52 objetos – 2a. Semana – Folhinha

 

Ok, o de hoje é meio trapaceado, por mostrar 3 objetos, mas como eles ficam juntos, será que vale colocar na mesma foto/post?  ;))

O que são? Folhinha, Barco a vela, Prendedor

De onde vieram? Folhinha: do shopping aqui da cidade, eles montam uma banca todo Natal pra começar a vender um monte de folhinhas para o ano que vai chegar. Esse ano compramos na promoção depois do Natal. Barco: Ilha bela, compramos na viagem do ano passado. Prendedor: Senão me engano, veio do Tesco (supermercado).

Onde ficam? Na cozinha, do lado da janela.

Porque foram escolhidos? (Ao ler post da Helo explicando o projeto, vi que deveria explicar porque foi escolhido pra tirar foto, mas vou fazer uma mistura no texto entre esse tópico e o próximo, pra deixar mais completo, e pra escrever mais  :> ) Folhinha: Escolhida porque gostamos muito do Banksi. Não só de suas grafites, mas uma vez assistimos uma programação feita por ele e gostamos muito do que ele quis passar para o povo. Fomos pra Bristol – a cidade em que ele nasceu – uma vez e fizemos o roteiro baseado nos seus  grafites (que preciso colocar no blog) e a folhinha nos lembra daqueles dias. Barco: Escolhemos porque Mr. W cresceu junto a um rio, e na adolescência e infância cresceu velejando e em barcos. além de acharmos bonitinho e uma lembrança da viagem, claro! Prendedor: Escolhi porque é colorido, e de plástico. Eles vendem um de pressão aqui também mas peguei esse que é parecido com o brasileiro!

Algo mais a dizer sobre o objeto? Escolhi tirar a foto porque lá se foi a primeira semana de Janeiro (como estão as resoluções por aí?  :P ) Não acho que haja mais temporário em decoração de casa do que folhinha-calendário. É nela que dá pra ver direitinho o passado, presente e futuro. Todos os dias. Tinha que registrar essa, e vou tentar lembrar de mostrar qual a imagem todos os meses. Acabei rabiscando onde é o final de semana, porque a folhinha do ano passado (da nossa viagem à Nova Inglaterra, que tb preciso colocar no blog) tinha uma configuração diferente, de Domingo a Sábado, e estava me deixando confusa! O barco na verdade era um imã de geladeira, mas o imã caiu, quebrou e colocamos com a folhinha pra continuarmos usando. Talvez volte a ser imã um dia, quem sabe? O predendor prende o barco, a folhinha e a lista de compras! Também servia para deixar a folhinha antinga aberta, que era muito grossa para o gancho na parede.

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Terra Brazilis x Terra da Rainha: Natal

Ao recomeçar a troca de emails com uma das melhores amigas, surgiu a pergunta do que eu considero ser Natalino e Ano Novo brasileiro e britânico. E por que não escrever no blog?

Aproveitando que ainda está pertinho das comemorações, e a novela aqui só começou tirar as decorações do cenário agora, vou usar a desculpa pra escrever sobre isso antes que fique tarde demais e se passe mais um ano que não toquei no assunto.

Começando pelo Natal Brasileiro, acho que a primeira coisa que me vem à cabeça é a bagunça. Crianças por todos os lados, incluindo minha época de infância, quando éramos mais de 15 primos esperando Papai Noel chegar ou deixar os presentes enquanto alguns adultos nos levava pra algum outro canto. Também tem que ter conversas cruzadas, falatório alto, gargalhadas, piadas, jogos com cartas e brincadeiras com os pequenos.
De comida, sempre tem o leitão , que meu tio fazia incomparável, na pururuca, e o cheirinho de tempero que me transporta pra mesa grande da Vó Lazinha, com tias preparando a farofa, maionese de batata e arroz branco. Ainda não teve um Natal Brasileiro que eu tenha perdido panetone e pudim de doce de leite de sobremesa. Teve o ano que a Tia Jane fez sorvete de leite moça com calda de chocolate e desde então, uma das tias tinha que fazer isso também, senão tinha reclamação!
Tem muita luz nas casas por todos os lados, competição de qual é a rua mais bonita e fila de carros pras vizinhanças mais iluminadas.
Sempre abrimos os presentes na virada do dia 24 de Dezembro ao dia 25 de Dezembro e me lembro do ano que fomos à missa do galo, mas o costume é mais de deixar a TV ligada com a missa enquanto todo mundo está fazendo outra coisa.
De uma forma ou de outra, mesmo depois de virar gente grande, a tradição continuou, e minha mãe e maninha sempre fazem algo nas mesmas linhas. A quantidade de criança é menor, mas a essência do Natal está sempre presente e é sempre a mesma lá em casa.

No Natal Britânico, as coisas são mais tranquilas. Pra começar não tem criança nem conversas cruzadas. Tudo é mais calmo e tranqüilo.
Quando ficamos por aqui, passamos com os pais de Mr. W, e somos mimados até não poder mais. Ganhamos uma montanha de presentes, e Dona W. começa a preparar os petiscos assim que chegamos. Esse ano fomos pra lá no dia 23 depois do dia de serviço, e ficamos até o dia 28, quando voltamos pra casa pra passar o Ano Novo.
Ela fez o que é típico e não pode faltar no Natal da família W:

Mince Pie: Traduzindo literalmente, quer dizer “Torta Moída”. Apesar de pegar uns estrangeiros desprecavidos achando que é de carne moída (eu também caí na pegadinha quando me mudei pra cá) ela na verdade é uma torta de frutas moídas, de massa que esfarela – me lembra um pouco a massa de empada, só que doce – com recheio de frutas secas, maçã, sebo (a gordura ao redor do lombo ou rim da vaca/boi ou do carneiro/ovelha), frutas cristalizadas, açúcar mascavo, canela e tempero misto. O recheio da futura sogra é feito semanas ou meses antes, e fica curtindo em conhaque em um pote, pronto pra entrar na torta só antes de ser assada. Não sou uma grande fã, mas como um pouco das de Mrs. W, morna e com creme de leite pra deixar mais úmida e misturar com o recheio, fica perfeita!

Não tem igual a da Mrs W. 
Foto: BBCGoodFood

Christmas Pudding: Traduzindo literalmente, quer dizer “Sobremesa de Natal”. Ele é meio que feito com os mesmos ingredientes do Mince Pie, com umas mínimas diferenças, como pão esfarelado. O bolo/pudim é cozido no vapor e no dia de Natal, se coloca fogo nele pra terminar e formar a casquinha. Eu acho o gosto meio amargo, mas com creme de leite fica perfeito e nunca faltou em  Natais Britânicos com Mr.W. Olha o vídeo do fogo aí embaixo :)

Chritmaspudding

Watch this video on YouTube.

