Oi, como estão as coisas?

Uns dias atrás mandei uma mensagem pelo Facebook para uma pessoa a qual quero bem mas com quem não falo há dois anos! Me sentindo já ignorada por ser tão desnaturada, pensei em uma das dicas que aprendei recentemente quando participei de um treinamento de como engajar com pessoas com as quais trabalhamos, das e pelas quais normalmente influenciamos o nível de sucesso e excelência de desempenho.

Assimilei várias dicas, e vamos ver se com o tempo as coloco todas aqui, mas duas coisas me marcaram mais.

Primeiro, temos que entender que engajar é diferente de entrar em contato com alguém, ou trabalhar juntos com um objetivo em mente. Engajar é literalmente, segundo o Michaelis, “alinhar-se em ordem de ideia ou de ação coletiva” Engajar dá mais trabalho e é mais longo do que do que simplesmente impor sua opinião, ou aceitar facilmente a do outro, mas a longo prazo, traz um relacionamento mais sincero, confiável, e fácil de chegar a melhores decisões. E pode até acontecer que a decisão seja completamente diferente do que estava sendo inicialmente proposto!

Então as duas coisas que mais me marcaram, e que me acenderam uma lâmpada em cima da minha cabeça, foram o poder das perguntas abertas e o poder da intimidade.

No Brasil, eu sentia que perguntas serem fechadas (aquelas que requerem sim ou não como respostas) ou abertas (aquelas em que a pessoa têm liberdade de expandir e explicar) não faziam muita diferença, a maioria dos brasileiros adora tagarelar, e normalmente o problema é arrumarmos tempo para a discussão! Aqui na Inglaterra, sinto que a maioria das pessoas está mais confortável em responder uma pergunta assim como é perguntada. Elas podem até estender um pouco,  mas  a tendência é a de ser mais literal.

Então se perguntamos (fechado) “Você gostou do filme?” a resposta provavelmente vai ser: Sim, gostei! ou Não, nem tanto ou Mais ou menos!… Não porque eles não querem conversar com você, mas porque eles provavelmente acham que você simplesmente quer saber se gostaram ou não, e a resposta curta deve ser suficiente.

Mas se perguntamos (aberto) “O que você achou do filme?” eles vão conversar por horas, sobre quais foram os momentos que gostaram, não gostaram, e até talvez puxar outros filmes para a conversa!Ao conversar com

Ao conversar com Mr. W sobre o treinamento ele também me explicou que na sua profissão de advogado essas diferenças em perguntas são vitais e tudo depende se ele está defendendo ou acusando alguém e o quanto deve expandir suas histórias.

Por ser introvertida (sobre o que falei aqui) , tenho a tendência em não expressar muito interesse pelos outros – não por egoísmo, mas por receio de estar me intrometendo demais – e mesmo quando o faço, a tendência é de olhar para as minhas experiências, os meus conselhos, o que eu tenho a dizer. Re-aprender sobre o poder das perguntas abertas – eu já havia ouvido sobre isso antes – me abriu os olhos para não somente ter um relacionamento mais positivo, amigável e colaborativo no serviço mas também no meu dia a dia, com amigos e família. Na maioria das vezes me pegava com esse conflito de que existia essa barreira de como começar uma conversa, como fazê-la durar, como aproveitar a interatividade com outras pessoas, principalmente quando conhecia alguém novo. Agora, perguntas abertas são meu maior truque de mágica! E tem um truquinho mais fácil de usar ainda, usar TED – T para “tell me” , começando conversas com “Me diga”, “me fale”, E para “explain” , “Me explique”, D para “Describe” , “Descreva”. Os três são aberturas que podem ser utilizados como “O que você acha de…”, “Como você se sente se…”, “Quais você…” e muitas mais por aí que teriam o mesmo resultado…

Indo de mãos dadas com isso, veio a diferença entre perguntar o famoso “Oi tudo bem?” brasileiro que pede somente um Sim ou Não ou mais ou menos, pelo “How are you?” (Como você está?) inglês, onde pessoas podem realmente explicar como elas estão e dar mais detalhes se elas assim o desejarem. Aqui normalmente a resposta vai ser um ‘fine‘ – “Estou bem”, um ‘not too bad, thanks’ ou ‘not bad at all!’, que merecem seu próprio parágrafo ;)

O ‘not too bad, thanks‘ literalmente traduzido, pode dar a impressão de significar um “não tão mal, obrigado” ou “não tão ruim, obrigado”, levando a crer que a pessoa está passando por um momento não tão favorável. Mas com o tempo aprendi que a expressão aqui no Reino Unido é simplesmente um diminutivo do “Tudo Bem”, quando a pessoa não está tudo 100% bem, mas ainda ainda assim a pessoa está mais para o lado de estar bem do que ruim. O ‘not bad at all!‘ usa a negativa “not at all” que significa “nem um pouco”, ou seja, significa que a pessoa está literalmente “Nem um pouco ruim” -> “Está tudo 100% bem”. Me levou um pouco de tempo para entender as nuances e o negativismo das respostas britânicas e começar a adotá-las também, mas de uns tempos para cá tenho feito uso de respostas e escolhas positivas quando me perguntam como estou, e bani essas expressões de meu vocabulário, assim minha mensagem poderá ser sempre positiva!

Claro não são todas as vezes que eles expandem, mas em minha experiência eles normalmente seguem com um comentário sobre o final de semana (se fôr sexta ou segunda) ou sobre o clima e sua previsão pelo menos e a conexão se torna mais íntima e positiva.

Já tenho percebido as diferentes reações de quando pergunto “Como estão as coisas?” para amigos e familiares brasileiros, tão mais explicativo e inclusivo do que o antigo “Oi, tudo bem?” e por aqui, depois que comecei a perguntar mais com honestidade “How are you feeling today?” “Como você está se sentindo hoje?” Nem que seja para me dizerem que estão ocupados e pra terminar a reunião rapidinho ou ir embora e deixá-los em paz!

E é claro, não há garantias contra o “How are you” Vortex, ou o ciclo vicioso que “Um Como você está” pode gerar…

Oi como estão as coisas? Tudo bem e você? Tudo ótimo, e a vida como tem te tratado? Bem, bem e você? Não posso reclamar, e você? …

Expliquei no começo do post que comecei a conversa com a pessoa com quem perdi o contato com um “Como vai você?”, assim o fiz para  realmente mostrar minhas sinceras intenções de saber como ela está. Ainda não me respondeu, e a sua reação está fora de minhas mãos, há somente tanto que podemos fazer, o resto eu respeito e coloco na gavetinha de ter seguido meu instinto quando senti a necessidade de refazer a conexão.

E você, qual a sua experiência com perguntas abertas e fechadas em diferentes lugares do mundo , com pessoas diferentes? Me explique aí nos comentários ;)

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Do povo para o povo – III

Esse é mais um dos posts-desabafo. Debati comigo mesma se deveria escrever ou não, mas tem me rondado, e não posso mais me calar. :-$ Como diria o defunto Rá-tim-bum, senta que lá vem história.  :>

Ou se não gosta de política, já dê a meia-volta e passe para o próximo blog da lista porque hoje é papo daqueles que, confesso, podem ser chatonildos!  :-B

Já escrevi sobre meu descontento com a democracia aqui e acolá, onde mencionei minha personalidade que descrevo como “socialista hipócrita” mas hoje venho escrever sobre o meu contento, o processo de escolha do novo líder do nosso – suposto – partido de esquerda, o “Labour Party” , literalmente o Partido Trabalhista.

