Oi, como estão as coisas?

Uns dias atrás mandei uma mensagem pelo Facebook para uma pessoa a qual quero bem mas com quem não falo há dois anos! Me sentindo já ignorada por ser tão desnaturada, pensei em uma das dicas que aprendei recentemente quando participei de um treinamento de como engajar com pessoas com as quais trabalhamos, das e pelas quais normalmente influenciamos o nível de sucesso e excelência de desempenho.

Assimilei várias dicas, e vamos ver se com o tempo as coloco todas aqui, mas duas coisas me marcaram mais.

Primeiro, temos que entender que engajar é diferente de entrar em contato com alguém, ou trabalhar juntos com um objetivo em mente. Engajar é literalmente, segundo o Michaelis, “alinhar-se em ordem de ideia ou de ação coletiva” Engajar dá mais trabalho e é mais longo do que do que simplesmente impor sua opinião, ou aceitar facilmente a do outro, mas a longo prazo, traz um relacionamento mais sincero, confiável, e fácil de chegar a melhores decisões. E pode até acontecer que a decisão seja completamente diferente do que estava sendo inicialmente proposto!

Então as duas coisas que mais me marcaram, e que me acenderam uma lâmpada em cima da minha cabeça, foram o poder das perguntas abertas e o poder da intimidade.

No Brasil, eu sentia que perguntas serem fechadas (aquelas que requerem sim ou não como respostas) ou abertas (aquelas em que a pessoa têm liberdade de expandir e explicar) não faziam muita diferença, a maioria dos brasileiros adora tagarelar, e normalmente o problema é arrumarmos tempo para a discussão! Aqui na Inglaterra, sinto que a maioria das pessoas está mais confortável em responder uma pergunta assim como é perguntada. Elas podem até estender um pouco,  mas  a tendência é a de ser mais literal.

Então se perguntamos (fechado) “Você gostou do filme?” a resposta provavelmente vai ser: Sim, gostei! ou Não, nem tanto ou Mais ou menos!… Não porque eles não querem conversar com você, mas porque eles provavelmente acham que você simplesmente quer saber se gostaram ou não, e a resposta curta deve ser suficiente.

Mas se perguntamos (aberto) “O que você achou do filme?” eles vão conversar por horas, sobre quais foram os momentos que gostaram, não gostaram, e até talvez puxar outros filmes para a conversa!Ao conversar com

Ao conversar com Mr. W sobre o treinamento ele também me explicou que na sua profissão de advogado essas diferenças em perguntas são vitais e tudo depende se ele está defendendo ou acusando alguém e o quanto deve expandir suas histórias.

Por ser introvertida (sobre o que falei aqui) , tenho a tendência em não expressar muito interesse pelos outros – não por egoísmo, mas por receio de estar me intrometendo demais – e mesmo quando o faço, a tendência é de olhar para as minhas experiências, os meus conselhos, o que eu tenho a dizer. Re-aprender sobre o poder das perguntas abertas – eu já havia ouvido sobre isso antes – me abriu os olhos para não somente ter um relacionamento mais positivo, amigável e colaborativo no serviço mas também no meu dia a dia, com amigos e família. Na maioria das vezes me pegava com esse conflito de que existia essa barreira de como começar uma conversa, como fazê-la durar, como aproveitar a interatividade com outras pessoas, principalmente quando conhecia alguém novo. Agora, perguntas abertas são meu maior truque de mágica! E tem um truquinho mais fácil de usar ainda, usar TED – T para “tell me” , começando conversas com “Me diga”, “me fale”, E para “explain” , “Me explique”, D para “Describe” , “Descreva”. Os três são aberturas que podem ser utilizados como “O que você acha de…”, “Como você se sente se…”, “Quais você…” e muitas mais por aí que teriam o mesmo resultado…

Indo de mãos dadas com isso, veio a diferença entre perguntar o famoso “Oi tudo bem?” brasileiro que pede somente um Sim ou Não ou mais ou menos, pelo “How are you?” (Como você está?) inglês, onde pessoas podem realmente explicar como elas estão e dar mais detalhes se elas assim o desejarem. Aqui normalmente a resposta vai ser um ‘fine‘ – “Estou bem”, um ‘not too bad, thanks’ ou ‘not bad at all!’, que merecem seu próprio parágrafo ;)

O ‘not too bad, thanks‘ literalmente traduzido, pode dar a impressão de significar um “não tão mal, obrigado” ou “não tão ruim, obrigado”, levando a crer que a pessoa está passando por um momento não tão favorável. Mas com o tempo aprendi que a expressão aqui no Reino Unido é simplesmente um diminutivo do “Tudo Bem”, quando a pessoa não está tudo 100% bem, mas ainda ainda assim a pessoa está mais para o lado de estar bem do que ruim. O ‘not bad at all!‘ usa a negativa “not at all” que significa “nem um pouco”, ou seja, significa que a pessoa está literalmente “Nem um pouco ruim” -> “Está tudo 100% bem”. Me levou um pouco de tempo para entender as nuances e o negativismo das respostas britânicas e começar a adotá-las também, mas de uns tempos para cá tenho feito uso de respostas e escolhas positivas quando me perguntam como estou, e bani essas expressões de meu vocabulário, assim minha mensagem poderá ser sempre positiva!

Claro não são todas as vezes que eles expandem, mas em minha experiência eles normalmente seguem com um comentário sobre o final de semana (se fôr sexta ou segunda) ou sobre o clima e sua previsão pelo menos e a conexão se torna mais íntima e positiva.

Já tenho percebido as diferentes reações de quando pergunto “Como estão as coisas?” para amigos e familiares brasileiros, tão mais explicativo e inclusivo do que o antigo “Oi, tudo bem?” e por aqui, depois que comecei a perguntar mais com honestidade “How are you feeling today?” “Como você está se sentindo hoje?” Nem que seja para me dizerem que estão ocupados e pra terminar a reunião rapidinho ou ir embora e deixá-los em paz!

E é claro, não há garantias contra o “How are you” Vortex, ou o ciclo vicioso que “Um Como você está” pode gerar…

Oi como estão as coisas? Tudo bem e você? Tudo ótimo, e a vida como tem te tratado? Bem, bem e você? Não posso reclamar, e você? …

Expliquei no começo do post que comecei a conversa com a pessoa com quem perdi o contato com um “Como vai você?”, assim o fiz para  realmente mostrar minhas sinceras intenções de saber como ela está. Ainda não me respondeu, e a sua reação está fora de minhas mãos, há somente tanto que podemos fazer, o resto eu respeito e coloco na gavetinha de ter seguido meu instinto quando senti a necessidade de refazer a conexão.

