Retrospectiva 2015: Janeiro, Fevereiro e Março

Já que esse é um blog sem tema, sem objetivo, sobre tudo, então bora pelo menos tentar não deixar virar um blog sem posts e literalmente sobre nada.

A comadre e ela fazem o resumo do mês, e vou roubar a idéia de leve. Pois como já dizia Picasso: “Bons artistas copiam, excelente artistas roubam.” Mas  vou copiar diferente, porque o tempo passa mais rápido do que dá pra perceber, e quando vou ver, já foi!

Deveria sim fazer ser um blog interessante, sobre algo que tenho pra falar, mas nesse momento eu quero fazer dele um registro pra olhar pra trás e ver o que se passou na minha vida. Quero não me levar tão a sério, ser tão certinha, não levar tão em conta o que outros fazem ou falam que deveria ser feito em um blog. O que significa diretamente meu lema do ano, de fazer o que eu quero e não o que deveria fazer.

Janeiro:

Amigo Secreto atrasado: Engraçado como quanto mais encontro com o pessoal querido, mais quero encontrar. Consegui ver os compadres (e a afilhada!) e mais um pessoalzinho brazuca pro tradicional amigo secreto – que sem querer acabou virando o amigo secreto atrasado. Faltaram algumas figurinhas carimbadas que se mandaram pro Brasil nos deixando aqui no friozinho, mas mesmo assim valeu a pena, com pão de queijo sendo devorado assim que saía do forno, torta de frango agradando a dona da casa, pudim de leite que mesmo dando errado deu muito certo, quindão agradando o dono da casa e chocolates, amendoins e decoração e árvore de Natal sendo desmontada pelas ajudantes voluntárias (a afilhada e a mana) se divertindo com nossos presentinhos de papel isopor embrulhados em papel laminado. Colocando o toque final, assistimos o Filme Lego, mas confesso que apesar de darmos 5 estrelas, as crianças não entenderam as piadas. O que nos proporcionou à Dona L. perguntando do que estávamos rindo e adicionando mais charme ainda à sessão cinema. Seu pai C. não compreendendo a história só nos provou que no fundo no fundo ele é uma criançona escondida em sua fachada de pai responsável :)

De papel repassado: Depois de muitos horários marcados e desmarcados, documentos atravessando o Atlântico na mala de Dona D  , e muitos e-mails prontamente respondidos pelo consulado, registramos nosso dia e agora somos casados tanto aqui como em Terra Brasilis. E só temos elogios ao atendimento do consulado. Rápido, eficiente e amigável. Depois disso, mandei o passaporte para ser renovado pelo correio, já com o novo nome – que nós dois adotamos, uma combinação de duas pessoas que se unem – e o processo foi simples, rápido e sem enrolação. Me surpreendeu,  e claro que poderia ser melhorado, mas está a anos-luz da burocracia que conheci em minha vida brasileira e britânica.

Parabéns a vocês: Teve a festa de Dona D, que comemorou no Porterhouse, um bar super badalado em Covent Garden, com direito a música ao vivo. Além de ter dado um abraço apertado pessoalmente nessa pessoa fofa, conheci mais um pessoal super bacana e tomei uma garrafinha da cerveja de morango que é difícil de achar por essas bandas. A aniversariante levou um bolo delicioso pra cantarmos a música do dia, distribuiu sorrisos e simpatia como sempre! Pena que tive que voltar mais cedo por causa do horário do trem…

Também teve a festa do cantor da banda do Mr. W. Uma festa a fantasia, com tema Disney, fomos de heróis Marvel. Eu de viúva negra e ele de Thor. O aniversariante fez cenário (a mesa de bolos era a mesa do Andy do Toy Story) e músicas heavy metal se misturavam aos hinos dos contos de fadas. Voltamos verdadeiramente a ser crianças nessa festa de 40 anos, e desconfio que os donos da casa colocaram uma vassoura atrás da porta para que finalmente fôssemos embora às duas da manhã!

Para fechar o mês, teve a festa de mini-Mr-J, tema monstros com direito a monstrinhos a carater! Fomos ajudar na montagem da decoraçãos, ajudamos na limpeza e servindo bebidas e quitutes e ainda vimos os amigos da turma Mr. W e seus filhotes de lambuja. O local foi excelente, no salão de uma igreja, era espaçoso e a idéia dos pais de colocarem uns brinquedos de chão fizeram os pequenos correrem e se divertirem à beça, sem bagunça e sem stress com barulho! Ficamos um pouco mais conversando no pub depois da festa colocando o papo em dia. Delicinha de dia!

Jantarzinho a dois: Como reconhecimento de um projeto que completei no ano passado, a minha empresa nos pagou um jantar a dois onde escolhêssemos. Fomos no Drake’s , um restaurante com uma estrela Michelin em Ripley, Surrey (um condado adjacente a Londres). Gostamos bastante e está na nossa lista de locais para gastar esses prêmios extras. Vou escrever um post sobre o restaurante em separado – um dia desses  :>

Vivendo e aprendendo: Fiz um curso financiado pela empresa, Fundações de ITIL – Information Technology Infrastructure Library – uma metodologia de como implementar sistemas de TI seguindo a biblioteca de guias criados pelo governo Britânico. Eu já trabalhava com esse sistema, mas achava que era a minha empresa quem o tinha criado. ITIL é muito maior e mais utilizado mundialmente. Foram 5 dias de classes e depois de estudar o domingo inteiro fiz a prova na segunda-feira, a qual passei com orgulho. O curso deixou com cosquinha de aprender mais. O próximo foi o de Transição em Sistemas, na semana passada, e farei o resumo no próximo post de retrospectiva.

Fevereiro:

Bom te ver de novo: A Dona V. voltou de Madrid para uma visita rápida, mas deliciosa, como sempre. Aproveitamos para rever outros amigos, como Dona C. e conhecer seu mini-Mr. L, uma simpatia de bebê e super calminho, se distraindo com os menus e apetrechos da mesa. Fomos no Canteen, um dos meus restaurantes britânicos favoritos, fiquei nas opções light e dividi a sobremesa – torta de maçã – com a anfitriã do encontro, que foi embora rapidinho e deixou saudades, já nos deixando planejando o próximo encontro!

Despedida: Perdi uma tia. Uma doença súbita pegou a todos de surpresa, deixou 3 das minhas primas a continuarem suas jornadas comente com o pai ao lado delas. A distância que o divórcio dela e de meu tio causou só me foi entendida depois de que passei por uma separação eu mesma. Ficaram  remorsos de não ter tentado reatar o contato com ela, mas o fato de ter lhe escrito uma carta anos atrás explicando o quão importante ela foi em minha vida me dá um conforto de saber que ela sabia que era amada por mim. Na carta recordei dos momentos que brincávamos de vôlei no quintal que hoje sei não era tão grande quanto me parecia, mesmo jogo de vôlei em que ela bateu a cabeça pegando a bola do outro lado da muretinha e que nos rendeu boas risadas por anos a virem. As lembranças de quando ela fritava o lambari que meu tio trazia da viagem de pesca, e que nunca comi igual ou melhor. Das batatas fritas que ela fazia quando eu ia dormir lá, das vezes que ela me deixou cuidar da prima bebezinha, e que me fez por anos querer trabalhar em um berçário ou ser professora por gostar tanto de ter esse papel. As lembranças do carteado no Natal, dos dias que passávamos no bar que ela tomava conta e nos dava uns doces, pé de moleques ou doces gibi. Fica a saudade, de quem não pôde estar ao lado das primas para a despedida final, mas daqui fiz minhas meditações, pensei em todas as coisas boas que passamos juntas e ofereci palavras de conforto àqueles que sentirão a dor do vazio da uma mãe, avó, filha e irmã. É uma das partes de viver longe que se esquece quando se pensa que é algo fácil de se fazer e de viver.

Parabéns a você: Nesse mês comemoramos o aniversário de Mr. W. Por Janeiro ter sido tão ocupado vendo a todos e tantos passeios, ele optou por um final de semana tranqüilo, ao sofá e caminhadas. Assistimos muita TV – post separado com filmes e seriados um dia desses   :>  A sombra da partida da minha tia pairou sobre esse dia, mas conseguimos fazer dele um dia especial com muito amor, carinho e ainda maior valorização da importância dessa comemoração, desse ano a mais que passamos juntos, e o primeiro lado a lado como hubby e wifey.

