Oi, como estão as coisas?

Uns dias atrás mandei uma mensagem pelo Facebook para uma pessoa a qual quero bem mas com quem não falo há dois anos! Me sentindo já ignorada por ser tão desnaturada, pensei em uma das dicas que aprendei recentemente quando participei de um treinamento de como engajar com pessoas com as quais trabalhamos, das e pelas quais normalmente influenciamos o nível de sucesso e excelência de desempenho.

Assimilei várias dicas, e vamos ver se com o tempo as coloco todas aqui, mas duas coisas me marcaram mais.

Primeiro, temos que entender que engajar é diferente de entrar em contato com alguém, ou trabalhar juntos com um objetivo em mente. Engajar é literalmente, segundo o Michaelis, “alinhar-se em ordem de ideia ou de ação coletiva” Engajar dá mais trabalho e é mais longo do que do que simplesmente impor sua opinião, ou aceitar facilmente a do outro, mas a longo prazo, traz um relacionamento mais sincero, confiável, e fácil de chegar a melhores decisões. E pode até acontecer que a decisão seja completamente diferente do que estava sendo inicialmente proposto!

Então as duas coisas que mais me marcaram, e que me acenderam uma lâmpada em cima da minha cabeça, foram o poder das perguntas abertas e o poder da intimidade.

No Brasil, eu sentia que perguntas serem fechadas (aquelas que requerem sim ou não como respostas) ou abertas (aquelas em que a pessoa têm liberdade de expandir e explicar) não faziam muita diferença, a maioria dos brasileiros adora tagarelar, e normalmente o problema é arrumarmos tempo para a discussão! Aqui na Inglaterra, sinto que a maioria das pessoas está mais confortável em responder uma pergunta assim como é perguntada. Elas podem até estender um pouco,  mas  a tendência é a de ser mais literal.

Então se perguntamos (fechado) “Você gostou do filme?” a resposta provavelmente vai ser: Sim, gostei! ou Não, nem tanto ou Mais ou menos!… Não porque eles não querem conversar com você, mas porque eles provavelmente acham que você simplesmente quer saber se gostaram ou não, e a resposta curta deve ser suficiente.

Mas se perguntamos (aberto) “O que você achou do filme?” eles vão conversar por horas, sobre quais foram os momentos que gostaram, não gostaram, e até talvez puxar outros filmes para a conversa!Ao conversar com

Ao conversar com Mr. W sobre o treinamento ele também me explicou que na sua profissão de advogado essas diferenças em perguntas são vitais e tudo depende se ele está defendendo ou acusando alguém e o quanto deve expandir suas histórias.

Por ser introvertida (sobre o que falei aqui) , tenho a tendência em não expressar muito interesse pelos outros – não por egoísmo, mas por receio de estar me intrometendo demais – e mesmo quando o faço, a tendência é de olhar para as minhas experiências, os meus conselhos, o que eu tenho a dizer. Re-aprender sobre o poder das perguntas abertas – eu já havia ouvido sobre isso antes – me abriu os olhos para não somente ter um relacionamento mais positivo, amigável e colaborativo no serviço mas também no meu dia a dia, com amigos e família. Na maioria das vezes me pegava com esse conflito de que existia essa barreira de como começar uma conversa, como fazê-la durar, como aproveitar a interatividade com outras pessoas, principalmente quando conhecia alguém novo. Agora, perguntas abertas são meu maior truque de mágica! E tem um truquinho mais fácil de usar ainda, usar TED – T para “tell me” , começando conversas com “Me diga”, “me fale”, E para “explain” , “Me explique”, D para “Describe” , “Descreva”. Os três são aberturas que podem ser utilizados como “O que você acha de…”, “Como você se sente se…”, “Quais você…” e muitas mais por aí que teriam o mesmo resultado…

Indo de mãos dadas com isso, veio a diferença entre perguntar o famoso “Oi tudo bem?” brasileiro que pede somente um Sim ou Não ou mais ou menos, pelo “How are you?” (Como você está?) inglês, onde pessoas podem realmente explicar como elas estão e dar mais detalhes se elas assim o desejarem. Aqui normalmente a resposta vai ser um ‘fine‘ – “Estou bem”, um ‘not too bad, thanks’ ou ‘not bad at all!’, que merecem seu próprio parágrafo ;)

O ‘not too bad, thanks‘ literalmente traduzido, pode dar a impressão de significar um “não tão mal, obrigado” ou “não tão ruim, obrigado”, levando a crer que a pessoa está passando por um momento não tão favorável. Mas com o tempo aprendi que a expressão aqui no Reino Unido é simplesmente um diminutivo do “Tudo Bem”, quando a pessoa não está tudo 100% bem, mas ainda ainda assim a pessoa está mais para o lado de estar bem do que ruim. O ‘not bad at all!‘ usa a negativa “not at all” que significa “nem um pouco”, ou seja, significa que a pessoa está literalmente “Nem um pouco ruim” -> “Está tudo 100% bem”. Me levou um pouco de tempo para entender as nuances e o negativismo das respostas britânicas e começar a adotá-las também, mas de uns tempos para cá tenho feito uso de respostas e escolhas positivas quando me perguntam como estou, e bani essas expressões de meu vocabulário, assim minha mensagem poderá ser sempre positiva!

Claro não são todas as vezes que eles expandem, mas em minha experiência eles normalmente seguem com um comentário sobre o final de semana (se fôr sexta ou segunda) ou sobre o clima e sua previsão pelo menos e a conexão se torna mais íntima e positiva.

Já tenho percebido as diferentes reações de quando pergunto “Como estão as coisas?” para amigos e familiares brasileiros, tão mais explicativo e inclusivo do que o antigo “Oi, tudo bem?” e por aqui, depois que comecei a perguntar mais com honestidade “How are you feeling today?” “Como você está se sentindo hoje?” Nem que seja para me dizerem que estão ocupados e pra terminar a reunião rapidinho ou ir embora e deixá-los em paz!

E é claro, não há garantias contra o “How are you” Vortex, ou o ciclo vicioso que “Um Como você está” pode gerar…

Oi como estão as coisas? Tudo bem e você? Tudo ótimo, e a vida como tem te tratado? Bem, bem e você? Não posso reclamar, e você? …

Expliquei no começo do post que comecei a conversa com a pessoa com quem perdi o contato com um “Como vai você?”, assim o fiz para  realmente mostrar minhas sinceras intenções de saber como ela está. Ainda não me respondeu, e a sua reação está fora de minhas mãos, há somente tanto que podemos fazer, o resto eu respeito e coloco na gavetinha de ter seguido meu instinto quando senti a necessidade de refazer a conexão.

E você, qual a sua experiência com perguntas abertas e fechadas em diferentes lugares do mundo , com pessoas diferentes? Me explique aí nos comentários ;)

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Do povo para o povo – III

Esse é mais um dos posts-desabafo. Debati comigo mesma se deveria escrever ou não, mas tem me rondado, e não posso mais me calar. :-$ Como diria o defunto Rá-tim-bum, senta que lá vem história.  :>

Ou se não gosta de política, já dê a meia-volta e passe para o próximo blog da lista porque hoje é papo daqueles que, confesso, podem ser chatonildos!  :-B

Já escrevi sobre meu descontento com a democracia aqui e acolá, onde mencionei minha personalidade que descrevo como “socialista hipócrita” mas hoje venho escrever sobre o meu contento, o processo de escolha do novo líder do nosso – suposto – partido de esquerda, o “Labour Party” , literalmente o Partido Trabalhista.

Começando do começo, um pouquinho de história, nas eleições que aconteceram em Maio (ao invés de encher o blog com dados melhores explicados em outro lugar, clique aqui para ler como o processo no Reino Unido é diferente do Brasil e EUA – e lembrem-se, votar aqui é opcional), a direita, o “Conservative Party”, apelidado de Tories e literalmente o Partido Conservador, re-ganhou a maioria do Parlamento, depois de 4 anos de uma coalizão com o partido de meia-esquerda, os “Liberal Democrats”, literalmente os Democratas Liberais. Antes deles, o Labour Party governou por 12 anos, 3 mandatos consecutivos, sob o comando de Tony Blair. E antes dele, os Tories governaram por 18 anos, sob Margareth Tatcher por 3 mandatos consecutivos e  1 de John Major.

A eleição de Maio foi uma decepção para os seguidores do Labour Party, por dois motivos. O novo partido do clube, o “UKIP”, “United Kingdom Independance Party”, literalmente o Partido de Independência do Reino Unido, com visões nacionalistas extremistas, que por exemplo advoga o Reino Unido a sair da União Européia, e o “SNP” , “Scottish National Party”, literalmente o Partido Nacional Escocês, ganharam força e votos aonde o decepcionante LibDem – que mentiu ao prometer cortar os empréstimos a estudantes indo para a faculdade e na hora do vamos ver aceitaram aumentar o preço e os juros durante a coalizão – perderam seus votos.

 

LibDem nem dá a largada, Labour não consegue se levantar e Tories ganham por uma margem. Assim foi Maio de 2015!

A grande perda do partido ao SNP e a perda dos votos dos LibDems para a Direita (via votos ao UKIP e Tories) levou o líder que concorreu a Primeiro Ministro, Ed Milliband, a renunciar seu cargo, e a corrida para escolher uma nova ou um novo líder começou. Uma regra da época de Harrold Wilson (o último PM Labour antes de Tony Blair) foi trazida à tona novamente e significa que qualquer pessoa pode votar para o novo líder. Isso mesmo, sem politicagem, sem cabides de emprego, sem favores, sem chantagem, sem interesses. Tudo que você teria que fazer é se registrar como adepto ou afiliado do partido. Para ser adepto, basta pagar a taxa (existem cenários e preços diferentes) ou ser membro de um sindicato ou associação afiliada ao partido e pronto!  =D>

Com isso, a perda de Maio também fez 20 mil pessoas se inscreverem ao partido em um espaço de 3 dias  :O , entre eles, cansado de só reclamar do conforto do sofá, Mr. W!