Batatas assadas na gordura do ganso/pato: Agora isso sim é um favorito meu. Enquanto a ave que será servida no Natal está assando – por horas, aliás – eles vão coletando a “gordura” que sai dela, ou seja, aquele óleo que fica na base da bandeja. Um dos usos que eles fazem, é colocar nas batatas para assar, deixando com uma casquinha crocante enquanto a batata fica fofinha dentro. Apesar de ter dó do bichinho que nasceu e morreu pra gente, pelo menos nada é desperdiçado. Até os ossos são usados pra fazer o caldo que é guardado, junto com a gordura, para receitas do ano inteiro. Se um dia me fizerem um Natal sem essas batatas, eu reclamo no Procon ;)

Goose or Duck fat roasted potatoes
Foto: Channel 4 Food

Linguiça e Bacon: Isso é o que não pode faltar para Mr. W, apesar de já ter sido um favorito meu também, como eu meio que parei de comer carne de porco, também diminuí meu consumo durante o Natal. A ideia é enrolar o bacon na linguiça, o famoso “pigs in a blanket” – porcos em um cobertor – mas na casa dos W. a matriarca não perde tempo enrolando mais, e assa as linguiças e bacon (enrolado) separados e cada um pega o que quer, na quantidade que quer.

Pings in a blanket
Foto: Channel 4 Food

Agora, uma coisa que não pode faltar, mas não é de maneira nenhuma comum, é o pudim de Mr. W., chamado Blamange, é um pudim de maisena com sabor, normalmente morango ou framboesa. Como Mr. W não gosta de nenhuma das sobremesas de Natal, ele acaba fazendo o pudim, e assim foi acostumado desde pequeno, virou tradição!

Normalmente o nosso é na forma de Papai Noel
Foto: Eagles Forum

As luzes de Natal são bem menos em quantidade, mas esse ano até que vi bastante e o pessoal tem começado a se empolgar mais. Muitas pessoas aqui não são cristãs, então é apenas natural que algumas casas não tenham decoração ;) Outras diferenças são que nós só podemos abrir presentes no dia 25, não acontece muita coisa na noite do dia 24, às vezes vamos ver o pessoal cantar músicas de Natal na praça, mas normalmente está chovendo então ficamos vendo TV e conversando com o povo no Brasil pelo Skype. Futura Sogra faz um jantar especialzinho, mas mais porque brasileiros comemoram na noite do dia 24 e ela não quer que passe desapercebido pra mim. Esse ano foi salmão na massa folhada, com legumes.

Salmon in Filo Pastry
Foto: Ocado

Dia 25, acordamos com as meias do Papai Noel cheias de presentes que seriam os presentes “menores” e abrimos antes do almoço. Daí chega a hora da comilança, e dependendo de quando o banquete vai ficar pronto, abrimos os presentes antes ou depois. O panetone (por minha causa também) foi transportado para o café da manhã e sempre comemos um pedaço por dia com o chá inglês ou café com leite.

Nós levamos todos os presentes da sala de jantar para a sala de estar fezendo montes no lugar onde cada um está sentado. E abrimos um de cada vez, mas meio que ao mesmo tempo.

A partir daí, é mais comilança de petiscos – todos reaproveitando os restos da ceia, nada novo é comprado ou começado – e chocolates (normalmente um dos nossos presentes pra eles) e muita TV e conversinha.

Dia 26 é feriado, o famoso boxing day! Que explicarei o que é, junto com como come-moramos o Ano Novo no próximo post.

Espero que tenha matado um pouco da curiosidade   /:)

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52 objetos – 1a. Semana – Bola da árvore de Natal

Estou descaradamente roubando a idéia da minha comadre que fez o 52 objetos o ano passado. Veja bem, não sei de onde ela pegou a idéia dela.Ela por sua vez pegou a idéa lá no blog da Helô.
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Eu gostei muito de como ela desenrolou o projeto dela, e que melhor semana para começar o meu do que a primeira do ano?
Além de ser uma ótima desculpa pra aparecer por aqui pelo menos uma vez por semana =)

O que é? Bola de Natal

De onde veio? Da caixa de Natal originalmente de Mr W, que não lembra onde comprou.

Porque foi escolhida? Veio no conjunto de coisinhas prateadas, que é uma das cores favoritas dele pro Natal.

Algo mais a dizer sobre o objeto? Um dia quando fui desligar as luzes da árvore, descobri os reflexos sem querer nessa bola que ficou escondida na parte de trás. Foi um momento meio filosófico pra mim já que colocamos todos os enfeites mais bonitos na frente da árvore, e essa bola que é uma mais simples, com remenda de plástico, meio que roubou o show depois que percebi o detalhe. Espiava todos os dias de novo sem saber se conseguiremos repetir a feita no Natal desse ano, e achei que merecia a foto antes de desmontarmos a árvore em breve.

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Mais um ano que passou…

Ok ok, então estou mais pra filha pródiga do blog do que mãe orgulhosa. Mas se tem uma coisa que eu tento não deixar passar é o post de ano novo.

No ano passado confessei de não gostar de Anos Novos, mas que algo me puxa a contemplar o que passou, olhar para trás e focar no que vem pela frente.

Continuando a tradição, aqui vai então a restrospectiva e a comemoração de que estive nessa Terra por mais um ano!

 

Dois mil e treze começou com um sentimento esquisito. Anos ímpares sempre me deixam meio inquieta, meio suspeitade que o ano vai ser capenga. Mas eu sabia que seria um ano de planejamento daqueles que parecem ser direto da frase “A vida é o que acontece enquanto se está fazendo planos”. De alguma maneira os planos foram também o que fizeram a vida acontecer nesse ano que passou. Aproveitamos cada opção, cada decisão, cada passo riscado da lista.

Foi um ano de coisas boas. O presente do nascimento e batizado da dona B. foi um dos destaques, com certeza, e incomparável com qualquer outro momento do ano.

Mas houveram outros destaques também. Fomos para o Brasil no estilo família-unida-jamais-será-vencida. Mr. W chegou com mais duas pessoinhas a tira-colo e com família W. fomos na passarela ver o Carnaval desfilar no Anhembi, cachoeiras em Brotas, bandinha tocando na praça na parada rápida em Poços de Caldas, orelhão em formato de papagaio em São Lourenço. Queimamos os pés na areia de Copacabana, descansamos nas águas de Angra, passamos calor e queda de força em Paraty. Uma viagem que deixou muita história pra contar.

Teve Fórmula 1 em Mônaco. Dessas viagens que a gente nunca acredita que vai fazer. Mas Mr. W mais uma vez me surpreendeu (essa era a segunda grande surpresa do meu aniversário!) e foi uma viagem melhor do que jamais teria sonhado.

Mais uma vez a afilhadona Dona G. e minha mãe vieram passar as férias de Julho conosco. Dessa vez o mimo foi pra mãe, fomos pra Maastritch assistir o ídolo Andre Rieu, com paradinha em Amsterdam na volta. Teve piscina no quintal, e passeios baseados nos planos pro grande acontecimento de 2014 :) Uma delícia tê-la participando disso juntinho e ajudando com as difíceis decisões.

