Blogagem Coletiva – Estudar Vale a pena! #estudarvaleapena

A querida Graziela essa semana me chamou para participar da blogagem coletiva divulgado pela Samantha, parte da campanha do Unibanco.

E claro que topei participar, tem como recusar uma causa dessas, tão importante? Ainda mais um assunto tão importante nos dias de hoje aonde educação é sempre apontado como um dos milhares de motivos porque comportamentos têm sido tão violentos.

Isso me pegou pensando porque estudar valeu a pena pra mim?

Acho que sempre tive medo do que aconteceria comigo se não estudasse. Sempre me afundei nos livros, sempre me interessei pelas aulas, sempre fiz questão de decidir o meu destino. Sempre ouvi muito aos meus pais, aos seus conselhos, e seguindo seus exemplos (meus pais fizeram faculdade enquanto a gente crescia) admirava a vida que construíram para eles baseados em seus estudos.

Vamos voltar na máquina do tempo, e ver o que aconteceu lá, 32 anos atrás :-?

Com 4 meses de idade, já ia pro berçário. Minha mãe teve que voltar a trabalhar depois da licença maternidade e sei que ela sofreu a separação da bebê (ela conta que ligava pra escolinha querendo ouvir se eu estava chorando, e me ouvia cantando no fundo :)) ). Até os 6 anos de idade, ia pra escola para brincar com outras crianças, mas aprendi o básico e comecei a ser alfabetizada. Sabe do que me lembro? De “pernoites”, das brincadeiras, das professoas que brincavam ensinando (ou ensinavam brincando?).

Dos 7 aos 12 anos, estudei na mesma escola. Amava todas as aulas, as lições de casa, as festas comemorativas, as feiras de ciência, as “olimpíadas”. Ganhei prêmios de redação, xadrez, dama, handebol. Estudava pesado, e como resultado, apareci mais de uma vez no quadro de honra. Fiz parte do time de handebol da escola e ficamos em segundo lugar no campeonado de handebol de São Paulo. Uma vez esqueci de fazer a lição de casa e comecei a chorar, por ser boa estudante, a professora me usou como exemplo que não passaria castigo porque eu sempre fiz tudo tão certinho que merecia ser desculpada daquela vez. Brincava MUITO e as histórias para contar são infinitas.

Dos 13 aos 14 anos fui para escola pública. Apesar das atividades não serem tantas como na escola particular, os professores eram excelentes. Tínhamos aula no laboratório (ainda lembro a primeira vez que vi os gominhos da lanranja no microscópio), festa junina, e os melhores recreios que me lembro. Foi quando comecei a paquerar garotos, e a escola também me ensinou o que estava acontecendo comigo, e que eu estava começando a virar gente grande.

Dos 15 aos 18, comecei o período mais pauleira dos estudos. Graças a ser uma estudante – no sentido completo da palavra – consegui entrar em uma das escolas técnicas públicas mais difíceis de passar no vestibulinho. A antiga Federal. Passei e lá reecontrei uma amiga que estudou comigo da 3a até a 6a série. Quem diria! Por ter sido estudante, a vida já estava facilitando a minha passagem pelo colégial técnico que era mais como uma faculdade. Foram os anos de estudo mais pesados da minha vida. Estudávamos até ficarmos esgotados. Ir para a Escola era rotina que  na maioria começava cedinho e só terminava de noite (e incluía sábados!), senão na classe, estudando na biblioteca, fazendo projetos no laboratório, jogando basquete na quadra, ouvindo walkman no saguão, fazendo coisas básicas que me formaram quem hoje sou. A paquera nessa época ficou mais forte e conheci o que era o amor. Conheci muita gente bacana, que levo pro resto da vida como amigos verdadeiros. Pessoas de bem, que hoje em dia têm sucesso em suas vidas. Experiências e histórias que escreveriam um livro ao invés de um post no blog.

Aos 17 anos, graças a ser estudante, consegui estágio na ainda então Telesp, que depois virou Telefônica. Tive que prestar concurso público e fui chamada na segunda leva de pessoas convocadas. Estudei durante o 3o ano na Telesp (trabalhava de manhã e estudava de tarde), por estar na Federal, fui chamada para ir fazer estágio em uma multinacional durante o último ano, na época ainda AT&T, que depois virou Avaya. Trabalhei no estágio por 2 anos, e por não ter faculdade, não fui efetivada com a Avaya, mas com uma empresa que prestava serviços para eles.

Um amigo que trabalhava comigo na Avaya então me chamou para ir prestar vestibular com ele na UNIP. Fui com compromisso, e passei na primeira chamada. Continuei trabalhando de dia e estudando de noite. No último ano, fui chamada para trabalhar na Siemens, que oferecia treinamento nos Estados Unidos e uma estrutura melhor de vida pessoal.

Por estar terminando a faculdade, consegui um salário melhor. Por ter feito Federal (e o nível das aulas de inglês lá ser excelente apesar de ter sido somente dois anos) fiz treinamento nos Estados Unidos e trabalhei na Siemens até decidir vir para Inglaterra.

Chegando aqui, aos 23 anos, fui estudar de novo! Fiz 6 meses de aulas de inglês até conseguir meu emprego. Porque eu tinha um histórico profissional tão bom, fui chamada para trabalhar na Siemens daqui (sem relação com o emprego do Brasil hein?). Nas entrevistas, era difícil convencer as empresas que trabalhei e estudei ao mesmo tempo, tinha que provar, mas era admirada pelo esforço e pela conquista.

Ainda pensando que precisava mais, fui fazer Pós. Dois anos pesados de novo, aprendendo, pesquisando, fazendo projeto de tese.

Depois da pós, decidi ir aprender outras coisas, como vocês sabem, hoje faço aulas de canto e teclado. Quero aprender muito mais.

Acho que por tudo isso, e por todas as coisas boas que posso listar que aconteceram na minha vida devido ao fato que eu estudei, não tem como negar os benefícios do porque vale MUITO a pena estudar. Ir para a escola é muito mais do que só aprender a decorar matérias que podem ser chatas. É aprender como lidar com a vida, com o mundo ao redor, como pensar por você mesmo, como aproveitar os momentos de brincadeira, de alegrias.

