1200 das 65000 novas inscrições foram identificas como possível infiltrações e negados acesso ao voto. Aquelas de jornalistas e políticos identificados como Tories.

Isso fez com que Labour entrasse em pânico e dissesse que vão cancelar as eleições. Até que se tenha uma maneira de saber somente quem é de esquerda pode votar e quem está ligado ao partido. Basicamente dizendo, adoramos a democracia, desde que você vote em quem queremos que você vote. Triste não? Assim como outros telefonando o rádio, escrevendo no Facebook, Twitter e seguidores da esquerda verdadeira, eu digo, venham Tories, e votem, votem sim no Jeremy! Deixe-o nos mostrar que se pode ser eleito como esquerdista. Melhor ainda, vamos nos livrar de rótulos! Deixemos de ser equerdistas, socialistas, direitistas! Seremos o partido que se mostra humanitário, que se importa com o futuro de nossas gerações! Esquerda, direita, quem se importa?

Ou que não seja eleito, mas que nos dê uma oposição humanitária e decente, colocando uma barreira quando Tories quiserem ignorar as classes mais baixas, deficientes físicos e mentais, minorias raciais, o acesso à educação, saúde, à lei, polícia, transporte, energia e tudo que chamamos de serviços públicos e cada vez mais se tornam particulares, com qualidade duvidosa e liberdade para cobrarem o quanto quiserem de nós.

Muito triste ver um partido quebrado, com medo de perder eleição mais do que com medo de perder seus ideais e o que representam.

Espero o resultado para saber se me junto e me torno afiliada de um Labour, que terá que se unir para ganhar meu dinheiro e esforço ou se me afilio ao Green Party e sei que é um partido pequeno agora, mas em ter esperança de sermos mais e melhores no futuro, e representar no que realmente acredito. Mesmo que aceite a perda em nome dos meus direitos.

Falando em direitos, deixo como uma pitada de pimenta,  uma música que me inspira e me dá arrepios, do grande Bob Marley, ídolo de meu maninho amado Mr. D!

Most people think
Great God will come from the skies
Take away everything
And make everybody feel high
But if you know what life is worth
You will look for yours on earth
And now you see the light
You stand up for your rights
A maioria das pessoas pensa
Que o grande Deus vai surgir dos céus
Levar tudo
E fazer todo mundo se sentir elevado
Mas se você sabe o quanto vale a vida
Vai cuidar de sua elevação aqui na Terra
E agora que você enxerga a luz
Lute pelos seus direitos
[…]

We sick an’ tired of-a your ism-skism game
Dyin’ ‘n’ goin’ to heaven in-a Jesus’ name, Lord
We know when we understand
Almighty God is a living man
You can fool some people sometimes
But you can’t fool all the people all the time
So now we see the light (What you gonna do?)
We gonna stand up for our rights! (Yeah, yeah, yeah!)

Estamos cheios e cansados do seu jogo de ismos
Morrendo e indo para o paraíso em nome de Jesus, Senhor
Nós sabemos e entendemos
O Deus poderoso é um homem vivo
Vocês podem enganar algumas pessoas algumas vezes
Mas não podem enganar a todos o tempo todo
Então agora que você enxerga a luz (O que você vai fazer?)
Vamos lutar por nossos direitos! (Sim, sim, sim!)

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Abrindo os olhos: Dez mitos sobre introvertidos

Uns tempos atrás fui relembrada do porque continuar no Twitter mesmo com todos os contras. Caiu no meu colo através da @anca_foster um artigo escrito por Carl King (@carlking) que abriu os meus olhos e tirou um peso da minha cabeça. Sem muito blablablá porque o artigo já é gigante por si mesmo, lá vai, traduzido pra ver se ajuda mais pessoas a entenderem a si mesmas e os Introvertidos ao seu redor.

Nos quadros, o que Carl King disse no site dele, em itálico são os meus comentários.

“No final de 2008, tive a sorte de descobrir um livro chamado, The Introvert Advantage (How To Thrive in an Extrovert World) (infelizmente não foi traduzindo para o português ainda) by Marti Laney, Psy.D. Parecia que alguém tinha escrito um verbete de enciclopédia sobre uma raça rara de pessoas a que pertenço. Não só explicava muitas das minhas excentricidades como também me ajudou a redefinir toda a minha vida em um novo e produtivo contexto.
Claro, qualquer um que me conhece diria: ‘Duh! Por que você demorou tanto tempo para perceber que você é um introvertido?’ Não é tão simples. O problema é que a rotulagem de introvertido é uma avaliação muito superficial, cheio de equívocos comuns. É mais complexo do que isso.
Uma seção do livro mapa o cérebro humano e explica como neuro-transmissores seguem diferentes caminhos dominante no sistema nervoso dos introvertidos e extrovertidos. Se a ciência por trás do livro está correta, é prova de que os introvertidos são pessoas que estão mais sensíveis à dopamina, de forma que overdoses de estimulação externa esgota-os. Por outro lado, extrovertidos não produzem dopamina suficiente, e seus cérebros precisam de adrenalina para produzi-la.
Os extrovertidos também têm um curto percurso e menos fluxo de sangue para o cérebro. As mensagens de um sistema nervoso do extrovertido está em sua maioria no atalho de Broca, no lobo frontal, onde grande parte da contemplação ocorre.
Infelizmente, de acordo com o livro, apenas cerca de 25% das pessoas são introvertidas. Há ainda menos que são tão extremas como eu sou. Isto leva a uma série de mal-entendidos, já que a sociedade não tem muita experiência com o meu povo. (Eu amo ser capaz de dizer isso.)
Então, aqui estão alguns equívocos comuns sobre introvertidos (não tirados diretamente do livro, mas com base na minha própria experiência de vida):

Mito 1 – Os introvertidos não gostam de falar.
Isso não é verdade. Introvertidos simplesmente não falam a menos que tenham algo a dizer. Eles odeiam conversa fiada. Converse com o introvertido sobre um assunto que os interesse, e eles não vão calar a boca por alguns dias.

Não gosto mesmo de conversinha enche-linguiça, me dá gastura! Mas comece falar de algo que tenha mais substância ou possibilite eu dar a minha opinião, e eu corto todo mundo da conversa. Ultimamente tenho até pensado em prestar mais atenção quando estou me intrometendo demais ou falando demais sem deixar os outros participarem do diálogo :">

Mito 2 – Os introvertidos são tímidos.
Timidez não tem nada a ver com ser um introvertido. Introvertidos não são necessariamente amendrontados por pessoas. O que eles precisam é um motivo para interagir. Eles não interagem em prol da interação. Se você quiser falar com um introvertido, basta começar a falar. Não se preocupe em ser educado.