E você, qual a sua experiência com perguntas abertas e fechadas em diferentes lugares do mundo , com pessoas diferentes? Me explique aí nos comentários ;)

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Retrospectiva 2015: Janeiro, Fevereiro e Março

Já que esse é um blog sem tema, sem objetivo, sobre tudo, então bora pelo menos tentar não deixar virar um blog sem posts e literalmente sobre nada.

A comadre e ela fazem o resumo do mês, e vou roubar a idéia de leve. Pois como já dizia Picasso: “Bons artistas copiam, excelente artistas roubam.” Mas  vou copiar diferente, porque o tempo passa mais rápido do que dá pra perceber, e quando vou ver, já foi!

Deveria sim fazer ser um blog interessante, sobre algo que tenho pra falar, mas nesse momento eu quero fazer dele um registro pra olhar pra trás e ver o que se passou na minha vida. Quero não me levar tão a sério, ser tão certinha, não levar tão em conta o que outros fazem ou falam que deveria ser feito em um blog. O que significa diretamente meu lema do ano, de fazer o que eu quero e não o que deveria fazer.

Janeiro:

Amigo Secreto atrasado: Engraçado como quanto mais encontro com o pessoal querido, mais quero encontrar. Consegui ver os compadres (e a afilhada!) e mais um pessoalzinho brazuca pro tradicional amigo secreto – que sem querer acabou virando o amigo secreto atrasado. Faltaram algumas figurinhas carimbadas que se mandaram pro Brasil nos deixando aqui no friozinho, mas mesmo assim valeu a pena, com pão de queijo sendo devorado assim que saía do forno, torta de frango agradando a dona da casa, pudim de leite que mesmo dando errado deu muito certo, quindão agradando o dono da casa e chocolates, amendoins e decoração e árvore de Natal sendo desmontada pelas ajudantes voluntárias (a afilhada e a mana) se divertindo com nossos presentinhos de papel isopor embrulhados em papel laminado. Colocando o toque final, assistimos o Filme Lego, mas confesso que apesar de darmos 5 estrelas, as crianças não entenderam as piadas. O que nos proporcionou à Dona L. perguntando do que estávamos rindo e adicionando mais charme ainda à sessão cinema. Seu pai C. não compreendendo a história só nos provou que no fundo no fundo ele é uma criançona escondida em sua fachada de pai responsável :)

De papel repassado: Depois de muitos horários marcados e desmarcados, documentos atravessando o Atlântico na mala de Dona D  , e muitos e-mails prontamente respondidos pelo consulado, registramos nosso dia e agora somos casados tanto aqui como em Terra Brasilis. E só temos elogios ao atendimento do consulado. Rápido, eficiente e amigável. Depois disso, mandei o passaporte para ser renovado pelo correio, já com o novo nome – que nós dois adotamos, uma combinação de duas pessoas que se unem – e o processo foi simples, rápido e sem enrolação. Me surpreendeu,  e claro que poderia ser melhorado, mas está a anos-luz da burocracia que conheci em minha vida brasileira e britânica.

Parabéns a vocês: Teve a festa de Dona D, que comemorou no Porterhouse, um bar super badalado em Covent Garden, com direito a música ao vivo. Além de ter dado um abraço apertado pessoalmente nessa pessoa fofa, conheci mais um pessoal super bacana e tomei uma garrafinha da cerveja de morango que é difícil de achar por essas bandas. A aniversariante levou um bolo delicioso pra cantarmos a música do dia, distribuiu sorrisos e simpatia como sempre! Pena que tive que voltar mais cedo por causa do horário do trem…

Também teve a festa do cantor da banda do Mr. W. Uma festa a fantasia, com tema Disney, fomos de heróis Marvel. Eu de viúva negra e ele de Thor. O aniversariante fez cenário (a mesa de bolos era a mesa do Andy do Toy Story) e músicas heavy metal se misturavam aos hinos dos contos de fadas. Voltamos verdadeiramente a ser crianças nessa festa de 40 anos, e desconfio que os donos da casa colocaram uma vassoura atrás da porta para que finalmente fôssemos embora às duas da manhã!

Para fechar o mês, teve a festa de mini-Mr-J, tema monstros com direito a monstrinhos a carater! Fomos ajudar na montagem da decoraçãos, ajudamos na limpeza e servindo bebidas e quitutes e ainda vimos os amigos da turma Mr. W e seus filhotes de lambuja. O local foi excelente, no salão de uma igreja, era espaçoso e a idéia dos pais de colocarem uns brinquedos de chão fizeram os pequenos correrem e se divertirem à beça, sem bagunça e sem stress com barulho! Ficamos um pouco mais conversando no pub depois da festa colocando o papo em dia. Delicinha de dia!

Jantarzinho a dois: Como reconhecimento de um projeto que completei no ano passado, a minha empresa nos pagou um jantar a dois onde escolhêssemos. Fomos no Drake’s , um restaurante com uma estrela Michelin em Ripley, Surrey (um condado adjacente a Londres). Gostamos bastante e está na nossa lista de locais para gastar esses prêmios extras. Vou escrever um post sobre o restaurante em separado – um dia desses  :>

Vivendo e aprendendo: Fiz um curso financiado pela empresa, Fundações de ITIL – Information Technology Infrastructure Library – uma metodologia de como implementar sistemas de TI seguindo a biblioteca de guias criados pelo governo Britânico. Eu já trabalhava com esse sistema, mas achava que era a minha empresa quem o tinha criado. ITIL é muito maior e mais utilizado mundialmente. Foram 5 dias de classes e depois de estudar o domingo inteiro fiz a prova na segunda-feira, a qual passei com orgulho. O curso deixou com cosquinha de aprender mais. O próximo foi o de Transição em Sistemas, na semana passada, e farei o resumo no próximo post de retrospectiva.

Fevereiro:

Bom te ver de novo: A Dona V. voltou de Madrid para uma visita rápida, mas deliciosa, como sempre. Aproveitamos para rever outros amigos, como Dona C. e conhecer seu mini-Mr. L, uma simpatia de bebê e super calminho, se distraindo com os menus e apetrechos da mesa. Fomos no Canteen, um dos meus restaurantes britânicos favoritos, fiquei nas opções light e dividi a sobremesa – torta de maçã – com a anfitriã do encontro, que foi embora rapidinho e deixou saudades, já nos deixando planejando o próximo encontro!