Nem que seja para termos a escolha de não fazer nada com o que estudamos. O problema é querer fazer algo que requer estudos e ter a opotunidade negada. De ter que rechear o tempo que você estaria aprendendo alguma coisa com algo que te traria tantas coisas boas quanto a de ir para a escola.

Claro, existem vários problemas com o sistema de educação no mundo. Não estou negando isso. Mas esse post foi para listar o porque vale a pena ir para a escola. Mesmo com seus problemas, pra mim ainda ganha de abandonar um futuro que nunca saberia como seria se não fôssem por aqueles momentos maravilhosos de minha infância, adolescência e vida adulta.

E olha, o ponto a ser feito é tão importante que estou até quebrando a regra de não publicar fotos comigo por aqui. Essa foto foi tirada em 1998, depois de um dia de estágio, fazendo projeto no laboratório na Federal. Tão novinha e tão magrinha aos 17 anos, mas só por causa dela, é que a mulherão Lelei aos 32 existe hoje :>

Tá vendo como Escola não é chata? Taí a prova! :)

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Terra Brazilis Post Final – Os -s e os +s

E pra finalizar o relato da viagem ao Brasil, seguem algumas notas de coisas que chamaram a minha atenção, confesso, meio que inspirado pela Lolla:

Não gostei de ver :-q

Povo brasileiro cada vez mais fechado – Uma das coisas que eu me gabava com o povo britânico, era a facilidade de lidar com o povo brasileiro. Que todo mundo era simpático, estranhos conversarvam com estranhos na rua, sorrisos e risadas eram compartilhados, no supermercado, na feira, no metrô. Ainda tive sorrisos, que resistiram à armagura de um  povo que anda perdendo sua naturalidade. Principalmente os de minha mãe, que é uma das pessoas mais simpáticas que conheço, sempre com sorriso no olhar, e um amor e compaixão no coração que transparece em sua face. Mas encontrei muito mais rostos como o meu, naturalmente ranzinzas e fechados (no meu caso, normalmente é por timidez), pessoas ignorando a tentativa de se engatar uma conversa cabreira, fazendo cara feia, sendo antipático e duro nas lojas, trânsito, e nas ruas. Não sei se o fato de ter me mudado pro subúrbio de Londres também me fez pensar que o povo – normalmente e estereotipicamente – Europeu com fama de duro e distante se transformou. Aqui temos muito mais sorrisos, simpatia e atenção do que encontrei em muitos lugares no Brasil em São Paulo.

– Outra característica foi a perda de espontâneadade – Só consegui encontrar DUAS amigas por lá. Todo mundo tinha compromisso, ninguém podia encontrar, tudo era difícil. Alguns amigos brasileiros daqui às vezes sentem falta da facilidade que era pegar o telefone e marcar de se ver, de fazer um churrasco, de ir conversar sem ter que marcar dois meses antes. Mas se medirmos pelo povo Paulista, isso é coisa do passado.

– Nível e instensidade de violência e cobertura da imprensa: Isso eu já comentei aqui.

– De ver como homofobia é aceita de uma maneira cotidiana, como se você, por não ser homofóbico, fôsse a pessoa errada.

–  Núcleo rico/pobre da novela (assisti Insensato Coração com a minha mãe, e continuo assistindo aqui pela Internet) e como isso faz parte da vida real da vida brasileira também. Conheço brasileiros dentro e fora do Brasil, que se comportam como o núcleo rico, e que tratam os outros (e algumas vezes sinto ser comigo também) de maneira como se fôssem pessoas “diferenciadas” com mesquinharia, aquele nariz empinado, aquela ignorada básica, e a secada de rabicho de olho. Claro, que o fato é mais o comportamento em si, e nem tanto de ser pobre ou rico em termos financeiros. Até a novela mesmo mostra através de Eunice. Eu sei que isso sempre foi um ponto cultural brasileiro complicado de passar por cima, mas mesmo assim ainda me incomoda, e fico pensando se a novela influencia a sociedade brasileira ou se a novela só retrata a realidade.  Também fiquei pensando se talvez esse seja um dos pontos que me fazem adorar morar na Europa, onde a diferença social não é tão grande e status não tem nada a ver com os amigos que você faz (apesar de ainda existir muito preconceito contra o pessoal de nível mais baixo, mas isso eu comento em outro post um dia desses).

Preços: Isso também foi uma observação da @senzatia, de que tudo no Brasil está mais caro. E achei a mesma coisa. Foi um dos motivos de deixarmos de viajar para longe de Sampa, e também de não trazer muita coisa. Acabei trazendo só bugigangas que não se acha aqui, coisinhas pra casa nova e lembrancinhas pros pais e avós de Mr. W. Talvez isso seja um sinal bom de que o Brasil está com uma economia forte. A libra está super baixa, acabei levando libras e trocando por reais, que deixei na poupança para evitar pegar menos ainda quando fôr em Dezembro, e a poupança está rendendo bem mais lá do que aqui. Ou então, como a @HeloRighetto disse, talvez o país esteja na moda, e isso infla os preços, com tanta gente indo morar e investir no país. De qualquer forma, sendo a cética que sou, só espero que não seja uma bolha de melhoria temporária :-?

– Trânsito, sujeira, metrô com lentidão – Eram coisas que eu sei estavam sempre em São Paulo, mas só pioraram :(

O que eu gostei de ver :-bd

– Apesar de ter me chocado, e da novela ter suas coisas “erradas”, uma coisa que gostei foi como eles tratam da homofobia, e como eles incluíram lá personagens gays.  Acredito que mostrar que gays são pessoas como qualquer outra, e não “doentes ou anormais” ajuda mudar a consciência e quem sabe um dia o comportamento do povo em geral? Ainda são passos de bebês, e eu não entendo do assunto o suficiente para dizer se estão falhando em algum aspecto de como tratam o assunto, mas de modo geral, gostei do trabalho que estão fazendo.

– Música do Luan Santana – Gigi adora, e eu achei uma influência bacana nela, só por evitar o funk e músicas com vocabulário vulgar, já gostei de ver ela cantando e dançando ao ritmo sertanejo.