Isso abriu os meus olhos, eu sempre me entitulei tímida mas todos os meus amigos diziam que tímida eu não sou, que falo pelas tabelas uma vez que estou na conversa. Agora caiu a ficha, por ser introvertida, prefiro selecionar as interações, e por isso não chego chegando em festa, não fico andando de mesa em mesa conversando com todo mundo do escritório, não tenho facilidade de começar papos com pessoas estranhas na rua. Sempre admirei minha mãe por ter sua simpatia, sua alegria e facilidade de relacionamento com todo mundo, e nunca entendi porque sempre tive essa dificuldade. Agora está explicado!

Mito 3 – Os introvertidos são rudes.
Introvertidos muitas vezes não vêem uma razão para rodeios com gentilezas social. Eles querem todos ser apenas reais e honestos. Infelizmente, isto não é aceitável na maioria das situações sociais, de modo que introvertidos podem sentir muita pressão para se ajustar, o que se torna muito cansativo.

Aleluia!! Até que em enfim uma explicação. Já fui chamada de rude tantas vezes, porque já vou direto ao ponto, ou onde terminamos a coversa da última vez, sem fazer rodeio. Na maioria das vezes me esqueço da sala, de perguntar como a pessoa está, blablablá. Sempre me achei uma ET por causa disso, e achando que era sem-educação ou que não me importava com as pessoas :(

Mito 4 – Os introvertidos não gostam de pessoas.
Pelo contrário, introvertidos valorizam intensamente os poucos amigos que eles têm. Podem contar seus amigos mais próximos de um lado. Se você tiver sorte o suficiente de um introvertido considerá-lo um amigo, você provavelmente tem um aliado leal para a vida. Uma vez que você ganhou o seu respeito como sendo uma pessoa de substância, você está dentro.

Isso não poderia ser mais verdade. Os meus amigos mesmo conto na mão. Confesso que pelo relacionamento com outras pessoas ser complicado por ser fora dos meu sistema, eu sofro com receio de não me ajustar. Digamos que tenho medo sim de conhecer pessoas novas, mas acho que agora se explicou que o medo não é das pessoas, mas da experiência, que pode ser sofrida. Mas uma vez que conheço-as e elas passam pelo filtro de pessoas “bacanas”, adoro reencontra-las. Já expliquei antes como é que amizades funcionam pra mim em posts passados, né?

Mito 5 – Os introvertidos não gostam de sair em público.
Absurdo. Introvertidos só não gosto de sair em público tanto quanto os extrovertidos. Eles também gostam de evitar as complicações que estão envolvidos em atividades públicas. Eles absorvem dados e experiências muito rapidamente, e como resultado, não precisam estar lá por muito tempo, e normalmente estão prontos para ir pra casa e processar essas experiências mais cedo do que os extrovertidos. Na verdade, a recarga é absolutamente crucial para introvertidos.

Também já fui acusada de party pooper* porque eu não gosto de ficar até tarde em balada, em festas, ou de ir emendando um programa no outro. Mas aí, a culpa é da dopamina! :-D Também não gosto de acordar cedinho e ficar até de madrugada na rua quando viajo. Gosto de passar o dia fora, mas sem pressa, sem correria, e sem ver um gagilhão de coisas.

Mito 6 – Os introvertidos sempre querem estar sozinho.
Introvertidos são perfeitamente confortáveis com seus próprios pensamentos. Eles pensam muito. Eles devaneiam. Eles gostam de ter problemas para trabalhar, quebra-cabeças para resolver. Mas eles também podem ficar incrivelmente solitários se não tiverem alguém para compartilhar suas descobertas. Eles anseiam por uma conexão autêntica e sincera com uma pessoa de cada vez.

Wow, não poderia ser mais verdade! Detesto ficar sozinha porque minha cabeça fervilha com pensamentos, sem ter com quem verborrejar. Bom, o blog aqui já é um exemplo né? :))

Mito 7 – Os introvertidos são estranhos.
Introvertidos são frequentemente individualistas. Eles não seguem a multidão. Eles preferem ser valorizadas por suas novas formas de vida. Eles pensam por si mesmos e por causa disso, eles muitas vezes desafiam a norma. Eles não tomam a maioria das decisões baseadas no que é popular ou moda.

Wow de novo. Quem me conhece sabe que cai direitinho como uma luva.

Mito n º 8 – Os introvertidos são nerds desinteressados.
Introvertidos são pessoas que basicamente olham para dentro, prestando atenção aos seus pensamentos e emoções. Não é que eles são incapazes de prestar atenção ao que está acontecendo ao seu redor, é só que o seu mundo interior é muito mais estimulante e gratificante para eles.

Mais uma verdade. E talvez o motivo de já ter sido chamada de egoísta, e de ter tido meus poderes de invisibilidade reconhecidos.

Mito n º 9 – Os introvertidos não sabem como relaxar e se divertir.

Introvertidos normalmente relaxam em casa ou na natureza, e não em locais públicos movimentados. Introvertidos não são candidatos a emoção ou viciados em adrenalina. Se houver muita conversa e barulho acontecendo, eles se fecham. Seus cérebros são muito sensíveis ao neurotransmissor chamado dopamina. Introvertidos e extrovertidos têm diferentes dominante neuro-vias.

Nunca gostei de multidão, mas aprendi a lidar com ela por adorar dançar, música ao vivo e futebol. Mas que prefiro dançar na sala e assistir aos shows e jogos de cadeirinha, isso sem dúvida. E agora também está explicado porque não sou adepta dos esportes radicais e detesto montanha-russa!

Mito n º 10 – Os introvertidos podem se consertar e tornarem-se extrovertidos.
Um mundo sem introvertidos seria um mundo com poucos cientistas, músicos, artistas, poetas, cineastas, médicos, matemáticos, escritores e filósofos. Dito isto, há ainda uma abundância de técnicas que as pessoas extrovertidas podem aprender, a fim de interagir com pessoas introvertidas. (Sim, eu inverti estes dois termos com o propósito de mostrar a você como nossa sociedade é tendenciosa.) Introvertidos não podem “corrigir-se” e merecem respeito pelo seu temperamento natural e as contribuições para a raça humana. De fato, um estudo (Silverman, 1986) mostrou que o percentual de introvertidos aumenta com QI.
Pode ser terrivelmente destrutivo para um introvertido negar-se a fim de se dar bem em um mundo extrovertido-dominantes. Como outras minorias, introvertidos pode acabar odiando a si mesmos e os outros por causa das diferenças.

