Retrospectiva 2015: Janeiro, Fevereiro e Março

Já que esse é um blog sem tema, sem objetivo, sobre tudo, então bora pelo menos tentar não deixar virar um blog sem posts e literalmente sobre nada.

A comadre e ela fazem o resumo do mês, e vou roubar a idéia de leve. Pois como já dizia Picasso: “Bons artistas copiam, excelente artistas roubam.” Mas  vou copiar diferente, porque o tempo passa mais rápido do que dá pra perceber, e quando vou ver, já foi!

Deveria sim fazer ser um blog interessante, sobre algo que tenho pra falar, mas nesse momento eu quero fazer dele um registro pra olhar pra trás e ver o que se passou na minha vida. Quero não me levar tão a sério, ser tão certinha, não levar tão em conta o que outros fazem ou falam que deveria ser feito em um blog. O que significa diretamente meu lema do ano, de fazer o que eu quero e não o que deveria fazer.

Janeiro:

Amigo Secreto atrasado: Engraçado como quanto mais encontro com o pessoal querido, mais quero encontrar. Consegui ver os compadres (e a afilhada!) e mais um pessoalzinho brazuca pro tradicional amigo secreto – que sem querer acabou virando o amigo secreto atrasado. Faltaram algumas figurinhas carimbadas que se mandaram pro Brasil nos deixando aqui no friozinho, mas mesmo assim valeu a pena, com pão de queijo sendo devorado assim que saía do forno, torta de frango agradando a dona da casa, pudim de leite que mesmo dando errado deu muito certo, quindão agradando o dono da casa e chocolates, amendoins e decoração e árvore de Natal sendo desmontada pelas ajudantes voluntárias (a afilhada e a mana) se divertindo com nossos presentinhos de papel isopor embrulhados em papel laminado. Colocando o toque final, assistimos o Filme Lego, mas confesso que apesar de darmos 5 estrelas, as crianças não entenderam as piadas. O que nos proporcionou à Dona L. perguntando do que estávamos rindo e adicionando mais charme ainda à sessão cinema. Seu pai C. não compreendendo a história só nos provou que no fundo no fundo ele é uma criançona escondida em sua fachada de pai responsável :)

De papel repassado: Depois de muitos horários marcados e desmarcados, documentos atravessando o Atlântico na mala de Dona D  , e muitos e-mails prontamente respondidos pelo consulado, registramos nosso dia e agora somos casados tanto aqui como em Terra Brasilis. E só temos elogios ao atendimento do consulado. Rápido, eficiente e amigável. Depois disso, mandei o passaporte para ser renovado pelo correio, já com o novo nome – que nós dois adotamos, uma combinação de duas pessoas que se unem – e o processo foi simples, rápido e sem enrolação. Me surpreendeu,  e claro que poderia ser melhorado, mas está a anos-luz da burocracia que conheci em minha vida brasileira e britânica.

Parabéns a vocês: Teve a festa de Dona D, que comemorou no Porterhouse, um bar super badalado em Covent Garden, com direito a música ao vivo. Além de ter dado um abraço apertado pessoalmente nessa pessoa fofa, conheci mais um pessoal super bacana e tomei uma garrafinha da cerveja de morango que é difícil de achar por essas bandas. A aniversariante levou um bolo delicioso pra cantarmos a música do dia, distribuiu sorrisos e simpatia como sempre! Pena que tive que voltar mais cedo por causa do horário do trem…

Também teve a festa do cantor da banda do Mr. W. Uma festa a fantasia, com tema Disney, fomos de heróis Marvel. Eu de viúva negra e ele de Thor. O aniversariante fez cenário (a mesa de bolos era a mesa do Andy do Toy Story) e músicas heavy metal se misturavam aos hinos dos contos de fadas. Voltamos verdadeiramente a ser crianças nessa festa de 40 anos, e desconfio que os donos da casa colocaram uma vassoura atrás da porta para que finalmente fôssemos embora às duas da manhã!

Para fechar o mês, teve a festa de mini-Mr-J, tema monstros com direito a monstrinhos a carater! Fomos ajudar na montagem da decoraçãos, ajudamos na limpeza e servindo bebidas e quitutes e ainda vimos os amigos da turma Mr. W e seus filhotes de lambuja. O local foi excelente, no salão de uma igreja, era espaçoso e a idéia dos pais de colocarem uns brinquedos de chão fizeram os pequenos correrem e se divertirem à beça, sem bagunça e sem stress com barulho! Ficamos um pouco mais conversando no pub depois da festa colocando o papo em dia. Delicinha de dia!