Sílvio Santos – Confesso que a-d-o-r-a-m-o-s Roletrando e Quem quer dinheiro? Assistíamos quase todo Domingo com minha mãe, e Mr. W até adivinhou uma das palavras que passou batido pela gente um dia (Cigarrilha!)

Centro de São Paulo – está lindo! Incrível como é a única parte que eu vi limpa. Também está bem policiada, e iluminada. Quando minha amiga me chamou pra nos encontrarmos lá fiquei meio ressabiada, mas aceitei e não me arrependi. Fomos de metrô até lá e não teve problema nenhum! E o passeio de carro pelo pátio do colégio, Sé, Liberdade, Universidade São Franscisco, foi muito bonito e deu orgulho da cidade natal.

Policiamento – Pelo menos no Centro e no meu bairro, na Zona Norte, teve bastante policiamento, dia e noite. Mas mesmo assim estava proibida de sair com bolsa, já que alguns ex-presidiários soltos no Enduto e mais cedo estavam fazendo alguns furtos por perto, mas mesmo assim me senti segura na maior parte do tempo.

Cultura, comida, Páscoa – Fomos na procissão, que ao meu ver é parte da cultura brasileira. Mr. W gostou de acompanhar o pouquinho que fomos juntos. Apesar de ele ser ateu, gosta das cerimônias rituais, principalmente porque aqui no Reino Unido é bem velado e quando não se tem isso… A comidinha da mamãe (e da irmã, e do irmão em uma ocasião) uma delícia como sempre! E comemos muita pizza, esfiha, coxinha (a preferida de Mr. W), beirute, bolos, doces, pudins, pastel… Adorei como é simples ir no supermercado e comprar comida caseira, e levar pra casa! Quero um desse aqui! E a Páscoa com aqueles Ovos Pendurados no teto do supermercado? Nunca vi em nenhum outro lugar do mundo, aqui é mirrado, e ainda por cima, são vendidos na caixa, e em uma prateleira, Boo L-)

Gostei da chuva morna, da brisa da manhã indo na hidro com a minha mãe, dos desabafos que nós duas fizemos, dos abraços e convivência com Gigi, Das risadas com meu irmão e dos almoços e papos com minha irmã. Dos bate-bocas políticos com meu pai e nossas conversas sobre Palmeiras (e qualquer futebol pra ser honesta). De assistir filme com todo mundo empilhado na sala apertadinha. De ter visto duas amigas queridas que não vi o ano passado, e colocar a conversa em dia e vê-las felizes. Dos passeios ao shopping, das viagens à praia e colocar o papo em dia com a minha vó/dinda. Do passeio à Braga City e ver a família Buscapé no seu melhor. De estar ’em casa longe de casa’, como sempre. Mas eu tenho uma voz dentro de mim que me diz que isso só é possível porque eu volto pra casa. E cada vez que volto vê-los e passar o calor que me deixa empipocada, e ser ignorada pelas duas primas, e me supreender com os rostos ranzinzas, é essa saudade que deixa tudo mais bonito, mais colorido, mais especial e só as coisas boas ficam guardadas pra próxima viagem pro outro lado do Oceano Atlântico abaixo do Equador.

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Terra Brazilis II

Bom o que eu não contei ainda?

Ah! Esqueci de falar que Mr. W levou a maior sorte e foi pro Brazuca de Classe Executiva! Segundo andar, assento-que-vira-cama, comidinha chique, pacote completo. Depois que ele despachou as malas (o check-in foi feito online) e já estava indo para o portão de embarque, o pessoal da BA o chamou pelo auto-falante e ofereceu se ele trocaria a passagem Economia-plus pela Executiva, e ele nem bobo nem nada claro que aceitou né, chegou no Brasil descansadão %%-
Também não falei que teve almocinho gostosinho com a minha ex-chefe L. , da época que eu dava treinamento. Mas somos amigas agora, e foi uma delícia vê-la de novo, depois de quase 4 anos! Papeamos muito, no Viena do Center Norte. Foi meio decepcionante, eu lembro deles melhorzinhos na qualidade da comida, mas mesmo assim valeu a pena.

A última semana foi passada a programinhas básicos, teve aniversário da Giovana na terça-feira, e eu e minha mãe a levamos para ver Rio (opinião completa depois, mas posso dizer que foi ótimo, ela a-m-o-u) , comprei um balão Hélio de Princesa pra ela (paguei a bagatela que só Madrinha que mora longe tem coragem de pagar, mas ela merece!) e depois pegamos lanchinho do macdonalds e todos os brinquedos do Rio de brinde pra ela brincar. Mr. W se admirou, concordando comigo, de como o McD é mais gostoso no Brasil!

Nessa terça foi o dia que Mr. W torceu as costas, então quarta e quinta foram meio de molho (por isso que ele não foi no cinema com a gente também). Mas quarta fomos encontrar minha amiga mais antiga, a C. A conheço desde os 9 anos de idade, e é sempre uma delícia passar um tempo com ela. Ela e o marido dela são uns fofos e nos levaram no Bar Dona Onça ali no Centro de São Paulo. Foi bem gostosinho e quero ver se volto lá com a trupe para o aniversário do meu pai em Dezembro =P~ Depois da jantinha teve passeio guiado (por eles, rs) pelo Centro de Sampa, incluindo a Liberdade e Parque do Ibirapuera.