Rir como melhor remédio: No final do mês fomos a um show de “comédia em pé” . Steward Lee é um dos comediantes favoritos de Mr. W e sempre assistimos seus programas de comédia com aquele sarcasmo ácido que somente os Britânicos sabem fazer de uma maneira engraçada. Eu me adaptei ao humor sarcástico e satírico tão forte nessa cultura da Rainha, mas confesso que apesar de chorar de rir em pedaços do show, em outros, me passou meio batido. Já era claro que o show era experimental, uma espécie de teste de piadas para a nova série de TV que virá esse ano, então tudo perdoado! O show foi no glive em Guilford, uma opção mais longe de Londres, mas ótimo para aqueles que escolheram a vida no subúrbio. Com restaurante, estacionamento, e um espaço amplo com bom som e vista do palco, provavelmente voltaremos lá no futuro!

Cuidando das pequenas: O plano era irmos na fazendinha com parquinho aqui perto de casa, mas o clima não colaborou. Mesmo assim a tropa L-M e as Mtws vieram passar o dia conosco. Fizemos sorvete, desenhamos, brincamos de Lego e jogamos monopólio. Enquanto casal L-M dava uma caminhada pelo centro da cidade e almoçavam a dois, levamos as meninas ao parquinho público, com direito a bumbum sujinho e molhado de brincar na grama de chuva e as “tias” que não eram rápidas suficientes para limpar os brinquedos!

Março:

Tarefas de casa: Mr. W levou MYPMYP (meu carro) para fazer o certificado do MOT (Ministry of Transport). Depois dos custos que tivemos o ano passado arrumando uns problemas que estavam acontecendo, MypMyp passou no teste na primeira vez, uma alívio já que muitas vezes carros usados voltam com pedidos de conserto antes de serem aprovados. O teste em si foi super fácil de agendar, com uma mecânica aqui pertinho, em uma hora estava tudo pronto! Com isso na mão, renovei  o seguro – obrigatório por essas bandas – e também paguei o importo de carro (Car Tax), tudo fácil e rápido pela internet!

Jantando fora, mas dentro de outras casas: Finalmente dois convites de “vamos marcar um jantar lá em casa um dia” se tornaram realidade. Primeiro fomos na casa do sócio de Mr. W. Apesar de ser assim aqui em casa, e Mr. W cozinhar 90% do tempo, a supresa ainda é presente quando vejo o marido cozinhando enquanto a esposa entretém os convidados, e foi assim dessa vez, assim como muitas aqui no Reino Unido e Mr. R nos preparou um delicioso curry tailandês com cheesecake de mixirica, seguido do prato de queijos – praxe em jantares britânicos. Comemos bem, bebemos bem, e o papo foi tão excelente que fomos expulsos da casa com muito bom humor à quinze para uma da manhã quando ele lembrou que tinha tinha que acordar para atender ao pedreiro cedinho no dia seguinte.

Também fomos à casa de Miss S. e Miss. L. Conhecemos seus gatunos, assistimos o Cruft (uma espécie de competição para cachorros em que donos exibem seus dotes de treinamento e o quão bonitos os deixam) e Take Me Out (um programa em que um garoto é exibido a solteiras e um casal acaba se escolhendo para sair juntos ver se começam a namorar) mas na verdade a TV ficou só de fundo mesmo. Conversamos por muitas horas, jantamos comida chinesa, e de sobremesa um pudim de chocolate light e delicioso!

A grande tela: Fomos ao cinema, para assistir Memórias (Sturdust Memories) de Woody Allen. Um filme de 1981, a razão de irmos foi outro comediante, Armando Iannucci. Esse trabalha mais como escritor, criador de shows como “Alan Partidge” e “The Thick of It” – talvez eu escreva um post sobre esses programas um dia desses :> A cada mês, o BFI (British Film Institute, Instituto de Filme Britânico, dos quais somos sócios) promove uma apresentação com diretores, atores, escritores e pessoal do ramo para falarem sobre um filme que marcaram suas vidas e foram um momento de inspiração em suas carreiras. O filme é em preto e branco e diferente das comédias tradicionais de Woody Allen. É a história de quem está tentando mudar de foco, mudar de linha de criatividade e acaba sendo criticado por quem se alimenta de seus produtos. Achei bem bacana, mas a introdução do programa e explicação de Armando ajudou entender esse filme surreal, com muitos detalhes para se prestar atenção e quase auto-biográfico.

Cumprindo um direito: A eleição geral está se aproximando e infelizmente estarei viajando no grande dia. Para ter certeza de que minha opinião conte, completei o processo de dar permissão a Mr. W para votar para mim. Peguei o formulário na internet, preenchi com o nome dele, e mandei para a regional. Semana passada foi confirmado que ele agora está autorizado a votar por mim, fácil assim! Aqui voto não é obrigatório, e apesar da minha região ser uma das áreas que mais votam, ainda existem 35% de pessoas que não se importam com o que é decidido com suas vidas e seu país. Eu quero ser parte dos 65% que têm sua voz ouvida e estou decidindo ainda para quem meu voto vai. Vou escrever um post sobre as eleições daqui em separado – um dia desses  :>

Em geral o objectivo de fazer o que quero e não o que devo foi cumprido. O peso começou a baixar novamente e lhes escrevo a 6 quilos de minha meta, mas dentro do índice de massa corporal saudável. Muitas caminhadas, dietas 5-2 e muitas comidinhas gostosas entre um e outro.

E rapidinho Abril chegou. Não tirei muitas fotos, não li blogs, não voltei pro Twitter nem pro Facebook. Mas a vida foi lembrada, celebrada, e sua perda lamentada. No meio de Abril fecho esse capítulo, abrindo mais um, viajando, voltando, vivendo. 

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Ai ai ai… Tá chegando a hora…

E não, o título do post não é sobre a Copa e a eliminação da querida Inglaterra  :-q

Aos que não se lembram,  lá atrás, há dois anos contei que tinha tido o melhor aniversário da minha vida. Justificando o que acabou tomando conta do meu tempo livre e com o maior prazer, o motivo do blog/twitter/facebook andarem meio às traças.

O relato do aniversário em detalhe ainda está na fila para ser escrito, na fila de tantas coisas que ainda tenho para colocar em dia!

Mas queria e precisava deixar marcado aqui essa data, um mês e um dia* para chegar a hora.

A hora em que não teremos todos os amigos e família que gostaríamos de ter junto com a gente, aqueles que não puderam fazer a jornada, aqueles que se foram antes do dia chegar. Gostaríamos de poder convidar todos aqueles que apertaram nossa mão um dia, que alegraram nosso dia com uma frase de carinho, uma resposta de apoio. Mas teremos aqueles que vão atravessar o Oceano,  aqueles que cabiam no nosso orçamento, os selecionados que durante nossa vida juntos fizeram questão de fazer parte dela, que perguntavam como estávamos quando a nossa peteca caía em perguntar como eles estavam, que fizeram parte de nossa história, assim mesmo que somente mais ligeiramente de perto.

E aqui uso esse espaço para pedir dizer aos que ficaram de fora da lista de convidados, mesmo assim, nunca deixarão de fazer parte da lista de amigos  :x

A hora em que não teremos flores “de verdade” porque é isso que a regra diz que temos que ter. Por diferentes motivos, teremos flores feitas à mão, ou as de “de mentirinha” caçadas nas entranhas  da Internet e das lojinhas de artesanato, ou as duas se encontrando.

Em um mês e um dia*, o planejamento que foi feito (e ainda está) a lápis e borracha por dois anos e pouquinho, as comemorações das grandes e pequenas decisões tomadas, os momentos de angústia enquanto elas ainda eram dúvidas, tudo terá tomado forma, detalhes tão importantes agora se tornarão somente isso, detalhes.

A hora em que não diremos votos e não faremos promessas. Por diferentes motivos, teremos nossa declaração de amor, nossa colcha de retalhos com palavras que têm um significado para nós, as que escolhemos juntos para dizer nesse dia, nossa declaração dentro da lei, nossa mudança de nome, nossas assinaturas que dirão que daqui pra frente seremos marido e esposa um do outro.

*Em um dia, ela chega e tudo vai desacelerar. Mr. W que sabe como me colocar no chão, me acalmar, junto com ela, que sabe priorizar as coisas do tamanho que eles realmente são (acho que pulei a fila do gene, mas tô aprendendo!) vamos todos aproveitar esses últimos dias com muitas coisinhas pra ver, fazer e aproveitar juntas. Essa parte da mãe-filha de cola, tesoura, papel e canetas, que não tivemos desde que fazíamos lição da escola juntas.