Jantarzinho a dois: Como reconhecimento de um projeto que completei no ano passado, a minha empresa nos pagou um jantar a dois onde escolhêssemos. Fomos no Drake’s , um restaurante com uma estrela Michelin em Ripley, Surrey (um condado adjacente a Londres). Gostamos bastante e está na nossa lista de locais para gastar esses prêmios extras. Vou escrever um post sobre o restaurante em separado – um dia desses  :>

Vivendo e aprendendo: Fiz um curso financiado pela empresa, Fundações de ITIL – Information Technology Infrastructure Library – uma metodologia de como implementar sistemas de TI seguindo a biblioteca de guias criados pelo governo Britânico. Eu já trabalhava com esse sistema, mas achava que era a minha empresa quem o tinha criado. ITIL é muito maior e mais utilizado mundialmente. Foram 5 dias de classes e depois de estudar o domingo inteiro fiz a prova na segunda-feira, a qual passei com orgulho. O curso deixou com cosquinha de aprender mais. O próximo foi o de Transição em Sistemas, na semana passada, e farei o resumo no próximo post de retrospectiva.

Fevereiro:

Bom te ver de novo: A Dona V. voltou de Madrid para uma visita rápida, mas deliciosa, como sempre. Aproveitamos para rever outros amigos, como Dona C. e conhecer seu mini-Mr. L, uma simpatia de bebê e super calminho, se distraindo com os menus e apetrechos da mesa. Fomos no Canteen, um dos meus restaurantes britânicos favoritos, fiquei nas opções light e dividi a sobremesa – torta de maçã – com a anfitriã do encontro, que foi embora rapidinho e deixou saudades, já nos deixando planejando o próximo encontro!

Despedida: Perdi uma tia. Uma doença súbita pegou a todos de surpresa, deixou 3 das minhas primas a continuarem suas jornadas comente com o pai ao lado delas. A distância que o divórcio dela e de meu tio causou só me foi entendida depois de que passei por uma separação eu mesma. Ficaram  remorsos de não ter tentado reatar o contato com ela, mas o fato de ter lhe escrito uma carta anos atrás explicando o quão importante ela foi em minha vida me dá um conforto de saber que ela sabia que era amada por mim. Na carta recordei dos momentos que brincávamos de vôlei no quintal que hoje sei não era tão grande quanto me parecia, mesmo jogo de vôlei em que ela bateu a cabeça pegando a bola do outro lado da muretinha e que nos rendeu boas risadas por anos a virem. As lembranças de quando ela fritava o lambari que meu tio trazia da viagem de pesca, e que nunca comi igual ou melhor. Das batatas fritas que ela fazia quando eu ia dormir lá, das vezes que ela me deixou cuidar da prima bebezinha, e que me fez por anos querer trabalhar em um berçário ou ser professora por gostar tanto de ter esse papel. As lembranças do carteado no Natal, dos dias que passávamos no bar que ela tomava conta e nos dava uns doces, pé de moleques ou doces gibi. Fica a saudade, de quem não pôde estar ao lado das primas para a despedida final, mas daqui fiz minhas meditações, pensei em todas as coisas boas que passamos juntas e ofereci palavras de conforto àqueles que sentirão a dor do vazio da uma mãe, avó, filha e irmã. É uma das partes de viver longe que se esquece quando se pensa que é algo fácil de se fazer e de viver.

Parabéns a você: Nesse mês comemoramos o aniversário de Mr. W. Por Janeiro ter sido tão ocupado vendo a todos e tantos passeios, ele optou por um final de semana tranqüilo, ao sofá e caminhadas. Assistimos muita TV – post separado com filmes e seriados um dia desses   :>  A sombra da partida da minha tia pairou sobre esse dia, mas conseguimos fazer dele um dia especial com muito amor, carinho e ainda maior valorização da importância dessa comemoração, desse ano a mais que passamos juntos, e o primeiro lado a lado como hubby e wifey.

Rir como melhor remédio: No final do mês fomos a um show de “comédia em pé” . Steward Lee é um dos comediantes favoritos de Mr. W e sempre assistimos seus programas de comédia com aquele sarcasmo ácido que somente os Britânicos sabem fazer de uma maneira engraçada. Eu me adaptei ao humor sarcástico e satírico tão forte nessa cultura da Rainha, mas confesso que apesar de chorar de rir em pedaços do show, em outros, me passou meio batido. Já era claro que o show era experimental, uma espécie de teste de piadas para a nova série de TV que virá esse ano, então tudo perdoado! O show foi no glive em Guilford, uma opção mais longe de Londres, mas ótimo para aqueles que escolheram a vida no subúrbio. Com restaurante, estacionamento, e um espaço amplo com bom som e vista do palco, provavelmente voltaremos lá no futuro!