Despedida: Perdi uma tia. Uma doença súbita pegou a todos de surpresa, deixou 3 das minhas primas a continuarem suas jornadas comente com o pai ao lado delas. A distância que o divórcio dela e de meu tio causou só me foi entendida depois de que passei por uma separação eu mesma. Ficaram  remorsos de não ter tentado reatar o contato com ela, mas o fato de ter lhe escrito uma carta anos atrás explicando o quão importante ela foi em minha vida me dá um conforto de saber que ela sabia que era amada por mim. Na carta recordei dos momentos que brincávamos de vôlei no quintal que hoje sei não era tão grande quanto me parecia, mesmo jogo de vôlei em que ela bateu a cabeça pegando a bola do outro lado da muretinha e que nos rendeu boas risadas por anos a virem. As lembranças de quando ela fritava o lambari que meu tio trazia da viagem de pesca, e que nunca comi igual ou melhor. Das batatas fritas que ela fazia quando eu ia dormir lá, das vezes que ela me deixou cuidar da prima bebezinha, e que me fez por anos querer trabalhar em um berçário ou ser professora por gostar tanto de ter esse papel. As lembranças do carteado no Natal, dos dias que passávamos no bar que ela tomava conta e nos dava uns doces, pé de moleques ou doces gibi. Fica a saudade, de quem não pôde estar ao lado das primas para a despedida final, mas daqui fiz minhas meditações, pensei em todas as coisas boas que passamos juntas e ofereci palavras de conforto àqueles que sentirão a dor do vazio da uma mãe, avó, filha e irmã. É uma das partes de viver longe que se esquece quando se pensa que é algo fácil de se fazer e de viver.

Parabéns a você: Nesse mês comemoramos o aniversário de Mr. W. Por Janeiro ter sido tão ocupado vendo a todos e tantos passeios, ele optou por um final de semana tranqüilo, ao sofá e caminhadas. Assistimos muita TV – post separado com filmes e seriados um dia desses   :>  A sombra da partida da minha tia pairou sobre esse dia, mas conseguimos fazer dele um dia especial com muito amor, carinho e ainda maior valorização da importância dessa comemoração, desse ano a mais que passamos juntos, e o primeiro lado a lado como hubby e wifey.

Rir como melhor remédio: No final do mês fomos a um show de “comédia em pé” . Steward Lee é um dos comediantes favoritos de Mr. W e sempre assistimos seus programas de comédia com aquele sarcasmo ácido que somente os Britânicos sabem fazer de uma maneira engraçada. Eu me adaptei ao humor sarcástico e satírico tão forte nessa cultura da Rainha, mas confesso que apesar de chorar de rir em pedaços do show, em outros, me passou meio batido. Já era claro que o show era experimental, uma espécie de teste de piadas para a nova série de TV que virá esse ano, então tudo perdoado! O show foi no glive em Guilford, uma opção mais longe de Londres, mas ótimo para aqueles que escolheram a vida no subúrbio. Com restaurante, estacionamento, e um espaço amplo com bom som e vista do palco, provavelmente voltaremos lá no futuro!

Cuidando das pequenas: O plano era irmos na fazendinha com parquinho aqui perto de casa, mas o clima não colaborou. Mesmo assim a tropa L-M e as Mtws vieram passar o dia conosco. Fizemos sorvete, desenhamos, brincamos de Lego e jogamos monopólio. Enquanto casal L-M dava uma caminhada pelo centro da cidade e almoçavam a dois, levamos as meninas ao parquinho público, com direito a bumbum sujinho e molhado de brincar na grama de chuva e as “tias” que não eram rápidas suficientes para limpar os brinquedos!

Março:

Tarefas de casa: Mr. W levou MYPMYP (meu carro) para fazer o certificado do MOT (Ministry of Transport). Depois dos custos que tivemos o ano passado arrumando uns problemas que estavam acontecendo, MypMyp passou no teste na primeira vez, uma alívio já que muitas vezes carros usados voltam com pedidos de conserto antes de serem aprovados. O teste em si foi super fácil de agendar, com uma mecânica aqui pertinho, em uma hora estava tudo pronto! Com isso na mão, renovei  o seguro – obrigatório por essas bandas – e também paguei o importo de carro (Car Tax), tudo fácil e rápido pela internet!

Jantando fora, mas dentro de outras casas: Finalmente dois convites de “vamos marcar um jantar lá em casa um dia” se tornaram realidade. Primeiro fomos na casa do sócio de Mr. W. Apesar de ser assim aqui em casa, e Mr. W cozinhar 90% do tempo, a supresa ainda é presente quando vejo o marido cozinhando enquanto a esposa entretém os convidados, e foi assim dessa vez, assim como muitas aqui no Reino Unido e Mr. R nos preparou um delicioso curry tailandês com cheesecake de mixirica, seguido do prato de queijos – praxe em jantares britânicos. Comemos bem, bebemos bem, e o papo foi tão excelente que fomos expulsos da casa com muito bom humor à quinze para uma da manhã quando ele lembrou que tinha tinha que acordar para atender ao pedreiro cedinho no dia seguinte.

Também fomos à casa de Miss S. e Miss. L. Conhecemos seus gatunos, assistimos o Cruft (uma espécie de competição para cachorros em que donos exibem seus dotes de treinamento e o quão bonitos os deixam) e Take Me Out (um programa em que um garoto é exibido a solteiras e um casal acaba se escolhendo para sair juntos ver se começam a namorar) mas na verdade a TV ficou só de fundo mesmo. Conversamos por muitas horas, jantamos comida chinesa, e de sobremesa um pudim de chocolate light e delicioso!

A grande tela: Fomos ao cinema, para assistir Memórias (Sturdust Memories) de Woody Allen. Um filme de 1981, a razão de irmos foi outro comediante, Armando Iannucci. Esse trabalha mais como escritor, criador de shows como “Alan Partidge” e “The Thick of It” – talvez eu escreva um post sobre esses programas um dia desses :> A cada mês, o BFI (British Film Institute, Instituto de Filme Britânico, dos quais somos sócios) promove uma apresentação com diretores, atores, escritores e pessoal do ramo para falarem sobre um filme que marcaram suas vidas e foram um momento de inspiração em suas carreiras. O filme é em preto e branco e diferente das comédias tradicionais de Woody Allen. É a história de quem está tentando mudar de foco, mudar de linha de criatividade e acaba sendo criticado por quem se alimenta de seus produtos. Achei bem bacana, mas a introdução do programa e explicação de Armando ajudou entender esse filme surreal, com muitos detalhes para se prestar atenção e quase auto-biográfico.

Cumprindo um direito: A eleição geral está se aproximando e infelizmente estarei viajando no grande dia. Para ter certeza de que minha opinião conte, completei o processo de dar permissão a Mr. W para votar para mim. Peguei o formulário na internet, preenchi com o nome dele, e mandei para a regional. Semana passada foi confirmado que ele agora está autorizado a votar por mim, fácil assim! Aqui voto não é obrigatório, e apesar da minha região ser uma das áreas que mais votam, ainda existem 35% de pessoas que não se importam com o que é decidido com suas vidas e seu país. Eu quero ser parte dos 65% que têm sua voz ouvida e estou decidindo ainda para quem meu voto vai. Vou escrever um post sobre as eleições daqui em separado – um dia desses  :>

Em geral o objectivo de fazer o que quero e não o que devo foi cumprido. O peso começou a baixar novamente e lhes escrevo a 6 quilos de minha meta, mas dentro do índice de massa corporal saudável. Muitas caminhadas, dietas 5-2 e muitas comidinhas gostosas entre um e outro.