Eu me segurei um pouco, sou divida entre Labour e o “Green Party”, literalmente o Partido Verde. Nas eleições de Maio acabei votando (aliás, James teve minha procuração para votar por mim, já que estava no Brasil :-D ) Labour para o Parlamento e Green Party para o “Local Council” – o equivalente à prefeitura brasileira. Explicando minha escolha, aqui se vota bastante taticamente, aquela velha mentalidade, que me lembro existia no Brasil antes de Lula, de que se votar nesse ou naquele partido você está tirando as chances de um partido maior e que você não concorda tanto mas em teoria tem a maioria em ganhar e seu voto iria para aqueles que você não quer que ganhe de jeito nenhum, e me deixei levar achando que meu voto faria a diferença para Labour. Não fez. 71% eleitores do condado votaram, e perdemos para os Tories, que mantiveram o lugar no parlamento que têm desde 2001, UKIP ficou em segundo, mas o Green Party ficou em terceiro! Com um aumento de 3.7% dos votos, se tivesse votado com a minha convicção, poderia ter ajudado a essa porcentagem ser um pouco mais alta!   :-q

No mês passado, Mr. W me levou aos “hustings” em Brighton, uma espécie de debate, em que todos candidatos respondem perguntas selecionadas, um de cada vez, e sem direito de discussão ou de réplica. Vimos os 4 candidatos a líder e os 6 candidatos a vice-líder. Saí de lá uma tagarela, voltamos o tempo todo conversando no carro, e eu super animada e apaixonada por Jeremy Corbyn   8->

O sistema de votos nessa eleição do líder do partido é por ordem de preferência. Escolhemos o primeiro, segundo, terceiro e quarto favoritos. O meu voto vai ser assim:

Como Jeremy pode ganhar as eleições para líder: Ele é contra Programa Anti-Nuclear Tridente, Austeridade, Intervenção Militar. Na ordem, Burhnam, Copper e Kendall ainda se pronunciam a favor ou em cima do muro dessas políticas.

  1. Jeremy Corbyn – Claro, meu presidente em Leleilândia :)>- , sim por que em Leleilândia não tem parlamento e não tem Rainha, todo mundo é votado do povo para o povo, um voto vale um voto direto, igual ao Brasil e diferente dos EUA e daqui, pelo menos até acharmos um sistema que funcione melhor! Voltando à lição de história, Jeremy foi o candidato escolhido para concorrer a líder pelos “back benchers” literalmente a turma do fundão, e como são chamados os membros do parlamento que não são e nunca foram ministros. Diz a imprensa que o escolheram como alguém somente para gerar debate, para mostrar que o partido se importa com as visões esquerdistas e socialistas percebidas como esquecidas pelo eleitorado. Jeremy é socialista de carteirinha, humanitário, pacifista e ativista. Por exemplo, no mês passado ele foi o único dos quatro candidatos que votaram contra a lei do “Bem-Estar” – que inclui corte de benefícios a quem tem mais de 2 filhos – os outros 3 candidatos se ausentaram e a lei passou ao próximo estágio que agora é esperada ser lavrada.
  2. Andy Burham – Porque ele promete colocar Jeremy como um de seus ministros (e eu espero que seja da habitação) se ele ganhar a eleição para liderança. E porque muitos de seus preceitos estão também de acordo com a minha opinião mas ainda o acho muito em cima do muro ou fraco em sua postura. Sua mãozinha de política em punho fechado e seu comportamento pessoalmente e com a imprensa não me passam convicção suficiente.
  3. Yvette Cooper – A mulher com maiores chances de ganhar é uma “Blairite”, como se diria no Português claro, uma cria de Blair, e que segue as mesmas políticas. Esquerda mas nem tanto, é como se fôsse um PSDB, ainda a favor da privatização e armamento e a participação do Reino Unido em Guerras. Não gosto dela usar feminismo como muleta em sues discursos. Cada vez que ela fala “É hora de uma mulher de esquerda ser líder” quero colocar o tampão de ouvido %-( . Então eu deveria votar para alguém que eu acho que é menos competente para me representar só porque ela é mulher? Diferente da líder do SNP, Nicola Sturgeon, que admiro e em quem votaria, Yvette se demonstrou com ideais sociais fracos e com os mesmos problemas de Ed Millband.
  4. Liz Kendall – Outra Blairite, mas mais de direita ainda, propõe continuar os cortes governamentais, algumas políticas ambientais que propõe contradizem com minha posição política. Sua maneira de comunicar como se fôssemos criancinhas de 3 anos me dá nos nervos ~x( e não consigo imaginar um governo com alguém como ela no poder.

    Blair ganhou 3 eleições seguidas mas deu um tiro no pé quando se juntou à guerra do Iraque contra a vontade popular, não ajustou o sistemas de benefícios e gastos parlamentares, e mudou a educação para pior. Seria um de seus seguidores a escolha que o partido quer?

Pronto, isso explicado, continue sentada ou sentado porque ainda tenho coisa pra escrever.  :>

Tudo estava indo bem, com uns políticos criticando a popularidade de Jeremy que começou a crescer depois que os sindicatos decidiram o apoiar e recomendar que seus associados votassem nele. Blair disse que aqueles votando em Jeremy com o coração deveriam fazer um transplante de coração. Uma membra do parlamento disse que foi retardada quando indicou Jeremy a ser candidato. O discurso de que Jeremy é inelegível, de que se ele fôr escolhido como líder Labour não vai ganhar uma eleição por 20 anos (hein? :-?? ) se tornou mais forte. As candidatas se tornaram papagaias toda vez que perguntam porque merecem ser líder, falam “Porque não adianta ter ideais, é preciso estar no poder”. Me deixa doente  X_X Preciso explicar porque?

Mr W era do mesmo ponto de vista, e queria votar em Andy como primeira opção. Em uma de nossas longas caminhadas (que invariavelmente termina falando em política) o convenci da história do Brasil, de como mesmo com PMDB e PSDB sendo as duas potências por décadas, mesmo com Globo e suas novelas querendo a direita e meia-direita no poder, a esquerda prevaleceu e ainda prevalece. Não perfeitamente, mas o mais perto que podemos ter até conseguirmos limpar a corrupção de nossos caminhos, daí Leleilândia aí vamos nós!  :-bd

De que como podemos esperar que um governo nos represente se votamos pensando em ganhar e não em nossas convicções? Se todos votam com medo de não ganhar, como acreditar que podemos mudar o mundo? Não assistiu FormiguinhaZ não?  /:)

A conclusão foi de que acho que Jeremy é elegível pelo mesmo motivo de Lula. Ele fala diretamente a todos, àqueles que perderam a esperança em votar por acharem de que não adianta nada. Sua mensagem é parecida com a de Obama, de dias melhores, em que todos podem se beneficiar por um governo mais igualitário. Ele acaba com os medos de que são imigrantes que causam problemas ao país, ele mostra de onde vai tirar o dinheiro para pagar as contas (exemplos: mais taxas à classe AA, fechar buracos na lei que permitem a sonegação de impostos, menos dinheiros cobrindo rombos de empresas que foram e estão sendo privatizadas, começará a criação de empregos em indústrias novamente). Como não concordar com esse homem?

Claro ele é inelegível, porque claro existem interesses da cúpula, do poder político e e instituições financeiras e em suas crenças, podem o parar, manchando suas convicções, sua vida e seus seguidores. E claro, seria ingênuo pensar que somos conseqüência da máquina. Pode ser que sou em que estou errada em minhas convicções, pode ser que existem mais pessoas lá fora felizes com o que está acontecendo no país atualmente, e porque não? Afinal Tories foram votados na maioria, e não há argumento contra as urnas e o que a maioria do povo quis.

Duas semanas depois Mr. W foi convencido por um artigo no jornal que explicava exatamente o que eu tive dificuldade de fazê-lo mudar de ideia – plantei a semente e o artigo foi a água que regou minha planta. E os que são a favor de Corbyn começaram a sair da toca, mais e mais pessoas se juntaram ao partido – principalmente depois do voto à lei do Bem Estar – já estamos em mais 65 Mil pessoas desde Maio, a maioria espera-se que seja para votar para Jeremy mas como não existe como fazer pesquisas, só saberemos quando o resultado sair dia 12 de Setembro (mal posso me conter! :-SS )

E pelo jeito todo mundo se irritou com aqueles que ofenderam a nós, que gostamos de Corbyn, seu suporte está maior do que nunca.

As campanhas para ser líder: Corbyn, e os outros

Então, hoje foi o último dia para quem quisesse se inscrever ao partido.

Sexta começamos a receber os formulários para votar, via e-mail e pelo correio. Tudo indo conforme o planejado? Não responda ainda! Hoje apareceu mais uma confusão negativista dos políticos do partido amedrontados pelo suposto monstro do socialismo, bichão de 7 cabeças que te pega enquanto você dorme.

Explico: Desde de que Jeremy começou a ganhar forças como um candidato viável, os Tories dizem ter se”infiltrado” no Labour. Se inscreveram, para votar em Jeremy e acreditam que assim iriam acabar com as chances de Labour ganhar a próxima eleição. Injusto, desleal e corruto? Sim, e como negar? E fato: Aproximadamente 1200 das 65000 novas inscrições foram identificas como possível infiltrações e negados acesso ao voto. Aquelas de jornalistas e políticos identificados como Tories.

Isso fez com que Labour entrasse em pânico e dissesse que vão cancelar as eleições. Até que se tenha uma maneira de saber somente quem é de esquerda pode votar e quem está ligado ao partido. Basicamente dizendo, adoramos a democracia, desde que você vote em quem queremos que você vote. Triste não? Assim como outros telefonando o rádio, escrevendo no Facebook, Twitter e seguidores da esquerda verdadeira, eu digo, venham Tories, e votem, votem sim no Jeremy! Deixe-o nos mostrar que se pode ser eleito como esquerdista. Melhor ainda, vamos nos livrar de rótulos! Deixemos de ser equerdistas, socialistas, direitistas! Seremos o partido que se mostra humanitário, que se importa com o futuro de nossas gerações! Esquerda, direita, quem se importa?