Cuidando das pequenas: O plano era irmos na fazendinha com parquinho aqui perto de casa, mas o clima não colaborou. Mesmo assim a tropa L-M e as Mtws vieram passar o dia conosco. Fizemos sorvete, desenhamos, brincamos de Lego e jogamos monopólio. Enquanto casal L-M dava uma caminhada pelo centro da cidade e almoçavam a dois, levamos as meninas ao parquinho público, com direito a bumbum sujinho e molhado de brincar na grama de chuva e as “tias” que não eram rápidas suficientes para limpar os brinquedos!

Março:

Tarefas de casa: Mr. W levou MYPMYP (meu carro) para fazer o certificado do MOT (Ministry of Transport). Depois dos custos que tivemos o ano passado arrumando uns problemas que estavam acontecendo, MypMyp passou no teste na primeira vez, uma alívio já que muitas vezes carros usados voltam com pedidos de conserto antes de serem aprovados. O teste em si foi super fácil de agendar, com uma mecânica aqui pertinho, em uma hora estava tudo pronto! Com isso na mão, renovei  o seguro – obrigatório por essas bandas – e também paguei o importo de carro (Car Tax), tudo fácil e rápido pela internet!

Jantando fora, mas dentro de outras casas: Finalmente dois convites de “vamos marcar um jantar lá em casa um dia” se tornaram realidade. Primeiro fomos na casa do sócio de Mr. W. Apesar de ser assim aqui em casa, e Mr. W cozinhar 90% do tempo, a supresa ainda é presente quando vejo o marido cozinhando enquanto a esposa entretém os convidados, e foi assim dessa vez, assim como muitas aqui no Reino Unido e Mr. R nos preparou um delicioso curry tailandês com cheesecake de mixirica, seguido do prato de queijos – praxe em jantares britânicos. Comemos bem, bebemos bem, e o papo foi tão excelente que fomos expulsos da casa com muito bom humor à quinze para uma da manhã quando ele lembrou que tinha tinha que acordar para atender ao pedreiro cedinho no dia seguinte.

Também fomos à casa de Miss S. e Miss. L. Conhecemos seus gatunos, assistimos o Cruft (uma espécie de competição para cachorros em que donos exibem seus dotes de treinamento e o quão bonitos os deixam) e Take Me Out (um programa em que um garoto é exibido a solteiras e um casal acaba se escolhendo para sair juntos ver se começam a namorar) mas na verdade a TV ficou só de fundo mesmo. Conversamos por muitas horas, jantamos comida chinesa, e de sobremesa um pudim de chocolate light e delicioso!

A grande tela: Fomos ao cinema, para assistir Memórias (Sturdust Memories) de Woody Allen. Um filme de 1981, a razão de irmos foi outro comediante, Armando Iannucci. Esse trabalha mais como escritor, criador de shows como “Alan Partidge” e “The Thick of It” – talvez eu escreva um post sobre esses programas um dia desses :> A cada mês, o BFI (British Film Institute, Instituto de Filme Britânico, dos quais somos sócios) promove uma apresentação com diretores, atores, escritores e pessoal do ramo para falarem sobre um filme que marcaram suas vidas e foram um momento de inspiração em suas carreiras. O filme é em preto e branco e diferente das comédias tradicionais de Woody Allen. É a história de quem está tentando mudar de foco, mudar de linha de criatividade e acaba sendo criticado por quem se alimenta de seus produtos. Achei bem bacana, mas a introdução do programa e explicação de Armando ajudou entender esse filme surreal, com muitos detalhes para se prestar atenção e quase auto-biográfico.

Cumprindo um direito: A eleição geral está se aproximando e infelizmente estarei viajando no grande dia. Para ter certeza de que minha opinião conte, completei o processo de dar permissão a Mr. W para votar para mim. Peguei o formulário na internet, preenchi com o nome dele, e mandei para a regional. Semana passada foi confirmado que ele agora está autorizado a votar por mim, fácil assim! Aqui voto não é obrigatório, e apesar da minha região ser uma das áreas que mais votam, ainda existem 35% de pessoas que não se importam com o que é decidido com suas vidas e seu país. Eu quero ser parte dos 65% que têm sua voz ouvida e estou decidindo ainda para quem meu voto vai. Vou escrever um post sobre as eleições daqui em separado – um dia desses  :>

Em geral o objectivo de fazer o que quero e não o que devo foi cumprido. O peso começou a baixar novamente e lhes escrevo a 6 quilos de minha meta, mas dentro do índice de massa corporal saudável. Muitas caminhadas, dietas 5-2 e muitas comidinhas gostosas entre um e outro.