Teve casamento em Jersey de uma ex-chefe-que-se-tornou-amiga, com passeios a pé pela ilha charmosa, e festa até meia-noite.

Dois mil e treze foi um ano em que não perdemos ninguém e por isso sou muito grata. Todos com saúde e proteção.

O ano trouxe novos bebês, além de Dona B. chegou ao mundo Dona A. filhinha da amigona LdM., que sempre dá um jeitinho de nos ver, em qualquer lugar do globo que estivermos. Também teve Dona G, segunda filha de R. que é uma das melhores amigas desde o colegial. Completando o berçário, teve mais uma menina! Dona F. filha de L., uma das amigas que veio na bagagem de amigos de Mr. W.

No serviço houveram decepções, mas houveram muitos elogios e reconhecimentos. Não dá pra reclamar. Ganhei no Euromillions, mas no máximo £10, o que é melhor do que nada  $-)

Entre altos e baixos, perdi 8 quilos, o que é uma surpresa que só fui ver quando conferi os números pra colocar aqui no blog. Surpresona, me parecia que tinha sido menos, mas estou muito feliz com o progresso. Foi uma mistura de exercícios, e reeducação alimentar. Nenhuma dica, truque ou dieta maluca.

Na vida virtual, foi mais um ano em branco. Devo escrever um post sobre isso especificamente, mas vamos dizer que um medinho misturado com preguiça de voltar, foram responsáveis. Se volto esse ano? Quem sabe? Acho que teremos que esperar até a retrospectiva de 2014 pra ter certeza!  :P Mas confesso que sempre penso naqueles que só mantém contato virtualmente,e às vezes sinto falta da interatividade.

No mais, tudo ótimo e tudo calmo. Do jeitinho que eu gosto.

Continuo com a única meta ser a de me concentrar nas idéias de 2011.  A de ser a mudança que quero no mundo.

De inspiração para o ano, escolho dessa vez somente uma frase, a que recebi como inspiração hoje de manhã:

“The art of living lies less in eliminating our troubles than in growing with them.”
– Bernard Baruch
“A arte de viver está menos em eliminar nossos problemas do que em crescer com eles”

 

E repito o que disse o ano passado, já que ainda é verdade:

Nenhum ano novo é completamente  só feliz. Nem que seja algum mequetrefe que te feche no farol, sempre vai ter alguns momentos do ano em que a cobra vai fumar, e vão ter anos que vão ser apáticos, em que nada demais vai acontecer. Então eu desejo um ano forte pra você.

Forte, pra você ter muita saúde.
Forte pra você se proteger de qualquer violência e qualquer tragédia.
Forte pra se e quando você tiver momentos tristes, nervosos, ansiosos, negativos, você tenha força de saltar os obstáculos.
Forte mentalmente, e que tenha a sabedoria de reconhecer o que te faz feliz e aproveite esses momentos com muita alegria, sempre!

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Mais um ano com ele ao meu lado

Ele e ela. Uma de 12, um de 8 e uma de 10.

Hoje é o dia dele.
Sem ele eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ele, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ele é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dele.
Ele, quem me carregou no colo assim que eu nasci e me aconchegou em seu colo por muitos anos por virem.
Ele quem trabalhou pesado e pagou minha educação em escolas e faculdades particulares. Ele quem nos encontrou na primeira ida ao cinema depois do serviço com pacotinhos de Amendita, depois que a Branca de Neve acabou e Fievel iria começar.
Ele quem comprou nosso primeiro vídeo-cassete, com Policial da Pesada e Irmãos Gêmeos a tira-colo para assistirmos todos juntos comendo pipoca estourada na panela.
Hoje é o dia dele.
Ele quem, como dizem aqui “venceu seus demônios” em nome da família. Me ensinando uma lição que ninguém mais poderia, de força de vontade, de prioridade e de amor.
Ele que esperava no carro com dois emburrados enquanto um (na vez do rodízio, claro) ia com ela fazer a compra no mês no supermercado.
Ele que era o fotógrafo da família, e que instigou em mim a paixão de registrar por onde passo e coisas que vejo.
Hoje é o dia dele.
Ele que era um dos poucos pais que ia nos buscar na porta da escola, e inventava brincadeiras pra nos entreter enquanto esperávamos ela acabar o dia de trabalho. Brincadeiras de lembrar placa de carros, de equilibrar nos troncos cortados do lugar que tinha vista pra terra da garoa. De contar o que aprendemos na escola.
Ele quem colocava rádio de notícia no rádio, ia buscar jornal todo domingo na banca, e não deixava (e ainda não deixa) de assistir pelo menos 2 “jornais” de noite e nos ensinou a importância de ter conhecimento e uma opinião no mundo ao nosso redor.
Ele quem também colocava em rádio de música clássica e é o responsável por uma das minhas músicas favoritas ser Bolero de Ravel. E uma das bandas favoritas ser Beatles.
Ele quem nos ensinou que para escrever precisava aprender a ler. E nos levava todos os sábados devolver um livro e escolher um novo na biblioteca.
Hoje é o dia dele.
Ele quem me passou no DNA o amor-doente-daqueles-que-dá ataque-no-coração pelo futebol, pelo Palmeiras e Bragantino, que por bem ou por mal também passou o gosto pela Fórmula 1.
Ele quem comprou um livro da Disney explicando tudo sobre as olimpíadas para nos ensinar sobre todos os esportes, e que líamos debruçados na mesa, todos querendo engolir as páginas do livro principalmente durante as Olimpíadas da escola.
Ele quem ia nos jogos de olimpíadas da escola, e gritava, incentivava e nos treinava (do handball ao salto em distância) para entender a importância de participar e não só de ganhar.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos ensinou xadrez e dama, e que até hoje ainda é invicto em casa, mas com 3 troféus de seus herdeiros, um deles ganho pelo caçula através do vários xeque do pastor que ele também ensinou.
Ele quem nos ensinou a importância de guardar dinheiro para, como eles dizem aqui, a rainy day “um dia de chuva”. Quem, junto com ela, me disse a partir do meu primeiro salário aproveitar metade e a colocar metade na poupança.
Ele quem foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Hoje é o dia dele.
Ele quem era o motorista oficial, nos levando pra cima e pra baixo. Algumas vezes meio emburrado, meio calado, outras vezes falante e animado, mas sempre com segurança e paciência.
Ele quem nos levava para comer esfiha e kibe cru. Ou churrasco, ou pizza.
Ele quem nos levava para o escritório, fazer limpeza, fazer fechamento, ir ver a nova aquisição. E nos deixava brincar de gente grande. Ou uma vez até irmos no lançamento de um prédio ali pertinho e pegar bexigas que estavam dando de graça, daquelas presas no palitinho.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deixava conferir as contas, “bater” os resultados do contabilista.
Ele quem deu a dica pra eu não ser contabilista mas seguir a carreira de tecnologia. Ele que comigo ia junto até o metrô de tarde, e no último ano ia nos buscar na Federal de noite.
Ele quem dizia, e ainda diz que McDonalds não é comida, é isopor.
Hoje é o dia dele.
Ele quem religiosamente pede pizza de sexta. E come mozarela de rolinho. E gosta de salaminho, bolacha “vafer”, Halawe, sorvete de “abaixaaqui” e suspiro.
Ele quem sabia se estávamos mesmo com fome olhando dentro do nosso ouvido.
Ele que brincava de cavalinho. E nun a levantou a mão pra mim. Só um beliscão merecido pela teimosia e desafio. Primeiro e último e que ela me falou que ele se arrepende até hoje.
Hoje é o dia dele.
Ele quem deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ele quem é uma enciclopédia ambulante. Que sabe tudo sobre tudo e está sempre aprendendo mais.
Ele de quem eu puxei o amor às bugigangas, a gostar de ficar em casa e a preciosa introversão.
Ele quem comprou a pulseira quando “virei mocinha” e que fez toda a experiência que estava sendo traumática ser mais positiva.
Hoje é o dia dele.
Ele quem nos deu dois sustos. Uma úlcera e um câncer. Mas que forte e firme continua com a gente, fazendo parte, ajudando, amando, incentivando.
Ele quem lê e comenta cada post, passando o amor pro outro lado do oceano.
Ele quem paga e às vezes vai buscar, todas as minhas “vontades de comer” quando estou por lá. Seja churros, pastel, pizza de frango e catupiry ou Quatro Queijos.
Hoje é o dia dele.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ele.
Ele quem não queria acreditar que eu nunca mais voltaria pra terrinha pra morar de novo, e que parte meu coração toda vez que penso nisso.
Ele quem veio pra cá quando eu prometi que se ele viesse eu pararia de chorar na despedida do aeroporto.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços apertados, mimos e coisa boa.

