Um forte 2013 pra nós todos

E vam’bora pro clichê?
O clichê do ano novo é um dos mais fortes de resistir, e mesmo sendo do contra, eu gosto da tradição de olhar pro ano que passou, e ver o que aconteceu. Mas sendo boa do contra que sou, adoro o fim de ano e detesto o ano novo.

Então, indo de contra do que mãe e pai me ensinaram, vou começar pelo o que eu gosto primeiro, revisando o que aconteceu. Acho que gosto mais por ser algo não me reserva mais nada, que eu lidei, que passou. Surpresas vieram e se foram, coisas boas, ruins, alegres e tristes aconteceram e pronto, mais um capítulo da vida que se fechou. E é gostoso ver como eu lidei com tudo isso.

Começando pela filosofia do ano passado, que lembrem-se substitui as comuns metas de ano novo, acho que tive sucesso. A idéia era evitar brigas, picuinhas, discussões. Muitas vezes durante 2012, respirei fundo, deixei de brigar e parei de procurar discussões. Confesso que me distanciar de certos lugares (virtuais e reais) ajudaram. Meio que estabeleci pessoas bacanas que quero ao meu redor, que me fazem bem, e as com quais havia um atrito, foram deixadas meio de lado.

Foi um ano com viagens gostosas novamente, pra Paris, pros Estados Unidos, Islândia, pra França e várias viagens de final de semana, não a passeio, mas preparando para o grande acontecimento de 2014 :-D . Ainda mais gostoso, teve mãe e sobrinha vindo pra cá, e nós todos indo pra Euro Disney.

Dois mil e doze foi um ano que também viu bebês nascendo como lindo Ângelo da amiga Fernanda França, e Menino P., meu sobrinho caçulinha. Trazendo muita felicidade e esperança em nossas vidas! Foi um ano com uma surpresa deliciosa no meu aniversário, e uma surpresa tristonha para fechar o ano. A perda de Grandma B. sempre será uma macha no ano de 2012. Foi um ano corrido com o trabalho, passando por reformulações,  com as aulas de piano e canto, indo encontrar garotas legais para uma jantinha jogando conversa fora, telefonando para a família linda e onde sobrou pouco tempo para espremer para o blog, twitter e facebook.

Essa falta de tempo me ajudou muito em minha auto-análise, me ajudou a separar (mais uma vez) quem é amigo, quem é troca de idéias (positivas ou negativas), quem é bacana de encontrar e bater papo, quem se importa comigo – e pra todos os pontos anteriores – vice e versa, como é que as outras pessoas me percebem. Isso fez muita diferença na minha sanidade mental, e me proporcionou  melhor qualidade de vida.

Sempre difícil escrever mil maravilhas sobre um ano quando temos perdas, então fica o saldo de um ano que teve dias mais felizes que tristes, mais notícias boas que ruins, e não posso choramingar muito sobre ele não é mesmo?

E como boa do contra, eu não gosto de Ano Novo. Adoro quando fevereiro chega e o Ano novo não é mais novo. Quando é só o ano.

Ano Novo é sinal do desconhecido pra mim. Sei que como boa Pollyana, deveria adorar tudo de bom que o ano poderia trazer, mas eu sempre fui meio suspeita de anos novos. Tenho uma ansiedade de saber, o ano vai ser bom? Vai ser ruim? Alguém vai morrer? Ora, não quero que ninguém se vá nesse -ou em qualquer outro – ano! Vou ser promovida? Vou ser despedida? Vou ganhar no Euromillions? Vou ter muito stress? Vai ser tranqüilo? Meus amigos não vão embora? Vou perder alguma amizade? Vou conhecer alguém novo?

Nunca me lembro de ter sido animada com a promessa do ano novo. Por isso eu não tenho metas para o ano. Esse ano não  quero nem ter uma idéia ou filosofia. Mas vou me concentrar nas idéias de 2011 o que me parece uma boa, a de ser a mudança que quero no mundo.

Se bater a preguiça pra ir ver o vídeo post-it lá, veja aqui!