E rapidinho Abril chegou. Não tirei muitas fotos, não li blogs, não voltei pro Twitter nem pro Facebook. Mas a vida foi lembrada, celebrada, e sua perda lamentada. No meio de Abril fecho esse capítulo, abrindo mais um, viajando, voltando, vivendo. 

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Feriado? Que feriado?

Uma coisa que o pessoal que não mora aqui sempre pergunta, é se “também é/foi/vai ser feriado por aí?” Infelizmente, a maioria das vezes, a resposta é não. Não, não tem feriado de Carnaval, não tem feriado de dia de Santo, não tem feriado de dia da Independência (por motivos óbvios né  :-D ) e por aí vai.

Hoje não é feriado e ontem não foi emendado, mas o feriado que temos no lugar não é chamado de dia do Trabalho, mas “Feriado do começo de Maio”, e é sempre a primeira segunda-feira do mês de Maio.

E quais feriados nós temos então? Bem, começa pelo fato que feriado aqui é meio móvel. Se cai em dia que não é sexta ou segunda-feira, eles fazem questão de mover pra próxima semana. Além disso, os feriados vão variar um pouco de país pra país. Às vezes o que é feriado aqui na Inglaterra, não é na Irlanda do Norte (onde eles não recebem por feriado, tem que tirar de férias!), ou na Escócia, e vice-versa. Então se você quiser saber direitinho antes de planejar viagem ou antes de reclamar que seu/ua amig/a não respondeu os emails, não entrou no twitter ou no messenger pra falar com você e deu uma sumida básica, olha o calendário oficial do Reino Unido aqui.

Feriado aqui é chamado de Bank Holiday – férias do Banco, literalmente – e seria o feriado financeiro, o dia que os funcionários do banco não vão trabalhar. Aqui a maioria das agências abrem de sábado, então talvez tenha alguma relação com esse fato (até os feriados que seriam Public Holidays – feriado público, que seriam feriados tradicionalmente e não porque o banco não abre, como Natal por exemplo – hoje em dia são chamados, erroneamente de Bank Holidays).

Mas em geral, os feriados da Inglaterra normalmente são:

Ano Novo: 1 de Janeiro (E se cai em final de semana, é transferido pra segunda-feira seguinte)

Sexta-feira Santa e Segunda-Feira de Páscoa (acompanha a sexta-feira santa do Brasil, mas adicione aí a Segunda-feira de Páscoa ao invés de ser só o Domingo)

Feriado da Primavera: Normalmente a última segunda-feira de Maio. – e normalmente o meu aniversário <:-P . Esse ano foi transferido pra primeira segunda-feira de Junho, já que o feriado do Jubileu de Diamante da Rainha “no poder” vai ser comemorado na terça-seguinte. E como bom britânicos que não concordam com a família real ainda estar sugando recursos financeiros, vamos nos mandar pra França esse ano  /:)

Feriado de Verão: Última segunda-feira de Agosto.

Natal e Boxing Day: Normalmente 25 e 26 de Dezembro, mas se um dos dois ou os dois dias caírem no final de semana, são empurrados pra próxima segunda-feira.

Então são só essas merrequinhas que temos de feriados. Sete dias por ano normalmente. Ano passado teve o casamento de Wills e Kate e esse ano tem o Jubileu da Beth, então tem mais uma lambujinha. Mas nem reclamo muito. Sei que os dias de trabalho são importantes para a economia e uma amiga me falou que no Brasil quase não se emenda mais, a não ser que você tire de férias, então não sei a quantas anda a “vida boa” na terra do arroz com feijão  :>

E por falar em trabalho, e dia do trabalho, fica aqui a minha contribuição, como toda socialista hipócrita e mequetrefe  X_X


Feita em 1895 pelo ilustrados  inglês Walter Crane, essa Guirlanda em comemoração ao dia do trabalho ainda é tão atual 117 depois!