Conheço pessoas que desenvolveram problemas psicológicos graves tentando atravessar a barreira do introvertido para o extrovertido. Minhas histórias de vida têm muitas passagens que incluem episódios desse conflito, talvez eu conte aqui no blog um dia desses. E confesso, também já tentei mudar, forçar as características de extrovertidos em mim. São características que eu invejo sim, e agora descobri que é porque somos, como introvertidos, minorias. Acho que deve ser algo como querer olho azul e cabelo loiro no Brasil (aqui eles adoram o cabelo e olhos castanhos!), e a necessidade humana de ter que se ajustar e ser aceito pelo grupo ao seu redor. Agora que descobri que provavelmente é algo físico e químico, vou trabalhar em como me ajustar ao mundo dos extrovertidos, mas não através da transformação de personalidade ou comportamento. Um alívio da pressão que todos nós nesse perfil sofremos em nossas vidas.

Se você pensa que é um introvertido, eu recomendo que você pesquisar o tema e buscar outros introvertidos para comparar as notas. A sobrecarga não é inteiramente em introvertidos para tentar se tornar “normal”. Extrovertidos necessitam reconhecer e respeitar-nos, e nós também precisamos respeitar a nós mesmos. PS Se você estiver interessado em ler mais das minhas idéias, eu escrevi um livro chamado “So, You’re A Creative Genius, Now What?” (também não traduzido para o Inglês ainda) É um guia de sobrevivência criativa carreira (artistas, músicos, escritores, diretores, atores) escrito a partir da perspectiva de um introvertido extremas.”

Já tenho uma listinha de livros pra ler sobre ser introvertido e como interagir com o mundo extrovertido, conforme fôr comprando e lendo, vou colocando aqui. E espero que ajude outros introvertidos espalhados pelo mundo

No próximo post devo refletir sobre o mito dos ingleses serem “frios” e como pode ser somente um mal entendido por serem, na verdade, mais introvertidos do que os brasileiros e passarem essa impressão.

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O tumulto de Londres: Perguntas e (minhas) respostas

Desculpem pelo assunto pesado de novo, escrevo hoje sobre o que aconteceu em Londres. Não tem como deixar entalado na garganta e sempre me ajuda a lidar com os sentimentos que vêm nessas horas…

Difícil achar uma tradução decente para a palavra riot. Riot aqui tem a conotação de arrastão, tumulto, revolta, tudo em uma palavra só. Em um dos artigos que li, na verdade eles diziam que nem riot foi, porque riot teria em si, uma definição de fundo politíco e argumentação, o que aqui não teve. Talvez tenha começado como uma riot, mas como terminou, ninguém sabe muito bem como colocar um nome. Vou chamar de tumulto, pra deixar mais fácil pra todo mundo, por agora.

Primeiro, a história de como aconteceu sob o meu ponto de vista, pra quem está no Brasil e ficou meio perdido com a bagunça que não foi bem explicada no jornal.

No dia 4 de Agosto (quinta-feira), um rapaz do Norte de Londres, do bairro de Tottenham foi morto por policiais. O que eu vi de notícias (assisto BBC News – notícias 24 horas – antes de dormir, pelas curtinhas do que está acontecendo pelo mundo) foi que um homem havia sido baleado pela polícia e estavam investigando. Na sexta, na hora do almoço – quando vemos as manchetes de novo – a notícia era de que ele havia atirado no policial, mas o IPCC (que é o órgão independente de investigação de ações da polícia) estava investigando o que realmente tinha acontecido.
No sábado, passei o dia fora. Na volta, quando paramos para jantar em um posto de serviços da estrada, vimos na televisão que estavam acontecendo alguns tumultos no bairro onde o rapaz foi morto. Carro de polícia pegando fogo, mas sem muitas informações sobre o que estava acontecendo. Chegamos em casa umas 2 horas depois, e o circo sensacionalista havia sido montado. Ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo, como tinha começado e o que a polícia estava fazendo para contê-los. Resolvemos desligar a televisão, mas sei que ficaram a noite inteira reportando do local, colocando as imagens em loop, repetindo sempre as mesmas imagens de pessoas atirando pedras nos carros da polícia, de prédios pegando fogo.
No domingo, ligamos a TV pra ver o que estava acontecendo, mas até aí estava tudo meio tranqüilo. Até a hora de dormir de novo, quando vimos que haviam acontecido mais alguns tumultos. Na segunda-feira pela tarde o rádio começou a falar de tumultos acontecendo em maior escala em vários lugares de Londres. Ao assistirmos a TV de noite, vimos que estava fora de controle.
Na terça David Cameron chegou das suas férias, convocou a polícia, e o número de policiais nas ruas em Londres triplicou do dia para a noite, contando com carros-fortes e policiamento especial para tratar desse tipo de distúrbio. A note de terça foi tranqüila para Londres, mas Manchester, Birginham e Liverpool sofreram tumultos.
Não sei o número certo de pessoas que ficaram feridas no tumulto, mas confirmaram que 5 pessoas morreram.

E então vêm as perguntas. Que quero responder com as minhas respostas, meu ponto de vista, com meu conhecimento, com as horas que perdi lendo artigos de pessoas que não abusam de verborragia.

1) A polícia que matou o rapaz reagiu a ele atirando contra eles?
Não se sabe. Até agora a investigação confirmou que uma bala encravada no crachá do policial que foi envolvido no incidente não saiu da arma não-policial que foi encontrada na cena do crime. A investigação ainda está em andamento. Muitas perguntas precisam ser respondidas.
Pessoalmente, eu acho que os rapazes não atiraram. Que entraram em pânico e ameaçaram a polícia com a arma que tinham (se é que era deles mesmo) e a polícia entrou em pânico de volta e atirou para matar.