Hoje é o dia dele.
Ele, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntos num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ele desejo um aniversário sem muita bagunça e barulho, boas notícias e coisas boas.
Pra ele desejo que saiba o quanto ele me ensinou, o quanto é amado e admirado por essa pessoinha aqui.

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O Natal vem vindo, vem vindo o Natal…

E pra comemorar, Mr. W sugeriu darmos um pulinho em Cobham pra almoçarmos e vermos as lojinhas independentes do local.
Cobham hoje em dia é um vilarejo do condado de Surrey e onde fica o campo de concentração centro de treinamento do Chelsea (valeu pai!). Mr. W até explicou que houveram reclamações quando Chelsea se instalou por lá, os moradores diziam que tornou a vizinhança comum e empobrecida por trazer muitas pessoas para o local.

Acho que na verdade isso que ajudou Cobham a se manter charmosinha, com suas lojinhas e restaurantes independentes e autênticos. Muitos vilarejos sucumbiram à lojas de rede ou caridade e pubs fecharam ou foram vendidos a grandes companhias, perdendo suas identidades (assunto pta outro dia…).

Então lá fomos nós. Pra falar a verdade achei uma delícia fazer compras lá. Achamos um monte de coisinhas fofas e não muito caras para os presentes de Natal, e longe do fuá de shopping centers e centro de cidades, passamos 3 horas passeando e nem vimos o tempo passar, só percebemos quando o escurinho das 4 da tarde já estava chegando.

E assim foi o nosso último Sábado:

 

Lareira charmosa, cores suaves e ripas de madeira no teto. Como não gostar?

 

Quem nos conhece sabe que não somos muito fãs de pular da cama logo de manhã, então acordamos a tempo de nos embelezarmos e irmos para o almoço. Mr. W tinha visto na revista do condado (11 anos depois e ainda soa estranho falar que moramos em um ‘condado’   :)) ) que assinamos sobre o pub-restaurante “Old Bear” e eu conferi que eles tinham entrado na lista de recomendações do respeitável “Good Food” então marcamos uma reserva para meio-dia e meia.

O pub fica bem na entrada da cidade pelo caminho que fizemos, bem de frente para o Cobham Park, e apesar de ser uma boa pedida, deixamos o parque pra uma próxima vez.

Chegamos uns 10 minutos adiantados, mas o pessoal já nos levou à nossa mesa, que estava pronta com os menus. Como a gente já tinha babado nos menus pela internet, sabíamos mais ou menos o que iríamos pedir.

Mudança pode ser para melhor!!

Mas quando chegamos e vimos o menu de Natal, mudamos de idéia. Minha entrada mudou de queijo de cabra à milanesa para polvo à milanesa (mesma coisa que Mr. W pediu). Meu prato principal mudou de frango à milanesa para nhoque de abóbora com queijo de cabra e uma porção de salada de rúcula com parmesão. Mr. W – sem nenhuma surpresa – continuou com seu hambúrguer e batatas fritas.

O nhoque, apesar de não passar muito o sabor da abóbora estava di-vi-no. Foi o único nhoque que comi aqui que fez jus ao que minha vó L. fazia e minha mãe ainda faz. O molho de salada que eles fazem à mão estava muito gostoso e complementou o prato perfeitamente.

O hambúrguer de Mr. W veio duplo, a explicação sendo que a entrega foi feita errada, de tamanhos menores que o normal então eles estavam duplicando a quantidade para os clientes. Estava uma delícia também e confesso que roubei umas batatinhas com alecrim e sal grosso e foi difícil me controlar pra não pedir uma porção só pra mim.

E já que estávamos lá mesmo, decidimos pedir sobremesas.

Até o azeite era charmoso, com lavanda e pimenta pra dar um sabor diferente!

Mas também teve mudança de idéia nessa hora. Mr. W ia pedir a sobremesa de chocolate, mas mudou pra torta de nóz-pecã. Eu – sem nenhuma surpresa –  pedi o sunday de banoffee (banana + caramelo/tofee).

Estava tão distraída e relaxada, que nem percebi que o sunday gigante que trouxeram era o de chocolate!  @-) Estava esperando a banana aparecer no fim do copo! Depois que tinha comido quase metade, veio o gerente do restaurante, pedindo mil perdões e trazendo a sobremesa certa. Depois de muuuito resistir e dele muito insistir ;) ficamos com os dois sundays. Mudei de copo e ataquei minha sobremesa favorita.

Infelizmente não conseguimos terminar nenhum dos dois sundays nem a dois. Por mais que tentamos, não estamos mais acostumados a comer tanto assim e tivemos que deixar sobra. Mas deixamos com dó. As 3 sobremesas foram deliciosas.

O preço total (com refris)  ficou em £52. O que para duas pessoas, menu de 3 pratos, por aqui é bem em conta.