Em destaque são os pontos que ele faz que eu acho mais importantes na socidade de hoje, que aliás anda tão pacata, tão aceitando tudo que lhe falam e lhe impõem, mas isso é assunto pra outro post.
Socialism means the most helpful and happy life for all: Socialismo significa a vida mais úitl e feliz para todos
A commonwealth when wealth is common: Uma nação quando a riqueza é comunitária
Art and Empolyment for all: Arte e emprego para todos
Hope in Work & Joy in Leisure: Esperança no Trabalho e Alegria no Lazer
Cooperation & Emolation, not competition: Cooperação e Concorrência, não competição.
Shorten Working Day & Lengthen Life: Dias de trabalho mais curtos, vida mais longa.
England should feed her own people: A Inglaterra deveria alimentar seu povo
The land for the people: A terra para o povo
Merrie England: Inglaterra Feliz
No people can be free while dependant for their bread: Ninguém pode ser livre enquanto dependente para conseguir seu pão.
The plogh is a better backbone than the factory: O trator é uma espinha melhor que a fábrica.
No child toilers: Não às crianças trabalhadoras
Production for use, not for profit: Produção para uso, não lucro
Solidarity For Work: Solidariedade para o trabalho
The cause of labour is the hope of the world: A causa do trabalho é a esperança do mundo.

Faz sentido não faz?

Feliz dia do Trabalho pra você trabalhor/a que tem dias de férias, hora extra paga, benefícios e um salário decente graças aos socialistas e sindicalistas de gerações passadas. Feliz Dia do Trabalho pra você que não está trabalhando, mas que sabe a importância do trabalho mais do que ninguém, espero que sua jornada até o próximo emprego seja curta e útil. Feliz dia do trabalho pra você que escolhe não trabalhar, que essa ecolha seja baseada na certeza de que seu serviço feito em casa ou na caridade te traz a paz, felicidade e segurança necessária para enfrentar uma jornada de liberdade psicológica, física e espiritual.

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A imprensa adora uma tragédia

Ok, ok, eu ia escrever um post amanhã bem bonitinho falando sobre a minha primeira semana no Brasil, mas infelizmente o tempinho livre  apareceu justo no dia que uma tragédia aconteceu, e como minha cabeça fica a mil e reclamar com os pais – que concordam comigo – não adianta muito nessas horas, eu venho pro blog estravazar. Achar que estou gritando aos 4 cantos da internet, o que parece acalmar meus ânimos nessas horas, por mais que os 4 cantos sejam os 9 leitores fiéis desse canto.

Eu comecei a escrever o desabafo no Twitter, mas me emp0lguei demais, então movi o discurso pra cá.

O assunto desagradável é o ataque da escola do Rio de Janeiro, claro.

Junto com o evento, que em si já é trágico e só imaginável hoje em dia porque acontece em algum lugar na Terra pelo menos uma vez por ano, vem o circo armado pela imprensa.

Especulações (a princípio falaram que era pai de aluno, mas tarde foi confirmado que era ex-aluno) , entrevistas com testemunhas, com curiosos, com policiais, com os pais das vítimas. Querendo falar como tudo aconteceu, como foram os tiros, aonde, que horas. Coletiva de imprensa do Governador do Estado, dizendo que o atirador era um animal psicopata, e entrevista até com técnico de futebol sobre o que ele acha do assunto (pois é, entre mudanças de canais para evitar o mau jornalismo sobre a notícia vi o Luxembrugo sendo perguntado o que ele achava da tragédia). E pode esperar, fotos das vítimas, história das vidas, pais desesperados na televisão, revistas e rádios. Agora a pergunta é, porque alguém gostaria de saber disso? Só aumenta ainda mais a dor que causa em população já frágil, e essa dor é em vão, porque não haverá ação para ajudar, para se evitar isso no futuro, e essa é a tristeza e frustração que infelzmente a imprensa coloca no mundo hoje. Aqui em casa, começou a baixaria e sensacionalismo, desligamos tudo, vai pro futebol, musiquinha e desenho animado.

Nessas horas minha opinião é que o papel da imprensa deveria ser o de informar os fatos que queremos saber. X vítimas na escola Y. Polícia entrou, atirador se matou (para sabermos se o causador foi pego ou se está à solta oferecendo risco à população). Vítimas socorridas no hospital Z (para quem fôr familiar ou quiser/puder ajudar). Motivos explicados na carta explicam que aconteceu por causa disso (isso talvez ajudasse a todos compreenderem o fato, e evitar assim, a revolta e amargura – nesse caso, a publicação da carta não ofereceu explicações) . Claro que serão detectado os motivos do ocorrido foram dois fatos: má assistência a doentes mentais (aqui se inclui viciados em drogas e álcool), e o acesso fácil a armamento. Daí discutir com o público e cobrar das autoridades uma atitude para que o fato não se ocorra mais. Cortar o mal pela raiz. Esse é o papel da imprensa, no meu ponto de vista.

