Feliz 2015!

Uau, por onde começar?
Dois mil e quatorze vai ser um ano difícil de bater. Daqueles que apagam tudo de ruim que aconteceu, e deixam boas marcas na nossa história. Cheio de coisas gostosas, sorrisos compartilhados, desejos realizados. Eu e Mr. W assinamos o papel que trocou nossos nomes em um dia quente de verão, com pingos de chuva pra nos refrescar e rodeados pelas pessoas mais presentes em nossos capítulos.

Mas isso fica para outro dia! Junto com a fila quilométrica de posts para escrever.
Começo o ano de 2015 atrasada, e fora de ordem e daí?
Vou começar com uma das frases que me são entregue todos os dias como inspiração, e será meu sexto mantra.

“Most people are so busy knocking themselves out trying to do everything they think they should do, they never get around to do what they want to do.”
– Kathleen Winsor

” A maioria das pessoas são tão ocupadas se cansando tentando fazer tudo que pensam ser o que deveriam fazer, elas nunca conseguem fazer o que querem fazer “

Recebi em meu email em Novembro do ano passado e como me abriu os olhos! Sou daquelas pessoas que gostam de tudo certinho de tudo como deve ser. Mas pensando mais sobre a frase, também percebi que não existe barreira entre o que quero fazer e o que deveria fazer. Passei, desde Novembro a conciliar os dois e a prestar mais atenção no que eu quero, e a partir desse momento, é o que devo fazer. Simples assim!

E deixei de fazer o que devo, somente porque devo. Me deixando frustrada, me deixando cansada, me deixando infeliz e não realizada. Tem funcionado até agora, e em time que está ganhando não se mexe ;)

O que inclui não ter metas. Não gosto de metas, que no fim do ano me são esquecidas e colocadas na pilha de coisas que falhei fazendo.
O que inclui não ter ordem para posts no blog. Ou ter que ser ativa nas redes sociais. O que me coloca sob pressão de achar mais horas no dia, ou abrir mão do que quero fazer. O que me deixa estressada, e desinteressada em coisas que acontecem na minha vida fora do computador.

O que inclui um monte de coisas que deixaram de ser feitas, e provavelmente muitas mais virão, substituídas por coisas que me deixam feliz, me dão a liberdade de escolher o que, quando e onde fazer.

Incluindo não ter mais regras para meu blog, baseado no que dizem por aí que é o que eu deveria fazer ou deixar de fazer. A começar por esse. Sempre achei que deveria deixar um por assunto, e evitar deixá-lo muito longo.

Pois bem. Quero deixar duas coisas registradas aqui! E o post e texto vai ser longo!
Mas para ajudar a leitura, ainda deixo uma dica :)
Quem não tem tempo ou energia para ler tudo, vá direto ao texto em laranja. Os 5 mantras de Rik Mayall, que adotei para 2015.

Rik Mayall foi um comediante inglês, um dos favoritos de Mr. W, que faleceu no ano passado. Do estilo pastelão e sarcástico, é bem o que chamamos de humor britânico, e não é todo mundo que sacava a dele – para passar um pouco como ele era, deixei o texto completo, para ver mais ainda, clique aqui para ver suas expressões faciais ao discursar.
Em 2008, ele recebeu um doutorado honorário e o texto que me inspirou é a tradução de seu discurso de aceitação do diploma, feita durante a formatura dos graduandos.

Senhoras e senhoras
“Vinte e oito anos atrás, Paul Jackson entrou em uma boate incipiente em Londres chamada Comedy Store e me perguntou se eu gostaria de trabalhar na TV, o que era impressionante na época.
Haviam somente 3 canais, então se você estava na TV, você seria famoso da noite para o dia!
Então eu disse sim , sim, por favor, eu gostaria de estar na televisão e fui até a BBC e lá, no departamento de maquiagem, eu vi a mulher mais linda do Planeta e ela rapidamente se tornou minha amiga, e daí minha melhor amiga, daí minha amante e daí grávida, e daí minha esposa e daí a mãe das minhas 3 crianças.
Então Paul, quero usar essa rara para te agradecer formalmente e publicamente pela minha vida.
E então para a ordem do dia. O doutrado de Rik Mayall.

