Minha complicada relação com o mundo da moda

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Então a polêmica da vez na semana passada foi o escandâlo de que a Zara (e mais de 20 outras grifes) usam mão de obra escrava para produzirem suas roupas. Que na minha timeline começou com o Twit da Helô Righetto.
Confesso que tal fato não me deixou perplexa. Essa história, pra quem mora na Inglaterra e acompanha as notícias, já é velha.
Dessa vez, o vexame foi flagrado no Brasil. Em 2009, a Zara e a H&M já eram denunciadas por utilizarem mão de obra escrava no Uzbesquistão.
Li uma vez na revista do avião, que a Diesel e a GAP usavam mão de obra infantil no Brasil.
Tem muito pouco que podemos fazer para impedir essa natureza da indústria. Eu faço o meu pouquinho, e lá vai a relação que eu tenho com mundo da moda:

  • Começou desde pequena, marca não pesa em nada pra mim

Meus pais sempre me ensinaram que o importante é quem você é, e não o que você veste ou o que você tem. Estudei em escola particular durante toda a minha infância, e não se engane de achar que não choramos por não termos tênis New Balance, camiseta Pakalolo e calça jeans M. Officer. Lembro de muitos escândalos mas meus pais sempre nos ensinaram com muito amor que o dinheiro gasto com as grifes poderiam ser gastos com outras coisas, e que no fim das contas, estávamos crescendo mesmo, o tênis, a camiseta e a calça jeans seriam perdidos antes de serem gastos. Que a qualidade do que compravam pra gente era suficiente para durar aquele ano, e na verdade que podíamos ficar lindões mesmo não carregando o peso da etiqueta. Com o tempo fui crescendo e o fato de não ter nada de grife só me ensinou que meus pais – mais uma vez – estavam certo. Sempre achei um jeitinho de achar o que precisava de maneira mais em conta, e aprendi o valor do dinheiro, no que valia a pena gastar ou não, qual era o valor do mesmo item em outras lojas?
Confesso, que a primeira coisa que comprei com meu salário de estagiária, foi um Nike. Não podia comprar só com o salário, mas meus pais, em uma forma de reconhecer meus esforços, pagaram por metade. Usei com muito gosto o tênis, e fiz durar até rasgar, mas enjoei muito antes do tênis acabar e aprendi mais uma lição.

  • Se compro barato, quando chega a hora de desfazer, não contrbuí para o lucro da marca

A lição com o tênis foi a de que a moda comprada normalmente me enjoa antes de chegar ao máximo que eu posso usar dela. O tênis durou um ano e meio mais ou menos, mas muito antes disso eu já estava com cosquinha de comprar outro. Mas como suava pelo dinheiro do estágio (cujo metade do salário ia direto para a poupança assim que caía na conta) me segurava para não comprar outro. E fiquei com o coitado até não ter mais como usar, assim como fazia com as roupas de trabalho. Dali pra frente, comprava blusinhas e roupas “temporárias” na Miroa, na Fancy, na Barred’s. Aqui eu compro na Matalan e Primark. Mas sei que a duração dessas roupas é curta, mas o suficiente para desfilar e me aprovietar nelas, sem ir à bancarrota, e então aprendi mais uma lição.

  • Pagar um pouco mais vale a pena, se é para durar

A lição com as roupas de trabalho, foi que quando comecei a trabalhar na AT&T (vulga Lucent, vulga Avaya) exigiram que eu começasse utilizar roupas mais formais. Peguei a mãe e fomos juntas escolher o que era apropriado e o que valia a pena pagar. Minha mãe sempre foi “O” exemplo de mulher elegante, linda e charmosa, quem melhor para ir comigo? Resolvemos fazer a rapa na Luigi Bertolli. As roupas eram clássicas, de ótima qualidade e por isso significava que eu poderia passar um ano usando-as sem precisar gastar dinheiro de novo. O famoso barato que sai caro, quando é para roupas de trabalho, não colam comigo. Aqui, compro na Next e New Look quando preciso de coisas mais duradouras, mas mesmo assim, prefiro esperar quando tem promoção, assim gasto menos ainda. Investir o dinheiro em qualidade sem pagar mais pela etiqueta, me mostrou que não preciso comprar roupas todo mês, toda semana, todo dia. Mas quando preciso. E mais uma lição.