2) Os tumultos foram causados pela morte de Mark Duggan?
Não se sabe. As pessoas que estavam fazendo o tumulto era pouco concisas. Não tinham uma explicação dos motivos de estarem roubando lojas, colocando fogo em prédios, e fazendo bagunça. Cada um dava um motivo diferente, mas poucas vezes faziam sentido, e muitas vezes estavam embrigados por álcool.
Pessoalmente, digo que sim. Foi a única coisa que mudou do Sexta para Sábado. Depois que a poeira baixou um pouco, veio a notícia de que o tumulto começou no fim da vigília organizada pela família para protestar a morte do rapaz morto pela polícia. A vigília saiu de controle e algumas pessoas do bairro começaram o tumulto em uma revolta contra a polícia. Mas também acho que a televisão ao mostrar tudo ali, nú e crú e no loop repetitivo, instigou outros grupos do país a soltarem toda raiva e frustração contra o sistema. Ver que pessoas estavam roubando e destruindo saindo impunes, mostrou que se você quisesse, seria fácil ir pegar o seu pedacinho de mercadoria. A TV mostrou que polícia não ia te parar, se seus amigos iriam pra lá fazer tumulto também, que diferença iria fazer?

3) Porque a polícia não deu conta do recado?
Porque a polícia de rua aqui não é treinada para lidar com tumulto, e não só isso, ela não é autorizada a lidar com tumulto, eles não são armados, e normalmente só têm o bastão de borracha para conter violêncida em casos extremos e individuais de violência. Tem que ser a polícia treinada para tanto. Foi a primeira vez que aconteceram tumultos em vários lugares ao mesmo tempo. O número de policiais de tumulto (tipo Rota e Bope) foi pequeno para lidar com todos os tumultos. Foi um caso de como a TV estava mostrando onde os tumultos aconteceram, o pessoal causando o tumulto via na TV que poderia atacar outras áreas, e aproveitava a brecha.
Também teve o fator de que durante outros protestos durante o último ano a polícia foi muito criticada por usar força excessiva. Inquéritos foram armados, e a polícia ordenada a usar menos força da próxima vez. Quando chegou a hora do vamos ver, foi o que eles fizeram.

4) O Primeiro Ministro estava de férias, isso quer dizer que ele é folgado?
Não (mas jornais podem tentar te convencer do contrário). Não só o primeiro ministro como todos os políticos e a maioria da população tira férias no verão inglês. É quando as crianças saem de férias da escola, então é normal terem um tempo de descanso. O balanço entre a vida pessoal e trabalho aqui é protegido por leis européias, e isso é uma coisa importante na qualidade de vida de todos. O Primeiro Ministro é uma pessoa como qualquer outra, e para “funcionar” direito, precisa desligar de tempos em tempos. Ele e o Prefeito de Londres voltaram para Londres na terça-feira do tumulto. Todos os outros Membros do Parlamento (equivalente a deputados e senadores) foram convocados para uma audiência na quinta-feira depois do tumulto. Críticas são maiores pelo fato do Prefeito ter demorado mais para chegar, e quando todos estavam se unindo para limpar e resconstruir a cidade, eles não se uniram à população afetada.

O Primeiro Ministro não fez muita coisa na verdade voltando das férias. A polícia aqui é um órgão independente que tem liberdade de decidir ações conforme acharem necessário. David Cameron ter voltado foi literalmente, mais para inglês ver.

5) As pessoas que causaram o tumulto são pessoas simplesmente desocupadas, se aproveitando da falta de policiamento, ou crianças que os pais não tomam conta, querendo roubar coisas?
Aí está uma questão que cutuca a ferida de muita gente. Meu problema com essa questão é a palavra simplesmente. O que transpareceu durante esses acontecimentos é que nada é tão simples assim. E teve muito adulto na bagunça (até um brasileiro), e pessoas que queriam roubar comida, água e bebida acoólica.

5) Qual é a solução para isso não aconteça mais?
Não existe só uma solução. São várias. Que custam dinheiro, esforço, tempo. Sem entrar na questão histórica de partidos políticos, aqui está a minha lista de soluções, baseadanos ideais de Leleilândia:

  • Para os governantes:
    • Reforma do sistema de benefícios: Fazer com que o benefício seja merecido e não simplesmente oferecido. E benefícios merecidos seriam então melhores. As casas dadas pelo governo pra quem não pode pagar aluguel, seriam de melhor qualidade,ofereceriam condições mais humanas, e o serviço social apoiando o crescimento dos cidadões que necessitam dessa ajuda.

    • Reforma do sistema de ensino: Criar mais colégios de ensino técnico e aprendizes.
      Dar mais atenção para escolas que servem essas áreas:A maioria do pessoal envolvido (que claro teve suas exceções) vêm de sistemas educacionais precários. Saem da escola com o mínimo de alfabetizado (quando alfabetizados) e por isso também não conseguem se integrar à sociedade e procurar/conseguir emprego. O futuro para quem sai da escola nessas condições é escuro e sem muitas esperanças, o que traz frustração, raiva, inconformismo. Faça as contas.
      Criar e manter os centros jovens/infantis:Existem muitas histórias de centros juvenis e infantis de sucesso que ajudam aos menos privilegiados (e provilegiados também, pra quem quiser) com atividades pós-escola. É excelente para aqueles que não podem pagar para terem atividades extra-curriculares e precisam passar o tempo fazendo algo e se sentindo úteis.

    • Treinar a polícia: Não só para lidar melhor com tumultos, mas para evitá-los em primeiro lugar. Aprender as lições desses dias e rever as ações necessárias. Treiná-las para trabalharem com a comunidade problemática e não contra ela. Treinar oficiais que usam armas para saberem como lidar com o pânico e instintos de sobrevivência de mandeira melhor.

    • Reforma do sistema social: Oferecer condições melhores para trabalhadores do serviço social. Para identificarem e trabalharem com pais que não têm condições (morais, físicas e/ou ecônomicas) de criarem seus filhos. Cortar o mal pela raiz, identificando isso cedo na vida das famílias, seria mais fácil de direcionar crianças para um caminho mais correto, e evitar adolescentes e adultos que trariam problemas para a sociedade no futuro.

    • Impulsionar a criação de empregos: O corte de empregos, públicos ou não, é um grande fator nisso tudo, lembram de Gonzaguinha? “Um homem se humilha/ Se castram seu sonho/ Seu sonho é sua vida/ E vida é trabalho…/ E sem o seu trabalho
      O homem não tem honra/ E sem a sua honra/ Se morre, se mata…
      “. Na minha opinão a criação de empregos vem da criação de indústrias, de empregos públicos (feito de maneira enxuta e eficiente) de mais felixibilidade dos sindicados, de mais educação no país. De facilidade para pequenas empresas lidarem com os bancos.