Senhoras e senhores, isso é extraordinário. É uma honra de tal tamanho. Tal alegria. Tal presente. Tal terrível engano!!

Eu fiz quase todas as coisas em minha vida longa e nojenta, e eu pensei que tinha feito quase tudo disponível a mim, mas eu nunca imaginei em meus sonhos mais impossíveis que algo assim poderia me acontecer.

Eu NÃO sou uma pessoa inteligente, e eu consegui disfarçar esse fato por um longo tempo, e agora vocês laudáveis me pegaram, e aqui estou com todos vocês, CDFs, e sou um homem com nenhuma célula cerebral a mencionar.

Sim, eu passei meus exames em 1967*, e tudo despencou a partir daquele momento. Fui reprovado em 7 Level Os* , fui reprovado meu exame de matemática 3 vezes, e e ganhei um F***-** nos meus ALevels*, F de Falhar, vocês sabem!

Mas mesmo assim, a Universidade de Marchester me admitiu! Baseado em uma entrevista, eles não são do mesmo padrão de vocês claro, eles aceitam qualquer um lá! Mas eu?? D’oh!

Agora, eu não exatamente falhei meu curso em Drama em Machester, eu simplemente não apareci para fazer as provas. Não que eu fosse estúpido demais, mas era bêbado demais e eu estava na cama demais com garotas do curso de Inglês!

Então aqui estou, Rik Mayall, um 11 plus, 3 O Levels e um Doutorado! DOUTOR Rik Myall!

Inacreditável.

Então muito obrigado por sua imaginação e caridade, I-N-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l!

Mas, as celebrações de hoje, não são para mim, são para vocês, que se esforçaram e trabalharam pesado! Agora é hora de começar a aproveitar sua vida. Esqueçam-se sobre Acadêmica. Vocês fizeram seu a parte pesada!

Comecem a celebrar seu sucesso, e a colher suas recompensas!

Comecem a viver suas vidas por COMPLETO!

No mundo lá fora, real, e sensual, e desagradável! Vamos lá!! Está na hora de desfrutar você mesmo!

Mas espere, em troca desta espantosa generosidade da Universidade de Exeter, deixe-me dar a vocês jovens um presente.

5 mantras para carregar contigo em suas vidas. Eles são meus. E eles têm me ajudado não somente a sobreviver, mas a ser feliz. Agora, lembrem-se disso!

1. Todos os homens são iguais! E com isso em mente, ninguém pode ser genuinamente superior a você.
2. SEU futuro. É SEU para criar. E é tão brilhante como você o criar!
3. Mudança é uma constante da vida. Então nunca NUNCA perca sua sabedoria. Sua saberia que você alimentou em seu tempo na universidade.
4. Se você quiser viver uma vida completa e inteiramente humana, você tem que ser LIVRE! Liberdade é soberamente necessária.
5. Amor é a resposta.

Então esse é meu presente a você. Somente tenha certeza que você leve sempre contigo:

Igualdade, Oportunidade, Sabedoria, Liberdade e Amor. E você vai estar ok. Esses 5 e um pouco de sorte! Então boa sorte!

Aproveitem a vocês mesmo, tenham uma FUCKING good life (uma vida boa pra cacete!)

Boa jornada meus jovens amigos, boa jornada!

E como não levar esses 5 mantras não só para 2015, mas para a vida toda? ^:)^

Bom 2015 meus amigos e boa jornada!

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Feriado? Que feriado?

Uma coisa que o pessoal que não mora aqui sempre pergunta, é se “também é/foi/vai ser feriado por aí?” Infelizmente, a maioria das vezes, a resposta é não. Não, não tem feriado de Carnaval, não tem feriado de dia de Santo, não tem feriado de dia da Independência (por motivos óbvios né  :-D ) e por aí vai.