Ou que não seja eleito, mas que nos dê uma oposição humanitária e decente, colocando uma barreira quando Tories quiserem ignorar as classes mais baixas, deficientes físicos e mentais, minorias raciais, o acesso à educação, saúde, à lei, polícia, transporte, energia e tudo que chamamos de serviços públicos e cada vez mais se tornam particulares, com qualidade duvidosa e liberdade para cobrarem o quanto quiserem de nós.

Muito triste ver um partido quebrado, com medo de perder eleição mais do que com medo de perder seus ideais e o que representam.

Espero o resultado para saber se me junto e me torno afiliada de um Labour, que terá que se unir para ganhar meu dinheiro e esforço ou se me afilio ao Green Party e sei que é um partido pequeno agora, mas em ter esperança de sermos mais e melhores no futuro, e representar no que realmente acredito. Mesmo que aceite a perda em nome dos meus direitos.

Falando em direitos, deixo como uma pitada de pimenta,  uma música que me inspira e me dá arrepios, do grande Bob Marley, ídolo de meu maninho amado Mr. D!

Most people think
Great God will come from the skies
Take away everything
And make everybody feel high
But if you know what life is worth
You will look for yours on earth
And now you see the light
You stand up for your rights
A maioria das pessoas pensa
Que o grande Deus vai surgir dos céus
Levar tudo
E fazer todo mundo se sentir elevado
Mas se você sabe o quanto vale a vida
Vai cuidar de sua elevação aqui na Terra
E agora que você enxerga a luz
Lute pelos seus direitos
[…]

We sick an’ tired of-a your ism-skism game
Dyin’ ‘n’ goin’ to heaven in-a Jesus’ name, Lord
We know when we understand
Almighty God is a living man
You can fool some people sometimes
But you can’t fool all the people all the time
So now we see the light (What you gonna do?)
We gonna stand up for our rights! (Yeah, yeah, yeah!)

Estamos cheios e cansados do seu jogo de ismos
Morrendo e indo para o paraíso em nome de Jesus, Senhor
Nós sabemos e entendemos
O Deus poderoso é um homem vivo
Vocês podem enganar algumas pessoas algumas vezes
Mas não podem enganar a todos o tempo todo
Então agora que você enxerga a luz (O que você vai fazer?)
Vamos lutar por nossos direitos! (Sim, sim, sim!)

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Retrospectiva 2015: Janeiro, Fevereiro e Março

Já que esse é um blog sem tema, sem objetivo, sobre tudo, então bora pelo menos tentar não deixar virar um blog sem posts e literalmente sobre nada.

A comadre e ela fazem o resumo do mês, e vou roubar a idéia de leve. Pois como já dizia Picasso: “Bons artistas copiam, excelente artistas roubam.” Mas  vou copiar diferente, porque o tempo passa mais rápido do que dá pra perceber, e quando vou ver, já foi!

Deveria sim fazer ser um blog interessante, sobre algo que tenho pra falar, mas nesse momento eu quero fazer dele um registro pra olhar pra trás e ver o que se passou na minha vida. Quero não me levar tão a sério, ser tão certinha, não levar tão em conta o que outros fazem ou falam que deveria ser feito em um blog. O que significa diretamente meu lema do ano, de fazer o que eu quero e não o que deveria fazer.

Janeiro:

Amigo Secreto atrasado: Engraçado como quanto mais encontro com o pessoal querido, mais quero encontrar. Consegui ver os compadres (e a afilhada!) e mais um pessoalzinho brazuca pro tradicional amigo secreto – que sem querer acabou virando o amigo secreto atrasado. Faltaram algumas figurinhas carimbadas que se mandaram pro Brasil nos deixando aqui no friozinho, mas mesmo assim valeu a pena, com pão de queijo sendo devorado assim que saía do forno, torta de frango agradando a dona da casa, pudim de leite que mesmo dando errado deu muito certo, quindão agradando o dono da casa e chocolates, amendoins e decoração e árvore de Natal sendo desmontada pelas ajudantes voluntárias (a afilhada e a mana) se divertindo com nossos presentinhos de papel isopor embrulhados em papel laminado. Colocando o toque final, assistimos o Filme Lego, mas confesso que apesar de darmos 5 estrelas, as crianças não entenderam as piadas. O que nos proporcionou à Dona L. perguntando do que estávamos rindo e adicionando mais charme ainda à sessão cinema. Seu pai C. não compreendendo a história só nos provou que no fundo no fundo ele é uma criançona escondida em sua fachada de pai responsável :)

De papel repassado: Depois de muitos horários marcados e desmarcados, documentos atravessando o Atlântico na mala de Dona D  , e muitos e-mails prontamente respondidos pelo consulado, registramos nosso dia e agora somos casados tanto aqui como em Terra Brasilis. E só temos elogios ao atendimento do consulado. Rápido, eficiente e amigável. Depois disso, mandei o passaporte para ser renovado pelo correio, já com o novo nome – que nós dois adotamos, uma combinação de duas pessoas que se unem – e o processo foi simples, rápido e sem enrolação. Me surpreendeu,  e claro que poderia ser melhorado, mas está a anos-luz da burocracia que conheci em minha vida brasileira e britânica.

Parabéns a vocês: Teve a festa de Dona D, que comemorou no Porterhouse, um bar super badalado em Covent Garden, com direito a música ao vivo. Além de ter dado um abraço apertado pessoalmente nessa pessoa fofa, conheci mais um pessoal super bacana e tomei uma garrafinha da cerveja de morango que é difícil de achar por essas bandas. A aniversariante levou um bolo delicioso pra cantarmos a música do dia, distribuiu sorrisos e simpatia como sempre! Pena que tive que voltar mais cedo por causa do horário do trem…

Também teve a festa do cantor da banda do Mr. W. Uma festa a fantasia, com tema Disney, fomos de heróis Marvel. Eu de viúva negra e ele de Thor. O aniversariante fez cenário (a mesa de bolos era a mesa do Andy do Toy Story) e músicas heavy metal se misturavam aos hinos dos contos de fadas. Voltamos verdadeiramente a ser crianças nessa festa de 40 anos, e desconfio que os donos da casa colocaram uma vassoura atrás da porta para que finalmente fôssemos embora às duas da manhã!

Para fechar o mês, teve a festa de mini-Mr-J, tema monstros com direito a monstrinhos a carater! Fomos ajudar na montagem da decoraçãos, ajudamos na limpeza e servindo bebidas e quitutes e ainda vimos os amigos da turma Mr. W e seus filhotes de lambuja. O local foi excelente, no salão de uma igreja, era espaçoso e a idéia dos pais de colocarem uns brinquedos de chão fizeram os pequenos correrem e se divertirem à beça, sem bagunça e sem stress com barulho! Ficamos um pouco mais conversando no pub depois da festa colocando o papo em dia. Delicinha de dia!

Jantarzinho a dois: Como reconhecimento de um projeto que completei no ano passado, a minha empresa nos pagou um jantar a dois onde escolhêssemos. Fomos no Drake’s , um restaurante com uma estrela Michelin em Ripley, Surrey (um condado adjacente a Londres). Gostamos bastante e está na nossa lista de locais para gastar esses prêmios extras. Vou escrever um post sobre o restaurante em separado – um dia desses  :>

Vivendo e aprendendo: Fiz um curso financiado pela empresa, Fundações de ITIL – Information Technology Infrastructure Library – uma metodologia de como implementar sistemas de TI seguindo a biblioteca de guias criados pelo governo Britânico. Eu já trabalhava com esse sistema, mas achava que era a minha empresa quem o tinha criado. ITIL é muito maior e mais utilizado mundialmente. Foram 5 dias de classes e depois de estudar o domingo inteiro fiz a prova na segunda-feira, a qual passei com orgulho. O curso deixou com cosquinha de aprender mais. O próximo foi o de Transição em Sistemas, na semana passada, e farei o resumo no próximo post de retrospectiva.

Fevereiro:

Bom te ver de novo: A Dona V. voltou de Madrid para uma visita rápida, mas deliciosa, como sempre. Aproveitamos para rever outros amigos, como Dona C. e conhecer seu mini-Mr. L, uma simpatia de bebê e super calminho, se distraindo com os menus e apetrechos da mesa. Fomos no Canteen, um dos meus restaurantes britânicos favoritos, fiquei nas opções light e dividi a sobremesa – torta de maçã – com a anfitriã do encontro, que foi embora rapidinho e deixou saudades, já nos deixando planejando o próximo encontro!

Despedida: Perdi uma tia. Uma doença súbita pegou a todos de surpresa, deixou 3 das minhas primas a continuarem suas jornadas comente com o pai ao lado delas. A distância que o divórcio dela e de meu tio causou só me foi entendida depois de que passei por uma separação eu mesma. Ficaram  remorsos de não ter tentado reatar o contato com ela, mas o fato de ter lhe escrito uma carta anos atrás explicando o quão importante ela foi em minha vida me dá um conforto de saber que ela sabia que era amada por mim. Na carta recordei dos momentos que brincávamos de vôlei no quintal que hoje sei não era tão grande quanto me parecia, mesmo jogo de vôlei em que ela bateu a cabeça pegando a bola do outro lado da muretinha e que nos rendeu boas risadas por anos a virem. As lembranças de quando ela fritava o lambari que meu tio trazia da viagem de pesca, e que nunca comi igual ou melhor. Das batatas fritas que ela fazia quando eu ia dormir lá, das vezes que ela me deixou cuidar da prima bebezinha, e que me fez por anos querer trabalhar em um berçário ou ser professora por gostar tanto de ter esse papel. As lembranças do carteado no Natal, dos dias que passávamos no bar que ela tomava conta e nos dava uns doces, pé de moleques ou doces gibi. Fica a saudade, de quem não pôde estar ao lado das primas para a despedida final, mas daqui fiz minhas meditações, pensei em todas as coisas boas que passamos juntas e ofereci palavras de conforto àqueles que sentirão a dor do vazio da uma mãe, avó, filha e irmã. É uma das partes de viver longe que se esquece quando se pensa que é algo fácil de se fazer e de viver.