 

Sempre achei que desejar feliz ano novo é meio vazio. Nenhum ano novo é completamente  só feliz. Nem que seja algum mequetrefe que te feche no farol, sempre vai ter alguns momentos do ano em que a cobra vai fumar, e vão ter anos que vão ser apáticos, em que nada demais vai acontecer. Então eu desejo um ano forte pra você.

Forte, pra você ter muita saúde.
Forte pra você se proteger de qualquer violência e qualquer tragédia.
Forte pra se e quando você tiver momentos tristes, nervosos, ansiosos, negativos, você tenha força de saltar os obstáculos.
Forte mentalmente, e que tenha a sabedoria de reconhecer o que te faz feliz e aproveite esses momentos com muita alegria, sempre!

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Abrindo os olhos: Dez mitos sobre introvertidos

Uns tempos atrás fui relembrada do porque continuar no Twitter mesmo com todos os contras. Caiu no meu colo através da @anca_foster um artigo escrito por Carl King (@carlking) que abriu os meus olhos e tirou um peso da minha cabeça. Sem muito blablablá porque o artigo já é gigante por si mesmo, lá vai, traduzido pra ver se ajuda mais pessoas a entenderem a si mesmas e os Introvertidos ao seu redor.

Nos quadros, o que Carl King disse no site dele, em itálico são os meus comentários.

“No final de 2008, tive a sorte de descobrir um livro chamado, The Introvert Advantage (How To Thrive in an Extrovert World) (infelizmente não foi traduzindo para o português ainda) by Marti Laney, Psy.D. Parecia que alguém tinha escrito um verbete de enciclopédia sobre uma raça rara de pessoas a que pertenço. Não só explicava muitas das minhas excentricidades como também me ajudou a redefinir toda a minha vida em um novo e produtivo contexto.
Claro, qualquer um que me conhece diria: ‘Duh! Por que você demorou tanto tempo para perceber que você é um introvertido?’ Não é tão simples. O problema é que a rotulagem de introvertido é uma avaliação muito superficial, cheio de equívocos comuns. É mais complexo do que isso.
Uma seção do livro mapa o cérebro humano e explica como neuro-transmissores seguem diferentes caminhos dominante no sistema nervoso dos introvertidos e extrovertidos. Se a ciência por trás do livro está correta, é prova de que os introvertidos são pessoas que estão mais sensíveis à dopamina, de forma que overdoses de estimulação externa esgota-os. Por outro lado, extrovertidos não produzem dopamina suficiente, e seus cérebros precisam de adrenalina para produzi-la.
Os extrovertidos também têm um curto percurso e menos fluxo de sangue para o cérebro. As mensagens de um sistema nervoso do extrovertido está em sua maioria no atalho de Broca, no lobo frontal, onde grande parte da contemplação ocorre.
Infelizmente, de acordo com o livro, apenas cerca de 25% das pessoas são introvertidas. Há ainda menos que são tão extremas como eu sou. Isto leva a uma série de mal-entendidos, já que a sociedade não tem muita experiência com o meu povo. (Eu amo ser capaz de dizer isso.)
Então, aqui estão alguns equívocos comuns sobre introvertidos (não tirados diretamente do livro, mas com base na minha própria experiência de vida):

Mito 1 – Os introvertidos não gostam de falar.
Isso não é verdade. Introvertidos simplesmente não falam a menos que tenham algo a dizer. Eles odeiam conversa fiada. Converse com o introvertido sobre um assunto que os interesse, e eles não vão calar a boca por alguns dias.

Não gosto mesmo de conversinha enche-linguiça, me dá gastura! Mas comece falar de algo que tenha mais substância ou possibilite eu dar a minha opinião, e eu corto todo mundo da conversa. Ultimamente tenho até pensado em prestar mais atenção quando estou me intrometendo demais ou falando demais sem deixar os outros participarem do diálogo :">

Mito 2 – Os introvertidos são tímidos.
Timidez não tem nada a ver com ser um introvertido. Introvertidos não são necessariamente amendrontados por pessoas. O que eles precisam é um motivo para interagir. Eles não interagem em prol da interação. Se você quiser falar com um introvertido, basta começar a falar. Não se preocupe em ser educado.