Hoje não é feriado e ontem não foi emendado, mas o feriado que temos no lugar não é chamado de dia do Trabalho, mas “Feriado do começo de Maio”, e é sempre a primeira segunda-feira do mês de Maio.

E quais feriados nós temos então? Bem, começa pelo fato que feriado aqui é meio móvel. Se cai em dia que não é sexta ou segunda-feira, eles fazem questão de mover pra próxima semana. Além disso, os feriados vão variar um pouco de país pra país. Às vezes o que é feriado aqui na Inglaterra, não é na Irlanda do Norte (onde eles não recebem por feriado, tem que tirar de férias!), ou na Escócia, e vice-versa. Então se você quiser saber direitinho antes de planejar viagem ou antes de reclamar que seu/ua amig/a não respondeu os emails, não entrou no twitter ou no messenger pra falar com você e deu uma sumida básica, olha o calendário oficial do Reino Unido aqui.

Feriado aqui é chamado de Bank Holiday – férias do Banco, literalmente – e seria o feriado financeiro, o dia que os funcionários do banco não vão trabalhar. Aqui a maioria das agências abrem de sábado, então talvez tenha alguma relação com esse fato (até os feriados que seriam Public Holidays – feriado público, que seriam feriados tradicionalmente e não porque o banco não abre, como Natal por exemplo – hoje em dia são chamados, erroneamente de Bank Holidays).

Mas em geral, os feriados da Inglaterra normalmente são:

Ano Novo: 1 de Janeiro (E se cai em final de semana, é transferido pra segunda-feira seguinte)

Sexta-feira Santa e Segunda-Feira de Páscoa (acompanha a sexta-feira santa do Brasil, mas adicione aí a Segunda-feira de Páscoa ao invés de ser só o Domingo)

Feriado da Primavera: Normalmente a última segunda-feira de Maio. – e normalmente o meu aniversário <:-P . Esse ano foi transferido pra primeira segunda-feira de Junho, já que o feriado do Jubileu de Diamante da Rainha “no poder” vai ser comemorado na terça-seguinte. E como bom britânicos que não concordam com a família real ainda estar sugando recursos financeiros, vamos nos mandar pra França esse ano  /:)

Feriado de Verão: Última segunda-feira de Agosto.

Natal e Boxing Day: Normalmente 25 e 26 de Dezembro, mas se um dos dois ou os dois dias caírem no final de semana, são empurrados pra próxima segunda-feira.

Então são só essas merrequinhas que temos de feriados. Sete dias por ano normalmente. Ano passado teve o casamento de Wills e Kate e esse ano tem o Jubileu da Beth, então tem mais uma lambujinha. Mas nem reclamo muito. Sei que os dias de trabalho são importantes para a economia e uma amiga me falou que no Brasil quase não se emenda mais, a não ser que você tire de férias, então não sei a quantas anda a “vida boa” na terra do arroz com feijão  :>

E por falar em trabalho, e dia do trabalho, fica aqui a minha contribuição, como toda socialista hipócrita e mequetrefe  X_X


Feita em 1895 pelo ilustrados  inglês Walter Crane, essa Guirlanda em comemoração ao dia do trabalho ainda é tão atual 117 depois!

Em destaque são os pontos que ele faz que eu acho mais importantes na socidade de hoje, que aliás anda tão pacata, tão aceitando tudo que lhe falam e lhe impõem, mas isso é assunto pra outro post.
Socialism means the most helpful and happy life for all: Socialismo significa a vida mais úitl e feliz para todos
A commonwealth when wealth is common: Uma nação quando a riqueza é comunitária
Art and Empolyment for all: Arte e emprego para todos
Hope in Work & Joy in Leisure: Esperança no Trabalho e Alegria no Lazer
Cooperation & Emolation, not competition: Cooperação e Concorrência, não competição.
Shorten Working Day & Lengthen Life: Dias de trabalho mais curtos, vida mais longa.
England should feed her own people: A Inglaterra deveria alimentar seu povo
The land for the people: A terra para o povo
Merrie England: Inglaterra Feliz
No people can be free while dependant for their bread: Ninguém pode ser livre enquanto dependente para conseguir seu pão.
The plogh is a better backbone than the factory: O trator é uma espinha melhor que a fábrica.
No child toilers: Não às crianças trabalhadoras
Production for use, not for profit: Produção para uso, não lucro
Solidarity For Work: Solidariedade para o trabalho
The cause of labour is the hope of the world: A causa do trabalho é a esperança do mundo.