Mas sei que pelo menos até um pouquinho depois daqui um mês e um dia, não terei tempo pro blog/twitter/facebook. E por isso o post de hoje.

Daqui umas 3 semanas chega o resto da caravana com ele, para fazermos mais festa, mais bagunça, mais barulho, dividirmos mais amor, mais diferente pontos de vista (pra colocar de um jeitinho educado). E eu não vejo a hora. Não teria metade da alegria e do conforto e apoio sem eles aqui. Fora que sem ele, quem seguraria minha mão, me levaria pelo braço, me apoiaria nessa hora dizendo coisas que só a sabedoria dele pode me dizer?

Mas aguentem as pontas, daqui a pouco eu volto e obrigada para aqueles que continuaram leais mesmo durante esse mês e pouquinho…

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Mais um ano que passou…

Ok ok, então estou mais pra filha pródiga do blog do que mãe orgulhosa. Mas se tem uma coisa que eu tento não deixar passar é o post de ano novo.

No ano passado confessei de não gostar de Anos Novos, mas que algo me puxa a contemplar o que passou, olhar para trás e focar no que vem pela frente.

Continuando a tradição, aqui vai então a restrospectiva e a comemoração de que estive nessa Terra por mais um ano!

 

Dois mil e treze começou com um sentimento esquisito. Anos ímpares sempre me deixam meio inquieta, meio suspeitade que o ano vai ser capenga. Mas eu sabia que seria um ano de planejamento daqueles que parecem ser direto da frase “A vida é o que acontece enquanto se está fazendo planos”. De alguma maneira os planos foram também o que fizeram a vida acontecer nesse ano que passou. Aproveitamos cada opção, cada decisão, cada passo riscado da lista.

Foi um ano de coisas boas. O presente do nascimento e batizado da dona B. foi um dos destaques, com certeza, e incomparável com qualquer outro momento do ano.

Mas houveram outros destaques também. Fomos para o Brasil no estilo família-unida-jamais-será-vencida. Mr. W chegou com mais duas pessoinhas a tira-colo e com família W. fomos na passarela ver o Carnaval desfilar no Anhembi, cachoeiras em Brotas, bandinha tocando na praça na parada rápida em Poços de Caldas, orelhão em formato de papagaio em São Lourenço. Queimamos os pés na areia de Copacabana, descansamos nas águas de Angra, passamos calor e queda de força em Paraty. Uma viagem que deixou muita história pra contar.

Teve Fórmula 1 em Mônaco. Dessas viagens que a gente nunca acredita que vai fazer. Mas Mr. W mais uma vez me surpreendeu (essa era a segunda grande surpresa do meu aniversário!) e foi uma viagem melhor do que jamais teria sonhado.

Mais uma vez a afilhadona Dona G. e minha mãe vieram passar as férias de Julho conosco. Dessa vez o mimo foi pra mãe, fomos pra Maastritch assistir o ídolo Andre Rieu, com paradinha em Amsterdam na volta. Teve piscina no quintal, e passeios baseados nos planos pro grande acontecimento de 2014 :) Uma delícia tê-la participando disso juntinho e ajudando com as difíceis decisões.

Teve casamento em Jersey de uma ex-chefe-que-se-tornou-amiga, com passeios a pé pela ilha charmosa, e festa até meia-noite.

Dois mil e treze foi um ano em que não perdemos ninguém e por isso sou muito grata. Todos com saúde e proteção.

O ano trouxe novos bebês, além de Dona B. chegou ao mundo Dona A. filhinha da amigona LdM., que sempre dá um jeitinho de nos ver, em qualquer lugar do globo que estivermos. Também teve Dona G, segunda filha de R. que é uma das melhores amigas desde o colegial. Completando o berçário, teve mais uma menina! Dona F. filha de L., uma das amigas que veio na bagagem de amigos de Mr. W.

No serviço houveram decepções, mas houveram muitos elogios e reconhecimentos. Não dá pra reclamar. Ganhei no Euromillions, mas no máximo £10, o que é melhor do que nada  $-)

Entre altos e baixos, perdi 8 quilos, o que é uma surpresa que só fui ver quando conferi os números pra colocar aqui no blog. Surpresona, me parecia que tinha sido menos, mas estou muito feliz com o progresso. Foi uma mistura de exercícios, e reeducação alimentar. Nenhuma dica, truque ou dieta maluca.

Na vida virtual, foi mais um ano em branco. Devo escrever um post sobre isso especificamente, mas vamos dizer que um medinho misturado com preguiça de voltar, foram responsáveis. Se volto esse ano? Quem sabe? Acho que teremos que esperar até a retrospectiva de 2014 pra ter certeza!  :P Mas confesso que sempre penso naqueles que só mantém contato virtualmente,e às vezes sinto falta da interatividade.

No mais, tudo ótimo e tudo calmo. Do jeitinho que eu gosto.

Continuo com a única meta ser a de me concentrar nas idéias de 2011.  A de ser a mudança que quero no mundo.

De inspiração para o ano, escolho dessa vez somente uma frase, a que recebi como inspiração hoje de manhã:

“The art of living lies less in eliminating our troubles than in growing with them.”
– Bernard Baruch
“A arte de viver está menos em eliminar nossos problemas do que em crescer com eles”

 

E repito o que disse o ano passado, já que ainda é verdade:

Nenhum ano novo é completamente  só feliz. Nem que seja algum mequetrefe que te feche no farol, sempre vai ter alguns momentos do ano em que a cobra vai fumar, e vão ter anos que vão ser apáticos, em que nada demais vai acontecer. Então eu desejo um ano forte pra você.

Forte, pra você ter muita saúde.
Forte pra você se proteger de qualquer violência e qualquer tragédia.
Forte pra se e quando você tiver momentos tristes, nervosos, ansiosos, negativos, você tenha força de saltar os obstáculos.
Forte mentalmente, e que tenha a sabedoria de reconhecer o que te faz feliz e aproveite esses momentos com muita alegria, sempre!

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Mais um ano com ele ao meu lado

Ele e ela. Uma de 12, um de 8 e uma de 10.