De lá, fomos fazer a digestão passeando pela cidade:

Sempre tem um escondido em algum canto…

Cobham tem um centro pequenino, de uma rua só, mas muito bem cuidado. As pessoas são simpáticas, sorridentes, e sem a pressa e cara fechadas tão fáceis de encontrar por aqui em um dia de final do Outono.

Paramos em uma joalheria – que tinha que apertar a campainha pra abrirem a porta pessoalmente – para trocar bateria de uns relógios de Mr. W. Apesar de eu ficar meio suspeita achando que cobrariam o olho da cara e as calças das pernas, a surpresa foi quando cobraram £15, mesmo preço que teriam cobrado no shopping. E fariam o serviço em 30 minutos. Deixamos os relógios lá e fomos continuar o passeio…

Ainda se fazem lojas de livros como antigamente!

Primeira parada: Cobham Bookstore. Mr. W simplesmente adora entrar em lojas de livro independentes. Desde que o conheci, meio que peguei gosto pela coisa também, e claro não podíamos deixar essa passar. Muito fofoleta, adorei ver pessoas dentro da loja, e compramos dois livros. Um de jardinagem, “O que plantar quando” e o novo de Terry Pratchett “Raising Steam“, que comprei como presente de Natal pra Mr. W.

Soldados de chumbo são um ponto fraco meu…

Próxima à livraria, não resistimos a “Art of Living” . Bugiganga é outra coisa que temos pouca resistência à tentação. Compramos um moedor de alho de rodinha, uns presentinhos pros sobrinhos, e um pilão com tigela que sentimos falta outro dia.

Passamos em frente à uma loja de brinquedos independente (mais raridade que livraria hoje em dia) e apesar de não comprarmos nada dessa vez, tive que registrar o soldadinho de chumbo – sim em mais de um ângulo – e seu amigo Mr. Playmobil.

A rainha com fitinha no cabelo e vendendo conserva de tomate. Não tem preço.

Infelizmente a doceria/padaria do vilarejo estava fechada. Mas como não parar para admirar a tradicional casinha de Natal feita de gengibre?

A bandinha de voluntários estava tocando músicas de Natal para arrecadar dinheiro para uma caridade que cuida de crianças. Click, e £1 pela simpatia do senhor que fez tchau pra câmera sem eu nem perceber e arrancando um sorriso da fotógrafa depois que a foto já tinha sido batida.

Cobham também é história!

Ao passar pela bandinha vi a placa explicando que Cobham estava na “Trilha de escavadores”. Um movimento que começou no condado de Surrey em 1649, 2 meses da execução do Rei Carlos I. Os escavadores cavocavam a terra para fazer adubo da terra comum, e o faziam para cultivar comida e para mostrar que todos tinham direito a desfrutar a Terra e seus frutos. Eles acreditavam que a batalha contra a pobreza, fome e opressão poderia ser ganha se a Terra fôsse usada como “Tesouro Comunitário para todos”. Quero visitar o museu dos escavadores, e quando assim o fizer volto para contar mais sobre sua história.

Na Lemon Tree, compramos velas (que acendemos quando assistimos filmes) para deixar a casa com cheirinho de Natal.

Jack Snowmen (Joãozinho Homem-de-Neve) roubou o show.

Fechamos o passeio na Maison Blanc. Criada pelo renomado chef Raymond Blanc, é uma doceria para os olhos e a barriga. Nos seguramos e compramos somente Jack Snowmen (cupcakes, o famoso bebezinho com cobertura de chantilly grosso) e macarons. Os Jacks estavam uma delícia bem macio, úmido e o cachecol é uma sobremesa à parte! Nomnomnom =P~

Guardamos os macarons pra comer no dia seguinte e não sei se foi porque deixamos fora da geladeira, mas apesar de saborosos, estavam secos e a consitência meio errada.

Concluindo, valeu a pena ter ido a Cobham e com certeza voltaremos!

Uma coisa que vale a pena mencionar, achamos muito bacana o sábado “Compre pequeno” que a American Express fez para promover compras em lojinhas independentes. A cada £10 iniciais que gastamos, ganhamos £5 de volta em crédito. Acho que fizemos £15 de volta então os docinhos da Maison Blanc saíram de graça, o que os deixa ainda mais gostosos!

No domingo decoramos a casa e acendemos as luzes de Natal, amanhã tem jantar de Natal na casa de uns amigos (alguns que não vemos fazem uns 6 meses!) e depois partimos para Sóton passar o Natal sendo mimados e engordados pela sogritcha até voltarmos para o Ano Novo.

Ah! Sem deixar de promover as caridades que ajudamos esse Natal: Crisis: Como fazemos todos os anos, compramos dois lugares para ceias de Natal a pessoas que não têm onde morar, e doei dinheiro para a British Red Cross, que teve que voltar a ajudar pessoas abaixo da linha da pobreza no Reino Unido.

Então fica aqui meu desejo de um ótimo Natal cheio de boas novas, saúde, muito amor e paz para todos.

Que o sentimento que aquece nossos corações nessa época toque seus lares e todos ao seu redor.

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Um elo mais que especial

Tô mais pra fairly odd parent (uma madrinha mais ou menos estranha) do que pra godparent (madrinha)

Lembram-se que eu disse em Maio eu havia ganho dois super presentes de aniversário?

Pois sim, um deles foi o convite para ser madrinha da filha da Q., minha melhor amiga aqui na Inglaterra. Pra quem não sabe ainda, já tenho uma sobrinha-afilhada fofa, Dona G., hoje com 7 anos, filha do meu irmão.

Particularmente, eu adoro ser madrinha. Mimo, fico brava, brinco, levo passear e às vezes até dou pitaco na educação, claro que sem me envolver muito e meio de longe, até porque nem tenho filhos então quem sou eu pra me intrometer?

Adoro ser chamada de madrinha e de tentar criar esse vínculo com minhas afilhadas, de tentar criar essa amizade, essa coisa especial! Sempre lembro que percebia a diferença entre a minha madrinha (que é a minha avó materna) que é a “Dinda” da família inteira, mesmo de quem não era afilhado! Sempre me senti um pouco excluída do vínculo de ela ser minha madrinha (olha a síndrome do filho do meio aí gente :-" ) e eu tento fazer essa diferenciação com dona G., e vou tentar o mesmo com Dona B.!

Mas muito mais que isso, também faz parte do pacote os compadres e as comadres. O fato de ter sido escolhida tanto pelo meu irmão quanto por Q. me faz sentir tão querida, tão amada. Um reconhecimento de que sou admirada, e confiada um papel especial na vida de seus filhos, seus bens mais preciosos. E que elogio ou gesto melhor e mais grandioso do que esse pode se esperar de um irmão, ou ainda mais raro, de um amigo? Acho que  mais que a benção e os pedidos e promessas que fazemos na igreja, o voto de confiança de que estaremos presentes em suas vidas para sempre, e com uma influência positiva, é que torna esse momento e o resto de nossas vidas tão especiais.