Depois disso, os planos foram ir no Shopping D (que Mr. W não tinha ido ainda), onde compramos umas coisinhas pra trazer de presente, e Giovana ficou brincando no parquinho que eles têm lá. Era para termos ido na minha irmã jantar, mas o Levi teve conjuvite :( E não pudemos dar um abração neles de tchau. Mas logo logo estaremos dando o abração de Oi-de-novo :)

Daí teve a festinha oficial da Gigi no Sábado, onde vi minha prima e minha tia fófis de novo, e passamos mais tempos juntos. Eu tinha ido pro Brasil pra participar da festinha de Gi (eu não tinha ido em nenhuma ainda) e foi uma delícia participar de 3! =D

Agora às fotos que fiquei devendo no post anterior :)

Teve pezinho molhado e pernocas branquelas no H2O do Guarujá
Teve admirar o marzão do mirante de concreto
Teve (ou tiveram?) os barquinhos dos pescadores
E teve o pescador solitário
Teve sentar na cadeirinha de praia e ouvir o mar fazer WHOOSH

Teve dia nublado, com paisagem esplêndida da janela
Teve menininho nos lembrando como é fácil ser entretido
Teve visita a sala de troféus da Vila Belmiro
Teve visita ao estádio da Vila Belmiro
E uma foto por cima do muro do estádio que sem querer deu certo
Teve despedida da praia
Teve comemoração da Páscoa
Teve processão
E teve nós participando das últimas paradas
Teve chocolate derretido no porta-mala do carro a caminho de Bragança Pta
E teve volta a Sampa, e flores no caminho pra hidroginástica
E no caminho também tinha Jaqueira
Teve festinha pra Gigi em casa
Teve eu e minha mãe fazendo lembrancinha pra festa de aniversário da Gigi na escolinha
Teve Churros no Bar da Dona Onça
Teve o Impostômetro, mostrando quanto o povo brasileiro já deu de impostos pro governo esse ano

Teve a boneca que quase não tiramos foto, por esquecimento, mas agora está garantida que esquecida não será

Teve a foto que foi a Gigi quem tirou
Teve mais lembrancinhas, pro aniversário do final de semana
Teve tema princesa, do jeitinho que Gigi quis

Teve Cupcake de cenoura com recheio de doce de leite
E teve fim de festa...

E foi gostinho de fim de festa mesmo. No dia seguinte, quando voltei pra minha outra casa. Domingo chegou e debaixo de chuva fortíssima voltamos pra Terra da Rainha e de Princesa Kate. Dessa vez foi sem choro, apesar do aperto no coração que veio de mansinho no avião. Mr. W – como sempre – me acalmou. O vôo foi bacana, assisti o Discurso do Rei Megamind e True Grit. Assisti mais uns seriados e continuei lendo Digital Fortress.

Cheguei em casa ainda com o vazio no peito que só quem escolhe dois lugares do mundo pra chamar de casa sabe o que é. Aquele silêncio depois da barulhada de Gigi e da família Buscapé que é difícil de acostumar de novo.

Agora já voltamos à rotina, mas as malas nos esperam ainda para serem desfeitas. Acho que prolongamos o feito, porque parece que assim não faz tempo que deixamos tantas pessoas amadas lá do outro lado do Oceano. Mas logo logo estamos de volta, e até lá vamos procurar bastante coisa boa pra fazer e história bacana pra contar! E começando a campanha pros meus pais virem visitar a caverna nova né?!

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Terra Brazilis I

Três semanas passaram muito mais rápido do que os meses que esperei para poder retornar ao aconchego. E meu aconchego é a convivência da minha família, e dos amigos com os quais tive que aceitar um relacionamento de longe há 9 anos atrás.

No começo demora sempre um pouquinho pra eu me encaixar de novo. De 24 a 48 horas em média. Não sei se é o fuso horário, o cansaço do vôo, ou simplesmente aquela sensação de quando se volta de férias do trabalho e você esqueceu a senha do computador, ou “o que era mesmo que você tinha que fazer?”. Sempre tive isso quando retornava de férias na escola também. Sem saber muito onde foi que paramos na lição, eu sempre tive esse sentimento meio de perdida.
O vôo foi bem bacana. Decidimos desembolsar a – relativamente – pequena difer£nça e pegamos o assento no Economia Plus da British Airways. Mais espaçoso e com reclínio de banco maior. Eu fui no que é julgado o melhor assento do avião, mas achei que o vento gelado no meu pé atrapalhou o sono. Terminei de ler “To kill a Mockingbird”, assisti Cisne Negro e A Rede Social (farei o post sobre eles depois). Assisti The Big Bang Theory e dormi umas duas horinhas (entre cochilos). O vôo foi o mais tranqüilo que tive até hoje, em questões de turbulência, e de ser servida pela equipe de bordo. Achei que valeu a pena ter pago mais, e estou tranqüila por ter pago a mesma classe pra quando voltarmos em Dezembro – sim, a próxima volta ao aconchego já está marcada!

Saindo do portão de embarque, tive que esperar meus pais chegarem. Eles – como meio até de costume, porque meu pai d-e-t-e-s-t-a acordar cedo e vôos de Londres chegam todos entre 5 e 6 da matina – chegaram depois que eu saí do portão. Claro que eu preferiria que eles estivessem lá pra me receber, mas depois de uns minutos o nervosinho estressado acentuado pelo stress do vôo passou e depois de verificarmos aonde o câmbio valia mais a pena, trocamos o dinheiro que eu trouxe e viemos pra casa, e eu já estava toda de volta pro colo deles.

O carro que me esperava no estacionamento ainda era o mesmo Corsinha cinza-prata-grafite-escuro de 11 anos, que vendi pro meu pai quando fui pras Zoropa. Todos os pleitos para que ele trocasse o carro antes de eu chegar foram em vão, mas vamos que vamos.
Cheguei em casa e vi o que a mudança do meu irmão de retorno ao ninho aprontou. Estava tudo meio de perna pro ar. Mas minha cama de solteira e o quarto que dividi com ele e minha irmã por 26 anos estavam prontinhos pra minha soneca.
Soneca essa que não veio. Eu temei em ficar de pé. Tomamos café da manhã. Já na fase 1 do regime – que comecei com minha mãe para incentivá-la a entrar na dança também – e comemos queijinho branco, com mortadela light e iogurte =D Nada de pão de queijo, pelo menos por enquanto =P~

Fui buscar Gigi na escolinha, mas depois do almoço o sono e tontura bateu pesado. O corpo não queria saber de ficar de pé não, e no embalo do cochilo da tarde de Gigi, dormi até as 5 da tarde, apesar que ela mesma acordou bem antes!
Nas próximas duas semanas, me empenheei em colocar o apartamento da minha mãe em ordem. Não sei se já contei mas ela é síndica do prédio (que na verdade são 4 no total), além de dona de casa à moda antiga: tem que cozinhar, passar, limpar, comprar, enfim, faz tudinho!! Então o que ficou meio de lado nesses últimos meses, devido à vinda de meu irmão e rolos do condomínio, foi a arrumação.