E rapidinho Abril chegou. Não tirei muitas fotos, não li blogs, não voltei pro Twitter nem pro Facebook. Mas a vida foi lembrada, celebrada, e sua perda lamentada. No meio de Abril fecho esse capítulo, abrindo mais um, viajando, voltando, vivendo. 

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Terra Brazilis x Terra da Rainha: Natal

Ao recomeçar a troca de emails com uma das melhores amigas, surgiu a pergunta do que eu considero ser Natalino e Ano Novo brasileiro e britânico. E por que não escrever no blog?

Aproveitando que ainda está pertinho das comemorações, e a novela aqui só começou tirar as decorações do cenário agora, vou usar a desculpa pra escrever sobre isso antes que fique tarde demais e se passe mais um ano que não toquei no assunto.

Começando pelo Natal Brasileiro, acho que a primeira coisa que me vem à cabeça é a bagunça. Crianças por todos os lados, incluindo minha época de infância, quando éramos mais de 15 primos esperando Papai Noel chegar ou deixar os presentes enquanto alguns adultos nos levava pra algum outro canto. Também tem que ter conversas cruzadas, falatório alto, gargalhadas, piadas, jogos com cartas e brincadeiras com os pequenos.
De comida, sempre tem o leitão , que meu tio fazia incomparável, na pururuca, e o cheirinho de tempero que me transporta pra mesa grande da Vó Lazinha, com tias preparando a farofa, maionese de batata e arroz branco. Ainda não teve um Natal Brasileiro que eu tenha perdido panetone e pudim de doce de leite de sobremesa. Teve o ano que a Tia Jane fez sorvete de leite moça com calda de chocolate e desde então, uma das tias tinha que fazer isso também, senão tinha reclamação!
Tem muita luz nas casas por todos os lados, competição de qual é a rua mais bonita e fila de carros pras vizinhanças mais iluminadas.
Sempre abrimos os presentes na virada do dia 24 de Dezembro ao dia 25 de Dezembro e me lembro do ano que fomos à missa do galo, mas o costume é mais de deixar a TV ligada com a missa enquanto todo mundo está fazendo outra coisa.
De uma forma ou de outra, mesmo depois de virar gente grande, a tradição continuou, e minha mãe e maninha sempre fazem algo nas mesmas linhas. A quantidade de criança é menor, mas a essência do Natal está sempre presente e é sempre a mesma lá em casa.

No Natal Britânico, as coisas são mais tranquilas. Pra começar não tem criança nem conversas cruzadas. Tudo é mais calmo e tranqüilo.
Quando ficamos por aqui, passamos com os pais de Mr. W, e somos mimados até não poder mais. Ganhamos uma montanha de presentes, e Dona W. começa a preparar os petiscos assim que chegamos. Esse ano fomos pra lá no dia 23 depois do dia de serviço, e ficamos até o dia 28, quando voltamos pra casa pra passar o Ano Novo.
Ela fez o que é típico e não pode faltar no Natal da família W:

Mince Pie: Traduzindo literalmente, quer dizer “Torta Moída”. Apesar de pegar uns estrangeiros desprecavidos achando que é de carne moída (eu também caí na pegadinha quando me mudei pra cá) ela na verdade é uma torta de frutas moídas, de massa que esfarela – me lembra um pouco a massa de empada, só que doce – com recheio de frutas secas, maçã, sebo (a gordura ao redor do lombo ou rim da vaca/boi ou do carneiro/ovelha), frutas cristalizadas, açúcar mascavo, canela e tempero misto. O recheio da futura sogra é feito semanas ou meses antes, e fica curtindo em conhaque em um pote, pronto pra entrar na torta só antes de ser assada. Não sou uma grande fã, mas como um pouco das de Mrs. W, morna e com creme de leite pra deixar mais úmida e misturar com o recheio, fica perfeita!

Não tem igual a da Mrs W. 
Foto: BBCGoodFood

Christmas Pudding: Traduzindo literalmente, quer dizer “Sobremesa de Natal”. Ele é meio que feito com os mesmos ingredientes do Mince Pie, com umas mínimas diferenças, como pão esfarelado. O bolo/pudim é cozido no vapor e no dia de Natal, se coloca fogo nele pra terminar e formar a casquinha. Eu acho o gosto meio amargo, mas com creme de leite fica perfeito e nunca faltou em  Natais Britânicos com Mr.W. Olha o vídeo do fogo aí embaixo :)

httpv://www.youtube.com/watch?v=_iQFto-sOnQ

Batatas assadas na gordura do ganso/pato: Agora isso sim é um favorito meu. Enquanto a ave que será servida no Natal está assando – por horas, aliás – eles vão coletando a “gordura” que sai dela, ou seja, aquele óleo que fica na base da bandeja. Um dos usos que eles fazem, é colocar nas batatas para assar, deixando com uma casquinha crocante enquanto a batata fica fofinha dentro. Apesar de ter dó do bichinho que nasceu e morreu pra gente, pelo menos nada é desperdiçado. Até os ossos são usados pra fazer o caldo que é guardado, junto com a gordura, para receitas do ano inteiro. Se um dia me fizerem um Natal sem essas batatas, eu reclamo no Procon ;)

Goose or Duck fat roasted potatoes
Foto: Channel 4 Food

Linguiça e Bacon: Isso é o que não pode faltar para Mr. W, apesar de já ter sido um favorito meu também, como eu meio que parei de comer carne de porco, também diminuí meu consumo durante o Natal. A ideia é enrolar o bacon na linguiça, o famoso “pigs in a blanket” – porcos em um cobertor – mas na casa dos W. a matriarca não perde tempo enrolando mais, e assa as linguiças e bacon (enrolado) separados e cada um pega o que quer, na quantidade que quer.

Pings in a blanket
Foto: Channel 4 Food

Agora, uma coisa que não pode faltar, mas não é de maneira nenhuma comum, é o pudim de Mr. W., chamado Blamange, é um pudim de maisena com sabor, normalmente morango ou framboesa. Como Mr. W não gosta de nenhuma das sobremesas de Natal, ele acaba fazendo o pudim, e assim foi acostumado desde pequeno, virou tradição!

Normalmente o nosso é na forma de Papai Noel
Foto: Eagles Forum

As luzes de Natal são bem menos em quantidade, mas esse ano até que vi bastante e o pessoal tem começado a se empolgar mais. Muitas pessoas aqui não são cristãs, então é apenas natural que algumas casas não tenham decoração ;) Outras diferenças são que nós só podemos abrir presentes no dia 25, não acontece muita coisa na noite do dia 24, às vezes vamos ver o pessoal cantar músicas de Natal na praça, mas normalmente está chovendo então ficamos vendo TV e conversando com o povo no Brasil pelo Skype. Futura Sogra faz um jantar especialzinho, mas mais porque brasileiros comemoram na noite do dia 24 e ela não quer que passe desapercebido pra mim. Esse ano foi salmão na massa folhada, com legumes.