  • Comprar quando é preciso

Só compro quando preciso. Quando as roupas mais baratinhas não estão mais em condições de usar que eu ainda me ache bonita com elas, vão pra doação. Algumas vezes até penso que elas precisem ir para a reciclagem de retalhos aqui de tão usadas que foram. Muitas vezes levo pro Brasil e junto com a minha mãe, as reformamos. Recorta e costura daqui, cola um brilhinho ali. A época que mais comprei roupa foi quando perdi 10 quilos e as roupas antigas estavam todas grandes. Na empolgação da perda de peso, comprei comprei comprei. A casa tinha espaço pra guardar e não me desfiz das roupas antigas, vi o estrago na mudança. Quando quase 20 sacos de 20L. saíram de casa com roupas que já não queria mais. No meio tempo engordei de novo, e precisei comprar algumas peças novas. Compro conforme vou precisando para novas ocasiões, vou comprando, mas tenho pego somente as baratinhas, pelo menos até perder perder o peso de novo, então as roupas que preciso agora são da categoria “temporária” e serão das baratinhas, já que daqui uns meses quero ir comprar as definitivas do novo corpitcho e daí sim renovar as roupas para um armário mais duradouro.

  • E o boicote?

A primeira reação das amigas fashion é a de boicotar as marcas que forem provadas fazerem parte do cartel da escravidão.
Meu boicote é antigo. Meu boicote é o mesmo dos meus pais. Que me ensinaram que a indústria da moda é tentadora, e que precisamos vencer a pressão da importância “do ter, antes de ser”. De entender, que se alguém não é nosso amigo porque não nos vestimos com roupa da moda ou da marca, quem não merece ser nossos amigos são essas pessoas.

O boicote é uma forma de protesto. Mas para não sairmos pelados, como a Helô Righetto sugeriu sendo a única solução possível, uso as minhas lições aprendidas, e evito até entrar em lojas de grifes, contra o abuso em nome do lucro. Fazer uma roupa por 20 centavos e vender por £10 (o que a Primark e Matalan cobrariam) é abuso. Vender por £20 – o que pagaria nas lojas mais médias daqui (Next, New Look) é abuso – mas normalmente espero a promoção chegar e o preço cair até £10 ou mais barato, e assim evitar comprar muitas calças Primark. Vender por £60 (o que seria o preço da Zara e GAP) é pior ainda, e normalmente mesmo as promoções não são preços exorbitantemente ótimos, e os tamanhos que sobram não me servem /:)  Não sou contra o lucro, sou contra o lucro abusivo. Em Leleilândia, que não é socialista porque não é obrigatório mas voluntário, o lucro é dividido pelo bem daqueles ao redor de nós, e não em nome de sua exploração. Exploração na linha de produção, exploração de quem sua a camisa para comprar algo que quer.

  • Se o boicote não vai funcionar, o que pode funcionar ?

Eu acho que o boicote funciona sim. Mas o boicote a longo prazo, consistente e consciente. Escrever para as marcas que você gosta (e faz questão de usar) explicando que está parando de comprar lá por causa da posição social da empresa. Ficar na cola da imprensa para dar seguimento às investigações reportadas anteriormente. Fazer sua voz valer no Twitter e blogs e onde mais puder ser ouvida.
Simplesmente e brevemente boicotar, não ajuda. Pensem comigo. Zara(em ’09) e GAP(em ’07) e Diesel(em ’08) já foram escancaradas no passado como marcas que utilizam mão-de-obra escrava. No passado também disseram que iriam averigüar os fatos e certificar que o problema não acontecesse mais. Anos depois, Zara resolveu mudar as operações escravas do Uzbesquitão para o mercado escravo no Brasil e a GAP caiu de novo na tática do mercado escravo da Índia – denunciado em Agosto do ano passado. A impressão é que essas grifes deixam a poeira baixar, fazem um escarcéu de que vão olhar no problema, vão resolver, bladidádá e nada é feito, volta e meia sai um escândalo de trabalho escravo (e muitas vezes infantil) sendo utilizado.