O apartamento estava limpinho, claro, mas tudo fora de lugar e muita coisa que se podia jogar fora.
Arregacei as mangas e fui pra labuta. Duas semanas de separa daqui, enpacota dali, joga fora mais um pouco, praticamente sem parar mas com algumas pausas para irmos a feira de rua, e à academia de manhã. Três vezes por semana, hidroginástica, que é o que minha mãe adora fazer. Fui com ela porque gosto também e para ter certeza que ela pegaria esse hábito antes de eu ir embora, e eu espero que ela continue!! Ela merece esse tempinho de lazer gostoso e para sua saúde é muito importante.

Também teve pausas para irmos às lojas. Fomos na 25 de março, na minha parada habitual para renovar as bijouterias. E nas lojas do bairro para comprar besteirinhas. E visitar a minha avó (a única viva) na Praia Grande. Passamos uma tarde gostosa de fofocas e colocar a conversa em dia. Fui no médico e no dentista, mas dessa vez a bronca foi só do médico mesmo, por ainda estar acima do peso!

Também fui na missa, na sessão espírita e na procissão com a minha mãe. Eu faço questão de ser companheirinha da minha mãe nessas coisas, já que normalmente ela faz essas coisas sozinhas. Mr. W também foi na procissão, que apesar de ser ateu, gosta de cerimônias do folclore brasileiro!

Sky over São Paulo
Sky over São Paulo

Flagrante do céu em uma tarde de outono Paulistana. Sempre tenho umas surpresas dessas!

Aliás, devido ao lerê lerê, o acesso a internet ficou escasso, e as duas primeiras semanas passaram voando, e voando também chegou Mr. W. Dessa vez pegamos ele no portão correto (o ano passados esperamos no portão errado, e o coitado ficou esperando mais de 2 horas pela gente :"> ) e ainda vi Zeca Camargo que foi super simpático.

No dia seguinte nós dois embarcamos para a Colônia de Férias do Banespa, o qual tenho sorte de usar, porque minha mãe foi funcionária do Banespa por 30 anos! É um hotel simples, mas com uma localização de babar, para ir para o mar de Astúrias é só atravessar a rua, tem uma vista maravilhosa do mar, café da manhã, almoço e jantar deliciosos e incluínos na diária. Único empecilho é que a piscina estava em obras, mas o empecilho mesmo foi só pra mim, porque Mr. W só queria saber do marzão mesmo.

Ficávamos na praia de manhã, das 10 ao meio-dia mais ou menos. Daí era almoço, assistir umas temporadas (Monk ou Damages), cochilar, e ir dar um passeio a pé pela Orla. Tudo regado a muita leitura de livros, outro passatempo favorito de nós dois. Foram 4 dias de muito calor, muito mar, mas pouco bronzeado. Foi tudo muito regado a protetor solar e sombrinha do guarda-Sol porque os dois sem ver Sol por um ano, não somos muito chegados a uma queimadura não!

Na volta, passamos por Santos e paramos na Vila Belmiro (pena que não tinha o telefone de @flaviacurci para tentar marcar alguma coisa!!) e mais um estádio visitado por Mr. W que como todos sabem é tão fanático por futebol quanto eu. Também teve paradinha rápida na Dinda (minha vó e madrinha) de novo, porque ela fazia tanta questão de ver Mr.W quanto ele de ver ela! Comemos sanduíches de frios com mini pudim de leite comprados no supermercado para ganhar mais tempo conversando e menos tempo esperando a comida chegar. E sim, depois que Mr.W chegou, joguei a dieta pela janela porque não sou de ferro né!!

Descansamos a Sexta-feira santa em casa com um bacalhau delicioso que minha mãe fez pra gente e vídeos alugados (assistimos Gol 2), e Sábado fomos pra Bragança Paulista, berço dos meus pais, e onde tenho tios e primos ainda. Vi as duas tias queridas – que sempre batem cartão em me ver – as primas fofoletas, incluindo Carol, a que sempre passa por aqui >:D< e os tios queridos, que sempre batem cartão também. A família está passando por um momento complicado, mas com 6 irmãos no total, hoje em dia nós os sobrinhos já aprendemos que eles que são grandes que se entendam :> Fiquei chateada com duas primas que me viram na rua e fingiram que não conheciam, me surpreendi, porque são filhas do tio que bate cartão quando eu vou, e até onde eu saiba, não fiz nada para provocar tal reação. Mas não tem problema não, porque já me acostumei até com essas doidices da família também. Na volta de Bragança assistimos Bezerra de Menezes e Trair e Coçar é só começar. !

Hoje teve churrascaria, e matamos a saudade da comilança :P Nem bronca do médico me segura! (se bem que lembrei do vegetariano Mauro :-? ) Na volta assistimos Toy Story 3 – vou escrever sobre tudo que assistimos depois em um post separado.

Temos mais uma semana pela frente, que provavelmente será recheada de passeios turísticos e mais história pra contar depois que eu já estiver do outro lado do oceano a não ser que dê um tempinho por aqui de novo. Boa Páscoa a todos!!

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PS: Maioria das fotos ficou na máquina de Mr.W que não trouxe o cabo de transferência. Depois se conseguir as incluo, senão fica pra outro post quando estiver de volta na Terra da Rainha!

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Cidadã do mundo

passpage

E achei fofo as páginas serem sobre o clima. Uma das obsessões dos Britânicos.

Eu escrevi no meu blog antigo todos os porquês de eu batalhar pela minha cidadania britânica. Se você não viu o post, clique aqui.

Em teoria, eu podia ter pedido meu passaporte no dia seguinte, mas decidi que seria melhor esperar mudar de casa para evitar confusão com endereços, registros e toda a burocracia que está sempre envolvida nessas horas.