    • Regularizar a propaganda e ânsia de ter que vender vender vender: Como eu falei, a maioria saiu roubando o que eles viam e queriam mas não têm condições (ou esperança de ter condições) de comprar. Pessoas “de bem” se aproveitaram e roubaram também. Pessoas com estudos e empregos, e sabiam o certo do errado. O que elas têm em comum com os muitos vieram de locais mais vulneráveis é querer e não poder comprar. É necessário colocar um freio nessa cultura onde ter é melhor como ser, como disse sabiamente, a Lolla.

  • Para nós, o povo:
    Esse é um ponto que dificilmente se vê por aí. Normalmente todo mundo é rapidinho em atacar a pedra, sem olhar para o próprio umbigo. Mas a sociedade e o povo tem culpa – e muita – no cartório. Então, o que podemos fazer para mudar o que está ao nosso redor e não deixar somente na mão do governo?

    • Não perpetuar a raiva direcionada aos que têm uma realidade diferente da nossa: Xingar, apelidar, falar (ou escrever) com tom de voz racista ou preconceituosa sobre os jovens, crianças e adultos envolvidos ou não nos tumultos, somente piora a situação que também é formada pelo fato de se sentirem excluídos do grupo de pessoas aunto-entituladas “boas”. Mais um fator para se juntarem aos grupos que entitulamos “maus” – alguém falou no programa de debate na televisão, com muita razão, quando não há proteção boa, proteção ruim toma conta. E assim gangs se formam que por sua vez acham o espaço para crescerem. E o ciclo assim vai continuando.

    • Pesquisar mais sobre política e exercer nosso papel cívico: Saber o que cada partido fez, faz e quer fazer é essencial para exercermos nossos direitos de cidadãos. Sair pesquisando leva tempo, mas as recompensas são saber que na hora de votar – e tem que votar! – estamos escolhendo o melhor realmente para o que queremos, e não só ouvindo o barulho que a imprensa e jornais fazem durante a eleição e escândalos. Não só ouvindo o que celebridades, seus amigos ou o debate resultou na televisão. A escolha é nossa e temos que ser responsáveis por ela.

    • Pesquisar mais sobre como é que o pessoal mais vulnerável que nós vive?: Saber as condições desse pessoal vai te fazer parar de julgá-los. É tão fácil do alto do nosso pedestal onde tivemos uma educação, pais moralmente corretos que nos ensinaram o certo do errado e nos suportaram nas horas de dor e de alegria, de amigos que nos aceitam, do quentinho da nossa casa, da segurança da polícia que nos protege ao invés de nos atacar, do emprego que paga as nossas contas e o que queremos comprar. %-( Tire seus dedos dos ouvidos,  e use seu tempo para antes de atacar pedras, pesquisar o que está causando o problema, e como você pode ajudar.

    • Perpetue idéias e ações que proporcionem o que você quer no mundo: Se você já tem uma idéia do que é certo e errado na sua concepção, perpetue-as. Aponte os seus amigos que não conseguem (ou não querem ver) ainda na direção correta. Pode haver uma discussão básica, assim como a que houve com a Cris no Twitter, a Lolla e a minha ex-chefe no Facebook, só tenha certeza de manter civilizado, colocando seus pontos através de fatos, mas não batendo de frente e deixando o emocional tomar conta. Nos três casos, chegamos em um acordo, aprendemos umas com as outras. Em um caso de uma menina que conheci uma vez em um casamento e se tornou amiga no Facebook, consegui fazer ela retirar o post dizendo que era “fácil os jovens conseguirem emprego, que só precisavam colocar um terno e aprender a falar sem gíria.” E nem precisei pedir para tirar, só com jeitinho disse que não era tão simples assim…

6) E por último, porque isso não muda?

    Em resumo é mais ou menos como um cartunista colocou no The Independent (nosso jornal favorito aqui):
    Os sintomas, as causas, a solução

Tem muito que envolve richas políticas, a impossibilidade de governos trabalhem juntos pelo bem da nação. Muito da sociedade que começa errado e é difícil de mudar assim rápido. São atitudes, culturas, crenças. Que são parte da personalidade dos indivíduos. Muito vem de novo do que o Mauro me falou, de que a raça humana é simplesmente muito grande para instigar o carinho e a preocupação pelo próximo em uma escala em que todos se ajudariam, na verdade.
Pode ser que esta lista mude conforme eu fôr lendo mais (ainda tenho muito mais artigos para ler!) e mais informações sobre o que aconteceu forem surgindo. Afinal, vocês sabem, sou a mestra em mudar e adaptar minhas opiniões.

Ia publicar a lista de artigos que li, mas seria enorme e não sei se vocês estariam interessados. Quem quiser pode me pedir e pode ser que eu publique aqui ou mande por e-mail.

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Blogagem Coletiva – Estudar Vale a pena! #estudarvaleapena

A querida Graziela essa semana me chamou para participar da blogagem coletiva divulgado pela Samantha, parte da campanha do Unibanco.

E claro que topei participar, tem como recusar uma causa dessas, tão importante? Ainda mais um assunto tão importante nos dias de hoje aonde educação é sempre apontado como um dos milhares de motivos porque comportamentos têm sido tão violentos.

Isso me pegou pensando porque estudar valeu a pena pra mim?

Acho que sempre tive medo do que aconteceria comigo se não estudasse. Sempre me afundei nos livros, sempre me interessei pelas aulas, sempre fiz questão de decidir o meu destino. Sempre ouvi muito aos meus pais, aos seus conselhos, e seguindo seus exemplos (meus pais fizeram faculdade enquanto a gente crescia) admirava a vida que construíram para eles baseados em seus estudos.

Vamos voltar na máquina do tempo, e ver o que aconteceu lá, 32 anos atrás :-?

Com 4 meses de idade, já ia pro berçário. Minha mãe teve que voltar a trabalhar depois da licença maternidade e sei que ela sofreu a separação da bebê (ela conta que ligava pra escolinha querendo ouvir se eu estava chorando, e me ouvia cantando no fundo :)) ). Até os 6 anos de idade, ia pra escola para brincar com outras crianças, mas aprendi o básico e comecei a ser alfabetizada. Sabe do que me lembro? De “pernoites”, das brincadeiras, das professoas que brincavam ensinando (ou ensinavam brincando?).

Dos 7 aos 12 anos, estudei na mesma escola. Amava todas as aulas, as lições de casa, as festas comemorativas, as feiras de ciência, as “olimpíadas”. Ganhei prêmios de redação, xadrez, dama, handebol. Estudava pesado, e como resultado, apareci mais de uma vez no quadro de honra. Fiz parte do time de handebol da escola e ficamos em segundo lugar no campeonado de handebol de São Paulo. Uma vez esqueci de fazer a lição de casa e comecei a chorar, por ser boa estudante, a professora me usou como exemplo que não passaria castigo porque eu sempre fiz tudo tão certinho que merecia ser desculpada daquela vez. Brincava MUITO e as histórias para contar são infinitas.