Surpreendentemente a única empresa que realmente sempre impôs condições de trabalho e desmentiu relatórios falsos de trabalho escravo (a BBC teve que pedir desculpa pelo programa mentiroso) até hoje foi a Primark, a mais popular e baratinha de todas. É a única da indústria – que eu sei – a colocar seus valores éticos no site da loja pra quem quiser ver.
A New Look e a Diesel publicam quais são as caridades para as quais elas doam parte de seus lucros, um ponto positivo no meu caderninho (mesmo que eu não compre Diesel porque o preço ainda é impraticável para o que oferecem).
Algumas têm um blablablá enorme no meio de letrinhas confusas e muitas vezes não vêm a publico quais caridades elas ajudam, qual são as ações que fazem mesmo para beneficiar seus empregados e costureiros?
Se alguém achar mais alguma, me avise e colocarei com prazer aqui no blog e tirarei da minha lista do boicote.

Fazer pressão às marcas para abrirem as portas de suas fábricas, além do boicote de não comprar mais lá até conseguirem colocar ordem na casa, é a melhor ação.
Elas não poderem culpar o clima ecônomico por quererem fechar suas lojas e fábricas (que pelo sim pelo não é a única fonte de renda dessas famílias) quando pararem de vender e suas ações despencarem, é o que as fariam repensarem suas responsabilidades sociais, e acompanharem mais de perto sua linha de produção.

Escrever para os políticos exigindo melhores condições de trabalho serem impostas, é o que o povo todo no mundo inteiro (para evitar ações como as da Zara que mudou de um país para o outro) deveria fazer também. Foi assim que nos livramos de condições desumanas na Inglaterra (com a união dos sindicatos e trabalhadores) e muitos países que hoje em dia prezam pelas suas condições de trabalho. Vejam bem, isso ainda não evita que existam trabalhos escravos e explorativos no Reino Unido. Mas muito MUITO mesmo foi banido no passado.

  • Então eu nunca compro nada de marca?

Depende o que você chama de marca. Posso dizer que 99.9% das minhas roupas e sapatos não são de grife. E os 0.01% que são, foram presentes. Tenho um casaco da Zara que ganhei de presente, uma bolsa da Radley que ganhei de presente. Foram presentes de pessoas que gostam de mim e tinham a melhor das intenções em seus corações. Aceitei com carinho, e os usarei até não dar mais, fazendo jus ao dinheiro que gastaram ;;)

  • E as pessoas que justificam as compras nessas lojas?

De novo, eu entendo que é o mundo em que vivemos. Eu não condeno os amigos e conhecidos que sucumbem à tentação das marcas. Eu não entendo a atração pela mudança de estações, pela renovação do armário a cada 3 meses, pelo julgamento de acordo com o que você veste. Não entendo o porque pagar mais pelo que você poderia ter por menos. Não tenho o hobby de ir fazer compras.Já tentei me entrosar em conversas da moda, mas não rola. Então não tenho como condená-las. Só poderia ter o direito de levantar um dedo se a minha criação tivesse sido diferente, se minha personalidade fôsse diferente.
Só posso tentar explicar porque é que penso e ajo diferente.
E abrir meus ouvidos pra quem quiser me convencer do contrário :)

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20 comments to Minha complicada relação com o mundo da moda

  • Adorei teu texto, Lelei!

    Muito bem argumentado e muito bacana tua atitude de levar a vida desta forma. Confesso que sou refém desta indústria, mas sei meus limites, e adoraria poder me livrar de certos vícios… quem sabe um dia.

    Mas teu texto já é um ótimo começo pra gente refletir. Obrigada por ele!

    Beijão!

    • L.

      Oi Carina, opa, se o post já fez mais pessoas pensarem sobre o assunto já estou feliz. Se ajudar a libertar os reféns, melhor ainda!! =D> Vai nos atualizando de como o progresso de desmame vai indo e se precisar de um "sponsor" tô por aqui, rsrs! Beijos

  • Lelei, AMEI o texto, fiquei super inspirada pra escrever sobre minha também complexa relação com a moda hehehe. Minha mãe sempre foi beeem igual seus pais e na verdade ela nem conhece muito marcas, não tá nem ai, sabe? E exatamente, às vezes a gte se rende à tentacao, acaba comprando algo mais caro, mas sei la, eu tambem quase sempre me arrependo e nao uso com gosto… Ainda bem q fui educada assim pq quando fui estudar na GV se eu me importasse com essas coisas ia chorar todos os dias de desgosto por não me vestir como as meninas de lá! Lembro muita gente me olhando horrorizaaada quando eu chegava na sala de social (por causa do estagio tb) e chinelo, porque eu ia a pé pra faculdade e AQUI Ó que vou andar tudo de salto… não gosta de mim pq nao visto sapato lindo: Shame on YOU, not on me :)

    Ah e eu te respondi varios comentarios seus no blog e ontem descobri que vc nao recebeu nada… malz ae, eu achava que quando dava reply no email do comentario ia direto pra voce, mas nao ia, ia pro noreply do Google e nao vi.