Isso abriu os meus olhos, eu sempre me entitulei tímida mas todos os meus amigos diziam que tímida eu não sou, que falo pelas tabelas uma vez que estou na conversa. Agora caiu a ficha, por ser introvertida, prefiro selecionar as interações, e por isso não chego chegando em festa, não fico andando de mesa em mesa conversando com todo mundo do escritório, não tenho facilidade de começar papos com pessoas estranhas na rua. Sempre admirei minha mãe por ter sua simpatia, sua alegria e facilidade de relacionamento com todo mundo, e nunca entendi porque sempre tive essa dificuldade. Agora está explicado!

Mito 3 – Os introvertidos são rudes.
Introvertidos muitas vezes não vêem uma razão para rodeios com gentilezas social. Eles querem todos ser apenas reais e honestos. Infelizmente, isto não é aceitável na maioria das situações sociais, de modo que introvertidos podem sentir muita pressão para se ajustar, o que se torna muito cansativo.

Aleluia!! Até que em enfim uma explicação. Já fui chamada de rude tantas vezes, porque já vou direto ao ponto, ou onde terminamos a coversa da última vez, sem fazer rodeio. Na maioria das vezes me esqueço da sala, de perguntar como a pessoa está, blablablá. Sempre me achei uma ET por causa disso, e achando que era sem-educação ou que não me importava com as pessoas :(

Mito 4 – Os introvertidos não gostam de pessoas.
Pelo contrário, introvertidos valorizam intensamente os poucos amigos que eles têm. Podem contar seus amigos mais próximos de um lado. Se você tiver sorte o suficiente de um introvertido considerá-lo um amigo, você provavelmente tem um aliado leal para a vida. Uma vez que você ganhou o seu respeito como sendo uma pessoa de substância, você está dentro.

Isso não poderia ser mais verdade. Os meus amigos mesmo conto na mão. Confesso que pelo relacionamento com outras pessoas ser complicado por ser fora dos meu sistema, eu sofro com receio de não me ajustar. Digamos que tenho medo sim de conhecer pessoas novas, mas acho que agora se explicou que o medo não é das pessoas, mas da experiência, que pode ser sofrida. Mas uma vez que conheço-as e elas passam pelo filtro de pessoas “bacanas”, adoro reencontra-las. Já expliquei antes como é que amizades funcionam pra mim em posts passados, né?

Mito 5 – Os introvertidos não gostam de sair em público.
Absurdo. Introvertidos só não gosto de sair em público tanto quanto os extrovertidos. Eles também gostam de evitar as complicações que estão envolvidos em atividades públicas. Eles absorvem dados e experiências muito rapidamente, e como resultado, não precisam estar lá por muito tempo, e normalmente estão prontos para ir pra casa e processar essas experiências mais cedo do que os extrovertidos. Na verdade, a recarga é absolutamente crucial para introvertidos.

Também já fui acusada de party pooper* porque eu não gosto de ficar até tarde em balada, em festas, ou de ir emendando um programa no outro. Mas aí, a culpa é da dopamina! :-D Também não gosto de acordar cedinho e ficar até de madrugada na rua quando viajo. Gosto de passar o dia fora, mas sem pressa, sem correria, e sem ver um gagilhão de coisas.

Mito 6 – Os introvertidos sempre querem estar sozinho.
Introvertidos são perfeitamente confortáveis com seus próprios pensamentos. Eles pensam muito. Eles devaneiam. Eles gostam de ter problemas para trabalhar, quebra-cabeças para resolver. Mas eles também podem ficar incrivelmente solitários se não tiverem alguém para compartilhar suas descobertas. Eles anseiam por uma conexão autêntica e sincera com uma pessoa de cada vez.

Wow, não poderia ser mais verdade! Detesto ficar sozinha porque minha cabeça fervilha com pensamentos, sem ter com quem verborrejar. Bom, o blog aqui já é um exemplo né? :))

Mito 7 – Os introvertidos são estranhos.
Introvertidos são frequentemente individualistas. Eles não seguem a multidão. Eles preferem ser valorizadas por suas novas formas de vida. Eles pensam por si mesmos e por causa disso, eles muitas vezes desafiam a norma. Eles não tomam a maioria das decisões baseadas no que é popular ou moda.

Wow de novo. Quem me conhece sabe que cai direitinho como uma luva.