Salmon in Filo Pastry
Foto: Ocado

Dia 25, acordamos com as meias do Papai Noel cheias de presentes que seriam os presentes “menores” e abrimos antes do almoço. Daí chega a hora da comilança, e dependendo de quando o banquete vai ficar pronto, abrimos os presentes antes ou depois. O panetone (por minha causa também) foi transportado para o café da manhã e sempre comemos um pedaço por dia com o chá inglês ou café com leite.

Nós levamos todos os presentes da sala de jantar para a sala de estar fezendo montes no lugar onde cada um está sentado. E abrimos um de cada vez, mas meio que ao mesmo tempo.

A partir daí, é mais comilança de petiscos – todos reaproveitando os restos da ceia, nada novo é comprado ou começado – e chocolates (normalmente um dos nossos presentes pra eles) e muita TV e conversinha.

Dia 26 é feriado, o famoso boxing day! Que explicarei o que é, junto com como come-moramos o Ano Novo no próximo post.

Espero que tenha matado um pouco da curiosidade   /:)

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Um elo mais que especial

Tô mais pra fairly odd parent (uma madrinha mais ou menos estranha) do que pra godparent (madrinha)

Lembram-se que eu disse em Maio eu havia ganho dois super presentes de aniversário?

Pois sim, um deles foi o convite para ser madrinha da filha da Q., minha melhor amiga aqui na Inglaterra. Pra quem não sabe ainda, já tenho uma sobrinha-afilhada fofa, Dona G., hoje com 7 anos, filha do meu irmão.

Particularmente, eu adoro ser madrinha. Mimo, fico brava, brinco, levo passear e às vezes até dou pitaco na educação, claro que sem me envolver muito e meio de longe, até porque nem tenho filhos então quem sou eu pra me intrometer?

Adoro ser chamada de madrinha e de tentar criar esse vínculo com minhas afilhadas, de tentar criar essa amizade, essa coisa especial! Sempre lembro que percebia a diferença entre a minha madrinha (que é a minha avó materna) que é a “Dinda” da família inteira, mesmo de quem não era afilhado! Sempre me senti um pouco excluída do vínculo de ela ser minha madrinha (olha a síndrome do filho do meio aí gente :-" ) e eu tento fazer essa diferenciação com dona G., e vou tentar o mesmo com Dona B.!

Mas muito mais que isso, também faz parte do pacote os compadres e as comadres. O fato de ter sido escolhida tanto pelo meu irmão quanto por Q. me faz sentir tão querida, tão amada. Um reconhecimento de que sou admirada, e confiada um papel especial na vida de seus filhos, seus bens mais preciosos. E que elogio ou gesto melhor e mais grandioso do que esse pode se esperar de um irmão, ou ainda mais raro, de um amigo? Acho que  mais que a benção e os pedidos e promessas que fazemos na igreja, o voto de confiança de que estaremos presentes em suas vidas para sempre, e com uma influência positiva, é que torna esse momento e o resto de nossas vidas tão especiais.

Mantendo um pouco dessa comparação de vida lá e cá, como não comparar como foram os batizados, e também como são os meus relacionamentos com essas pessoinhas especiais?

Como foi e tem sido com Dona G: O batizado de Dona G foi na igreja Luterana. Uma filosofia que eu admiro muito e se seguisse alguma, seria a minha escolhida. Já foi depois de ter vindo pra cá, e precisávamos de algo sem a complicação de cursos, de ter que ir na igreja X vezes mas com a validade de que ela receberia a benção e seríamos os padrinhos oficiais. A igreja era pequena mas estava cheia, era um Domingo de culto lindo, com Sol, e alguns amigos dos compadres compareceram para a ocasião especial. Dona G. não chorou (que eu me lembro) mas cantou! Ela cantou durante o culto, até em momentos de silêncio. O culto foi super bonito com as palavras do Pastor Ernani que aqueceram nossos corações. De lá fomos todo mundo (se não me engano umas 20 pessoas) pra churrascaria comemorar, trocar presentes e tirar muitas fotos.
Dona G. demorou um pouco pra me chamar de madrinha e confesso que foi meio “imposto”, e ainda é. A proximidade do diminutivo nome da minha irmã com Madrinha, a confundia um pouco e era mais fácil chamar de Tia Lelei. Mas a gente faz questão do Madrinha, mesmo que às vezes ela queira trocar de novo, hoje em dia ela vem gritando quando me ouve no telefone “Madrinha, madrinha!” e eu confesso que adoro. Temos uma amizade gostosa, ela me conta coisas da escola, do Kumon, dos passeios. Desabafa segredos que a vó não pode escutar e brinca de desenhar e fazer lição de casa juntas pelo Skype sempre que a vó deixa. Infelizmente o padrinho meio que se perdeu na multidão, mas com certeza a perda é dele. Dona G é uma menina sapeca, inteligentíssima, que é detesta que lhe penteiem o cabelo (assim como a madrinha) e tenho muito orgulho de tê-la como minha afilhada.

Como foi e tem sido com Dona B Já Dona B. foi batizada na CoB (Church of England) que é a Igreja Anglicana. Compadre não queria igreja que não fôsse “Oficial” então lá fomos nós. O horário foi reservado somente para o batizado e compadres decidiram que somente os avós paternos e os padrinhos seriam convidados. A Igreja era média em tamanho mas a enchemos com o amor que todos sentíamos por B. Algumas pessoas da comunidade chegaram um pouquinho depois que a cerimônia – realizada por uma vigária – começou. Dona L., irmã mais velha de B. se divertiu correndo pelos corredores da igreja, por mais que a vó tentasse ensinar que era falta de respeito. Eu quase “roubei” B. da cerimônia, quando na hora de acender a vela que faz parte do ritual, a levei longe para tentar fazê-la dormir. Mas a vela foi acendida por L. e os compadres, e tudo foi curtinho mas muito significativo. O batizado não é cobrado, mas os pais fazem uma doação para a ingreja, que vai no envelopinho e sem ninguém saber quanto foi.
De lá fomos pra “Carvery” que é tipo um pub-restaurante onde fazem carnes assadas (tinha frango, gamão, e carne de vaca) e buffet de molhos, saladas e legumes à vontade. Nos empanturramos, comemos o bolo (que eu como madrinha comprei e decorei) e os padrinhos pagaram a conta antes de uns minutos no parquinho brincando com L. e colocando a conversa em dia com os compadres. Fomos embora com sorrisão de orelha a orelha. E agora Padrinho compra presentinhos pra B. dizendo que “tem que colocar mais esforço, porque afinal ela é a afilhada né?”.