Mantendo um pouco dessa comparação de vida lá e cá, como não comparar como foram os batizados, e também como são os meus relacionamentos com essas pessoinhas especiais?

Como foi e tem sido com Dona G: O batizado de Dona G foi na igreja Luterana. Uma filosofia que eu admiro muito e se seguisse alguma, seria a minha escolhida. Já foi depois de ter vindo pra cá, e precisávamos de algo sem a complicação de cursos, de ter que ir na igreja X vezes mas com a validade de que ela receberia a benção e seríamos os padrinhos oficiais. A igreja era pequena mas estava cheia, era um Domingo de culto lindo, com Sol, e alguns amigos dos compadres compareceram para a ocasião especial. Dona G. não chorou (que eu me lembro) mas cantou! Ela cantou durante o culto, até em momentos de silêncio. O culto foi super bonito com as palavras do Pastor Ernani que aqueceram nossos corações. De lá fomos todo mundo (se não me engano umas 20 pessoas) pra churrascaria comemorar, trocar presentes e tirar muitas fotos.
Dona G. demorou um pouco pra me chamar de madrinha e confesso que foi meio “imposto”, e ainda é. A proximidade do diminutivo nome da minha irmã com Madrinha, a confundia um pouco e era mais fácil chamar de Tia Lelei. Mas a gente faz questão do Madrinha, mesmo que às vezes ela queira trocar de novo, hoje em dia ela vem gritando quando me ouve no telefone “Madrinha, madrinha!” e eu confesso que adoro. Temos uma amizade gostosa, ela me conta coisas da escola, do Kumon, dos passeios. Desabafa segredos que a vó não pode escutar e brinca de desenhar e fazer lição de casa juntas pelo Skype sempre que a vó deixa. Infelizmente o padrinho meio que se perdeu na multidão, mas com certeza a perda é dele. Dona G é uma menina sapeca, inteligentíssima, que é detesta que lhe penteiem o cabelo (assim como a madrinha) e tenho muito orgulho de tê-la como minha afilhada.

Como foi e tem sido com Dona B Já Dona B. foi batizada na CoB (Church of England) que é a Igreja Anglicana. Compadre não queria igreja que não fôsse “Oficial” então lá fomos nós. O horário foi reservado somente para o batizado e compadres decidiram que somente os avós paternos e os padrinhos seriam convidados. A Igreja era média em tamanho mas a enchemos com o amor que todos sentíamos por B. Algumas pessoas da comunidade chegaram um pouquinho depois que a cerimônia – realizada por uma vigária – começou. Dona L., irmã mais velha de B. se divertiu correndo pelos corredores da igreja, por mais que a vó tentasse ensinar que era falta de respeito. Eu quase “roubei” B. da cerimônia, quando na hora de acender a vela que faz parte do ritual, a levei longe para tentar fazê-la dormir. Mas a vela foi acendida por L. e os compadres, e tudo foi curtinho mas muito significativo. O batizado não é cobrado, mas os pais fazem uma doação para a ingreja, que vai no envelopinho e sem ninguém saber quanto foi.
De lá fomos pra “Carvery” que é tipo um pub-restaurante onde fazem carnes assadas (tinha frango, gamão, e carne de vaca) e buffet de molhos, saladas e legumes à vontade. Nos empanturramos, comemos o bolo (que eu como madrinha comprei e decorei) e os padrinhos pagaram a conta antes de uns minutos no parquinho brincando com L. e colocando a conversa em dia com os compadres. Fomos embora com sorrisão de orelha a orelha. E agora Padrinho compra presentinhos pra B. dizendo que “tem que colocar mais esforço, porque afinal ela é a afilhada né?”.

Dois dias em minha vida que nunca esquecerei, levarei pre sempre comigo. Onde quer que minhas afilhadas estejam, espero estar com elas, pra o que der e vier, precisarem e quiserem. E serei sempre grata aos compadres que me escolheram para receber esse presentão tão lindo.

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Mais um ano com ela ao meu lado.

Ela. Uma de 2. Um de 1. Uma de 4.

Hoje é o dia dela.
Sem ela eu não existiria, e não estaria sentada aqui agora, escrevendo essa declaração de amor.
Sem ela, eu poderia até ser outra pessoa, em outro corpo, tendo outra experiência.
Mas ela é a metade que fez e ainda faz ser quem eu sou.
Hoje é o dia dela.
Ela que me alimentou, me cobriu, me carregou.
Ela que telefonava no berçário e não falava nada pra ouvir se eu estava chorando, e que acabava me ouvindo cantando pros outros bebês.
Ela que me dava 4 chupetas ao mesmo tempo, pra cheirar, pra brincar no dedão do pé, na orelha, na mão.
Hoje é o dia dela.
Ela que colocou comida quente na minha boca pra eu aprender o que é quente e aprender ter paciência e acreditar que mãe nunca mente.
Ela que me ficou horas cuidando de mim nas crises de bronquite, com o paninho molhado no álcool e “vicvaporub” nas noites em claro, nos plantões de inalação, nas saídas do serviço pra me buscar na escola
Ela que me mandou pra homeopatia e acupuntura e que finalmente curaram as crises.
Hoje é o dia dela.
Ela que pagou um dinheirão no aparelho capacete. Ela que mandou eu parar de usar o aparelho porque judiava muito de mim. Ela achou uma clínica-popular-esquema-faculdade de ortodontistas la na PQP pra colocar meu aparelho e endireitar meus caninos, resultado de dentes grandes que puxei dela e da arcada pequena que puxei dele.
Ela que nunca levantou o braço pra mim.
Ela que me ensinou que se mentirmos onde estamos, ninguém vai acreditar se telefonarem dizendo que houve um acidente com a gente e por isso ela não iria nos socorrer (tacada de mestre, não sei mentir pra ela e pra ninguém até hoje!)
Hoje é o dia dela.
Ela que me ensinou das coisas que existem entre o céu e a terra e me deu liberdade de acreditar e seguir o que meu coração e minha alma escolheram.
Ela que me ensinou que não há vergonha em arregaçar as mangas para serviço doméstico, mas somente depois que a família está feliz, alimentada e com a lição feita, sem neuras.
Ela que levantava mais cedo pra fazer “as lancheira”.
Ela que ensinou que coisa de marca é bobagem, e o que vale é a qualidade que se paga, no bolso que se cabe.
Hoje é o dia dela.
Ela que nos levava nos McDonalds toda sexta-feira depois da aula.
Ela que deixava a gente fazer picnic de domingo na sala minúscula, com frango frito – ela que se queimava fazendo frango frito! – macarronada e suco de laranja, assistindo trapalhões.
Ela que nos ensinou o valor da mesada, o dinheirinho que não ganhávamos, mas era dado pra pagar um brinquedo todo mês no valor do que merecíamos.
Ela que sacrificou sua carreira em nome de sua presença com a gente, mas que continuou trabalhando, nos mostrando que o homem é seu trabalho.
Ela que pegava ônibus com um de 2, uma de 4 e uma de 6.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi pra faculdade se tornar uma pessoa melhor com 3 crianças pequenas em casa, dizendo tchau e gostando de ficar esperando os pais chegarem da faculdade de sexta-feira.
Ela que achou aula de italiano no Albino pra eu fazer.
Ela que me empurrou pra fazer Escola Federal e que traçou o meu destino por tê-lo feito.
Ela que pagou balé, natação e hidroginástica.
Ela que pagou Kumon – matemática e japonês.
Ela que me deu conselhos, enxugou minhas lágrimas, me guiou pela minha vida.
Hoje é o dia dela.
Ela que decorou nosso quarto com papel de parede cor-de-rosa cheio de carneirinhos e nuvens, lembrança boa e confortável pro resto da vida.
Ela que separava o irmão dos cabelos da irmã.
Ela que deixava a gente brincar no serviço dela como se fôssemos gente grande.
Hoje é o dia dela.
Ela que deu gargalhadas, risadas até chorar na hora de dormir.
Ela que deixava a gente brincar até de noitinha no parquinho.
Ela que me ajudou a aprender a taboada.
Hoje é o dia dela.
Ela que foi a pessoa que me levou ver Palmeiras pela primeira vez no Palestra.
Ela que organizou a festa de aniversário no salão com amigos e peça de teatro, e a festa de 15 anos na casa da tia com as melhores amigas.
Ela que paga um dinheirão pra passar férias.
Hoje é o dia dela.
Ela que é um terço do meu porto seguro até hoje
Ela que é um terço do meu livro de conselhos até hoje. E eu nem ameaço ir contra o que ela diz que é o certo a fazer.
Dela puxei além dos dentes grandes, o cabelo enroladinho, o tamanho do sutiã, o senso de justiça, o pezinho pequeno.
Ela que ainda me ensina, me consola, me acompanha, me abraça gostoso, me beija bom dia e boa noite (quando estamos sob o mesmo teto), que tem atos de serviço como demonstração de amor e que coloca todo mundo na frente do seu bem-estar.
Hoje é o dia dela.
Uma das pessoas que mais amo, admiro e que sinto mais falta de não estar na terrinha celebrando essa data tão especial com ela.
Mas ela também me ensinou que todo dia é dia de aniversário.
E eu aprendi, e quando nos vemos de novo, é sempre só alegria, abraços, fofoquinha e coisa boa.