Dos 13 aos 14 anos fui para escola pública. Apesar das atividades não serem tantas como na escola particular, os professores eram excelentes. Tínhamos aula no laboratório (ainda lembro a primeira vez que vi os gominhos da lanranja no microscópio), festa junina, e os melhores recreios que me lembro. Foi quando comecei a paquerar garotos, e a escola também me ensinou o que estava acontecendo comigo, e que eu estava começando a virar gente grande.

Dos 15 aos 18, comecei o período mais pauleira dos estudos. Graças a ser uma estudante – no sentido completo da palavra – consegui entrar em uma das escolas técnicas públicas mais difíceis de passar no vestibulinho. A antiga Federal. Passei e lá reecontrei uma amiga que estudou comigo da 3a até a 6a série. Quem diria! Por ter sido estudante, a vida já estava facilitando a minha passagem pelo colégial técnico que era mais como uma faculdade. Foram os anos de estudo mais pesados da minha vida. Estudávamos até ficarmos esgotados. Ir para a Escola era rotina que  na maioria começava cedinho e só terminava de noite (e incluía sábados!), senão na classe, estudando na biblioteca, fazendo projetos no laboratório, jogando basquete na quadra, ouvindo walkman no saguão, fazendo coisas básicas que me formaram quem hoje sou. A paquera nessa época ficou mais forte e conheci o que era o amor. Conheci muita gente bacana, que levo pro resto da vida como amigos verdadeiros. Pessoas de bem, que hoje em dia têm sucesso em suas vidas. Experiências e histórias que escreveriam um livro ao invés de um post no blog.

Aos 17 anos, graças a ser estudante, consegui estágio na ainda então Telesp, que depois virou Telefônica. Tive que prestar concurso público e fui chamada na segunda leva de pessoas convocadas. Estudei durante o 3o ano na Telesp (trabalhava de manhã e estudava de tarde), por estar na Federal, fui chamada para ir fazer estágio em uma multinacional durante o último ano, na época ainda AT&T, que depois virou Avaya. Trabalhei no estágio por 2 anos, e por não ter faculdade, não fui efetivada com a Avaya, mas com uma empresa que prestava serviços para eles.

Um amigo que trabalhava comigo na Avaya então me chamou para ir prestar vestibular com ele na UNIP. Fui com compromisso, e passei na primeira chamada. Continuei trabalhando de dia e estudando de noite. No último ano, fui chamada para trabalhar na Siemens, que oferecia treinamento nos Estados Unidos e uma estrutura melhor de vida pessoal.

Por estar terminando a faculdade, consegui um salário melhor. Por ter feito Federal (e o nível das aulas de inglês lá ser excelente apesar de ter sido somente dois anos) fiz treinamento nos Estados Unidos e trabalhei na Siemens até decidir vir para Inglaterra.

Chegando aqui, aos 23 anos, fui estudar de novo! Fiz 6 meses de aulas de inglês até conseguir meu emprego. Porque eu tinha um histórico profissional tão bom, fui chamada para trabalhar na Siemens daqui (sem relação com o emprego do Brasil hein?). Nas entrevistas, era difícil convencer as empresas que trabalhei e estudei ao mesmo tempo, tinha que provar, mas era admirada pelo esforço e pela conquista.

Ainda pensando que precisava mais, fui fazer Pós. Dois anos pesados de novo, aprendendo, pesquisando, fazendo projeto de tese.

Depois da pós, decidi ir aprender outras coisas, como vocês sabem, hoje faço aulas de canto e teclado. Quero aprender muito mais.

Acho que por tudo isso, e por todas as coisas boas que posso listar que aconteceram na minha vida devido ao fato que eu estudei, não tem como negar os benefícios do porque vale MUITO a pena estudar. Ir para a escola é muito mais do que só aprender a decorar matérias que podem ser chatas. É aprender como lidar com a vida, com o mundo ao redor, como pensar por você mesmo, como aproveitar os momentos de brincadeira, de alegrias.

Nem que seja para termos a escolha de não fazer nada com o que estudamos. O problema é querer fazer algo que requer estudos e ter a opotunidade negada. De ter que rechear o tempo que você estaria aprendendo alguma coisa com algo que te traria tantas coisas boas quanto a de ir para a escola.

Claro, existem vários problemas com o sistema de educação no mundo. Não estou negando isso. Mas esse post foi para listar o porque vale a pena ir para a escola. Mesmo com seus problemas, pra mim ainda ganha de abandonar um futuro que nunca saberia como seria se não fôssem por aqueles momentos maravilhosos de minha infância, adolescência e vida adulta.

E olha, o ponto a ser feito é tão importante que estou até quebrando a regra de não publicar fotos comigo por aqui. Essa foto foi tirada em 1998, depois de um dia de estágio, fazendo projeto no laboratório na Federal. Tão novinha e tão magrinha aos 17 anos, mas só por causa dela, é que a mulherão Lelei aos 32 existe hoje :>

Tá vendo como Escola não é chata? Taí a prova! :)

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Prioridade e sanidade

Minha única decisão do post-it de Janeiro foi “tentar sofrer menos, me machucar menos, e assim enfrentar a vida de frente.”

Depois que voltei do Brasil  percebi que a Internet estava sendo uma das grandes causadoras de eu me machucar. Mas dessa vez peguei a caraminhola de jeito antes que ela pudesse crescer demais e dar cria. Ok, entendi a brincadeira do Twitter e Facebook errado, achei que era um mini bate-papo, que tinha que ler tudo que se passava, e dar meu pitaco em todas as conversas.

Claro que a combinação de alguém que não entende regras do jogo e  que não tem thick-skin*, não deu muito certo. Mas me lembrei do post-it e decidi “arrumar um tanque de roupa pra lavar” como diria a minha mãe para resolver essas ‘frescuras de quem tem tempo de procurar pelo em casca de ovo’. Então Twitter agora é só de relance durante o dia, Facebook – menos ainda. Também mudei minha atitude em aumentar a rede social, e agora, para não ser mais ignorada quanto a pedidos de ‘ser amiga’ espero virem até mim, e com a mesma facilidade que adiciono também tiro, se a ‘amizade’ não estiver sendo frutífira (já escrevi sobre isso no meu blog anterior, mas o lembrete – pra eu mesma – é sempre bom).