Dois dias em minha vida que nunca esquecerei, levarei pre sempre comigo. Onde quer que minhas afilhadas estejam, espero estar com elas, pra o que der e vier, precisarem e quiserem. E serei sempre grata aos compadres que me escolheram para receber esse presentão tão lindo.

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Começando pelo final II

… e para continuar o assunto onde parei por “um minuto de silêncio”, e depois dos desejos de Ano Novo (que sempre me deixam meio cabisbaixa) chegou a época do ano que começo a tomar gás de novo. Vamos lá pro Ano Novo de 2012.

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Muita saudade de tudo isso…  8-|
Mas vamos ver se o blog engata a segunda marcha agora e se logo logo chego no mesmo dia que a folhinha está mostrando ;)

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Começando pelo final

Ok, vam’bora colocar o blog em ordem. E como eu sou do contra mesmo, vou começar pelo final. Pela primeira viagem que ainda não contei como foi. E coincide com o clima de Natal que já começou por aqui na TV, nas lojas e supermercados, para total irritação de Mr. W. Começo pelo final, o final do ano passado, quando fomos para o Brasil, passar o Natal e Ano Novo com a família brasileira.

Pra quem não sabe, eu só vou pro Brasil para o Natal a 2-3 anos. Os motivos são vários, a começar pelo preço das passagens, com a correria no serviço (sempre temos que revezar férias) e a correria de fim de ano no Brasil mesmo, que sempre deixa a visita mais curta, por mais que dure o mesmo tempo.

E o ano passado, lá fomos nós, rumo ao Brazilsão. Primeira vez que Mr.W passaria o Natal em país tropical e sem ameaça de neve  :-bd

 

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E depois disso teve muita praia, muita chuva, sem muito Sol e sem muita areira, mas com a mesma alegria. Depois eu volto contando mais :)

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Terra Brazilis Post Final – Os -s e os +s

E pra finalizar o relato da viagem ao Brasil, seguem algumas notas de coisas que chamaram a minha atenção, confesso, meio que inspirado pela Lolla:

Não gostei de ver :-q

Povo brasileiro cada vez mais fechado – Uma das coisas que eu me gabava com o povo britânico, era a facilidade de lidar com o povo brasileiro. Que todo mundo era simpático, estranhos conversarvam com estranhos na rua, sorrisos e risadas eram compartilhados, no supermercado, na feira, no metrô. Ainda tive sorrisos, que resistiram à armagura de um  povo que anda perdendo sua naturalidade. Principalmente os de minha mãe, que é uma das pessoas mais simpáticas que conheço, sempre com sorriso no olhar, e um amor e compaixão no coração que transparece em sua face. Mas encontrei muito mais rostos como o meu, naturalmente ranzinzas e fechados (no meu caso, normalmente é por timidez), pessoas ignorando a tentativa de se engatar uma conversa cabreira, fazendo cara feia, sendo antipático e duro nas lojas, trânsito, e nas ruas. Não sei se o fato de ter me mudado pro subúrbio de Londres também me fez pensar que o povo – normalmente e estereotipicamente – Europeu com fama de duro e distante se transformou. Aqui temos muito mais sorrisos, simpatia e atenção do que encontrei em muitos lugares no Brasil em São Paulo.

– Outra característica foi a perda de espontâneadade – Só consegui encontrar DUAS amigas por lá. Todo mundo tinha compromisso, ninguém podia encontrar, tudo era difícil. Alguns amigos brasileiros daqui às vezes sentem falta da facilidade que era pegar o telefone e marcar de se ver, de fazer um churrasco, de ir conversar sem ter que marcar dois meses antes. Mas se medirmos pelo povo Paulista, isso é coisa do passado.

– Nível e instensidade de violência e cobertura da imprensa: Isso eu já comentei aqui.

– De ver como homofobia é aceita de uma maneira cotidiana, como se você, por não ser homofóbico, fôsse a pessoa errada.

–  Núcleo rico/pobre da novela (assisti Insensato Coração com a minha mãe, e continuo assistindo aqui pela Internet) e como isso faz parte da vida real da vida brasileira também. Conheço brasileiros dentro e fora do Brasil, que se comportam como o núcleo rico, e que tratam os outros (e algumas vezes sinto ser comigo também) de maneira como se fôssem pessoas “diferenciadas” com mesquinharia, aquele nariz empinado, aquela ignorada básica, e a secada de rabicho de olho. Claro, que o fato é mais o comportamento em si, e nem tanto de ser pobre ou rico em termos financeiros. Até a novela mesmo mostra através de Eunice. Eu sei que isso sempre foi um ponto cultural brasileiro complicado de passar por cima, mas mesmo assim ainda me incomoda, e fico pensando se a novela influencia a sociedade brasileira ou se a novela só retrata a realidade.  Também fiquei pensando se talvez esse seja um dos pontos que me fazem adorar morar na Europa, onde a diferença social não é tão grande e status não tem nada a ver com os amigos que você faz (apesar de ainda existir muito preconceito contra o pessoal de nível mais baixo, mas isso eu comento em outro post um dia desses).

Preços: Isso também foi uma observação da @senzatia, de que tudo no Brasil está mais caro. E achei a mesma coisa. Foi um dos motivos de deixarmos de viajar para longe de Sampa, e também de não trazer muita coisa. Acabei trazendo só bugigangas que não se acha aqui, coisinhas pra casa nova e lembrancinhas pros pais e avós de Mr. W. Talvez isso seja um sinal bom de que o Brasil está com uma economia forte. A libra está super baixa, acabei levando libras e trocando por reais, que deixei na poupança para evitar pegar menos ainda quando fôr em Dezembro, e a poupança está rendendo bem mais lá do que aqui. Ou então, como a @HeloRighetto disse, talvez o país esteja na moda, e isso infla os preços, com tanta gente indo morar e investir no país. De qualquer forma, sendo a cética que sou, só espero que não seja uma bolha de melhoria temporária :-?

– Trânsito, sujeira, metrô com lentidão – Eram coisas que eu sei estavam sempre em São Paulo, mas só pioraram :(

O que eu gostei de ver :-bd

– Apesar de ter me chocado, e da novela ter suas coisas “erradas”, uma coisa que gostei foi como eles tratam da homofobia, e como eles incluíram lá personagens gays.  Acredito que mostrar que gays são pessoas como qualquer outra, e não “doentes ou anormais” ajuda mudar a consciência e quem sabe um dia o comportamento do povo em geral? Ainda são passos de bebês, e eu não entendo do assunto o suficiente para dizer se estão falhando em algum aspecto de como tratam o assunto, mas de modo geral, gostei do trabalho que estão fazendo.

– Música do Luan Santana – Gigi adora, e eu achei uma influência bacana nela, só por evitar o funk e músicas com vocabulário vulgar, já gostei de ver ela cantando e dançando ao ritmo sertanejo.