Hoje é o dia dela.
Ela, que não dá pra descrever, não dá pra fazer caber todas as coisas boas que fizemos juntas num post de blog, numa carta de amor, num livro sem fim.

Pra ela desejo um aniversário cheio de “balinhas”, boas notícias e coisas boas.
Pra ela desejo que saiba o quanto ela me ensinou, o quanto é amada e admirada por essa pessoinha aqui.

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Seriam os ingleses anti-sociais?

Importante ter amigos…

Já faz um tempo que não escrevo sobre a vida na Inglaterra, então vou escrever sobre algo que prometi lá em 2011, no finzinho do post sobre pessoas introvertidas, quando disse que escreveria sobre o mito de que os brtitânicos são frios e anti-sociais.

Preciso começar explicando que essa é a minha experiência e que de forma alguma eu pretendo generalizar todos os britânicos.

Depois de 10 anos nesse país, percebi que na verdade de frio, os britânicos com os quais eu lidei,  não têm nada. Mas a personalidade deles é mais introvertida. Ou seja, eles não vão invadir o seu espaço, a sua privacidade, os seus horários.

Mas conheço britânicos extrovertidos (na maioria escoceses) e britânicos que fizeram amizades com seus vizinhos, com pessoas que conheceram durante as férias, ou que trabalharam juntos.

O que existe é uma resistência de ser como – a maioria dos – brasileiros. Aquela coisa livre e que pode ser muito boa de fazer churrasco em cima da hora, de chegar 3 horas atrasado, de ligar qualquer hora do dia ou da noite pra conversar. De fazer festa no meio da rua e de que qualquer desculpa é boa pra uma bagunça.

O maior aspecto é que mesmo quando se faz amigos, as amizades são diferentes. Não existem muitos livros abertos. Os britânicos reservam seus problemas, suas neuras, seus segredos para um grupo seleto de pessoas, ou somente para eles mesmos. Não existe muito chororô ou reclamação. Os encontros são para falar de coisas interessantes, felizes, positivas e colocar a conversa em dia. O que está acontecendo em nossas vidas, quais são nossos planos, o que mudou desde que nos vimos da última vez.

Rola muito álcool. Muito vinho, muita cerveja, muita coca-cola com vodka e muita cidra. Mas de novo, existem os alcoólatras, os que sabem beber, e os que não bebem nem uma gota. Muitos bebem para soltar a inibição, e se socializarem sem vergonha. E todos, na maioria das vezes, e na minha experiência, se entendem.

Agora um dos pontos que muitos brasileiros estranham quando chegam aqui é o fato da dificuldade de se conhecer e fazer amigos. Para ser sincera eu não consigo identificar se é um problema porque quando a gente vem para cá, já somos adultos e todo mundo já tem suas amizades formadas (pesssoal que mora no Brasil ou em outros lugares no mundo, como é fazer novos amigos por aí?) , ou se é porque nos identificamos melhor com outros brasileiros e o grupinho acaba sendo o mesmo. Tenho exemplos de uma amiga inglesa que fiz onde trabalhei, e uma vizinha inglesa com a qual tentei criar um vínculo e que acabou não firmando. O restante dos amigos vieram da bagagem de Mr. W, ou são estrangeiros.

No meu exemplo também, por ser introvertida, não sou de precisar ou querer muitos amigos. Sempre fui de poucos amigos, aqueles de novo, que sabem todos os meus segredos e perturbações. Gosto de coleguinhas, que fazem um papel essencial de trocar notícias, opiniões, conselhos, de elevar a auto-estima por nos fazer sentir queridos.

A verdade é que o fato de onde uma pessoa vem não vai facilitar fazer essas amizades. Só porque alguém é brasileiro, não quer dizer que o entrosamento vai acontecer. Tenho muitos exemplos em que não rolou. Só porque alguém é britânico, não quer dizer que vão ser antipáticos, frios e distantes. Tenho muitos exemplos de pessoas queridíssimas que são britânicas.