Parabéns a você: Nesse mês comemoramos o aniversário de Mr. W. Por Janeiro ter sido tão ocupado vendo a todos e tantos passeios, ele optou por um final de semana tranqüilo, ao sofá e caminhadas. Assistimos muita TV – post separado com filmes e seriados um dia desses   :>  A sombra da partida da minha tia pairou sobre esse dia, mas conseguimos fazer dele um dia especial com muito amor, carinho e ainda maior valorização da importância dessa comemoração, desse ano a mais que passamos juntos, e o primeiro lado a lado como hubby e wifey.

Rir como melhor remédio: No final do mês fomos a um show de “comédia em pé” . Steward Lee é um dos comediantes favoritos de Mr. W e sempre assistimos seus programas de comédia com aquele sarcasmo ácido que somente os Britânicos sabem fazer de uma maneira engraçada. Eu me adaptei ao humor sarcástico e satírico tão forte nessa cultura da Rainha, mas confesso que apesar de chorar de rir em pedaços do show, em outros, me passou meio batido. Já era claro que o show era experimental, uma espécie de teste de piadas para a nova série de TV que virá esse ano, então tudo perdoado! O show foi no glive em Guilford, uma opção mais longe de Londres, mas ótimo para aqueles que escolheram a vida no subúrbio. Com restaurante, estacionamento, e um espaço amplo com bom som e vista do palco, provavelmente voltaremos lá no futuro!

Cuidando das pequenas: O plano era irmos na fazendinha com parquinho aqui perto de casa, mas o clima não colaborou. Mesmo assim a tropa L-M e as Mtws vieram passar o dia conosco. Fizemos sorvete, desenhamos, brincamos de Lego e jogamos monopólio. Enquanto casal L-M dava uma caminhada pelo centro da cidade e almoçavam a dois, levamos as meninas ao parquinho público, com direito a bumbum sujinho e molhado de brincar na grama de chuva e as “tias” que não eram rápidas suficientes para limpar os brinquedos!

Março:

Tarefas de casa: Mr. W levou MYPMYP (meu carro) para fazer o certificado do MOT (Ministry of Transport). Depois dos custos que tivemos o ano passado arrumando uns problemas que estavam acontecendo, MypMyp passou no teste na primeira vez, uma alívio já que muitas vezes carros usados voltam com pedidos de conserto antes de serem aprovados. O teste em si foi super fácil de agendar, com uma mecânica aqui pertinho, em uma hora estava tudo pronto! Com isso na mão, renovei  o seguro – obrigatório por essas bandas – e também paguei o importo de carro (Car Tax), tudo fácil e rápido pela internet!

Jantando fora, mas dentro de outras casas: Finalmente dois convites de “vamos marcar um jantar lá em casa um dia” se tornaram realidade. Primeiro fomos na casa do sócio de Mr. W. Apesar de ser assim aqui em casa, e Mr. W cozinhar 90% do tempo, a supresa ainda é presente quando vejo o marido cozinhando enquanto a esposa entretém os convidados, e foi assim dessa vez, assim como muitas aqui no Reino Unido e Mr. R nos preparou um delicioso curry tailandês com cheesecake de mixirica, seguido do prato de queijos – praxe em jantares britânicos. Comemos bem, bebemos bem, e o papo foi tão excelente que fomos expulsos da casa com muito bom humor à quinze para uma da manhã quando ele lembrou que tinha tinha que acordar para atender ao pedreiro cedinho no dia seguinte.

Também fomos à casa de Miss S. e Miss. L. Conhecemos seus gatunos, assistimos o Cruft (uma espécie de competição para cachorros em que donos exibem seus dotes de treinamento e o quão bonitos os deixam) e Take Me Out (um programa em que um garoto é exibido a solteiras e um casal acaba se escolhendo para sair juntos ver se começam a namorar) mas na verdade a TV ficou só de fundo mesmo. Conversamos por muitas horas, jantamos comida chinesa, e de sobremesa um pudim de chocolate light e delicioso!

A grande tela: Fomos ao cinema, para assistir Memórias (Sturdust Memories) de Woody Allen. Um filme de 1981, a razão de irmos foi outro comediante, Armando Iannucci. Esse trabalha mais como escritor, criador de shows como “Alan Partidge” e “The Thick of It” – talvez eu escreva um post sobre esses programas um dia desses :> A cada mês, o BFI (British Film Institute, Instituto de Filme Britânico, dos quais somos sócios) promove uma apresentação com diretores, atores, escritores e pessoal do ramo para falarem sobre um filme que marcaram suas vidas e foram um momento de inspiração em suas carreiras. O filme é em preto e branco e diferente das comédias tradicionais de Woody Allen. É a história de quem está tentando mudar de foco, mudar de linha de criatividade e acaba sendo criticado por quem se alimenta de seus produtos. Achei bem bacana, mas a introdução do programa e explicação de Armando ajudou entender esse filme surreal, com muitos detalhes para se prestar atenção e quase auto-biográfico.

Cumprindo um direito: A eleição geral está se aproximando e infelizmente estarei viajando no grande dia. Para ter certeza de que minha opinião conte, completei o processo de dar permissão a Mr. W para votar para mim. Peguei o formulário na internet, preenchi com o nome dele, e mandei para a regional. Semana passada foi confirmado que ele agora está autorizado a votar por mim, fácil assim! Aqui voto não é obrigatório, e apesar da minha região ser uma das áreas que mais votam, ainda existem 35% de pessoas que não se importam com o que é decidido com suas vidas e seu país. Eu quero ser parte dos 65% que têm sua voz ouvida e estou decidindo ainda para quem meu voto vai. Vou escrever um post sobre as eleições daqui em separado – um dia desses  :>

Em geral o objectivo de fazer o que quero e não o que devo foi cumprido. O peso começou a baixar novamente e lhes escrevo a 6 quilos de minha meta, mas dentro do índice de massa corporal saudável. Muitas caminhadas, dietas 5-2 e muitas comidinhas gostosas entre um e outro.

E rapidinho Abril chegou. Não tirei muitas fotos, não li blogs, não voltei pro Twitter nem pro Facebook. Mas a vida foi lembrada, celebrada, e sua perda lamentada. No meio de Abril fecho esse capítulo, abrindo mais um, viajando, voltando, vivendo. 

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Feliz 2015!

Uau, por onde começar?
Dois mil e quatorze vai ser um ano difícil de bater. Daqueles que apagam tudo de ruim que aconteceu, e deixam boas marcas na nossa história. Cheio de coisas gostosas, sorrisos compartilhados, desejos realizados. Eu e Mr. W assinamos o papel que trocou nossos nomes em um dia quente de verão, com pingos de chuva pra nos refrescar e rodeados pelas pessoas mais presentes em nossos capítulos.

Mas isso fica para outro dia! Junto com a fila quilométrica de posts para escrever.
Começo o ano de 2015 atrasada, e fora de ordem e daí?
Vou começar com uma das frases que me são entregue todos os dias como inspiração, e será meu sexto mantra.

“Most people are so busy knocking themselves out trying to do everything they think they should do, they never get around to do what they want to do.”
– Kathleen Winsor

” A maioria das pessoas são tão ocupadas se cansando tentando fazer tudo que pensam ser o que deveriam fazer, elas nunca conseguem fazer o que querem fazer “

Recebi em meu email em Novembro do ano passado e como me abriu os olhos! Sou daquelas pessoas que gostam de tudo certinho de tudo como deve ser. Mas pensando mais sobre a frase, também percebi que não existe barreira entre o que quero fazer e o que deveria fazer. Passei, desde Novembro a conciliar os dois e a prestar mais atenção no que eu quero, e a partir desse momento, é o que devo fazer. Simples assim!

E deixei de fazer o que devo, somente porque devo. Me deixando frustrada, me deixando cansada, me deixando infeliz e não realizada. Tem funcionado até agora, e em time que está ganhando não se mexe ;)

O que inclui não ter metas. Não gosto de metas, que no fim do ano me são esquecidas e colocadas na pilha de coisas que falhei fazendo.
O que inclui não ter ordem para posts no blog. Ou ter que ser ativa nas redes sociais. O que me coloca sob pressão de achar mais horas no dia, ou abrir mão do que quero fazer. O que me deixa estressada, e desinteressada em coisas que acontecem na minha vida fora do computador.

O que inclui um monte de coisas que deixaram de ser feitas, e provavelmente muitas mais virão, substituídas por coisas que me deixam feliz, me dão a liberdade de escolher o que, quando e onde fazer.

Incluindo não ter mais regras para meu blog, baseado no que dizem por aí que é o que eu deveria fazer ou deixar de fazer. A começar por esse. Sempre achei que deveria deixar um por assunto, e evitar deixá-lo muito longo.

Pois bem. Quero deixar duas coisas registradas aqui! E o post e texto vai ser longo!
Mas para ajudar a leitura, ainda deixo uma dica :)
Quem não tem tempo ou energia para ler tudo, vá direto ao texto em laranja. Os 5 mantras de Rik Mayall, que adotei para 2015.

Rik Mayall foi um comediante inglês, um dos favoritos de Mr. W, que faleceu no ano passado. Do estilo pastelão e sarcástico, é bem o que chamamos de humor britânico, e não é todo mundo que sacava a dele – para passar um pouco como ele era, deixei o texto completo, para ver mais ainda, clique aqui para ver suas expressões faciais ao discursar.
Em 2008, ele recebeu um doutorado honorário e o texto que me inspirou é a tradução de seu discurso de aceitação do diploma, feita durante a formatura dos graduandos.