Começando do começo, um pouquinho de história, nas eleições que aconteceram em Maio (ao invés de encher o blog com dados melhores explicados em outro lugar, clique aqui para ler como o processo no Reino Unido é diferente do Brasil e EUA – e lembrem-se, votar aqui é opcional), a direita, o “Conservative Party”, apelidado de Tories e literalmente o Partido Conservador, re-ganhou a maioria do Parlamento, depois de 4 anos de uma coalizão com o partido de meia-esquerda, os “Liberal Democrats”, literalmente os Democratas Liberais. Antes deles, o Labour Party governou por 12 anos, 3 mandatos consecutivos, sob o comando de Tony Blair. E antes dele, os Tories governaram por 18 anos, sob Margareth Tatcher por 3 mandatos consecutivos e  1 de John Major.

A eleição de Maio foi uma decepção para os seguidores do Labour Party, por dois motivos. O novo partido do clube, o “UKIP”, “United Kingdom Independance Party”, literalmente o Partido de Independência do Reino Unido, com visões nacionalistas extremistas, que por exemplo advoga o Reino Unido a sair da União Européia, e o “SNP” , “Scottish National Party”, literalmente o Partido Nacional Escocês, ganharam força e votos aonde o decepcionante LibDem – que mentiu ao prometer cortar os empréstimos a estudantes indo para a faculdade e na hora do vamos ver aceitaram aumentar o preço e os juros durante a coalizão – perderam seus votos.

 

LibDem nem dá a largada, Labour não consegue se levantar e Tories ganham por uma margem. Assim foi Maio de 2015!

A grande perda do partido ao SNP e a perda dos votos dos LibDems para a Direita (via votos ao UKIP e Tories) levou o líder que concorreu a Primeiro Ministro, Ed Milliband, a renunciar seu cargo, e a corrida para escolher uma nova ou um novo líder começou. Uma regra da época de Harrold Wilson (o último PM Labour antes de Tony Blair) foi trazida à tona novamente e significa que qualquer pessoa pode votar para o novo líder. Isso mesmo, sem politicagem, sem cabides de emprego, sem favores, sem chantagem, sem interesses. Tudo que você teria que fazer é se registrar como adepto ou afiliado do partido. Para ser adepto, basta pagar a taxa (existem cenários e preços diferentes) ou ser membro de um sindicato ou associação afiliada ao partido e pronto!  =D>

Com isso, a perda de Maio também fez 20 mil pessoas se inscreverem ao partido em um espaço de 3 dias  :O , entre eles, cansado de só reclamar do conforto do sofá, Mr. W!

Eu me segurei um pouco, sou divida entre Labour e o “Green Party”, literalmente o Partido Verde. Nas eleições de Maio acabei votando (aliás, James teve minha procuração para votar por mim, já que estava no Brasil :-D ) Labour para o Parlamento e Green Party para o “Local Council” – o equivalente à prefeitura brasileira. Explicando minha escolha, aqui se vota bastante taticamente, aquela velha mentalidade, que me lembro existia no Brasil antes de Lula, de que se votar nesse ou naquele partido você está tirando as chances de um partido maior e que você não concorda tanto mas em teoria tem a maioria em ganhar e seu voto iria para aqueles que você não quer que ganhe de jeito nenhum, e me deixei levar achando que meu voto faria a diferença para Labour. Não fez. 71% eleitores do condado votaram, e perdemos para os Tories, que mantiveram o lugar no parlamento que têm desde 2001, UKIP ficou em segundo, mas o Green Party ficou em terceiro! Com um aumento de 3.7% dos votos, se tivesse votado com a minha convicção, poderia ter ajudado a essa porcentagem ser um pouco mais alta!   :-q

No mês passado, Mr. W me levou aos “hustings” em Brighton, uma espécie de debate, em que todos candidatos respondem perguntas selecionadas, um de cada vez, e sem direito de discussão ou de réplica. Vimos os 4 candidatos a líder e os 6 candidatos a vice-líder. Saí de lá uma tagarela, voltamos o tempo todo conversando no carro, e eu super animada e apaixonada por Jeremy Corbyn   8->

O sistema de votos nessa eleição do líder do partido é por ordem de preferência. Escolhemos o primeiro, segundo, terceiro e quarto favoritos. O meu voto vai ser assim:

Como Jeremy pode ganhar as eleições para líder: Ele é contra Programa Anti-Nuclear Tridente, Austeridade, Intervenção Militar. Na ordem, Burhnam, Copper e Kendall ainda se pronunciam a favor ou em cima do muro dessas políticas.

  1. Jeremy Corbyn – Claro, meu presidente em Leleilândia :)>- , sim por que em Leleilândia não tem parlamento e não tem Rainha, todo mundo é votado do povo para o povo, um voto vale um voto direto, igual ao Brasil e diferente dos EUA e daqui, pelo menos até acharmos um sistema que funcione melhor! Voltando à lição de história, Jeremy foi o candidato escolhido para concorrer a líder pelos “back benchers” literalmente a turma do fundão, e como são chamados os membros do parlamento que não são e nunca foram ministros. Diz a imprensa que o escolheram como alguém somente para gerar debate, para mostrar que o partido se importa com as visões esquerdistas e socialistas percebidas como esquecidas pelo eleitorado. Jeremy é socialista de carteirinha, humanitário, pacifista e ativista. Por exemplo, no mês passado ele foi o único dos quatro candidatos que votaram contra a lei do “Bem-Estar” – que inclui corte de benefícios a quem tem mais de 2 filhos – os outros 3 candidatos se ausentaram e a lei passou ao próximo estágio que agora é esperada ser lavrada.
  2. Andy Burham – Porque ele promete colocar Jeremy como um de seus ministros (e eu espero que seja da habitação) se ele ganhar a eleição para liderança. E porque muitos de seus preceitos estão também de acordo com a minha opinião mas ainda o acho muito em cima do muro ou fraco em sua postura. Sua mãozinha de política em punho fechado e seu comportamento pessoalmente e com a imprensa não me passam convicção suficiente.
  3. Yvette Cooper – A mulher com maiores chances de ganhar é uma “Blairite”, como se diria no Português claro, uma cria de Blair, e que segue as mesmas políticas. Esquerda mas nem tanto, é como se fôsse um PSDB, ainda a favor da privatização e armamento e a participação do Reino Unido em Guerras. Não gosto dela usar feminismo como muleta em sues discursos. Cada vez que ela fala “É hora de uma mulher de esquerda ser líder” quero colocar o tampão de ouvido %-( . Então eu deveria votar para alguém que eu acho que é menos competente para me representar só porque ela é mulher? Diferente da líder do SNP, Nicola Sturgeon, que admiro e em quem votaria, Yvette se demonstrou com ideais sociais fracos e com os mesmos problemas de Ed Millband.
  4. Liz Kendall – Outra Blairite, mas mais de direita ainda, propõe continuar os cortes governamentais, algumas políticas ambientais que propõe contradizem com minha posição política. Sua maneira de comunicar como se fôssemos criancinhas de 3 anos me dá nos nervos ~x( e não consigo imaginar um governo com alguém como ela no poder.

    Blair ganhou 3 eleições seguidas mas deu um tiro no pé quando se juntou à guerra do Iraque contra a vontade popular, não ajustou o sistemas de benefícios e gastos parlamentares, e mudou a educação para pior. Seria um de seus seguidores a escolha que o partido quer?