Hoje é o dia dele.
Sem ele eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ele, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ele é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dele.
Ele, quem me carregou no colo assim que eu nasci e me aconchegou em seu colo por muitos anos por virem.
Ele quem trabalhou pesado e pagou minha educação em escolas e faculdades particulares. Ele quem nos encontrou na primeira ida ao cinema depois do serviço com pacotinhos de Amendita, depois que a Branca de Neve acabou e Fievel iria começar.
Ele quem comprou nosso primeiro vídeo-cassete, com Policial da Pesada e Irmãos Gêmeos a tira-colo para assistirmos todos juntos comendo pipoca estourada na panela.
Hoje é o dia dele.
Ele quem, como dizem aqui “venceu seus demônios” em nome da família. Me ensinando uma lição que ninguém mais poderia, de força de vontade, de prioridade e de amor.
Ele que esperava no carro com dois emburrados enquanto um (na vez do rodízio, claro) ia com ela fazer a compra no mês no supermercado.
Ele que era o fotógrafo da família, e que instigou em mim a paixão de registrar por onde passo e coisas que vejo.
Hoje é o dia dele.
Ele que era um dos poucos pais que ia nos buscar na porta da escola, e inventava brincadeiras pra nos entreter enquanto esperávamos ela acabar o dia de trabalho. Brincadeiras de lembrar placa de carros, de equilibrar nos troncos cortados do lugar que tinha vista pra terra da garoa. De contar o que aprendemos na escola.
Ele quem colocava rádio de notícia no rádio, ia buscar jornal todo domingo na banca, e não deixava (e ainda não deixa) de assistir pelo menos 2 “jornais” de noite e nos ensinou a importância de ter conhecimento e uma opinião no mundo ao nosso redor.
Ele quem também colocava em rádio de música clássica e é o responsável por uma das minhas músicas favoritas ser Bolero de Ravel. E uma das bandas favoritas ser Beatles.
Ele quem nos ensinou que para escrever precisava aprender a ler. E nos levava todos os sábados devolver um livro e escolher um novo na biblioteca.
Hoje é o dia dele.
Ele quem me passou no DNA o amor-doente-daqueles-que-dá ataque-no-coração pelo futebol, pelo Palmeiras e Bragantino, que por bem ou por mal também passou o gosto pela Fórmula 1.
Ele quem comprou um livro da Disney explicando tudo sobre as olimpíadas para nos ensinar sobre todos os esportes, e que líamos debruçados na mesa, todos querendo engolir as páginas do livro principalmente durante as Olimpíadas da escola.
Ele quem ia nos jogos de olimpíadas da escola, e gritava, incentivava e nos treinava (do handball ao salto em distância) para entender a importância de participar e não só de ganhar.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos ensinou xadrez e dama, e que até hoje ainda é invicto em casa, mas com 3 troféus de seus herdeiros, um deles ganho pelo caçula através do vários xeque do pastor que ele também ensinou.
Ele quem nos ensinou a importância de guardar dinheiro para, como eles dizem aqui, a rainy day “um dia de chuva”. Quem, junto com ela, me disse a partir do meu primeiro salário aproveitar metade e a colocar metade na poupança.
Ele quem foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Hoje é o dia dele.
Ele quem era o motorista oficial, nos levando pra cima e pra baixo. Algumas vezes meio emburrado, meio calado, outras vezes falante e animado, mas sempre com segurança e paciência.
Ele quem nos levava para comer esfiha e kibe cru. Ou churrasco, ou pizza.
Ele quem nos levava para o escritório, fazer limpeza, fazer fechamento, ir ver a nova aquisição. E nos deixava brincar de gente grande. Ou uma vez até irmos no lançamento de um prédio ali pertinho e pegar bexigas que estavam dando de graça, daquelas presas no palitinho.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deixava conferir as contas, “bater” os resultados do contabilista.
Ele quem deu a dica pra eu não ser contabilista mas seguir a carreira de tecnologia. Ele que comigo ia junto até o metrô de tarde, e no último ano ia nos buscar na Federal de noite.
Ele quem dizia, e ainda diz que McDonalds não é comida, é isopor.
Hoje é o dia dele.
Ele quem religiosamente pede pizza de sexta. E come mozarela de rolinho. E gosta de salaminho, bolacha “vafer”, Halawe, sorvete de “abaixaaqui” e suspiro.
Ele quem sabia se estávamos mesmo com fome olhando dentro do nosso ouvido.
Ele que brincava de cavalinho. E nun a levantou a mão pra mim. Só um beliscão merecido pela teimosia e desafio. Primeiro e último e que ela me falou que ele se arrepende até hoje.
Hoje é o dia dele.
Ele quem deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ele quem é uma enciclopédia ambulante. Que sabe tudo sobre tudo e está sempre aprendendo mais.
Ele de quem eu puxei o amor às bugigangas, a gostar de ficar em casa e a preciosa introversão.
Ele quem comprou a pulseira quando “virei mocinha” e que fez toda a experiência que estava sendo traumática ser mais positiva.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deu dois sustos. Uma úlcera e um câncer. Mas que forte e firme continua com a gente, fazendo parte, ajudando, amando, incentivando.
Ele quem lê e comenta cada post, passando o amor pro outro lado do oceano.
Ele quem paga e às vezes vai buscar, todas as minhas “vontades de comer” quando estou por lá. Seja churros, pastel, pizza de frango e catupiry ou Quatro Queijos.
Hoje é o dia dele.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ele.
Ele quem não queria acreditar que eu nunca mais voltaria pra terrinha pra morar de novo, e que parte meu coração toda vez que penso nisso.
Ele quem veio pra cá quando eu prometi que se ele viesse eu pararia de chorar na despedida do aeroporto.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços apertados, mimos e coisa boa.

Hoje é o dia dele.
Ele, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntos num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ele desejo um aniversário sem muita bagunça e barulho, boas notícias e coisas boas.
Pra ele desejo que saiba o quanto ele me ensinou, o quanto é amado e admirado por essa pessoinha aqui.

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Um elo mais que especial

Tô mais pra fairly odd parent (uma madrinha mais ou menos estranha) do que pra godparent (madrinha)

Lembram-se que eu disse em Maio eu havia ganho dois super presentes de aniversário?

Pois sim, um deles foi o convite para ser madrinha da filha da Q., minha melhor amiga aqui na Inglaterra. Pra quem não sabe ainda, já tenho uma sobrinha-afilhada fofa, Dona G., hoje com 7 anos, filha do meu irmão.

Particularmente, eu adoro ser madrinha. Mimo, fico brava, brinco, levo passear e às vezes até dou pitaco na educação, claro que sem me envolver muito e meio de longe, até porque nem tenho filhos então quem sou eu pra me intrometer?

Adoro ser chamada de madrinha e de tentar criar esse vínculo com minhas afilhadas, de tentar criar essa amizade, essa coisa especial! Sempre lembro que percebia a diferença entre a minha madrinha (que é a minha avó materna) que é a “Dinda” da família inteira, mesmo de quem não era afilhado! Sempre me senti um pouco excluída do vínculo de ela ser minha madrinha (olha a síndrome do filho do meio aí gente :-" ) e eu tento fazer essa diferenciação com dona G., e vou tentar o mesmo com Dona B.!

Mas muito mais que isso, também faz parte do pacote os compadres e as comadres. O fato de ter sido escolhida tanto pelo meu irmão quanto por Q. me faz sentir tão querida, tão amada. Um reconhecimento de que sou admirada, e confiada um papel especial na vida de seus filhos, seus bens mais preciosos. E que elogio ou gesto melhor e mais grandioso do que esse pode se esperar de um irmão, ou ainda mais raro, de um amigo? Acho que  mais que a benção e os pedidos e promessas que fazemos na igreja, o voto de confiança de que estaremos presentes em suas vidas para sempre, e com uma influência positiva, é que torna esse momento e o resto de nossas vidas tão especiais.

Mantendo um pouco dessa comparação de vida lá e cá, como não comparar como foram os batizados, e também como são os meus relacionamentos com essas pessoinhas especiais?

Como foi e tem sido com Dona G: O batizado de Dona G foi na igreja Luterana. Uma filosofia que eu admiro muito e se seguisse alguma, seria a minha escolhida. Já foi depois de ter vindo pra cá, e precisávamos de algo sem a complicação de cursos, de ter que ir na igreja X vezes mas com a validade de que ela receberia a benção e seríamos os padrinhos oficiais. A igreja era pequena mas estava cheia, era um Domingo de culto lindo, com Sol, e alguns amigos dos compadres compareceram para a ocasião especial. Dona G. não chorou (que eu me lembro) mas cantou! Ela cantou durante o culto, até em momentos de silêncio. O culto foi super bonito com as palavras do Pastor Ernani que aqueceram nossos corações. De lá fomos todo mundo (se não me engano umas 20 pessoas) pra churrascaria comemorar, trocar presentes e tirar muitas fotos.
Dona G. demorou um pouco pra me chamar de madrinha e confesso que foi meio “imposto”, e ainda é. A proximidade do diminutivo nome da minha irmã com Madrinha, a confundia um pouco e era mais fácil chamar de Tia Lelei. Mas a gente faz questão do Madrinha, mesmo que às vezes ela queira trocar de novo, hoje em dia ela vem gritando quando me ouve no telefone “Madrinha, madrinha!” e eu confesso que adoro. Temos uma amizade gostosa, ela me conta coisas da escola, do Kumon, dos passeios. Desabafa segredos que a vó não pode escutar e brinca de desenhar e fazer lição de casa juntas pelo Skype sempre que a vó deixa. Infelizmente o padrinho meio que se perdeu na multidão, mas com certeza a perda é dele. Dona G é uma menina sapeca, inteligentíssima, que é detesta que lhe penteiem o cabelo (assim como a madrinha) e tenho muito orgulho de tê-la como minha afilhada.

Como foi e tem sido com Dona B Já Dona B. foi batizada na CoB (Church of England) que é a Igreja Anglicana. Compadre não queria igreja que não fôsse “Oficial” então lá fomos nós. O horário foi reservado somente para o batizado e compadres decidiram que somente os avós paternos e os padrinhos seriam convidados. A Igreja era média em tamanho mas a enchemos com o amor que todos sentíamos por B. Algumas pessoas da comunidade chegaram um pouquinho depois que a cerimônia – realizada por uma vigária – começou. Dona L., irmã mais velha de B. se divertiu correndo pelos corredores da igreja, por mais que a vó tentasse ensinar que era falta de respeito. Eu quase “roubei” B. da cerimônia, quando na hora de acender a vela que faz parte do ritual, a levei longe para tentar fazê-la dormir. Mas a vela foi acendida por L. e os compadres, e tudo foi curtinho mas muito significativo. O batizado não é cobrado, mas os pais fazem uma doação para a ingreja, que vai no envelopinho e sem ninguém saber quanto foi.
De lá fomos pra “Carvery” que é tipo um pub-restaurante onde fazem carnes assadas (tinha frango, gamão, e carne de vaca) e buffet de molhos, saladas e legumes à vontade. Nos empanturramos, comemos o bolo (que eu como madrinha comprei e decorei) e os padrinhos pagaram a conta antes de uns minutos no parquinho brincando com L. e colocando a conversa em dia com os compadres. Fomos embora com sorrisão de orelha a orelha. E agora Padrinho compra presentinhos pra B. dizendo que “tem que colocar mais esforço, porque afinal ela é a afilhada né?”.