Faz sentido não faz?

Feliz dia do Trabalho pra você trabalhor/a que tem dias de férias, hora extra paga, benefícios e um salário decente graças aos socialistas e sindicalistas de gerações passadas. Feliz Dia do Trabalho pra você que não está trabalhando, mas que sabe a importância do trabalho mais do que ninguém, espero que sua jornada até o próximo emprego seja curta e útil. Feliz dia do trabalho pra você que escolhe não trabalhar, que essa ecolha seja baseada na certeza de que seu serviço feito em casa ou na caridade te traz a paz, felicidade e segurança necessária para enfrentar uma jornada de liberdade psicológica, física e espiritual.

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Minha complicada relação com o mundo da moda

Então a polêmica da vez na semana passada foi o escandâlo de que a Zara (e mais de 20 outras grifes) usam mão de obra escrava para produzirem suas roupas. Que na minha timeline começou com o Twit da Helô Righetto.
Confesso que tal fato não me deixou perplexa. Essa história, pra quem mora na Inglaterra e acompanha as notícias, já é velha.
Dessa vez, o vexame foi flagrado no Brasil. Em 2009, a Zara e a H&M já eram denunciadas por utilizarem mão de obra escrava no Uzbesquistão.
Li uma vez na revista do avião, que a Diesel e a GAP usavam mão de obra infantil no Brasil.
Tem muito pouco que podemos fazer para impedir essa natureza da indústria. Eu faço o meu pouquinho, e lá vai a relação que eu tenho com mundo da moda:

  • Começou desde pequena, marca não pesa em nada pra mim

Meus pais sempre me ensinaram que o importante é quem você é, e não o que você veste ou o que você tem. Estudei em escola particular durante toda a minha infância, e não se engane de achar que não choramos por não termos tênis New Balance, camiseta Pakalolo e calça jeans M. Officer. Lembro de muitos escândalos mas meus pais sempre nos ensinaram com muito amor que o dinheiro gasto com as grifes poderiam ser gastos com outras coisas, e que no fim das contas, estávamos crescendo mesmo, o tênis, a camiseta e a calça jeans seriam perdidos antes de serem gastos. Que a qualidade do que compravam pra gente era suficiente para durar aquele ano, e na verdade que podíamos ficar lindões mesmo não carregando o peso da etiqueta. Com o tempo fui crescendo e o fato de não ter nada de grife só me ensinou que meus pais – mais uma vez – estavam certo. Sempre achei um jeitinho de achar o que precisava de maneira mais em conta, e aprendi o valor do dinheiro, no que valia a pena gastar ou não, qual era o valor do mesmo item em outras lojas?
Confesso, que a primeira coisa que comprei com meu salário de estagiária, foi um Nike. Não podia comprar só com o salário, mas meus pais, em uma forma de reconhecer meus esforços, pagaram por metade. Usei com muito gosto o tênis, e fiz durar até rasgar, mas enjoei muito antes do tênis acabar e aprendi mais uma lição.