Pronto, isso explicado, continue sentada ou sentado porque ainda tenho coisa pra escrever.  :>

Tudo estava indo bem, com uns políticos criticando a popularidade de Jeremy que começou a crescer depois que os sindicatos decidiram o apoiar e recomendar que seus associados votassem nele. Blair disse que aqueles votando em Jeremy com o coração deveriam fazer um transplante de coração. Uma membra do parlamento disse que foi retardada quando indicou Jeremy a ser candidato. O discurso de que Jeremy é inelegível, de que se ele fôr escolhido como líder Labour não vai ganhar uma eleição por 20 anos (hein? :-?? ) se tornou mais forte. As candidatas se tornaram papagaias toda vez que perguntam porque merecem ser líder, falam “Porque não adianta ter ideais, é preciso estar no poder”. Me deixa doente  X_X Preciso explicar porque?

Mr W era do mesmo ponto de vista, e queria votar em Andy como primeira opção. Em uma de nossas longas caminhadas (que invariavelmente termina falando em política) o convenci da história do Brasil, de como mesmo com PMDB e PSDB sendo as duas potências por décadas, mesmo com Globo e suas novelas querendo a direita e meia-direita no poder, a esquerda prevaleceu e ainda prevalece. Não perfeitamente, mas o mais perto que podemos ter até conseguirmos limpar a corrupção de nossos caminhos, daí Leleilândia aí vamos nós!  :-bd

De que como podemos esperar que um governo nos represente se votamos pensando em ganhar e não em nossas convicções? Se todos votam com medo de não ganhar, como acreditar que podemos mudar o mundo? Não assistiu FormiguinhaZ não?  /:)

A conclusão foi de que acho que Jeremy é elegível pelo mesmo motivo de Lula. Ele fala diretamente a todos, àqueles que perderam a esperança em votar por acharem de que não adianta nada. Sua mensagem é parecida com a de Obama, de dias melhores, em que todos podem se beneficiar por um governo mais igualitário. Ele acaba com os medos de que são imigrantes que causam problemas ao país, ele mostra de onde vai tirar o dinheiro para pagar as contas (exemplos: mais taxas à classe AA, fechar buracos na lei que permitem a sonegação de impostos, menos dinheiros cobrindo rombos de empresas que foram e estão sendo privatizadas, começará a criação de empregos em indústrias novamente). Como não concordar com esse homem?

Claro ele é inelegível, porque claro existem interesses da cúpula, do poder político e e instituições financeiras e em suas crenças, podem o parar, manchando suas convicções, sua vida e seus seguidores. E claro, seria ingênuo pensar que somos conseqüência da máquina. Pode ser que sou em que estou errada em minhas convicções, pode ser que existem mais pessoas lá fora felizes com o que está acontecendo no país atualmente, e porque não? Afinal Tories foram votados na maioria, e não há argumento contra as urnas e o que a maioria do povo quis.

Duas semanas depois Mr. W foi convencido por um artigo no jornal que explicava exatamente o que eu tive dificuldade de fazê-lo mudar de ideia – plantei a semente e o artigo foi a água que regou minha planta. E os que são a favor de Corbyn começaram a sair da toca, mais e mais pessoas se juntaram ao partido – principalmente depois do voto à lei do Bem Estar – já estamos em mais 65 Mil pessoas desde Maio, a maioria espera-se que seja para votar para Jeremy mas como não existe como fazer pesquisas, só saberemos quando o resultado sair dia 12 de Setembro (mal posso me conter! :-SS )

E pelo jeito todo mundo se irritou com aqueles que ofenderam a nós, que gostamos de Corbyn, seu suporte está maior do que nunca.

As campanhas para ser líder: Corbyn, e os outros

Então, hoje foi o último dia para quem quisesse se inscrever ao partido.

Sexta começamos a receber os formulários para votar, via e-mail e pelo correio. Tudo indo conforme o planejado? Não responda ainda! Hoje apareceu mais uma confusão negativista dos políticos do partido amedrontados pelo suposto monstro do socialismo, bichão de 7 cabeças que te pega enquanto você dorme.

Explico: Desde de que Jeremy começou a ganhar forças como um candidato viável, os Tories dizem ter se”infiltrado” no Labour. Se inscreveram, para votar em Jeremy e acreditam que assim iriam acabar com as chances de Labour ganhar a próxima eleição. Injusto, desleal e corruto? Sim, e como negar? E fato: Aproximadamente 1200 das 65000 novas inscrições foram identificas como possível infiltrações e negados acesso ao voto. Aquelas de jornalistas e políticos identificados como Tories.

Isso fez com que Labour entrasse em pânico e dissesse que vão cancelar as eleições. Até que se tenha uma maneira de saber somente quem é de esquerda pode votar e quem está ligado ao partido. Basicamente dizendo, adoramos a democracia, desde que você vote em quem queremos que você vote. Triste não? Assim como outros telefonando o rádio, escrevendo no Facebook, Twitter e seguidores da esquerda verdadeira, eu digo, venham Tories, e votem, votem sim no Jeremy! Deixe-o nos mostrar que se pode ser eleito como esquerdista. Melhor ainda, vamos nos livrar de rótulos! Deixemos de ser equerdistas, socialistas, direitistas! Seremos o partido que se mostra humanitário, que se importa com o futuro de nossas gerações! Esquerda, direita, quem se importa?

Ou que não seja eleito, mas que nos dê uma oposição humanitária e decente, colocando uma barreira quando Tories quiserem ignorar as classes mais baixas, deficientes físicos e mentais, minorias raciais, o acesso à educação, saúde, à lei, polícia, transporte, energia e tudo que chamamos de serviços públicos e cada vez mais se tornam particulares, com qualidade duvidosa e liberdade para cobrarem o quanto quiserem de nós.

Muito triste ver um partido quebrado, com medo de perder eleição mais do que com medo de perder seus ideais e o que representam.

Espero o resultado para saber se me junto e me torno afiliada de um Labour, que terá que se unir para ganhar meu dinheiro e esforço ou se me afilio ao Green Party e sei que é um partido pequeno agora, mas em ter esperança de sermos mais e melhores no futuro, e representar no que realmente acredito. Mesmo que aceite a perda em nome dos meus direitos.

Falando em direitos, deixo como uma pitada de pimenta,  uma música que me inspira e me dá arrepios, do grande Bob Marley, ídolo de meu maninho amado Mr. D!

Most people think
Great God will come from the skies
Take away everything
And make everybody feel high
But if you know what life is worth
You will look for yours on earth
And now you see the light
You stand up for your rights
A maioria das pessoas pensa
Que o grande Deus vai surgir dos céus
Levar tudo
E fazer todo mundo se sentir elevado
Mas se você sabe o quanto vale a vida
Vai cuidar de sua elevação aqui na Terra
E agora que você enxerga a luz
Lute pelos seus direitos
[…]

We sick an’ tired of-a your ism-skism game
Dyin’ ‘n’ goin’ to heaven in-a Jesus’ name, Lord
We know when we understand
Almighty God is a living man
You can fool some people sometimes
But you can’t fool all the people all the time
So now we see the light (What you gonna do?)
We gonna stand up for our rights! (Yeah, yeah, yeah!)

Estamos cheios e cansados do seu jogo de ismos
Morrendo e indo para o paraíso em nome de Jesus, Senhor
Nós sabemos e entendemos
O Deus poderoso é um homem vivo
Vocês podem enganar algumas pessoas algumas vezes
Mas não podem enganar a todos o tempo todo
Então agora que você enxerga a luz (O que você vai fazer?)
Vamos lutar por nossos direitos! (Sim, sim, sim!)