Mito n º 8 – Os introvertidos são nerds desinteressados.
Introvertidos são pessoas que basicamente olham para dentro, prestando atenção aos seus pensamentos e emoções. Não é que eles são incapazes de prestar atenção ao que está acontecendo ao seu redor, é só que o seu mundo interior é muito mais estimulante e gratificante para eles.

Mais uma verdade. E talvez o motivo de já ter sido chamada de egoísta, e de ter tido meus poderes de invisibilidade reconhecidos.

Mito n º 9 – Os introvertidos não sabem como relaxar e se divertir.

Introvertidos normalmente relaxam em casa ou na natureza, e não em locais públicos movimentados. Introvertidos não são candidatos a emoção ou viciados em adrenalina. Se houver muita conversa e barulho acontecendo, eles se fecham. Seus cérebros são muito sensíveis ao neurotransmissor chamado dopamina. Introvertidos e extrovertidos têm diferentes dominante neuro-vias.

Nunca gostei de multidão, mas aprendi a lidar com ela por adorar dançar, música ao vivo e futebol. Mas que prefiro dançar na sala e assistir aos shows e jogos de cadeirinha, isso sem dúvida. E agora também está explicado porque não sou adepta dos esportes radicais e detesto montanha-russa!

Mito n º 10 – Os introvertidos podem se consertar e tornarem-se extrovertidos.
Um mundo sem introvertidos seria um mundo com poucos cientistas, músicos, artistas, poetas, cineastas, médicos, matemáticos, escritores e filósofos. Dito isto, há ainda uma abundância de técnicas que as pessoas extrovertidas podem aprender, a fim de interagir com pessoas introvertidas. (Sim, eu inverti estes dois termos com o propósito de mostrar a você como nossa sociedade é tendenciosa.) Introvertidos não podem “corrigir-se” e merecem respeito pelo seu temperamento natural e as contribuições para a raça humana. De fato, um estudo (Silverman, 1986) mostrou que o percentual de introvertidos aumenta com QI.
Pode ser terrivelmente destrutivo para um introvertido negar-se a fim de se dar bem em um mundo extrovertido-dominantes. Como outras minorias, introvertidos pode acabar odiando a si mesmos e os outros por causa das diferenças.

Conheço pessoas que desenvolveram problemas psicológicos graves tentando atravessar a barreira do introvertido para o extrovertido. Minhas histórias de vida têm muitas passagens que incluem episódios desse conflito, talvez eu conte aqui no blog um dia desses. E confesso, também já tentei mudar, forçar as características de extrovertidos em mim. São características que eu invejo sim, e agora descobri que é porque somos, como introvertidos, minorias. Acho que deve ser algo como querer olho azul e cabelo loiro no Brasil (aqui eles adoram o cabelo e olhos castanhos!), e a necessidade humana de ter que se ajustar e ser aceito pelo grupo ao seu redor. Agora que descobri que provavelmente é algo físico e químico, vou trabalhar em como me ajustar ao mundo dos extrovertidos, mas não através da transformação de personalidade ou comportamento. Um alívio da pressão que todos nós nesse perfil sofremos em nossas vidas.

Se você pensa que é um introvertido, eu recomendo que você pesquisar o tema e buscar outros introvertidos para comparar as notas. A sobrecarga não é inteiramente em introvertidos para tentar se tornar “normal”. Extrovertidos necessitam reconhecer e respeitar-nos, e nós também precisamos respeitar a nós mesmos. PS Se você estiver interessado em ler mais das minhas idéias, eu escrevi um livro chamado “So, You’re A Creative Genius, Now What?” (também não traduzido para o Inglês ainda) É um guia de sobrevivência criativa carreira (artistas, músicos, escritores, diretores, atores) escrito a partir da perspectiva de um introvertido extremas.”

Já tenho uma listinha de livros pra ler sobre ser introvertido e como interagir com o mundo extrovertido, conforme fôr comprando e lendo, vou colocando aqui. E espero que ajude outros introvertidos espalhados pelo mundo

No próximo post devo refletir sobre o mito dos ingleses serem “frios” e como pode ser somente um mal entendido por serem, na verdade, mais introvertidos do que os brasileiros e passarem essa impressão.

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