  • Se compro barato, quando chega a hora de desfazer, não contrbuí para o lucro da marca

A lição com o tênis foi a de que a moda comprada normalmente me enjoa antes de chegar ao máximo que eu posso usar dela. O tênis durou um ano e meio mais ou menos, mas muito antes disso eu já estava com cosquinha de comprar outro. Mas como suava pelo dinheiro do estágio (cujo metade do salário ia direto para a poupança assim que caía na conta) me segurava para não comprar outro. E fiquei com o coitado até não ter mais como usar, assim como fazia com as roupas de trabalho. Dali pra frente, comprava blusinhas e roupas “temporárias” na Miroa, na Fancy, na Barred’s. Aqui eu compro na Matalan e Primark. Mas sei que a duração dessas roupas é curta, mas o suficiente para desfilar e me aprovietar nelas, sem ir à bancarrota, e então aprendi mais uma lição.

  • Pagar um pouco mais vale a pena, se é para durar

A lição com as roupas de trabalho, foi que quando comecei a trabalhar na AT&T (vulga Lucent, vulga Avaya) exigiram que eu começasse utilizar roupas mais formais. Peguei a mãe e fomos juntas escolher o que era apropriado e o que valia a pena pagar. Minha mãe sempre foi “O” exemplo de mulher elegante, linda e charmosa, quem melhor para ir comigo? Resolvemos fazer a rapa na Luigi Bertolli. As roupas eram clássicas, de ótima qualidade e por isso significava que eu poderia passar um ano usando-as sem precisar gastar dinheiro de novo. O famoso barato que sai caro, quando é para roupas de trabalho, não colam comigo. Aqui, compro na Next e New Look quando preciso de coisas mais duradouras, mas mesmo assim, prefiro esperar quando tem promoção, assim gasto menos ainda. Investir o dinheiro em qualidade sem pagar mais pela etiqueta, me mostrou que não preciso comprar roupas todo mês, toda semana, todo dia. Mas quando preciso. E mais uma lição.

  • Comprar quando é preciso

Só compro quando preciso. Quando as roupas mais baratinhas não estão mais em condições de usar que eu ainda me ache bonita com elas, vão pra doação. Algumas vezes até penso que elas precisem ir para a reciclagem de retalhos aqui de tão usadas que foram. Muitas vezes levo pro Brasil e junto com a minha mãe, as reformamos. Recorta e costura daqui, cola um brilhinho ali. A época que mais comprei roupa foi quando perdi 10 quilos e as roupas antigas estavam todas grandes. Na empolgação da perda de peso, comprei comprei comprei. A casa tinha espaço pra guardar e não me desfiz das roupas antigas, vi o estrago na mudança. Quando quase 20 sacos de 20L. saíram de casa com roupas que já não queria mais. No meio tempo engordei de novo, e precisei comprar algumas peças novas. Compro conforme vou precisando para novas ocasiões, vou comprando, mas tenho pego somente as baratinhas, pelo menos até perder perder o peso de novo, então as roupas que preciso agora são da categoria “temporária” e serão das baratinhas, já que daqui uns meses quero ir comprar as definitivas do novo corpitcho e daí sim renovar as roupas para um armário mais duradouro.

  • E o boicote?

A primeira reação das amigas fashion é a de boicotar as marcas que forem provadas fazerem parte do cartel da escravidão.
Meu boicote é antigo. Meu boicote é o mesmo dos meus pais. Que me ensinaram que a indústria da moda é tentadora, e que precisamos vencer a pressão da importância “do ter, antes de ser”. De entender, que se alguém não é nosso amigo porque não nos vestimos com roupa da moda ou da marca, quem não merece ser nossos amigos são essas pessoas.

O boicote é uma forma de protesto. Mas para não sairmos pelados, como a Helô Righetto sugeriu sendo a única solução possível, uso as minhas lições aprendidas, e evito até entrar em lojas de grifes, contra o abuso em nome do lucro. Fazer uma roupa por 20 centavos e vender por £10 (o que a Primark e Matalan cobrariam) é abuso. Vender por £20 – o que pagaria nas lojas mais médias daqui (Next, New Look) é abuso – mas normalmente espero a promoção chegar e o preço cair até £10 ou mais barato, e assim evitar comprar muitas calças Primark. Vender por £60 (o que seria o preço da Zara e GAP) é pior ainda, e normalmente mesmo as promoções não são preços exorbitantemente ótimos, e os tamanhos que sobram não me servem /:)  Não sou contra o lucro, sou contra o lucro abusivo. Em Leleilândia, que não é socialista porque não é obrigatório mas voluntário, o lucro é dividido pelo bem daqueles ao redor de nós, e não em nome de sua exploração. Exploração na linha de produção, exploração de quem sua a camisa para comprar algo que quer.