Então, no mês passado, resolvi parar a procrastinação e resolver de uma vez por toda esse perrengue. Por ter passado pela experiência de ter que esperar quase dois anos pelo meu visto (enquanto eles prendiam meu passaporte por quase um ano), eu estava com a pulga atrás da orelha de ter que lidar com o Home Office novamente, mas não tinha opção, era agora ou nunca. Com planos de ir para o Brasil em Março do ano que vem, a idéia de ter que passar pela imigração “normal” novamente mandou o arrepio na espinha e o frio na barriga, então criei coragem e juntei os cacarecos para enviar o pedido do passaporte, que comparando com os processos passados foi relacionamente fácil.

O pedido pode ser feito pela internet ou inicializado nos correios, que são treinados para verificar foto, documento, assinatura e preenchimento do formulário antes de serem enviados para o Home Office, com uma taxa a mais é claro, mas valeu a pena pagar. Da primeira vez que levei a papelada, foto estava cortada mais curta do que deveria, invocaram com meus iis maiúsculos que coloco pingo (ok, ok, eu sei que não vai pingo em i maiúsculo, mas coloco de mania e receio de confundirem com L), e a assinatura em caneta azul – que tinha que ser preta.

O formulário pedia dados básicos, nome completo (para o qual precisei usar outra folha para preencher corretamente), data de nascimento, nome da mãe, etc… Também tive que fornecer dados de uma pessoa britânica que me conhecesse há mais de 2 anos para testemunhar que tenho bom caráter (no caso, escolhi Mr. C). A mesma pessoa tem que assinar uma das fotos comprovando que era eu mesmo.

Em um papel separado, foram os nomes dos avós, e datas de casamento deles e de meus pais. Junto, meu passaporte brasileiro (oh não, de novo não!) e certificado de cidadania (meu atestado de nascimento britânico, rs).

passcover

O precioso! E o símbolo no pé da capa quer dizer que posso usar os portões automáticos na imigração daqui pra frente. Luxo que nem Mr. W tem :)

Depois de uns 10 dias, e o pessoal do Home Office me ligou umas 3 vezes porque não estavam entendendo como é que meu nome funcionava (para quem não sabe, eu tenho 5 nomes). Depois disso, em três dias chegou a cartinha para eu marcar a entrevista para ir comprovar que eu era eu – última barreira entre eu e o precioso passaporte. Também chegou o passaporte Brasileiro (Oba! Já posso viajar de novo) e o certificado de cidadania de volta.

Marquei a entrevista para o dia mais próximo que havia, dali 3 semanas. Fui debaixo de uma chuva fenomenal. Esperei 15 minutos para ser chamada no guichê. Pediram para soletrar meu nome inteiro (foi a pergunta mais difícil :-D ) , onde e quando eu nasci, qual banco eu tenho conta e quantos e quais cartões de crédito eu tenho, qual foi o dia que eu me tornei Britânica, perguntaram nome dos pais, e onde nasceram. Nome, profissão e idade da minha “testemunha” (Mr. C) e tive que chutar a idade, porque não sabia, que vergonha!!

Pronto, em 5 minutos tudo feito.

Daí foi só esperar mais uma semana e meu passaporte precioso chegou ontem, debaixo de neve e tudo. Sensação surreal de um peso que sai das costas. De saber que agora sim tenho liberdade de ir e vir e exercer meu livre arbítrio.

Muita coisa aconteceu em 8 (quase nove) anos até chegar aqui, mas sempre tive em mente esse momento. Foi uma das coisas que me seguraram para não correr pra debaixo da saia da mãe nos momentos mais escuros da jornada. E saber que vim, vi e venci, não tem preço.

Agora é aproveitar a liberdade, viajar muito, ir muito pro Brasil matar as saudades, e aproveitar por todos aqueles que não tiveram um destino de sorte como o meu e que se vêem presos a sonhos de experiências que não podem se concretizar ou presos a imigração ilegal e a incerteza e medo, e a impossibilidade de espalhar as suas asas.

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Dá me um cornetto!

Tudo começou nos dias dos namorados desse ano (que aqui é Dia de São Valentino e comemorado em Fevereiro), quando a gente combinou que não teria presentes, “- Só troca de cartão, hein!?!” e a gente foi pra Southampton, pro show da banda dele, então tivemos que dormir por lá. Na confusão de três casas pra irmos, acabei esquecendo o cartão dele na minha casa. De última hora, na sexta-feira antes do fatídico dia, fiz um cartão com colagens de revistas e enfiei na mala, torcendo pra ele gostar e ter aquela coisinha a mais especial.

No Domingo de dia dos Namorados (e depois do show que tinha sido no Sábado) Mr. W me acordou com o cartão pra me dar nas mãos, mas junto com o cartão tinha um pacotinho, um livro sobre Veneza (que sempre foi um dos poucos lugares que eu sempre quis conhecer, e ele sabia)…. Então teve aquela bronquinha básica e biquinho “-Você sabia que não era pra ter presente, não vale, vou ter que comprar algo pra você também! 8-|  ”  e ele então suspirou no meu ouvido “Tudo bem, só que as passagens e o hotel foram mais caros!”   Minha única reação só podia ser derrubar a mandíbula e aceitar :O  Viagem marcada pro feriado de Agosto e contagem regressiva começava!

Seis meses passaram voando, muitas notícias boas chegaram, Bebê C nasceu, Bebê Dengo e Bebê ô-nome-difícil-de-se-escolher foram encomendados. Teve viagem pro Brasil depois de dois anos desesperados, e a hora de realizar o sonho de conhecer Veneza chegou também.

O dia começou na chuva – nem tão esperada em Londres nessa época do ano. Acordamos às 4:20 da manhã,e lá vamos nós! Nós dois detestamos acordar cedo, mas se é pra um dia de diversão, a gente pula da cama, no maior sono, mal-humor, dando choque, mas levanta e vai. Quando chegamos no Lounge da BA (sim, o ticket era de primeira classe, que tava em promoção do tipo toma-aqui-esses-tickets-que-agente-não-vende-nem com-reza-brava) o humor já estava melhor, e os choques tinham passado, a gente só tava feliz de termos esse tempinho longe de tudo e de todos e só nós dois que já estava vencido de acontecer 8->

Esperando no aeroporto
Esperando no aeroporto

Quem me conhece sabe que sou uma hippie-hipócrita mesmo. Tenho ideais de que todo mundo deveria dividir o que tem, não gastar tudo que ganha etc etc, mas confesso que parecia criança em loja de doce no lounge. Peguei umas 3 revistas (incluindo a Hello! – que é tipo a Caras – que eu abomino, mas de graça até injeção na testa né?) e passei a mão mesmo em alguns biscoitinhos e suquinho que ficam à disposição no lounge.