Sílvio Santos – Confesso que a-d-o-r-a-m-o-s Roletrando e Quem quer dinheiro? Assistíamos quase todo Domingo com minha mãe, e Mr. W até adivinhou uma das palavras que passou batido pela gente um dia (Cigarrilha!)

Centro de São Paulo – está lindo! Incrível como é a única parte que eu vi limpa. Também está bem policiada, e iluminada. Quando minha amiga me chamou pra nos encontrarmos lá fiquei meio ressabiada, mas aceitei e não me arrependi. Fomos de metrô até lá e não teve problema nenhum! E o passeio de carro pelo pátio do colégio, Sé, Liberdade, Universidade São Franscisco, foi muito bonito e deu orgulho da cidade natal.

Policiamento – Pelo menos no Centro e no meu bairro, na Zona Norte, teve bastante policiamento, dia e noite. Mas mesmo assim estava proibida de sair com bolsa, já que alguns ex-presidiários soltos no Enduto e mais cedo estavam fazendo alguns furtos por perto, mas mesmo assim me senti segura na maior parte do tempo.

Cultura, comida, Páscoa – Fomos na procissão, que ao meu ver é parte da cultura brasileira. Mr. W gostou de acompanhar o pouquinho que fomos juntos. Apesar de ele ser ateu, gosta das cerimônias rituais, principalmente porque aqui no Reino Unido é bem velado e quando não se tem isso… A comidinha da mamãe (e da irmã, e do irmão em uma ocasião) uma delícia como sempre! E comemos muita pizza, esfiha, coxinha (a preferida de Mr. W), beirute, bolos, doces, pudins, pastel… Adorei como é simples ir no supermercado e comprar comida caseira, e levar pra casa! Quero um desse aqui! E a Páscoa com aqueles Ovos Pendurados no teto do supermercado? Nunca vi em nenhum outro lugar do mundo, aqui é mirrado, e ainda por cima, são vendidos na caixa, e em uma prateleira, Boo L-)

Gostei da chuva morna, da brisa da manhã indo na hidro com a minha mãe, dos desabafos que nós duas fizemos, dos abraços e convivência com Gigi, Das risadas com meu irmão e dos almoços e papos com minha irmã. Dos bate-bocas políticos com meu pai e nossas conversas sobre Palmeiras (e qualquer futebol pra ser honesta). De assistir filme com todo mundo empilhado na sala apertadinha. De ter visto duas amigas queridas que não vi o ano passado, e colocar a conversa em dia e vê-las felizes. Dos passeios ao shopping, das viagens à praia e colocar o papo em dia com a minha vó/dinda. Do passeio à Braga City e ver a família Buscapé no seu melhor. De estar ’em casa longe de casa’, como sempre. Mas eu tenho uma voz dentro de mim que me diz que isso só é possível porque eu volto pra casa. E cada vez que volto vê-los e passar o calor que me deixa empipocada, e ser ignorada pelas duas primas, e me supreender com os rostos ranzinzas, é essa saudade que deixa tudo mais bonito, mais colorido, mais especial e só as coisas boas ficam guardadas pra próxima viagem pro outro lado do Oceano Atlântico abaixo do Equador.

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Terra Brazilis II

Bom o que eu não contei ainda?

Ah! Esqueci de falar que Mr. W levou a maior sorte e foi pro Brazuca de Classe Executiva! Segundo andar, assento-que-vira-cama, comidinha chique, pacote completo. Depois que ele despachou as malas (o check-in foi feito online) e já estava indo para o portão de embarque, o pessoal da BA o chamou pelo auto-falante e ofereceu se ele trocaria a passagem Economia-plus pela Executiva, e ele nem bobo nem nada claro que aceitou né, chegou no Brasil descansadão %%-
Também não falei que teve almocinho gostosinho com a minha ex-chefe L. , da época que eu dava treinamento. Mas somos amigas agora, e foi uma delícia vê-la de novo, depois de quase 4 anos! Papeamos muito, no Viena do Center Norte. Foi meio decepcionante, eu lembro deles melhorzinhos na qualidade da comida, mas mesmo assim valeu a pena.

A última semana foi passada a programinhas básicos, teve aniversário da Giovana na terça-feira, e eu e minha mãe a levamos para ver Rio (opinião completa depois, mas posso dizer que foi ótimo, ela a-m-o-u) , comprei um balão Hélio de Princesa pra ela (paguei a bagatela que só Madrinha que mora longe tem coragem de pagar, mas ela merece!) e depois pegamos lanchinho do macdonalds e todos os brinquedos do Rio de brinde pra ela brincar. Mr. W se admirou, concordando comigo, de como o McD é mais gostoso no Brasil!

Nessa terça foi o dia que Mr. W torceu as costas, então quarta e quinta foram meio de molho (por isso que ele não foi no cinema com a gente também). Mas quarta fomos encontrar minha amiga mais antiga, a C. A conheço desde os 9 anos de idade, e é sempre uma delícia passar um tempo com ela. Ela e o marido dela são uns fofos e nos levaram no Bar Dona Onça ali no Centro de São Paulo. Foi bem gostosinho e quero ver se volto lá com a trupe para o aniversário do meu pai em Dezembro =P~ Depois da jantinha teve passeio guiado (por eles, rs) pelo Centro de Sampa, incluindo a Liberdade e Parque do Ibirapuera.

Depois disso, os planos foram ir no Shopping D (que Mr. W não tinha ido ainda), onde compramos umas coisinhas pra trazer de presente, e Giovana ficou brincando no parquinho que eles têm lá. Era para termos ido na minha irmã jantar, mas o Levi teve conjuvite :( E não pudemos dar um abração neles de tchau. Mas logo logo estaremos dando o abração de Oi-de-novo :)

Daí teve a festinha oficial da Gigi no Sábado, onde vi minha prima e minha tia fófis de novo, e passamos mais tempos juntos. Eu tinha ido pro Brasil pra participar da festinha de Gi (eu não tinha ido em nenhuma ainda) e foi uma delícia participar de 3! =D

Agora às fotos que fiquei devendo no post anterior :)

Teve pezinho molhado e pernocas branquelas no H2O do Guarujá
Teve admirar o marzão do mirante de concreto
Teve (ou tiveram?) os barquinhos dos pescadores
E teve o pescador solitário
Teve sentar na cadeirinha de praia e ouvir o mar fazer WHOOSH

Teve dia nublado, com paisagem esplêndida da janela
Teve menininho nos lembrando como é fácil ser entretido
Teve visita a sala de troféus da Vila Belmiro
Teve visita ao estádio da Vila Belmiro
E uma foto por cima do muro do estádio que sem querer deu certo
Teve despedida da praia
Teve comemoração da Páscoa
Teve processão
E teve nós participando das últimas paradas
Teve chocolate derretido no porta-mala do carro a caminho de Bragança Pta
E teve volta a Sampa, e flores no caminho pra hidroginástica
E no caminho também tinha Jaqueira
Teve festinha pra Gigi em casa
Teve eu e minha mãe fazendo lembrancinha pra festa de aniversário da Gigi na escolinha
Teve Churros no Bar da Dona Onça
Teve o Impostômetro, mostrando quanto o povo brasileiro já deu de impostos pro governo esse ano

Teve a boneca que quase não tiramos foto, por esquecimento, mas agora está garantida que esquecida não será

Teve a foto que foi a Gigi quem tirou
Teve mais lembrancinhas, pro aniversário do final de semana
Teve tema princesa, do jeitinho que Gigi quis

Teve Cupcake de cenoura com recheio de doce de leite
E teve fim de festa...