Senhoras e senhoras
“Vinte e oito anos atrás, Paul Jackson entrou em uma boate incipiente em Londres chamada Comedy Store e me perguntou se eu gostaria de trabalhar na TV, o que era impressionante na época.
Haviam somente 3 canais, então se você estava na TV, você seria famoso da noite para o dia!
Então eu disse sim , sim, por favor, eu gostaria de estar na televisão e fui até a BBC e lá, no departamento de maquiagem, eu vi a mulher mais linda do Planeta e ela rapidamente se tornou minha amiga, e daí minha melhor amiga, daí minha amante e daí grávida, e daí minha esposa e daí a mãe das minhas 3 crianças.
Então Paul, quero usar essa rara para te agradecer formalmente e publicamente pela minha vida.
E então para a ordem do dia. O doutrado de Rik Mayall.

Senhoras e senhores, isso é extraordinário. É uma honra de tal tamanho. Tal alegria. Tal presente. Tal terrível engano!!

Eu fiz quase todas as coisas em minha vida longa e nojenta, e eu pensei que tinha feito quase tudo disponível a mim, mas eu nunca imaginei em meus sonhos mais impossíveis que algo assim poderia me acontecer.

Eu NÃO sou uma pessoa inteligente, e eu consegui disfarçar esse fato por um longo tempo, e agora vocês laudáveis me pegaram, e aqui estou com todos vocês, CDFs, e sou um homem com nenhuma célula cerebral a mencionar.

Sim, eu passei meus exames em 1967*, e tudo despencou a partir daquele momento. Fui reprovado em 7 Level Os* , fui reprovado meu exame de matemática 3 vezes, e e ganhei um F***-** nos meus ALevels*, F de Falhar, vocês sabem!

Mas mesmo assim, a Universidade de Marchester me admitiu! Baseado em uma entrevista, eles não são do mesmo padrão de vocês claro, eles aceitam qualquer um lá! Mas eu?? D’oh!

Agora, eu não exatamente falhei meu curso em Drama em Machester, eu simplemente não apareci para fazer as provas. Não que eu fosse estúpido demais, mas era bêbado demais e eu estava na cama demais com garotas do curso de Inglês!

Então aqui estou, Rik Mayall, um 11 plus, 3 O Levels e um Doutorado! DOUTOR Rik Myall!

Inacreditável.

Então muito obrigado por sua imaginação e caridade, I-N-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l!

Mas, as celebrações de hoje, não são para mim, são para vocês, que se esforçaram e trabalharam pesado! Agora é hora de começar a aproveitar sua vida. Esqueçam-se sobre Acadêmica. Vocês fizeram seu a parte pesada!

Comecem a celebrar seu sucesso, e a colher suas recompensas!

Comecem a viver suas vidas por COMPLETO!

No mundo lá fora, real, e sensual, e desagradável! Vamos lá!! Está na hora de desfrutar você mesmo!

Mas espere, em troca desta espantosa generosidade da Universidade de Exeter, deixe-me dar a vocês jovens um presente.

5 mantras para carregar contigo em suas vidas. Eles são meus. E eles têm me ajudado não somente a sobreviver, mas a ser feliz. Agora, lembrem-se disso!

1. Todos os homens são iguais! E com isso em mente, ninguém pode ser genuinamente superior a você.
2. SEU futuro. É SEU para criar. E é tão brilhante como você o criar!
3. Mudança é uma constante da vida. Então nunca NUNCA perca sua sabedoria. Sua saberia que você alimentou em seu tempo na universidade.
4. Se você quiser viver uma vida completa e inteiramente humana, você tem que ser LIVRE! Liberdade é soberamente necessária.
5. Amor é a resposta.

Então esse é meu presente a você. Somente tenha certeza que você leve sempre contigo:

Igualdade, Oportunidade, Sabedoria, Liberdade e Amor. E você vai estar ok. Esses 5 e um pouco de sorte! Então boa sorte!

Aproveitem a vocês mesmo, tenham uma FUCKING good life (uma vida boa pra cacete!)

Boa jornada meus jovens amigos, boa jornada!

E como não levar esses 5 mantras não só para 2015, mas para a vida toda? ^:)^

Bom 2015 meus amigos e boa jornada!

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Vê estão chegando as flores – II

Ok, sou a primeira a admitir, esse blog está virando coletivo de propaganda!  :)) Mas o que fazer se é um dos meus passatempos favoritos? Culpa dele e dela, que além  de tudo que já listei de coisas maravilhosas que fizeram por mim e me ensinaram, me viciaram em admirar propaganda, e ao mesmo tempo diferenciar a admiração à criatividade da necessidade do consumismo.  :x

A de hoje, remete a um post que fiz em 2012, sobre as alergias de Londres…

A primavera chega mais uma vez, e com ela os dias de Sol que fazem os brasileiros e estrangeiros e ingleses do tipo-que-sofrem-com -os-dias-curtos-de-inverno pularem de alegria (lembrem-se que não sou uma delas) , se reapaixonarem pela Inglaterra, com seus narcisos-amarelos ( que todo ano falam que saíram antes do tempo ) , seus dias mais compridos…

Mas todo mundo sabe o que primavera quer dizer, não há motivo pra ficar sentimental por causa disso, vim aqui pra mostrar a propaganda desse ano mais bacana até agora.  Quem fez foi a B&Q, uma empresa de materiais de DIY, do-it-yourself faça-você-mesmo, que assim como a Boots no passado, captou direitinho como é que o povo na Inglaterra reage aos primeiros raios de Sol que começam a sair por essas bandas…

A cultura do DIY aqui é enorme, e o pessoal quase não paga pedreiro, pintor, jardineiro, encanador para virem em casa não. Eles arregaçam as mangas e literalmente botam a mão na massa. Somente eletricista foi proibido, e hoje em dia tem que contratar pessoal qualificado para conseguir certificado para vender a casa, por questões de segurança. Engraçado como para artesanto, o costume não é tanto como já foi antigamente, apesar de estar voltando aos poucos com a necessidade da economia.

Não podemos esquecer é claro que nessa época do ano, a churrasqueira sai da shed , a cabana do quintal que guarda as tranqueiras da casa, e fica pra fora, de plantão, esperando o que vai ser aproveitado esse ano.

Então o negócio é usar os meses da Primavera até o meio do Outono pra fazer os serviços que precisam ser feitos em casa (a pintura é a mais comum, porque daí a tinta seca mais rápido, e dá pra abir as janelas pra sair o cheiro!), e aqui vai a propaganda da B&Q que me faz sorrir toda vez que eu vejo “porque é bem assim meeeeeeesmo”  B-)

A música canta “Eu tenho o poder”

Na última piadinha, o homem coloca a roupinha do Morris Dancers, uma dança típica da Inglaterra  :)

Depois dessa propaganda, vieram mais dois curtinhas, que me abrem o sorriso :



E se eu falar que estamos planejando fazer jardinagem aqui nesse finde, fica muito clichê?  :>

Também planejamos uma Spring Cleaning, a limpeza de primavera, costume de abrir os armários, levar as roupas que não usamos mais pras lojinhas de caridade, subir no sotão tirar as coisas que não se querem mais, e fazer aquela limpezona de coisas que estão ocupando espaço na casa, na mente e na vida.

E como não falar na Páscoa? Que sua vida seja recheada com aquela sensação de ano novo, vida nova. Que você esteja rodeada(o) por aqueles(las) que te amam e você ama.

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Hiberna-não

Sabe quando eu falo que assistir comercial feito no Brasil me dá aquele friozinho na barriga e calorzinho no coração?
Às vezes isso acontece quando vejo um filme, ou comercial que tem a Inglaterra também.
É, pelo jeito o coração dividiu entre os dois países pra valer agora.

E esse final de semana nos deparamos com o novo comercial da Land Rover. Que descreve exatamente porque eu adoro o clima daqui. Mesmo na chuva, no frio, na neve. Dá arrepio toda vez que eu vejo, e não é de frio não ;)

Acho que tem muito a ver com a quantidade de tempo que passamos com o tempo considerado “ruim” sabe? Temos que achar o que fazer pra aproveitar a vida e não ficarmos entocados em casa. O comercial tocou bem nesse ponto, não é porque está frio/chovendo que temos que ficar tristonhos, desanimados ou sem programa pra se divertir!

E um exemplo disso é que decidimos voltar a correr logo depois do ano novo, pico do inverno, e nossa época favorita para correr. Ventinho gelado no rosto, chuvinha nos fazendo sentir vivos.

Hibernação? Hibernar-não!

httpv://www.youtube.com/watch?v=5qmMo9mDgOs

Mr. W me explicou que a frase no final
“Enjoy this grey and pleasant land” – “Aproveite essa terra cinza e encantadora”
é um trocadilho na frase oficial do poema “Jerusalem” de William Blake:
“Enjoy this green and pleasant land” – “Aproveite essa terra verde e encantadora”.

E realmente essa uma terra verde e encantadora.
Infelizmente, esse ano não nevou ainda e a chuva tem pegado pesado, causando muitas perdas de propriedades e infelizmente algumas perdas de vida. Mas isso parece ser inevitável em qualquer lugar desse planeta, e aqui aprendemos a ser calmos, lidar com o que vem pela frente, usar o seguro da casa, lidar com locais que normalmente alagam, e nos preparar para o que vem.

Então os dias têm sido mais cinza do que verdes. Mesmo que com dias de Sol e lindos límpidos céus azuis entre eles.

Nessa terra que ainda é verde e encantadora. Mesmo que os céus estejam cinza. Pelo menos nesse cantinho dela aqui no Sudeste :)

Ainda sobre Jerusalem, o poema foi transformado em música por Sir Hubert Parry em 1916 e tocado pela primeira vez em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial em um concerto entitulado “Fight for Right” – “Lute pelo certo” e muitas pessoas ainda pedem que o hino “God Save the Queen” – “Deus preserve a Rainha” seja substituído por ela.

httpv://www.youtube.com/watch?v=lOFHVXE6yWs

“And did those feet in ancient time
E aqueles pés nos tempos remotos
Walk upon England’s mountains green?
Andaram pelos verdes das montanhas da Inglaterra?
And was the holy Lamb of God,
E foi o Cordeiro santo de Deus
On England’s pleasant pastures seen?
Visto nos pastos encantadores da Inglaterra?