  • Se o boicote não vai funcionar, o que pode funcionar ?

Eu acho que o boicote funciona sim. Mas o boicote a longo prazo, consistente e consciente. Escrever para as marcas que você gosta (e faz questão de usar) explicando que está parando de comprar lá por causa da posição social da empresa. Ficar na cola da imprensa para dar seguimento às investigações reportadas anteriormente. Fazer sua voz valer no Twitter e blogs e onde mais puder ser ouvida.
Simplesmente e brevemente boicotar, não ajuda. Pensem comigo. Zara(em ’09) e GAP(em ’07) e Diesel(em ’08) já foram escancaradas no passado como marcas que utilizam mão-de-obra escrava. No passado também disseram que iriam averigüar os fatos e certificar que o problema não acontecesse mais. Anos depois, Zara resolveu mudar as operações escravas do Uzbesquitão para o mercado escravo no Brasil e a GAP caiu de novo na tática do mercado escravo da Índia – denunciado em Agosto do ano passado. A impressão é que essas grifes deixam a poeira baixar, fazem um escarcéu de que vão olhar no problema, vão resolver, bladidádá e nada é feito, volta e meia sai um escândalo de trabalho escravo (e muitas vezes infantil) sendo utilizado.

Surpreendentemente a única empresa que realmente sempre impôs condições de trabalho e desmentiu relatórios falsos de trabalho escravo (a BBC teve que pedir desculpa pelo programa mentiroso) até hoje foi a Primark, a mais popular e baratinha de todas. É a única da indústria – que eu sei – a colocar seus valores éticos no site da loja pra quem quiser ver.
A New Look e a Diesel publicam quais são as caridades para as quais elas doam parte de seus lucros, um ponto positivo no meu caderninho (mesmo que eu não compre Diesel porque o preço ainda é impraticável para o que oferecem).
Algumas têm um blablablá enorme no meio de letrinhas confusas e muitas vezes não vêm a publico quais caridades elas ajudam, qual são as ações que fazem mesmo para beneficiar seus empregados e costureiros?
Se alguém achar mais alguma, me avise e colocarei com prazer aqui no blog e tirarei da minha lista do boicote.

Fazer pressão às marcas para abrirem as portas de suas fábricas, além do boicote de não comprar mais lá até conseguirem colocar ordem na casa, é a melhor ação.
Elas não poderem culpar o clima ecônomico por quererem fechar suas lojas e fábricas (que pelo sim pelo não é a única fonte de renda dessas famílias) quando pararem de vender e suas ações despencarem, é o que as fariam repensarem suas responsabilidades sociais, e acompanharem mais de perto sua linha de produção.

Escrever para os políticos exigindo melhores condições de trabalho serem impostas, é o que o povo todo no mundo inteiro (para evitar ações como as da Zara que mudou de um país para o outro) deveria fazer também. Foi assim que nos livramos de condições desumanas na Inglaterra (com a união dos sindicatos e trabalhadores) e muitos países que hoje em dia prezam pelas suas condições de trabalho. Vejam bem, isso ainda não evita que existam trabalhos escravos e explorativos no Reino Unido. Mas muito MUITO mesmo foi banido no passado.

  • Então eu nunca compro nada de marca?

Depende o que você chama de marca. Posso dizer que 99.9% das minhas roupas e sapatos não são de grife. E os 0.01% que são, foram presentes. Tenho um casaco da Zara que ganhei de presente, uma bolsa da Radley que ganhei de presente. Foram presentes de pessoas que gostam de mim e tinham a melhor das intenções em seus corações. Aceitei com carinho, e os usarei até não dar mais, fazendo jus ao dinheiro que gastaram ;;)

  • E as pessoas que justificam as compras nessas lojas?