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Retrospectiva 2015: Janeiro, Fevereiro e Março

Já que esse é um blog sem tema, sem objetivo, sobre tudo, então bora pelo menos tentar não deixar virar um blog sem posts e literalmente sobre nada.

A comadre e ela fazem o resumo do mês, e vou roubar a idéia de leve. Pois como já dizia Picasso: “Bons artistas copiam, excelente artistas roubam.” Mas  vou copiar diferente, porque o tempo passa mais rápido do que dá pra perceber, e quando vou ver, já foi!

Deveria sim fazer ser um blog interessante, sobre algo que tenho pra falar, mas nesse momento eu quero fazer dele um registro pra olhar pra trás e ver o que se passou na minha vida. Quero não me levar tão a sério, ser tão certinha, não levar tão em conta o que outros fazem ou falam que deveria ser feito em um blog. O que significa diretamente meu lema do ano, de fazer o que eu quero e não o que deveria fazer.

Janeiro:

Amigo Secreto atrasado: Engraçado como quanto mais encontro com o pessoal querido, mais quero encontrar. Consegui ver os compadres (e a afilhada!) e mais um pessoalzinho brazuca pro tradicional amigo secreto – que sem querer acabou virando o amigo secreto atrasado. Faltaram algumas figurinhas carimbadas que se mandaram pro Brasil nos deixando aqui no friozinho, mas mesmo assim valeu a pena, com pão de queijo sendo devorado assim que saía do forno, torta de frango agradando a dona da casa, pudim de leite que mesmo dando errado deu muito certo, quindão agradando o dono da casa e chocolates, amendoins e decoração e árvore de Natal sendo desmontada pelas ajudantes voluntárias (a afilhada e a mana) se divertindo com nossos presentinhos de papel isopor embrulhados em papel laminado. Colocando o toque final, assistimos o Filme Lego, mas confesso que apesar de darmos 5 estrelas, as crianças não entenderam as piadas. O que nos proporcionou à Dona L. perguntando do que estávamos rindo e adicionando mais charme ainda à sessão cinema. Seu pai C. não compreendendo a história só nos provou que no fundo no fundo ele é uma criançona escondida em sua fachada de pai responsável :)

De papel repassado: Depois de muitos horários marcados e desmarcados, documentos atravessando o Atlântico na mala de Dona D  , e muitos e-mails prontamente respondidos pelo consulado, registramos nosso dia e agora somos casados tanto aqui como em Terra Brasilis. E só temos elogios ao atendimento do consulado. Rápido, eficiente e amigável. Depois disso, mandei o passaporte para ser renovado pelo correio, já com o novo nome – que nós dois adotamos, uma combinação de duas pessoas que se unem – e o processo foi simples, rápido e sem enrolação. Me surpreendeu,  e claro que poderia ser melhorado, mas está a anos-luz da burocracia que conheci em minha vida brasileira e britânica.

Parabéns a vocês: Teve a festa de Dona D, que comemorou no Porterhouse, um bar super badalado em Covent Garden, com direito a música ao vivo. Além de ter dado um abraço apertado pessoalmente nessa pessoa fofa, conheci mais um pessoal super bacana e tomei uma garrafinha da cerveja de morango que é difícil de achar por essas bandas. A aniversariante levou um bolo delicioso pra cantarmos a música do dia, distribuiu sorrisos e simpatia como sempre! Pena que tive que voltar mais cedo por causa do horário do trem…

Também teve a festa do cantor da banda do Mr. W. Uma festa a fantasia, com tema Disney, fomos de heróis Marvel. Eu de viúva negra e ele de Thor. O aniversariante fez cenário (a mesa de bolos era a mesa do Andy do Toy Story) e músicas heavy metal se misturavam aos hinos dos contos de fadas. Voltamos verdadeiramente a ser crianças nessa festa de 40 anos, e desconfio que os donos da casa colocaram uma vassoura atrás da porta para que finalmente fôssemos embora às duas da manhã!

Para fechar o mês, teve a festa de mini-Mr-J, tema monstros com direito a monstrinhos a carater! Fomos ajudar na montagem da decoraçãos, ajudamos na limpeza e servindo bebidas e quitutes e ainda vimos os amigos da turma Mr. W e seus filhotes de lambuja. O local foi excelente, no salão de uma igreja, era espaçoso e a idéia dos pais de colocarem uns brinquedos de chão fizeram os pequenos correrem e se divertirem à beça, sem bagunça e sem stress com barulho! Ficamos um pouco mais conversando no pub depois da festa colocando o papo em dia. Delicinha de dia!

Jantarzinho a dois: Como reconhecimento de um projeto que completei no ano passado, a minha empresa nos pagou um jantar a dois onde escolhêssemos. Fomos no Drake’s , um restaurante com uma estrela Michelin em Ripley, Surrey (um condado adjacente a Londres). Gostamos bastante e está na nossa lista de locais para gastar esses prêmios extras. Vou escrever um post sobre o restaurante em separado – um dia desses  :>

Vivendo e aprendendo: Fiz um curso financiado pela empresa, Fundações de ITIL – Information Technology Infrastructure Library – uma metodologia de como implementar sistemas de TI seguindo a biblioteca de guias criados pelo governo Britânico. Eu já trabalhava com esse sistema, mas achava que era a minha empresa quem o tinha criado. ITIL é muito maior e mais utilizado mundialmente. Foram 5 dias de classes e depois de estudar o domingo inteiro fiz a prova na segunda-feira, a qual passei com orgulho. O curso deixou com cosquinha de aprender mais. O próximo foi o de Transição em Sistemas, na semana passada, e farei o resumo no próximo post de retrospectiva.

Fevereiro:

Bom te ver de novo: A Dona V. voltou de Madrid para uma visita rápida, mas deliciosa, como sempre. Aproveitamos para rever outros amigos, como Dona C. e conhecer seu mini-Mr. L, uma simpatia de bebê e super calminho, se distraindo com os menus e apetrechos da mesa. Fomos no Canteen, um dos meus restaurantes britânicos favoritos, fiquei nas opções light e dividi a sobremesa – torta de maçã – com a anfitriã do encontro, que foi embora rapidinho e deixou saudades, já nos deixando planejando o próximo encontro!

Despedida: Perdi uma tia. Uma doença súbita pegou a todos de surpresa, deixou 3 das minhas primas a continuarem suas jornadas comente com o pai ao lado delas. A distância que o divórcio dela e de meu tio causou só me foi entendida depois de que passei por uma separação eu mesma. Ficaram  remorsos de não ter tentado reatar o contato com ela, mas o fato de ter lhe escrito uma carta anos atrás explicando o quão importante ela foi em minha vida me dá um conforto de saber que ela sabia que era amada por mim. Na carta recordei dos momentos que brincávamos de vôlei no quintal que hoje sei não era tão grande quanto me parecia, mesmo jogo de vôlei em que ela bateu a cabeça pegando a bola do outro lado da muretinha e que nos rendeu boas risadas por anos a virem. As lembranças de quando ela fritava o lambari que meu tio trazia da viagem de pesca, e que nunca comi igual ou melhor. Das batatas fritas que ela fazia quando eu ia dormir lá, das vezes que ela me deixou cuidar da prima bebezinha, e que me fez por anos querer trabalhar em um berçário ou ser professora por gostar tanto de ter esse papel. As lembranças do carteado no Natal, dos dias que passávamos no bar que ela tomava conta e nos dava uns doces, pé de moleques ou doces gibi. Fica a saudade, de quem não pôde estar ao lado das primas para a despedida final, mas daqui fiz minhas meditações, pensei em todas as coisas boas que passamos juntas e ofereci palavras de conforto àqueles que sentirão a dor do vazio da uma mãe, avó, filha e irmã. É uma das partes de viver longe que se esquece quando se pensa que é algo fácil de se fazer e de viver.