And did the Countenance Divine
E o Semblante Divino
Shine forth upon our clouded hills?
Brilhou adiante sobre nossos morros nublados?
And was Jerusalem builded here
E foi Jerusalem construída aqui
Among these dark satanic mills?
No meio desses moinhos escuros diabólicos?*

Bring me my bow of burning gold;
Traga-me meu arco de ouro ardente
Bring me my arrows of desire;
Traga-me minhas flechas de desejo
Bring me my spear; O clouds, unfold!
Traga-me minha lança; Oh nuvens, revelem-se
Bring me my chariot of fire!
Traga-me minha carruagem de fogo!

I will not cease from mental fight,
Não recusarei a Luta Mental**
Nor shall my sword sleep in my hand,
Nem minha espada dormirá em minha mão
Till we have built Jerusalem
Até termos construído Jerusalem
In England’s green and pleasant land.”
Nas terras verdes e encantadoras da Inglaterra

*Os moinhos escuros e diabólicos é uma referência ao poema de Blake, que descreve as condições exploradoras e cheias de fumaça dos moinhos das fábricas da revolução industrial, que começou aqui, sabia?

** A Luta Mental (de acordo com análises na internet) é uma referência a ações sociais, e lutas até que Jerusalém, a utopia da terra prometida, seja contruída, aqui na Inglaterra. Engraçado como realmente é uma das coisas que me chamam a atenção por aqui, mas isso pe assunto para outro post… ;)

Que seja então essa terra verde, cinza e encantadora!

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Terra Brazilis x Terra da Rainha: Natal

Ao recomeçar a troca de emails com uma das melhores amigas, surgiu a pergunta do que eu considero ser Natalino e Ano Novo brasileiro e britânico. E por que não escrever no blog?

Aproveitando que ainda está pertinho das comemorações, e a novela aqui só começou tirar as decorações do cenário agora, vou usar a desculpa pra escrever sobre isso antes que fique tarde demais e se passe mais um ano que não toquei no assunto.

Começando pelo Natal Brasileiro, acho que a primeira coisa que me vem à cabeça é a bagunça. Crianças por todos os lados, incluindo minha época de infância, quando éramos mais de 15 primos esperando Papai Noel chegar ou deixar os presentes enquanto alguns adultos nos levava pra algum outro canto. Também tem que ter conversas cruzadas, falatório alto, gargalhadas, piadas, jogos com cartas e brincadeiras com os pequenos.
De comida, sempre tem o leitão , que meu tio fazia incomparável, na pururuca, e o cheirinho de tempero que me transporta pra mesa grande da Vó Lazinha, com tias preparando a farofa, maionese de batata e arroz branco. Ainda não teve um Natal Brasileiro que eu tenha perdido panetone e pudim de doce de leite de sobremesa. Teve o ano que a Tia Jane fez sorvete de leite moça com calda de chocolate e desde então, uma das tias tinha que fazer isso também, senão tinha reclamação!
Tem muita luz nas casas por todos os lados, competição de qual é a rua mais bonita e fila de carros pras vizinhanças mais iluminadas.
Sempre abrimos os presentes na virada do dia 24 de Dezembro ao dia 25 de Dezembro e me lembro do ano que fomos à missa do galo, mas o costume é mais de deixar a TV ligada com a missa enquanto todo mundo está fazendo outra coisa.
De uma forma ou de outra, mesmo depois de virar gente grande, a tradição continuou, e minha mãe e maninha sempre fazem algo nas mesmas linhas. A quantidade de criança é menor, mas a essência do Natal está sempre presente e é sempre a mesma lá em casa.

No Natal Britânico, as coisas são mais tranquilas. Pra começar não tem criança nem conversas cruzadas. Tudo é mais calmo e tranqüilo.
Quando ficamos por aqui, passamos com os pais de Mr. W, e somos mimados até não poder mais. Ganhamos uma montanha de presentes, e Dona W. começa a preparar os petiscos assim que chegamos. Esse ano fomos pra lá no dia 23 depois do dia de serviço, e ficamos até o dia 28, quando voltamos pra casa pra passar o Ano Novo.
Ela fez o que é típico e não pode faltar no Natal da família W:

Mince Pie: Traduzindo literalmente, quer dizer “Torta Moída”. Apesar de pegar uns estrangeiros desprecavidos achando que é de carne moída (eu também caí na pegadinha quando me mudei pra cá) ela na verdade é uma torta de frutas moídas, de massa que esfarela – me lembra um pouco a massa de empada, só que doce – com recheio de frutas secas, maçã, sebo (a gordura ao redor do lombo ou rim da vaca/boi ou do carneiro/ovelha), frutas cristalizadas, açúcar mascavo, canela e tempero misto. O recheio da futura sogra é feito semanas ou meses antes, e fica curtindo em conhaque em um pote, pronto pra entrar na torta só antes de ser assada. Não sou uma grande fã, mas como um pouco das de Mrs. W, morna e com creme de leite pra deixar mais úmida e misturar com o recheio, fica perfeita!

Não tem igual a da Mrs W. 
Foto: BBCGoodFood

Christmas Pudding: Traduzindo literalmente, quer dizer “Sobremesa de Natal”. Ele é meio que feito com os mesmos ingredientes do Mince Pie, com umas mínimas diferenças, como pão esfarelado. O bolo/pudim é cozido no vapor e no dia de Natal, se coloca fogo nele pra terminar e formar a casquinha. Eu acho o gosto meio amargo, mas com creme de leite fica perfeito e nunca faltou em  Natais Britânicos com Mr.W. Olha o vídeo do fogo aí embaixo :)

httpv://www.youtube.com/watch?v=_iQFto-sOnQ

Batatas assadas na gordura do ganso/pato: Agora isso sim é um favorito meu. Enquanto a ave que será servida no Natal está assando – por horas, aliás – eles vão coletando a “gordura” que sai dela, ou seja, aquele óleo que fica na base da bandeja. Um dos usos que eles fazem, é colocar nas batatas para assar, deixando com uma casquinha crocante enquanto a batata fica fofinha dentro. Apesar de ter dó do bichinho que nasceu e morreu pra gente, pelo menos nada é desperdiçado. Até os ossos são usados pra fazer o caldo que é guardado, junto com a gordura, para receitas do ano inteiro. Se um dia me fizerem um Natal sem essas batatas, eu reclamo no Procon ;)

Goose or Duck fat roasted potatoes
Foto: Channel 4 Food

Linguiça e Bacon: Isso é o que não pode faltar para Mr. W, apesar de já ter sido um favorito meu também, como eu meio que parei de comer carne de porco, também diminuí meu consumo durante o Natal. A ideia é enrolar o bacon na linguiça, o famoso “pigs in a blanket” – porcos em um cobertor – mas na casa dos W. a matriarca não perde tempo enrolando mais, e assa as linguiças e bacon (enrolado) separados e cada um pega o que quer, na quantidade que quer.

Pings in a blanket
Foto: Channel 4 Food

Agora, uma coisa que não pode faltar, mas não é de maneira nenhuma comum, é o pudim de Mr. W., chamado Blamange, é um pudim de maisena com sabor, normalmente morango ou framboesa. Como Mr. W não gosta de nenhuma das sobremesas de Natal, ele acaba fazendo o pudim, e assim foi acostumado desde pequeno, virou tradição!

Normalmente o nosso é na forma de Papai Noel
Foto: Eagles Forum

As luzes de Natal são bem menos em quantidade, mas esse ano até que vi bastante e o pessoal tem começado a se empolgar mais. Muitas pessoas aqui não são cristãs, então é apenas natural que algumas casas não tenham decoração ;) Outras diferenças são que nós só podemos abrir presentes no dia 25, não acontece muita coisa na noite do dia 24, às vezes vamos ver o pessoal cantar músicas de Natal na praça, mas normalmente está chovendo então ficamos vendo TV e conversando com o povo no Brasil pelo Skype. Futura Sogra faz um jantar especialzinho, mas mais porque brasileiros comemoram na noite do dia 24 e ela não quer que passe desapercebido pra mim. Esse ano foi salmão na massa folhada, com legumes.

Salmon in Filo Pastry
Foto: Ocado

Dia 25, acordamos com as meias do Papai Noel cheias de presentes que seriam os presentes “menores” e abrimos antes do almoço. Daí chega a hora da comilança, e dependendo de quando o banquete vai ficar pronto, abrimos os presentes antes ou depois. O panetone (por minha causa também) foi transportado para o café da manhã e sempre comemos um pedaço por dia com o chá inglês ou café com leite.

Nós levamos todos os presentes da sala de jantar para a sala de estar fezendo montes no lugar onde cada um está sentado. E abrimos um de cada vez, mas meio que ao mesmo tempo.

A partir daí, é mais comilança de petiscos – todos reaproveitando os restos da ceia, nada novo é comprado ou começado – e chocolates (normalmente um dos nossos presentes pra eles) e muita TV e conversinha.

Dia 26 é feriado, o famoso boxing day! Que explicarei o que é, junto com como come-moramos o Ano Novo no próximo post.

Espero que tenha matado um pouco da curiosidade   /:)

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O Natal vem vindo, vem vindo o Natal…

E pra comemorar, Mr. W sugeriu darmos um pulinho em Cobham pra almoçarmos e vermos as lojinhas independentes do local.
Cobham hoje em dia é um vilarejo do condado de Surrey e onde fica o campo de concentração centro de treinamento do Chelsea (valeu pai!). Mr. W até explicou que houveram reclamações quando Chelsea se instalou por lá, os moradores diziam que tornou a vizinhança comum e empobrecida por trazer muitas pessoas para o local.

Acho que na verdade isso que ajudou Cobham a se manter charmosinha, com suas lojinhas e restaurantes independentes e autênticos. Muitos vilarejos sucumbiram à lojas de rede ou caridade e pubs fecharam ou foram vendidos a grandes companhias, perdendo suas identidades (assunto pta outro dia…).