De novo, eu entendo que é o mundo em que vivemos. Eu não condeno os amigos e conhecidos que sucumbem à tentação das marcas. Eu não entendo a atração pela mudança de estações, pela renovação do armário a cada 3 meses, pelo julgamento de acordo com o que você veste. Não entendo o porque pagar mais pelo que você poderia ter por menos. Não tenho o hobby de ir fazer compras.Já tentei me entrosar em conversas da moda, mas não rola. Então não tenho como condená-las. Só poderia ter o direito de levantar um dedo se a minha criação tivesse sido diferente, se minha personalidade fôsse diferente.
Só posso tentar explicar porque é que penso e ajo diferente.
E abrir meus ouvidos pra quem quiser me convencer do contrário :)

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Prioridade e sanidade

Minha única decisão do post-it de Janeiro foi “tentar sofrer menos, me machucar menos, e assim enfrentar a vida de frente.”

Depois que voltei do Brasil  percebi que a Internet estava sendo uma das grandes causadoras de eu me machucar. Mas dessa vez peguei a caraminhola de jeito antes que ela pudesse crescer demais e dar cria. Ok, entendi a brincadeira do Twitter e Facebook errado, achei que era um mini bate-papo, que tinha que ler tudo que se passava, e dar meu pitaco em todas as conversas.

Claro que a combinação de alguém que não entende regras do jogo e  que não tem thick-skin*, não deu muito certo. Mas me lembrei do post-it e decidi “arrumar um tanque de roupa pra lavar” como diria a minha mãe para resolver essas ‘frescuras de quem tem tempo de procurar pelo em casca de ovo’. Então Twitter agora é só de relance durante o dia, Facebook – menos ainda. Também mudei minha atitude em aumentar a rede social, e agora, para não ser mais ignorada quanto a pedidos de ‘ser amiga’ espero virem até mim, e com a mesma facilidade que adiciono também tiro, se a ‘amizade’ não estiver sendo frutífira (já escrevi sobre isso no meu blog anterior, mas o lembrete – pra eu mesma – é sempre bom).

Meu tempo agora está sendo dividio entre meu trabalho (que está pegando fogo), comunicação com os Amigos (email, telefone, MSN, Skype, mensagem no facebook, sinal de fumaça, torpedo, vale tudo) , cuidar da decoração e jardinagem da cave, sair passear, viajar, VER os amigos por aqui, jogar video-games…

Também comecei minhas aulas de teclado e canto, e tenho que praticar quase toda noite, e tenho que confessar, estou amando. Sair da distração hipnótica da vida virtual, da necessidade de ter a reciprocidade de estranhos realmente se pagou. Agora acho que estou seguindo as regras da brincadeiras como deve ser, sem levar muito a sério, e respondendo quando dá na telha e quando dá tempo.

Prioridades que ainda preciso cuidar, mas estou quase lá, é ler mais os blogs da minha lista e telefonar mais para meus pais e minha irmã, ao invés de ficar só no e-mail – ok, o fuso também não ajuda vai :-w . Mas estou quase lá. A sensação de ter uma vida organizada e fazer tudo o que é prioridade é impagável, e conseguir priorizar o que realmente eu quero fazer (e não o que eu preciso fazer, ou ditado pelo que outros dizem o que deveria ser o que fizesse) é indiscretível.

Talvez isso seja natural para algumas pessoas, porém para pessoas como eu, que têm a tendência de se emergir em distrações é um perigo! Mas achei o caminho, aleluia!

A dificuldade ainda é deixar de responder quem entra em contato comigo. Tenho a impressão de que estaria deixando o povo falando sozinho e vou lá e respondo mesmo. Mas minha naturalidade stalker* de ter que dar minha opinião e me intrometer em tudo que é conversa, e principalmente das que não são parte da minha panelinha (sim porque rede social tem MUITA panelinha), ficou pra trás.