Dois dias em minha vida que nunca esquecerei, levarei pre sempre comigo. Onde quer que minhas afilhadas estejam, espero estar com elas, pra o que der e vier, precisarem e quiserem. E serei sempre grata aos compadres que me escolheram para receber esse presentão tão lindo.

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Mais um ano com ela ao meu lado.

Ela. Uma de 2. Um de 1. Uma de 4.

Hoje é o dia dela.
Sem ela eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ela, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ela é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dela.
Ela que me alimentou, me cobriu, me carregou.
Ela que telefonava no berçário e não falava nada pra ouvir se eu estava chorando, e que acabava me ouvindo cantando pros outros bebês.
Ela que me dava 4 chupetas ao mesmo tempo, pra cheirar, pra brincar no dedão do pé, na orelha, na mão.
Hoje é o dia dela.
Ela que colocou comida quente na minha boca pra eu aprender o que é quente e aprender ter paciência e acreditar que mãe nunca mente.
Ela que me ficou horas cuidando de mim nas crises de bronquite, com o paninho molhado no álcool e “vicvaporub” nas noites em claro, nos plantões de inalação, nas saídas do serviço pra me buscar na escola
Ela que me mandou pra homeopatia e acupuntura e que finalmente curaram as crises.
Hoje é o dia dela.
Ela que pagou um dinheirão no aparelho capacete. Ela que mandou eu parar de usar o aparelho porque judiava muito de mim. Ela achou uma clínica-popular-esquema-faculdade de ortodontistas la na PQP pra colocar meu aparelho e endireitar meus caninos, resultado de dentes grandes que puxei dela e da arcada pequena que puxei dele.
Ela que nunca levantou o braço pra mim.
Ela que me ensinou que se mentirmos onde estamos, ninguém vai acreditar se telefonarem dizendo que houve um acidente com a gente e por isso ela não iria nos socorrer (tacada de mestre, não sei mentir pra ela e pra ninguém até hoje!)
Hoje é o dia dela.
Ela que me ensinou das coisas que existem entre o céu e a terra e me deu liberdade de acreditar e seguir o que meu coração e minha alma escolheram.
Ela que me ensinou que não há vergonha em arregaçar as mangas para serviço doméstico, mas somente depois que a família está feliz, alimentada e com a lição feita, sem neuras.
Ela que levantava mais cedo pra fazer “as lancheira”.
Ela que ensinou que coisa de marca é bobagem, e o que vale é a qualidade que se paga, no bolso que se cabe.
Hoje é o dia dela.
Ela que nos levava nos McDonalds toda sexta-feira depois da aula.
Ela que deixava a gente fazer picnic de domingo na sala minúscula, com frango frito – ela que se queimava fazendo frango frito! – macarronada e suco de laranja, assistindo trapalhões.
Ela que nos ensinou o valor da mesada, o dinheirinho que não ganhávamos, mas era dado pra pagar um brinquedo todo mês no valor do que merecíamos.
Ela que sacrificou sua carreira em nome de sua presença com a gente, mas que continuou trabalhando, nos mostrando que o homem é seu trabalho.
Ela que pegava ônibus com um de 2, uma de 4 e uma de 6.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Ela que achou aula de italiano no Albino pra eu fazer.
Ela que me empurrou pra fazer Escola Federal e que traçou o meu destino por tê-lo feito.
Ela que pagou balé, natação e hidroginástica.
Ela que pagou Kumon – matemática e japonês.
Ela que me deu conselhos, enxugou minhas lágrimas, me guiou pela minha vida.
Hoje é o dia dela.
Ela que decorou nosso quarto com papel de parede cor-de-rosa cheio de carneirinhos e nuvens, lembrança boa e confortável pro resto da vida.
Ela que separava o irmão dos cabelos da irmã.
Ela que deixava a gente brincar no serviço dela como se fôssemos gente grande.
Hoje é o dia dela.
Ela que deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ela que deixava a gente brincar até de noitinha no parquinho.
Ela que me ajudou a aprender a taboada.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi a pessoa que me levou ver Palmeiras pela primeira vez no Palestra.
Ela que organizou a festa de aniversário no salão com amigos e peça de teatro, e a festa de 15 anos na casa da tia com as melhores amigas.
Ela que paga um dinheirão pra passar férias.
Hoje é o dia dela.
Ela que é um terço do meu porto seguro até hoje
Ela que é um terço do meu livro de conselhos até hoje. E eu nem ameaço ir contra o que ela diz que é o certo a fazer.
Dela puxei além dos dentes grandes, o cabelo enroladinho, o tamanho do sutiã, o senso de justiça, o pezinho pequeno.
Ela que ainda me ensina, me consola, me acompanha, me abraça gostoso, me beija bom dia e boa noite (quando estamos sob o mesmo teto), que tem atos de serviço como demonstração de amor e que coloca todo mundo na frente do seu bem-estar.
Hoje é o dia dela.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ela.
Mas ela também me ensinou que todo dia é dia de aniversário.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços, fofoquinha e coisa boa.

Hoje é o dia dela.
Ela, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntas num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ela desejo um aniversário cheio de “balinhas”, boas notícias e coisas boas.
Pra ela desejo que saiba o quanto ela me ensinou, o quanto é amada e admirada por essa pessoinha aqui.

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Se lembre, se lembre, do 5 de Novembro

Estava aqui colocando a montanha de emails pra responder em ordem, quando me deparei tentando contar pra minha irmã o que eu fiz no final de semana. Ora ora, fui comemorar o 5 de Novembro!  E claro, a pergunta inevitável seguiu:  “E o que seria o 5 de Novembro?”

Eu lembro ter explicado o que o 5 de Novembro significa aqui, mas acho que o post era da época do so-candy, que acabou voltando ao pó da internet. Então sempre bom explicar aqui de novo, e fica como referência pra quem se encontrar em Londres do mesmo jeito que eu há 10 anos atrás, não entendo o porque de tantos fogos de artíficios em pleno Novembro!

E quem melhor pra explicar do que a BBC? Tudo bem que ela não está em seus melhores momentos atualmente com acusações de que teria escondido o fato de que um de seus maiores apresentadores de TV Infantil dos anos 70 e 80 estivesse envolvido com pedofilia, e esse é assunto pra outro post, mas a BBC é a produtora de “Horrible Histories” (histórias horríveis), um programa de TV que conta fatos interessantes da história da Ingalterra e do mundo. É um programa voltado para crianças e adolescentes, mas que somos fãs aqui em casa. O programa utiliza o humor e a sátira para ensinar história, e eu acho que deveria ocupar espaço de horário nobre!  :-B

Então fica aqui a explicação do que aconteceu em 1605 com Guy Fawkes, são só dois minutos e muito melhor do que eu poderia ou teria tempo para contar!

(Se o vídeo não funcionar pra você, clique aqui)

E depois que isso aconteceu, começou-se a tradição de na noite de 5 de Novembro (e no final de semana anterior, se o 5 de Novembro cair em um dia de semana), de estourar fogos de artifício. Por estar frio e por que se o Parlamento tivesse explodido teria virado uma fogueira, pessoas e alguns shows de fogos, fazem grandes fogueiras, que em inglês é “bonfire”. Então para sempre, 5 de Novembro é conhecido como Bonfire Night, a noite das fogueiras. Não se sabe bem se por comemoração de que Guy falhou em seu plano, ou porque o plano existiu e foi uma forma de manter o protesto contra a família real*.

O plano de Guy Fawkes também foi a inspiração do filme V de Vendetta, um dos meus favoritos e que mencionei no blog durante a tragédia de Oslo e da escola do Rio de Janeiro.

Mas o que todo mundo sabe é  Poema Remember Remember:

Remember remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason why gunpowder, treason
Should ever be forgot..