Parabéns a você: Nesse mês comemoramos o aniversário de Mr. W. Por Janeiro ter sido tão ocupado vendo a todos e tantos passeios, ele optou por um final de semana tranqüilo, ao sofá e caminhadas. Assistimos muita TV – post separado com filmes e seriados um dia desses   :>  A sombra da partida da minha tia pairou sobre esse dia, mas conseguimos fazer dele um dia especial com muito amor, carinho e ainda maior valorização da importância dessa comemoração, desse ano a mais que passamos juntos, e o primeiro lado a lado como hubby e wifey.

Rir como melhor remédio: No final do mês fomos a um show de “comédia em pé” . Steward Lee é um dos comediantes favoritos de Mr. W e sempre assistimos seus programas de comédia com aquele sarcasmo ácido que somente os Britânicos sabem fazer de uma maneira engraçada. Eu me adaptei ao humor sarcástico e satírico tão forte nessa cultura da Rainha, mas confesso que apesar de chorar de rir em pedaços do show, em outros, me passou meio batido. Já era claro que o show era experimental, uma espécie de teste de piadas para a nova série de TV que virá esse ano, então tudo perdoado! O show foi no glive em Guilford, uma opção mais longe de Londres, mas ótimo para aqueles que escolheram a vida no subúrbio. Com restaurante, estacionamento, e um espaço amplo com bom som e vista do palco, provavelmente voltaremos lá no futuro!

Cuidando das pequenas: O plano era irmos na fazendinha com parquinho aqui perto de casa, mas o clima não colaborou. Mesmo assim a tropa L-M e as Mtws vieram passar o dia conosco. Fizemos sorvete, desenhamos, brincamos de Lego e jogamos monopólio. Enquanto casal L-M dava uma caminhada pelo centro da cidade e almoçavam a dois, levamos as meninas ao parquinho público, com direito a bumbum sujinho e molhado de brincar na grama de chuva e as “tias” que não eram rápidas suficientes para limpar os brinquedos!

Março:

Tarefas de casa: Mr. W levou MYPMYP (meu carro) para fazer o certificado do MOT (Ministry of Transport). Depois dos custos que tivemos o ano passado arrumando uns problemas que estavam acontecendo, MypMyp passou no teste na primeira vez, uma alívio já que muitas vezes carros usados voltam com pedidos de conserto antes de serem aprovados. O teste em si foi super fácil de agendar, com uma mecânica aqui pertinho, em uma hora estava tudo pronto! Com isso na mão, renovei  o seguro – obrigatório por essas bandas – e também paguei o importo de carro (Car Tax), tudo fácil e rápido pela internet!

Jantando fora, mas dentro de outras casas: Finalmente dois convites de “vamos marcar um jantar lá em casa um dia” se tornaram realidade. Primeiro fomos na casa do sócio de Mr. W. Apesar de ser assim aqui em casa, e Mr. W cozinhar 90% do tempo, a supresa ainda é presente quando vejo o marido cozinhando enquanto a esposa entretém os convidados, e foi assim dessa vez, assim como muitas aqui no Reino Unido e Mr. R nos preparou um delicioso curry tailandês com cheesecake de mixirica, seguido do prato de queijos – praxe em jantares britânicos. Comemos bem, bebemos bem, e o papo foi tão excelente que fomos expulsos da casa com muito bom humor à quinze para uma da manhã quando ele lembrou que tinha tinha que acordar para atender ao pedreiro cedinho no dia seguinte.

Também fomos à casa de Miss S. e Miss. L. Conhecemos seus gatunos, assistimos o Cruft (uma espécie de competição para cachorros em que donos exibem seus dotes de treinamento e o quão bonitos os deixam) e Take Me Out (um programa em que um garoto é exibido a solteiras e um casal acaba se escolhendo para sair juntos ver se começam a namorar) mas na verdade a TV ficou só de fundo mesmo. Conversamos por muitas horas, jantamos comida chinesa, e de sobremesa um pudim de chocolate light e delicioso!

A grande tela: Fomos ao cinema, para assistir Memórias (Sturdust Memories) de Woody Allen. Um filme de 1981, a razão de irmos foi outro comediante, Armando Iannucci. Esse trabalha mais como escritor, criador de shows como “Alan Partidge” e “The Thick of It” – talvez eu escreva um post sobre esses programas um dia desses :> A cada mês, o BFI (British Film Institute, Instituto de Filme Britânico, dos quais somos sócios) promove uma apresentação com diretores, atores, escritores e pessoal do ramo para falarem sobre um filme que marcaram suas vidas e foram um momento de inspiração em suas carreiras. O filme é em preto e branco e diferente das comédias tradicionais de Woody Allen. É a história de quem está tentando mudar de foco, mudar de linha de criatividade e acaba sendo criticado por quem se alimenta de seus produtos. Achei bem bacana, mas a introdução do programa e explicação de Armando ajudou entender esse filme surreal, com muitos detalhes para se prestar atenção e quase auto-biográfico.

Cumprindo um direito: A eleição geral está se aproximando e infelizmente estarei viajando no grande dia. Para ter certeza de que minha opinião conte, completei o processo de dar permissão a Mr. W para votar para mim. Peguei o formulário na internet, preenchi com o nome dele, e mandei para a regional. Semana passada foi confirmado que ele agora está autorizado a votar por mim, fácil assim! Aqui voto não é obrigatório, e apesar da minha região ser uma das áreas que mais votam, ainda existem 35% de pessoas que não se importam com o que é decidido com suas vidas e seu país. Eu quero ser parte dos 65% que têm sua voz ouvida e estou decidindo ainda para quem meu voto vai. Vou escrever um post sobre as eleições daqui em separado – um dia desses  :>

Em geral o objectivo de fazer o que quero e não o que devo foi cumprido. O peso começou a baixar novamente e lhes escrevo a 6 quilos de minha meta, mas dentro do índice de massa corporal saudável. Muitas caminhadas, dietas 5-2 e muitas comidinhas gostosas entre um e outro.

E rapidinho Abril chegou. Não tirei muitas fotos, não li blogs, não voltei pro Twitter nem pro Facebook. Mas a vida foi lembrada, celebrada, e sua perda lamentada. No meio de Abril fecho esse capítulo, abrindo mais um, viajando, voltando, vivendo. 

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Feliz 2015!

Uau, por onde começar?
Dois mil e quatorze vai ser um ano difícil de bater. Daqueles que apagam tudo de ruim que aconteceu, e deixam boas marcas na nossa história. Cheio de coisas gostosas, sorrisos compartilhados, desejos realizados. Eu e Mr. W assinamos o papel que trocou nossos nomes em um dia quente de verão, com pingos de chuva pra nos refrescar e rodeados pelas pessoas mais presentes em nossos capítulos.

Mas isso fica para outro dia! Junto com a fila quilométrica de posts para escrever.
Começo o ano de 2015 atrasada, e fora de ordem e daí?
Vou começar com uma das frases que me são entregue todos os dias como inspiração, e será meu sexto mantra.

“Most people are so busy knocking themselves out trying to do everything they think they should do, they never get around to do what they want to do.”
– Kathleen Winsor

” A maioria das pessoas são tão ocupadas se cansando tentando fazer tudo que pensam ser o que deveriam fazer, elas nunca conseguem fazer o que querem fazer “

Recebi em meu email em Novembro do ano passado e como me abriu os olhos! Sou daquelas pessoas que gostam de tudo certinho de tudo como deve ser. Mas pensando mais sobre a frase, também percebi que não existe barreira entre o que quero fazer e o que deveria fazer. Passei, desde Novembro a conciliar os dois e a prestar mais atenção no que eu quero, e a partir desse momento, é o que devo fazer. Simples assim!