Então lá fomos nós. Pra falar a verdade achei uma delícia fazer compras lá. Achamos um monte de coisinhas fofas e não muito caras para os presentes de Natal, e longe do fuá de shopping centers e centro de cidades, passamos 3 horas passeando e nem vimos o tempo passar, só percebemos quando o escurinho das 4 da tarde já estava chegando.

E assim foi o nosso último Sábado:

 

Lareira charmosa, cores suaves e ripas de madeira no teto. Como não gostar?

 

Quem nos conhece sabe que não somos muito fãs de pular da cama logo de manhã, então acordamos a tempo de nos embelezarmos e irmos para o almoço. Mr. W tinha visto na revista do condado (11 anos depois e ainda soa estranho falar que moramos em um ‘condado’   :)) ) que assinamos sobre o pub-restaurante “Old Bear” e eu conferi que eles tinham entrado na lista de recomendações do respeitável “Good Food” então marcamos uma reserva para meio-dia e meia.

O pub fica bem na entrada da cidade pelo caminho que fizemos, bem de frente para o Cobham Park, e apesar de ser uma boa pedida, deixamos o parque pra uma próxima vez.

Chegamos uns 10 minutos adiantados, mas o pessoal já nos levou à nossa mesa, que estava pronta com os menus. Como a gente já tinha babado nos menus pela internet, sabíamos mais ou menos o que iríamos pedir.

Mudança pode ser para melhor!!

Mas quando chegamos e vimos o menu de Natal, mudamos de idéia. Minha entrada mudou de queijo de cabra à milanesa para polvo à milanesa (mesma coisa que Mr. W pediu). Meu prato principal mudou de frango à milanesa para nhoque de abóbora com queijo de cabra e uma porção de salada de rúcula com parmesão. Mr. W – sem nenhuma surpresa – continuou com seu hambúrguer e batatas fritas.

O nhoque, apesar de não passar muito o sabor da abóbora estava di-vi-no. Foi o único nhoque que comi aqui que fez jus ao que minha vó L. fazia e minha mãe ainda faz. O molho de salada que eles fazem à mão estava muito gostoso e complementou o prato perfeitamente.

O hambúrguer de Mr. W veio duplo, a explicação sendo que a entrega foi feita errada, de tamanhos menores que o normal então eles estavam duplicando a quantidade para os clientes. Estava uma delícia também e confesso que roubei umas batatinhas com alecrim e sal grosso e foi difícil me controlar pra não pedir uma porção só pra mim.

E já que estávamos lá mesmo, decidimos pedir sobremesas.

Até o azeite era charmoso, com lavanda e pimenta pra dar um sabor diferente!

Mas também teve mudança de idéia nessa hora. Mr. W ia pedir a sobremesa de chocolate, mas mudou pra torta de nóz-pecã. Eu – sem nenhuma surpresa –  pedi o sunday de banoffee (banana + caramelo/tofee).

Estava tão distraída e relaxada, que nem percebi que o sunday gigante que trouxeram era o de chocolate!  @-) Estava esperando a banana aparecer no fim do copo! Depois que tinha comido quase metade, veio o gerente do restaurante, pedindo mil perdões e trazendo a sobremesa certa. Depois de muuuito resistir e dele muito insistir ;) ficamos com os dois sundays. Mudei de copo e ataquei minha sobremesa favorita.

Infelizmente não conseguimos terminar nenhum dos dois sundays nem a dois. Por mais que tentamos, não estamos mais acostumados a comer tanto assim e tivemos que deixar sobra. Mas deixamos com dó. As 3 sobremesas foram deliciosas.

O preço total (com refris)  ficou em £52. O que para duas pessoas, menu de 3 pratos, por aqui é bem em conta.

De lá, fomos fazer a digestão passeando pela cidade:

Sempre tem um escondido em algum canto…

Cobham tem um centro pequenino, de uma rua só, mas muito bem cuidado. As pessoas são simpáticas, sorridentes, e sem a pressa e cara fechadas tão fáceis de encontrar por aqui em um dia de final do Outono.

Paramos em uma joalheria – que tinha que apertar a campainha pra abrirem a porta pessoalmente – para trocar bateria de uns relógios de Mr. W. Apesar de eu ficar meio suspeita achando que cobrariam o olho da cara e as calças das pernas, a surpresa foi quando cobraram £15, mesmo preço que teriam cobrado no shopping. E fariam o serviço em 30 minutos. Deixamos os relógios lá e fomos continuar o passeio…

Ainda se fazem lojas de livros como antigamente!

Primeira parada: Cobham Bookstore. Mr. W simplesmente adora entrar em lojas de livro independentes. Desde que o conheci, meio que peguei gosto pela coisa também, e claro não podíamos deixar essa passar. Muito fofoleta, adorei ver pessoas dentro da loja, e compramos dois livros. Um de jardinagem, “O que plantar quando” e o novo de Terry Pratchett “Raising Steam“, que comprei como presente de Natal pra Mr. W.

Soldados de chumbo são um ponto fraco meu…

Próxima à livraria, não resistimos a “Art of Living” . Bugiganga é outra coisa que temos pouca resistência à tentação. Compramos um moedor de alho de rodinha, uns presentinhos pros sobrinhos, e um pilão com tigela que sentimos falta outro dia.

Passamos em frente à uma loja de brinquedos independente (mais raridade que livraria hoje em dia) e apesar de não comprarmos nada dessa vez, tive que registrar o soldadinho de chumbo – sim em mais de um ângulo – e seu amigo Mr. Playmobil.

A rainha com fitinha no cabelo e vendendo conserva de tomate. Não tem preço.

Infelizmente a doceria/padaria do vilarejo estava fechada. Mas como não parar para admirar a tradicional casinha de Natal feita de gengibre?

A bandinha de voluntários estava tocando músicas de Natal para arrecadar dinheiro para uma caridade que cuida de crianças. Click, e £1 pela simpatia do senhor que fez tchau pra câmera sem eu nem perceber e arrancando um sorriso da fotógrafa depois que a foto já tinha sido batida.

Cobham também é história!

Ao passar pela bandinha vi a placa explicando que Cobham estava na “Trilha de escavadores”. Um movimento que começou no condado de Surrey em 1649, 2 meses da execução do Rei Carlos I. Os escavadores cavocavam a terra para fazer adubo da terra comum, e o faziam para cultivar comida e para mostrar que todos tinham direito a desfrutar a Terra e seus frutos. Eles acreditavam que a batalha contra a pobreza, fome e opressão poderia ser ganha se a Terra fôsse usada como “Tesouro Comunitário para todos”. Quero visitar o museu dos escavadores, e quando assim o fizer volto para contar mais sobre sua história.

Na Lemon Tree, compramos velas (que acendemos quando assistimos filmes) para deixar a casa com cheirinho de Natal.

Jack Snowmen (Joãozinho Homem-de-Neve) roubou o show.

Fechamos o passeio na Maison Blanc. Criada pelo renomado chef Raymond Blanc, é uma doceria para os olhos e a barriga. Nos seguramos e compramos somente Jack Snowmen (cupcakes, o famoso bebezinho com cobertura de chantilly grosso) e macarons. Os Jacks estavam uma delícia bem macio, úmido e o cachecol é uma sobremesa à parte! Nomnomnom =P~

Guardamos os macarons pra comer no dia seguinte e não sei se foi porque deixamos fora da geladeira, mas apesar de saborosos, estavam secos e a consitência meio errada.

Concluindo, valeu a pena ter ido a Cobham e com certeza voltaremos!

Uma coisa que vale a pena mencionar, achamos muito bacana o sábado “Compre pequeno” que a American Express fez para promover compras em lojinhas independentes. A cada £10 iniciais que gastamos, ganhamos £5 de volta em crédito. Acho que fizemos £15 de volta então os docinhos da Maison Blanc saíram de graça, o que os deixa ainda mais gostosos!

No domingo decoramos a casa e acendemos as luzes de Natal, amanhã tem jantar de Natal na casa de uns amigos (alguns que não vemos fazem uns 6 meses!) e depois partimos para Sóton passar o Natal sendo mimados e engordados pela sogritcha até voltarmos para o Ano Novo.

Ah! Sem deixar de promover as caridades que ajudamos esse Natal: Crisis: Como fazemos todos os anos, compramos dois lugares para ceias de Natal a pessoas que não têm onde morar, e doei dinheiro para a British Red Cross, que teve que voltar a ajudar pessoas abaixo da linha da pobreza no Reino Unido.

Então fica aqui meu desejo de um ótimo Natal cheio de boas novas, saúde, muito amor e paz para todos.

Que o sentimento que aquece nossos corações nessa época toque seus lares e todos ao seu redor.

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Um elo mais que especial

Tô mais pra fairly odd parent (uma madrinha mais ou menos estranha) do que pra godparent (madrinha)

Lembram-se que eu disse em Maio eu havia ganho dois super presentes de aniversário?

Pois sim, um deles foi o convite para ser madrinha da filha da Q., minha melhor amiga aqui na Inglaterra. Pra quem não sabe ainda, já tenho uma sobrinha-afilhada fofa, Dona G., hoje com 7 anos, filha do meu irmão.

Particularmente, eu adoro ser madrinha. Mimo, fico brava, brinco, levo passear e às vezes até dou pitaco na educação, claro que sem me envolver muito e meio de longe, até porque nem tenho filhos então quem sou eu pra me intrometer?

Adoro ser chamada de madrinha e de tentar criar esse vínculo com minhas afilhadas, de tentar criar essa amizade, essa coisa especial! Sempre lembro que percebia a diferença entre a minha madrinha (que é a minha avó materna) que é a “Dinda” da família inteira, mesmo de quem não era afilhado! Sempre me senti um pouco excluída do vínculo de ela ser minha madrinha (olha a síndrome do filho do meio aí gente :-" ) e eu tento fazer essa diferenciação com dona G., e vou tentar o mesmo com Dona B.!