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Não sou muito de tirar fotos de dentro do avião, mas tinha como não tirar fotos desse céu azulzinho que tava por cima de Londres? Quero ver se coloco num quadro, pra me lembrar que o céu é sempre azul em Londres. Mesmo que somente por cima das nuvens que tentam estragar o espetáculo ;;) Quando estávamos chegando em Veneza, a mulher sentada do lado disse pra prestarmos atenção que Veneza ia estar do nosso lado. Me empolguei e tirei fotos de umas ilhas que não sei quais são achando que era Veneza. Já tinha ouvido falar que a cidade alaga, mas tinha limite né? Não dava pra ver uma casa, uma rua, nada! Alguns minutos depois percebemos que Veneza era a ilha grande que estava por vir, e que tinha uma estrada enooooorme do aeroporto até lá…

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Assim que descemos do avião, o bafo já conhecido das viagens ao Brasil avisava que a BBC estava mais uma vez errada com a previsão do tempo. O dia estava lindo e o Sol já estava queimando ao meio-dia. Depois do passaporte devidamente carimbado (eu ainda estou viajando com o Brasileiro, que é carimbado, enquanto o Britânico, que não é carimbado, não sai) era hora de decidir como sair do continente pra ir pra Ilha. Entre as escolhas de irmos de ônibus pela estrada (20 minutos, €3) , de taxi-barco (20 minutos, €150) ou o Vaporetto, o ônibus barco (1:30 hora, €25 ida-e-volta), escolhemos o Vaporetto. As malas vão todas amontoadas na cabine, mas a gente foi confortável com 6 assentos pra escolher e olhando na janelinha, se melecando de protetor solar, e tentando se esconder do Sol escaldante, mas delicioso. A vontade era de se jogar na água ali mesmo.

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E a viagem de 1:30 passou tão rapidinho que nem percebemos. Como boa hippie-ócrata, fiquei possessa com o yacht gigante que estava ancorado em uma das ilhas e mais possessa ainda quando vi que carregava a bandeira Britânica, cadê a recessão meu povo? Mas fiquei calminha calminha com os detalhes de Veneza pelo caminho, a primeira ponte, e a Ambulância-barco. Só espero que nenhum paciente esteja sofrendo de enjôo! :D

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E então chegamos, e a sensação de chegar num lugar novo é sempre de tirar o fôlego. Ainda mais quando é um lugar que você esperou conhecer desde a primeira vez que viu a propaganda do Cornetto. Veneza é linda. A Gisele Bunchen dos destinos turisticos. Fotogênica, charmosa, elegante, exótica. Pra onde eu olhava, era uma foto que queria tirar. Cada piscada de olho um clique. Mas antes de começar a foto-fest, precisávamos nos livrar das malas. E foi a primeira experiência com a impossibilidade de achar qualquer lugar em Veneza, mesmo tendo mapa e indicações. Se um dia você fôr, prepare-se pra se perder, muito. E adorar. A não ser, é claro, que esteja viajando há 8 horas e querendo largar as malas em qualquer canto pra começar o turismo de vez.

Achamos o hotel depois de uns 20 minutos procurando (na verdade era a 5 minutos do porto do barco), usando meu Italiano arranhado (estudei 18 meses quando tinha 14 anos) e o Inglês arrastado dos Italianos. O hotel era no coração de Veneza, bem no meio entre os dois pontos principais de turismo, a Ponte Rialto e a Basílica de São Marco. Lindo, chique, luxo, mas amigável e confortável.

Na recepção já tinham 3 Brasileiras brigando porque o quarto não tava pronto, e um grupo de americano já fazendo o check-in e se mandando pro quarto. O nosso quarto não tava pronto, então peguei a câmera, pegamos o recibo das malas, e fomos investigar a cidade que os dois tanto queríamos ter sempre ido, e nunca tinha dado certo.

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Tínhamos umas duas horas pra bater perna antes do horário do quarto ser liberado. Resolvemos voltar pelas ruazinhas de lojas, e até as bancas de máscaras de Carnaval. Mas nos perdemos um pouquinho de volta só pra eu tirar a foto da porta que me chamou a a atenção, o restaurante na viela que me lembrou Bragança. Achei fofo os relógios inspirados em Dalí. Especialmente o da torneira Perde-Tempo :-D  Só não comprei porque a gente não ia conseguir trazer sem quebrar em mil pedacinhos. Mas talvez um dia compre e mande entregar, quem sabe?

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A rua das lojinhas (aliás, se você não se perder – de propósito ou sem querer –  em Veneza, todas as ruas vão ter lojinhas) terminava na Basílica de São Marco, que já tinha chamado a nossa atenção no caminho do barco até o hotel. Mas com calma, percebi quão impressionante a contrução é, toda aquela quantidade fenomenal de mármore! Linda, e monumental, mas não deixamos de comentar o preço (em dinheiro, vidas, corrupção, interesse, poder, etc…) dessa riqueza toda era diretamente proporcional ao fato da Igreja pregar divisão dos bens, cuidado com o próximo e desprendimento dos bens materiais. Mas deixamos esse fato pra lá, e decidimos apreciar todas as Igrejas como símbolos da história, da arquitetura, arte e herança a futuras gerações, incluindo a gente.

A Campanille é uma torre que ruiu em 1902 depois de incêndios e má restaurações. A gente ia entrar um dia a noite mas acabou não dando certo com os planos, mas vimos a cidade de cima no último dia, mas de outro ângulo.