Simples? Não é. Possível? Com certeza. Basta vontade – como apontou a minha mãe, dinheiro não é fator para a imprensa relatar o que deveria ser relatado. E a gente sabe que governantes fazem o que a pressão da imprensa pede. Mas a tendência é de achar que casos isolados não são importantes. E não tô falando só do Brasil não. Estados Unidos já teve tantos casos, perdemos as contas. Inglaterra (mesmo com acesso a armamento super-ultra contrado) teve um caso há anos atrás e no ano passado um senhor esquizofrênico matou várias pessoas na rua (mesmo após pedir ajuda aos médicos de que estava em depressão e ser ignorado). Na Alemanha também, há uns dois anos, ouve o mesmo evento em uma escola.

Antes de desligar o rádio, veio a notícia de bombas colocadas em outra escola do Rio de Janeiro. Mas “somente” 4 alunos se machucaram. Então como a tragédia é menor, fica com um destaque pequenininho. Mas quem colocou a bomba lá? Há risco de mais bombas? Não se sabe, e a única notinha ainda tem link pra notícia tragédia do momento, onde já não se pode fazer mais nada.

E é isso que a imprensa deveria estar discutindo. Não colocando mais amargura no coração do povo que já se entristece, se sente impotente e indignado diante de um evento dessa natureza.

Como doentes mentais deveriam estar sendo identificados, tratados e monitorados? Como o acesso a armas deve ser mais controlado? E a notícia da bomba e a investigação quanto a esse fato, como ficou?

Espero que as vítimas e seus familiares assim como professores e funcionários recebam uma assistência decente, agora é tratar os sintomas de uma doença que infelizmente não foi tratada, e tentar dar uma vida normal aos que ficaram para trás.

PS: O post bonitinho sobre o Brasil ainda virá em breve, mas hoje não deu pra ficar com o discurso enroscado na garganta.

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Do povo para o povo – II

Com o tempo eu criei uma superstição (ou seria costume?) que quando algo evita eu falar ou escrever alguma coisa que eu queria, é porque no final das coisas a melhor coisa seria enterrar o assunto.

E ba-ta-ta, a segunda parte do post acabou se perdendo na perda de energia do micro e na falha técnica que deu no WordPress quando tentei escrever tudo de uma vez.

Então ao invés de ficar irritada com o fato que perdi o trabalhão de escrever tudo, vou continuar de onde parei de cabeça fresca e mudando o teor e a intensidade do texto.

Só pra lembrar onde parei no último post:

E já que a realidade seria muito zumbi se fôsse apática (o que eu também abomino. Apatia é uma coisa, ficar em cima do muro é outra e se retirar da briga é outra) vamos para a realidade que se confunde com a internet nos tempos de hoje.

A briga foi quente, como sempre, mas tenho que dizer que foram poucos dos meus amigos que realmente foram extermos vendo somente um lado da moeda, em uma tentativa de fazer os amigos que não concordavam com suas opções de votos a mudarem de idéia.

Não concordo com o discurso que política, religião e futebol não se discute. Tem que discutir sim! Sem discussão o mundo estaria stagnado. Prefiro que o mundo ande, pra frente ou pra trás, mas que haja movimento. Senão, qual é a razão de tudo isso? Melhor sentar e esperar a morte da bezerra.

Eu gosto quando tem discussões acirradas, e eu mesma já mudei de idéia e abri a mente pra várias coisas que não via antes através das redes sociais. Em quesito de crenças religiosas (ou a abdicação delas), políticas, sociais, enfim, a cada opinião dos outros eu acabo meio que ponderando, e guardando o que acho legal guardar e cuspindo o que não concordo. Às vezes meto o bedelho expondo o meu ponto-de-vista, mas na maioria das vezes não faz muita diferença, a pessoa ignora e segue o rumo.

O que me impressionou (mas não surpreendeu) nas eleições foi a quantidade de gente que perdeu mesmo as estribeiras, dando xiliques, bloqueando amigos, baixando o nível de como se referir a quem tinha uma opinião diferente da deles. Não cortei relação com ninguém e não acho que ninguém tenha cortado comigo e no fim as pessoas, com quem tenho contato, esfriaram os ânimos reconheceram que estavam exagerando, e baixaram a bola.