E foi gostinho de fim de festa mesmo. No dia seguinte, quando voltei pra minha outra casa. Domingo chegou e debaixo de chuva fortíssima voltamos pra Terra da Rainha e de Princesa Kate. Dessa vez foi sem choro, apesar do aperto no coração que veio de mansinho no avião. Mr. W – como sempre – me acalmou. O vôo foi bacana, assisti o Discurso do Rei Megamind e True Grit. Assisti mais uns seriados e continuei lendo Digital Fortress.

Cheguei em casa ainda com o vazio no peito que só quem escolhe dois lugares do mundo pra chamar de casa sabe o que é. Aquele silêncio depois da barulhada de Gigi e da família Buscapé que é difícil de acostumar de novo.

Agora já voltamos à rotina, mas as malas nos esperam ainda para serem desfeitas. Acho que prolongamos o feito, porque parece que assim não faz tempo que deixamos tantas pessoas amadas lá do outro lado do Oceano. Mas logo logo estamos de volta, e até lá vamos procurar bastante coisa boa pra fazer e história bacana pra contar! E começando a campanha pros meus pais virem visitar a caverna nova né?!

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A imprensa adora uma tragédia

Ok, ok, eu ia escrever um post amanhã bem bonitinho falando sobre a minha primeira semana no Brasil, mas infelizmente o tempinho livre  apareceu justo no dia que uma tragédia aconteceu, e como minha cabeça fica a mil e reclamar com os pais – que concordam comigo – não adianta muito nessas horas, eu venho pro blog estravazar. Achar que estou gritando aos 4 cantos da internet, o que parece acalmar meus ânimos nessas horas, por mais que os 4 cantos sejam os 9 leitores fiéis desse canto.

Eu comecei a escrever o desabafo no Twitter, mas me emp0lguei demais, então movi o discurso pra cá.

O assunto desagradável é o ataque da escola do Rio de Janeiro, claro.

Junto com o evento, que em si já é trágico e só imaginável hoje em dia porque acontece em algum lugar na Terra pelo menos uma vez por ano, vem o circo armado pela imprensa.

Especulações (a princípio falaram que era pai de aluno, mas tarde foi confirmado que era ex-aluno) , entrevistas com testemunhas, com curiosos, com policiais, com os pais das vítimas. Querendo falar como tudo aconteceu, como foram os tiros, aonde, que horas. Coletiva de imprensa do Governador do Estado, dizendo que o atirador era um animal psicopata, e entrevista até com técnico de futebol sobre o que ele acha do assunto (pois é, entre mudanças de canais para evitar o mau jornalismo sobre a notícia vi o Luxembrugo sendo perguntado o que ele achava da tragédia). E pode esperar, fotos das vítimas, história das vidas, pais desesperados na televisão, revistas e rádios. Agora a pergunta é, porque alguém gostaria de saber disso? Só aumenta ainda mais a dor que causa em população já frágil, e essa dor é em vão, porque não haverá ação para ajudar, para se evitar isso no futuro, e essa é a tristeza e frustração que infelzmente a imprensa coloca no mundo hoje. Aqui em casa, começou a baixaria e sensacionalismo, desligamos tudo, vai pro futebol, musiquinha e desenho animado.

Nessas horas minha opinião é que o papel da imprensa deveria ser o de informar os fatos que queremos saber. X vítimas na escola Y. Polícia entrou, atirador se matou (para sabermos se o causador foi pego ou se está à solta oferecendo risco à população). Vítimas socorridas no hospital Z (para quem fôr familiar ou quiser/puder ajudar). Motivos explicados na carta explicam que aconteceu por causa disso (isso talvez ajudasse a todos compreenderem o fato, e evitar assim, a revolta e amargura – nesse caso, a publicação da carta não ofereceu explicações) . Claro que serão detectado os motivos do ocorrido foram dois fatos: má assistência a doentes mentais (aqui se inclui viciados em drogas e álcool), e o acesso fácil a armamento. Daí discutir com o público e cobrar das autoridades uma atitude para que o fato não se ocorra mais. Cortar o mal pela raiz. Esse é o papel da imprensa, no meu ponto de vista.

Simples? Não é. Possível? Com certeza. Basta vontade – como apontou a minha mãe, dinheiro não é fator para a imprensa relatar o que deveria ser relatado. E a gente sabe que governantes fazem o que a pressão da imprensa pede. Mas a tendência é de achar que casos isolados não são importantes. E não tô falando só do Brasil não. Estados Unidos já teve tantos casos, perdemos as contas. Inglaterra (mesmo com acesso a armamento super-ultra contrado) teve um caso há anos atrás e no ano passado um senhor esquizofrênico matou várias pessoas na rua (mesmo após pedir ajuda aos médicos de que estava em depressão e ser ignorado). Na Alemanha também, há uns dois anos, ouve o mesmo evento em uma escola.

Antes de desligar o rádio, veio a notícia de bombas colocadas em outra escola do Rio de Janeiro. Mas “somente” 4 alunos se machucaram. Então como a tragédia é menor, fica com um destaque pequenininho. Mas quem colocou a bomba lá? Há risco de mais bombas? Não se sabe, e a única notinha ainda tem link pra notícia tragédia do momento, onde já não se pode fazer mais nada.

E é isso que a imprensa deveria estar discutindo. Não colocando mais amargura no coração do povo que já se entristece, se sente impotente e indignado diante de um evento dessa natureza.

Como doentes mentais deveriam estar sendo identificados, tratados e monitorados? Como o acesso a armas deve ser mais controlado? E a notícia da bomba e a investigação quanto a esse fato, como ficou?

Espero que as vítimas e seus familiares assim como professores e funcionários recebam uma assistência decente, agora é tratar os sintomas de uma doença que infelizmente não foi tratada, e tentar dar uma vida normal aos que ficaram para trás.

PS: O post bonitinho sobre o Brasil ainda virá em breve, mas hoje não deu pra ficar com o discurso enroscado na garganta.

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