    Enfim, adorei, vou escrever dpois! :)

    • L.

      Opa, muito legal ver que tem gente que pensa como eu, às vezes me sinto um peixe fora d'água, e como eu disse já sofri muito (e confesso ainda machuca) quando pessoas me "medem" sabe como é? Mas também penso e se o fato da pessoa não gostar de mim nnão tiver nada a ver com o que tô vestindo e fôr simplesmente porque sou uma chata nerd que gosta de fazer discurso? :)) Vivendo e aprendendo! Vou ficar de olho no seu post então, mas já fico em todos! rsrs

      Sem problema quanto às respostas, de boa mesmo ;)

  • Lelei, sou da tribo do seus pais.E meus filhos idem. Moda passa tão rápido, e não consigo pensar em pagar por uma etiqueta, por algo tão abstrato.Eu compro roupa, não marca. Sempre achei meio ridículo sair fantasiada de vitrine. E sempre tive que fazer escolhas. Ou educava (da melhor maneira possível, $$$)meus filhos ou viajava. Agora, viajo muito! Educação e viagens não ficam velhos, ninguém rouba e dá sempre para reciclar! E viva a Primark!

    bjkas e mais uma vez, parabéns pelo blog. É pensante!

    • L.

      hehe termo certo de sair fantasiada de vitrine era mesmo na época da Pakalolo, com seus logos extravagantes. Acho que muita gente cai na armadilha de achar que somente os lugares mais carinhos fazem as roupas mais bacanas… Mas só vendo as mais em conta que se vê que não é bem por aí. E nem é que é rídiculo, é só uma questão de cultura e personalidade mesmo, eu acho. Tem um programa de economia aqui que trata o vício às vezes até como doença mental :-S . Com certeza, cada um também vê o que é mais prioridade para si mesmo :) Obrigada pelos parabéns, much appreciated! :)

  • Má, fui criada exatamente assim. Acho que nossos pais têm o MESMO pensamento. Acredita que NUNCA tive nada Pakalolo (coisa de nossa adolescência) e não sentia falta? Eu aprendi que podia me vestir bem e ter roupas bacanas a preços justos lá no bairro onde meus pais moravam! rsrsrs Esse papo seria bem longo, mas o resumo é que hoje continuo a mesma. Gosto de vestidos e chapéus, mas tenho controle de tudo o que compro e passo MESES sem comprar nada (não poucos, mas tipo… 10, 11 meses, dependendo do ano – tem anos que compro mais vezes, mas menos roupas em cada vez). Compro muito livro, adoro bijuteria e gosto de maquiagem, mas mesmo esses dois últimos eu tenho comprado tão raramente que nem me lembro. Eu sempre digo pro Má "Agradeça a mulher que vc tem!" hahaha… Beijos!

    • L.

      Hehe somos as mesmas doidinhas pro chapéus mas aposto que todos os nossos são comprados dentro do razoável né? =)

      Como eu disse também passo mais ou menos o mesmo tempo sem comprar roupas, sapatos, até chapéus eu dei uma maneirada, rsrs. E com certeza, sabe que até ordem no orçamento de Mr. W eu coloquei? Consegui convencê-lo a frear os gastos com roupas todos os meses! :)>- Beijão!

  • Ana

    Ai Lelei, nunca e tarde pra mudar, isso ja ta nos meus planos para o proximo ano :-) lendo esse teu texto me deu mais motivacao para a nova meta. Fica bem, besitos

    • L.