Eu acho que a diferença comigo é que eu demoro pra subir a bola, principalmente publicamente e na net. Mas fico positiva ao saber que as pessoas têm a capacidade de perceber que o extremismo não leva a nada, não importa a causa. E pra falar a verdade, se a pessoa acabar se provando extremista (no meu ponto de vista, diferente de militante) quem vai cortar os laços sou eu.

Resumindo o que eu achei da briga, vou deixar aqui o que postei no Facebook: e eu penso cá com meus botões. Quem odeia o PSDB e tudo o que ele representa, se não fôsse pelo FHC o Brasil ainda estaria na lama cortando três zeros à direita a cada 6 meses. Quem odeia o PT, senão fôsse pelo Lula os pobres ainda seriam miseráveis. O ideal seria juntar forças no que são bons em fazer pelo bem da nação e não essa guerra de braços pelo poder. Mas talvez seja ingenuidade e uma utopia.

E finalizando, se um dia eu votar nas eleições brasileiras novamente, vou fazer igualzinho quero fazer quando fôr votar nas eleições britânicas. Pesquisar MUITO as propostas de governo. O quanto teve de corrupção durante o governo, o que foi feito, o que foi desfeito, e pesar na balança.

Concordo que é muito complicado fazer isso com uma mídia interesseira e manipuladora, mas sei que é possível.

E só dessa forma terei qualquer direito de reclamar de promessas que não foram cumpridas e não me decepcionar quando o barco entornar pro lado errado, porque daí sim fiz parte da multidão que acabou escolhendo um dos lados, ciente do que esperava pela frente.

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Do povo para o povo – I

Não ia fazer discurso sobre a eleição. Reconheço que é fácil apontar o dedo e se isentar de ter que tomar uma posição. Desde que estou cá não voto. Mas a coceira na mão é maior. Talvez seja aquela história de verás que um filho teu não foge à luta. E a mania de ter que botar pra fora o que eu penso é maior do que a atitude politicamente correta de ficar quieta.

Começa que não concordo que um país possa se chamar democrático quando obriga seus nacionais a votar. Ué, a escolha não deveria ser do povo se deve votar ou não? Já começa por aí.

Minha abstinência do voto não é por preguiça, nem por protesto. Não voto por puro egoísmo. Por medo de me descobrirem aqui e virem pedir que eu pague imposto do dinheirinho que faço – pelo qual pago imposto, e com gosto aqui – lá, o que não acho justo – pelo menos até que me provem que dinheiro arrecadado lá vai pra ser gasto com o povo e não pro bolso de político salafrário e cabidão de emprego. Então no fim, nunca transferi o título e sempre justifico e pago multa pra ficar em dia com a Justiça Eleitoral até o dia que me falarem que não pode mais.

Também não tenho peso na consciência de me abster porque apesar de me importar com o futuro do Brasil, e com a qualidade de vida que minha família e meus amigos que lá moram (ou têm vontade de voltar) eu acho que não está mais em minhas mãos dizer pra que lado o país deveria ir. Quem está lá ou quer voltar pra lá que está passando na pele o que é decido no plenário que têm que ter sua voz ouvida. Eu parei de acompanhar notícias e de acompanhar a história política do país há anos, então tenho consciência de que se votasse seria para aumentar a massa de votos pra quem quer que fôsse que meus pais estivessem votando, e como uma mulher de 30 anos, gostaria de tomar essa decisão por mim mesma.

Também preciso falar que eu acho que democracia não é meu sistema favorito de governo. Essa coisa de do povo-para o povo, no meu ponto de vista, não funciona. Porque o povo não vai chegar nunca num consenso do que é melhor para si, sempre vão haver divergências de opinião, porque opinião é isso mesmo. Gerada por anos e anos de vida, de experiências diferentes, de desejos divergentes, de ação e reação opostas. O que eu quero não é o mesmo que você, e diferente do vizinho.