Meu tempo agora está sendo dividio entre meu trabalho (que está pegando fogo), comunicação com os Amigos (email, telefone, MSN, Skype, mensagem no facebook, sinal de fumaça, torpedo, vale tudo) , cuidar da decoração e jardinagem da cave, sair passear, viajar, VER os amigos por aqui, jogar video-games…

Também comecei minhas aulas de teclado e canto, e tenho que praticar quase toda noite, e tenho que confessar, estou amando. Sair da distração hipnótica da vida virtual, da necessidade de ter a reciprocidade de estranhos realmente se pagou. Agora acho que estou seguindo as regras da brincadeiras como deve ser, sem levar muito a sério, e respondendo quando dá na telha e quando dá tempo.

Prioridades que ainda preciso cuidar, mas estou quase lá, é ler mais os blogs da minha lista e telefonar mais para meus pais e minha irmã, ao invés de ficar só no e-mail – ok, o fuso também não ajuda vai :-w . Mas estou quase lá. A sensação de ter uma vida organizada e fazer tudo o que é prioridade é impagável, e conseguir priorizar o que realmente eu quero fazer (e não o que eu preciso fazer, ou ditado pelo que outros dizem o que deveria ser o que fizesse) é indiscretível.

Talvez isso seja natural para algumas pessoas, porém para pessoas como eu, que têm a tendência de se emergir em distrações é um perigo! Mas achei o caminho, aleluia!

A dificuldade ainda é deixar de responder quem entra em contato comigo. Tenho a impressão de que estaria deixando o povo falando sozinho e vou lá e respondo mesmo. Mas minha naturalidade stalker* de ter que dar minha opinião e me intrometer em tudo que é conversa, e principalmente das que não são parte da minha panelinha (sim porque rede social tem MUITA panelinha), ficou pra trás.

Semana passada, caiu no meu colo o vídeo da Bianca, e ela discutia os motivos escondidos de queremos ajudarmos os outros, e porque nos machucamos quando a ajuda, ou a mãe extendida, ou a palavra oferecida não é recíproca. Em Julho do ano passado postei uma reportagem que caiu no meu colo quando eu passava por uma crise terrível, e guardei para sempre ler quando tivesse recaídas, é ótimo na vida real também e aprendi a dizer muitos nãos depois de ler isso (não lembro de qual revista tirei).

Clique para ver maior e original em Inglês
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5 maneiras de ser uma pessoa melhor

Se você seguir esses passos corretamente, eles não só o levarão ao céu – eles também o manterão longe dos médicos!
Imagine um cenário: Você achou uma caixa de pílulas mágicas que garantem:
a) Reforçar seu sistema imunológico
b) Impulsionar sua auto-estima
c) Liberar anagélsicos naturais no seu corpo
d) Reduzir stress
e) Te dar uma carga de adrenalina
Você acharia que acabou de tropeçar no Santo Graal da saúde, certo? Bem, a boa notícia é que você já tem esse remédio. Tudo que você tem a fazer é praticar um gesto bondoso por dia. E aqui está como conseguir o seu “um por dia”

1. Examine minuciosamente seus verdadeiros motivos
Pergunte a você mesmo “Eu ainda faria isso se ninguém soubesse que estou fazendo?” Se você está fazendo algo para fazer você mesmo se sentir ou parecer melhor, você não vai conseguir os mesmos benefícios para a sua saúde, alerta a Psicóloga Dra. Anna Collins.
2. Eleve-se acima de pessoas ingratas (*)
E você acabou de segurar a porta para alguém e eles voaram por ela sem dizer “Obrigado”? Não se irrite ou você vai desfazer o aumento de saúde. “Você não pode controlar as ações de outras pessoas, então é fútil brigar sobre isso” Diz a Dra Collins
3. Domine seus humores
… e não desconte nos outros. “Apesar de sua criação ou estado de espírito serem influências em seu comportamento, ele é fundamentalmente sua escolha” diz Dra Collins. “Se você foi vítima de indelicadezas quando criança, você é suscetível a usar a mesma reação como um mecanismo de defesa, você é capaz de mudar isso”
4. Lembre-se, esses passos são melhores que um cafézinho
Cientistas dizem que pessoas que ativamente procuram ajudar aos outros são mais enegéticas. Então pode-se concluir que a parte da manhã é a chance ideal de oferecer sua cadeira do ônibus, ou enviar uma simples mensagem dizendo “Eu te amo para seus amigos”
5. Reconheça os seus limites. (*)
Existe uma linha fina entre ser bondoso e ser capacho. (aliás foi o que me levou a escrever o post e mudar minhas atitudes) “Se você se sente esgotado, exausto ou put-on*, é hora de se concentrar mais em você mesmo”, aconselha Dr. Roger Kingerlee, “Porque você está fazendo isso pelo outros? Se você tem medo de recusar ou dizer não, isso deveria soar alarm bells*”

Outra notinha da revista é sobre algo que preciso escrever aqui no blog também, sobre os sickie days (que são os dias tirados por motivo de doença, mas muitas vezes abusados) que estão diminuindo no Reino Unido, com pessoal com medo de perder o emprego por causa disso, mas como eu disse, pra pra um próximo post :)

*

Thick-Skin: Traduzindo literalmente, pele-grossa. Descreve a caraterística que algumas pessoas têm de resistir rejeição, ofensas, indiferença e não se afetar psicologicamente.

Stalker: Aquele que persegue, espreita (de maneira exagerada, obcecada)

Put-on: Quando as pessoas abusam da sua boa vontade, quando você é vítima de todo mundo levar vantagem sobre você

Alarm Bells: O sexto sentido, a voz dentro de você que grita que tem alguma coisa errada.


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Do povo para o povo – I

Não ia fazer discurso sobre a eleição. Reconheço que é fácil apontar o dedo e se isentar de ter que tomar uma posição. Desde que estou cá não voto. Mas a coceira na mão é maior. Talvez seja aquela história de verás que um filho teu não foge à luta. E a mania de ter que botar pra fora o que eu penso é maior do que a atitude politicamente correta de ficar quieta.

Começa que não concordo que um país possa se chamar democrático quando obriga seus nacionais a votar. Ué, a escolha não deveria ser do povo se deve votar ou não? Já começa por aí.