      Oba! Vá me contando o progresso hein? (Pode mandar por email) E se precisar de inspiração nos momentos mais difíceis pode pedir também! Boa sorte, beijão

  • É isso aí!!!! Tô contigo e não abro!!! Tivemos uma discussão semelhante na firma, e eu disse que não comprava coisas de marca, pq eram as mesmas das outras, me criticaram, disseram que não acreditavam, mas meus pais fizeram o mesmo que os seus, para ajudar ainda, uma vizinha nossa, tinha uma oficina de costura que montavam essas roupas, e as que tinham pequeno defeito, eram vendidas por 20% ou até 10% do preço da loja, só pq não tinham as etiquetas. Sempre prefiro comprar fim de coleções, troca de estação. Não me importo, e nunca uso nada só pq é moda, uso se eu gostar e me sentir bem, ponto.

    Beijo

    Fer

    • L.

      Isso mesmo Fêfa, somos farinha do mesmo saco :) Eu até gosto de roupa de moda quando me sinto bem, só que minha moda é sempre fora de hora. Tipo adoro Boca de Sino que tá fora da moda, rsrsrs. Então se tem algo da moda que eu gosto eu até compro, mas uso por anos, mesmo que a moda já tenha acabado :) Beijos!

  • Luciana

    Oie, eu concordo com você mas não sigo a mesma linha. Eu busco a qualidade, o corte, o caimento e isso sim as marcas oferecem.

    Eu costumo comprar nas liquidações… Minha loja favorita no momento é a TVZ e eu fico de olho na vitrine e compro com 50% de desconto! Saio feliz da vida!!!

    Agora para o Nico, que perde todas as roupas em 3 meses, eu compro algo bom, bonito e barato… O que ele tem/teve de marca foram presentes. Realmente são peças lindas, de ótima qualidade mas a duração é a mesma… Agora não dá para negar que o Puma fica lindo no pezinho dele… risos…

    • L.

      Oi Lu, eu acho que o ponto é sempre se sentir bem claro! Como eu disse, eu comprava na Luigi Bertolli as coisas mais "de base" e que deveriam cair bem e durar bastante tempo. Também sou a favor de comprar nas liquidações, claro!

      Não falei de deixar de se vestir bem para não gastar dinheiro, é mais o fato de saber balancear o valor das coisas e saber balancear a quantidade e freqüência que se compra, entende? :-?

      Apoio 100% no caso de Nico, é bem por aí mesmo :) E de resistir que mesmo que o Puma fique lindão, não há necessidade de se comprar 15 pares pro garoto, rsrs… Beijão!

  • pai coruja

    Parabéns Lelei…….

    Como pai coruja fico muito orgulhoso de ter colaborado em seus principios.

    Essa questão de "grife" (entre aspas mesmo !!!!!), pelo menos no Brasil, é muito antiga e complicada.

    Conheço uma pessoa que teve loja da José Paulino (conhecedor do ramo, portanto) que comprava a mesma roupa das confecções que faziam produtos para as lojas de grife dos shoppings e dos Jardins. Só mudavam a etiqueta e algumas cores e enfeites. E, obviamente, o preço (o dele era cerca de 50% mais barato). E nem se usava mão de obra escrava ou parecida com isso……

    Por tudo isso, cada vez mais, eu quero morar na Leleilândia…………

    Abraços………….

    • L.

      Oi pai, você sabe que já tem cidadania garantida em Leleilândia, e cargo de acessor =)

      Pois é, só tenho a agradecer a você à mãe por terem sido pais tão maravilhosos e fortes por terem resistidos aos nossos choros de queremos as roupas de marcas :)) e por terem me ensinado tantas coisas assim! Amo vocês!!

  • Nem considero Zara "aquelaaaaa" marca,as roupas são acessíveis, pelo menos aqui na Europa. Posso dizer que não ligo para marcas, gosto de qualidade e que eu ache ache bonita, é o suficiente.

    Uma conhecida minha deixou de comprar uma blusa num ponta de estoque pq estava sem etiqueta da marca, foi na loja e comprou a mesma com a etiqueta, e pagou umas 5x mais por isso, isso é idiotice! rs

    Acho q seria difícil fazer boicote, teria q ser muitas e muitas pessoas, q eu duvido q aconteceria :/

    Muito bacana os ensinamentos dos seus pais :) , tem muitos que deixam de cor pra dar coisa de marca para os filhos e poder "aparecer" :/

    Beijocas,Lu.

    • L.

      Sabe Lu, eu vi que em Portugal a Zara era bem mais em conta do que é aqui em Londres. Uma calça social pode custar £80, e consigo comprar fácil fácil por 20, até 40 se quiser gastar messsmo!