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Do ladinho da Basílica tem o Palazzo Ducalle, que já foi o Governo de Veneza quando eles ainda  “lutavam” com o Vaticano pra ver quem ia ter o poder da igreja. A Praça São Marco não tem mais tantos pombos como antigamente  mas ainda tem alguns só pras fotos :) – hoje em dia você pode ser multado na hora se fôr pego pela polícia alimentando os pássaros – apesar que vimos gente dando paozinho e ningém levando multa.

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E tava um calor de lascar 36° na média, até o passarinho precisava parar pra se refrescar :) E até o cachorro mereceu uma foto em Veneza. Perdidos por ali era onde éramos agraciados com as coisas mais lindas e inexperadas, como esse protão no meio de uma pracinha. Mas sem o propósito de fechar ou trancar nada. Só ali.

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Me apaixonei mesmo pelas máscaras. Em um momento Mr. W até teve que perguntar porque é que eu tirava tantas fotos, e minha resposta foi: “Porque não?” :-?? Tirei mais de 50 fotos delas, e peguei leve na hora de dividir com o povo porque slide de fotos de viagens alheio é interessante só até um certo ponto. As sombrinhas eras fofas, e eu ia comprar uma pra mim mas 1) Não ia dar pra trazer  2) O final da viagem foi meio atribulado, acabei me atrapalhando e esqueci de comprar #-o

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Já não é mais segredo que eu sou tarada por lustres, lâmpadas, luzes em geral. É um gosto novo, eu nunca liguei muito pra isso, mas de uns meses pra cá, os detalhes me chamam a atenção e é cada vez mais difícil resistir registrar os designs maravilhosos que me encontram pelo caminho.  Sem falar no charme de uma rua sem saída, que só é sem saída se você pensar pequeno.

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E entre uma perdida e outra, a gente se encantou com os vasos nas janelas. E os cataventos nas janelas. E os canais nas janelas.

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Pra guiar os passeios perdidos, pegamos o passe de visitar 12 igrejas pelo peço de 3. Foi um veneno contra a barata-tontice que estava nos assolando de andar sem destino. As igrejas nos puxavam pros lugares mais longe dos tumultos de turistas, apesar de continuar no roteiro e mais uma vez nos proporcionar a chance de admirar uma riqueza em arquitetura e materiais que não sei se a humanidade jamais verá novamente sendo criada. Os pés cansados de andar 12-14 por dia mereciam sempre um descando onde desse, mas sempre garantido de ser um lugar espetacular, essa parada  foi nos degrais da Igreja San Stae.

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E como falar da Itália e não falar de comida? Comida gostosa, pros olhos e pra barriga. Detalhe pro coco no chuveirinho, o sorvete que nem eles sabem o sabor (Puffo = Smurfs!) deveria ter experimentado! O torrone gigante, o pão-peixe, e as massas coloridas. Na maioria das sorveterias eles colocam a fruta em cima do sabor, ou enfeitam, a-do-rei.

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E por falar em comer, ficam as dicas de restaurantes (que aliás vieram daquele livro sobre Veneza que Mr. W me deu) a Rosticceria Gislon, que parecia boteco brasileiro, com uma comida boa e barata, comemos os dois por €15 o que é a maior bagatela em Veneza, onde uma coca não sai por menos de €2,80 e pode chegar a €4,50. Comi risotto de camarão com cogumelo – não deu nem tempo de esperar pra tirar foto- e Mr. W foi de bom e velho Bolonhesa (que lá eles chamavam de Ragu).

A segunda dica é da Trattoria Da Fiore que serve pratos à la Carte, baratinhos também (mas a conta já foi €25) e bem típicos de Veneza. Comi o Ciccetti que é uma seleção de peixes e Mr. W foi de polenta com camarão.

Comida deliciosa, cheirosa, linda. E tinha como resistir?

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Pra os jantares, ficamos pelo Hotel mesmo. Aliás o Hotel Splendid foi perfeito. Mr. W pegou um quarto com vista pro canal, e toda vez que passava o gondoleiro cantando, a gente ouvia do quarto. O quarto e a cama eram confortáveis, e trocavam as toalhas duas vezes por dia (o que pra gente funcionou porque o calor era tanto que precisávamos de dois banhos mesmo). Também tinha kit de tratamento pros pés no kit do banheiro, que eu usei e abusei todos os dias :-bd

No primeiro dia estávamos acabados, vimos os preços no menu e achamos razoável, então resolvemos tentar. O garçom era uma simpatia de pessoa, os pãezinhos e água servidos de graça, e no último dia ganhamos umas três entradas de graça. A comida era excelente e o ambiente delicioso. Piano ao vivo todos os dias e no dia que choveu de noite foi uma mão na roda. Recomendo mesmo que você não fique no hotel, jante uma noite lá e não se arrependerá!

Vimos a bandeira do Brasil umas 3 vezes, e em uma delas era chamando pra aulinha de Samba. Mas tinha acontecido no final de semana anterior… Tem MUITO brasileiro lá , ouvi mais gente falando em português do que em inglês :D E a foto do meio são as máscaras genuínas mesmo, feitas enquanto você vê os artistas trabalhando nas lojas autênticas de Papier Mache.

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No último dia, finalmente fomos aos dois primeiros lugares que o livro fala que não é pra sair de Veneza sem visitar. A Basílica e o Palácio Ducale (comentários na página de viagens)

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E num piscar de olhos era hora de irmos embora. Na volta, perdemos o ticket de barco do Mr. W w tivemos que comprar um novo. Achei no meio do passaporte quando estava pegando pra apresentar pra imigração Italiana #-o

Foram 4 dias deliciosos, compramos lembracinhas (de vidro Murano, específico de Veneza), comemos muito, andamos mais ainda. O tempo colaborou imensamente pra experiência e tomamos chuva com gosto. Com certeza repetirei a dose se um dia tiver a oportunidade.

E pra quem achou que escrevi demais, vocês não viram o relato que fiz por dia com detalhes tim-por-timtim, mas esse só vai ser escrito no diário de papel, com caneta e para minha própria recordação, porque de novo, relato de viagem dos outros não é refresco não :))

Pra quem tiver mesmo planejando a viagem à Veneza, tem resumo das recomendações aqui.

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