E deixei de fazer o que devo, somente porque devo. Me deixando frustrada, me deixando cansada, me deixando infeliz e não realizada. Tem funcionado até agora, e em time que está ganhando não se mexe ;)

O que inclui não ter metas. Não gosto de metas, que no fim do ano me são esquecidas e colocadas na pilha de coisas que falhei fazendo.
O que inclui não ter ordem para posts no blog. Ou ter que ser ativa nas redes sociais. O que me coloca sob pressão de achar mais horas no dia, ou abrir mão do que quero fazer. O que me deixa estressada, e desinteressada em coisas que acontecem na minha vida fora do computador.

O que inclui um monte de coisas que deixaram de ser feitas, e provavelmente muitas mais virão, substituídas por coisas que me deixam feliz, me dão a liberdade de escolher o que, quando e onde fazer.

Incluindo não ter mais regras para meu blog, baseado no que dizem por aí que é o que eu deveria fazer ou deixar de fazer. A começar por esse. Sempre achei que deveria deixar um por assunto, e evitar deixá-lo muito longo.

Pois bem. Quero deixar duas coisas registradas aqui! E o post e texto vai ser longo!
Mas para ajudar a leitura, ainda deixo uma dica :)
Quem não tem tempo ou energia para ler tudo, vá direto ao texto em laranja. Os 5 mantras de Rik Mayall, que adotei para 2015.

Rik Mayall foi um comediante inglês, um dos favoritos de Mr. W, que faleceu no ano passado. Do estilo pastelão e sarcástico, é bem o que chamamos de humor britânico, e não é todo mundo que sacava a dele – para passar um pouco como ele era, deixei o texto completo, para ver mais ainda, clique aqui para ver suas expressões faciais ao discursar.
Em 2008, ele recebeu um doutorado honorário e o texto que me inspirou é a tradução de seu discurso de aceitação do diploma, feita durante a formatura dos graduandos.

Senhoras e senhoras
“Vinte e oito anos atrás, Paul Jackson entrou em uma boate incipiente em Londres chamada Comedy Store e me perguntou se eu gostaria de trabalhar na TV, o que era impressionante na época.
Haviam somente 3 canais, então se você estava na TV, você seria famoso da noite para o dia!
Então eu disse sim , sim, por favor, eu gostaria de estar na televisão e fui até a BBC e lá, no departamento de maquiagem, eu vi a mulher mais linda do Planeta e ela rapidamente se tornou minha amiga, e daí minha melhor amiga, daí minha amante e daí grávida, e daí minha esposa e daí a mãe das minhas 3 crianças.
Então Paul, quero usar essa rara para te agradecer formalmente e publicamente pela minha vida.
E então para a ordem do dia. O doutrado de Rik Mayall.

Senhoras e senhores, isso é extraordinário. É uma honra de tal tamanho. Tal alegria. Tal presente. Tal terrível engano!!

Eu fiz quase todas as coisas em minha vida longa e nojenta, e eu pensei que tinha feito quase tudo disponível a mim, mas eu nunca imaginei em meus sonhos mais impossíveis que algo assim poderia me acontecer.

Eu NÃO sou uma pessoa inteligente, e eu consegui disfarçar esse fato por um longo tempo, e agora vocês laudáveis me pegaram, e aqui estou com todos vocês, CDFs, e sou um homem com nenhuma célula cerebral a mencionar.

Sim, eu passei meus exames em 1967*, e tudo despencou a partir daquele momento. Fui reprovado em 7 Level Os* , fui reprovado meu exame de matemática 3 vezes, e e ganhei um F***-** nos meus ALevels*, F de Falhar, vocês sabem!

Mas mesmo assim, a Universidade de Marchester me admitiu! Baseado em uma entrevista, eles não são do mesmo padrão de vocês claro, eles aceitam qualquer um lá! Mas eu?? D’oh!

Agora, eu não exatamente falhei meu curso em Drama em Machester, eu simplemente não apareci para fazer as provas. Não que eu fosse estúpido demais, mas era bêbado demais e eu estava na cama demais com garotas do curso de Inglês!

Então aqui estou, Rik Mayall, um 11 plus, 3 O Levels e um Doutorado! DOUTOR Rik Myall!

Inacreditável.

Então muito obrigado por sua imaginação e caridade, I-N-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l!

Mas, as celebrações de hoje, não são para mim, são para vocês, que se esforçaram e trabalharam pesado! Agora é hora de começar a aproveitar sua vida. Esqueçam-se sobre Acadêmica. Vocês fizeram seu a parte pesada!

Comecem a celebrar seu sucesso, e a colher suas recompensas!

Comecem a viver suas vidas por COMPLETO!

No mundo lá fora, real, e sensual, e desagradável! Vamos lá!! Está na hora de desfrutar você mesmo!

Mas espere, em troca desta espantosa generosidade da Universidade de Exeter, deixe-me dar a vocês jovens um presente.

5 mantras para carregar contigo em suas vidas. Eles são meus. E eles têm me ajudado não somente a sobreviver, mas a ser feliz. Agora, lembrem-se disso!

1. Todos os homens são iguais! E com isso em mente, ninguém pode ser genuinamente superior a você.
2. SEU futuro. É SEU para criar. E é tão brilhante como você o criar!
3. Mudança é uma constante da vida. Então nunca NUNCA perca sua sabedoria. Sua saberia que você alimentou em seu tempo na universidade.
4. Se você quiser viver uma vida completa e inteiramente humana, você tem que ser LIVRE! Liberdade é soberamente necessária.
5. Amor é a resposta.

Então esse é meu presente a você. Somente tenha certeza que você leve sempre contigo:

Igualdade, Oportunidade, Sabedoria, Liberdade e Amor. E você vai estar ok. Esses 5 e um pouco de sorte! Então boa sorte!

Aproveitem a vocês mesmo, tenham uma FUCKING good life (uma vida boa pra cacete!)

Boa jornada meus jovens amigos, boa jornada!

E como não levar esses 5 mantras não só para 2015, mas para a vida toda? ^:)^

Bom 2015 meus amigos e boa jornada!

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Ai ai ai… Tá chegando a hora…

E não, o título do post não é sobre a Copa e a eliminação da querida Inglaterra  :-q

Aos que não se lembram,  lá atrás, há dois anos contei que tinha tido o melhor aniversário da minha vida. Justificando o que acabou tomando conta do meu tempo livre e com o maior prazer, o motivo do blog/twitter/facebook andarem meio às traças.

O relato do aniversário em detalhe ainda está na fila para ser escrito, na fila de tantas coisas que ainda tenho para colocar em dia!

Mas queria e precisava deixar marcado aqui essa data, um mês e um dia* para chegar a hora.

A hora em que não teremos todos os amigos e família que gostaríamos de ter junto com a gente, aqueles que não puderam fazer a jornada, aqueles que se foram antes do dia chegar. Gostaríamos de poder convidar todos aqueles que apertaram nossa mão um dia, que alegraram nosso dia com uma frase de carinho, uma resposta de apoio. Mas teremos aqueles que vão atravessar o Oceano,  aqueles que cabiam no nosso orçamento, os selecionados que durante nossa vida juntos fizeram questão de fazer parte dela, que perguntavam como estávamos quando a nossa peteca caía em perguntar como eles estavam, que fizeram parte de nossa história, assim mesmo que somente mais ligeiramente de perto.