      Concordo que tem muita gente movida a etiqueta, realmente é muito triste isso, mas acho que são pessoas que nunca pensaram que poderiam estar usando o dinheiro para ajudar uma caridade por exemplo né?

      Sabe que boicote funciona sim? As vendas caindo um grande número (não precisa ser 100%) fariam as ações caírem e as empresas tomarem uma atitude. Funcionou por um tempo com a GAP e funcionou com a Primark…

      Meus pais são o máximo mesmo Lu! :)

  • Excelente post, como sempre. :)

    Já me perguntaram muito isso na formspring (sobre o caso da Zara) e é o que você disse; não é novidade. Como eu respondi por lá, nem sempre é culpa da empresa grande. Elas terceirizam o serviço e às vezes os terceirizados "quarteirizam". Já vi isso acontecer for real – de repente uma Dona Maria no fundo do seu quintalzinho de subúrbio estava lá, cortando e dando overlock em camisas da GAP e sendo paga peanuts porque a empresa terceirizada achou mais barato passar para alguma morta de fome desesperada por trabalho. É preciso sempre fiscalizar os terceirizados, e é nisso que essas empresas grandes pecam. Observe que não estou justificando. É errado e a empresa devia se certificar que seus colaboradores fossem corretos e não um bando de exploradores.

    Eu compro na Zara porque acho os preços bons e as roupas de boa qualidade e num design que me agrada. Nunca comprei no Brasil porque LÁ os preços da marca são inflados. Tenho tops da Zara que custaram 15 libras. Não troco roupa a cada estação, longe disso. Especialmente porque saio pouco de casa. Meu casaco preferido ever custou nove libras numa Oxfam em Jersey e venho usando-o desde 2007; meu outro casaco de inverno é de 2005, tenho calcinhas M&S tão, mas TÃO boas que eu tento jogar fora e não consigo (são de 2004). Compro muita coisa em brechó (pena que meus favoritos andaram fechando, bu&aacute ;) e não tenho nojo de roupa usada. Tenho um top de cashmere rosa lindo anos 70 que custou quase nada na Rockit de Camdem. Em compensação tenho também bolsas de mil libras, feitas à mão por algum artesão na Itália que recebe direito pelo seu trabalho. Tudo é questão de balanço, prioridades, poder de compra e OPÇÃO. Eu gosto de roupas, muito. Mas não gosto de "moda", de ditaduras, de falta de individualidade, de "tendencinhas", de comprar um estilo de roupas só porque a Vogue mandou. Há quem seja feliz usando jeans, tênis e camiseta para sempre, e não condeno. Mas eu gosto de me divertir na hora de me vestir.

    As lojas de griffe empregam pessoas, elas também precisam sobreviver. Não acho que precisem ser demonizadas porque cobram mais caro. É o que o público alvo deles pode pagar. Eu não quero pagar 5 mil numa Birkin, mas se a Victoria Beckham pode ter 50 delas, quem sou eu para condenar? Se não é bacana ser julgado por NÃO ter roupa de marca, é igualmente não-bacana ser julgado por ter. Desde que não estejamos passando por dificuldades financeiras para ter determinada coisa (como muitos viciados em grife de roupas, sapatos, carros ou cosméticos passam, e tenho empatia por eles porque isso de fato é doentio e muitas vezes sinal de carências internas que não devemos julgar), então cada um na sua. :)

    p.s.: Adoro a Next e a New Look. Primark eu prefiro para básicos não-duradouros, tipo tops, camisetinhas, calcinhas divertidas, camisolas, meias… Notei aqui que a Debenhans tem promoções *muito* boas. E às vezes me surpreendo positivamente no setor de roupas da BHS e do Sainsbury's. :)

    • L.

      Yeap. Yeap. Yeap.

      Concordo 98% com seu discurso :-?

      Como eu disse eu não julgo quem tem, mas gostaria de uma consciência social melhor em que pessoas gastariam menos com roupas e mais ajudando ao próximo :-D Gostaria de pegar na mão e no extrato bancário e mostrar quanta diferença no mundo o dinheiro dessas pessoas poderia fazer. Mas sei que muitas pessoas também ajudam caridades – muito mais do que eu – e sei que é utopia de Leleilândia que um dia todos teriam o mesmo tanto de dinheiro e o mesmo tanto de conforto e oportunidades na vida :-@

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