Minha abstinência do voto não é por preguiça, nem por protesto. Não voto por puro egoísmo. Por medo de me descobrirem aqui e virem pedir que eu pague imposto do dinheirinho que faço – pelo qual pago imposto, e com gosto aqui – lá, o que não acho justo – pelo menos até que me provem que dinheiro arrecadado lá vai pra ser gasto com o povo e não pro bolso de político salafrário e cabidão de emprego. Então no fim, nunca transferi o título e sempre justifico e pago multa pra ficar em dia com a Justiça Eleitoral até o dia que me falarem que não pode mais.

Também não tenho peso na consciência de me abster porque apesar de me importar com o futuro do Brasil, e com a qualidade de vida que minha família e meus amigos que lá moram (ou têm vontade de voltar) eu acho que não está mais em minhas mãos dizer pra que lado o país deveria ir. Quem está lá ou quer voltar pra lá que está passando na pele o que é decido no plenário que têm que ter sua voz ouvida. Eu parei de acompanhar notícias e de acompanhar a história política do país há anos, então tenho consciência de que se votasse seria para aumentar a massa de votos pra quem quer que fôsse que meus pais estivessem votando, e como uma mulher de 30 anos, gostaria de tomar essa decisão por mim mesma.

Também preciso falar que eu acho que democracia não é meu sistema favorito de governo. Essa coisa de do povo-para o povo, no meu ponto de vista, não funciona. Porque o povo não vai chegar nunca num consenso do que é melhor para si, sempre vão haver divergências de opinião, porque opinião é isso mesmo. Gerada por anos e anos de vida, de experiências diferentes, de desejos divergentes, de ação e reação opostas. O que eu quero não é o mesmo que você, e diferente do vizinho.

Tem uma história interessante daqui, o primeiro-ministro Harold Wilson nos anos 60-70 lutou contra a vontade do povo e da mídia quando aboliu censura, legalizou o aborto, aboliu a lei que fazia homossexualismo ser ilegal, mudou as regras da imigração sem ligar muito pra opinião do povo e dos jornais sobre esses assuntos. Ele era um homem que conseguia enxergar o que a nação precisava e foi contra o que os jornais falavam. Sem o medo que predomina hoje de pesquisas de opinião, especialistas na TV e no rádio, na internet e nos jornais, e sem o medo de perder votos e de uma super-valorizada democracia ele enfrentou os quesitos de peito aberto e implementou o que achava certo. Resultado, Grâ Bretanha conseguiu enxergar que realmente as decisões eram o melhor para a Nação. Meio que quando a criança tá doente e não quer tomar remédio. Você às vezes tem que enfiar goela abaixo e fazer tomar remédio, depois do gosto amargo a criança sara, e com certeza nem vai perceber que tomou remédio um dia.

Por isso democracia não funciona. Não que povo  não saiba votar. Povo sabe votar direitinho. Mas o povo não sabe, e não tem como saber, o que é melhor para a Nação. Cada individual sabe o que melhor pra si. Mas como isso pode funcionar no coletivo, me pergunto cá pros meus botões?

A pessoa vota visando seus próprios interesses. Seja ele de acumular fortuna, medo de perder o que levou uma vida construindo ou herdou de outra maneira, vontade de ver um país mais eqüalitário, uma sociedade mais justa, e esses dois últimos são tão relativos… Seus motivos não importam mas são individuais, e como falei lá em cima, quando o assunto é individual, impossível achar o consenso que a maioria concorde, e novamente, quem disse que a maioria é correta?

E daí tem outra dúvida que vem com isso. Como saber quem seria o iluminado que saberia o que é melhor para a Nação?  Como saber que seria um Harold Wilson e não um Tony Blair que levou o país à uma Guerra desnecessária contra a vontade do povo?

E não me entendam errado. Sou completamente a favor da liberdade da expressão (contanto que não seja usada para a vinculação do ódio), da voz do povo protestando contra o que acha errado e comemorando o que acha certo. Imperialismo, militarismo, socialismo e comunismo já foram tentados e reprovados. Então saberia o que sugerir como caminho melhor. Mas assim como não concordo com capitalismo, não concordo com democracia. Ambas caem na categoria de uma discordância meio inútil, porque não sei como sugerir uma alternativa.

Talvez seja mesmo a utopia que nunca antigiremos, infelizmente.

Na minha utopia, vamos chamar de o país Leleilândia, o poder não corromperia as pessoas, um painel seria formado com as melhores cabeças do país, pessoas escolhidas por elas mesmas – pois elas se identificariam – que conseguiriam valorizar a importância da estabilidade econômica sem virar as costas para os mais vulneráveis e menos privilegiados. Conseguiriam exergar a necessidade da divisão, sem serem injustos e terem que afetar demais aqueles que nascem com mais dotes (intelectuais, físicos, econômicos). Esquerda e direita trabalhariam juntas pelo poder da nação como um todo. A partilha viria de cada individual por vontade própria e não imposta. Mas em Leleilândia só tem pessoas do bem e ninguém tem paranóia, medo ou insegurança. A única coisa que se discute é futebol. Religiões (e ateísmo) vivem de mãos dadas acreditando que cada um vive a religião que precisa para aprender/lidar com a vida da melhor forma que precise – e como religião não é distorcida em nome do poder, a mesma não precisa ir além dos ensinamentos reais a que foi proposta.
Não é necessário briga pelo poder porque os seres humanos lá não precisam de poder. Não têm a carga que a realidade aqui tem, de experiências de vida, influência de mídia, carga genética, histórias de guerra, fome, miséria, cruzadas, perseguições, crime e desigualdade social.
No país de Lelei-lândia todo mundo sabe ouvir, aceitar e ponderar a idéia do próximo, pesar prós e contras e decidir pelo caminho ideal. Quer saber, talvez nem precisasse de um Governo falando o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve, porque os Leleizenses saberiam o que fazer e o que seguir por conta própria.

Mas infelizmente Leleilândia só seria possível se eu resolvesse fumar uns breketi, e como eu nunca fumei nem cigarro de palha eu tento fazer sentido da realidade mesmo.

E já que a realidade seria muito zumbi se fôsse apática (o que eu também abomino. Apatia é uma coisa, ficar em cima do muro é outra e se retirar da briga é outra) vamos para a realidade que se confunde com a internet nos tempos de hoje.

A briga foi quente, e como sempre, mas tenho que dizer que foram poucos dos meus amigos que realmente foram extermos vendo somente um lado da moeda, em uma tentativa de fazer os amigos que não concordavam com suas opções de votos a mudarem de idéia.

Cotinua no próximo post

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