Mas muito mais que isso, também faz parte do pacote os compadres e as comadres. O fato de ter sido escolhida tanto pelo meu irmão quanto por Q. me faz sentir tão querida, tão amada. Um reconhecimento de que sou admirada, e confiada um papel especial na vida de seus filhos, seus bens mais preciosos. E que elogio ou gesto melhor e mais grandioso do que esse pode se esperar de um irmão, ou ainda mais raro, de um amigo? Acho que  mais que a benção e os pedidos e promessas que fazemos na igreja, o voto de confiança de que estaremos presentes em suas vidas para sempre, e com uma influência positiva, é que torna esse momento e o resto de nossas vidas tão especiais.

Mantendo um pouco dessa comparação de vida lá e cá, como não comparar como foram os batizados, e também como são os meus relacionamentos com essas pessoinhas especiais?

Como foi e tem sido com Dona G: O batizado de Dona G foi na igreja Luterana. Uma filosofia que eu admiro muito e se seguisse alguma, seria a minha escolhida. Já foi depois de ter vindo pra cá, e precisávamos de algo sem a complicação de cursos, de ter que ir na igreja X vezes mas com a validade de que ela receberia a benção e seríamos os padrinhos oficiais. A igreja era pequena mas estava cheia, era um Domingo de culto lindo, com Sol, e alguns amigos dos compadres compareceram para a ocasião especial. Dona G. não chorou (que eu me lembro) mas cantou! Ela cantou durante o culto, até em momentos de silêncio. O culto foi super bonito com as palavras do Pastor Ernani que aqueceram nossos corações. De lá fomos todo mundo (se não me engano umas 20 pessoas) pra churrascaria comemorar, trocar presentes e tirar muitas fotos.
Dona G. demorou um pouco pra me chamar de madrinha e confesso que foi meio “imposto”, e ainda é. A proximidade do diminutivo nome da minha irmã com Madrinha, a confundia um pouco e era mais fácil chamar de Tia Lelei. Mas a gente faz questão do Madrinha, mesmo que às vezes ela queira trocar de novo, hoje em dia ela vem gritando quando me ouve no telefone “Madrinha, madrinha!” e eu confesso que adoro. Temos uma amizade gostosa, ela me conta coisas da escola, do Kumon, dos passeios. Desabafa segredos que a vó não pode escutar e brinca de desenhar e fazer lição de casa juntas pelo Skype sempre que a vó deixa. Infelizmente o padrinho meio que se perdeu na multidão, mas com certeza a perda é dele. Dona G é uma menina sapeca, inteligentíssima, que é detesta que lhe penteiem o cabelo (assim como a madrinha) e tenho muito orgulho de tê-la como minha afilhada.

Como foi e tem sido com Dona B Já Dona B. foi batizada na CoB (Church of England) que é a Igreja Anglicana. Compadre não queria igreja que não fôsse “Oficial” então lá fomos nós. O horário foi reservado somente para o batizado e compadres decidiram que somente os avós paternos e os padrinhos seriam convidados. A Igreja era média em tamanho mas a enchemos com o amor que todos sentíamos por B. Algumas pessoas da comunidade chegaram um pouquinho depois que a cerimônia – realizada por uma vigária – começou. Dona L., irmã mais velha de B. se divertiu correndo pelos corredores da igreja, por mais que a vó tentasse ensinar que era falta de respeito. Eu quase “roubei” B. da cerimônia, quando na hora de acender a vela que faz parte do ritual, a levei longe para tentar fazê-la dormir. Mas a vela foi acendida por L. e os compadres, e tudo foi curtinho mas muito significativo. O batizado não é cobrado, mas os pais fazem uma doação para a ingreja, que vai no envelopinho e sem ninguém saber quanto foi.
De lá fomos pra “Carvery” que é tipo um pub-restaurante onde fazem carnes assadas (tinha frango, gamão, e carne de vaca) e buffet de molhos, saladas e legumes à vontade. Nos empanturramos, comemos o bolo (que eu como madrinha comprei e decorei) e os padrinhos pagaram a conta antes de uns minutos no parquinho brincando com L. e colocando a conversa em dia com os compadres. Fomos embora com sorrisão de orelha a orelha. E agora Padrinho compra presentinhos pra B. dizendo que “tem que colocar mais esforço, porque afinal ela é a afilhada né?”.

Dois dias em minha vida que nunca esquecerei, levarei pre sempre comigo. Onde quer que minhas afilhadas estejam, espero estar com elas, pra o que der e vier, precisarem e quiserem. E serei sempre grata aos compadres que me escolheram para receber esse presentão tão lindo.

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Seriam os ingleses anti-sociais?

Importante ter amigos…

Já faz um tempo que não escrevo sobre a vida na Inglaterra, então vou escrever sobre algo que prometi lá em 2011, no finzinho do post sobre pessoas introvertidas, quando disse que escreveria sobre o mito de que os brtitânicos são frios e anti-sociais.

Preciso começar explicando que essa é a minha experiência e que de forma alguma eu pretendo generalizar todos os britânicos.

Depois de 10 anos nesse país, percebi que na verdade de frio, os britânicos com os quais eu lidei,  não têm nada. Mas a personalidade deles é mais introvertida. Ou seja, eles não vão invadir o seu espaço, a sua privacidade, os seus horários.

Mas conheço britânicos extrovertidos (na maioria escoceses) e britânicos que fizeram amizades com seus vizinhos, com pessoas que conheceram durante as férias, ou que trabalharam juntos.

O que existe é uma resistência de ser como – a maioria dos – brasileiros. Aquela coisa livre e que pode ser muito boa de fazer churrasco em cima da hora, de chegar 3 horas atrasado, de ligar qualquer hora do dia ou da noite pra conversar. De fazer festa no meio da rua e de que qualquer desculpa é boa pra uma bagunça.

O maior aspecto é que mesmo quando se faz amigos, as amizades são diferentes. Não existem muitos livros abertos. Os britânicos reservam seus problemas, suas neuras, seus segredos para um grupo seleto de pessoas, ou somente para eles mesmos. Não existe muito chororô ou reclamação. Os encontros são para falar de coisas interessantes, felizes, positivas e colocar a conversa em dia. O que está acontecendo em nossas vidas, quais são nossos planos, o que mudou desde que nos vimos da última vez.

Rola muito álcool. Muito vinho, muita cerveja, muita coca-cola com vodka e muita cidra. Mas de novo, existem os alcoólatras, os que sabem beber, e os que não bebem nem uma gota. Muitos bebem para soltar a inibição, e se socializarem sem vergonha. E todos, na maioria das vezes, e na minha experiência, se entendem.

Agora um dos pontos que muitos brasileiros estranham quando chegam aqui é o fato da dificuldade de se conhecer e fazer amigos. Para ser sincera eu não consigo identificar se é um problema porque quando a gente vem para cá, já somos adultos e todo mundo já tem suas amizades formadas (pesssoal que mora no Brasil ou em outros lugares no mundo, como é fazer novos amigos por aí?) , ou se é porque nos identificamos melhor com outros brasileiros e o grupinho acaba sendo o mesmo. Tenho exemplos de uma amiga inglesa que fiz onde trabalhei, e uma vizinha inglesa com a qual tentei criar um vínculo e que acabou não firmando. O restante dos amigos vieram da bagagem de Mr. W, ou são estrangeiros.

No meu exemplo também, por ser introvertida, não sou de precisar ou querer muitos amigos. Sempre fui de poucos amigos, aqueles de novo, que sabem todos os meus segredos e perturbações. Gosto de coleguinhas, que fazem um papel essencial de trocar notícias, opiniões, conselhos, de elevar a auto-estima por nos fazer sentir queridos.

A verdade é que o fato de onde uma pessoa vem não vai facilitar fazer essas amizades. Só porque alguém é brasileiro, não quer dizer que o entrosamento vai acontecer. Tenho muitos exemplos em que não rolou. Só porque alguém é britânico, não quer dizer que vão ser antipáticos, frios e distantes. Tenho muitos exemplos de pessoas queridíssimas que são britânicas.

Mas provavelmente vai querer dizer que para conhecê-los você vai precisar de um ambiente (trabalho, vizinhança, academia, escola, parceiro) e para encontrá-los você vai precisar umas boas semanas de antecedência, e quando se encontrarem, a conversa não será muito de íntimo pessoal, o que cá entre nós, brasileiro vive falando pra cada um cuidar dos seus problemas, não é o ideal?  :-bd

 

Então fica registrada aqui a minha opinião. O britânico pode ser percebido como frio e distante por não serem tão calorosos e próximos como brasileiros podem ser. Mas isso seria mais um ponto de vista, uma percepção e que se você vier para cá, pode causar um choque. De não ter pessoas estranhas conversando com você, de narizes enfiados em jornais e telefones quando você estiver no trem ou no metrô. De caras fechadas cruzando a sua andando na rua. Mas se a sua experiência for a mesma que a minha, com o tempo você vai ver que é uma questão de adaptação e de ajustes. De ter que suar pra conseguir fazer amizades e coleguismos darem certo. E que com o tempo fica difícil manter o sorriso com o tempo cinzenta e ventinho frio soprando no rosto (incrível como o clima muda a fisionomia do pessoal aqui nessa terra) e quando voltar pro Brasil o que vai te chocar é como os brasileiros têm se tornado cada vez mais como a percepção que temos dos ingleses.

Notinha: Para esclarecer um mal entendido que pode acontecer quando usando a língua inglesa, o “anti-social” na verdade aqui é traduzido como bardeneiro e maloqueiro. São pessoas que causam uma problema para sociedade e daí vem o anti-social. Pessoas que  que arrumam brigas, que ouvem música muito alta, que andam de moto onde não deveriam, etc. Essas pessoas podem receber uma A.S.B.O (anti-social behaviour order – ordem pública de comportamento anti-social) e serem proibidas de freqüentar certos locais, de terem rádio dentro de casa, ou até de serem expulsas de onde moram.

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