Tem uma história interessante daqui, o primeiro-ministro Harold Wilson nos anos 60-70 lutou contra a vontade do povo e da mídia quando aboliu censura, legalizou o aborto, aboliu a lei que fazia homossexualismo ser ilegal, mudou as regras da imigração sem ligar muito pra opinião do povo e dos jornais sobre esses assuntos. Ele era um homem que conseguia enxergar o que a nação precisava e foi contra o que os jornais falavam. Sem o medo que predomina hoje de pesquisas de opinião, especialistas na TV e no rádio, na internet e nos jornais, e sem o medo de perder votos e de uma super-valorizada democracia ele enfrentou os quesitos de peito aberto e implementou o que achava certo. Resultado, Grâ Bretanha conseguiu enxergar que realmente as decisões eram o melhor para a Nação. Meio que quando a criança tá doente e não quer tomar remédio. Você às vezes tem que enfiar goela abaixo e fazer tomar remédio, depois do gosto amargo a criança sara, e com certeza nem vai perceber que tomou remédio um dia.

Por isso democracia não funciona. Não que povo  não saiba votar. Povo sabe votar direitinho. Mas o povo não sabe, e não tem como saber, o que é melhor para a Nação. Cada individual sabe o que melhor pra si. Mas como isso pode funcionar no coletivo, me pergunto cá pros meus botões?

A pessoa vota visando seus próprios interesses. Seja ele de acumular fortuna, medo de perder o que levou uma vida construindo ou herdou de outra maneira, vontade de ver um país mais eqüalitário, uma sociedade mais justa, e esses dois últimos são tão relativos… Seus motivos não importam mas são individuais, e como falei lá em cima, quando o assunto é individual, impossível achar o consenso que a maioria concorde, e novamente, quem disse que a maioria é correta?

E daí tem outra dúvida que vem com isso. Como saber quem seria o iluminado que saberia o que é melhor para a Nação?  Como saber que seria um Harold Wilson e não um Tony Blair que levou o país à uma Guerra desnecessária contra a vontade do povo?

E não me entendam errado. Sou completamente a favor da liberdade da expressão (contanto que não seja usada para a vinculação do ódio), da voz do povo protestando contra o que acha errado e comemorando o que acha certo. Imperialismo, militarismo, socialismo e comunismo já foram tentados e reprovados. Então saberia o que sugerir como caminho melhor. Mas assim como não concordo com capitalismo, não concordo com democracia. Ambas caem na categoria de uma discordância meio inútil, porque não sei como sugerir uma alternativa.

Talvez seja mesmo a utopia que nunca antigiremos, infelizmente.

Na minha utopia, vamos chamar de o país Leleilândia, o poder não corromperia as pessoas, um painel seria formado com as melhores cabeças do país, pessoas escolhidas por elas mesmas – pois elas se identificariam – que conseguiriam valorizar a importância da estabilidade econômica sem virar as costas para os mais vulneráveis e menos privilegiados. Conseguiriam exergar a necessidade da divisão, sem serem injustos e terem que afetar demais aqueles que nascem com mais dotes (intelectuais, físicos, econômicos). Esquerda e direita trabalhariam juntas pelo poder da nação como um todo. A partilha viria de cada individual por vontade própria e não imposta. Mas em Leleilândia só tem pessoas do bem e ninguém tem paranóia, medo ou insegurança. A única coisa que se discute é futebol. Religiões (e ateísmo) vivem de mãos dadas acreditando que cada um vive a religião que precisa para aprender/lidar com a vida da melhor forma que precise – e como religião não é distorcida em nome do poder, a mesma não precisa ir além dos ensinamentos reais a que foi proposta.
Não é necessário briga pelo poder porque os seres humanos lá não precisam de poder. Não têm a carga que a realidade aqui tem, de experiências de vida, influência de mídia, carga genética, histórias de guerra, fome, miséria, cruzadas, perseguições, crime e desigualdade social.
No país de Lelei-lândia todo mundo sabe ouvir, aceitar e ponderar a idéia do próximo, pesar prós e contras e decidir pelo caminho ideal. Quer saber, talvez nem precisasse de um Governo falando o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve, porque os Leleizenses saberiam o que fazer e o que seguir por conta própria.

Mas infelizmente Leleilândia só seria possível se eu resolvesse fumar uns breketi, e como eu nunca fumei nem cigarro de palha eu tento fazer sentido da realidade mesmo.

E já que a realidade seria muito zumbi se fôsse apática (o que eu também abomino. Apatia é uma coisa, ficar em cima do muro é outra e se retirar da briga é outra) vamos para a realidade que se confunde com a internet nos tempos de hoje.

A briga foi quente, e como sempre, mas tenho que dizer que foram poucos dos meus amigos que realmente foram extermos vendo somente um lado da moeda, em uma tentativa de fazer os amigos que não concordavam com suas opções de votos a mudarem de idéia.

Cotinua no próximo post

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