Semana passada, caiu no meu colo o vídeo da Bianca, e ela discutia os motivos escondidos de queremos ajudarmos os outros, e porque nos machucamos quando a ajuda, ou a mãe extendida, ou a palavra oferecida não é recíproca. Em Julho do ano passado postei uma reportagem que caiu no meu colo quando eu passava por uma crise terrível, e guardei para sempre ler quando tivesse recaídas, é ótimo na vida real também e aprendi a dizer muitos nãos depois de ler isso (não lembro de qual revista tirei).

Clique para ver maior e original em Inglês
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5 maneiras de ser uma pessoa melhor

Se você seguir esses passos corretamente, eles não só o levarão ao céu – eles também o manterão longe dos médicos!
Imagine um cenário: Você achou uma caixa de pílulas mágicas que garantem:
a) Reforçar seu sistema imunológico
b) Impulsionar sua auto-estima
c) Liberar anagélsicos naturais no seu corpo
d) Reduzir stress
e) Te dar uma carga de adrenalina
Você acharia que acabou de tropeçar no Santo Graal da saúde, certo? Bem, a boa notícia é que você já tem esse remédio. Tudo que você tem a fazer é praticar um gesto bondoso por dia. E aqui está como conseguir o seu “um por dia”

1. Examine minuciosamente seus verdadeiros motivos
Pergunte a você mesmo “Eu ainda faria isso se ninguém soubesse que estou fazendo?” Se você está fazendo algo para fazer você mesmo se sentir ou parecer melhor, você não vai conseguir os mesmos benefícios para a sua saúde, alerta a Psicóloga Dra. Anna Collins.
2. Eleve-se acima de pessoas ingratas (*)
E você acabou de segurar a porta para alguém e eles voaram por ela sem dizer “Obrigado”? Não se irrite ou você vai desfazer o aumento de saúde. “Você não pode controlar as ações de outras pessoas, então é fútil brigar sobre isso” Diz a Dra Collins
3. Domine seus humores
… e não desconte nos outros. “Apesar de sua criação ou estado de espírito serem influências em seu comportamento, ele é fundamentalmente sua escolha” diz Dra Collins. “Se você foi vítima de indelicadezas quando criança, você é suscetível a usar a mesma reação como um mecanismo de defesa, você é capaz de mudar isso”
4. Lembre-se, esses passos são melhores que um cafézinho
Cientistas dizem que pessoas que ativamente procuram ajudar aos outros são mais enegéticas. Então pode-se concluir que a parte da manhã é a chance ideal de oferecer sua cadeira do ônibus, ou enviar uma simples mensagem dizendo “Eu te amo para seus amigos”
5. Reconheça os seus limites. (*)
Existe uma linha fina entre ser bondoso e ser capacho. (aliás foi o que me levou a escrever o post e mudar minhas atitudes) “Se você se sente esgotado, exausto ou put-on*, é hora de se concentrar mais em você mesmo”, aconselha Dr. Roger Kingerlee, “Porque você está fazendo isso pelo outros? Se você tem medo de recusar ou dizer não, isso deveria soar alarm bells*”

Outra notinha da revista é sobre algo que preciso escrever aqui no blog também, sobre os sickie days (que são os dias tirados por motivo de doença, mas muitas vezes abusados) que estão diminuindo no Reino Unido, com pessoal com medo de perder o emprego por causa disso, mas como eu disse, pra pra um próximo post :)

*

Thick-Skin: Traduzindo literalmente, pele-grossa. Descreve a caraterística que algumas pessoas têm de resistir rejeição, ofensas, indiferença e não se afetar psicologicamente.

Stalker: Aquele que persegue, espreita (de maneira exagerada, obcecada)

Put-on: Quando as pessoas abusam da sua boa vontade, quando você é vítima de todo mundo levar vantagem sobre você

Alarm Bells: O sexto sentido, a voz dentro de você que grita que tem alguma coisa errada.


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