Se lembre, se lembre
De de 5 de Novembro,
Pólvora, traição e armação
Eu não vejo motivo porque
Pólvora e Traição
Deveria ser esquecido!

Famílias e amigos se unem para ver fogos em espaços descampados, e depois se reunem em festas em casa, fazendo a fogueira e cozinhando pratos típicos dessa época, clique aqui pra ver alguns (em inglês).

E foi isso que fizemos no final de semana! Nos mandamos pra Southampton na casa dos pais do Mr. W e assistimos o show de fogos de artifício no campo atrás da escola onde ele cursou primário, comemos leitão à puruca com feijão branco, alho poró e erva-doce, com bolo Buttenburg de sobremesa. A mãe do James normalmente faz o Bonfire Cake que se parece com esse aqui, mas esse ano não deu tempo de fazer  :-q

*Eu, como socialista mequetrefe, comemoro o fato de que planejaram destruir a família real que não tolerava católicos! :P O que você comemoraria se morasse na Inglaterra?

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Apareceu a margarida! Ano novo, mês novo, post novo

E o problema é saber por onde começar a conversa depois de tanto tempo sem aparecer por essas bandas.
Parei no tema sobre os introvertidos e pretendo continuar com a minha impressão sobre os ingleses, mas não adianta ficar regurgitando sobre o que escrever, a força do clichê de ter que fazer a retrospectiva do ano anterior e de tentar enxergar o que vem pela frente é maior do que todas outras caraminholas agitadas querendo sair da cabeça pro blog.

E o que 2011 teve de bom?

  • Viajei em qualquer oportunidade possível
    • Brasil, o que sempre faz qualquer ano ficar infinitamente melhor , e pra ser melhor ainda, fui duas vezes!  :)
    • Bélgica
    • Sorrento & Pompéia & Capri
    • Bristol
    • Região dos Lagos (por aqui mesmo)
  • Comecei a dieta, e apesar de não ter atingido a meta, consegui manter a balança em um nível razoável.
  • Noites foram ocupadas com as aulas de teclado, canto e golfe.
  • E mais noites ainda ocupadas com a academia.
  • Bebê Arthur fofo, filha de minha prima, chegou chegando pra amenizar a quantidade de meninas na família  <):)
  • Muitos finais de semana que não paramos em casa, saracoteando por aí, vendo pessoas queridas de longa data e conhecendo novas figurinhas.
  • Mais finais de semana vendo Chelsea jogando em Stamford Bridge.
  • E até um final de semana vendo futebol americano em Wembley e outro na Fórmula 1 em Silverstone  \:D/
  • Muitas noites indo em shows \\m/ :
    • Red Hot Chilli Peppers
    • Evanescence
    • Terrorvision
    • Gravação do programa de TV “Never Mind the Buzzcocks”
  • Consegui priorizar minha vida virtual (leia-se Twitter, Facebook e blogs) x vida real. A virtual acabou perdendo território, mas confesso, valeu a pena.
  • No trabalho, progresso de vento em popa.
  • Voltei a bordar ponto cruz, depois de ter abandonado o hobby há uns 5-6 anos.
  • Muitos dias de trabalho ajudando uma amiga-irmã a cuidar da filhota durante o dia.
  • Não perdi ninguém querido, todos passaram mais um ano conosco com saúde e segurança, e não é esse o melhor motivo de comemoração no final do ano?

E essa lista também serve pra justificar o porque do blog estar um tanto abandonado, jogado às traças. A vida foi ocupada, de uma forma deliciosa, e o tempo para parar pra escrever ficou um pouco de lado. Mas nunca esquecido.

Em 2012 tenho certeza que vou sentir saudades das amigas que se mandaram da ilha pra outros cantos do mundo, das tardes ajudando dona M. cuidar de baby V. e dos passeios de finais de semana sem motivo de serem, só por que não temos mais nada pra fazer.

Mas 2012 tem muitas promessas também. As férias já estão todas planejadas e quase toda comprada. Cinco lugares novos serão conhecidos e dois lugares revisitados. Vão ter visitas muto especiais chegando em Julho, e olimpíadas e para-olimpíadas em Agosto. Encontros mensais com novas figurinhas prometem boas risadas, desabafos e até umas discussões acirradas em mesas de restaurante. O que já é mais que suficiente para me manter animada pelo ano que vem pela frente!  :-bd

E como já foi costume o ano passado, esse ano não tem metas, mas uma filosofia.

Ano passado consegui insistir em ser a mudança que quero no mundo. Mas ainda parei em muitos obstáculos e muitas horas em que o sangue ferveu e acabei me deixando levar por picuinhas e momentos de baixa auto-estima, o que sempre nos deixa defensivos.

Na missa de Ano Novo no Guarujá, o padre rezou a oração de São Francisco, que quero sempre me lembrar, junto com a frase do ano passado, e tentar ser uma pessoa melhor, com menos arrependimentos e mais tranqüilidade, começando por esse ano.

E eu acho que mesmo quem não é religioso, pode usar de seus dizeres, e assim evitar conflitos, brigas e argumentos denecessários .

Como de costume, as partes em destaque são as que são as mais complicadas pra eu mudar meu jeito de ser, e que preciso abrir mais os olhos durante o ano pela frente. E, vai, isso vindo de uma mulher com sangue nos olhos quando cutucada na ferida, é meta suficiente pra um ano inteiro!   :-D

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Podem puxar a minha orelha quando se eu fugir da meta, seja na vida real ou virtual hein?

E pra vocês leitores, que seu ano seja recheado de coisas boas e muita força para os momentos difíceis. Que seja rodeado de saúde e paz.
Que venha 2012 com o que nos tem reservado! Carpe Diem  :o)

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Chomp! Peixe com alcachofra e Biscoitos de pasta de amendoim

Domingo passado passei o dia de um jeito favorito, com a barriga no fogão. Cozinhando guloseimas pra semana, já que estou retomando meu projeto de perda de peso que foi interrompido na viagem pro Brasil em Abril.

Desde então teve Itália e Bélgica e várias escapolidas, e eu até tentei ir só na base de comer comidas rotuladas como mais light ou do vigilantes do peso e adicionar a academia, mas para minha surpresa, engordei! Então começo de novo a dieta South Beach, que já comentei quando dei a receita do Muffin aqui. Infelizmente ganhei peso de novo, e agora voltei pra uma meta de perder 11Kg, dos quais seria bacana perder 5 até Dezembro, vamos ver se rola. Tenho um outro blog que serve mais como diário do que estou comendo e como estou me exercitando e o progresso da dieta, quem não tiver ainda e quiser, só me pedir aí nos comentários.

Domingo cozinhei muffins (uma receita diferente da outra), biscoitos de pasta de amendoim, waffles e um cheesecake. Tudo sem farinha branca e sem açúcar. Por hoje, vou dividir hoje a receita dos biscoitos e de um peixe que fizemos a semana passada, super simples e rápido, foi ideal pro almoço!

Ambas Receitas do Livro South Beach – Receitas Fáceis e Rápidas (mas essa versão daqui) .

Peixe com alcachofra

Por porção (excluindo a salada) : 250 cal.
Nice and light
Nice and light

Bonito até mesmo antes de cozinhar

Nice and light
Nice and light

E mais bonito ainda no prato

O que precisa?

Para 4 porções

750 Gramas de lombo de bacalhau (ou qq peixe branco)

1,5 colher de sopa de azeite de oliva

1 colher de manjericão seco

300 gramas de alcachofra em conserva (no óleo mesmo)

Como faz?

Pré-aqueça o forno em 230 graus (fogo alto!). Coloque o bacalhau em uma forma ou travessa, pincele com o óleo de oliva, espalhe o manjericão e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Coloque os pedaços de alcachofra ao redor do peixe e regue com o líquido da conserva (eu usei um garfo pra fazer isso pra não ir muito óleo). Asse até o peixe ficar opaco e se desfaça com o garfo, entre 12 e 14 minutes. Tire do forno e sirva ainda quente.

Servi com uma saladinha bem temperada e as alcachofras ficam torradinhas, de dar água na boca!!

Biscoito de pasta de amendoim (sem farinha branca e sem açúcar)

Por porção de 2: 140 cal.

peanutbuttercookies
peanutbuttercookies
O que precisa?