E aqui uso esse espaço para pedir dizer aos que ficaram de fora da lista de convidados, mesmo assim, nunca deixarão de fazer parte da lista de amigos  :x

A hora em que não teremos flores “de verdade” porque é isso que a regra diz que temos que ter. Por diferentes motivos, teremos flores feitas à mão, ou as de “de mentirinha” caçadas nas entranhas  da Internet e das lojinhas de artesanato, ou as duas se encontrando.

Em um mês e um dia*, o planejamento que foi feito (e ainda está) a lápis e borracha por dois anos e pouquinho, as comemorações das grandes e pequenas decisões tomadas, os momentos de angústia enquanto elas ainda eram dúvidas, tudo terá tomado forma, detalhes tão importantes agora se tornarão somente isso, detalhes.

A hora em que não diremos votos e não faremos promessas. Por diferentes motivos, teremos nossa declaração de amor, nossa colcha de retalhos com palavras que têm um significado para nós, as que escolhemos juntos para dizer nesse dia, nossa declaração dentro da lei, nossa mudança de nome, nossas assinaturas que dirão que daqui pra frente seremos marido e esposa um do outro.

*Em um dia, ela chega e tudo vai desacelerar. Mr. W que sabe como me colocar no chão, me acalmar, junto com ela, que sabe priorizar as coisas do tamanho que eles realmente são (acho que pulei a fila do gene, mas tô aprendendo!) vamos todos aproveitar esses últimos dias com muitas coisinhas pra ver, fazer e aproveitar juntas. Essa parte da mãe-filha de cola, tesoura, papel e canetas, que não tivemos desde que fazíamos lição da escola juntas.

Mas sei que pelo menos até um pouquinho depois daqui um mês e um dia, não terei tempo pro blog/twitter/facebook. E por isso o post de hoje.

Daqui umas 3 semanas chega o resto da caravana com ele, para fazermos mais festa, mais bagunça, mais barulho, dividirmos mais amor, mais diferente pontos de vista (pra colocar de um jeitinho educado). E eu não vejo a hora. Não teria metade da alegria e do conforto e apoio sem eles aqui. Fora que sem ele, quem seguraria minha mão, me levaria pelo braço, me apoiaria nessa hora dizendo coisas que só a sabedoria dele pode me dizer?

Mas aguentem as pontas, daqui a pouco eu volto e obrigada para aqueles que continuaram leais mesmo durante esse mês e pouquinho…

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Vê estão chegando as flores – II

Ok, sou a primeira a admitir, esse blog está virando coletivo de propaganda!  :)) Mas o que fazer se é um dos meus passatempos favoritos? Culpa dele e dela, que além  de tudo que já listei de coisas maravilhosas que fizeram por mim e me ensinaram, me viciaram em admirar propaganda, e ao mesmo tempo diferenciar a admiração à criatividade da necessidade do consumismo.  :x

A de hoje, remete a um post que fiz em 2012, sobre as alergias de Londres…

A primavera chega mais uma vez, e com ela os dias de Sol que fazem os brasileiros e estrangeiros e ingleses do tipo-que-sofrem-com -os-dias-curtos-de-inverno pularem de alegria (lembrem-se que não sou uma delas) , se reapaixonarem pela Inglaterra, com seus narcisos-amarelos ( que todo ano falam que saíram antes do tempo ) , seus dias mais compridos…

Mas todo mundo sabe o que primavera quer dizer, não há motivo pra ficar sentimental por causa disso, vim aqui pra mostrar a propaganda desse ano mais bacana até agora.  Quem fez foi a B&Q, uma empresa de materiais de DIY, do-it-yourself faça-você-mesmo, que assim como a Boots no passado, captou direitinho como é que o povo na Inglaterra reage aos primeiros raios de Sol que começam a sair por essas bandas…

A cultura do DIY aqui é enorme, e o pessoal quase não paga pedreiro, pintor, jardineiro, encanador para virem em casa não. Eles arregaçam as mangas e literalmente botam a mão na massa. Somente eletricista foi proibido, e hoje em dia tem que contratar pessoal qualificado para conseguir certificado para vender a casa, por questões de segurança. Engraçado como para artesanto, o costume não é tanto como já foi antigamente, apesar de estar voltando aos poucos com a necessidade da economia.

Não podemos esquecer é claro que nessa época do ano, a churrasqueira sai da shed , a cabana do quintal que guarda as tranqueiras da casa, e fica pra fora, de plantão, esperando o que vai ser aproveitado esse ano.

Então o negócio é usar os meses da Primavera até o meio do Outono pra fazer os serviços que precisam ser feitos em casa (a pintura é a mais comum, porque daí a tinta seca mais rápido, e dá pra abir as janelas pra sair o cheiro!), e aqui vai a propaganda da B&Q que me faz sorrir toda vez que eu vejo “porque é bem assim meeeeeeesmo”  B-)

A música canta “Eu tenho o poder”

Na última piadinha, o homem coloca a roupinha do Morris Dancers, uma dança típica da Inglaterra  :)

Depois dessa propaganda, vieram mais dois curtinhas, que me abrem o sorriso :



E se eu falar que estamos planejando fazer jardinagem aqui nesse finde, fica muito clichê?  :>

Também planejamos uma Spring Cleaning, a limpeza de primavera, costume de abrir os armários, levar as roupas que não usamos mais pras lojinhas de caridade, subir no sotão tirar as coisas que não se querem mais, e fazer aquela limpezona de coisas que estão ocupando espaço na casa, na mente e na vida.

E como não falar na Páscoa? Que sua vida seja recheada com aquela sensação de ano novo, vida nova. Que você esteja rodeada(o) por aqueles(las) que te amam e você ama.

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Contra a homofobia nos Jogos Olímpicos de Inverno

Na verdade, contra qualquer homofobia. Em qualquer lugar, a qualquer hora, qualquer lugar.

Mas como é o assunto da hora, o país  que precisa alcançar o século 21, fica aqui o vídeo, dessa vez com uma mini legenda embaixo. (via @avidaquer no Twitter, e a revista Exame)

 

httpv://www.youtube.com/watch?v=effb2JYiKXM

 

A música canta: “Você não me quer, baby?”
E as frases escrevem: “Os jogos sempre foram um pouco gays” “Vamos lutar para mantê-los dessa forma”

Ontem mesmo assistimos um documentário da BBC sobre a história dos Jogos Olímpicos e como a Rússia é uma das grandes potências nos jogos, pelas condições geológicas e metereológicas. Começou no socialismo e na questão de ter que provar que  o socialismo produz melhores pessoas.

Para quem não sabe, no ano passado a Rússia  fez ser ilegal ter propaganda ou imagens que use imagens homossexuais.Isso fez com que qualquer demonstração anti-homofobia seja ilegal e pessoas têm sido presas por protestarem. Também existe um problema enorme com pessoas que “se comportam” como homossexuais. A violência contra elas está em níveis altíssimos.

Irônico não?

Esse assunto é pano pra manga, e dá pra discutir muito, mas não quero tirar do foco de que eu não aceito homofobia, e que agora, durante os jogos, é a hora de balançar a bandeira pró-LGBT (Lésbicas, gays, bisexuais e transexuais) para o mundo inteiro ver.

Quem sabe quem ainda não aceita , não sabe, não entende passa pro nosso lado?

Bom final de semana!