Mas provavelmente vai querer dizer que para conhecê-los você vai precisar de um ambiente (trabalho, vizinhança, academia, escola, parceiro) e para encontrá-los você vai precisar umas boas semanas de antecedência, e quando se encontrarem, a conversa não será muito de íntimo pessoal, o que cá entre nós, brasileiro vive falando pra cada um cuidar dos seus problemas, não é o ideal?  :-bd

 

Então fica registrada aqui a minha opinião. O britânico pode ser percebido como frio e distante por não serem tão calorosos e próximos como brasileiros podem ser. Mas isso seria mais um ponto de vista, uma percepção e que se você vier para cá, pode causar um choque. De não ter pessoas estranhas conversando com você, de narizes enfiados em jornais e telefones quando você estiver no trem ou no metrô. De caras fechadas cruzando a sua andando na rua. Mas se a sua experiência for a mesma que a minha, com o tempo você vai ver que é uma questão de adaptação e de ajustes. De ter que suar pra conseguir fazer amizades e coleguismos darem certo. E que com o tempo fica difícil manter o sorriso com o tempo cinzenta e ventinho frio soprando no rosto (incrível como o clima muda a fisionomia do pessoal aqui nessa terra) e quando voltar pro Brasil o que vai te chocar é como os brasileiros têm se tornado cada vez mais como a percepção que temos dos ingleses.

Notinha: Para esclarecer um mal entendido que pode acontecer quando usando a língua inglesa, o “anti-social” na verdade aqui é traduzido como bardeneiro e maloqueiro. São pessoas que causam uma problema para sociedade e daí vem o anti-social. Pessoas que  que arrumam brigas, que ouvem música muito alta, que andam de moto onde não deveriam, etc. Essas pessoas podem receber uma A.S.B.O (anti-social behaviour order – ordem pública de comportamento anti-social) e serem proibidas de freqüentar certos locais, de terem rádio dentro de casa, ou até de serem expulsas de onde moram.

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Li e aprendi: Nove minutos com Blanda

Não que eu não tenha um monte de coisa pra desabafar, discutir, começar polêmica. Mas o que tenho tido ultimamente é preguiça de escrever meus posts mais ativistas. Muita caraminhola na cabeça mas muitas de coisas que já escrevi aqui.

Semana passada, ganhei dois super presentes de aniversário. Pra quem achou que os acontecimentos do ano passado (ok ok eu sei que tô devendo contar) seriam os últimos a me tirar o fôlego nos meus aniversários, se preparem, porque vem mais coisa boa por aí. E não, a notícia não é que estou grávida! Mas como o presente veio de outra pessoa, vou esperar estar tudo certinho e combinado e ela estar ok com o anúncio geral pra nação.

Então evitando o repeteco de assuntos antigos, as novidades que tenho pra contar e dando uma parada nos posts sobre viagem, fui pegar inspiração dos “posts na fila“, decidi escrever mais um post sobre um livro que eu li. Ontem conversando com K. me dei conta de como eu leio devagar. A moçoila tenta (e na maioria do tempo consegue) ler dois livros por mês. Ao mesmo tempo. Quando eu crescer eu quero ser que nem ela.

Mr W. vai mais além ainda. Lê uns 4 livros ao mesmo tempo e uns 3 por mês. Preciso assistir menos televisão e ler mais livros. Como as férias esse ano foram ocupadíssimas, não dá tempo de ler no banheiro (pra bom entendedor meia frase basta  /:) ) e raramento tenho precisado ir para o escritório, as leituras vão ficando em segundo plano. Preciso rever minhas prioridades!

Primeiro o resumo de livrarias, que no caso foi a Saraiva, pra saber sobre o que a história fala antes de abrir o livro:

Nove Minutos com Blanda (Fernanda França): Todos os dias, depois de brigar com o despertador que dá apenas nove minutinhos a mais de sono, Blanda se depara com a seguinte situação: ela está quase sem dinheiro, desempregada e sua única companhia é o gato Freddy Krueger. Bom, não exatamente, já que ela namora um cara chamado Max, que nunca realmente assumiu o relacionamento. Max é folgado, não trabalha e também não faz muita questão de conseguir um emprego, mas é justamente com ele que Blanda se vê prestes a dizer “aceito”. Em uma confusão envolvendo muito estresse, a porta giratória de um banco e uma calcinha pink, Blanda conhece alguém que pode mudar sua vida. Mas será que a realidade pode virar um conto de fadas?

Em que língua eu li? Na original, e por enquanto única, Português. Sempre tento ler uns livros em Português entre os livros em inglês. É bom para praticar e não esquecer o idioma, um dos grandes dilemas e problemas dos expatriados. Como já dizia meu pai, só aprende a escrever quem lê!

Antes da minha crítica, um momento para justificar a puxação de sardinha. Fernanda França é amiga íntima! Nos conhecemos durante o colégio técnico, onde freqüentávamos a mesma sala. Infelizmente (bem frisado e destacado) tenho que dizer que nossas patotas não eram próximas na época e nossas experiências completamente diferentes. Tenho certeza que eu teria aprendido muito com essa pessoa maravilhosa, que por meio do destino e do blogspot vim a re-encontrar anos depois, em outro país e outro continente. Mas essa história fica pra outro post ;)

A experiência da leitura: Nove minutos com Blanda me lembrou sessão da tarde. Sabe aquele filme que você assiste sem compromisso mas que quando começa não consegue parar mais? Que é fácil e gostoso de ler, sem compromisso, sem ter que queimar a cuca pensando teorias, tentando descobrir o que vai acontecer, sem ser complicado e com uma linha simples de seguir? Então! Esse foi o Nove Minutos com Blanda pra mim. Me lembrou as comédias românticas que eu lia quando eu era adolescente. Me lembrou de “Os Normais”, uma confusão gostosa de ler, de torcer pela protagonista, pra que tudo dê certo no final.

O livro tem um toque de realidade que nem sempre existe nas comédias românticas e um toque suavidade, bom humor e positivismo difícil de ver hoje em dia em um mundo que gosta de romances de vampiros, mistérios com assassinatos, auto-ajuda e novelas complicadas de serem seguidas.

Também foi legal ver uma mini-mensagem que coloca abaixo os antigos contos de fada. (Sem mais, para não estragar o final!  :-$ )

Minha recomendação é pra dar de presente para adolescentes a partir de uns 15/16 anos, que estão pulando da leitura infanto juvenil para algo mais adulto, e para quem já é adulto, entre uma leitura pesada e outra, ou se como Dona K. e Mr. W. você lê mais de um livro ao mesmo tempo!

E pra acabar, quantas estrelas leva o livro?  , claro!

PS: Desde esse livro li mais 2 livros que vão lá pra fila, mas se você estiver procurando dicas antes da minha crítica, todos valeram a pena: “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (mais um título que as editoras mataram no Brasil) do “The Girl with the Dragon Tatoo”  por Larsson, Stieg, “O símbolo perdido” do “The Lost Symbol” por Dan Brown. No momento estou lendo “Viver para contar” do “Living to Tell the Tale” do Gabriel Garcia Marquez.
Também atualizei o “Posts na fila” e agora tem todos os passeios do ano passado e alguns filmes que lembrei que assisti, e mais alguns assuntos que têm me animado ou me tirado do sério. Agora só falta  correr atrás do atraso nesses posts! Vamos que vamos!

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