Para 24 biscoitos

180 mL de adoçante em pó

1 ovo grande

1 colher de chá de essência de baunilha

240 mL (ou 6 colheres de sopa) de pasta de amendoim sem sal e sem açucar, se possível sem óleo de palma ou qq outra gordura adicionada artificialmente

1 colher de chá de fermento

Geléia diet para a cobertura.

Como faz?

Pré-aqueça o forno em 180 graus (fogo médio-alto!). Cubra uma travessa rasa com papel vegetal manteiga (aquele específico pra cozinhar, alguém tem um nome melhor em português? :-/  ).

Bata na intensidade média (ou use o mix) o adoçante, ovo e essência de baunilha. Até você perceber que está cremoso. Adicione a pasta de amendoim e o fermento. Bata de novo até você perceber que está tudo misturado, uns 30 segundos. (Fica que nem na primeira foto aí do lado).  Faça bolinhas (com 2 colheres de chá da massa) com a mão pressionando bem forte – eu também aperto a massa na tigela onde bati os igredientes, fica mais fácil. Coloque as bolinhas na forma, e faça os furinhos com o cabo de uma colherzinha. Coloque a geléia nos furinhos. Asse por 12 a 14 minutes, até que você consiga ver que a base dos biscoitos estão mais marrom. Não se preocupe se estiver “espumando” como na foto com a setinha, é normal! Coloque em uma grade para esfriar.

Depois só colocar em algum lugar com cuidado, eles são bem delicados e se desfazem fácil. Na dieta, só pode porção de 2 por dia, mas é difícil conter viu? (Tenho comido 3 quando faço exercício, um de prêmio! =P~ )

NomNomPeanom
NomNomPeanom

Até Mr. W que detesta pasta de amendoim lambe os dedos depois dos biscoitos.

Como de costume, me avisem se tentarem ou se precisarem de alguma coisa que não ficou claro :)

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O tumulto de Londres: Perguntas e (minhas) respostas

Desculpem pelo assunto pesado de novo, escrevo hoje sobre o que aconteceu em Londres. Não tem como deixar entalado na garganta e sempre me ajuda a lidar com os sentimentos que vêm nessas horas…

Difícil achar uma tradução decente para a palavra riot. Riot aqui tem a conotação de arrastão, tumulto, revolta, tudo em uma palavra só. Em um dos artigos que li, na verdade eles diziam que nem riot foi, porque riot teria em si, uma definição de fundo politíco e argumentação, o que aqui não teve. Talvez tenha começado como uma riot, mas como terminou, ninguém sabe muito bem como colocar um nome. Vou chamar de tumulto, pra deixar mais fácil pra todo mundo, por agora.

Primeiro, a história de como aconteceu sob o meu ponto de vista, pra quem está no Brasil e ficou meio perdido com a bagunça que não foi bem explicada no jornal.

No dia 4 de Agosto (quinta-feira), um rapaz do Norte de Londres, do bairro de Tottenham foi morto por policiais. O que eu vi de notícias (assisto BBC News – notícias 24 horas – antes de dormir, pelas curtinhas do que está acontecendo pelo mundo) foi que um homem havia sido baleado pela polícia e estavam investigando. Na sexta, na hora do almoço – quando vemos as manchetes de novo – a notícia era de que ele havia atirado no policial, mas o IPCC (que é o órgão independente de investigação de ações da polícia) estava investigando o que realmente tinha acontecido.
No sábado, passei o dia fora. Na volta, quando paramos para jantar em um posto de serviços da estrada, vimos na televisão que estavam acontecendo alguns tumultos no bairro onde o rapaz foi morto. Carro de polícia pegando fogo, mas sem muitas informações sobre o que estava acontecendo. Chegamos em casa umas 2 horas depois, e o circo sensacionalista havia sido montado. Ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo, como tinha começado e o que a polícia estava fazendo para contê-los. Resolvemos desligar a televisão, mas sei que ficaram a noite inteira reportando do local, colocando as imagens em loop, repetindo sempre as mesmas imagens de pessoas atirando pedras nos carros da polícia, de prédios pegando fogo.
No domingo, ligamos a TV pra ver o que estava acontecendo, mas até aí estava tudo meio tranqüilo. Até a hora de dormir de novo, quando vimos que haviam acontecido mais alguns tumultos. Na segunda-feira pela tarde o rádio começou a falar de tumultos acontecendo em maior escala em vários lugares de Londres. Ao assistirmos a TV de noite, vimos que estava fora de controle.
Na terça David Cameron chegou das suas férias, convocou a polícia, e o número de policiais nas ruas em Londres triplicou do dia para a noite, contando com carros-fortes e policiamento especial para tratar desse tipo de distúrbio. A note de terça foi tranqüila para Londres, mas Manchester, Birginham e Liverpool sofreram tumultos.
Não sei o número certo de pessoas que ficaram feridas no tumulto, mas confirmaram que 5 pessoas morreram.

E então vêm as perguntas. Que quero responder com as minhas respostas, meu ponto de vista, com meu conhecimento, com as horas que perdi lendo artigos de pessoas que não abusam de verborragia.

1) A polícia que matou o rapaz reagiu a ele atirando contra eles?
Não se sabe. Até agora a investigação confirmou que uma bala encravada no crachá do policial que foi envolvido no incidente não saiu da arma não-policial que foi encontrada na cena do crime. A investigação ainda está em andamento. Muitas perguntas precisam ser respondidas.
Pessoalmente, eu acho que os rapazes não atiraram. Que entraram em pânico e ameaçaram a polícia com a arma que tinham (se é que era deles mesmo) e a polícia entrou em pânico de volta e atirou para matar.

2) Os tumultos foram causados pela morte de Mark Duggan?
Não se sabe. As pessoas que estavam fazendo o tumulto era pouco concisas. Não tinham uma explicação dos motivos de estarem roubando lojas, colocando fogo em prédios, e fazendo bagunça. Cada um dava um motivo diferente, mas poucas vezes faziam sentido, e muitas vezes estavam embrigados por álcool.
Pessoalmente, digo que sim. Foi a única coisa que mudou do Sexta para Sábado. Depois que a poeira baixou um pouco, veio a notícia de que o tumulto começou no fim da vigília organizada pela família para protestar a morte do rapaz morto pela polícia. A vigília saiu de controle e algumas pessoas do bairro começaram o tumulto em uma revolta contra a polícia. Mas também acho que a televisão ao mostrar tudo ali, nú e crú e no loop repetitivo, instigou outros grupos do país a soltarem toda raiva e frustração contra o sistema. Ver que pessoas estavam roubando e destruindo saindo impunes, mostrou que se você quisesse, seria fácil ir pegar o seu pedacinho de mercadoria. A TV mostrou que polícia não ia te parar, se seus amigos iriam pra lá fazer tumulto também, que diferença iria fazer?

3) Porque a polícia não deu conta do recado?
Porque a polícia de rua aqui não é treinada para lidar com tumulto, e não só isso, ela não é autorizada a lidar com tumulto, eles não são armados, e normalmente só têm o bastão de borracha para conter violêncida em casos extremos e individuais de violência. Tem que ser a polícia treinada para tanto. Foi a primeira vez que aconteceram tumultos em vários lugares ao mesmo tempo. O número de policiais de tumulto (tipo Rota e Bope) foi pequeno para lidar com todos os tumultos. Foi um caso de como a TV estava mostrando onde os tumultos aconteceram, o pessoal causando o tumulto via na TV que poderia atacar outras áreas, e aproveitava a brecha.
Também teve o fator de que durante outros protestos durante o último ano a polícia foi muito criticada por usar força excessiva. Inquéritos foram armados, e a polícia ordenada a usar menos força da próxima vez. Quando chegou a hora do vamos ver, foi o que eles fizeram.

4) O Primeiro Ministro estava de férias, isso quer dizer que ele é folgado?
Não (mas jornais podem tentar te convencer do contrário). Não só o primeiro ministro como todos os políticos e a maioria da população tira férias no verão inglês. É quando as crianças saem de férias da escola, então é normal terem um tempo de descanso. O balanço entre a vida pessoal e trabalho aqui é protegido por leis européias, e isso é uma coisa importante na qualidade de vida de todos. O Primeiro Ministro é uma pessoa como qualquer outra, e para “funcionar” direito, precisa desligar de tempos em tempos. Ele e o Prefeito de Londres voltaram para Londres na terça-feira do tumulto. Todos os outros Membros do Parlamento (equivalente a deputados e senadores) foram convocados para uma audiência na quinta-feira depois do tumulto. Críticas são maiores pelo fato do Prefeito ter demorado mais para chegar, e quando todos estavam se unindo para limpar e resconstruir a cidade, eles não se uniram à população afetada.