PS: Depois de escrever o post, ouvi na rádio que as duas mulheres do T.a.T.u, que fizeram fama nos anos 00, farão parte da abertura dos jogos. Um ponto positivo no meio da homofobia do país, será que elas vão ter demonstração de carinho pra todo mundo (e todo país) ver? Esperamos que sim!

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52 objetos – 5a semana – Relógio para ginástica.

Acharam que eu ia esquecer ou deixar de escrever essa semana?

Cheguei no dia 6, conta como semana 5 ainda, não? :)

 

O que é? Relógio de pulso para ginástica. Mede tempo, batimento cardíaco e calorias gastas – durante e armazena os dados depois do exercício.

De onde veio? Da Amazon, infelizmente.

Porque foi escolhido? Antes de comprar o relógio, eu estava fazendo exercício em casa, mas depois de 6 mese não estava dando muito resultado. Resolvi comprar algo pra me ajudar a saber se estava pegando muito leve, e resolvi por esse Polar, que é um dos mais simples, mas me ajudou bastante a deixar de pensar que não dava pra puxar mais. Passei a impor a zona 120-162 batimentos por minuto, que é o que é recomendado para perder peso. Bem mais difícil do que eu pensava, mas ajudou – e ainda ajuda – muito!

Algo mais a dizer sobre o objeto? Depois do relógio, perdi mais 5 quilos em 3 meses. Agora é meu companheiro, não saio de casa pra corrida sem ele, nem vou pra frente da TV fazer ginástica de DVD sem antes ter clicado os botões que agora, são meus personal trainers (treinador particular)!

Muita coisa acontecendo e umas coisinhas legais que fizemos pra contar, mas fica pra quando tiver mais tempo de parar pra vir na internet!  :!!

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52 objetos – 4a semana – Sino de vento

O que é? Sino de vento

De onde veio? De Sampa.

Porque foi escolhido? Quando eu me mudei pra cá, minha mãe me deu um outro sino de vento, de golfinhos também – que já foi escolhido porque é meio público e notório que golfinho é um dos meus animais favoritos – que era todo de vidro, lindo. Ele quebrou na segunda mudança de apartamento que tive, minha primeira “casa própria”. Chorei pencas, eu sou assim mesmo, me apego a objetos, ainda mais se foi família ou amigo quem deu. Como infelizmente não sabia dos 52 objetos, não tenho foto do antigo… Rapidinho a mãe foi lá e achou outro , e escolheu escolheu esse também gracioso, para substituir.

Algo mais a dizer sobre o objeto? Assim como o primeiro, esse sino tem as pedrinhas que fazem a luz do Sol refletir na parede formando vários arco-íris no quarto-escritório. Como a janela fica fechada a maior parte do tempo, não se ouve muito o sino, a não ser quando vou abrir ou fechar a cortina. Ele ficou um tempão guardado no armário quando nos mudamos pra nossa primeira, literalmente, casa-própria. Mr. W colocou  cortina errada e não podia abrir ou fechar, então esperamos até os profissionais virem colocar direito pra pendurar. Sempre que tem Sol, meu local de trabalho fica enfeitado com arco-íris e sempre que está calor e abre-se a janela, ouve-se o tintilar do sino, e traz a mãe aqui pra perto!

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Hiberna-não

Sabe quando eu falo que assistir comercial feito no Brasil me dá aquele friozinho na barriga e calorzinho no coração?
Às vezes isso acontece quando vejo um filme, ou comercial que tem a Inglaterra também.
É, pelo jeito o coração dividiu entre os dois países pra valer agora.

E esse final de semana nos deparamos com o novo comercial da Land Rover. Que descreve exatamente porque eu adoro o clima daqui. Mesmo na chuva, no frio, na neve. Dá arrepio toda vez que eu vejo, e não é de frio não ;)

Acho que tem muito a ver com a quantidade de tempo que passamos com o tempo considerado “ruim” sabe? Temos que achar o que fazer pra aproveitar a vida e não ficarmos entocados em casa. O comercial tocou bem nesse ponto, não é porque está frio/chovendo que temos que ficar tristonhos, desanimados ou sem programa pra se divertir!

E um exemplo disso é que decidimos voltar a correr logo depois do ano novo, pico do inverno, e nossa época favorita para correr. Ventinho gelado no rosto, chuvinha nos fazendo sentir vivos.

Hibernação? Hibernar-não!

httpv://www.youtube.com/watch?v=5qmMo9mDgOs

Mr. W me explicou que a frase no final
“Enjoy this grey and pleasant land” – “Aproveite essa terra cinza e encantadora”
é um trocadilho na frase oficial do poema “Jerusalem” de William Blake:
“Enjoy this green and pleasant land” – “Aproveite essa terra verde e encantadora”.

E realmente essa uma terra verde e encantadora.
Infelizmente, esse ano não nevou ainda e a chuva tem pegado pesado, causando muitas perdas de propriedades e infelizmente algumas perdas de vida. Mas isso parece ser inevitável em qualquer lugar desse planeta, e aqui aprendemos a ser calmos, lidar com o que vem pela frente, usar o seguro da casa, lidar com locais que normalmente alagam, e nos preparar para o que vem.

Então os dias têm sido mais cinza do que verdes. Mesmo que com dias de Sol e lindos límpidos céus azuis entre eles.

Nessa terra que ainda é verde e encantadora. Mesmo que os céus estejam cinza. Pelo menos nesse cantinho dela aqui no Sudeste :)

Ainda sobre Jerusalem, o poema foi transformado em música por Sir Hubert Parry em 1916 e tocado pela primeira vez em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial em um concerto entitulado “Fight for Right” – “Lute pelo certo” e muitas pessoas ainda pedem que o hino “God Save the Queen” – “Deus preserve a Rainha” seja substituído por ela.

httpv://www.youtube.com/watch?v=lOFHVXE6yWs

“And did those feet in ancient time
E aqueles pés nos tempos remotos
Walk upon England’s mountains green?
Andaram pelos verdes das montanhas da Inglaterra?
And was the holy Lamb of God,
E foi o Cordeiro santo de Deus
On England’s pleasant pastures seen?
Visto nos pastos encantadores da Inglaterra?

And did the Countenance Divine
E o Semblante Divino
Shine forth upon our clouded hills?
Brilhou adiante sobre nossos morros nublados?
And was Jerusalem builded here
E foi Jerusalem construída aqui
Among these dark satanic mills?
No meio desses moinhos escuros diabólicos?*

Bring me my bow of burning gold;
Traga-me meu arco de ouro ardente
Bring me my arrows of desire;
Traga-me minhas flechas de desejo
Bring me my spear; O clouds, unfold!
Traga-me minha lança; Oh nuvens, revelem-se
Bring me my chariot of fire!
Traga-me minha carruagem de fogo!

I will not cease from mental fight,
Não recusarei a Luta Mental**
Nor shall my sword sleep in my hand,
Nem minha espada dormirá em minha mão
Till we have built Jerusalem
Até termos construído Jerusalem
In England’s green and pleasant land.”
Nas terras verdes e encantadoras da Inglaterra

*Os moinhos escuros e diabólicos é uma referência ao poema de Blake, que descreve as condições exploradoras e cheias de fumaça dos moinhos das fábricas da revolução industrial, que começou aqui, sabia?

** A Luta Mental (de acordo com análises na internet) é uma referência a ações sociais, e lutas até que Jerusalém, a utopia da terra prometida, seja contruída, aqui na Inglaterra. Engraçado como realmente é uma das coisas que me chamam a atenção por aqui, mas isso pe assunto para outro post… ;)

Que seja então essa terra verde, cinza e encantadora!

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