O Primeiro Ministro não fez muita coisa na verdade voltando das férias. A polícia aqui é um órgão independente que tem liberdade de decidir ações conforme acharem necessário. David Cameron ter voltado foi literalmente, mais para inglês ver.

5) As pessoas que causaram o tumulto são pessoas simplesmente desocupadas, se aproveitando da falta de policiamento, ou crianças que os pais não tomam conta, querendo roubar coisas?
Aí está uma questão que cutuca a ferida de muita gente. Meu problema com essa questão é a palavra simplesmente. O que transpareceu durante esses acontecimentos é que nada é tão simples assim. E teve muito adulto na bagunça (até um brasileiro), e pessoas que queriam roubar comida, água e bebida acoólica.

5) Qual é a solução para isso não aconteça mais?
Não existe só uma solução. São várias. Que custam dinheiro, esforço, tempo. Sem entrar na questão histórica de partidos políticos, aqui está a minha lista de soluções, baseadanos ideais de Leleilândia:

  • Para os governantes:
    • Reforma do sistema de benefícios: Fazer com que o benefício seja merecido e não simplesmente oferecido. E benefícios merecidos seriam então melhores. As casas dadas pelo governo pra quem não pode pagar aluguel, seriam de melhor qualidade,ofereceriam condições mais humanas, e o serviço social apoiando o crescimento dos cidadões que necessitam dessa ajuda.

    • Reforma do sistema de ensino: Criar mais colégios de ensino técnico e aprendizes.
      Dar mais atenção para escolas que servem essas áreas:A maioria do pessoal envolvido (que claro teve suas exceções) vêm de sistemas educacionais precários. Saem da escola com o mínimo de alfabetizado (quando alfabetizados) e por isso também não conseguem se integrar à sociedade e procurar/conseguir emprego. O futuro para quem sai da escola nessas condições é escuro e sem muitas esperanças, o que traz frustração, raiva, inconformismo. Faça as contas.
      Criar e manter os centros jovens/infantis:Existem muitas histórias de centros juvenis e infantis de sucesso que ajudam aos menos privilegiados (e provilegiados também, pra quem quiser) com atividades pós-escola. É excelente para aqueles que não podem pagar para terem atividades extra-curriculares e precisam passar o tempo fazendo algo e se sentindo úteis.

    • Treinar a polícia: Não só para lidar melhor com tumultos, mas para evitá-los em primeiro lugar. Aprender as lições desses dias e rever as ações necessárias. Treiná-las para trabalharem com a comunidade problemática e não contra ela. Treinar oficiais que usam armas para saberem como lidar com o pânico e instintos de sobrevivência de mandeira melhor.

    • Reforma do sistema social: Oferecer condições melhores para trabalhadores do serviço social. Para identificarem e trabalharem com pais que não têm condições (morais, físicas e/ou ecônomicas) de criarem seus filhos. Cortar o mal pela raiz, identificando isso cedo na vida das famílias, seria mais fácil de direcionar crianças para um caminho mais correto, e evitar adolescentes e adultos que trariam problemas para a sociedade no futuro.

    • Impulsionar a criação de empregos: O corte de empregos, públicos ou não, é um grande fator nisso tudo, lembram de Gonzaguinha? “Um homem se humilha/ Se castram seu sonho/ Seu sonho é sua vida/ E vida é trabalho…/ E sem o seu trabalho
      O homem não tem honra/ E sem a sua honra/ Se morre, se mata…
      “. Na minha opinão a criação de empregos vem da criação de indústrias, de empregos públicos (feito de maneira enxuta e eficiente) de mais felixibilidade dos sindicados, de mais educação no país. De facilidade para pequenas empresas lidarem com os bancos.

    • Regularizar a propaganda e ânsia de ter que vender vender vender: Como eu falei, a maioria saiu roubando o que eles viam e queriam mas não têm condições (ou esperança de ter condições) de comprar. Pessoas “de bem” se aproveitaram e roubaram também. Pessoas com estudos e empregos, e sabiam o certo do errado. O que elas têm em comum com os muitos vieram de locais mais vulneráveis é querer e não poder comprar. É necessário colocar um freio nessa cultura onde ter é melhor como ser, como disse sabiamente, a Lolla.

  • Para nós, o povo:
    Esse é um ponto que dificilmente se vê por aí. Normalmente todo mundo é rapidinho em atacar a pedra, sem olhar para o próprio umbigo. Mas a sociedade e o povo tem culpa – e muita – no cartório. Então, o que podemos fazer para mudar o que está ao nosso redor e não deixar somente na mão do governo?

    • Não perpetuar a raiva direcionada aos que têm uma realidade diferente da nossa: Xingar, apelidar, falar (ou escrever) com tom de voz racista ou preconceituosa sobre os jovens, crianças e adultos envolvidos ou não nos tumultos, somente piora a situação que também é formada pelo fato de se sentirem excluídos do grupo de pessoas aunto-entituladas “boas”. Mais um fator para se juntarem aos grupos que entitulamos “maus” – alguém falou no programa de debate na televisão, com muita razão, quando não há proteção boa, proteção ruim toma conta. E assim gangs se formam que por sua vez acham o espaço para crescerem. E o ciclo assim vai continuando.

    • Pesquisar mais sobre política e exercer nosso papel cívico: Saber o que cada partido fez, faz e quer fazer é essencial para exercermos nossos direitos de cidadãos. Sair pesquisando leva tempo, mas as recompensas são saber que na hora de votar – e tem que votar! – estamos escolhendo o melhor realmente para o que queremos, e não só ouvindo o barulho que a imprensa e jornais fazem durante a eleição e escândalos. Não só ouvindo o que celebridades, seus amigos ou o debate resultou na televisão. A escolha é nossa e temos que ser responsáveis por ela.

    • Pesquisar mais sobre como é que o pessoal mais vulnerável que nós vive?: Saber as condições desse pessoal vai te fazer parar de julgá-los. É tão fácil do alto do nosso pedestal onde tivemos uma educação, pais moralmente corretos que nos ensinaram o certo do errado e nos suportaram nas horas de dor e de alegria, de amigos que nos aceitam, do quentinho da nossa casa, da segurança da polícia que nos protege ao invés de nos atacar, do emprego que paga as nossas contas e o que queremos comprar. %-( Tire seus dedos dos ouvidos,  e use seu tempo para antes de atacar pedras, pesquisar o que está causando o problema, e como você pode ajudar.

    • Perpetue idéias e ações que proporcionem o que você quer no mundo: Se você já tem uma idéia do que é certo e errado na sua concepção, perpetue-as. Aponte os seus amigos que não conseguem (ou não querem ver) ainda na direção correta. Pode haver uma discussão básica, assim como a que houve com a Cris no Twitter, a Lolla e a minha ex-chefe no Facebook, só tenha certeza de manter civilizado, colocando seus pontos através de fatos, mas não batendo de frente e deixando o emocional tomar conta. Nos três casos, chegamos em um acordo, aprendemos umas com as outras. Em um caso de uma menina que conheci uma vez em um casamento e se tornou amiga no Facebook, consegui fazer ela retirar o post dizendo que era “fácil os jovens conseguirem emprego, que só precisavam colocar um terno e aprender a falar sem gíria.” E nem precisei pedir para tirar, só com jeitinho disse que não era tão simples assim…

6) E por último, porque isso não muda?

    Em resumo é mais ou menos como um cartunista colocou no The Independent (nosso jornal favorito aqui):
    Os sintomas, as causas, a solução

Tem muito que envolve richas políticas, a impossibilidade de governos trabalhem juntos pelo bem da nação. Muito da sociedade que começa errado e é difícil de mudar assim rápido. São atitudes, culturas, crenças. Que são parte da personalidade dos indivíduos. Muito vem de novo do que o Mauro me falou, de que a raça humana é simplesmente muito grande para instigar o carinho e a preocupação pelo próximo em uma escala em que todos se ajudariam, na verdade.
Pode ser que esta lista mude conforme eu fôr lendo mais (ainda tenho muito mais artigos para ler!) e mais informações sobre o que aconteceu forem surgindo. Afinal, vocês sabem, sou a mestra em mudar e adaptar minhas opiniões.

Ia publicar a lista de artigos que li, mas seria enorme e não sei se vocês estariam interessados. Quem quiser pode me pedir e pode ser que eu publique aqui ou mande por e-mail.

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